Área econômica tenta mostrar uma recuperação que não é real

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 15.09% em abril, comparado com o mesmo mês de 2019. Parte da grande imprensa optou por ressaltar a queda de 9,73% em abril, na comparação dessazonalizada com março. Mesmo assim, a maior queda da série histórica, com início em janeiro de 2003.

Já falam que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre está mais perto de 10% do que 15%.  Só que todas as projeções começaram por volta de 5% e foram se aproximando dos 10% e não de 15%. É uma velha mania da grande mídia de criar uma expectativa otimista de recuperação logo ali adiante, mesmo que números não deixem isso claro.

O noticiário econômico informa, ainda, que a onda de revisões pessimistas para o desempenho da economia brasileira em 2020 também deve ser contida. É um sinal claro que a elite empresarial separa o desastre político do Governo Bolsonaro do projeto liberal do ministro da Economia Paulo Guedes.

Nesta semana, o ministro Guedes seguiu na mesma linha, afirmando que o momento de medidas emergenciais passou e agora voltará suas atenções para a agenda de reformas. “Estamos voltando para as reformas. Nos próximos 60 e 90 dias, iremos acelerar”, disse em uma videoconferência.

Portanto, estamos vivendo em um mundo da fantasia do mercado e do Ministério da Economia, que acreditam nas reformas para o Brasil sair da crise e o mundo real, com a economia na lona com milhares de desempregados e empresas fechando as portas no meio da pandemia.

No mundo real, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-RS), divulgado nessa semana pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), cresceu dez pontos em junho, na comparação com maio, saltando para 42. Mesmo assim, em uma escala de zero a cem pontos, na qual os 50 separam a presença da ausência de confiança, o resultado revela que, apesar de menor, a falta de otimismo ainda predomina na indústria gaúcha.

Após amargar o Dia das Mães mais fraco da história, no mundo real o comércio voltou a registrar vendas no vermelho no Dia dos Namorados. Segundo levantamento do Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre, ocorreu uma redução de 41% na capital gaúcha em comparação com 2019.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda disponibilizar até R$ 2 bilhões para empresas de grande porte atuarem como “âncoras” e fornecerem capital de giro para seus fornecedores e clientes, um mecanismo estranho.

A linha de crédito será operada diretamente pelo BNDES, que emprestará até R$ 200 milhões por empresa âncora. O prazo de carência será de até 24 meses, com pagamento em até 60 meses. O custo será de Selic mais 0,1% ao mês, acrescido de uma taxa de risco que variará entre 1,4% e 1,6% ao ano.

Nesta crise avassaladora, a dúvida que fica é o quanto a grande empresa vai repassar deste empréstimo de pai para filho aos seus fornecedores. Pelo menos o BNDES avisa que a empresa não pode ter ganho ao repassar os recursos, não pode fazer intermediação.

Enquanto isso, os negócios pequenos do País ainda esperam a liberação pelos bancos as linhas do Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

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