Na noite de 4 de maio, diversas projeções acontecerão em São Paulo em pontos de grande visibilidade como no Vale do Anhangabaú e na Consolação.
A data assinala o primeiro ano da morte do cronista, compositor e letrista Aldir Blanc, e teem como homenageado especial o sociólogo Betinho (Hebert José de Souza).
As empenas (paredes cegas) de alguns edifícios da cidade de São Paulo servirão de suporte para a primeira exposição virtual de artistas plásticos, chargistas e grafiteiros do Brasil.
O projeto, denominado “A Noite do Brasil”, resulta de uma associação entre o grupo “Projetemos” com vários artistas, que farão uma gigantesca mostra de artes visuais, cujo tema será um comentário crítico sobre o atual momento brasileiro.
O sociólogo Betinho é um dos homenageados. Pìntura de Elifas Andreatto
Cerca de cem pessoas entre artistas visuais, e profissionais que trabalham com projetores de longo alcance, a mostra “A Noite do Brasil” que alude ao conhecido samba, “O Bêbado e a Equilibrista” de Aldir Blanc, será simultaneamente estendido à internet e poderá contar com a participação de projecionistas de várias cidades brasileiras.
Exposição virtual marca um ano da morte de Aldir Blanc
Segundo os organizadores, as mostras virtuais terão, no máximo, uma hora de duração. Os artistas convidados e selecionados para o lançamento da “A Noite do Brasil”, além de Elifas Andreato e Enio Squeff, o escultor Israel Kislansky, os chargistas Aroeira, Laerte, Cau Gomez, Brum, Carol Cospe Fogo, Gilmar e o grafiteiro Bonga pretendem inaugurar um movimento, e também, uma espécie de procedimento estético que tenha continuidade, consolide uma relação longa entre artistas e projecionistas, e resulte em novos desdobramentos.
Charge de Cau Gomez é uma das obras projetadas
A lista de participantes de “A Noite do Brasil” não está encerrada. Os próximos artistas e projecionistas, contudo, – inclusive de outros países – que quiserem participar, numa segunda fase, deverão preencher o formulário e enviar suas obras neste link: bit.ly/a-noite-do-Brasil-FORMS A partir disso, os trabalhos passarão por uma nova curadoria que marcará a data da próxima versão da mostra.
Para o grupo “Projetemos”, as projeções poderão ser feitas de 15 em 15 dias.
O Arte como Ciência: Raízes é um projeto especial do Arte Como Ciência que objetiva reverenciar e refletir sobre a relevância da trajetória profissional de importantes nomes da cultura gaúcha: Vera Lopes, Mestre Pernambuco, Irene Santos, Zé da Terreira e Seli Maurício. A realização conta com a produção de um web-documentário sobre o trabalho de cada artista, cujo lançamento será acompanhado de uma mesa redonda virtual dedicada a refletir sobre o tema central da trajetória abordada. As mesas serão compostas por profissionais especialistas em cada temática central, em uma programação que acontecerá na última semana de abril e durante todo o mês de maio, sempre nas terças-feiras, às 14:30 no canal do Arte Como Ciência no Youtube e na página do Facebook.
Irene Santos. Foto_Rogerio do Amaral Ribeiro / Divulgação
Os web documentários que serão apresentados e debatidos são: “Vera Lopes: arteativista das lutas negras”, uma trajetória que engloba a arte negra no teatro, poesia, cinema e música; “Zé da Terreira: na cadência do tambor”, destacando seu trabalho no teatro de rua, performance política e música; “Seli Maurício: o exercício da sensibilidade”, artista plástica e bonequeira da cidade de Pelotas; “Mestre Pernambuco: quilombismo, a utopia viável”, com enfoque na promoção do carnaval de rua e sua relação filosófica e política com o quilombismo; “Irene Santos: memória fotográfica de negros de alma preta”, com ênfase na promoção do papel essencial da negritude na formação da cultura gaúcha.
O Arte como Ciência: Raízes foi criado em meio à pandemia do COVID-19, um momento em que o mundo está sofrendo o luto de perder tantas trajetórias repletas de maturidade, experiência e sabedoria. As pessoas enfocadas nesta realização possuem mais de sessenta anos. Elas fizeram parte de momentos históricos essenciais às transformações dos modos de emocionar e refletir que as realizações artísticas promovem. Elas integram o momento presente, de forma contundente, pois nada substitui a relevância de suas experiências. Essas pessoas foram, são e continuarão sendo essenciais ao desenvolvimento cultural do Rio Grande do Sul. O Arte como Ciência: Raízes é um ato político de conscientização e reverência a pessoas que constituem ancestralidades férteis, repletas de realizações passadas e possibilidades presentes e futuras. Segundo Viviane Juguero, coordenadora pedagógica do projeto a proposta está embasada no entendimento de que “os discursos artísticos são fundamentais na configuração das estruturas sociais pois compõem as coordenações emocionais que embasam valores e desejos, e resultam nas escolhas de cada pessoa em relação às possibilidades dos contextos em que estão inseridas. Já Daniela Israel, coordenadora técnica, pontua que este “é um projeto colaborativo, feito com muitas mãos, de diferentes lugares, envolvendo muita paixão, arte e ciência. Focamos em como um conteúdo pesado e difícil de ser entendido por vezes, possa ser leve, interessante, agregando e transformando a sociedade.”
Seli Mauricio. Foto_video: Huli Balasz – Patricia Custodio / Divulgação
Ao mesmo tempo, o projeto englobou profissionais com trajetórias e experiências distintas, em uma equipe diversa em todos os sentidos. Junto a profissionais com ampla experiência e formação, aprendizes e iniciantes também tiveram a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos, por meio de distintos estágios. A iniciativa também reúne, além de sua equipe diretiva e de produção, profissionais da arte de diversos estados, ampliando nacionalmente a repercussão do trabalho, além de equipes de acessibilidade, divulgação e tradução, pois, seguindo o propósito original do projeto de estabelecer conexões internacionais, todos os vídeos e encontros contam com tradução para o inglês e o espanhol.
O Arte Como Ciência: Raízes está sendo realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020, através do Edital SEDAC nº 09/2020 – Concurso Produções Culturais. Os vídeos, mesas redondas e demais conteúdos do projeto podem ser acompanhados nos canais do Arte Como Ciência no Youtube, Facebook, Instagram e também no site do projeto.
Zé da Terreira. Foto de Kin Viana/ Divulgação
Serviço:
Arte como Ciência: Raízes
Data: nas terças-feiras, sempre às 14:30 (BRT)
27 de abril – Mestre Pernambuco: quilombismo, a utopia viável
04 de maio – Vera Lopes: arteativista das lutas negras
11 de maio – Seli Maurício: o exercício da sensibilidade
18 de maio – Zé da Terreira: na cadência do tambor
25 de maio – Irene Santos: memória fotográfica de negros de alma preta
Como assistir: As mesas redondas e web-documentários serão transmitidos em nosso canal no Youtube e em nossa página no Facebook.
Canal do Youtube: youtube.com/artecomociencia
Waldemar Moura Lima (Pernambuco), o Professor Pernambuco, é uma importante referência da cultura popular em nosso Estado. Ele se destaca como compositor, cantor, ator e diretor de teatro. Carnavalesco, é fundador e coordenador da Rua do Perdão e da Banda DK, produzindo eventos que atraem grande público no carnaval de rua da cidade. É idealizador e diretor artístico do Grupo Temático Pedagógico Ponto Z (Z de Zumbi), criado com o objetivo de proporcionar uma releitura na história do Brasil, apresentando em diferentes palcos o espetáculo educativo “Contando a verdade, cantando a história”. É também um dos coordenadores do Movimento Quilombista Contemporâneo, dando continuidade à ideia implantada por Abdias do Nascimento, com inspiração na “República de Palmares”, de colocar negros e negras em espaço de poder, que propõe uma governança afrocentrada.
Vera Lopes é atriz gaúcha, com atuação em teatro, cinema, recital poético-musicais, com mais de 30 anos de experiência. Vive em Salvador/BA e tem como foco atuar com expressões artísticas baseadas na cultura negra. No cinema gaúcho teve sua estreia no premiado curta ‘O Dia em que Dorival encarou a Guarda’, em 1986, dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart. Participou dos longas, igualmente premiados, ‘Neto Perde sua Alma’, de Beto Souza e Tabajara Ruas/1998, e ‘Neto e o Domador de Cavalos’, de Tabajara Ruas/2005. Foi protagonista no curta ‘Antes que Chova’, direção de Daniel Marvel/2009, e participou ainda de ‘Tolerância’, de Carlos Gerbase/2000; ‘Da Colônia Africana a Cidade Negra’, de Paulo Ricardo de Moraes; ‘Brasil um Eterno Quilombo’, de Julio Ferreira/2006. No teatro, atuou nos espetáculos ‘Hamlet Sincrético’ e ‘Transegun’, do Grupo Caixa-Preta, ambos dirigidos por Jessé Oliveira, entre outros.
Seli Maurício – Artista plástica e bonequeira, nascida em Morro Redondo, vive em Pelotas há mais de cinquenta anos. Uma de suas maiores e mais reconhecidas obras é a Via Sacra da Igreja da Luz feita em 1977, na técnica entalhe em madeira. Pioneira no teatro de bonecos profissional em Pelotas. Fundadora do grupo Trio Pilha de teatro de bonecos, o primeiro a participar do Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela. Em 1991, criou o espaço Praça da Paz, que conta com o trabalho paisagístico da artista na praia do Laranjal e recentemente deu luz a uma nova série de desenhos, com o tema Mulheres Guerreiras / Luzes da África. Atua entre o erudito e o popular e entre o sagrado e o profano.
José Carlos Peixoto, Zézão ou Zé da Terreira, nasceu em Rio Grande, em 1945. É cantor, ator e personalidade do meio cultural de Porto Alegre. Em 1969, estudou no Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Foi para o Rio de Janeiro em 1970, conviveu com o grupo Tá na Rua. Participou como cantor no Festival Universitário de Música Brasileira. Em 1984, de volta a Porto Alegre, trabalhou no Ói Nóis Aqui Traveiz e no grupo teatral Oficina Perna de Pau.
A fotógrafa e historiadora Irene Santos se dedica à preservação da memória da comunidade negra em Porto Alegre. É autora dos livros “Negro em Preto e Branco: história fotográfica da população negra de Porto Alegre (Fumproarte, 2005/ Prêmio Açorianos de Literatura – categoria Especial) ” e “Colonos e Quilombolas: memória fotográfica das colônias africanas de Porto Alegre” (Fumproarte, 2010). Como fotógrafa de artistas da cidade, tornou-se conhecida no meio artístico, o que a levou à realização de várias exposições individuais de fotografia em lugares prestigiados como o MARGS, a Galeria do Theatro São Pedro e a Casa de Cultura Mario Quintana.
Sobre o projeto:
O projeto ARTE COMO CIÊNCIA apresenta entrevistas com artistas que desenvolvem um olhar reflexivo e científico sobre a relação entre seu fazer artístico e a sociedade. A intenção é dialogar sobre o papel crucial e específico que as distintas criações artísticas desempenham na permanente formação pessoal e social, em cooperação, mas não em subordinação, com outros campos do saber.
Em 2020, foram realizados quatro episódios – a apresentação do projeto, contando com profissionais de distintos países, além das entrevistas inéditas com os brasileiros Jessé Oliveira e Richard Serraria, e a estadunidense Kathy Perkins. Já em 2021, o projeto realizou, em conjunto com CBTIJ/ASSITEJ Brasil, o debate virtual “Arte para Crianças e Jovens”, com a presença de Clarissa Malheiros (México), Idris Goodwin (Estados Unidos), Jerry Adesewo (Nigéria), María Inés Falconi (Argentina), Imran Khan (Índia) e Yuck Miranda (Moçambique), e mediação de Viviane Juguero (Brasil/Noruega). Em fevereiro, foi realizada entrevista com o pesquisador cubano Luval Garcia Leyva.
O acervo do Museu Histórico Farroupilha, em Piratini, será enriquecido com um conjunto de quase mil peças reunidas por Volnir Junior dos Santos, colecionador conhecido como TcheVoni.
Gaúcho residente em Natal, capital do Rio Grande do Norte, TcheVoni dedicou 20 anos reunindo material referente à Revolução Farroupilha – livros, documentos, moedas e armas, como espadas e balas de canhão.
Em 2019, ele procurou o MHF para manifestar o desejo de doar as peças à instituição. Em outubro daquele ano, a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, e a diretora do museu, Francieli Domingues, viajaram a Natal para tornar esse desejo uma realidade.
A coleção, acondicionada em 30 caixas, será transportada com uma escolta da Brigada Militar, de Porto Alegre até a cidade de Piratini, onde fica o museu a 350 km da captal.
O acervo está em posse da Sedac desde dezembro de 2019, quando foi transportado de Natal para o Rio Grande do Sul.
Na capital gaúcha, as peças foram recebidas por técnicos do Departamento de Memória e Patrimônio da Sedac, que trabalharam na catalogação.
“Numeramos e criamos fichas de cadastro com fotos para cada uma das peças. Depois, fizemos o devido acondicionamento para o novo transporte”, explica o assessor especial de Memória e Patrimônio da Secretaria da Cultura, Eduardo Hahn.
“Temos certeza que o acervo está no lugar certo, e o Museu Farroupilha vai poder contar, com detalhes e profundidade, a história da Revolução Farroupilha”, analisa Beatriz Araujo.
Melhorias no museu
Enquanto o processo de catalogação acontecia, o Museu Histórico Farroupilha preparava sua estrutura para receber a coleção.
As melhorias contemplaram o mobiliário, a parte elétrica, o sistema de iluminação e a reserva técnica do museu, que agora conta com mais duas salas para acondicionar o acervo.
“A chegada da coleção permitirá que a direção e a equipe técnica aprofundem a pesquisa histórica das peças, bem como a construção da nova exposição, que está prevista para inaugurar em setembro”, anuncia a diretora do Museu Histórico Farroupilha, Francieli Domingues.
Um projeto fundamental e de grande importância histórica desponta no horizonte da cultura do RS. Nesses tempos tão obscuros para o segmento cultural do país, o Arte Contemporânea.RSilumina o acervo do MACRS – Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul com o lançamento de um catálogo virtual e imprenso de suas obras. O lançamento do catálogo e a exposição serão simultâneos, dia 29 de abril, de forma presencial e/ou virtual, conforme o protocolo de restrições estabelecido pelas autoridades locais mediante o cenário de pandemia vigente.
O trabalho minucioso de uma equipe coordenada pela gestora cultural Vera Pellin e orientada pela pesquisadora e curadora do projeto Maria Amélia Bulhões, catalogou 1.843 obras de 928 artistas. Em edição trilíngue (português, espanhol e inglês), o catálogo terá versão digital hospedada em site específico do projeto (www.acervomacrs.com), e será disponibilizado em todas as redes sociais do MACRS e da SEDAC.
Pasquetti. Foto: Divulgação
Já a versão impressa, composta por 304 páginas, terá tiragem 1.200 exemplares e será distribuída entre instituições de artes visuais e a Associação dos Amigos do MACRS – AAMACRS. O projeto prevê ainda uma grande exposição com curadoria de Maria Amélia Bulhões no MACRS: galerias Xico Stockinger Sotero Cosme, e espaço Vasco Prado, no 6º andar da CCMQ. Serão apresentadas na mostra mais de sessenta obras em diferentes suportes, marcando a diversidade e representatividade desse acervo.
Papel Social
“A sociedade se organiza em torno da arte e da cultura, este bem material e imaterial a que todo cidadão tem o direito e necessita usufruir. A arte torna a sociedade mais humana e viva. Os artistas, através de suas vivências sensíveis e estéticas, cumprem o seu papel social. Esta foi a principal motivação para organizarmos o projeto ‘Arte Contemporânea.RS’, através da Digrapho Produções Culturais em conjunto com uma equipe de excelência, por intermédio do Edital de Concurso – Produções Culturais e Artísticas, promovido pela SEDAC, por intermédio da Lei Aldir Blanc. Neste momento de tantas restrições, é muito gratificante editar o primeiro Catálogo Geral do Acervo do MACRS, impresso e digital, e disponibilizar para a sociedade este importante documento da história da arte contemporânea”, afirma Vera Pellin, organizadora e coordenadora do projeto.
Sandro Ka- Venus. Foto : Divulgação
Muito além de entregar ao público este patrimônio das artes visuais que habitam o MACRS, esta iniciativa proporcionará o crescimento e o desenvolvimento do setor, agregando legitimidade e valor às obras dos artistas em relação ao campo da arte e possibilitando que sejam conhecidos com profundidade, tanto pela sociedade, como por pesquisadores, galeristas e colecionadores “Considero este projeto muito importante para as artes visuais no RS e no Brasil e me sinto super feliz por fazer parte dele. Foi um grande desafio realizá-lo no prazo exíguo que tivemos, mas tenho certeza que o resultado compensará. Nossa equipe de trabalho foi muito dedicada e eficiente, foi bonito ver como mergulharam e se envolveram no projeto. Dar visibilidade a sua coleção é uma das mais importantes tarefas de um museu de arte. Poder me debruçar sobre este acervo para compreendê-lo e valorizá-lo é uma travessia plena de emoção”, afirma Maria Amélia Bulhões, pesquisadora e curador responsável pela catalogação.
Walmor Correa. Foto: Divulgação
A importância dessa publicação para as artes visuais é imensa. Por meio dela será possível ampliar estudos sobre a produção artística contemporânea no RS, mediante o fomento de novas pesquisas acadêmicas e escolares, dissertações e teses, curadorias e exposições, bem como estimular a política de empréstimo de obras para outras instituições no RS, no país e no exterior. “O catálogo geral de obras é resultado de um projeto cultural tão corajoso quanto responsável, que lançou um olhar de lupa sobre o Museu, colocando em evidência a totalidade das obras do seu acervo e tornando esse patrimônio artístico acessível, de modo permanente, em toda sua amplitude, por meio impresso e digital”, afirma André Venzon, diretor do MACRS. “As publicações desse trabalho de catalogação e pesquisa, além de essenciais para todos que desejam conhecer mais sobre a arte contemporânea brasileira, também são um forte testemunho da consistência do caminho do MACRS, de resgate da importância da trajetória desses artistas, gestores, servidores, estagiários e colaboradores, que construíram a história da instituição, ao longo de três décadas, para as futuras gerações”, complementa.
O processo, realizado em etapas pela equipe – pesquisar, documentar, digitalizar, editar e imprimir – demandou grande dedicação e aprendizado. A próxima etapa envolve expor e apresentar em diferentes mídias este acervo de arte contemporânea que vem se constituindo ao longo dos anos e que expressa diferentes visões poéticas, sentimentos e opiniões a respeito do nosso tempo. A partir do olhar desta geração de artistas se manifesta a história da arte contemporânea no Rio Grande do Sul, sendo o MACRS o principal Museu do RS focado nas atividades de preservação e conservação desta memória para as gerações futuras. Todo esse processo de produção e catalogação das obras será apresentado em duas lives com a participação de toda a equipe envolvida. As lives serão divulgadas nas redes do projeto oportunamente.
O ARTE CONTEMPORÂNEA.RS celebra essa conquista, possível por meio da Lei Aldir Blanc, e antecede as comemorações dos 30 anos do MACRS e os novos tempos que virão na nova sede do Museu no 4ª Distrito.
Itaú Cultural – Instalação: Ocupação de Regina Silveira Foto: Rubens Chiri/Perspectiva
Projeto Arte Contemporânea.RS – equipe
Produção/ Digrapho: Carla Pellin D’ávila. Organização e Coordenação Geral: Vera Pellin. Pesquisa e Curadoria da Exposição :Maria Amélia Bulhões
Com o apoio da equipe de estagiárias de museologia do MACRS: Bárbara Hoch, Catarina Petter e Gabriela Mattia
Fotografia: Viva Foto – Fabio Del Re / Carlos Stein
Web Site: Laura Sander Klein
Design Catalogo
Janice Alves E Ângela Fayet
Expografia da Exposição
Carla Pellin D’ávila
ARTE CONTEMPORÂNEA.RS
Abertura dia 29 de abril de 2021
Lançamento do catálogo impresso e digital e exposição presencial nas galerias do MACRS: Xico Stockinger, Sotero Cosme e Espaços Vasco Prado
No 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana – Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico, Porto Alegre/RS
Visitação até 04 de julho de 2021, de segunda a sexta, das 10h às 18h, mediante agendamento por e-mail: visitaccmq@gmail.com
Este projeto tem o financiamento daSecretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal # LEI ALDIR BLANC – edital 09/2020 da SEDAC RS para ser realizado com recursos da Lei n. 14.017/2020
Com 30 anos de carreira e um Prêmio Açorianos de Música como melhor intérprete pop rock em 2000, Marietti Fialho chega ao palco do Projeto Mistura Fina em nova fase. Na apresentação programada para o dia 22 de abril, a artista mostra o seu lado compositora, além do já conhecido talento na forma como interpreta as canções.
Na companhia luxuosa de Cláudio Costa (violão e voz) e Marcio Bandeira (bateria), o show traz releituras de clássicos da MPB, passando pelo samba, pop, groove, reggae e bossa nova. Bananeira, de Gilberto Gil e João Donato, Oceano, de Djavan, e Sampa, de Caetano Veloso, são algumas das canções que integram o repertório. O trio apresenta também a música Vem cá, composição de Marietti em parceria com Cláudio Costa, e Guria e Adupé, ambas escritas pela artista.
Marietti já transitou por vários palcos, da capital Porto Alegre ao interior do Estado. Também mostrou todo o seu talento no Rio de Janeiro, São Paulo, França, Uruguai e Argentina, levando sempre na bagagem suas vivências e influências, aliadas à sua forma única de interpretação. Coleciona participações especiais em álbuns de diversos artistas, como Da Guedes, Partido de Primeira, Baladas do Bom Fim, entre outros.
Sobre o Mistura Fina
Com realização do Theatro São Pedro, correalização e produção da Primeira Fila Produções, assessoria de imprensa de Silvia Abreu, apoio da Ovni Acessibilidade Universal, financiamento do Pró-Cultura RS e patrocínio da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), o Mistura Fina chega a sua terceira edição, exibindo a pluralidade da produção musical que se destaca no cenário nacional. Iniciado em 2018, o projeto abrigou grandes expressões da música, em shows temperados com arte e alta performance artística que se exibiram no Foyer Nobre do Theatro São Pedro.
Desde abril de 2020, a iniciativa se reinventa e segue em formato virtual pelas redes sociais do projeto. O Mistura Fina conta, desde a primeira edição, com serviço de mediação audiodescrita realizada pela Ovni Acessibilidade Universal.
Serviço:
Marietti Fialho, com Cláudio Costa e Marcio Bandeira, no MISTURA FINA
Dia 22 de abril de 2021, quinta-feira, a partir das 18h30min
“Escrever pode ser uma espécie de vingança (…). Não sei se vingança, talvez um desafio, um modo de ferir o silêncio imposto, ou ainda executar um gesto de teimosa esperança.” Estas são as palavras de Conceição Evaristo e que representam o ciclo “Percursos do romance de autoria negra feminina’, atividade que integra a programação da 13ª FestiPoa Literária. O ciclo acontecerá entre 26 de abril e 24 de maio e é uma parceria com o Coletivo Atinuké e com o DEDS/UFRGS.
A escrita de autoras negras se inscreve na literatura brasileira com a autoridade de uma perspectiva singular. Suas histórias retratam a complexidade de sentimentos, a força das ações e a humanidade que habita aquelas personagens que, na literatura canonizada pela crítica literária, não passavam de meras figurantes. São essas peculiaridades que desestabilizam a visão padronizada da sociedade e envolvem o público leitor, além da inquestionável qualidade de seus trabalhos.
Para explorar a grandeza dessa literatura, o ciclo ‘Percursos do romance de autoria negra feminina’ convoca o olhar de profissionais negras das áreas das letras, sociologia, teatro e história, sobre quatro obras que ilustram a inserção da criação literária de mulheres negras no panteão dos ícones da nossa literatura. A atividade acontecerá na plataforma zoom e os inscritos receberão por e-mail o link para acesso. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 22 de abril no link:
http://bit.ly/autorianegrafeminina
A FestiPoa Literária, em sua primeira edição 100% virtual, terá cinco dias de literatura, poesia e debate de ideias com as presenças de mais de 30 escritoras e escritores nacionais. Transmitida ao vivo pelo canal do YouTube e redes sociais do evento, com acesso gratuito, terá em sua programação, além dos homenageados Ana Maria Gonçalves e Sérgio Vaz, convidados como Jeferson Tenório, Marcelino Freire, Criolo, Letrux, Ricardo Aleixo, Luedji Luna, Angélica Freitas, Paulo Lins, entre outros, em mesas redondas, oficinas, bate-papos e saraus. A FestiPoa será realizada entre 13 e 17 de maio e conta com o Patrocínio do Itaú e Grupo Zaffari. Realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Lei Federal de Incentivo à Cultura, Governo Federal.
Confira o programa do Ciclo Percursos
Via zoom com inscrições gratuitas até dia 22 de abril no link http://bit.ly/autorianegrafeminina
26 de abril, 19h – Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, com Fidelayne Sousa e Nina Fola;
03 de maio, 19h – Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, com Ana dos Santos e Suelen Aires Gonçalves;
01 de maio, 19h – Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, com Dalva Maria Soares e Lara Cornelio;
15 de maio, 18h – Um defeito de cor, Dedy Ricardo e Fernanda Oliveira entrevistam a autora Ana Maria Gonçalves;
24 de maio, 19h – Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, com Lara Cornelio e Roberta Pedroso.
Ciclo Percursos do romance de autoria negra feminina
De 26 de abril a 24 de maio
Inscrições pelo link http://bit.ly/autorianegrafeminina
Nessa quarta-feira, dia 14, a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul (BPE) completou 150 anos de existência. Para marcar a data foi promovido um encontro virtual para homenagear a Biblioteca, com a presença e fala de personalidades renomadas da área literária e cultural do Estado, como Jane Tutikian, Alcy Cheuiche, Luiz Coronel e Miguel Frederico do Espírito Santo, e também dos membros da Academia Brasileira de Letras, Antônio Secchin e Geraldo Carneiro.
Além do evento, durante o mês de abril e ao longo do ano, a Biblioteca estará realizando outras atividades comemorativas. No mês de abril, a BPE tem postado nas redes sociais cards com a história de todos os diretores que estiveram à frente da instituição ao longo desses 150 anos. Também serão homenageados os funcionários que muito contribuíram para a sua trajetória. Ainda no mesmo mês, acontecerá um Chapéu Acústico Especial, que será transmitido nas redes sociais da Biblioteca, uma visita guiada virtual e o lançamento de vídeos com depoimentos de pessoas que participaram dessa história.
“Sempre ressalto que a Biblioteca Pública é um lugar plural, de todos e para todos, com muita informação disponível, onde ‘circula o espírito do mundo’, como estav escrito em um livro de bronze que ornava a fachada da instituição. Me orgulha fazer parte dessa história”, comemora a diretora, Morganah Marcon. “É uma data para celebrar e se orgulhar. Quero cumprimentar a todos e desejar que, muito em breve, possamos estar, novamente, frequentando a Biblioteca, fazendo pesquisa, enfim, podendo usufruir desta maravilha que é esta instituição tão cara a
todos os gaúchos”, destaca a secretária da Cultura, Beatriz Araujo.
História
A história da Biblioteca Pública do Estado começa na Província de São Pedro, durante o reinado de D. Pedro II. Sua fundação remonta a 14 de abril de 1871, com a Lei Provincial n° 724, quando passou a funcionar no mesmo prédio do Atheneu Rio-Grandense. De lá pra cá, além da importância histórica e da riqueza do seu patrimônio arquitetônico e mobiliário, a Biblioteca construiu uma coleção de mais de
250 mil volumes que representa o mais importante conjunto bibliográfico de salvaguarda da memória sul-rio-grandense, sendo a referência mais importante da historiografia e da cultura gaúchas dos séculos 19 e 20, além de imensurável representatividade junto à memória nacional pela exclusividade de títulos desde o século 16, dentre outros.
Programação | 14 de abril de 2021 – das 15h às 18h
Celebração do aniversário de 150 anos da fundação da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul 15h – 15h30 – Mesa de Abertura
Coord.: Gilberto Schwartsmann (AABPE-RS), Morganah Marcon (Diretora da BPE), Rafael Ban Jacobsen (Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras) e Eduardo Leite (Governador do Estado do Rio Grande do Sul), Beatriz Araujo (Secretária de Estado da Cultura), Gunter Axt (Secretário de Cultura de Porto Alegre)
Recital da Bach Society Brasil Ária da Orchestral Suite No 3 (BWV 1068), de Johan Sebastian Bach, adaptação para o cravo, com o maestro Fernando Cordella.
Programa
15h30 -17h | Parte I – Coord. Dr. Alcides Mandelli Stumpf (AABP-RS)
A Fundação da Biblioteca
Miguel Frederico do Espírito Santo (Presidente do IHG-RS)
O valor simbólico da Biblioteca
Jane Tutikian (Academia Rio-Grandense de Letras)
Meu olhar sobre a Biblioteca
Alcy Cheuiche (Academia Rio-Grandense de Letras)
Um poema para a Biblioteca
Luiz Coronel (Academia Rio-Grandense de Letras)
17h – 18h | Parte II – Coord. Gilberto Schwartsmann (AABPE-RS)
“Drummond e a magia da Leitura”
Antônio Carlos Secchin (Academia Brasileira de Letras)
“Camões, nosso contemporâneo”
Geraldo Carneiro (Academia Brasileira de Letras)
18h | Encerramento da Sessão
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Palestrantes
Alcy Cheuiche – escritor. Já foi patrono de feiras do livro em Alegrete, Caçapava do Sul, Gramado, Gravataí, Porto Alegre e São Sepé. No ano de 2011, foi patrono da Semana Farroupilha do Rio Grande do Sul. Pertence à Academia Rio-Grandense de Letras e é sócio-fundador da Associação Gaúcha de Escritores.
Antônio Carlos Secchin ocupa a cadeira de número 19 da Academia Brasileira de Letras. Recebeu várias premiações, incluindo o Prêmio do Instituto Nacional do Livro, da ABL, PEN Club Brasil e a Medalha Jorge Amado. Publicou críticas, ensaios, livros de poesia, ficção, além de antologias de grande repercussão no cenário literário brasileiro.
Geraldo Carneiro ocupa a cadeira de número 24 da Academia Brasileira de Letras. É poeta, letrista, roteirista e tradutor. É autor de um expressivo número de obras premiadas para teatro, cinema, televisão e música. Traduziu para o português vários clássicos, entre eles várias obras de Shakespeare.
Jane Tutikian é escritora, doutora em Letras e professora titular da UFRGS. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o Jabuti.
Luiz Coronel é poeta, escritor, publicitário, compositor e professor de História e Literatura. Exerceu a magistratura e foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, em 2012, e em outras 20 cidades.
Miguel Frederico do Espírito Santo é mestre e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino. Foi conselheiro da Fundação Gaúcha do Trabalho, conselheiro do Conselho Estadual de Cultura (CECRS), membro do Ministério Público do RS, tendo se aposentado como procurador de Justiça. Atualmente, é presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
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Serviço:
ONDE: via plataforma Zoom (disponibilizado dia 14/4, a partir do meio-dia, pelas
redes sociais da Biblioteca)
QUANDO: 14/4/2021
HORÁRIO: a partir das 15h
Acompanhe nas nossas redes sociais toda a programação
Instagram: @bpe.rs
Quem está com saudade de ir ao teatro tem a oportunidade de se sentir mais perto dos palcos com a mostra de repertório do grupo NEELIC, que ocorre nos próximos três meses no Youtube (@neelic_grupo).Em abril, o grupo que completa 18 anos de trajetória artística em 2021 apresenta a peça “Capital”,criada a partir do texto “Bartleby, o Escrivão”, de Hermann Melville. Com vídeos pré-gravados e debates posteriores ao vivo com atores do elenco, o espetáculo estará em cartaz da próxima sexta-feira (16) até 25 de abril, às sextas, sábados e domingos, sempre às 19h, mediante inscrição prévia pelo e-mail do grupo, WhatsApp ou plataforma Sympla.
Cena de “Primeiro amor” Foto: Marcio Garcia/ Divulgação
“Capital” é uma adaptação do NEELIC em que a Nova York apresentada no texto original se torna uma urbanidade brasileira: Porto Alegre.Na versão do grupo, a personagem central recebe o nome de Amarildo, em uma homenagem ao pedreiro carioca considerado morto após desaparecimento provocado pela polícia do Rio de Janeiro. Em uma trama poética, mas também lúdica e divertida, o Amarildo do espetáculo traz à cena a desestruturação do sistema em que está inserido pela ausência da palavra. O seu silêncio é trabalhado no espetáculo ora de forma triste, ora de modo cômico e a brasilidade se estabelece pelos aspectos simbólicos das cenas.
Cena de “Merda! ” Foto de Márcio Garcia/ Divulgação
Completam a mostra de repertório “Primeiro Amor”, que investiga o cruzamento entre a noção de teatro gestual e referências do universo de Samuel Beckett, e” MERDA!”, resultado da observação do contexto político e social do Brasil. Também estão previstas sessões com tradução para Libras e audiodescrição nos três espetáculos.
A mostra integra o projeto Ver a Cena, contemplado pelo Edital FAC Movimento RS, da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul. O grupo NEELIC atua em Porto Alegre desde 2003. Mais dados sobre o grupo e os espetáculos seguem abaixo e maiores informações podem ser obtidas pelo e-mail contato@neelic.org ou pelo WhatsApp 51 99274.9933.
Serviço/ Datas:
Mostra de Repertório Capital: 16, 17, 18, 23, 24* e 25** de abril
Mostra de Repertório Primeiro Amor: 21, 22, 23, 28, 29* e 30** de maio
Mostra de Repertório MERDA!: 04, 05, 06, 11, 12* e 13** de junho
Capital – O espetáculo foi elaborado a partir do texto Bartleby, o Escrivão, de Hermann Melville. Na encenação do grupo NEELIC, a Nova York apresentada no texto de Melville se torna uma urbanidade brasileira: Porto Alegre, a capital mais ao Sul do país. A personagem central deixa de chamar-se Bartleby e recebe o nome de Amarildo, em uma homenagem do NEELIC ao pedreiro carioca que, vítima do sistema em que estava inserido, foi considerado morto após desaparecimento provocado pela polícia do Rio de Janeiro. O Amarildo do espetáculo Capital traz à cena a provocação da desestruturação de um sistema pela ausência: no caso real, a supressão de um corpo, de uma vida. No espetáculo, a ausência da palavra. O senso de brasilidade é a marca principal do espetáculo, que, de forma lúdica e envolvente, leva o público, através da fábula criada por Hermann Melville, a uma importante reflexão sobre as consequências das pequenas ações de cada pessoa. Afinal, as ações cometidas no âmbito das relações interpessoais podem colaborar ou não com o engessamento das estruturas sociais criadas e alimentadas no cotidiano.
Primeiro Amor – O espetáculo investiga na cena o cruzamento entre a noção de teatro gestual e referências oriundas do universo de Samuel Beckett. É um espetáculo de autoria do grupo NEELIC, livremente inspirado no universo literário do autor irlandês. O espetáculo traz a história de um homem, cujo nome nunca é pronunciado, que vive num banco praça, rejeitado por seu contexto social de origem. Na praça, ele conhece uma mulher misteriosa e delicada. Ao longo da trama eles realizam questionamentos existenciais através do encontro com outras personagens, vivenciando situações amorosas ora dolorosas e amargas, ora leves e doces. Influenciado pela noção de teatro performativo, Primeiro Amor é uma encenação com pouquíssimas palavras. No espetáculo, o silêncio verbal norteia a estrutura dos acontecimentos e quem fala em primeiro plano são os corpos dos atores.
MERDA! – O espetáculo é um dos resultados do processo perceptivo que se desenvolve diariamente no grupo NEELIC, e da observação da alarmante situação política no Brasil. Como artistas e pessoas que pensam sobre a realidade à sua volta, os integrantes do NEELIC, a partir da necessidade de expressar publicamente sua posição, criaram este espetáculo de teatro performativo. O espetáculo também foi criado no contexto de celebração dos 15 anos do grupo, completados em 2018. Hoje, perto de completar 18 anos de trajetória, o grupo sustenta a posição de que tal tempo de existência, na cidade mais ao Sul de um país que, lamentavelmente, ainda não entendeu massivamente a importância social da arte e da cultura é, por si só, uma enorme e vibrante conquista.
Sobre o NEELIC
O grupo NEELIC foi fundado em 2003 e desde a origem desenvolve suas pesquisas e criações no campo que vincula teatro e performance. Seu primeiro local de trabalho foi um dos pavilhões em ruínas do edifício do Hospital Psiquiátrico São Pedro, lugar tombado como patrimônio histórico e que muito nos ensinou sobre a atuação sócio-política-cultural que seria uma constante a partir dali. O grupo permaneceu por 13 anos no projeto Condomínio Cênico do HPSP, que reunia quatro grupos da capital gaúcha e durou, ao todo, 16 anos, tendo sido desmontado em 2016 pela gestão estadual vigente à época, após negociações infrutíferas e tentativas vãs de diálogo com o governo através de seus representantes no setor cultural.
Entre 2007 e 2016, o grupo atuou também na Usina do Gasômetro, pelo projeto Usina das Artes, até o fechamento do edifício da Usina.
A partir de 2017, então, o grupo NEELIC inicia um novo ciclo: em sede própria de trabalho, luta diariamente para prosseguir atuante através de todos os seus projetos, com a constante preocupação com o equilíbrio das contas. Na nova casa do NEELIC, são desenvolvidos ensaios, reuniões, processos criativos, apresentações do NEELIC e de grupos convidados e todos os cursos mantidos através da Escola de Teatro do NEELIC, ambiente pedagógico que compartilha com o público as premissas técnicas, éticas e estéticas do grupo.
Ao longo das últimas 50 décadas o dilema moderno do capitalismo x dominação = destruição foi extensivamente estudado por ecologistas, cientistas, escritores e cineastas. Foi tema de grandes obras. O dinheiro tudo salva, tudo move – ou tudo destrói. É exatamente o argumento central do trabalho do artista Laércio de Menezes, que está todo o mês de abril, na exposição híbrida intitulada “Deus da humanidade”, na Gravura Galeria de Arte. A mostra seguirá até o dia 30, com visitação controlada de até três pessoas por horário.
Nas obras pictóricas do artista, o assunto social e ecológico é claramente exposto, através de elementos inseridos nas composições. Estas linguagens, colagens mescladas à pintura, remetem à pop art inglesa e americana, por utilizar um elemento cultural cotidiano e ressignificá-lo – e é agora incorporado pelo artista como construção da paisagem, juntamente com cores puras que nos remetem ao movimento artístico fauvismo, e pinceladas que sugerem um desenho quase caligráfico com uma justaposição que lembra o impressionismo.
O fauvismo foi um movimento artístico heterogêneo associado à pintura teve sua origem na França no início do século XX. Essa tendência foi desenvolvida entre os anos de 1905 e 1907. A principal característica desse movimento foi a utilização da cor pura, sem misturas, de modo a
delimitar, dar volume, relevo e perspectiva às obras. Já os pintores da arte impressionista costumavam produzir suas telas ao ar livre. A intenção era capturar as tonalidades que os objetos refletiam segundo a iluminação solar em determinados momentos do dia.
As composições quando geométricas são cuidadosas e a paleta de cores joga bem com o grafismo e coloração insinuada das cédulas de dinheiro, impressas com linhas muito finas. “Já nas infografias o dinheiro cobre, sem pudor nenhum, as imagens que remetem a reis, profetas
e à tão sacra e simbólica cruz, objeto de pura adoração. Tudo é feito dele, incluindo a figura humana. É dourado, reluzente, é chocante, é cru. É nu”, explica Laércio.
Assim, o artista passa claramente o recado através de suas obras com um forte viés de crítica política, humana e social, sugerindo ao espectador, subjetivas interpretações. As obras da exposição “Deus da humanidade” foram todas produzidas durante o período de confinamento da pandemia, sendo que a primeira obra foi criada para a exposição ConfinArt que ocorreu em abril de 2020 promovida pela Gravura Galeria de Arte com o objetivo de estimular os artistas nestes tempos difíceis. A mostra acontecerá na sala Branca da e será composta por 10 obras em acrílica e técnica mista sobre tela de Laércio de Menezes.
Sobre o artista:
Laércio de Menezes nasceu em Bagé em 1956 e atualmente reside em Porto Alegre. É autor do livro de fotografias em preto e branco “Ode marítima” inspirado nas belezas das praias banhadas pelos Oceanos Pacífico e Atlântico publicado em 2018. Foi professor de fotografia na
UCS (Universidade de Caxias do Sul) e na ULBRA (Universidade Luterana do Brasil). Fez diversos cursos no Orange Coast College, Costa Mesa, California, USA, sendo que os mais recentes foram Colagem em Workshop com a artista Anete Schroder e Introdução a Pintura em Workshop com a artista Denise Giacomoni, ambos em Porto Alegre/RS. Realizou diversas exposições individuais e coletivas em Porto Alegre/RS, Bagé/RS, Caxias do Sul/RS, Novo Hamburgo/RS, Brasília/DF, Rio de Janeiro/RJ e Nova Friburgo/RJ. Em 2020, participou de diversas exposições virtuais e atualmente participa da exposição coletiva Street Expo Photo na scadaria do viaduto da Borges de Medeiros em Porto Alegre-RS.
SERVIÇO
Exposição híbrida “Deus da humanidade”, de Laércio de Menezes
Visitação: de 08 a 30 de abril.
Local: Gravura Galeria de Arte (Rua Corte Real, 647 – Petrópolis/ Porto Alegre).
Horários: Segunda a sexta-feira, das 9h30 às 18h30 – limite de três pessoas por horário.
Fones: (51) 3333-1946, (51) 99718-9258 e (51) 99666-3972.
Acompanhe também pelas redes sociais da Gravura (@gravuragaleriadearte).
Vendas: https://www.gravuragaleria.com.br/.
Use máscaras, álcool gel e evite aglomerações.
Uma leitora perguntou a O Globo, na semana passada, o motivo da ausência dos textos inteligentes e bem-humorados do escritor Luis Fernando Verissimo das páginas do jornal. “Por que não está mais escrevendo? Como está sua saúde?”
Nesta terça, 13, o jornal respondeu com uma matéria.
“Verissimo, de 84 anos, publicou sua última crônica no GLOBO há quase três meses, em 14 de janeiro. O criador do Analista de Bagé e da Velhinha de Tautabé precisou interromper as colunas para cuidar da saúde: sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico em meados de janeiro e precisou passar algumas semanas no hospital”.
Numa troca de e-mails, a filha Fernanda Verissimo disse que o pai está convalescendo em casa.
— Ele recuperou os movimentos muito rápido, mas ainda está com dificuldade para falar e escrever, por isso ainda não conseguiu voltar ao jornal — explica. — Mas ele tem feito fisioterapia e já melhorou bastante. Tudo é mais complicado com a pandemia, inclusive os tratamentos.
A família Verissimo leva o distanciamento social a sério. O escritor e a esposa, Lúcia, estão trancados em casa, em Petrópolis, bairro de Porto Alegre, desde março do ano passado, escondendo-se do coronavírus. O filho caçula, Pedro, está confinado junto com eles. O casal já tomou as duas doses da vacina, mas continua se cuidando. As poucas visitas não entram na casa e conversam com o casal no portão ou, se o dia está bonito, no pátio.
— É chato, mas necessário — diz Fernanda.
Desde março do ano passado, Verissimo saiu de casa poucas vezes, e para ir ao hospital. Em novembro, ele precisou fazer uma cirurgia na mandíbula e ficou duas semanas internado. Em janeiro, depois do AVC, ficou mais algumas semanas no hospital antes de voltar para casa.
Grupo de risco
Em entrevista , ainda no início da pandemia, há mais de um ano, o cronista lembrou que faz parte de mais de um grupo de risco: “Sou cardíaco, diabético e velho. O vírus que me pegar vai ganhar a Tríplice Corona”. Na mesma entrevista, ele ainda lamentou que, confinado, só podia “trocar abanos tristes” com sua neta Lucinda, uma de suas maiores paixões e personagem de algumas de suas colunas. Os abanos continuam. Lucinda vê os avós quase todos os dias e conversa com eles do portão. Dependendo do dia, vai até o pátio e a varanda, lugar em que o escritor gosta de ficar para ler jornal, como se vê na foto enviada por Fernanda.
Para se reunir nas festas de final de ano, todos na família Verissimo fizeram testes para a Covid-19 e passaram alguns dias isolados. A saudade era tamanha que decidiram ficar quase um mês inteiro juntos.
Apesar da dificuldade para falar, Verissimo, conta Fernanda, mandou uma mensagem para seus leitores: “Viva o SUS!”. Assim que estiver recuperado, o escritor voltará com sua coluna, às quintas-feiras, agora na editoria de Cultura.