Incertezas não faltam

No Brasil neste momento se conjugam três fatores perigosos, que podem gerar uma situação explosiva: economia estagnada, população dividida e governo vacilante.
Dentro desse quadro geral, ao qual não falta sequer um crise militar ( por enquanto abafada), desdobra-se um outro enredo dramático e de desfecho incerto:  o vazamento dos diálogos do, então, juiz Sérgio Moro com os procuradores da Lava Jato..
As gravações mostram que Moro exorbitou de sua função de juiz e influiu nas investigações que levaram à prisão de Lula, por ele julgado e condenado.
Agora ministro da Justiça, se empenha em cercar o Intercept, o site que recebeu e divulgou as mensagens hackeadas que revelam a sua parcialidade.
Ele busca caracterizar como uma operação criminosa a obtenção das mensagens pelo Intercept e com isso abrir caminho para invalidá-las como provas.
Um indício de que se manipula o processo é o vazamento de informações seletivas para a imprensa desde o início, embora o inquérito corra em segredo de Justiça.
O depoimento do líder do grupo de hackers pressos já foi vazado para a Globo e ali estão os indícios de uma narrativa em construção.
O líder do grupo disse no primeiro depoimento que passou as gravações ao Intercept sem nada receber. Mas seu cúmplice disse que ele pretendia “vender o produto para o PT”.
Na integra vazada para a Globo, ele diz que chegou a Glenn Greenwald, do Intercept, através de Manuela Dávila (que confirmou ter fornecido o telefone).
Aqui mais um dos pontos intrigantes do enredo: um hacker capaz de invadir quase mil contas de altas autoridades da República, precisaria recorrer uma deputada para obter o contato de um jornalista notório?
A Polícia Federal concluiu que eles hackearam cerca de mil celulares de autoridades, inclusive o presidente Jair Bolsonaro, mas não esclarece se teriam passado todo esse material para o Intercept  ou só a parte referente a Moro e os procuradores?
O parlamento vai voltar do recesso em primeiro de agosto. Com uma reforma entalada, um executivo errático, um judiciário patético, uma população dividida e a liberdade da imprensa em cheque.
Incertezas não faltam.    .
 
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Um comentário em “Incertezas não faltam”

  1. . A economia está estagnada desde a época em que Dilma (a ensacadora de vento) era presidente. Não só estagnada como andando pra trás.
    . A população está dividida desde a época em que Lula era presidente. Bem sabemos que foi sua a política do “nós contra eles, dos brancos contra pretos, dos ricos contra os pobres, etc).
    . Governo vacilante. É verdade. Concordo com você. Bolsonaro é um gerador de crises desde o primeiro dia de seu governo.
    . Moro exorbitou de suas funções como juiz. Talvez, um pouco.
    . Moro influiu nas investigações. Influiu? onde está ele instruindo a polícia federal ou o ministério público? nem a polícia federal nem o ministério público são bobalhões que não sabem trabalhar, que precisem que um juiz lhes instrua como conduzir o processo para condenar criminosos.
    . Moro agora se empenha em cercar o Intercept. “Pópará”. Desde quando a “prática de atos contrários aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal” pode ser traduzido como um empenho do Moro para deportar Glenn Greenwald? caso de arbítrio e atentado à liberdade de imprensa foi o ato praticado pelo esquerdista ministro hoje presidente do STF, Dias Toffoli, quando censurou a revista Crusoé. Isto sim é um ato de arbítrio praticado por uma autoridade. O texto da portaria 666 não leva à um entendimento de censura ao Intercept. Glenn é suspeito de envolvimento com terrorismo? Glenn é suspeito de envolvimento com grupo criminoso? (só se ficar comprovado que a ORCRIM do Lula, o PT, está envolvida no ato criminoso de hackeamento de celulares). Que eu saiba, Glenn não está envolvido com tráfico de drogas, com divulgação de pornografia, com exploração sexual infantojuvenil, com torcidas violentas e por aí vai.
    . Muito pelo contrário ao que você escreve na matéria, A portaria de Moro deixa claro que “ninguém será deportado por motivo de manifestar opinião política”.
    . Muito boa a matéria. Nos prende na leitura, ao contrário daquelas que aquele jornalista medíocre que escreveu um livro também bem ordinário sobre os Celiberti.
    Finalizando, que troço esquisito esse “fulano é casado com cicrano”. Ainda sou do tempo em que homem dançava com mulher.
    [email protected]

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