O novo Baltimore – Um caso exemplar

A mudança no projeto para o terreno do antigo cinema Baltimore, na avenida Osvaldo Aranha, é um caso exemplar. Mostra como os bairros se transformam sem que os moradores sequer percebam.
O prédio do Baltimore era, originalmente, um centro cultural – com espaço para bailes e festas judaícas, além das salas de cinema, no térreo. Entrou em decadência, resumiu-se às salas de cinema no térreo, acabou interditado. Foi demolido em 2003 sob protesto de urbanista do porte da professora Célia Ferraz.
O primeiro projeto para o terreno, da Telhagua Arquitetura e Construções, levava  em  conta a história  e a cultura do local. O autor, arquiteto José Antônio Jacovas, partia dessa identidade original e tinha o propósito de revitalizar aquela área do bairro,  já em degradação.
Concebeu um prédio residencial, com 108 apartamentos de um dormitório – voltados para o público jovem e solteiro – e um centro comercial com 22 lojas, praça de alimentação, três salas de cinema e três andares de estacionamento subterrâneo. Essa preocupação com a “identidade cultural” do bairro era de certa forma uma resposta às críticas dos que defendiam a preservação do prédio histórico.
Mas o projeto da Telhagua não foi adiante. Primeiro pela burocracia, depois por uma pendência judicial. Ao demolir o prédio foi atingida a estrutura de um casarão ao lado, onde funcionava o Bar João, e a obra foi interditada. Não se falou mais no assunto.
Surge, então, a Melnick Even, construtora paulista, com um projeto de características bem diferentes para o local.  Agora aponta numa outra direção: aposta na expansão comercial  e na transformação do bairro numa extensão do Centro.
Não se pode dizer que foi uma opção errada, se a lógica é a dos negócios. Mas será que são opções inconciliáveis? Um grande prédio comercial não pode contemplar uma grande área de cultura e lazer?
(Elmar Bones)

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