A lamentável sessão do Superior Tribunal Federal a 19 dias de uma eleição que, segundo consenso entre as vozes politizadas, vai decidir os rumos do Brasil nas próximas décadas, tornou ainda mais incerto o caminho até as urnas no dia 4 de outubro.
Favorecido pela guerra de versões e o bate boca entre os ministros, o candidato Flávio Bolsonaro encontra neste momento o ambiente altamente propício para sua estratégia, que se baseia no despiste, na falácia e até mesmo na mentira mais deslavada.
A atuação de uma imprensa conivente, para dizer o mínimo, completa o cenário que catapulta o bolsonarismo, depois de tudo o que ele foi capaz.
O resultado é esse: um candidato improvável, despreparado, envolvido em negócios escusos, sem projeto, sem equipe, com um discurso ginasiano e enganoso, pode ganhar a eleição de um líder que vem das bases, está em seu terceiro mandato como presidente da República e é uma reconhecida líderança internacional.
Na guerra de versões a que se reduziu a campanha, a primeira vítima pode ser o voto, como instrumento democrático, capaz de expressar os reais anseios da população.
Pior, no ambiente que está se criando, uma derrota de Flávio Bolsonaro pode reavivar as brasas do golpismo, que estão sob as cinzas mas não apagadas. (E.B.)
