Um programa para equalizar o bem-estar

 Geraldo Hasse

O ministro Henrique Meirelles do Mercado tem afirmado que a economia brasileira está começando a arribar… e não faltam empresários, executivos e comentaristas para dizer que é isso mesmo, e que ninguém ouse interpor-se ao bom andamento das reformas reacionárias…
Convenhamos, o dado positivo apontado pelos otimistas é a inflação reduzida a 4% ao ano. É um sucesso, sem dúvida, mas os animadores de auditório esquecem que os preços deixam naturalmente de subir e até caem quando a maioria está com os cintos apertados por falta de dinheiro.
A demanda está reprimida porque as pessoas estão ganhando menos. E há o desemprego…
É uma ilusão achar que a economia vai sair do buraco com 14 milhões de desempregados nas costas.
Em cinco anos esse número cresceu nove milhões. Na média, foram quase dois milhões de demissões por ano. Cerca de 150 mil desempregados por mês. Uma calamidade.
Se somarmos todos os desempregados, considerando solteiros e casados e calculando uma média de três dependentes por cabeça cortada, temos aí mais de 40 milhões de pessoas na rua da amargura.
Não era de 40 milhões o número de pessoas elevadas ao mercado de consumo pelos governos petistas? Pois então: em resumo, as conquistas sociais recentes foram praticamente anuladas pelo processo de recessão, iniciado no governo Dilma e agravado pelo governo Temer, que está gastando seus últimos cartuchos para obter do Congresso a aprovação dos retrocessos nas leis trabalhistas e da Previdência. Mais do que uma calamidade, é uma catástrofe lamentável.
Com essas reformas, a economia não vai arribar. Pode ter um refresco aqui ou ali, como ocorre no setor agrícola, mas a corrente está se rompendo nos elos mais fracos — o trabalho, o consumo elementar…
É natural que os indicadores econômicos de 2017 sejam melhores do que os de 2016, pois estes estavam no fundo do poço. E a melhora registrada no desempenho econômico foi de apenas 1%.
Isso aí é como achar que está indo bem na segunda divisão aquele time que acaba de cair da primeira divisão.
Já que adotamos uma metáfora futebolística, o fato é esse: o Brasil, que pretendia ser do I Mundo, caiu do II para o III. E quer voltar ao topo jogando segundo a tática superada do neoliberalismo, que se orienta por parâmetros excludentes e só aumentou as desigualdades onde foi adotado.
O Brasil nunca será da primeira divisão da economia mundial se continuar anulando ou reduzindo conquistas sociais da maioria trabalhadora.
Agora, a crise do capitalismo pode ser amenizada ou até dirimida por meio de um programa de equalização do bem-estar.
O que vem a ser isso — equalizar o bem-estar?
Ora, comida na mesa de todos, moradia decente para cada família, transporte barato, energia a preços módicos, saúde, escola, roupa, lazer…
Um programa comunista tocado pela iniciativa privada, eis a chave do progresso.
A construção civil se mobilizaria para construir casas, escolas, postos de saúde, estradas.
Comendo bem, morando legal, a população trabalharia mais feliz e demandaria menos remédios, recorreria menos a postos de saúde e hospitais e laboratórios. E como é muito grande a distância entre os integrantes do topo e da base da pirâmide social, seria preciso manter esse programa de governo por décadas e décadas até a equalização desejada por todos e prometida pelos políticos.

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