Silêncio da mídia corporativa sobre Plano de Reconstrução do Brasil do PT

O Partido dos Trabalhadores apresentou nesta semana o Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil. Como era de se esperar, a mídia corporativa ignorou o programa de 210 páginas, que se divide em três partes: um diagnóstico, as medidas emergenciais e as propostas para o futuro do Brasil.

No Brasil, a mídia corporativa ignora qualquer proposta, além de um Liberalismo distorcido, ainda com o velho discurso da mão invisível do mercado. Como diz o economista André Lara Resende, um dos pais dos planos Cruzado e Real, a atual política econômica do governo brasileiro é fruto de mitos e de um liberalismo anacrônico de Chicago dos anos 1960.

O que vivemos no Brasil e no mundo é a financeirização, que representa uma alteração nas configurações do sistema capitalista, radicalizando a concentração de renda e aumento da miséria. A partir da década de 1980, ocorre um aumento de transações financeiras por meio da liberalização e da desregulamentação de mercados e de atividades financeiras no mundo.

Do pós-guerra até antes da virada dos anos 1970 as finanças eram muito mais restritas e elas serviam muito mais ao fomento da produção. Foram os anos dourados do Estado do Bem-Estar Social. Depois, por diversos mecanismos, aconteceram as transferências de riqueza da produção para os mercados financeiros, com o dinheiro ficando cada vez mais nas mãos de poucos, além da transferência das estatais às multinacionais, na periferia.

O eixo estruturador do programa do PT é um novo processo de desenvolvimento e exatamente a volta do fortalecimento do Estado do Bem-Estar. “A promoção do emprego decente e a distribuição da renda e do patrimônio um novo modelo econômico e social, que possibilite o crescimento sustentado e sustentável.”

Esse modelo de desenvolvimento, diz o documento, não poderá ser alcançado sem uma profunda reorganização das relações entre Estado, mercado e sociedade. “Assim, o Estado reformado terá de ter papel de protagonista na construção do novo Brasil, estimular os investimentos e o crescimento econômico.”

No cenário pós-pandemia, continua o texto, “caberá ao Estado planejar, projetar, gastar, induzir e estimular a retomada do crescimento e a geração de empregos. Para isso, será necessário promover profundas mudanças nas estruturas fiscal, tributária e bancária para habilitar o Estado brasileiro a cumprir suas funções.”

O PT toca na questão central que já atormentava a economia mundial antes mesmo da pandemia, com um ambiente de instabilidade em decorrência da financeirização da economia e o enfraquecimento do Estado. Segundo o documento, “os falsos limites dados pela ortodoxia fiscal permanente e pelo absurdo e insustentável teto de gastos declinante por 20 anos da Emenda Constitucional nº 95 precisam ser eliminados com urgência. Assim como também têm de ser revistas as autoimposições de limites de gastos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela chamada Regra de Ouro, que inibem gastos públicos.”

A proposta do PT é algo próximo de um novo New Deal, plano coordenado pelo Estados Unidos sob o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt. A ideia era que o Estado usasse do seu poder para acelerar a aprovação de medidas e de ferramentas de ampliação de gastos, para recuperar a economia norte-americana após a Grande Depressão dos anos 1930. O New Deal foi influenciado pela teoria econômica de John Keynes, economista britânico que apontava a necessidade da mediação econômica do Estado para garantir o bem-estar da população.

Portanto, se tivéssemos uma mídia corporativa que minimamente cumprisse o seu papel de ouvir os dois lados, o debate após o lançamento do plano do PT seria um prosaico Liberalismo x Keynesianismo.

No entanto, voltamos aos tempos de Star Wars e o império do mal contra-ataca. Como dizia o falecido jornalista santanense Buonocuore: que atraso aqui em Campanha.

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