ELMAR BONES/ O mito e a farsa

Imagine se Jair Bolsonaro fosse o mito que alguns fanáticos acreditam que ele é.  Imagine se ele tivesse feito um pronunciamento mais ou menos assim na sexta-feira:

Não vou perder tempo aqui com as acusações levianas que o senhor Moro fez contra mim. O momento que vivemos no Brasil é muito grave para que se fique perdendo tempo com intrigas palacianas.

O Sr. Moro pertence ao passado, não é mais nada no meu governo, seu pedido de demissão foi aceito e eu até lamento porque confiei que ele seria um aliado fiel na luta que estamos travando para tirar o Brasil desse atoleiro em que nos encontramos.

Esse atoleiro no qual fomos jogados, em parte por conta da irresponsabilidade de alguns governantes, que lançaram  o país na desordem e na crise econômica e, principalmente, pela fatalidade dessa pandemia que assola o mundo inteiro e deixa toda a humanidade consternada e perplexa.

Não é hora de gastar energia com personalismos e com ambições mesquinhas. É hora de enfrentar com energia e destemor o gravíssimo desafio que temos pela frente: vencer a pandemia e salvar a economia e os empregos de que dependem todos os brasileiros dos mais humildes aos mais abastados, todos ameaçados por um inimigo invisível diante do qual a mais avançada ciência se mostra impotente.

Precisamos de atitudes prontas e destemidas e eu quero anunciar aqui uma decisão grave e extrema, sobre a qual muito meditei até chegar à conclusão de que é a única saída que temos nesta crise sem precedentes: a moratória unilateral da dívida pública brasileira.

Este ano o pais vai desembolsar cerca de um trilhão de reais para pagar juros e amortizações da sua dívida com o sistema financeiro internacional.

 Vamos suspender o pagamento dessa  dívida por três anos e vamos usar esse dinheiro no fortalecimento das nossas estruturas de saúde,  para tratar dos nossos doentes.

Vamos, principalmente,  salvar a nossa economia e impedir que milhões de brasileiros, mesmo tendo escapado da pandemia, sucumbam  à miséria e à fome.  Vamos atender aos mais necessitados e vamos financiar nossas indústrias, nosso comércio, nossas lavouras  para que elas continuem produzindo e gerando riqueza e empregos. 

Depois, quando tudo isso passar, vamos sentar com nossos credores e acertar a maneira de pagar o que devemos.

O Brasil é um dos países mais ricos do mundo e não vai ser um ou dois anos de crise que vai comprometer o seu futuro”.

Claro que um discurso desses é impossível para  Jair Messias Bolsonaro, que é  apenas um populista de direita, que amesquinha o Brasil, alinhando-se a Donald Trump em troca do amparo de um poder decadente.

Com o discurso que fez na sexta-feira – um discurso patético e sem nexo com o qual pretendeu rebater as acusações que Sérgio Moro fez contra ele ao demitir-se do Ministério da Justiça – Bolsonaro apenas selou a sua sorte de farsante.

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