O voto em Lula neste 30 de outubro se impõe não apenas para remover Jair Bolsonaro.
Tirar Bolsonaro é condição sine qua non, como ter que arredar um tronco caído na estrada em que se quer passar. Mas não é tudo.
O voto em Lula se impõe também pela necessidade de mudar essa política econômica, que entrega ao mercado a solução das questões sociais, do desenvolvimento da ciência e da preservação ambiental.
Esse projeto começou com o golpe de 2016, no qual Bolsonaro pegou carona.
Bolsonaro não representa esse projeto. Caiu de paraquedas nele, graças àquela facada. Se segura na carona do Guedes, o fiador. Agora se tornou incõmodo por seu primarismo, por seu isolamento que prejudica os negócios.
É preciso ter clareza disso porque o governo Lula só vai adquirir sentido quando mexer nas pedras de toque desse capitalismo selvo/financeiro em andamento.
Só uma cidadania consciente vai sustentar o governo neste momento, quando todos os mecanismos do projeto neoliberal vão se mover para atacá-lo.
Os manifestos divulgados nos últimos dias pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, seguida de outras em outros Estados, são explícitos num ponto: a importância da continuidade da política econômica que, segundo eles, vem tirando o Brasil da crise provocada pelo coronavírus.
O sonho desses grupos é se livrar de Bolsonaro e manter o projeto. Então, é preciso ter clareza que o voto em Lula não é só um voto contra Bolsonaro. É também um voto contra um projeto de Brasil-colônia, uma economia predatória, em benefício de poucos e prejuízo de muitos.