Documentário sobre Lupicínio resgata um Brasil que foi esquecido

Num momento em que o país busca se reencontrar, o documentário sobre Lupicínio Rodrigues joga luzes no caminho.

Ali está um Brasil que foi soterrado por uma avalanche de transformações e  Lupicínio foi junto,  relegado a um desvão da história pelo políticamente correto.

O documentário remove as camadas de visões e interpretações apressadas e reconstitui em torno da figura de Lupicínio um fragmento do Brasil de duas ou três gerações atrás.

Um Brasil que em muitos aspectos é anacrônico perante o século 21, mas, se bem entendido,  pode ser uma fonte importante para esclarecer o presente e inspirar o que se pode fazer. Um Brasil que tinha um projeto.

Fora um fascículo da  Editora Abril, em 1970 por aí, não havia um reconhecimento da importância de Lupicínio Rodrigues,  como neste trabalho.

O periférico Lupicínio Rodrigues, criado na Ilhota, vila irregular de Porto Alegre, ganha  expressão nacional ao cantar um mundo de amores frustrados, com desejos de “morte e de dor”. Mas um mundo fervilhante, num país que se industrializava e se integrava culturalmente.

É instigante o documentário e merece que se reflita mais sobre ele.

Documentário: “Lupicínio Rodrigues: Confissões de Um Sofredor”, com direção de Alfredo Manevy, coprodução Plural Filmes e Canal Curta!

 

 

 

 

 

 

Rafael Guimaraens vai aos anos 50 e resgata o incrível Major Aragon

Os teóricos se encarregarão de enquadrar Rafael Guimaraens neste ou naquele gênero literário.  Por cacoete profissional, talvez,  vejo-o como um repórter, de olho certeiro para encontrar seus temas e personagens e sutil na habilidade para narrá-los. 

Jornalismo, literatura e história se misturam nos seus relatos precisos. 

Seu último livro, o décimo nono, tem como epicentro dois incêndios suspeitos no centro de Porto Alegre – do Tribunal de Justiça do Estado  e da Repartição Central de Polícia.

No meio de milhares de processos e inquéritos incinerados sumiram escândalos financeiros e um rumoroso processo em que 53 policiais eram acusados de extorquir famílias  alemãs durante a 2ª Guerra. Incêndios criminosos, é a dedução imediata.

O crime não é esclarecido, mas o que se desenrola no entorno dele é um vivo painel de uma época, os anos 50, em Porto Alegre. Corrupção e o corporativismo policial, imprensa manipulada, autoridades lenientes e os personagens do submundo, usados no jogo. Dentre eles emerge o incrível Major Aragon, um espanhol trapaceiro e sedutor, forçado a assumir a autoria dos crimes e cujas peripécias atravessam toda a história.

O Incendiário é o título, da Libretos.Recomendo. É um livro  que se lê num fôlego.

PS: É da Libretos.

 

Cantata dos Sete Povos: a saga das missões jesuíticas na música de Raul Ellwanger

Documentário apresenta obra musical de Raul Ellwanger dedicada à saga guarani e às missões jesuíticas no Rio Grande do Sul

A estreia do primeiro episódio da série documental “Cantata Sete Povos – Episódio 1” acontecerá em uma sessão especial da Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mário Quintana, na quarta-feira (16/11), às 19h00, em Porto  Alegre.

O filme aborda, de forma poética, a construção da utópica sociedade proposta por jesuítas europeus aos guaranis, que povoaram, originariamente, o território gaúcho por mais de um milênio.

Finda a experiência missioneira nos séculos 17 e 18, sobreveio a era do apagamento da memória missioneira, a ocultação dos fatos e o genocídio indígena.

O documentário em tela está alicerçado sobre a obra musical do consagrado compositor Raul Ellwanger, criador da “Cantata Sete Povos” – uma suíte popular de 12 canções em diferentes estilos – que narra, segundo o autor, a saga guarani em busca da Terra-Sem-Males” e sua relação com os religiosos europeus.

O episódio inicial da série, concluído no início de outubro, mostra o músico em diferentes situações em seu trabalho artístico e criativo.

Assim, Ellwanger interpreta “Invocação” diante do altar da Igreja Santa Cecília, padroeira dos músicos. Visita, ainda, uma aldeia guarani em Viamão, onde canta “Bate o Enxadão” na Opy (casa de reza).

O compositor conversa, em Porto Alegre, com pesquisadores da história e do legado guarani e jesuíta. E viaja ao sítio arqueológico da missão de S. Miguel, onde revela as razões que o levaram a compor a “Cantata Sete Povos”, gênero originado durante o período barroco na Europa, depois referenciado em ações emancipacionistas na América Hispânica.

Omar L. de Barros Filho, roteirista e diretor do documentário, explica que a proposta cinematográfica de “Cantata Sete Povos – Episódio 1” está apoiada “em uma narrativa ágil, que oferece ao espectador uma viagem musical ao passado, em busca de respostas a questões que ainda permanecem vivas e inquietantes. No filme, o personagem central e mediador do processo é o compositor e músico Raul Ellwanger”.

“Cantata Sete Povos – Episódio 1” é uma realização do Instituto Latinoamerica, com 21 anos de atuação cultural e educativa, com produção da Kino Kaos Filmes e Poética Produções.

Parceria firmada com a Secretaria Especial da Cultura/Ministério do Turismo através do termo de fomento 921134/2021

 

 

 

Ficha Técnica

“Cantata Sete Povos”
Episódio 1
Duração: 20 minutos

Roteiro e Direção: Omar L. de Barros Filho
Argumento: Paulo de Tarso Riccordi
Direção Musical e Composições: Raul Ellwanger

Realização: Instituto Latinoamerica

Produção: Kino Kaos Filmes; Poética Produções

Fomento: Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura

Coordenação de Projeto: Atanagildo Brandolt Controller: Paula Melo;

Produção Executiva: Márcia Schmidt; Direção de Produção: Rosane Furtado

 

Participações Especiais:

Raul Ellwanger; Famílias da comunidade Mbyá-Guarani da Tekoá Pindó Mirim; José Otávio Catafesto de Souza; Tau Golin; Fábio Silveira Lázzari; Agostinho Moreira e Fábio Junior Fernandes Acosta

 

Assistente de Direção: Saturnino Rocha; Direção de Fotografia: Vini Barcellos
Colorização e Finalização: Gustavo Schmitt e CenaUm Produções; Edição: Guga Freitas Drone: Eduardo Schmitt; Fotografia Auxiliar: Alexandro Auler

Captação de som: Juan Quintáns; Still: Luiz Ávila; Identidade Visual: Ananias Lemes e Guga Freitas

Mixagem, Masterização e Desenho de som: Bruno Klein e Artur Waismann; Pós-Produção e Acessibilidade: Rosane Furtado; Transcrições: Elisa Furtado; Locução de acessibilidade e LIBRAS:  Flávia Frassa

 

Músicas
“Invocação”: Raul Ellwanger – voz; Leandro Har Cardoso – órgão de tubos
“Bate o Enxadão”: Raul Ellwanger – voz e violão
“Indiozinho Sepé”: Raul Ellwanger – voz e violão; Omar Aguirre (violino); Gabriela Vilanova (viola); Marcelo Piraíno (clarinete e clarone) – Trecho de fonograma do álbum  “Cantata Sete Povos”
“Em Busca da Terra Sem Males” – Raul Ellwanger  (voz e violão); Maira  Machado (soprano); Zelito (violino); e Luiz Jakka (percussão)

Mais informações:
Omar L. de Barros Filho
51.99253.0887

E-mail: viapolitica@gmail.com

Independência 200 Anos: Um livro fundamental para entender o que aconteceu

Um dos importantes lançamentos na Feira do Livro de Porto Alegre, este ano, é A Independência Além do Grito, obra póstuma do jornalista e escritor  José Antônio Severo.

Concebido como roteiro para uma série de televisão, o livro mostra, passo a passo, os intrincados e pouco conhecidos caminhos que levaram à Independência do Brasil.

O autor faz um corte de dez anos para traçar o painel histórico em que se deflagra e se consolida a condição do Brasil como Nação Soberana.

Começa no Congresso de Viena, em 1815, quando as grandes potências da época vislumbram um Brasil independente (e recomendam seu fatiamento). Vai  até o reconhecimento da independência brasileira pelo governo português, em 1825.

No caminho, muitas batalhas diplomáticas, intrigas palacianas, batalhas sangrentas e, ao contrário do que  se pensa, muita participação popular, inclusive uma aguerrida presença feminina em momentos decisivos. Personagens como D. João VI, D. Pedro I, a Imperatriz Leopoldina, José Bonifácio são alguns dos personagens que ganham outros contornos nos perfis traçados por Severo.

D. João VI, por exemplo, geralmente apresentado como um rei vacilante, que deixou seu país numa fuga desastrada: no contexto deste livro, revela-se na verdade um estrategista corajoso e astuto que, ao final, vai dar um novo fôlego à monarquia portuguesa.

José Antônio Severo/foto Tânia Meinerz

A Independência Além do Grito é o último livro de José Antônio Severo, falecido em setembro de 2021, aos 79 anos. Nele, o autor deu continuidade ao seu trabalho de mais de três décadas sobre temas históricos. Trabalho que rendeu três obras referenciais – Senhores da
Guerra, Cinzas do Sul e Rios de Sangue – e agora esse Além do Grito em que traça um painel monumental dos eventos que culminaram com a Independência do Brasil.

O livro está à venda na 68a Feira do Livro de Porto Alegre, na banca da Associação Riograndense de Imprensa (no corredor central, perto do monumento a Osório), e também na Amazon e no site da editora JÁ.

Alemão que mudou a cara de Porto Alegre ganha exposição de projetos e desenhos

Theo Wiederspahn, arquiteto alemão que, se pode dizer, redesenhou a paisagem do centro de Porto Alegre, é tema de uma exposição inédita na Pinacoteca Aldo Locatelli, no prédio da prefeitura antiga (Praça Mondevidéo, 10).

A obra de Wiedersphan é visível em pontos históricos do centro de Porto Alegre: no prédio do  Margs, no Edifício Ely, na Casa de Cultura Mario Quintana e em muitos outros edifícios conhecidos .

Além dos 250 anos de Porto Alegre, a exposição marca também os 70 anos da morte do arquiteto e estará aberta até o dia 20 de janeiro de 2023, com desenhos originais de projetos do artista.
A mostra, com curadoria da professora alemã Vera Grieneisen, resulta de uma parceria entre o Consulado Geral da Alemanha, Instituto Goethe e a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30min às 17h. É possível solicitar visitas guiadas, para grupos de até 20 pessoas, pelo e-mail acervo@portoalegre.rs.gov.br ou pelo telefone (51) 3289-3643.
Nascido em 1878, na Alemanha,  Wiederspahn chegou a Porto Alegre em 1908, num momento de efervescencia política e crescimento econômico, com a forte presença de empresas alemãs.

“Sua chegada coincidiu com uma mudança nas paisagens da Capital, que abandonava os ares açorianos originais em favor de uma arquitetura mais eclética, em sintonia com os grandes centros europeus”.

Em associação com o construtor Rudolph Ahrons, com quem trabalhou em seus primeiros anos na cidade, Theo Wiederspahn logo assumiu muitos dos projetos mais importantes daqueles tempos.

Exímio desenhista, Theo elaborava cada detalhe de suas realizações: na Cervejaria Bopp, prédio que hoje abriga o Shopping Total, ele esquematizou pessoalmente os elementos escultóricos da fachada, incluindo o elefante que deixou a estrutura famosa.

“Ele fazia todos os cálculos, desenhava cada viga de cada prédio, até a última calha, até a florzinha da decoração ao lado da janela. Tudo pensando e calculado várias vezes até chegar ao melhor resultado.”

A carreira de Wiederspahn foi afetada pelas duas Guerras Mundiais, que geraram hostilidade e restrições à sua origem alemã, e o realizador enfrentou dificuldades de registro junto aos órgãos oficiais de arquitetura e urbanismo de então – circunstâncias que reduziram muito sua produção em Porto Alegre e o levaram a realizar obras no interior do Estado. Chegou a se afastar da arquitetura em mais de uma ocasião, dedicando-se a criar abelhas em seu sítio na Ponta Grossa, no Extremo Sul da Capital. Depois de décadas de quase esquecimento, a obra de Wiederspahn (vista por especialistas como de qualidade diferenciada, mesmo em comparação com o que se fazia na Europa de então) vem sendo redescoberta e recebendo valorização crescente – processo que a exposição no Paço Municipal certamente ajuda a consolidar.

(Com informações do Jornal do Comércio)

A última entrevista de Sérgio da Costa Franco: uma crítica ao descaso com a memória

Sérgio da Costa Franco, que morreu nesta quinta-feira (13), aos 94 anos, deixou uma obra única sobre a história de Porto Alegre, cidade que conheceu em 1935, quando sua família se mudou de Jaguarão para a capital.

Ele tinha sete anos.

O viaduto Otávio Rocha recém-inaugurado (dois ou três anos antes) lhe pareceu monumental. “Tudo era grandioso”, diria ele sobre a cidade que conheceu e adotou e à qual dedicou décadas de laboriosas  pesquisas que resultaram em textos fundamentais para o entendimento da evolução de Porto Alegre.

Com mais de 30 obras publicadas, ele produziu também textos fundamentais da historiografia regional, como a já clássica biografia política de  Júlio de Castilhos. Autor de uma obra extensa, foi também jornalista e cronista por muitos anos.

Em dezembro de 2021, Sérgio da Costa Franco aceitou dar um depoimento aos editores Elmar Bones e Caco Schmitt para  a edição especial da História Ilustrada de Porto Alegre, da qual foi consultor quando lançada, em 1997.

Foi a última entrevista, segundo ele mesmo decretou. Chama atenção sua crítica ao descaso com a memória da cidade.

Para ver a entrevista, clique aqui.

 

 

Independência 200 anos: livro mostra o que houve antes e depois do Grito do Ipiranga

José Antônio Severo / Foto Tânia Meinerz

Um evento para familiares e amigos próximos marca, neste sábado, 24, o lançamento de A Independência  Além do Grito, livro póstumo do jornalista José Antônio Severo (1942-2021).

É uma obra de 240 páginas, fruto de quase cinco anos de pesquisa e concebida como um roteiro para uma série de televisão.

Severo morreu em setembro de 2021, pouco depois de ter liberado os originais para edição.

Do Congresso de Viena, onde pela primeira vez a emancipação do Brasil é cogitada pelas monarquias então dominantes, até as guerras da Bahia que culminam com sangrentos combates para a expulsão da esquadra portuguesa,  Severo descreve o intrincado trajeto, cheio de armadilhas, até a independência só consumada com o reconhecimento de Portugal, três anos depois do grito.

O assassinato da abadessa Joana Angélica, por Squeff

Desenhos de Enio Squeff na abertura de cada um dos 14 capítulos reforçam o texto cinematográfico, com muitos personagens e cenas, em nanquim com aguada. Nas capas, com pinturas originais de acrílico sobre papel, o artista retrata as batalhas que ocorreram no Nordeste.

O livro é prefaciado pelo ex-deputado e ministro Aldo Rebelo, também escritor, com quem Severo muito conversou sobre a História do Brasil.

Para adquirir o livro, clique aqui ou peça ao seu livreiro.

 

 

 

 

O combate à pandemia na visão de quem esteve na linha de frente

Será lançado na quarta-feira, 14, o livro “Crônicas da Pandemia”, do  cardiologista Rogério Gomes,na Delphus Galeria de Arte (Av. Cristóvão Colombo, 1501), 19 horas.

O livro reune relatos -ora emocionados, ora indignados – de quem esteve na linha de frente no auge do combate ao Covid 19.

Uma exposição de “Poesias Fotografadas”, com registros de Rogério Gomes também será inaugurada no espaço.

“Crônicas da Pandemia” (144 páginas, R$ 50), editado pela Total Books,  é o quarto livro do autor.

Nele, Gomes s expõe a emoção e a indignação pelas vidas perdidas durante o intenso trabalho na frente de batalha contra o Covid no Instituto de Cardiologia e também em seu consultório. Também revela o olhar poético sobre paisagens desoladas, mas não menos belas, na exposição “Poesias Fotografadas”, que traz 22 imagens produzidas pelo autor. A mostra fica em cartaz até o dia 20 de setembro com entrada franca.

Gomes escreve poesias, contos e crônicas há mais de 40 anos. O conto que rendeu o título ao livro “Grande Mestre e Outras Histórias”, publicado no ano passado, vai se transformar em série pela Paris Filmes. O autor já se debruçou nos roteiros que foram encaminhados para a produção dos 16 episódios. A obra, que já está esgotada, ganhará nova edição neste mês. Além deste livro, ele também lançou Anita e Outros Poesias Fotografadas, em 2020, e Crônicas de Havana, em 2021.

“Como médico, estou acostumado a trabalhar muito e de forma intensiva e esse ritmo acabou sendo repassado para minhas criações culturais”, admite, ao revelar que já tem um romance pronto e outros dois na etapa final de produção, que também devem ser publicados.

Outra revelação da pandemia foi que um médico também pode chorar com seus pacientes. “Nos meus anos de medicina, nunca vivi algo parecido, nunca aconteceu algo que me tocasse tanto, que me emocionasse tanto, e senti que isso deveria ser compartilhado, talvez apenas como um simples relato, talvez como uma grande homenagem”, confessa.

A imagem e a palavra

Em seus livros, Gomes promove o encontro de suas duas faces artísticas: a do escritor e a do fotógrafo. O resultado dessa inspiração está no instantâneo que sintetiza a obra “Crônicas da Pandemia” e se transformou na capa e no primeiro capítulo da publicação.

“Passei pela bonita capela do hospital e, embora nunca tenha assumido qualquer tipo de religiosidade, olhei para a imagem de Cristo no altar, ladeado por vitrais vermelhos… Para minha surpresa, naquele dia, vi uma enfermeira ou técnica de enfermagem, paramentada com vestimenta completa da CTI Covid, rezando, de joelhos no altar. Lembrei de uma técnica de enfermagem que ficara mais de 30 dias entubada até se recuperar. Quando estava apertando o botão para chamar o elevador, resolvi voltar para registrar a cena com a câmara do meu telefone celular, torcendo para ainda estar lá, inalterada. Era a minha alma de fotógrafo em ação de novo”, reconhece no texto que abre as “Crônicas da Pandemia”.

A jornalista Patrícia Lima assina o prefácio do livro na condição de amiga do escritor e de filha de uma das pacientes de Covid salvas com a ajuda do médico. “Para sobreviver ao caos, Rogério escreveu. Fez o relato dos seus dias em forma de crônicas, a maioria postada imediatamente, em seu perfil no Facebook. Desabafou, xingou, refletiu. E agora reúne alguns de seus textos neste livro, que se junta a incontáveis outros relatos, de outras gentes, que oferecerão ao mundo a experiência de quem viver as trevas a partir de dentro”, relata Patrícia.

Exposição “Poesias fotografadas” e lançamento do livro “Crônicas da Pandemia”, por Rogério Gomes
Vernissage: 14 de setembro, às 19h
Período: 14 a 20 de setembro
Local: Delphus Galeria de Arte
Endereço: Av. Cristóvão Colombo, 1501

Assessoria de Imprensa:

Casa de Caio Abreu não é caso isolado: Porto Alegre vive apagão no Patrimônio Histórico e Cultural

Anotações para uma reportagem

Não tenho condições de apurar e completar as informações que reuni para uma reportagem sobre o que se afigura como um verdadeiro “apagão” que atinge Porto Alegre nos seus 250 anos, num setor vital da cidade – o da memória e do patrimônio cultural.

Diz meu código de ética que um jornalista não pode deixar de divulgar informações de interesse  público a que tenha acesso e, como considero gravissimos os indícios que tenho, coloco-os disposição, na crença de que há bons repórteres na praça, que poderão completar ou mesmo desmentir este meu relato inicial.

A demolição da casa onde viveu Caio Fernando Abreu é apenas um exemplo do descaso.

Desde 2011, havia um movimento para preservaçao do imóvel, que é “personagem” em vários textos do autor. Mas o Secretário de Cultura, Gunter Axt, declarou aos jornais que não tinha informações sobre o assunto.

Outras fontes:

1) Nelson Boeira, filósofo, ex-reitor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), professor adjunto de Ética e Filosofia Política na UFRGS e autor de diversos artigos sobre filosofia política e história. Foi “saído” do Departamento de Memória e Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura, por divergências com a orientação sobre licenciamentos envolvendo terrenos que têm imóveis inventariados.

Boeira, um professor de 78 anos, ligado ao MDB desde as Diretas JÁ,  evita comentar, mas admite que não concordava com algumas licenças  que envolviam prédios tombados nos bairros Moinhos de Ventos, Petrópolis e Menino Deus.

Depois de sua saída, várias obras foram autorizadas.

No bairro Petrópolis, onde a questão da preservação dos prédios representativos de um ideal de “cidade jardim” se arrasta há mais de dez anos. O inventário de imóveis passíveis de tombamento foi reduzido de mais de 600 para algo em torno de 100.

2)  José Francisco Alves, historiador da arte, autor de A Escultura Pública de Porto Alegre, 412 páginas com quase 2 mil imagens, fruto de mais de 25 anos de pesquisa. Desde os chafarizes franceses instalados em 1865 até peças que passaram a integrar logradouros públicos em 2022.

Alves não contou com nenhum apoio oficial para seu trabalho monumental.

Quando lançou o livro, mandou um exemplar para o prefeito, não recebeu sequer uma mensagem de agradecimento.

Lauro Alves / Agencia RBS

 — Temos obras de arte de valor em todas as linguagens. Isso que é importante. Temos estatuária, bustos, monumentos históricos, obeliscos, fontes ornamentais, arte moderna e arte contemporânea, além de cemitérios. Temos de tudo em grande quantidade para uma cidade do nosso tamanho”, diz o pesquisador.  

Mas esse patrimonio todo está num estado lamentável de abandono. No Departamento de Patrimônio e Memória há um único funcionário para cuidar dos monumentos e esculturas públicas, mais de 700.

O vandalismo que mutila ou rouba estátuas é um problema, mas o poder público pelo descaso faz parte dele.

A própria sede da Diretoria de Patrimônio e Memória, a Casa Godoy, na avenida Idependência, é um retrato da situação.

O prédio tombado está “caindo aos pedaços”. No pátio, esculturas mutiladas retiradas de espaços públicos estão amontoadas.

O prédio da Roco, de 1912, tombado desde 1997

Há casos mais graves, como o da confeitaria Rocco, na esquina da Riachuelo com a Dr Flores, um monumento arquitetônico do século passado, que está ruindo.

A Usina do Gasômetro, fechada há seis anos, é outro caso exemplar. O Centro Municipal de Cultura é outro…  (Continua)

 

 

 

Memória de um time em que o técnico só dizia: “Bola na rede, pessoal”

Nesta sexta-feira,12, o jornalista Kenny Braga estará autografando na Feira do Livro de Porto Alegre a terceira edição de seu livro “Rolo Compressor -Memória de  um time fabuloso”.

No estilo de uma grande reportagem, Kenny Braga descreve o cenário e os personagens de um futebol ingênuo e alegre, no início da profissionalizaçao, no Rio Grande do Sul e no Brasil, nos anos 1940.

O mundo estava em guerra quando despontou time do Inter que a torcida consagrou como  “Rolo Compressor”, pelas goleadas que aplicou em quase uma década de supremacia absoluta no futebol gaúcho,

Foi, também, o início do reconhecimento do Inter  como um player do futebol nacional. Era um tempo em que a preparação física era incipiente e em que as preleções do técnico Cavedini tinham sempre a mesma conclusão: “Bola na rede, pessoal”.

A sessão de autógrafos começa  às 19 horas.