Contrato do BRDE com o CAF é de US$ 70 milhões para financiar pequenas e médias empresas

A parceria entre o Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) se fortaleceu em 2020, um ano marcado por dificuldades impostas pela crise gerada pela pandemia de Covid-19 não só no país, mas em todo o mundo. Isso provocou a consolidação de operações sem a garantia soberana da União, onde se destaca o apoio aos bancos e agências de desenvolvimento públicos, como o Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Até o início de 2020, somente o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) era cliente do CAF. Desde então, o banco passou a atender outras três instituições de fomento local, somando US$ 340 milhões em linhas de crédito destinadas, principalmente, para financiar as pequenas e médias empresas. São eles o Banco do Nordeste (BNB), Desenvolve SP e BRDE.

Segundo a área de Novos Negócios do BRDE, que cuida dos contratos internacionais, é preciso separar o que é operação da prefeitura de Porto Alegre e o que é contrato entre o BRDE e o CAF. A prefeitura tem seus projetos tratados diretamente com o banco. O contrato do BRDE firmado com o CAF é de US$ 70 milhões no total e não há um valor pré-definido para uso, por Estado. Até o momento foram destinados US$ 4,3 milhões em operações de crédito contratadas com cinco empresas gaúchas.

Em 2020, no âmbito de apoio às instituições de fomento, como é o caso do BRDE, foi desenvolvido o serviço de gestão de dívida, onde o CAF, através de sua plataforma financeira, contrata instrumentos de cobertura cambial e de taxa de juros para seus clientes. Desta forma, viabilizar operações às instituições de fomento de menor porte. O CAF cumpriu uma série de medidas internas que possibilitaram a utilização das linhas de crédito em tempo conveniente e com taxas de juros e riscos cambiais viáveis.

Um dos instrumentos é a contratação de derivativos que cobrem os riscos cambiais e de taxas de juros para cada desembolso a ser realizado para os bancos regionais. Desta maneira, cada banco evitaria estar sujeito à flutuação de moeda e de juros, assegurando maior previsibilidade tanto para os bancos quanto para os clientes finais.

Este serviço, conforme os técnicos do CAF, ajudou a catalisar os repasses de recursos em 2020, com a primeira operação de desembolso em reais, para a Desenvolve SP, seguida de outra para o BRDE. Completando a atuação neste segmento, segue o relacionamento do CAF com bancos privados como Santander, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco por meio de linhas de crédito.  O total de desembolsos para o segmento não soberano alcançou a marca de US$ 1,44 bilhão.

O Brasil recebeu, em 2020, o maior volume de recursos em cooperações técnicas desde que ingressou como sócio do CAF, em 2007, num total de US$ 5 milhões, sendo que US$ 3 milhões foram para a realização de um estudo detalhado sobre um novo modelo de concessão de ferrovias da Malha Oeste.

O Brasil alcançou o maior volume de desembolsos do banco em 2020 e também registrou o mais elevado número de projetos considerados “verdes” que, na definição do CAF, são aqueles que apresentam ações de mitigação e/ou adaptação às mudanças do clima bem como aquelas que dão valor ao capital natural.

Inicialmente,  o período foi marcado pela concentração de esforços para apoiar o país na condução das medidas de combate à pandemia de Covid-19,  na busca pela reativação econômica, através de operações sem garantia soberana ou cooperações técnicas.

Para a diretoria do CAF, naquele momento era primordial que houvesse uma continuidade dos financiamentos para estados e municípios para obras de desenvolvimento urbano e regional e para o setor privado brasileiro, em operações voltadas para a melhoria da competitividade nacional.

O CAF executa como uma de suas estratégias o trabalho direto com bancos de desenvolvimento regionais, que por sua vez conseguem chegar aos micro e pequenos empresários do país. “É uma maneira interessante e bastante factível de alcançar os beneficiários finais do Brasil, já que os bancos de desenvolvimento regionais possuem excelentes ferramentas e estrutura de atendimento a este público”, afirma Jaime Holguín, representante do CAF no país.

“Diferentemente de um empréstimo tradicional, a linha de crédito para os bancos regionais de desenvolvimento funciona como um crédito rotativo, que pode ser acessado e, depois de quitado, pode ser novamente acionado”, explica Holguín. Segundo ele, desta maneira, se alcança uma maior agilidade no atendimento dos pequenos empresários, porque se fosse realizada, a cada operação de empréstimo aos bancos, toda a análise institucional e financeira necessária, demoraria tempo demais, deixando milhares de pessoas sem atendimento.

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