Alemão que mudou a cara de Porto Alegre ganha exposição de projetos e desenhos

Theo Wiederspahn, arquiteto alemão que, se pode dizer, redesenhou a paisagem do centro de Porto Alegre, é tema de uma exposição inédita na Pinacoteca Aldo Locatelli, no prédio da prefeitura antiga (Praça Mondevidéo, 10).

A obra de Wiedersphan é visível em pontos históricos do centro de Porto Alegre: no prédio do  Margs, no Edifício Ely, na Casa de Cultura Mario Quintana e em muitos outros edifícios conhecidos .

Além dos 250 anos de Porto Alegre, a exposição marca também os 70 anos da morte do arquiteto e estará aberta até o dia 20 de janeiro de 2023, com desenhos originais de projetos do artista.
A mostra, com curadoria da professora alemã Vera Grieneisen, resulta de uma parceria entre o Consulado Geral da Alemanha, Instituto Goethe e a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30min às 17h. É possível solicitar visitas guiadas, para grupos de até 20 pessoas, pelo e-mail acervo@portoalegre.rs.gov.br ou pelo telefone (51) 3289-3643.
Nascido em 1878, na Alemanha,  Wiederspahn chegou a Porto Alegre em 1908, num momento de efervescencia política e crescimento econômico, com a forte presença de empresas alemãs.

“Sua chegada coincidiu com uma mudança nas paisagens da Capital, que abandonava os ares açorianos originais em favor de uma arquitetura mais eclética, em sintonia com os grandes centros europeus”.

Em associação com o construtor Rudolph Ahrons, com quem trabalhou em seus primeiros anos na cidade, Theo Wiederspahn logo assumiu muitos dos projetos mais importantes daqueles tempos.

Exímio desenhista, Theo elaborava cada detalhe de suas realizações: na Cervejaria Bopp, prédio que hoje abriga o Shopping Total, ele esquematizou pessoalmente os elementos escultóricos da fachada, incluindo o elefante que deixou a estrutura famosa.

“Ele fazia todos os cálculos, desenhava cada viga de cada prédio, até a última calha, até a florzinha da decoração ao lado da janela. Tudo pensando e calculado várias vezes até chegar ao melhor resultado.”

A carreira de Wiederspahn foi afetada pelas duas Guerras Mundiais, que geraram hostilidade e restrições à sua origem alemã, e o realizador enfrentou dificuldades de registro junto aos órgãos oficiais de arquitetura e urbanismo de então – circunstâncias que reduziram muito sua produção em Porto Alegre e o levaram a realizar obras no interior do Estado. Chegou a se afastar da arquitetura em mais de uma ocasião, dedicando-se a criar abelhas em seu sítio na Ponta Grossa, no Extremo Sul da Capital. Depois de décadas de quase esquecimento, a obra de Wiederspahn (vista por especialistas como de qualidade diferenciada, mesmo em comparação com o que se fazia na Europa de então) vem sendo redescoberta e recebendo valorização crescente – processo que a exposição no Paço Municipal certamente ajuda a consolidar.

(Com informações do Jornal do Comércio)

A última entrevista de Sérgio da Costa Franco: uma crítica ao descaso com a memória

Sérgio da Costa Franco, que morreu nesta quinta-feira (13), aos 94 anos, deixou uma obra única sobre a história de Porto Alegre, cidade que conheceu em 1935, quando sua família se mudou de Jaguarão para a capital.

Ele tinha sete anos.

O viaduto Otávio Rocha recém-inaugurado (dois ou três anos antes) lhe pareceu monumental. “Tudo era grandioso”, diria ele sobre a cidade que conheceu e adotou e à qual dedicou décadas de laboriosas  pesquisas que resultaram em textos fundamentais para o entendimento da evolução de Porto Alegre.

Com mais de 30 obras publicadas, ele produziu também textos fundamentais da historiografia regional, como a já clássica biografia política de  Júlio de Castilhos. Autor de uma obra extensa, foi também jornalista e cronista por muitos anos.

Em dezembro de 2021, Sérgio da Costa Franco aceitou dar um depoimento aos editores Elmar Bones e Caco Schmitt para  a edição especial da História Ilustrada de Porto Alegre, da qual foi consultor quando lançada, em 1997.

Foi a última entrevista, segundo ele mesmo decretou. Chama atenção sua crítica ao descaso com a memória da cidade.

Para ver a entrevista, clique aqui.

 

 

Independência 200 anos: livro mostra o que houve antes e depois do Grito do Ipiranga

José Antônio Severo / Foto Tânia Meinerz

Um evento para familiares e amigos próximos marca, neste sábado, 24, o lançamento de A Independência  Além do Grito, livro póstumo do jornalista José Antônio Severo (1942-2021).

É uma obra de 240 páginas, fruto de quase cinco anos de pesquisa e concebida como um roteiro para uma série de televisão.

Severo morreu em setembro de 2021, pouco depois de ter liberado os originais para edição.

Do Congresso de Viena, onde pela primeira vez a emancipação do Brasil é cogitada pelas monarquias então dominantes, até as guerras da Bahia que culminam com sangrentos combates para a expulsão da esquadra portuguesa,  Severo descreve o intrincado trajeto, cheio de armadilhas, até a independência só consumada com o reconhecimento de Portugal, três anos depois do grito.

O assassinato da abadessa Joana Angélica, por Squeff

Desenhos de Enio Squeff na abertura de cada um dos 14 capítulos reforçam o texto cinematográfico, com muitos personagens e cenas, em nanquim com aguada. Nas capas, com pinturas originais de acrílico sobre papel, o artista retrata as batalhas que ocorreram no Nordeste.

O livro é prefaciado pelo ex-deputado e ministro Aldo Rebelo, também escritor, com quem Severo muito conversou sobre a História do Brasil.

Para adquirir o livro, clique aqui ou peça ao seu livreiro.

 

 

 

 

O combate à pandemia na visão de quem esteve na linha de frente

Será lançado na quarta-feira, 14, o livro “Crônicas da Pandemia”, do  cardiologista Rogério Gomes,na Delphus Galeria de Arte (Av. Cristóvão Colombo, 1501), 19 horas.

O livro reune relatos -ora emocionados, ora indignados – de quem esteve na linha de frente no auge do combate ao Covid 19.

Uma exposição de “Poesias Fotografadas”, com registros de Rogério Gomes também será inaugurada no espaço.

“Crônicas da Pandemia” (144 páginas, R$ 50), editado pela Total Books,  é o quarto livro do autor.

Nele, Gomes s expõe a emoção e a indignação pelas vidas perdidas durante o intenso trabalho na frente de batalha contra o Covid no Instituto de Cardiologia e também em seu consultório. Também revela o olhar poético sobre paisagens desoladas, mas não menos belas, na exposição “Poesias Fotografadas”, que traz 22 imagens produzidas pelo autor. A mostra fica em cartaz até o dia 20 de setembro com entrada franca.

Gomes escreve poesias, contos e crônicas há mais de 40 anos. O conto que rendeu o título ao livro “Grande Mestre e Outras Histórias”, publicado no ano passado, vai se transformar em série pela Paris Filmes. O autor já se debruçou nos roteiros que foram encaminhados para a produção dos 16 episódios. A obra, que já está esgotada, ganhará nova edição neste mês. Além deste livro, ele também lançou Anita e Outros Poesias Fotografadas, em 2020, e Crônicas de Havana, em 2021.

“Como médico, estou acostumado a trabalhar muito e de forma intensiva e esse ritmo acabou sendo repassado para minhas criações culturais”, admite, ao revelar que já tem um romance pronto e outros dois na etapa final de produção, que também devem ser publicados.

Outra revelação da pandemia foi que um médico também pode chorar com seus pacientes. “Nos meus anos de medicina, nunca vivi algo parecido, nunca aconteceu algo que me tocasse tanto, que me emocionasse tanto, e senti que isso deveria ser compartilhado, talvez apenas como um simples relato, talvez como uma grande homenagem”, confessa.

A imagem e a palavra

Em seus livros, Gomes promove o encontro de suas duas faces artísticas: a do escritor e a do fotógrafo. O resultado dessa inspiração está no instantâneo que sintetiza a obra “Crônicas da Pandemia” e se transformou na capa e no primeiro capítulo da publicação.

“Passei pela bonita capela do hospital e, embora nunca tenha assumido qualquer tipo de religiosidade, olhei para a imagem de Cristo no altar, ladeado por vitrais vermelhos… Para minha surpresa, naquele dia, vi uma enfermeira ou técnica de enfermagem, paramentada com vestimenta completa da CTI Covid, rezando, de joelhos no altar. Lembrei de uma técnica de enfermagem que ficara mais de 30 dias entubada até se recuperar. Quando estava apertando o botão para chamar o elevador, resolvi voltar para registrar a cena com a câmara do meu telefone celular, torcendo para ainda estar lá, inalterada. Era a minha alma de fotógrafo em ação de novo”, reconhece no texto que abre as “Crônicas da Pandemia”.

A jornalista Patrícia Lima assina o prefácio do livro na condição de amiga do escritor e de filha de uma das pacientes de Covid salvas com a ajuda do médico. “Para sobreviver ao caos, Rogério escreveu. Fez o relato dos seus dias em forma de crônicas, a maioria postada imediatamente, em seu perfil no Facebook. Desabafou, xingou, refletiu. E agora reúne alguns de seus textos neste livro, que se junta a incontáveis outros relatos, de outras gentes, que oferecerão ao mundo a experiência de quem viver as trevas a partir de dentro”, relata Patrícia.

Exposição “Poesias fotografadas” e lançamento do livro “Crônicas da Pandemia”, por Rogério Gomes
Vernissage: 14 de setembro, às 19h
Período: 14 a 20 de setembro
Local: Delphus Galeria de Arte
Endereço: Av. Cristóvão Colombo, 1501

Assessoria de Imprensa:

Casa de Caio Abreu não é caso isolado: Porto Alegre vive apagão no Patrimônio Histórico e Cultural

Anotações para uma reportagem

Não tenho condições de apurar e completar as informações que reuni para uma reportagem sobre o que se afigura como um verdadeiro “apagão” que atinge Porto Alegre nos seus 250 anos, num setor vital da cidade – o da memória e do patrimônio cultural.

Diz meu código de ética que um jornalista não pode deixar de divulgar informações de interesse  público a que tenha acesso e, como considero gravissimos os indícios que tenho, coloco-os disposição, na crença de que há bons repórteres na praça, que poderão completar ou mesmo desmentir este meu relato inicial.

A demolição da casa onde viveu Caio Fernando Abreu é apenas um exemplo do descaso.

Desde 2011, havia um movimento para preservaçao do imóvel, que é “personagem” em vários textos do autor. Mas o Secretário de Cultura, Gunter Axt, declarou aos jornais que não tinha informações sobre o assunto.

Outras fontes:

1) Nelson Boeira, filósofo, ex-reitor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), professor adjunto de Ética e Filosofia Política na UFRGS e autor de diversos artigos sobre filosofia política e história. Foi “saído” do Departamento de Memória e Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura, por divergências com a orientação sobre licenciamentos envolvendo terrenos que têm imóveis inventariados.

Boeira, um professor de 78 anos, ligado ao MDB desde as Diretas JÁ,  evita comentar, mas admite que não concordava com algumas licenças  que envolviam prédios tombados nos bairros Moinhos de Ventos, Petrópolis e Menino Deus.

Depois de sua saída, várias obras foram autorizadas.

No bairro Petrópolis, onde a questão da preservação dos prédios representativos de um ideal de “cidade jardim” se arrasta há mais de dez anos. O inventário de imóveis passíveis de tombamento foi reduzido de mais de 600 para algo em torno de 100.

2)  José Francisco Alves, historiador da arte, autor de A Escultura Pública de Porto Alegre, 412 páginas com quase 2 mil imagens, fruto de mais de 25 anos de pesquisa. Desde os chafarizes franceses instalados em 1865 até peças que passaram a integrar logradouros públicos em 2022.

Alves não contou com nenhum apoio oficial para seu trabalho monumental.

Quando lançou o livro, mandou um exemplar para o prefeito, não recebeu sequer uma mensagem de agradecimento.

Lauro Alves / Agencia RBS

 — Temos obras de arte de valor em todas as linguagens. Isso que é importante. Temos estatuária, bustos, monumentos históricos, obeliscos, fontes ornamentais, arte moderna e arte contemporânea, além de cemitérios. Temos de tudo em grande quantidade para uma cidade do nosso tamanho”, diz o pesquisador.  

Mas esse patrimonio todo está num estado lamentável de abandono. No Departamento de Patrimônio e Memória há um único funcionário para cuidar dos monumentos e esculturas públicas, mais de 700.

O vandalismo que mutila ou rouba estátuas é um problema, mas o poder público pelo descaso faz parte dele.

A própria sede da Diretoria de Patrimônio e Memória, a Casa Godoy, na avenida Idependência, é um retrato da situação.

O prédio tombado está “caindo aos pedaços”. No pátio, esculturas mutiladas retiradas de espaços públicos estão amontoadas.

O prédio da Roco, de 1912, tombado desde 1997

Há casos mais graves, como o da confeitaria Rocco, na esquina da Riachuelo com a Dr Flores, um monumento arquitetônico do século passado, que está ruindo.

A Usina do Gasômetro, fechada há seis anos, é outro caso exemplar. O Centro Municipal de Cultura é outro…  (Continua)

 

 

 

Memória de um time em que o técnico só dizia: “Bola na rede, pessoal”

Nesta sexta-feira,12, o jornalista Kenny Braga estará autografando na Feira do Livro de Porto Alegre a terceira edição de seu livro “Rolo Compressor -Memória de  um time fabuloso”.

No estilo de uma grande reportagem, Kenny Braga descreve o cenário e os personagens de um futebol ingênuo e alegre, no início da profissionalizaçao, no Rio Grande do Sul e no Brasil, nos anos 1940.

O mundo estava em guerra quando despontou time do Inter que a torcida consagrou como  “Rolo Compressor”, pelas goleadas que aplicou em quase uma década de supremacia absoluta no futebol gaúcho,

Foi, também, o início do reconhecimento do Inter  como um player do futebol nacional. Era um tempo em que a preparação física era incipiente e em que as preleções do técnico Cavedini tinham sempre a mesma conclusão: “Bola na rede, pessoal”.

A sessão de autógrafos começa  às 19 horas.

 

Prêmio de até 20 mil para pesquisa sobre patrimônio arqueológico

Estão abertas as inscrições para a 9ª edição do Prêmio Luiz de Castro Faria, que reconhece a pesquisa acadêmica cujo tema seja o Patrimônio Arqueológico Brasileiro.

O concurso vai premiar pesquisas que, devido a sua originalidade, vulto ou caráter exemplar, mereçam registro, divulgação e reconhecimento público.

Realizada desde 2013 pelo Centro Nacional de Arqueologia (CNA) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a iniciativa distribuirá premiações que vão de R$ 7 mil a R$ 20 mil.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas, em formato online, até 27 de agosto de 2021.

De acordo com o diretor do CNA, Herbert Moura, “o prêmio surgiu a partir da iniciativa de ampliar a divulgação e o reconhecimento das produções científicas que abordam o patrimônio arqueológico brasileiro”.

Hoje, para o diretor “trata-se de uma realidade consolidada, sendo o maior prêmio de arqueologia do Brasil, que proporciona o reconhecimento da arqueologia, amplia a proteção aos bens arqueológicos e incentiva as pesquisas científicas”.

De acordo com edital publicado nesta terça-feira (13), pesquisadores e estudantes podem se inscrever em quatro categorias: monografia de graduação, dissertação de mestrado, tese de doutorado e artigo científico.

Categorias do Prêmio Luiz Castro Faria

Categoria I – Monografia de Graduação: visa a apresentação de monografia final desenvolvida no âmbito de cursos de graduação em Arqueologia (ou com habilitação em Arqueologia reconhecido pelo MEC) e que verse sobre o patrimônio arqueológico brasileiro. Premiação: R$ 10 mil.

Categoria II – Dissertação de Mestrado: visa a apresentação de dissertação de mestrado desenvolvida no âmbito de cursos de pós-graduação stricto sensu em Arqueologia, ou com área de concentração em Arqueologia reconhecida pela Coordenação de Pessoal de Ensino Superior (Capes), e que verse sobre o patrimônio arqueológico brasileiro. Premiação: R$ 15 mil.

Categoria III – Tese de Doutorado: visa a apresentação de tese de doutorado desenvolvida no âmbito de cursos de pós-graduação stricto sensu em Arqueologia, ou com área de concentração em Arqueologia reconhecida pela Coordenação de Pessoal de Ensino Superior (Capes), e que verse sobre o patrimônio arqueológico brasileiro. Premiação: R$ 20 mil.

Categoria IV – Artigo Científico: visa a apresentação de artigo científico inédito que verse sobre o patrimônio arqueológico brasileiro. Premiação: R$ 7 mil.

Serviço:

9ª Edição do Prêmio Luiz de Castro Faria
Inscrições: de 13 de julho a 27 de agosto de 2021
Edital e ficha de inscrição:
Edital n° 02/2021
Ficha de inscrição

Informações sobre a premiação:
Centro Nacional de Arqueologia (CNA/Iphan)
(61) 2024-6300 – premio.cna@iphan.gov.br
Quadra SEPS, 713/913 Bloco D – 3º andar Asa Sul Brasília – DF

Fogo, Cerrado – o eterno redevir do Brasil

Ana Cristina Braga Martes

Fogo, Cerrado, de Marcos Wilson Spyer Rezende, ilustrado por Bruno Liberati e editado pela Geração Editorial, foi publicado silenciosamente no final do ano passado, 2020.

O livro marca a estreia do autor, mas começou a ser escrito em 1962.

O mais importante a ser dito sobre ele, é que Fogo, Cerrado inova sem a pretensão de inovar, e inova justamente naquilo que há de mais crucial na literatura: a linguagem.

Com o propósito de construir uma linguagem regionalmente enraizada, Rezende não segue os cânones da língua portuguesa e transgride com muita coragem. O autor deu a si mesmo a liberdade de inventar uma linguagem própria, do Cerrado, que mescla vários sotaques do Brasil.

A princípio, levando-se em conta o cenário rural e os personagens, é possível supor que o livro traz de volta um tom regionalista, ou uma temática regional. É certo que os personagens de Fogo, Cerrado são bem conhecidos na história do Brasil: o coronel e seus capangas, a curandeira que desafia a medicina e o doutor da cidade, o abusador de meninas que repete as tristes e revoltantes cenas com mulheres negras escravizadas.

Tudo isso é quase lá, já vi essa história, mas não é.

O contexto é dos anos sessenta, época da construção da estrada Rio-Brasília, que irá retalhar a geografia, a história do país e a vida dos moradores do Cerrado.

Mas, ainda predomina o coronelismo na região e o Cerrado começa a ser ocupado por militares obcecados pela infiltração comunista no país. Isso é importante porque, tanto o Cerrado quanto as transformações que ele começa a sofrer a partir dessa década, raramente aparecem na literatura brasileira, e nunca com uma linguagem regionalmente enraizada.

Tomando um dos livros clássicos de interpretação do Brasil, Coronelismo, enxada e voto, de Vitor Nunes Leal, “o coronelismo é, sobretudo um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder público, progressivamente fortalecido, e a decadente influência social dos chefes locais, notadamente dos senhores de terra.

Desse fenômeno, enraizado no passado colonial, resultam: o mandonismo (perseguição aos adversários), a fraude eleitoral e a desorganização dos serviços públicos locais entre outros (pág. 20).

Contexto

A região do Cerrado se vê ameaçada com a construção da nova capital do país, o movimento da marcha para o oeste, e a construção da estrada Rio-Brasília, ligando o velho ao novo distrito federal, que desestabiliza o domínio já decadente do Coronel:  Coronel, João Candido, filhos dele, povo da roça, sertanejo e meeiro, posseiro, vaqueiro, e jagunço, tinham que morrer se preciso fosse para cortar o caminho dos povos que vinham do Norte, do Sul, e do Mar-Litoral que nem gafanhotos.

Comendo a comida deles. Ocupando suas terras. Fincar pé era ordem que corria de boca em boca. Opção de futuro seria a de comer lavagem. Comida de porco com resto de tudo pra ser jogado fora. Era o que ia sobrar para gentes do Cerrado. Se sobrasse. (pág. 41)

Apesar da instabilidade e da decadência serem decorrentes da estrutura de produção da latifundiária, o coronel e seu clã entendem que as ameaças são pessoais.

O lugar central ocupado pela pessoa –  enquanto uma categoria relacional –  contrasta com o indivíduo, e também com qualquer sentido de coletividade e associativismo.

Contra  as “pessoas de fora”, invasores acampados em terra que já tem dono, o coronel incitará seus empregados a matar.

A atmosfera do livro é marcada pela violência e pelo extermínio dos comunistas: “Coronel sabia por saber é que suas terras estavam ocupadas. Cada dia mais. Comunistas” num universo simbólico e politico imutável e autorreferente: O acampamento começava depois da cerca da rodovia, dentro mesmo da fazenda Santo Antônio. Dele!

Como é que pode? Sem Companhia para pagar certinho, todo final de mês, iam de querer ser coronéis. Têm de ser expulsos. E vão ser. Amanhã de manhã começa a guerra (pág. 51) é nesse contexto, onde o Coronel é quem manda, paga, sustenta, e tem poder de polícia, que os jagunços, tão ameaçados quanto o Coronel, vão à caça aos comunistas.

Inicialmente o coronel pede a Antônio Candido que mate Zeferino comunista, mas a execução anunciada desde o início, será realizada apenas no final do livro por um menino, adolescente, filho biológico do coronel, que nasceu para ser jagunço e para isso treinou desde criança com os bichos.

O enredo segue a trilha da caça aos comunistas do início ao fim. É isso que justifica a não linearidade temporal da narrativa, assim como a submissão da cronologia dos acontecimentos ao tempo da guerra, da guerrilha.

Por isso os fatos vão e voltam, por meio de personagens que antecipam o futuro obcessivamente, pois o tempo tem a urgência de quem vai matar ou morrer. O tempo que conta não é cronológico mas sim o tempo subjetivo dos personagens, em permanente estado de urgência, de guerra.

Inovação na linguagem

Cerrado não é sertão, e a dicção do narrador remete diretamente à linguagem do Cerrado.

Chama atenção as frases muito curtas, às vezes de uma só palavra, ou duas, como se as frases fossem pronunciadas em soquinhos, um modo de falar típico de quem mora nas roças da região. Rezende faz emergir os roceiros com sua voz própria, suas expressões e lógica semântica.

Mas, se por um lado, a pontuação e as frases curtas reproduzem uma melodia em soquinhos, por outro lado, as elipses e os saltos da narrativa parecem seguir o fluxo de um rio, certamente o São Francisco.

Se o leitor embarcar, é levado pela correnteza: “Fechou porteira. Fechou colchete. Tirou leite. Vacinou boi no tronco. Marcou garrote bravo. Tingiu berne de azul. Apartou vaca parida (…) tudo no muque. Muque de carregar sete baldes de sal grosso para encher os cochos. Eram três. Dos grandes (…) Cheiro bom de bosta seca de vaca. Cama verde. Macia. Convidadeira. Sábado nos Gerais. Véspera de morte (pág. 25)

O texto é polifônico, não há um protagonista único, mas vários personagens centrais e traz uma escrita evocativa que embaralha propositalmente o enredo e que no final chega muito próxima do delírio, deixando clara a preponderância da linguagem sobre a trama.

A voz do narrador é a mesma dos personagens: uma pessoa da região, bem enraizada, com uma dicção que remete ao nordeste e ao estado de Minas Gerais, e que tem ecos da fala de Brasília, cidade de gente vinda de todos cantos do Brasil.

E o autor, muito à vontade com o discurso indireto livre, faz com que o fluxo narrativo suba em labaredas, como o fogo no Cerrado. Digno de nota são os diálogos, imbricados na voz do narrador.

A história corre e os personagens centrais vão se alternando. É com o foco em João Cândido que o livro se inicia.

Vaqueiro, 47 anos, casado para procriar, mas não para amar com o corpo a mulher com quem se casou. Ele (assim como outros personagens no decorrer do livro) filosofa a partir da natureza e da vida dura no Cerrado, a luta diária pelo domínio da natureza, dos animais e dos homens.

A linguagem abarca reflexões partindo de um território bem demarcado para então avançar e adquirir uma abrangência universal, um discurso sobre a natureza humana, com os animais e a terra servindo de justificativa e reflexão: “Bicho homem, vez que outra sempre, treta. Finge não saber. Bicho é fabricado de pura esperteza.

Na hora de ataque de gavião, bando maior de passarinhos deixava um de guarda. Para dar aviso. E ser comido. Cantava, levantava voo, meio metro se tanto, e gavião dava bote certeiro. Já saia despenando. Problema era quando ninguém mais queria dar aviso. E um qualquer podia ser o prato de gavião. Bando decidia então escolher um outro.

Como ensinam no catecismo. Cristo morreu para salvar todos nós. Igual pássaro-preto. Bichos, homem e animal, perdem tempo não… Conhece seu lugar, na certeza. Obedece quando é para obedecer. E parte para a luta sem fim”(pág. 19)

A violência introjetada

O livro mostra a violência brutal que marca o país de cima a baixo. Tema mais do que relevante, atual e urgente. O pertencimento primordial à família, nas modalidades do compadrio e dos clãs, típica do Brasil colonial, não elimina a violência nem nas relações familiares. A violência fria, que exige o extermínio do inimigo, é também a violência sexual contra mulheres, empregados e filhos: “castigo de pai era por coisa nenhuma. Chicote. Bainha de facão. Colher de madeira… Filho que nasceu no Cerrado, onde deve de ficar para morrer-viver com o Coronel. Pelo Coronel, apanhando para aprender. Melhor forma de (pág. 117)

Tonho e Zinho, filhos de jagunço, seguindo a tradição, aprenderam cedo a matar e chegaram à adolescência bem treinados: “estavam acostumados com as mortes à morte mandada. Filhos de jagunço já nasciam jagunços. Os dois mais do que nasceram. Aprenderam com muito treinar. Ordem maior e certeira é servir e matar. Oito ou oitenta”(pág. 87). Os dois, Tonho e Zinho, aprenderam tudo o que sabem com os animais, seja lutando com um lagarto para aprender como se deve matar ou para encontrar uma cabrita para ter iniciação da sexual.

Relações entre homes e mulheres, e especialmente o sexo, estão alicerçadas na interpretação que fazem da natureza com suas leis imutáveis. Sexo é domínio, força, o gozo na vitória de um corpo sobre o outro. A virilidade do homem, do macho, a masculinidade, a valentia são contrabalanceados por códigos de honra estritos e lealdade que não admitem ,por exemplo, que adultos molestem crianças: “Mariinha, moça, 13 anos. Com 11, padrasto que não era padrasto, fez dela mulher. Fié-das-unhas!”(pág. 137)

Eterno redevir

“Mãe tirava filosofia de natureza: veja a mata, parece sempre a mesma; é não; todo dia morre  e nasce planta nova. Eterno redevir. Sabia que Coronel estava com a cabeça quente com a história do povo do acampamento (…) variava antes de ir para a fogueira, dar ordem final: matem Severino!” (pág. 143)

No final do livro, as mortes que acontecem sucessivas e repetidas vezes, ou seja, nos momentos em que são antecipadas por quem mata e por quem morre, dão a sensação de que o narrador foi tomado pelos personagens, pela lógica brutal do extermínio ao antagonista e por uma paranoia enlouquecedora.

O “redevir” de Fogo, Cerrado não está apenas nos temas, mas também, de novo, na linguagem. Pode ser encontrado, por exemplo, nas referências obras literárias, e aparecem de modo menos sutil nos nomes dos personagens: Madalena (prostituta), Nagib (restaurante do turco), Severino (comunista retirante) que “nem ia ter sete palmos de terra por cima de seu cadáver defunto” (referência direta a João Cabral de Melo Neto).

Vários temas abordados e que marcaram a década de 1960 estão hoje na ordem do dia no Brasil. Além da violência, a velha obsessão pela ameaça comunista, que começou na década de 1920, se intensificou nos anos sessenta e que agora retorna, não mais pelas mão do coronel, mas do capitão, mostrando a complexidade do país e da intolerância ao oponente.

Em 1975, Victor Nunes Leal dizia não ser possível compreender o fenômeno do coronelismo no Brasil sem referência à estrutura agrária, que dá sustentação  à interferência do poder privado na esfera pública, poder este ainda visível no interior do Brasil à época. Quase cinquenta anos se passaram e a mesma frase pode ser repetida: ainda hoje tão visível no Brasil. Mas, tal como sublinha Barbosa Lima Sobrinho, no prefácio deste mesmo livro clássico de Nunes Leal o coronelismo, como fenômeno social, se transforma constantemente, e cita os meios de comunicação e a urbanização como fatores que impactaram o na década de setenta.

Atualmente, pode-se acrescentar a tecnologia e os meios de comunicação. Mas o fato é que, segundo Lima Sobrinho, o coronelismo persiste, amparado na desigualdade da distribuição de renda e na ausência de garantias legais que mantém o coronel como intermediador de “diretos”. Isso também não mudou e parece que não apenas os personagens de Fogo, Cerrado, mas o país inteiro continua girando em círculos, num  constante redevir.

Ana Cristina Braga Martes, mineira de Varginha,  é socióloga, foi professor da Fundação Getúlio Vargas, graduada em Ciência Sociais pela UNESP, mestrado e doutorado pela Universidade de São Carlos (SP), pós-graduação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), pesquisado da Universidade de Boston (EEUU) e pós-doutorado no King’s College, Londres.

Loma, Nei Lisboa e Ospa nas lives musicais do Sesc deste fim de semana

Um final de semana de muita música e cultura em lives que irão marcar a celebração dos 74 anos do Sesc no Rio Grande do Sul.

Até domingo, 13 de setembro, um concerto da Camerata de Cordas da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) e apresentações ao vivo de Loma Pereira e Nei Lisboa poderão ser acompanhados gratuitamente no canal do Sesc/RS no Youtube (www.youtube.com/sescrs) e na página do Facebook (www.facebook.com/sescrs). Os espetáculos fazem parte da programação especial do Arte Sesc – Em Casa com Você, que contempla artistas que estiveram presentes na trajetória da instituição.

Nesta sexta-feira (11), às 20h, Loma Pereira se apresenta com a participação do pianista Nilton Junior da Silveira, no Facebook e Youtube Sesc/RS. O show contempla os principais sucessos da artista, que iniciou sua carreira na década de 70 com o Grupo Pentagrama e alicerçou sua trajetória artística nos festivais nativistas gaúchos a partir da 5º Califórnia de Uruguaiana. No sábado (12), às 17h, a Camerata de Cordas da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) ofertará o Concerto em Tempo de Tango. A apresentação terá obras de compositores de tango consagrados como Piazolla. O regente será o maestro Evandro Matté, diretor artístico e maestro da Ospa, da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e diretor artístico do Festival Internacional Sesc de Música. O concerto será transmitido no YouTube Sesc/RS, Facebook Sesc/RS e no canal da Ospa no Youtube.

A agenda musical encerra com Nei Lisboa, com o espetáculo Em Casa, no domingo (13), às 18h, no Facebook e YouTube. O cantor e compositor apresenta uma edição extra da sua live semanal, quando interpretará músicas de seus álbuns gravados ao longo da carreira, e também um repertório inédito. Além do canto e o violão, Nei  discorre sobre temas atuais e conversa com o público online através do chat do programa.

Além das lives, outras atividades como oficinas, bate-papos, exposição virtual estão presentes da programação, que pode ser conferida na íntegra site https://www.sesc-rs.com.br/cultura/artesescemcasa/.

PROGRAMAÇÃO 10 a 13 de setembro

Exposição Fragmentos: Xadalu yvy Opata e Fauna Guarani

Em www.sesc-rs.com.br/exposicaoxadalu – com conteúdo exclusivo para inscritos no mesmo site

A exposição reúne fragmentos de diversas imersões do artista Xadalu em aldeias Guarani. Registra o estado atual em que as aldeias se encontram, os conflitos originados pelas retomadas de suas terras, e as constantes ameaças de grupos armados que intimidam as comunidades tradicionais. Estão incluídas também, imagens da série Fauna Guarani.

Contos para Crianças – Guarani Mbya e obras de Xadalu Tupã Jekupé e Ara Poty Maria Ortega

Dia 10 de setembro (quinta-feira), 11h, em www.youtube.com/sescrs)

Oficina contos dos animais da floresta “Os contos da  Fauna Guarani” é um relato que Xadalu Tupã Jekupé e Ara Poty Maria Ortega ouviram de velhos sábios em volta da fogueira em meio a mata, ouviram  sobre histórias de uma época muito distante onde os animais e os homens conseguiam falar a mesma língua, e por isso conversavam até o mesmo com o sol e a lua os contos da Fauna guarani vão contar as diversas aventuras desses animais e sua relação com a natureza. E logo após os contos, será feita uma oficina experimental de gravura com as crianças, que farão seu próprio animal, e terão um material de apoio também para ajudar se precisar.

Bate-papo literário com Natália Polesso 

A autora lerá um texto inédito para quem assistir à transmissão dia 10 de setembro (quinta-feira), às 20h, em www.youtube.com/sescrs

Natalia Borges Polesso é doutora em Teoria da Literatura, escritora e tradutora. Publicou Recortes para álbum de fotografia sem gente (2013), Amora (2015), Controle (2019) e Corpos Secos (2020), entre outros. Em 2017, foi selecionada para a lista Bogotá39, que reúne 39 escritores abaixo de 40 anos destacados da América Latina. Atualmente, é pesquisadora do Programa Nacional Pós-Doutorado, na Universidade de Caxias do Sul, onde conduz a pesquisa Geografias lésbicas. A escritora tem seu trabalho traduzido em diversos países, como Argentina, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido.

Iluminação cênica – para crianças (Fernando Ochoa) 

Dia 11 de setembro, 11h, em www.youtube.com/sescrs

Tutorial de 30 minutos trabalha conceitos e investiga as possibilidades mágicas da luz, introduzindo o público infanto-juvenil nos meandros da iluminação cênica.  Serão explorados aspectos da direção de fotografia como características das fontes de luz, os ângulos de incidência, o comportamento das sombras, cores, materiais de reflexão, entre outros. Serão utilizados elementos simples encontrados em casa e através destes experimentar os conceitos da arte de iluminar. Materiais sugeridos: lanternas, abajur, folha de papel branco, caixa de sapato, camiseta preta, camiseta branca, boneca, objetos pequenos.

Show Live Loma Pereira – Participação pianista Nilton Junior da Silveira

Dia: 11 de setembro,  20h

Show com os principais sucessos de Loma, que iniciou sua carreira na década de 70 com o Grupo Pentagrama e alicerçou sua trajetória artística nos festivais nativistas gaúchos a partir da 5º Califórnia de Uruguaiana. Participou de festivais e recebeu várias premiações também como intérprete. Conquistou dois Troféus Açorianos de Música pelo melhor álbum do ano e em 2019 foi a artista homenageada da edição pelo conjunto de sua obra. Sua obra se caracteriza por influências africanas e lusitanas. Na live, estará acompanhada do amigo pianista Nilton Junior da Silveira.

Oficina com o cartunista Santiago

Dia 12 de setembro (sábado), 11h em www.youtube.com/sescrs

O cartunista Santiago falará sobre a arte e a técnica do desenho, além do planejamento e a elaboração de um desenho de humor. Não há necessidade de conhecimento prévio de cartum/desenho para assistir a oficina. Neltair Rebés Abreu (Santiago) começou a desenhar antes mesmo de começar a estudar. Iniciou-se na arte da caricatura retratando humoristicamente os professores dos tempos de escola. Ainda em sua cidade, Santiago do Boqueirão, caricaturou prefeitos, vereadores e figuras locais. Em 1975, profissionalizou-se como ilustrador e chargista no jornal Folha da Tarde e como colaborador do Correio do Povo.  A partir de então, seus trabalhos também passaram a ilustrar jornais da imprensa alternativa, como Coojornal e Pasquim.  Atualmente, integra o grupo de cartunistas distribuído no mundo inteiro pela agência CWS/NYT ligada ao  New York Times.

Ospa Live: Concerto em Tempo de Tango

Dia 12 de setembro (sábado), 17h, em www.facebook.com/sescrs, www.youtube.com/SescRS/ e www.youtube.com/ospaRS

A Camerata de Cordas da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre apresentará o Concerto em Tempo de Tango, alusivo aos 74 anos do Sesc/Senac. No repertório, compositores de tango consagrados como Piazolla. O regente será o maestro Evandro Matté, diretor artístico e maestro da Ospa, da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e diretor artístico do Festival Internacional Sesc de Música.

A Porto Alegre da Era do Rádio – Arthur de Faria

Dia 13 de setembro (domingo), 11h, em www.youtube.com/sescrs

O músico e jornalista Arthur de Faria abordará o período de ouro do rádio gaúcho, até a década de 50, contextualizando historicamente os ícones e músicos importantes que construíram e fizeram parte desse movimento. O material é baseado em 30 anos de pesquisas que embasarão o livro Porto Alegre – Uma Biografia Musical. Será disponibilizada uma playlist com os artistas que serão mencionados para que o público possa relembrar ou conhecer os nomes que marcaram a história do rádio na Capital.

Nei Lisboa traz sucessos, inéditas e bate-papo pelo chat / André Feltes / Divulgação

Nei Lisboa – Live em Casa

Dia 13 de setembro (domingo),  18h, em  www.youtube.com/sescrs

O músico Nei Lisboa apresenta uma edição extra de sua live semanal. O cantor e compositor interpretará músicas de seus álbuns gravados ao longo da carreira, além de repertório inédito. Além do canto e o violão, Nei também discorre sobre temas atuais e conversa com o público online através do chat do programa.

 

Arte, história e gastronomia em experiências virtuais no Farol Santander

O Farol Santander Porto Alegre oferece uma experiência virtual por alguns de seus ambientes.

O público poderá visitar online o Espaço Memória (Galeria e Subsolo), além de conferir vídeos sobre exposição de arte imersiva GIGANTAS – uma experiência por Nonotak Studio, que tem curadoria de Antonio Curti.

Lives sobre gastronomia em parceria com o Destemperados, também farão parte da programação virtual, dando continuidade ao projeto Food Talks Santander.

A experiência virtual pelo Farol Santander Porto Alegre, desenvolvida em parceria com a VR360, oferece uma opção cultural para toda a família enquanto o edifício se mantiver fechado às visitas presenciais, de acordo com as recomendações das autoridades.

Já os materiais de Nonotak foram desenvolvidos pelo curador e os artistas. Para realizar a visita online, basta acessar o site: http://www.farolsantander.com.br/#/poa

Roteiro – Experiências virtuais Farol Santander Porto Alegre

Espaço Memória (Galeria)

O percurso conta sobre a fundação da cidade, a Praça da Alfândega, as pessoas e a história do banco. Usando a água como ponto de partida e origem histórica, a linha do tempo parte do fundo do Rio Guaíba para a Terra, no processo de aterramento da região.

O espaço aborda a natureza diversa conhecida em Porto Alegre por seus túneis verdes e as miscigenações dos povos, com a chegada de imigrantes de diversos locais do Brasil e do Mundo.

Espaço Memória (Subsolo)

O Espaço Memória, no Subsolo do histórico edifício, conta com um importante acervo de numismática do Rio Grande do Sul, onde o público encontra uma analogia entre as moedas “oficiais” e “não oficiais” que circulavam na região, assim como os dois lados da moeda, o famoso “cara ou coroa” conhecido no mundo todo.

Nas laterais da sala, o ambiente apresenta a evolução da moeda oficial do Estado Brasileiro, junto à difícil tarefa de equilibrar inflação e emissão sobre a técnica de impressão em cédulas da época.

Outros espaços do Farol Santander Porto Alegre que podem ser visitados virtualmente são o Grande Hall, o Cine Farol Santander, o Valkiria Café no Cofre e o Restaurante Moeda.

GIGANTAS – uma experiência por Nonotak Studio

Na experiência virtual relacionada à última exposição que esteve no Farol Santander Porto Alegre, o público poderá conferir vídeos que contemplam a criação da obra-performance Gigantas V.1, desenvolvida pelo duo franco-japonês Nonotak Studio, com curadoria de Antonio Curti. Os vídeos contam com entrevistas dos artistas e making of da instalação.

Destemperados

A busca por inspiração, a troca de ideias e o entendimento sobre quais serão os próximos passos da gastronomia são importantes iniciativas para superar o difícil cenário que estamos vivendo.

Por isso, Santander e Destemperados continuam juntos e apresentam o Food Talks Santander: O futuro da comida.

Por meio de lives gravadas também do Farol Santander, a série de conteúdos especiais tem como objetivo fomentar o empreendedorismo e discutir quais serão os novos caminhos a serem seguidos por chefs, donos de restaurantes e apaixonados por comer e beber bem.

O conteúdo estará disponível no IGTV do Destemperados, no Instagram, @destemperados. A primeira programação acontece no dia 03 de junho (quarta-feira), com participação da nutricionista Priscila Sabará.

Farol Santander Porto Alegre

O Farol Santander, centro de empreendedorismo, cultura e lazer em Porto Alegre completou, em março de 2020, um ano de atividades.

No período, recebeu quatro exposições de artes visuais:

Roda Gigante – artista Carmela Gross”

Saramago – os pontos e a vista”

Estratégias do Feminino

GIGANTAS – uma experiência por Nonotak Studio”; exibiu 15 programas especiais no Cine Farol Santander, com destaque para a mostra “Cinema Atual Espanhol”; realizou encontros relevantes, como com o filósofo francês Luc Ferry e debates sobre moda e gastronomia.

O Farol Santander Porto Alegre também possui um Espaço Memória que traz a história da cidade, do prédio e da política monetária brasileira, além do Valkiria Café no Cofre e o Restaurante Moeda; todos concentrados no subsolo da instituição .

Vale destacar a dinâmica de eventos, que disponibiliza todos os espaços do Farol Santander para locação.

Arquitetura do prédio

Após um minucioso processo de restauração e adaptação, o prédio do antigo Banco Nacional do Comércio foi fruto do desenvolvimento industrial e comercial da cidade e acompanhou a efervescência da época situado em uma das zonas mais importantes da Porto Alegre de então: a Praça da Alfândega.

O primeiro projeto para a construção da sede bancária foi apresentado em 1919.

A concorrência pública realizada então foi vencida pelo arquiteto Theo Wiedersphan, responsável por outras grandes obras arquitetônicas na capital, como o Hotel Majestic, a Delegacia Fiscal e os Correios e telégrafos — que, curiosamente, também virariam instituições culturais no futuro.

O projeto vencedor previa uma edificação de grandes proporções que, além da sede do banco, contaria com um restaurante, um clube e um hotel.

A obra iniciou e teve como fiscal o agrimensor francês Hyppolite Fabre, que também havia acompanhado a construção do Palácio Piratini.

Mas, por questões técnicas, econômicas e políticas, a construção foi interrompida ainda nas fundações. Ao ser retomada, ficou definido que o prédio abrigaria apenas o banco.

Em 1926, Fabre, como responsável pela obra, encomendou a adaptação do projeto ao escultor espanhol Fernando Corona.

O trabalho foi desenvolvido em conjunto com o construtor-escultor polonês Stefan Sobczac, colega de Corona, e as obras reiniciaram em 1927, sendo concluídas em 1931.

Em uma época em que, desconfiados, muitos ainda guardavam dinheiro debaixo de colchões, a edificação imponente correspondeu às exigências de solidez e segurança esperadas de uma instituição bancária.

Os materiais davam o toque de elegância buscado pelos idealizadores do prédio: pisos, pedras ornamentais, esquadrias, metais, vidros e vitrais vieram da Europa para fazer parte daquela construção, concebida como obra de arte.

A arquitetura do prédio contempla diferentes estilos e, por isso, a linguagem utilizada é denominada eclética. As fachadas seguem a estrutura e as formas da arquitetura neoclássica.