Tambor(es) da aldeia

Vilson Antonio Romero
As últimas décadas consolidaram as idéias tofflianas (de Alvin Toffler, o pensador) da Terceira Onda, da otimização da tecnologia e da informática. Nestes tempos vertiginosos em que instantaneamente se comunicam o Brasil e o Sri Lanka, o Japão ou qualquer outro recanto, longe ou perto, mais nos aproximamos do cipoal da interdependência eletrônica vislumbrada pelo canadense Marshall McLuhan.
O oráculo da comunicação planetária, criador da metáfora “aldeia global”, ao falecer em 1980, em Toronto, não chegou a ver a expansão fabulosa da televisão, como instrumento de entretenimento e informação. Já vemos este veículo agora com transmissão digital em grande parte dos países, integrado com o computador e com o telefone móvel.
Nos próximos dez anos, cada vez mais farão parte do vocabulário cotidiano termos como tecnologia de plasma e cristal líquido – para aparelhos de TV e monitores de computador; multimídia e redes sem fio – wireless, iPods, bem como câmeras fotográficas digitais com sistemas integrados de transmissão de imagens.Sem falarmos na melhoria das redes telefônicas, por satélite, que permitirão qualidade de som na ligação entre Brasília e Johanesburgo, por exemplo.
McLuhan, o autor de “A Galáxia de Gutenberg”, “O Meio é a mensagem” e “Os meios de comunicação como extensões do homem”, entre outras obras, ressaltava que a nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global que representa a transformação do mundo linear, da Era de Gutenberg, da civilização da imprensa e da palavra escrita, num mundo holístico e intersistêmico, propiciado pela mídia eletrônica, novo tambor da “global village”.
Cada vez mais se intensifica o uso da World Wide Web, a popularizada rede mundial de computadores, com transmissão de mensagens, imagens, sons, inclusive contatos telefônicos através da tecnologia VoIP atravessando e entrelaçando a “aldeia global”. Na Internet, os sítios de busca continuarão se aperfeiçoando, permitindo que, em segundos, tenhamos na tela todas as citações e registros na rede mundial, em todos os idiomas, sobre qualquer verbete, personagem ou evento.
Do comunicado do tambor tribal, no início dos tempos, aos tempos contemporâneos, mesmo assim, prevalece a mídia. E, dentre todos os meios disponíveis – tambores nem tão novos: jornal, revista, rádio, televisão e a Internet, ainda um se sobressai.
Em qualquer rincão recôndito do Planeta, em qualquer canto, nas mais diversas formas – portátil ou integrado ao celular – na casa, no carro, no campo, no sol ou na chuva, o som do rádio é ouvido, em amplitude ou freqüência modulada (AM ou FM), levando diversão, música e notícia. Ainda dentro da abordagem de tambor tribal que Marshall McLuhan lhe atribuía no início da década de 60.
É flagrante que a aldeia está cada vez menor e mais próxima, mais estreitos os laços da comunicação social. Quiçá estes tambores, tradicionais ou modernos, contribuam para tornar a aldeia mais solidária e menos devastadora de seu habitat e destruidora de seus habitantes, minimizando as imagens, o som e as palavras de horror, guerras, desastres e preocupação que ainda invadem nosso cotidiano.
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(*) jornalista, servidor público, diretor da Associação Riograndense de Imprensa, delegado sindical do Sindifisp/RS, conselheiro da Agafisp e consultor da Fundação Anfip. E-mail: [email protected].

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