Autor: da Redação

  • Obras das artistas Liana d’Abreu e Tuchi Niederhageböck na mostra “AUTO retrátil”

    Obras das artistas Liana d’Abreu e Tuchi Niederhageböck na mostra “AUTO retrátil”

    As artistas visuais Liana d’Abreu e Tuchi Niederhageböck abrem sábado (9/11), no Museu de Arte de Porto Alegre (Praça Montevidéu, 10), exposição de autorretratos criados com técnica e inventividade. A curadoria da mostra “AUTO retrátil” é de Gustavot Diaz. O período de visitação vai até 6 de dezembro.

    “Meu trabalho com autorretrato é uma conversa íntima, um autoconhecimento num processo que vem se desdobrando desde 2013, vivendo um luto tardio, que foi surgindo em trabalhos artísticos, através de retratos misturados com a minha mãe. No processo acabei dissolvendo essa associação e atualmente me retrato numa tentativa de reflexão sobre as minhas fragilidades. A fragmentação está sempre presente na construção dos meus autorretratos, um construir e desconstruir constante”, diz Liana, que também atuou no meio das artes em Brasília, onde morou por 10 anos.

    Autorretrato – Liana d’Abreu/Divulgação

    Tuchi, formada pelo IA/UFRGS, conta, por sua vez, que nos últimos tempos perdeu pessoas queridas e os filhos tomaram seu rumo. “A casa que estava sempre cheia de repente ficou vazia. Bateu a ‘síndrome do ninho vazio’, libertadora e ao mesmo tempo opressora e angustiante. As pinturas tentam transmitir a opressão e os desenhos a carvão são alegorias dos sentimentos de angústia. Percebi que meu ninho nunca será vazio, pois é composto de todos os afetos que de alguma forma contribuíram para ser quem sou”.

    O curador, que é professor de desenho, artista visual e mestrando em Filosofia da Educação na USP, entende que Liana e Tuchi empreendem “uma busca radical ao abismo de si” na atual fase de suas carreiras, mas observa que não há um “si mesmo” – “esse si é menos próprio do que desejamos. Quando olhamos o abismo da alma ela não nos olha de volta – na tensão da interioridade encontramos redes de afeto, família, amigos, amores, todo o repertório afetivo que, na realidade, nos guia”, reflete Gustavot.

    O curador Gustavot Diaz, Tuchi e Liana/ Divulgação

    De acordo com o curador, Liana tem a coragem de desfigurar-se em busca de uma expressão mais autêntica de si. “Acompanhei seu empenho na produção de desenhos onde, incansavelmente, a autoimagem era desconstruída para logo aparecer e ser outra vez desarticulada, e assim por diante”. A artista apresenta oito desenhos de 100 x 0,70 cm e duas esculturas de cerâmica, uma de 34 cm e a outra de 26 cm.

    Já Tuchi, conforme Gustavot, é bastante meticulosa, sua produção exige horas de empenho técnico e dedicação. “Chama a atenção a densidade conceitual dos trabalhos, abordar os difíceis temas da síndrome do ninho vazio e das implicações da sobre identificação com a própria imagem”. A artista exibe três desenhos de 100 x 0,70 cm, dois painéis (de 2,20 m x 0,80 cm e de 1,30 m x 0,85 cm) e, ainda, uma obra participativa de 2 x 2 m.

    auto Tuchi – ninho/ Divulgação

    Liana e Tuchi tornaram-se colegas e amigas há cerca de 10 anos, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. De lá para cá, fizeram oficinas, workshops e cursos juntas, entre os quais o de desenho e pintura com Gustavot Diaz.

    Autorretrato Liana / Divulgação

    “Unindo primor técnico e inventividade, Liana e Tuchi compartilham a síntese de um acúmulo que exibe dois procedimentos distintos de trabalho que abrem um diálogo profundo com o público”, avalia o professor e curador.

    .Museu de Arte de Porto Alegre – Foto Wanderlei Oliveira/Divulgação

    SERVIÇO

    Exposição “AUTO retrátil”

    Artistas: Liana d’Abreu e Tuchi Niederhageböck

    Curadoria: Gustavot Diaz

    Local: Museu de Arte de Porto Alegre (Praça Montevidéu, 10)

    Abertura: dia 9/11 (sábado), das 11h às 13h

    Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

    Período: até 06/12

    Entrada gratuita

  • Editais selecionam 140 projetos culturais para receber incentivo da Lei Aldir Blanc

    O Diário Oficial do Estado publicou nesta semana os resultados definitivos de três editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

    Foram selecionados 140 projetos nos editais Cultura e Educação; Culturas Populares e Livro, Leitura e Literatura.

    A relação das propostas contempladas foi divulgada na quarta-feira (6/11) e na quinta-feira (7/11).

    As seleções fazem parte de um conjunto de oito editais promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) com investimento total de R$ 67,6 milhões, em recursos descentralizados da União por meio da PNAB.

    Os proponentes contemplados para as vagas disponíveis passam, agora, para a fase de habilitação e contratação. Os demais projetos vão compor lista única de suplentes de acordo com a Região Funcional (RF) do proponente, independente do edital em que foram classificados.

    Após a publicação do resultado definitivo de todos os editais, os suplentes podem aguardar chamada de projetos por região para a redistribuição do saldo dos recursos, que serão alocados de acordo com a proporção da população de cada RF.
    Sobre os resultados publicados
    O edital de Cultura e Educação é dirigido a projetos culturais que desenvolvam atividades formativas e de aprendizagem voltadas ao público jovem, estimulando, por meio da arte e da cultura, a criatividade e o pensamento crítico.

    Foram contemplados 30 projetos – 20 no valor de R$ 100 mil e dez com investimento de R$ 200 mil cada, totalizando R$ 4 milhões.
    Outro edital, do Livro, Leitura e Literatura, prevê a aquisição de obras literárias de editoras gaúchas, produzidas por autores(as) nascidos(as) ou residentes no Rio Grande do Sul, para compor o acervo de bibliotecas públicas gaúchas.

    Foram selecionados 24 projetos – 14 de R$ 100 mil para até 10 títulos literários e outros dez de R$ 200 mil para mais de dez títulos, perfazendo um total de R$ 3,4 milhões de investimento.
    Já o edital de Culturas Populares é dividido em três categorias: redes, abrangendo arranjos colaborativos e criações funcionais (com três projetos de R$ 300 mil); eventos, inclusive festivais, mostras, celebrações e outras atividades culturais (com 23 projetos de R$ 100 mil); e grupos e coletivos culturais, que prevê qualificação e atividades diversas (60 projetos de R$ 80 mil).

    Foram contemplados 86 projetos nas três categorias, totalizando R$ 8 milhões.
    Sobre os demais editais
    O Edital de Artes Cênicas e o Edital de Música tiveram seus resultados preliminares publicados na sexta-feira (25/10) e quinta-feira (31/10), respectivamente.

    Apenas o Edital da Cultura Viva segue na fase de avaliação, com expectativa do resultado para a próxima semana.

    A partir de agora, na medida em que estejam concluídas as análises dos recursos pelas comissões julgadoras, os demais resultados definitivos também serão publicados.

    Ao todo, nos oito editais, serão selecionados mais de 500 projetos.

    Na fase de inscrições, a Sedac recebeu 1.599 propostas, das quais 1.558 foram aprovadas na etapa de admissibilidade e encaminhadas às comissões de seleção – compostas por 132 profissionais contratados junto ao banco de avaliadores da PNAB.

    No Rio Grande do Sul, 471 municípios se credenciaram junto à PNAB para receber mais de R$ 83,3 milhões, recursos que também deverão ser disponibilizados por meio de editais.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • A Trupi di Trapu celebra a cultura afrobrasileira em “Bandele”, montagem que mistura linguagens diferentes

    A Trupi di Trapu celebra a cultura afrobrasileira em “Bandele”, montagem que mistura linguagens diferentes

     

    O espetáculo “Bandele”, que mescla bonecos, narração oral e visuais inspiradores, está de volta para duas apresentações únicas nos dias 08 e 09 de novembro, sexta-feira e sábado, às 15h, no Teatro Glênio Peres, localizado junto à Câmara de Vereadores de Porto Alegre. A montagem faz parte da VIII Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres. A entrada é franca, com convites disponíveis na Seção de Memorial, de segunda a quarta-feira. Nos dias de apresentação, ingressos poderão ser retirados 30 minutos antes do espetáculo, sujeitando-se à disponibilidade.

    bandele Trupi – Bandele – Eduardo fernandes/ Divulgação

    “Bandele – o menino nascido longe de casa” é uma narrativa que se desdobra através do som do tambor, contando a trajetória de sua aldeia e pedindo ajuda aos espíritos que habitam o grande Baobá, guardiões das histórias do mundo. Inspirado nas sonoridades, tons e imagens da Mãe África, o espetáculo, adaptado da obra homônima da escritora gaúcha Eleonora Medeiros e ilustrado por Camilo Martins, combina contação de histórias, teatro de animação e teatro visual.

    bandele_manha_lauratesta/ Divulgação

    Com uma duração aproximada de 50 minutos, “Bandele” é um espetáculo para VER, OUVIR E SENTIR, voltado para todos os públicos. Apresentando efeitos percussivos ao vivo e uma rica mescla de narração e formas animadas, a obra é ideal para escolas, feiras e teatros. Ao abordar elementos da tradição griô, o espetáculo estimula o interesse pelo conto tradicional e o conto-enigma africano, além de promover um processo sensorial de formação e partilha da palavra.

    “Bandele” também se alinha com os objetivos da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história da África e das culturas africanas e afro-brasileiras no currículo da educação básica, podendo ser utilizado em processos de letramento, inclusive racial.

     

    Histórico
    “Bandele” estreou em 3 de novembro de 2018, com grande sucesso na Casa de Cultura Mario Quintana (Porto Alegre, RS), recebendo duas indicações para o Troféu Tibicuera de Teatro Infantil (2018). Em 2019, foi premiado como melhor espetáculo infantil no 8º Festival Nacional de Teatro do Piauí. A obra foi indicada em 08 categorias no Festivale 2022, levando duas premiações, e também foi laureada no 3º Capão em Cena (2022) como melhor espetáculo infantil. Em 2024 é selecionada para a programação da Mostra de Artes do Teatro Glênio Peres.

    bandele foto Anselmo Cunha / Divulgação

    Sobre o diretor

    Silva é artista bonequeiro (filiado à Associação Brasileira de Teatro de Bonecos – Centro UNIMA Brasil) e diretor teatral. Mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Dirigiu vários espetáculos teatrais, de forma independente ou para companhias parceiras na cidade de Porto Alegre, destacando-se: “Fuzuê no Sertão Encantado” (2013-2015), “Devaneios” (2015-2016), “As Malditas” (2016), “Bandele” (2018), “Wonderland Ave.” (2020), “Páginas Amarelas – A Vida e a Obra de Carolina de Jesus” (2021), “Na Trilha das Andarilhas” (2021) e “Grimm Para os Pequenos” (desde 2015). Artista colaborador do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo é membro da Associação Espiritualidade em Saúde, onde coordena o Departamento de Arteterapia.

    Sobre a Companhia

    A Trupi di Trapu – Teatro de Bonecos foi fundada em junho de 2008, com a estreia de seu primeiro espetáculo. O nome da companhia reflete sua proposta de reaproveitamento de materiais e a utilização de uma linguagem artesanal, destacando o uso de panos e tecidos em suas montagens. O grupo representou o Brasil em mais de 15 festivais internacionais, com participações em países como Argentina, Uruguai, Colômbia e Peru. Além disso, tem se destacado em diversos festivais no Interior do Estado, recebendo prêmios por sua contribuição artística e mérito. Ao celebrar 16 anos, a Trupi de Trapu se consolida como um importante nome na cena teatral contemporânea gaúcha, reconhecida por seu trabalho valioso tanto nas artes quanto na educação.

    bandele foto Anselmo Cunha /Divulgação

    FICHA TÉCNICA

    Autora: Eleonora Medeiros | Encenação: Alessandra Souza, Mayura Matos, Yannikson, Ajeff Ghenes e Viviane Marmitt | Stand by: Anderson Gonçalves | Direção Artística: Leandro Silva |Bonecos e Máscaras: Anderson Gonçalves | Figurinos: Mari Falcão e Marion Santos |Iluminação: Vigo Cigolini | Letras e Músicas: Leandro Silva | Arranjos percussivos: Richard Serraria, gravado no TS estúdios sob direção de Tuti Rodrigues | Voz principal: Marietti Fialho Assessoria Musical: Richard Kümmel Lipke e Sérgio Nardes | Trilha cena duelo: Nitro Di | Assessoria coreografias musicais: Juliano Félix | Assessoria corpo e voz: Batukatu Grupo Artístico (Elinka e Cristiano Morales) | Preparação Corporal: Anderson Gonçalves e Alessandra Souza | Assessoria Projeções e Cenografia: Marco Marchessano | Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu

     

    Link para fotos do espetáculo:

    https://drive.google.com/drive/folders/194BdzxCgMurD8fxkQS8XVrmfzqESEey9

    SERVIÇO :

    O Quê: “Bandele”, espetáculo integrante da VIII Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres.

    Onde: Teatro Glênio Peres, localizado junto à Câmara de Vereadores de Porto Alegre Av. Loureiro da Silva, 255, Porto Alegre-RS.

    Quando: Dias 08 e 09 de novembro de 2024, sexta-feira e sábado, às 15h.

    Quanto: Entrada franca. Retirada de convites ocorre de segunda a quarta-feira, na Seção de Memorial da Câmara de Vereadores.

    Duração: 50 minutos

    Classificação etária: Livre para todos os públicos

  • Livro aborda apagamento de indígenas e negros da história da imigração alemã no RS

    Livro aborda apagamento de indígenas e negros da história da imigração alemã no RS

    A publicação propõe um contraponto à narrativa oficial que exalta o protagonismo de imigrantes europeus ao considerar o dia 25 de julho de 1824 como o início da história do município.

    O livro resgata registros históricos da presença milenar de indígenas que circulavam pelo território que um dia seria o Rio Grande do Sul e faziam do Vale do Sinos parte do seu território, bem como demonstra que São Leopoldo já era habitada por negros escravizados trazidos de diversas partes do continente africano, assim como os portugueses residentes.

    “A entrada de imigrantes de fala alemã em uma região onde já estavam estabelecidos imigrantes portugueses, para onde foram trazidos africanos escravizados e que era território de itinerância de povos indígenas, não ocorreu de forma pacífica e ordeira. São fartos os registros sobre dominação, conflitos, violência e mortes na relação entre o colono alemão e cada uma das etnias. Os relatos desses encontros nada pacíficos são invariavelmente feitos do ponto de vista dos imigrantes”, descrevem os autores às páginas 50 e 51.

    “Certas escritas da história ao longo do tempo têm apresentado uma versão que ignora a ocupação do Vale do Sinos em período anterior a 1824. A região, entretanto, era ocupada, desde tempos imemoriais, por grupos indígenas hoje denominados Kaingang e, ao longo do século 18, foi ocupada por proprietários de terra, pequenos lavradores e posseiros luso-brasileiros, até que, em 1788, a Real Feitoria do Linho Cânhamo”, afirma o historiador Ricardo Charão, autor do prefácio.

    Para ele, “não há como dar crédito a versões que apresentam a chegada das primeiras levas de imigrantes como uma epopeia, uma narrativa que versa sobre a trajetória de heróis. Não se está a minimizar todas as dificuldades vividas pelos imigrantes de fala alemã. Todavia, não é possível mais sustentar versões como aquela explicitada no hino do município de São Leopoldo, em que se lê: “Louro imigrante, só a natureza/ Te viu chegar para trabalhar aqui/ E o Gigante Vale,/ com certeza se engalanou para esperar por ti”. Na medida em que apenas a “natureza” presenciou a chegada dos imigrantes, está a se afirmar que a região era desabitada”, esclarece Charão.

    A segunda parte da publicação é dedicada à análise da influência que a tradição germânica exerceu sobre o município e a sua população. Por meio de entrevistas, os autores apresentam um mapeamento das ações dos governos ao longo das últimas décadas, marcadas por narrativas de exaltação da germanidade em detrimento de outros povos e também mostra que houve um rompimento gradual dessa lógica com o surgimento de políticas públicas de inclusão e participação a partir da criação da Secretaria de Cultura.

    Apresentação

    “Os autores trazem para o campo do visível e do sensível a vida de indígenas e de africanos e afrodescendentes – e isso não em abstrato, mas no concreto palpável: por ocasião das comemorações dos 200 anos da imigração germânica no Brasil, de que o Rio Grande do Sul é exemplo destacado” e “reúnem casos exemplares de confronto, luta, busca por justiça e vida digna por parte dessas populações”, anota o escritor e professor de Literatura, Luís Augusto Fischer.

    “Escrito com seriedade, empatia humana e ritmo jornalístico, Invisíveis é uma excelente maneira de penetrar nesse universo, vedado ou ao menos velado até pouco tempo atrás, mas que os tempos de agora impõem seja trazido para a luz do dia, da razão, da crítica inteligente, da justiça histórica”, resume.

    AUTORES

    Dominga Menezes, 62 anos, é jornalista com mais de 30 anos de experiência em jornalismo diário, assessoria de imprensa parlamentar e gerenciamento de projetos de comunicação social e corporativa. É sócia-fundadora e editora da Carta Editora e coordenadora editorial do livro Invisíveis.

    Gilson Camargo, 61 anos, é jornalista com experiência em reportagem e edição, desde 1986, em jornais diários (Diário do Sul, Grupo Sinos, Zero Hora, O Sul, Correio do Povo) e assessorias de imprensa. Fez reportagens especiais em Cuba, em 1988, e no Xingu, em 1999. Atualmente é repórter e um dos editores executivos do Jornal Extra Classe, veículo editado pelo Sinpro/RS, pelo qual conquistou nove prêmios de jornalismo. É projetista gráfico e editor da Carta Editora.

    Invisíveis – o lugar de indígenas e negros na história da imigração alemã (Carta Editora, 2024, 208 p., 16cm x 23cm, com encarte de fotos), de Gilson Camargo e Dominga Menezes, produzido com recursos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio do Pró-cultura RS FAC – Fundo de Apoio à Cultura. Apresentação (orelha) de Luís Augusto Fischer e prefácio de Ricardo Charão.

    Praça de Autógrafos da 70ª Feira do Livro de Porto Alegre:

    13/11 às 18h

    NA FEIRA DO LIVRO:

    Banca da ARI e ponto de venda do Espaço Gerdau.

    Preço com desconto da Feira: R$ 50,00

     Outros pontos de vendas: BamboletrasClareiraParalelo 30Ventura LivrosVia SapiensNo PátioGlingy e CulturalStore em São Leopoldo e nos sites da Carta Editora e Bestiário.  

    Contatos com os autores:

    Gilson Camargo – 9 9125.2565

    Dominga Menezes – 9 9229.8299

    Carta Editora & Comunicação Ltda.
    (51) 99125.2565

    (51) 99229.8299

  • A escrita que vem do Centro-Oeste, com Tatiana Guimarães,  na Feira do Livro de Porto Alegre

    A escrita que vem do Centro-Oeste, com Tatiana Guimarães, na Feira do Livro de Porto Alegre

    Um livro de uma escritora gaúcha que é sucesso no Centro-Oeste antes mesmo de ser lançado no Rio Grande do Sul. “Linhas do Tempo”, de Tatiana Guimarães, é para ser degustado aos poucos. A obra trata de temas como saúde emocional, superação e autoconhecimento, e será lançada na sexta-feira, 8 de novembro, às 17 horas, na Praça de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.

    Natural de Três de Maio, Tatiana Guimarães atualmente reside em Campo Grande (MS) e Goiânia (GO). Além de escritora, também é médica e palestrante, com atuação na medicina há mais de 25 anos. Em sua trajetória, reuniu o dom da medicina com o dom da escrita, herdado do avô, o gaúcho Francisco Sales Guimarães, que possui nove obras publicadas em defesa da educação integral. A primeira obra literária de Tatiana foi o livro “Quase Poesia”, rapidamente esgotado, que aguarda segunda edição.

    Capa Livro Linhas do Tempo/Divulgação

    “Linhas do Tepo” foi lançado em julho em Campo Grande e conquistou elogios da imprensa e da Academia Sul-Matogrossense de Letras e da Academia Goiana de Letras. A obra, com 150 páginas, publicada pela editora Totalbooks, traz reflexões para o desenvolvimento pessoal e humano.

    “Os temas abordados nos fazem refletir sobre a condição humana e questionar o nosso modelo de sociedade”, pontua o editor Paulo Fitz. Em cada parágrafo, há uma descoberta; em cada nova página, uma conquista, levando o leitor a vivências propulsoras para o autoconhecimento e, consequentemente, à coragem e à superação.

    Sessão de Autógrafos:

    Livro: Linhas do Tempo
    Autora: Tatiana Guimarães
    Data: 8 de novembro
    Horário: 17 horas
    Editora: Totalbooks
    Valor: 56,00

    Instagram: @dratatianaguimaraes

  • Livro sobre Ruy Carlos Ostermann terá lançamento, bate-papo e autógrafos dia 12 na Feira do Livro de Porto Alegre

    Livro sobre Ruy Carlos Ostermann terá lançamento, bate-papo e autógrafos dia 12 na Feira do Livro de Porto Alegre

    O Professor Ruy Ostermann estava feliz da vida no lançamento de sua biografia, escrita pelo jornalista e também comentarista esportivo Carlos Guimarães, no Book Hall, no último dia 23. “Me senti vivo e disposto. Revi colegas e amigos, um momento realmente muito especial pra mim”, afirma Ruy, que no alto dos seus 90 anos se manteve por três horas firme e forte autografando a obra ao lado do autor. Agora vem uma nova experiência: a Feira do Livro de Porto Alegre. No dia 12 de novembro, com bate-papo e sessão de autógrafos.

    Com a mediação de Cristiane Ostermann, o autor da obra, Carlos Guimarães, e os convidados Luiz Artur Ferraretto, Carlos Eugênio Simon e Enéas de Souza, estarão reunidos no Auditório Barbosa Lessa para este debate, às 17h30min, conversando sobre a trajetória de Ruy Ostermann, comentarista esportivo, professor de |Filosofia, político, jornalista e sua imensa contribuição para a cultura e para a crônica esportiva do Rio Grande do Sul e do Brasil. Logo após, às 19h, Guimarães autografa no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.

    Ruy Carlos Ostermann – um encontro com o Professor resgata, em forma de memória biográfica, a vida e a carreira de Ruy, o mais conhecido comentarista esportivo do Rio Grande do Sul, e que, para além de sua atuação na imprensa gaúcha, teve um importante papel na sociedade e nas áreas pública e cultural, com contribuição efetiva para a construção social nestas áreas. Seu legado como comentarista, homem público e membro atuante na cultura gaúcha, estão presentes nesse belo livro de mais de 400 páginas.

    Carlos Guimarães foi o nome escolhido para escrever o texto final desta biografia, composta por imensa pesquisa que reuniu gravações, diários de Ruy, suas crônicas ao longo de décadas, pensamentos, depoimentos. Tudo em uma cronologia repleta de surpresas e emoções. “É um livro que tive o cuidado de deixar o mais próximo daquilo que imagino que o Ruy escreveria. A linha do tempo é contada a partir da pesquisa, mas também de diversas situações voltadas para a personalidade dele. Foi um processo delicioso em todos os sentidos. Tem muita revelação, fatos que as pessoas não sabem e um lado que pretende apresentar o Ruy além do mito que todos conhecem. Foi o desafio da minha vida”, reflete o autor.

    A intenção desta obra é resgatar a riqueza de uma história que não foi contada, transformando-a em um documento histórico para perpetuar a trajetória de um dos mais importantes personagens que a imprensa do Rio Grande do Sul já produziu. Registros fotográficos e documentais estão nas páginas da biografia, a partir do arquivo pessoal de Ruy e da família, de acervos públicos e de documentos que saíram na imprensa. O livro aborda fatos e o contexto social desde sua infância, na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, até o momento atual, em que, embora fora da grande imprensa, ainda é uma referência para todos os comunicadores. Retrata a sociedade no período em que Ostermann esteve em efetiva atuação, desde os tempos de estudante, nos anos 1940, passando pela época em que foi atleta – na década seguinte, professor, sua militância política, entre 1960 e 1990 e, por fim, sua atividade como comunicador, a partir dos anos 1960. Também muitas de suas crônicas ilustram as páginas de Ruy Carlos Ostermann – um encontro com o Professor, que pode ser encontrado nas livrarias da cidade e na Feira do Livro de Porto Alegre. Confira em www.umencontrocomoprofessor.com.br.

    Ficha técnica:

    Capa e design gráfico: Tavane Reichert Machado

    Revisão: Press Revisão

    Impressão: Gráfica e Editora São Miguel

    Fotos da capa: Rogério Fernandes

    Fotos do livro: arquivo pessoal

    Número de páginas: 436

    Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten Comunicação

    Redes sociais: Gabriela Mantay

    Produção: Christian Farias

    Produção executiva: Diogo Bitencourt

    Coordenação: Cristiane Ostermann

    Ruy Carlos Ostermann – Um encontro com o Professor

    Biografia de Ruy Carlos Ostermann escrita por Carlos Guimarães

    Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre dia 12 de novembro

    Bate-papo com o autor Carlos Guimarães e convidados às 17h30

    Auditório Barbosa Lessa / Espaço Força e Luz – Rua dos Andradas, 1223

    Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre, às 19h

    Pavilhão de autógrafos

    Uma produção de Ferst & Ostermann Ltda e FootHub

    Patrocínio: Grupo Zaffari

    Realização: Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal – Brasil, união e reconstrução.

  • Mosaicista Silvia Marcon celebra 10 anos de Monalisas em livro e exposição

    Mosaicista Silvia Marcon celebra 10 anos de Monalisas em livro e exposição

    O projeto de arte urbana em mosaico que ressignifica a icônica figura, refletindo a diversidade e a riqueza das experiências cotidianas, tem lançamento na Casa Musgo e na 70ª Feira do Livro de Porto Alegre

    Em novembro, as Monalisas da artista visual Silvia Marcon ganham livro e exposição. Monalisas – Releituras Urbanas celebra os dez anos do trabalho da mosaicista em sua linguagem contemporânea e urbana, de intervenções em grandes metrópoles com centenas de releituras de Monalisas, em mosaicos hipercoloridos.

    SIlvia Marcon por João Carlos Martini/ Divulgação

    A partir de uma profunda conexão com a arte de rua, Silvia recriou a figura emblemática da Mona Lisa, cada uma delas representando diferentes facetas do feminino, das lutas sociais e da identidade urbana. Com o tempo, as “Monas” se multiplicaram ainda mais em Porto Alegre e ganharam o mundo: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Paris, Nova York, Málaga, entre outras cidades.

    O livro, editado pela Libretos e com curadoria literária de Roger Lerina, reúne 180 releituras da célebre obra de Leonardo da Vinci em 172 páginas. A publicação em capa dura, bilíngue, colorida, é mais do que uma coletânea de arte. Ela é um manifesto. Além das fotografias de intervenções urbanas realizadas em cidades ao redor do mundo, traz reflexões da própria artista sobre o processo criativo e as questões sociais que inspiraram cada obra.

    “Minha missão é levar a arte para o cotidiano das pessoas, quebrando as barreiras que tradicionalmente limitam o acesso à cultura. Acredito que a arte deve ser parte integrante do tecido urbano, contribuindo para a vitalidade e a riqueza cultural das cidades”, ressalta a artista.

    A exposição – que apresenta uma série de fotografias selecionadas – tem abertura no dia 07 de novembro (quinta-feira), às 18h, na Casa Musgo (Rua Vieira de Castro, 80 – Porto Alegre/RS) e segue até o dia 10 (domingo). Na ocasião, acontece também o lançamento do livro. As fotografias, de autoria da artista, estarão disponíveis para aquisição.

    Reprodução/ Divulgação

    Durante a 70ª Feira do Livro de Porto Alegre, o livro será lançado no dia 10 de novembro (domingo). Às 17h, haverá um encontro com a autora Silvia Marcon e o jornalista Roger Lerina na Sala O Retrato – Espaço Força e Luz – Rua dos Andradas, 1223. Logo após, às 18h, acontece a sessão de autógrafos.

    Silvia Marcon é mosaicista e uma artista urbana. Sua trajetória profissional e acadêmica passou por diversas áreas, mas, desde 2012, dedica-se integralmente ao mosaico. Com um ateliê próprio em Porto Alegre, sua cidade natal, começou a criar obras em espaços públicos da capital gaúcha.

    Em 2014, surgiu a figura da Mona Lisa, um ícone reconhecido mundialmente que se tornou uma base rica para explorar diversos temas e conceitos por meio de releituras em mosaico. Sua versatilidade permite uma rica exploração da diversidade e das experiências cotidianas, facilitando a identificação do público e trazendo a obra do Louvre para o contexto urbano.

    Utilizando técnicas de mosaico aprendidas no Brasil e na Itália, criou releituras únicas, cada uma com sua própria identidade e mensagem, espalhadas por várias cidades do Brasil e do exterior. A arte, para ela, é uma forma de militância, capaz de inspirar mudanças e promover justiça social. Cada instalação representa uma oportunidade de abordar temas frequentemente ignorados.

    Seu trabalho pode ser acompanhado pelas redes Facebook: Monalisando e Instagram: @_sil_sil_.

    Eventos

    Exposição Monalisas – Releituras urbanas e lançamento do livro

    Dia 07 de novembro (quinta-feira), às 18h, na Casa Musgo (Rua Vieira de Castro, 80 – Porto Alegre/RS). A mostra segue até o dia 10 (domingo). Horários de visitação: quarta à sexta, das 14h às 18h e sábado e domingo, das 10h às 18h.

    lançamento do livro Monalisas – Releituras urbanas (Libretos Editora, Capa dura, 172 páginas, 4 cores, bilíngue, R$190. Na Feira: R$150) na 70ª Feira do Livro de Porto Alegre

    Dia 10 de novembro (domingo). Às 17h, Silvia Marcon e Roger Lerina participam do painel Vitrine de Lançamento, na Sala O Retrato – Espaço Força e Luz – Rua dos Andradas, 1223. Logo após, às 18h, acontece a sessão de autógrafos.

  • Luigi Rossetti, o editor dos Farrapos, na Feira do Livro de Porto Alegre

    Luigi Rossetti, o editor dos Farrapos, na Feira do Livro de Porto Alegre

    O jornalista  Elmar Bones  autografa hoje, às 19 horas, na Feira do Livro de Porto Alegre, seu livro O Editor sem Rosto, que resgata a história e as ideias de Luigi Rossetti, o revolucionário italiano que criou e editou O Povo, o lendário jornal dos farroupilhas.

    “Ele não podia aparecer, porque era um estrangeiro e acabou completamente esquecido”, diz o autor.

    Hoje, segundo Bones, “está clara sua importância, pois seus escritos no jornal e suas cartas são documentos valiosos para o entendimento de certos aspectos ainda não bem estudados da guerra dos farrapos e da República Riograndense, que manteve o Rio Grande do Sul por quase dez anos separado do Brasil.

    Rossetti era filiado a La Giovine Italia, organização que pregava a insurreição republicana para derrubar os reis e os privilégios da aristocracia. Vivia exilado no Rio de Janeiro quando Garibaldi chegou ao Brasil, em 1836.

    Foi ele quem levou Garibalbi para falar com Bento Gonçalves na prisão, onde ficou acertada a participação dos italianos na Revolução Farroupilha.

    Temperamento “veemente e fogoso”, segundo sua própria descrição, Rossetti foi, dos três italianos influentes no comando da Revolução Farroupilha, o único a morrer na guerra.

    Foi morto na batalha do Passo do Vigário, em Viamão, em novembro de 1840. Ele estava na retaguarda do exército farroupilha que se retirava para a campanha, quando foram atacados de surpresa.

    Publicado pela JÁ Editora, o livro terá uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre, nesta terça-feira, 5/11, às 19 horas.

     

     

  • Rossetti

    Rossetti

    Luigi Rossetti, o editor dos Farrapos,

    na Feira do Livro de Porto Alegre

     

     

    O livro O Editor sem Rosto, do jornalista Elmar Bones, resgata a história e as ideias de Luigi Rossetti, o revolucionário italiano que criou e editou O Povo, o lendário jornal dos farroupilhas.

    “Ele não podia aparecer, porque era um estrangeiro e acabou completamente esquecido”, diz o autor. Hoje, segundo Bones, “está clara sua importância, pois seus escritos no jornal e suas cartas são documentos valiosos para o entendimento de certos aspectos ainda não bem estudados da Guerra dos Farrapos e da República Rio-Grandense, que manteve o Rio Grande do Sul por quase dez anos separado do Brasil.

    Rossetti era filiado à La Giovine Italia, organização que pregava a insurreição republicana para derrubar os reis e os privilégios da aristocracia. Vivia exilado no Rio de Janeiro quando Garibaldi chegou ao Brasil, em 1836.

    Foi ele quem levou Garibalbi para falar com Bento Gonçalves na prisão, onde ficou acertada a participação dos italianos na Revolução Farroupilha.

    Temperamento “veemente e fogoso”, segundo sua própria descrição, Rossetti foi, dos três italianos influentes no comando da Revolução Farroupilha, o único a morrer na guerra.

    Foi morto na batalha do Passo do Vigário, em Viamão, em novembro de 1840. Ele estava na retaguarda do exército farroupilha que se retirava para a Campanha, quando foram atacados de surpresa.

    Publicado pela JÁ Editora, o livro terá uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre, na terça-feira, 5/11, às 19 horas.

    O Editor se Rosto – A utopia de Luigi Rossetti, o italiano que criou o jornal do Farrapos

    De Elmar Bones

    2024, 3a ed., JÁ Editora

    Sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre nesta terça-feira, dia 5/11, às 19 horas.

  • ENIO SQUEFF/ Arthur Moreira Lima

    ENIO SQUEFF/ Arthur Moreira Lima

    A morte de meu amigo, Arthur Moreira Lima, aos 84 anos, me remete a algumas reflexões que sempre pairam em minha mente e sobre as quais nunca me ocorreu escrever.
    A primeira é que Florianópolis, homenagem a Floriano Peixoto, um dos presidentes militares mais façanhudos que tivemos, continua o que foi no seu
    começo, “Ilha do Desterro”.

    Ou seja, não são poucos, principalmente gaúchos, que se
    aposentam e se tocam para Florianópolis. Arthur, que não era gaúcho, mas frequentava o melhor boteco da orla da praia do Santinho – o “Bar do Diabão”, apelido de seu
    proprietário, Fernando Saes, mulato gaúcho de olhos intensamente verdes (daí o apelido), que com a sua companheira, a Gorete, imprimiam ao lugar uma magia que só os iniciados, os amigos dele e dos que o frequentavam, sabiam avaliar.
    Arhur era um dos que se juntava aos desterrados. Depois de sua saída dos palcos do Brasil, onde seu Chopin iluminava seu Ernesto Nazaré, Arthur, como fizeram e fazem muitos intelectuais e jornalistas, decidiu que sua vida se faria olhando para o belo céu e o mar que desbordam na ilha.
    A outra reflexão tem a ver com isso – o fascínio de ter uma velhice tranquila e talvez uma morte idem.

    Falo do assunto, porque nunca conversamos a sério sobre
    qualquer destas duas coisas: o fascínio da ilha, os desterrados em busca do ócio, a velhice. E a morte.

    De Arthur, porém, me ocorre uma noite em que bebemos na casa de um ricaço paulistano várias garrafas de Romanée-Conti – sim, de Romanée-Conti, talvez o
    vinho mais caro do mundo, que mesmo a um inexperto em vinhos como eu, me foi e será sempre o melhor que bebi em minha vida.

    Saímos de manhã da casa do homem e a história pararia por aí não fosse um detalhe: no dia que já raiava, o Arthur
    me disse que, dali a pouco, ou seja, às sete horas da manhã, tinha marcado um encontro com Luís Carlos Prestes. Gostaria de acompanhá-lo?
    Aceitei na hora. Mal tive tempo de me recompor, fui à casa do Arthur que morava na avenida São Luís e, a pé mesmo, nos tocamos para o apartamento, também na São Luís, em que o legendário comandante se hospedava e que, àquelas horas, já nos aguardava. Foi uma conversa mais ou menos frouxa, como não podia deixar de ser, com
    os dois notívagos fedendo a álcool.

    Enquanto o Arthur e o Prestes conversavam sobre a Rússia, ainda União Soviética, deu-se que o Comandante
    matou uma curiosidade que eu trazia há anos: ao lhe lembrar que em quase todas as cidades brasileiras há um parque ou rua Siqueira Campos, perguntei-lhe sobre o homem. Quem era o mais bem homenageado dos tenentistas de 24?

    Prestes era um homem franco. Disse, sem meias palavras, que Siqueira Campos “era o mais bonito dentre nós”
    (os tenentes que formaram a Coluna Prestes). E não apenas isso: era “também o mais valente”.

    Prestes contou que as missões mais perigosas eram sempre confiadas a ele. Fiquei surpreso. E lembrei que  quando morreu afogado, num desastre de avião, na Baía de Guanabara, Siqueira Campos, exímio nadador, tentou
    salvar um homem que, não sabendo nadar, levou com ele, para o fundo do mar, o impávido tenente. Abraço de afogado.
    Certamente minhas lembranças do Arthur não se limitam à noitada e à conversa com Prestes.

    Foi um grande pianista. Um dos melhores que o Brasil já teve. Chegamos a nos estranhar algumas vezes. Mas além de pianista, era um poderoso contador de histórias. Só que sempre um músico fantástico. Uma amiga que compartilhou com ele algumas aulas de piano no Conservatório de Moscou, contou-me que quando Arthur se apresentava, juntava sempre uma plateia entusiasta de colegas russos, europeus, americanos.

    Era um exímio chopiniano, famoso no conservatório e em Moscou. O próprio Arthur confessou numa conversa que tivemos em Floripa, no bar do Diabão evidentemente, que não conhecia melhor cidade que Moscou, o que nos surpreendeu a todos que dividíamos a mesa com ele.

    Mas não foi esta a única surpresa patrocinada por
    Arthur Moreira Lima. Certa vez, em sua casa, em São Paulo, me fez ouvir uma das músicas de que mais gostava: nada menos do que um intermezzo do “I Pagliacci” de Leoncavallo. Para os que se surpreendem, informo que Chopin, que Arthur tocava magnificamente, preferia Bellini a outros compositores que o frequentavam, como Liszt,  ou que ele conhecia, como Beethoven, Bach, Mozart…
    Em tempo: na semana retrasada, como que a antecipar a morte de um de seus mais importantes frequentadores de seu bar legendário, morreu também, em Porto Alegre,
    Fernando Saes, o Diabão.
    Triste sina, esta, dos velhos a escrever sobre seus mortos. (Enio Squeff)