O Butiá recebe no sábado (10) João Maldonado Trio. Acompanhado de Everson Vargas (baixo acústico) e Mano Gomes (bateria), o pianista apresenta um repertório autoral instrumental e releituras de clássicos do rock gaúcho e internacional, como Beatles e Jimi Hendrix, além de standarts de jazz.
No domingo (11), sobe ao palco o Instrumental Picumã. Formado por Paulinho Goulart (acordeom), Matheus Alves (violão e guitarra), Texo Cabral (flauta), Miguel Tejera (contrabaixo acústico e elétrico) e Bruno Coelho (percussão), o grupo resgata a música feita no sul do Brasil com influências latino-americanas. Em suas composições e arranjos, destacam-se ritmos como milonga, chacarera, candombe e tango, que se fundem ao choro, à salsa e ao jazz, criando assim uma identidade própria.
Instrumental Picumã se apresenta no domingo. Foto Rika Silveira/ Divulgação
Para este primeiro show no Butiá, Picumã apresenta o repertório de seu primeiro disco, lançado em 2017 e contemplado com o Prêmio Açorianos de Música, como Melhor Disco Instrumental e Revelação, além de releituras de compositores, como: Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Astor Piazzolla, Lito Vitale e Chick Corea.
As apresentações ao ar livre iniciam às 16h até o pôr do sol. Os ingressos custam R$ 40e, em cumprimento aos protocolos sanitários, as reservas devem ser feitas pelo site www.obutia.com. A localização e como chegar são informadas por e-mail após a reserva.
Pela primeira vez, uma exposição itinerante de arte vai acompanhar os usuários do Trensurb em suas viagens pela Região Metropolitana. A partir do dia 10 de julho, em formato de videoarte, a série “Cidade do Meu Olhar”, assinada pela artista multimídia Liana Timm, será exibida nas TVs das estações e dos trens da empresa de transporte intermunicipal. O vídeo será veiculado até o dia 31 de agosto.
Rua da Praia. Liana Timm/ DivulgaçãoPorta da Cidade. Liana Timm/ Divulgação
Na série “Cidade do Meu Olhar”, Liana reúne cerca de 300 trabalhos criados em diversos momentos, sempre pensando a cidade a partir de sua história e contemporaneidade. Iniciada em 1986, a série continua in progress acrescentando o que a urbanidade oferece de tempos em tempos.
Com essa exposição pioneira, o Trensurb, que transporta pessoas entre Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo, cria um espaço para o contato com a arte e a cultura de maneira especial e inovadora, com um potencial de alcançar 200 mil passageiros por dia.
Uma viagem afetiva
O vídeo que reúne obras de arte e textos, com legendas explicativas e trilha sonora, possibilitará aos usuários do Trensurb, momentos agradáveis ao longo do caminho a percorrer entre uma estação a outra. Nas imagens, o centro histórico, o Caís do Porto, alguns prédios históricos, o Guaíba e outros ícones urbanos fazem parte desse roteiro criado com toda a afetividade que a artista, que nasceu em Serafina Corrêa e adotou Porto Alegre, dispensa ao seu lugar de vida.
A ponte. Liana Timm/ Divulgação
Em sua trajetória mais de 50 anos de arte, Liana Timm fez de Porto Alegre e de seus ícones uma inspiração. Além da série “Cidade do Meu Olhar”, a artista participou do projeto Quintana dos 8 aos 80, em uma homenagem ao poeta, e coordenou a publicação e criou obras de arte para o livro “Crônicas de um Rio”, sobre o Guaíba. Além de levar a série “Cidade do Meu Olhar” para exposição individuais no Museu de Porto Alegre e no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, também produziu um painel de cem metros com obras sobre a cidade para o muro do Cais do Porto, durante uma edição da Casa Cor RS.
A multiartista Liana Timm/ Divulgação
Por essas e outras contribuições artísticas, Liana recebeu o título de Cidadã Honorária de Porto Alegre, da Câmara Municipal em 2008. Atualmente, a artista também prepara um livro, com outras autoras, sobre a capital gaúcha, que será publicado pela editora Território das Artes, no início de 2022.
VIDEOARTE da série “CIDADE DO MEU OLHAR: Porto Alegre” de Liana Timm Mostra virtual será exposta nas TVs das estações e nos trens do TRENSURB
Período de veiculação do vídeo: 10 de julho a 31 de agosto
Seguindo a sequência de lançamentos com participações de artistas brasileiros, como Filipe Catto, Diego Moraes, Taís Reganelli e Zeca Baleiro, o compositor, cantor, multi-instrumentista, arranjador e produtor Dany López lança no dia 9 de julho, em todas as plataformas digitais, “Ditto”. Importante nome no intercâmbio musical entre o Rio Grande do Sul e Uruguai, desta vez, ele chamou a cantora Aline Stoffel para a parceria.
“Ditto” é um jogo de palavras, transparece a força da linguagem, do impacto do que é dito, ou do que não é dito. Na letra, escrita por Fabiana Iglesias, cabe medo e desejo, paixão e decepção, liberdade para colocar para fora sentimentos em voz alta. As palavras impulsionam o som. Embalado por um “blue rock” com ares contemporâneos, o que é dito ganha poder.
Aline Stoffel – Foto Tom Silveira/ Divulgação
“Aline tem essa voz profunda que abraça com graves incríveis de veludo, e, ao mesmo tempo, muito doce. Faz explodir o blues rock da canção. Com domínio total da voz e uma capacidade interpretativa fora do comum, fala/canta o que precisa ser ‘Dito’”, diz Dany.
Gravada no Brasil e no Uruguai, a música conta com um time de artistas de diversas áreas, uma mistura de estilos musicais, que se completa em uma só sonoridade: moderna e contemporânea, com guitarras, piano, baixo e efeitos.
Carinhosamente chamado de “El Maestro”, Dany compôs para o teatro e acompanhou diversos compositores e intérpretes como pianista e tecladista. Produziu mais de 15 álbuns, entre eles “Mar Abierto”, de Daniel Drexler, que recebeu o prêmio Gardel de 2013 (ARG). Depois de passear pelo folk e pela música latina, o músico retornou ao rock com o disco “The Kingdom of Me”, a primeira parceria com a Loop Discos.
Ficha Técnica Letra: Fabiana Iglesias
Música: Dany López
Voz: Aline Stoffel e Dany López
Coros: Camila Ferrari
Bateria: Martin Ibarburu
Guitarra: Nicola Spolidoro
Piano, rhodes, hammond, baixo e violões: Dany López
Saxofone: Gonzalo Levin
Trompete: Gaston Ackerman
Captações: Estúdio: E12 (guitarras de Nicola Spolidoro), home studio (vozes de Aline Stoffel) e Io Estúdios (demais)
Mix e Master: Diego Rey e Nico Panzl
Foto da capa: Alejandra Bacigalupi
Capa: Estúdio Blende
Management Dany López: Origami Gestión Cultural
O Ballet Vera Bubliz volta ao palco do Theatro São Pedro, dois anos depois do Festival Internacional de Dança de Porto Alegre (FIDPOA). É a VIII Gala de Excelência em Dança que terá em cinco apresentações nos dias 2, 3 e 4 de julho. Os ingressos estão à venda nas sedes do Ballet Vera Bublit (BVB), na Cel. Lucas de Oliveira, 158, e na Cel. Corte Real, 227. Informações pelos telefones (51) 99933-3310 e (51) 98590-0618.
Vera e Carlla Bublitz no Theatro São Pedro; Foto: Daniel Martins/ Divulgação
Ao longo dos três dias, os bailarinos que compõem o Ballet Vera Bublitz vão se revezar nas apresentações. Entre eles, estão nomes já consagrados do grupo, que se destacaram em premiações e companhias internacionais. “Traremos trechos de ballets de repertório como Lago dos Cisnes, Dom Quixote, Bela Adormecida, Paquita, Quebra-Nozes e Coppélia, entre outros, em apresentações solo e em grupo”, detalha Vera Bublitz.
Bela Adormecida . Foto: Daniel Martins/ Divulgação
A retomada é comemorada por alunos e professores. “Somos a primeira escola de dança a se apresentar em um teatro desde o início da pandemia. No final do ano passado, fizemos apresentações em formato Drive-Thru, mas estar de volta ao Theatro São Pedro é uma celebração para os bailarinos, que podem depois de tanto tempo de ensaio e dedicação sem apresentações voltar ao palco em um espetáculo”, destaca a fundadora do BVB.
Carlla e Vera Bublitz : seguindo os protocolos de segurança. Foto: Daniel Martins/ Divulgação
As apresentações vão seguir todos os protocolos de segurança e apenas 30% do Theatro São Pedro estará disponível para manter o distanciamento. O uso de máscara é obrigatório e haverá controle de temperatura na entrada.
Bailarina Sofia Irázábal – Foto: Carlla Bublitz/ Divulgação
VIII Gala de Excelência em Dança Ballet Vera Bublitz
2 de julho (sexta-feira): 15h30
3 de julho (sábado): 10h30 e 15h30
4 de julho (domingo): 14h e 16h30
Local: Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n – Centro Histórico – Porto Alegre)
Capacidade: 170 lugares por espetáculo
Ingressos antecipados:
Cel. Corte Real, 227
Whatsapp: (51) 98590-0618
Cel. Lucas de Oliveira, 158
Whatsapp: (51) 99933-3310
Os ingressos também poderão ser adquiridos no dia do espetáculo na bilheteria do Theatro São Pedro, dependendo da disponibilidade de assentos.
“Josué Guimarães: arquivos e crítica genética” foi o tema da live desta segunda-feira, na série “Tempos de Josué”, sobre os 100 anos do nascimento do escritor, da LPM Editores.
Nascido a 7 de janeiro de 1921, em São Jerônimo, polo carbonífero do Rio Grande do Sul, Josué Guimarães foi jornalista, escritor, político e formador de leitores. Um cronista de muitos pseudônimos.
Foi Dom Xicote, na Folha da Tarde, e D. Camilo, em outros jornais, para vergastar as injustiças da sua época.
Escreveu romances que permanecem atuais. “Uma jornada que se mantém viva e um legado sem fim”.
Como parte das homenagens, nesta segunda-feira a professora Márcia Ivana Lima e Silva abordou a obra de Josué a partir dos registros dos processos de origem dos textos literários do autor e seus arquivos.
Os rumos de criação, as variantes do texto no processo criativo do autor, seus arquivos, memórias, o estudo dos rascunhos e apontamentos prévios à publicação das obras e a literatura feita no Rio Grande do Sul foram alguns dos assuntos tratados na live.
A mediação de Miguel Rettenmaier (UPF), coordenador do Acervo Literário do Autor (ALJOG/UPF), onde estão inúmeros registros textuais de Josué Guimarães.
A “crítica genética” se propõe a “mapear” o possível percurso da escritura de um autor a partir da análise de rasuras, anotações, emendas, rascunhos e variantes produzidos por um autor enquanto esse produz sua obra.
“Tendo em mãos os diferentes documentos deixados pelos artistas ao longo do processo, por meio da crítica genética pode-se tecer relações entre os dados neles contidos para buscar refazer e compreender os caminhos do pensamento do autor”.
A live pode ser vista no canal da LPM no You Tube.
Um espaço com grandes nomes da arte do Brasil e do mundo e que abre oportunidade para novos talentos. Assim é a Galeria Duque também em sua retomada de atividades, com a primeira vernissagem de 2021. No dia 26 de junho, das 11h às 17h, o público poderá conferir, com todos os protocolos de segurança, as três mostras: “Há Luz”, “Lumen” e “Panos da Vida”. A exposição fica em cartaz até outubro.
Djanira da Motta e Silva/ Reprodução
Em “Há Luz”, a curadora Daisy Viola selecionou obras de ícones da arte que fazem parte do acervo da galeria. “Quando dizemos que há luz no fim do túnel, é porque temos esperança de que algo vai ficar melhor do que está. Este foi o nosso pensamento quando planejamos esta exposição. Daqui a pouco estaremos juntos novamente e poderemos celebrar a vida. Assim, selecionamos obras do acervo da galeria cheias de cor e luz”, destaca.
Abhran Palatnik/ Divulgação
Estão representados na exposição nomes como Cícero Dias, Rapopport, Carlos Vergara, Vicente do Rego Monteiro, Sergio Telles, Abraham Palatnik, Frank Stella, Tomie Ohtake, Carlos Fajardo, Mário Zanini, Mário Gruber, Outros Di Cavalcanti, Burle Marx, Iberê Camargo, Salvador Dalí, Maurício Nogueira, Antônio Maluf, Eduardo Vieira da Cunha, Milton da Costa, Angelo Guido e Siron Franco, entre outros, nos dois primeiros andares da galeria.
Judith Lauand/ Divulgação
O projeto de extensão “Lumen – Grupo de Estudos em Processos Fotográficos Históricos e Alternativos”, vinculado à UFRGS – Instituto de Artes e à Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação -, ocupa o terceiro andar do espaço. Na mostra estão em destaque diferentes olhares fotográficos e diferentes técnicas alternativas para o desenvolvimento de cada projeto. Participam da exposição Andréa Brächer, Bruno Leites, Daniela Pinheiro, Daniela Remião, Gisele Endres, Hernando Salles, Jéssica Kohls, Julia Knackfuss Marques, Jussara Moreira, Myra Gonçalves e Sandra Gonçalves.
Myra Gonçalves, Série Insetos Gigantes. Ausentes #2, , 2020. Fotografia P_B tonalizada com Viragem, Sobreposição. 18 x 13 cm./ Divulgação
Para completar a exposição, o grupo Nós do Fio apresenta as obras de “Panos da Vida” no quaro andar da Galeria Duque. Este é um grupo que reúne artistas que utilizam fios e/ou tecidos como suporte ou meio de expressão na sua atividade, e cujos trabalhos apresentam valor artístico pelo seu conteúdo e subjetividade.
Dani Remião, série Les tons des roses, sem título #3, 2017-2020, Fotografia pintada à mão com extrato de rosas. Sobreposição. 30×20 cm/ Divulgação
“Em ‘Panos da Vida’, propomos uma reflexão afetiva por meio do trabalho desenvolvido usando como material, panos com os quais as artistas possuem algum tipo de vínculo pessoal, transformando-os em objetos artísticos”, explica a curadora Daisy Viola. Integram o grupo Nós do Fio as artistas Ana Luiza Miranda, Berenice Fischer, Lucia Aragon, Lucia Guaspari, Marilene Fonsceca, Marize Vargas e Rosane Morais.
Jussara Moreira, série O sagrado da vida,Jardins,2020,Cianotype sobre tecido de sarja ,bordado com fios dourados,30x30cm_/ Divulgação
Agenda:
Exposições: Há Luz, Lumen e Panos da Vida
Local: Galeria e Espaço Cultural Duque
Endereço: Duque de Caxias, 649 – Porto Alegre
Vernissagem: sábado, 26 de junho, das 11h às 17h
Período da exposição: de 26 de junho até outubro
Horário de funcionamento:
Seg/Sex: 10h30 às 19h | Sáb: 11h às 17h
Entrada Franca
Daniela Pinheiro, série Conversa com a natureza I , 2020, chlorophyll print, 20 x 30 cm/ Divulgação.
Nem só de turismo, gastronomia, lazer e natureza vive São Francisco de Paula, nos Campos de Cima da Serra. A partir do dia 1º de julho a cidade incluirá no seu rol de atividades um espaço cultural inédito na região, dedicado à arte e à promoção de obras do artista Ricardo Giuliani e gestão cultural de Marla Trevisan.
“O Aberto se constituiu, nestes mais de 5 anos de história, em um espaço de pluralidade e de convivência cultural de todas as tribos. São Chico é uma cidade que está construindo esta identidade, com um turismo voltado à cultura, à valorização do que é local, da sua história e de sua natureza ímpar. A gente espera, nesta nova casa, trazer à cidade nossa marca: arte e cultura acessíveis a todos os públicos”, afirmou Marla.
Para o momento inicial da mostra, o artista, também conhecido nacionalmente por sua trajetória no mundo do direito, na advocacia, na consultoria e no magistério superior, apresenta um belo ensaio visual com mais de 200 imagens produzidas ao longo dos últimos anos. Fazem parte da exibição pinturas e desenhos icônicos das mostras Um Gaúcho e TransAparente.
O primeiro aconteceu em 2018 no MARGS – seis anos após Giuliani decidir se enveredar para os campos da arte – e apresenta uma série de pinturas e desenhos sobre história, folclore e arte do cotidiano do sul-rio-grandense. Já a segunda propõe uma reflexão sobre a sociedade, a política, a economia e a mídia que nos cerca, gravitando também em cenas do cotidiano ou ainda as andanças do artista percorrendo universos alheios ou pessoais e que são geralmente ilustrados por seus personagens: ciclistas, palhaços, personas emblemáticas que agem de modo a provocar no observador o estranhamento sobre a vida vivida.
As obras de arte expostas no Aberto estarão à venda a preços que cabem em todos os bolsos. A ideia, explica a gestora cultural do espaço, é permitir a entrada simultânea de no máximo seis pessoas, garantindo conforto e segurança sanitária a todos os frequentadores. Num segundo momento, também será possível encontrar obras de outros artistas e designers, que serão convidados periodicamente, de forma a trazer para São Chico um pequeno recorte da produção artística de parceiros brasileiros e estrangeiros.
Pluralidade
Outra característica do Aberto é ter consigo o escritório de advocacia do casal. Ali, no segundo andar, em meio a outras inúmeras obras, Marla e Ricardo seguirão com suas atividades profissionais, o único meio que tem hoje para financiar e sustentar o espaço cultural democrático e qualificado sem qualquer interferência de verba pública.
“A arte, para nós, deve ser libertadora e inclusiva. Somos um espaço público não estatal e pretendemos mostrar e oportunizar a criação artística vinda de todas as vertentes e procedências. A prática concreta do intercâmbio, da troca e da universalização do pensamento é o que poderá ser visto no Aberto”, completou Giuliani.
O Aberto Espaço Cultural passa agora a existir em São Chico para ser visitado, convivido e usado. O local tem mais de 100 m², divididos em dois pavimentos. Haverá um pequeno bar com bebidas como, café, espumantes, licores e vinho, além de petiscos locais. Até então a cidade e a região eram carentes de espaços dessa natureza e o prédio deve abrigar diversas atividades artísticas e culturais. Para o futuro, a meta é dar continuidade às práticas de pluralidade e convívio democrático entre todas as tribos que constroem o nosso mundo cultural.
Porque ABERTO
Surgiu de uma brincadeira, conta Marla. Era para ser só uma plaquinha na porta, desenhada pelo próprio Ricardo para o antigo Estúdio de Criação, então localizado em Porto Alegre, já que eles não queriam nenhuma das convencionais que se compra em papelaria. Acabou se tornando uma grande história, primeiro como Aberto Espaço da Artes que deu origem ao Aberto Espaço Cultural, tão plural quanto o seu nome: virou marca oficial!
Quem é quem
Ricardo Giuliani (Quaraí/RS, 1963), artista visual, escritor e advogado; mestre e doutor em direito. Realizou diversas exposições individuais, dentre as mais marcantes Um Gaúcho, curadoria de José Francisco Alves, MARGS/RS, 2018, TransAparente, curadoria de Ana Zavadil, exposição que itinerou por diversos espaços dentre os quais o Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul, 2018 e Centro Cultural da Câmara dos Deputados, Congresso Nacional, Brasília/DF, em 2017, ambas selecionado por edital público.
Participou de inúmeras exposições coletivas, as quais mais se destaca A Fonte 100 anos, MACRS/RS, 2017, Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Czech Centre Prague, Praga, República Checa, 2017, Paisagem (In) Certa, Centro de Exposiciones Subte, Montevidéu, Uruguai, 2016, XIV Salão Latino Americano de Artes Plásticas de Santa Maria/RS, 2016, Festival Paratíssima, recorte da I Bienal C, Associação Chico Lisboa, Lisboa, Portugal 2016, O Cânone Pobre – uma arqueologia da precariedade na arte, MARGS/RS, 2014. Com obras em diversas publicações no Brasil e no exterior e em acervos públicos no MARGS/RS, MACRS/RS e MARCO/MS e outras instituições.
Com seis livros publicados, no ano de 2012 foi indicado ao prêmio Açorianos na categoria crônica pelo livro Nas Coxias do Poder. Em 2015, recebeu o Prêmio Luiz Menezes, como reconhecimento pelo seu destaque cultural à cidade de Quaraí/RS.
Marla Trevisan (Triunfo, 1986), advogada formada pela Unisinos/RS, atuante no Direito das Famílias e no assessoramento à artistas visuais em questões de Direito Autoral e questões jurídicas ligadas à arte, tema sobre o qual ministrou cursos e palestras em diversas instituições como Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Atelier Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre/RS, Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, entre outras.
Com formação em andamento em Gestão Cultural pelo Senac/SP, é a gestora responsável pelo Aberto desde 2015, estando na direção geral de todas as exposições e atividades culturais realizadas pelo espaço.
SERVIÇO
Lançamento do Aberto Espaço Cultural
A partir do dia 1 de julho
Sexta, Sábado e Domingo, das 10h às 19h
Endereço: Rua Assis Brasil 236, Centro. São Francisco de Paula
O jornalista, editor e escritor, Flávio Ilha, lançou no final de maio, a biografia “João aos Pedaços”. O livro chega no ano em que o biografado completaria 75 anos. João Gilberto nasceu em Porto Alegre, em 1946 e faleceu em 2017, na capital gaúcha. O biógrafo conta como chegou lá; “depois de quatro anos de pesquisa, entrevistas, noites e mais noites escrevendo, apagando, reescrevendo, eis que está na hora de mostrar o resultado de tanta obstinação”, afirma Flávio Ilha.
O escritor da obra concedeu essa entrevista ao jornalista José Weis:
Há quanto tempo és um leitor do Noll?
Flávio Ilha – Sou leitor no Noll desde que ele lançou o primeiro livro, “O cego e a dançarina”, em 1980. Não lembro por que comprei o livro, talvez tenha sido bem comentado na imprensa da época, não lembro. Mas o livro me encantou imediatamente, gostei demais do conjunto de contos e virei um fã do Noll. Em maior ou menor intensidade, dependendo da época, acompanhei de perto seu trabalho. Quando editei a revista Aplauso, na primeira década dos anos 2000, tivemos um breve contato profissional. Mas, na condição de jornalista, nunca fiz uma entrevista exclusiva com ele.
Conheceste João Gilberto Noll pessoalmente?
Ilha – Nos conhecemos pessoalmente apenas no final da vida dele, em 2016, quando cursei uma de suas oficinas literárias na Livraria Baleia. O curso deu origem ao meu primeiro livro de contos, “Longe daqui, aqui mesmo”, de 2018. Não nos tornamos amigos, não no sentido estrito da palavra. O João era bem discreto e fechado. Muito receptivo, mas bem fechado. Dificilmente falava de coisas pessoais.
Quando e como começou o trabalho da biografia?
Ilha – A biografia começou logo após a sua morte, em 2017. Explico: eu o havia convencido a produzir um documentário sobre sua história literária, que seria feito de caminhadas dele pelo Centro da cidade, o que era bem comum, e leituras de trechos de seus livros por pessoas convidadas. Ele inclusive já havia selecionado alguns trechos para ler, estava empolgado, mas morreu antes de conseguirmos dar início ao projeto. Como não seria possível fazer o trabalho sem ele, decidi transformar em uma biografia. Comecei aos poucos, tateando, procurando pessoas. Só engrenou mesmo em 2019.
Foto; Editora Diadorin/ Divulgação
Fizeste pesquisas e entrevistas?
Ilha – Sim, fiz várias dezenas de entrevistas (não contei), aqui, no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte… Consultei cartas, documentos, reli vários de seus livros, pesquisei em universidades. Foi bem intenso, às vezes pensei em desistir, mas acredito que o Noll merece essa biografia e então toquei em frente. Não imagino que seja uma pesquisa definitiva, acredito que muita coisa ainda possa ser desvendada sobre a vida dele. Espero que inspire outros autores a isso.
O que achas das adaptações para o cinema e o teatro da obra de Noll?
Ilha- Conheço apenas as adaptações para o cinema. Em geral são recortes da obra dele, até nem as abordo muito na biografia, pois a transposição de sua linguagem literária para o cinema é (em minha opinião) impossível. O Noll em geral não criticava as adaptações, até gostava. Mas sabia que se tratavam de linguagens diferentes, ou seja, difíceis de ser comparadas. Adaptações para teatro nunca vi.
O título “João aos pedaços” seria uma referência aos personagens que também são apresentados quase sempre em partes que se compões ou se desmancham ao longo de suas narrativas?
Ilha – O título refere-se a duas coisas: primeiro, à organização da biografia. Não se trata de um inventário completo da vida dele, não queria fazer uma biografia convencional, então eu começo com a ida dele pro Rio, volto à infância, vamos para o exterior, depois voltamos a Porto Alegre. São pedaços da vida que ele levou que explicam quem ele era. A segunda razão é que o próprio Noll vivia “aos pedaços”: se desmanchava e se reconstruía a cada livro, diz isso em várias cartas, era um processo bem pesado para ele.
Tentei não fazer uma biografia convencional, com começo, meio e fim. Me detive pouco na questão familiar, embora seja um capítulo bem importante da vida dele, para tentar desvendar sua persona literária. Ele se colocava muito nos seus livros, há conexões bem evidentes disso em vários livros que são citados na biografia. Não tenho preocupações acadêmicas, não fiz um estudo teórico, meu objetivo foi desvendar a vida discreta do Noll sem entrar em detalhes pessoais que só interessavam a ele. Então, não há cenas de sexo, bacanais ou qualquer indiscrição como possam supor os leitores mais interessados em escândalos do que em informação.
Foto: Gilberto Perin/ Divulgação
Um narrador em eterna busca
“Quase sempre narrados em primeira pessoa, são personagens de rumo incerto, anônimos e que sobrevivem e passam por cidades reais ou mesmo em territórios imaginários. Essas são as criaturas e cenários que identificam a obra de João Gilberto Noll. Um autor reconhecido e vencedor de prêmios literários, Noll também foi objeto de muitos ensaios acadêmicos.
João Gilberto Noll na sua escritura, quando o cenário é a cidade de Porto Alegre, trás um olhar peculiar, ora amargo ora quase lírico. É o que identifica nas primeiras páginas de “Rastros de Verão” e “O Quieto Animal da Esquina”. Ruas, avenidas e praças têm referências, porém com certo distanciamento. “O meu passado em Porto Alegre era mais uma abstração”, diz o narrador em “Rastros de Verão”. O jornalista Carlos André Moreira, em artigo escrito em 2012, adverte que “Noll, por sua vez, descreve pouco o ambiente externo em que seus heróis se movimentam. Também desloca com desenvoltura o espaço físico de seus romances”. André Moreira ainda observa que “algumas de suas principais e mais aclamadas obras se passam fora de Porto Alegre, como “A Fúria do Corpo” (no Rio), “Harmada” (em um país fictício) ou “Lorde” (Londres)”.
O seu alter ego narrador, quase sempre diz logo onde está; “Subi as escadas de um pequeno hotel na Nossa Senhora de Copacabana, quase esquina da Miguel Lemos”, em “Hotel Atlântico”. A linguagem nas narrativas que perpassam na obra de João Gilberto Noll é uma busca constante de uma renovação. Seus protagonistas estão sempre à procura de alguém, que se transforma durante a jornada de uma busca descarnada e enriquecedora do texto.
Em entrevista a uma publicação da PUCRS/Brown Univerty (1998), João reconhece uma textura barroca em seus escritos, “sou mais o ritmo musical do que o ritmo da escrita”. As leituras de seus escritos, quando lidas pelo autor, emprestam um ritmo, canto que encanta.
O autor “A Céu Aberto” almejava livrar-se da “canga da ação”, revelou numa outra entrevista. Talvez seja um reflexo de uma obra em construção, da juventude, quando participou de grupos de canto orfeônico ou sua graduação pelo Instituto de Letras da UFRS, ou ainda da leitura de poesia, uma constante em sua vida, dos tempos em que lia Casemiro de Abreu. Desde no seu primeiro livro, o conjunto de sua obra é um convite à desestabilização do leitor. João Gilberto Noll, o desconcertante.” (JW)
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João aos pedaços – biografia de João Gilberto Noll escrita por Flávio Ilha
Reconhecido pelos célebres trigais e pelas histórias em quadrinhos, Fernando Ikoma é a próxima atração da Bublitz Galeria de Arte. A exposição, que inaugura no sábado, dia 12 de junho, das 10h às 13h, traz 25 obras do artista e pode ser conferida presencialmente na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, em Porto Alegre, ou no link virtual.galeriabublitz.com.br. A exposição vai até 12 de julho.
Fotos de obras. Crédito: Daniel Martins/ Divulgação
Com telas espalhadas em vário continentes, Ikoma tem quadros que fazem parte de acervos importantes para o Vaticano e para a Casa Real da Suécia, com obras que foram presenteadas ao Papa João Paulo II e à Rainha Silvia. Também esteve representado em exposições fora do Brasil, em países como Estados Unidos e Suíça.
Fernando Ikoma. Foto: Maryanna Ikoma/ Divulgação
Aos 75 anos, o artista que nasceu em Martinópolis e passou a infância em Presidente Prudente (SP), mudou-se para Curitiba na adolescência, onde vive até hoje. Boa parte de suas obras estão no Paraná, mas o Rio Grande do Sul se destaca pelo acervo espalhado por Porto Alegre, Caxias do Sul e Uruguaiana. “Os gaúchos gostam das minhas obras e eu também sempre tive um sonho de morar em Porto Alegre”, revela Ikoma.
Principal destaque
Em suas obras, o principal destaque são os trigais, um resgate das reminiscências da infância no interior, em pinturas a óleo que refletem a simplicidade de uma agricultura artesanal, nada mecanizada. Outro tema presente em suas obras e na exposição da Bublitz Galeria de Arte é a infância. “Gosto muito de pintar crianças”, reconhece o artista.
Na mostra também será possível conferir obras que retratam Dom Quixote e São Francisco de Assis. A temática religiosa faz parte da trajetória de Ikoma, cujas criações estão na Bíblia Infantil Ilustrada em Quadrinhos e nos calendários anuais de 2013 e 2014 para a “A Basílica del Santo”, na Itália, que circulou nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Filipinas e Singapura.
Como quadrinista, trabalhou nas principais editoras do país e criou vários personagens que fazem sucesso até hoje, como “Fikom, o Herói do Universo dos Sonhos”. Na Editora Abril, escreveu histórias infanto-juvenis para o Grupo Hanna & Barbera. Também conquistou diversos prêmios como o Angelo Agostini e HQMIX e o título de Grande Mestre nas Histórias em Quadrinhos.
A exposição “A Arte de Fernando Ikoma” é a terceira individual do artista na Galeria Bublitz. As outras mostras individuais foram realizadas nos anos 2000 e 2013. Suas obras também integraram as exposições coletivas comemorativas dos 25 e dos 30 anos da galeria.
Mesmo sendo um nômade, durante a quarentena da pandemia, Wander Wildner teve que ficar mais tempo recluso e descobrir novas formas de se expressar, pois a mente de um criador é inquieta por natureza. Nesse período ele escreveu o livro Aventuras de um Punkbrega e depois organizou um financiamento coletivo para impressão da obra literária, que teve a expressiva participação de 474 apoiadores.
O livro tem 162 páginas, capa e ilustrações de Allan Sieber, fotos de Fernanda Chemale, apresentação de Eduardo Peninha Bueno e foi editado pela Yeah Discos Livros & Bugigangas.
Aventuras de um Punk Brega pode ser adquirido através do site oficial (www.wanderwildner.com).