Imprensa: Cinquenta tons de marrom

Incrível como a imprensa nacional transitou da oposição para a situação, sem nem tropeçar no degrau, que, por acaso, é grande.
Os jornais nacionais da vida se transformaram numa descarada assessoria de imprensa do governo. O pessoal dá uma cabeçada de manhã, logo mais à noite já está tudo oficialmente esclarecido.
Com a nova linha editorial, pipocada virou “realinhamento de discurso”. A palavra “recuo” não passa nem perto da boca do apresentador. Afinal, as pipocadas já viraram rotina mesmo.
Estourar a meta de inflação? Tudo bem, já estava previsto pelos especialistas. Até o fim do ano passado parecia que as portas do inferno iam ser abertas se a inflação ficasse acima da meta. E olha que a inflação vai a caminho de ficar dois pontos acima da “meta”.
E a demissão do AGU? E a denúncia de conhecida revista que até pouco tempo saía da gráfica direto pra tela do noticiário? Nada. Só o registro burocrático pra não ficar chato. Ninguém quis saber o por quê. Alguns até disseram que “já era pedra cantada”. Pausa para risos.
O governo Temerildo se apresenta frágil, mas não um frágil que inspira cuidados, como um cristal, por exemplo. É um frágil de débil, de esquálido, de fraco, suavemente repugnante.
O governo da Dilma pode ser acusado de qualquer coisa, menos de frágil, apesar do Zé Cardozo. Segurou o bombardeio de peito aberto. Ela como líder, transmitia total confiança e firmeza, muitas vezes confundida com intolerância e estupidez. Mas, vivia cercada de patifes. Temerildo incluído.  Porém, a Dilma é tipo da pessoa que eu entregaria a chave do carro, se eu tivesse um. Pro Temerildo? Nem pra estacionar.
É triste ver a imprensa tentando convencer o povo brasileiro que o Temerildo é confiável. Um cara que tem um índice de rejeição ainda maior que a da presidenta golpeada. Ainda tentam fazer a conta do pato parecer mais digerível: “Não vamos mexer nos direitos trabalhistas”, repetem sem parar. Mas, então pra que a reforma? Como que não é mexer no direito do trabalhador passar a idade de aposentadoria para 65 anos? Tanto pro homem como pra mulher? Só falta dizer que estão implementando políticas de igualdade de gênero com essa medida. Não duvido.
Outra pergunta: economizar na Previdência pra gastar aonde, se os gastos com saúde e educação vão ser congelados por 20 anos?
É certo que a imprensa conseguiu convencer a população que Dilma era incapaz de governar o país, mas, como diz o ditado: “É mais fácil destruir do que construir”. Quero ver a imprensa conseguir construir a imagem de um estadista sólido com essa matéria prima gelatinosa que está aí.
 

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