A estranha renúncia de José Fortunati

Na foto, Fortunati e Raul Pont, ambos no PT, onde o ex-prefeito começou sua carreira política /Arquivo JÁ

A candidatura de José Fortunati, cuja carreira começou no PT de Olívio Dutra e termina no PTB de Roberto Jefferson, surgiu como uma surpresa, depois dele ter anunciado sua saída da vida pública.

A candidatura foi surpresa não só pela prévia declaração de aposentadoria. Mas, também, pelo comportamento de Fortunati no último ano como prefeito, quando sumiu da Prefeitura, entregando o governo municipal ao vice Sebastião Melo.

Simbólico dessa situação foi o fato de Fortunati continuar suas férias num cruzeiro pelo Oceano Pacífico, no dia 29 de janeiro de 2016, quando um vendaval sem precedentes devastou Porto Alegre. Alegou que teria que usar um helicóptero para voltar, o que “seria oneroso para a cidade”.

Por tudo isso, no meio político não faltou quem visse na chapa liderada por Fortunati uma linha auxiliar da candidatura de seu ex-vice, Sebastião Melo.

A causa da renúncia – a impugnação do candidato a vice em sua chapa, André Cechini, do Patriotas – é frágil e também não foi surpresa.

Antes mesmo da decisão do TRE, ele havia sido questionado sobre a possibilidade de impugnação do registro do vice e minimizou, dizendo que o jurídico do partido (o PTB) havia analisado a questão e concluído que não havia risco de impugnação. Rosane de Oliveira registrou isso em sua coluna na ZH, há dois dias.

Considere-se que a denúncia da irregularidade na filiação de Cechini foi feita por um vereador do PRTB, da coligação que apoia Melo.

A precipitada renúncia de Fortunati na manhã desta quarta-feira, por causa de uma decisão da qual ainda poderia recorrer, e o imediato apoio do PTB a Sebastião Melo são evidentes indícios de um entendimento prévio.

O alvo era o prefeito Nelson Marchezan, que vê reduzidas as suas chances de chegar ao segundo turno, que provavelmente será disputado entre Manuela D’Ávila e Sebastião Melo.

 

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