A morte de José Wilson, o “Tenente Vermelho”: amigos suspeitam que foi execução

O casal já dormia. Ela despertou com um barulho na porta de entrada da casa e acordou o marido, de 89 anos. Ele apanhou um facão e foi ver o que havia. Desceu para o térreo da casa e recebeu o primeiro tiro. Tentou voltar e recebeu a segunda bala pelas costas.

O assassinato  ocorreu durante a madrugada de sexta-feira, 10/12 dezembro  na rua Paissandu, no bairro Partenon, em Porto Alegre.

José Wilson da Silva, a vítima, era capitão reformado do Exército e ficou nacionalmente conhecido como o “Tenente Vermelho”, apelido que ganhou nos anos de resistência ao golpe de 1964.

Ele já havia programado com os amigos mais próximos um jantar para comemorar os 90 anos, transcorridos nesta segunda feira, 13.

Um vizinho disse a polícia que viu dois homens se afastando do local, logo após os tiros. Outros relataram o barulho de um carro saindo em alta velocidade.

O fato de nada ter sido roubado e a facilidade com que os assassinos entraram na casa  (tudo indica que tinham a chave da porta) levam à suspeita de que não tenha sido latrocínio (matar para roubar) mas uma execução premeditada.

Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, um dos amigos mais próximos de José Wilson, é um dos que vê no crime “todas as características de uma execução”.

Ele estranha, inclusive, o fato de José Wilson, um militar que certamente tinha uma arma de fogo em casa, usar um facão. “Há um mês ele havia trocado as chaves da porta e dos portões que dão acesso á casa. Por que fez isso e como é que os caras entraram com toda a facilidade?”

O deputado Raul Carrion, um dos líderes do PC do B no Rio Grande do Sul, partido ao qual José Wilson era filiado, também vê indícios de crime premeditado. “É muito esquisita essa história, não há como não suspeitar de uma execução”, disse ele ao JÁ.

José Wilson foi um dos militares mais próximos de Leonel Brizola. Eleito vereador em Porto Alegre pelo PTB, ficou no cargo três meses, de janeiro a março de 1964, quando foi cassado pelo golpe militar e foi para o exílio no Uruguai.

Voltou ao Brasil com a anistia, em 1979 e foi um dos fundadores da Associação de Defesa e Pró-Anistia dos Atingidos pelos Atos Institucionais, da qual ainda era o presidente.

“Como não houve ruído e não há arrombamento, deduzimos que os matadores tinham chaves da residência. Até por isso, o caso ainda é investigado como homicídio e não como latrocínio (matar para roubar)”, disse a delegada Isadora Galian, que investiga o caso.

Não há, no entanto,  registro de ameaças recebidas pelo ex-vereador, e os familiares (companheira,  a filha dela e duas filhas de Wilson) não relataram que ele tivesse qualquer desavença.

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