O que faria Borges de Medeiros no lugar de José Ivo Sartori?

Geraldo Hasse
Há 100 anos, os empresários do RS, principalmente os comerciantes, descontentes com a situação do transporte ferroviário, controlado então por um grupo francês que o herdara do norte-americano Percival Farquhar, costumavam fazer duas cousas mais ou menos consecutivas: reclamar à imprensa e visitar o presidente do Estado, Borges de Medeiros, a quem pediam para sanar a crise de abastecimento, sintetizada pelo titulo “a falta de vagões”.
Pelo que relata a coluna histórica do Correio do Povo, a personagem central da crise era o gerente da ferrovia, um tal Mr. Cartwig, que viajava mais ou menos incógnito pelas linhas férreas gaúchas, oferecendo, aqui e ali, desculpas para a precariedade do serviço de transportes. Segundo ele, não havia quem pudesse fornecer vagões a curto prazo…
Cartwig era um quiabo.
Já se podia então entrever no seu comportamento esquivo o desejo de sair do negócio, mas os senhores empresários não pegavam a deixa nem se ofereciam para achar uma solução como uma parceria; eles simplesmente pediam que o governo peitasse o problema e buscasse um desfecho favorável à economia estadual, ainda que às expensas do Tesouro.
Efetivamente, pouco mais de um ano depois, em 1919, o governador Borges de Medeiros encampou a ferrovia, fundando a Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que passou a fazer dobradinha logística com o Porto de Rio Grande, também estatizado uma década antes. Ficou assim provado que os sinais do tráfego mudam de acordo com as conveniências da época.
Nos tempos de Borges de Medeiros, que se alongaram por três décadas, eram pró-estatização os empresários desta bela província hoje governada por José Ivo Sartori.

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