VILSON ROMERO/ Dia da Imprensa e o protagonismo da ARI

Vilson Antonio Romero (*)

A história do Dia da Imprensa, comemorado em 1º. de junho, desde que, em 13 de setembro de 1999, o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei 9.831, nos traz rememorações da história iniciada em 1774, quando, em 13 de agosto, nasceu, na localidade de Colônia de Sacramento, hoje no Uruguai, o cidadão Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, aliás Hipólito da Costa.

Pois a biografia de Hipólito foi esmiuçada e retratada pelo saudoso jornalista e pesquisador Raul Quevedo, pelotense de quatro costados, nos livros “Em nome da liberdade” e “Hipólito da Costa: Pioneiro da Independência do Brasil”, deixando muito escancarado o vanguardismo do fundador do Correio Braziliense.

Aos 18 anos, depois de viver alguns anos em Pelotas, Hipólito foi cursar Direito, Filosofia e Letras na Universidade de Coimbra, em Portugal. Após passagens atribuladas nos Estados Unidos e também em terras lusas, exilou-se na Inglaterra, aonde passou, em 1º de junho de 1808, a publicar o Correio, com posicionamento bastante crítico à política praticada por Portugal no Brasil.

Suas principais bandeiras, amplamente divulgadas nas edições com larga circulação cá em Pindorama, eram a independência, a abolição da escravatura e a interiorização da capital brasileira.

Com essa retrospectiva, em 1º. de julho de 1996, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e o sindicato gaúcho dos jornalistas lançaram o Manifesto à Nação pugnando a alteração da data alusiva à imprensa, até então relacionada ao surgimento da Gazeta do Rio de Janeiro, em 10 de setembro, cuja circulação iniciou três após a do Correio Braziliense.

Essa tese, por solicitação expressa da ARI, foi encampada pelo então deputado federal Nélson Marchezan, resultando no projeto de lei (PL) nº 3.559, publicado no Diário da Câmara dos Deputados em 2 de setembro de 1997, com apoio de diversos parlamentares federais da época, como Germano Rigotto, Valdeci Oliveira, Wilson Cignachi, Luis Roberto Ponte, Odacir Klein, Júlio Redecker, Yeda Crusius, Airton Dipp, Adroaldo Streck, Jair Soares, Paulo Ritzel, Fetter Junior e Carlos Cardinal.

Pois esta proposta pluripartidária teve a acolhida dos congressistas, tendo sido aprovada pela Câmara em 1º. de dezembro de 1998 e pelo Senado em 3 de agosto de 1999 (sob número de PLC 60/98) e sancionada logo em seguida por FHC.

Portanto, nossa saudação a Hipólito, ao Correio Braziliense (apesar de outro, mas ainda circulando na capital brasileira), à Associação Riograndense de Imprensa (ARI), protagonista desta mudança e à toda a imprensa brasileira, tão importante e fundamental nestes tempos turbulentos de radicalização e desinformação. Feliz Dia da Imprensa.

(*) Vilson Romero, jornalista, vice-presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

 

VILSON ROMERO

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