O fator Lula

Elmar Bones
O único ponto fora da curva do golpe neste momento é a candidatura Lula à presidência em 2018.
Não por acaso a mídia corporativa e seus comentaristas amestrados fazem o que podem para desqualificar ou mesmo ignorar as caravanas do ex-presidente pelo país.
Um dos truques nestes dias é comparar a condição de Lula, “na eminência de ser condenado pelo juiz Sérgio Moro”, com a de  Michel Temer, acossado pelas denúncias do Procurador Janot.
Para sustentar esse raciocínio abstruso, omite-se o essencial.
Temer, sorrateiro, sustenta-se com manobras palacianas, gastando bilhões do erário público para comprar o apoio de deputados venais.
Lula, de peito aberto, foi para as ruas buscar guarida no povão. Mesmo que o condenem ou prendam, não conseguirão impedir que seja o fator que pode barrar a consolidação do golpe nas urnas.
São personagens e circunstâncias incomparáveis, mas não é descabido lembrar Getúlio Vargas, em 1950, no primeiro ciclo do trabalhismo. .
Derrubado por um golpe, Vargas saiu do exílio voluntário em São Borja para percorrer o país e retornar ao poder pelo voto popular.
Seu programa nacionalista, tinha também no centro da meta a causa do petróleo e a Petrobras.
Como se sabe, os inimigos, mesmo derrotados, não deram trégua, até levá-lo à tragédia de 24 de agosto de 1954. O lema era: Vargas não pode ser candidato, se for candidato não pode ser eleito, se for eleito, não pode governar…
O que quero dizer: as forças que promoveram o golpe parlamentar que derrubou Dilma (e que se sustenta a golpes de audácia) aspiram legitimá-lo pela via eleitoral. Lula, com seu cesarismo, é no momento o único obstáculo real.

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