O roteiro da Brigada Militar

Sucessor do coronel Mendes deverá assumir sem traumas. Mas o novo jeito de governar é pleno de surpresas.
Nos órgãos da Segurança Pública, assim como no Poder Judiciário e no Ministério Público, há divisões políticas que pouco tem a ver com a política partidária. Mas são compartimentos fortes ora sustentados por lideranças individuais e carismáticas, ora por grupos que defendem formas coletivas de chegar ao poder. Assim é que ninguém chega ao topo por acaso, a não ser que haja um acidente de percurso que possa ferir os planos dos estrate-gistas a ponto de não permitir a ativação dos dispositivos “b” ou “c”. Foi dentro desta moldura que o coronel Paulo Roberto Mendes chegou ao co-mando-geral da Brigada Militar. E, quando ele assumiu, era certo que não ficaria no cargo até o final do governo Yeda Crusius devido à intricada dança de cadeiras onde se assentam os coronéis. Mas o partido que levou Mendes ao comando, também colocou no sub-comando geral da corpora-ção o coronel João Carlos Trindade Lopes que, atualmente, já é o grande gerente da Brigada. Trindade não tem o perfil operacional de Mendes, mas um espécie de engenheiro de segurança pública. Ele não é uma unanimida-de dentro da corporação, mas é homem difícil de ser contestado, pois co-nhece as principais organizações policiais do planeta. Assim, a saída de Mendes deve ser preenchida sem traumas. Sigam-me.
O roteiro
Há 25 coronéis que, potencialmente, são candidatos a vaga de juiz exis-tente no Tribunal de Justiça Militar do Estado (o Tribunal da Brigada). A decisão cabe a governadora Yeda Crusius, cujos assessores há meses exa-minam os currículos daqueles que se acreditam merecedores da toga. No entanto, Yeda tem, como diria alguém do Alegrete, uma dívida de gratidão com Mendes que, sendo hábil nos enfrentamentos com a mídia, se trans-formou num ícone da segurança pública, não deixando que faíscas maiores atingissem o Piratini. É sabido que o novo jeito de governar tem sido pró-digo em surpresas, mas, tirante isso, o roteiro da Brigada é simples: Men-des juiz e Trindade comandante-geral.
Lavadeiras
No início do governo Yeda Crusius, o deputado federal Enio Bacci (PDT), então secretário da Segurança Pública, sustentou uma lambança pú-blica com o delegado da Polícia Civil Alexandre Vieira. O fiasco culminou com a queda de Bacci. Agora, fato semelhante envolve a secretária da Cul-tura, Mônica Leal, com a presidente do Conselho de Cultura do Estado, Mariângela Grando. Como a cultura é uma das bases nobres da segurança, este humilde marquês se permite dizer que Yeda deve cuidar para que a intelectualidade gaúcha faça como as ainda existentes lavadeiras de beira de tanque que vivem em paz usando os mesmos estendedouros.
Indecisão
A Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), um dos braços da pasta da Segurança, continua sob uma administração interina. A indica-ção de um superintendente titular seria a primeira decisão administrativa de maior importância do secretário Edson de Oliveira Goularte, que assumiu a Secretária da Segurança Pública do RS na manhã tempestuosa de 27 de ju-lho último, que foi um domingo.
Quadrilheiros
Foram presas pela Polícia Civil, ontem, 20 pessoas e apreendidos 11 car-ros e 10 motos em operação que desarticulou um grupo especializado em assaltar agentes de agencias bancárias. No mínimo 40 crimes foram come-tidos pelo grupo nos últimos cinco meses e o total roubado deve chegar a 600 mil reais em dinheiro. As ações da quadrilha, segundo o delegado Giu-liano Ferreira, deixaram 2 mortos e 3 feridos. Está em alta a área de inteli-gência da Polícia Civil.
Mortes
Tiroteio terminou com a morte de uma mulher de 28 anos, chamada Fa-biana, na Vila Cecília, em Viamão. Quatro homens passaram de moto e dis-pararam contra um bar. Duas outras pessoas ficaram feridas. Outro tiroteio, ocorrido em Alvorada, causou a morte de Paulo Ricardo Soares de Olivei-ra, 22 anos. Foi no bairro Germânia. Em Canoas, no bairro Niterói, Marce-lo Bandeira, 37 anos, foi encontrado morto com um tiro no peito.
Resgate
Na DP de três Cachoeiras, um ladrão foi resgatado por seus familiares. Um dos homens que atacou a delegacia conseguiu tirar a arma de um PM e fez disparos para o ar. Todos fugiram de carro e quando chegou reforço da Brigada nada mais pode ser feito a não ser iniciar a caçada aos criminosos.
Blindagem
Os bancos têm prazo até a primeira quinzena de outubro deste ano para blindar as fachadas externas no nível térreo das agências e postos e nas di-visórias internas no mesmo piso, em Porto Alegre. O prazo de 180 dias começou a ser contado no dia 14 de abril, quando foi publicada no Diário Oficial do Município a lei, de autoria da vereadora Maria Luiza (PTB), a-provada pela Câmara Municipal em dezembro do ano passado e sancionada pelo prefeito José Fogaça em 2 de abril.

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