Lula lá

ELMAR BONES
A prisão de Lula não é necessariamente uma derrota política, mesmo que ele fique fora da eleição.
Fora como candidato, bem entendido. Por que, como influência política, não há como tirá-lo “do páreo”.
Na verdade,  o peso e o tamanho dessa influência tendem a crescer com a  prisão.
Compare-se o Lula de hoje com o Lula de 2015.
Em 2015, ele não teve condições  de ser candidato. Dilma surfando em alta popularidade não abriu mão da reeleição  e ele não teve como removê-la.
Dentro do próprio PT sofria críticas pelas alianças que fez para governar, por sua leniência com o toma-lá-da-cá da politica tradicional.
Ele mesmo parecia mais confortável na condição de estadista dando palestras para auditórios internacionais.
Foram os processos da Lava Jato que o trouxeram de volta ao centro do cenário político. “A jararaca não está morta”, ele disse depois da espetaculosa “condução coercitiva” para depor em Congonhas.

Desde então, sua influência só tem crescido, a ponto de ser hoje um candidato tido como imbatível nas urnas.

 Seis meses antes da eleição já percorreu as regiões de maior peso eleitoral  no país dizendo que é vítima de uma perseguição porque não querem que ele volte a ser presidente.

Não só isso: uniu monoliticamente o PT em torno de sua candidatura, está no centro de uma aliança que pode reunir todas as correntes de esquerda na eleição de outubro e é a  grande referência  da esquerda  no plano internacional.
Está preso e, talvez, fique fora da eleição. Mas se planejavam destruí-lo politicamente estão conseguindo um efeito contrário.
AÇODAMENTO DE MORO
Na sua ânsia de protagonismo, o juiz Sérgio Moro tomou uma decisão açodada ao decretar a prisão de Lula.
Juridicamente, ele tinha elementos para decidir como decidiu. Políticamente, foi inábil e levou água para o moinho de Lula.
Os sucessivos recursos e manobras da defesa para evitar a prisão representavam penoso desgaste para o ex-presidente condenado.
A prisão, de supetão, inesperada, gerou uma comoção e uma reação cujas dimensões ainda não são claras. Fez Lula crescer no papel de vítima, que ele desempenha à maestria.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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