Está confirmada a quebra de uma tradição. O presidente Jair Bolsonaro decidiu nomear o professor Carlos Bulhões Mendes como o novo reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele era o terceiro da lista tríplice encaminhada ao MEC.
A decisão saiu no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 16/09.
A nomeação confirma as especulações de apoiadores do presidente e a campanha pública feita pelo deputado federal Bibo Nunes (PSL) de que a escolha não seria a chapa vencedora na eleição da comunidade acadêmica.
O atual reitor, Rui Opperman, foi o primeiro colocado na eleição interna (professores, alunos e funcionários) em julho.
No Conselho Universitário, Oppermann, e sua vice, Jane Tutikian, tiveram o primeiro lugar com 45 votos, contra 29 de Karla Müller e Claudia Wassermann, que ficaram no segundo lugar.
A chapa de Bulhões e Patricia Pranke ficou em terceiro lugar, com apenas três votos.
É a segunda vez desde a redememocratização que o nome mais votado não foi aceito pela Presidência: a outra foi em 1988, quando havia uma lista sêxtupla.
Na votação aberta com alunos, professores e funcionários, a chapa que mais votos obteve foi encabeçada pela professora Karla Müller, com 8.947 votos no total, contra 4.683 de Oppermann e 1.860 de Bulhões.
Desde o último ano, norma do Ministério da Educação determina pesos diferentes aos votantes – os professores têm peso de 0,7, enquanto alunos e funcionários tem, cada um, peso de 0,15 (mais de quatro vezes menos); com 1.454 votos do corpo docente, a vitória acabou com Rui Oppermann.
Nesta votação online em julho, que é para o quadriênio 2020/2024, houve uma participação sem precedentes. Foram computados 15.700 votos, mais que o dobro da última em eleição, em 2016, quando apenas 7.700 compareceram para votar.
A participação de mais de 11 mil alunos fez a diferença e deu a nota polêmica da eleição. Eles votaram em massa na chapa 3, encabeçada pela professora Karla Maria Müller, diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, que seria a vencedora se os votos de professores, alunos e funcionários fossem paritários.
Mesmo com a decisão do Conselho de referendar Opperman, o deputado Bibo Nunes encampou a campanha pela nomeação de Bulhões, muitas vezes enfatizando o caráter “esquerdista” dos outros concorrentes. Ainda que o próprio atual reitor Oppermann se declare um moderado.
A possível nomeação de Bulhões já gerou protestos de estudantes e há grupos de discussão online que contesta a sua nomeação e defendem o respeito à vontade da comunidade acadêmica. Mas o presidente Bolsonaro tem a prerrogativa legal da nomeação.
A repercussão foi grande nas redes sociais, O DCE, entidade de representação estudantil da UFRGS, promete uma manifestação no dia 17 contra a nomeação de Bulhõese e contra o que chama de intervenção.
O mandato do novo reitor é de quatro anos. A posse de Bulhões será agora marcada pelo MEC.
Carlos Bulhões terá a professora Patrícia Helena Lucas Pranke como vice-reitora. Engenheiro civil de formação, o professor tem mestrado, doutorado e pós-doutorado na área. O educador nasceu em Alagoas e vive em Porto Alegre há 30 anos.



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Nelson Marchezan Júnior (PSDB)
Rodrigo Maroni (PROS)
Sebastião Melo (MDB)
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Fotos: Reprodução Redes Sociais

