O candidato de si mesmo

Sem emplacar nacionalmente, Leite pode ficar quatro anos sem mandato. Foto João Pedro Rodrigues/SecomRS

ELMAR BONES

Ninguém é candidato de si mesmo. Essa é a regra não escrita da política partidária, que as velhas raposas não cansam de repetir aos novatos. Eduardo Leite parece não tê-la aprendido. Ele não tem sido outra coisa desde que ultrapassou os umbrais do Piratini em 2019, aos 33 anos.

Por melhor que seja, o candidato tem que esperar sua hora – é a outra leitura que se pode fazer da regra partidária.

Em 2022, ainda no PSDB, Leite tentou atropelar João Dória, então governador de São Paulo, para lançar-se à presidente da República. Sua aventura nacional morreu na praia.

Agora, está inconformado porque foi preterido por Ronaldo Caiado, como candidato do PSD ao Planalto. Restará a ele o papel de cabo eleitoral, tentando impulsionar a candidatura estadual de seu vice, Gabriel Souza.

É evidente que ele tem “mais perfil” do que Caiado para ser a “terceira via”, que é o candidato que a oposição está buscando para barrar o Lula 4.

Mas Caiado governa Goiás, que é um estado ascendente no contexto brasileiro. Registrou o maior índice de crescimento no país em 2025.

Leite governa um Rio Grande do Sul estagnado, para não dizer decadente. Nos últimos 25 anos, o RS caiu do 2º para o 6º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Eduardo Leite conseguiu a façanha de se reeleger governador, fato inédito na história política do Estado. Mas, em suas duas gestões, em vez de reverter o processo de queda, aprofundou-o.

No primeiro mandato, deu continuidade à obra devastadora de Ivo Sartori, que extinguiu fundações e centros de pesquisa em nome do equilíbrio fiscal, até hoje não alcançado ou precariamente alcançado através da venda de patrimônio e cortes de investimentos essenciais. A enchente, “a maior da história”, de certa forma, mascarou problemas estruturais e, mobilizando investimentos federais, turbinou o PIB estadual em 2024. Em 2025, já voltou a crescer abaixo da média brasileira.

Quem sabe, por sua condição de perpétuo candidato, perdeu também a oportunidade de obter melhores condições para a dívida com a União, que extrapolou.

Enfim, Eduardo Leite é uma liderança ainda em ascensão numa democracia carente – tem muito terreno pela frente. Precisa sopitar sua ambição. Terá, agora, quatro anos sem mandato para refletir.

Obs: Sim, houve um abaixo-assinado defendendo seu nome, mas uma candidatura à presidência não se faz com uma lista de amigos e admiradores, por mais influentes que sejam.