Autor: da Redação

  • Deputados gaúchos aprovam parcelamento do pagamento do IPVA

    Na tarde desta quarta-feira, 02/09, a Assembleia gaúcha realizou sua 22ª sessão extraordinária virtual e aprovou o parcelamento do pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

    O PL 84/2020, do deputado Tenente-Coronel Zucco (PSL), recebeu 52 votos favoráveis e nenhum contrário. O objetivo é possibilitar que o pagamento do IPVA seja feito de forma parcelada. No texto original, o parcelamento proposto é de até 12 vezes, mas, com a aprovação de emenda do próprio Zucco, por unanimidade (53 votos favoráveis), o pagamento do imposto poderá ser feito em até 10 parcelas, a partir de 2021.

    Agora, o texto vai para sanção, ou veto, do governador Eduardo Leite.

  • Governo vai imprimir R$ 90 bilhões em notas de 200 até o fim do ano: “Brasileiro está preferindo o dinheiro em espécie”, diz o Banco Central

    Governo vai imprimir R$ 90 bilhões em notas de 200 até o fim do ano: “Brasileiro está preferindo o dinheiro em espécie”, diz o Banco Central

    A nota de R$ 200 começou a circular neste 2 de setembro.

    Há explicações técnicas para a necessidade da nova nota, mas o senso popular ainda não entendeu os motivos, como indicam as piadas nas redes sociais.

    Segundo o Banco Central (BC), será a sétima cédula da família de notas do Real e traz a imagem do lobo guará, espécie da fauna brasileira ameaçada de extinção.

    Serão produzidas neste ano 450 milhões de unidades, num total de 90 bilhões de reais.

    Um evento do Banco Central apresentou a nova cédula de R$ 200, em Brasilia.

    Ela passa a valer imediatamente e começa a circular conforme a demanda.

    O presidente do BC, Roberto Campos Neto, explicou que a nova cédula “é fundamental para evitar um eventual desabastecimento do papel-moeda frente ao aumento da demanda por dinheiro em espécie desde o início da pandemia do novo coronavírus”.

    “O aumento foi verificado no Brasil desde o início da pandemia, mas não foi exclusividade do nosso país. Outras nações viveram fenômeno semelhante. Em momentos de incerteza, é natural que as pessoas busquem a garantia de uma reserva em dinheiro”, afirmou Campos Neto durante o discurso de lançamento do novo modelo.

    A nota tem o mesmo formato e dimensões da cédula de R$ 20 (14,2cm x 6,5cm).

    A decisão de manter o formato, segundo o BC, é para melhor adaptação aos caixas eletrônicos e demais equipamentos automáticos que aceitam e fornecem cédulas de dinheiro.

    “Como estamos vivendo um momento sem precedentes na história, não há como prever se essa demanda por dinheiro em espécie continuará aumentando, e por quanto tempo. Esse momento se mostrou oportuno para o lançamento de uma cédula de maior valor, cujo pré-projeto já existia desde o lançamento da segunda família de cédulas, em 2010”, explicou Campos Neto.

    Ao também justificar a necessidade da nova cédula, a diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros, explicou que a estimativa de papel-moeda projetada pelo Banco Central tornaria inviável a reposição com a impressão de novas notas de R$ 100.

    Segundo ela, os cálculos do BC, em análise conservadora, estimavam a necessidade de um adicional de R$ 105,9 bilhões, em valor financeiro, que precisaria ser gerado em um espaço de cinco meses. Isso sem contar as encomendas de novas cédulas e moedas previstas para o ano, da ordem de R$ 64 bilhões, também em valor financeiro.

    “A Casa da Moeda do Brasil possui um parque fabril dimensionado para as necessidades brasileiras conforme o padrão histórico verificado até aqui. No entanto, a fim de gerar maior volume financeiro em menor espaço de tempo, imprimir cédulas de R$ 100 não seria uma alternativa factível, pois a capacidade de produção da referida denominação em 2020 já estava integralmente adquirida”, explicou a diretora.

    Características

    A cédula de R$ 200 é impressa em papel fiduciário, que tem uma textura mais firme e áspera que o papel comum. Pelo tato, é possível sentir um alto-relevo em algumas áreas da nota, como nas legendas “Banco Central do Brasil” e “República Federativa do Brasil”, nos numerais impressos na frente e no verso, na faixa vertical de folhas, nas flores e no fruto, na efígie da República (frente) e no lobo-guará (verso).

    Sob luz ultravioleta, é possível enxergar o número 200 na frente e a numeração vermelha do verso aparece na cor amarela. Além disso, pequenos fios coloridos se tornam visíveis. Ao colocar a nota na altura dos olhos, na posição horizontal, é possível ver o número 200 sob o desenho de um arbusto, no canto direito inferior da cédula, em sua face frontal.

    A marca-d’água da nova cédula permite visualizar, se colocada contra a luz, a figura de um lobo-guará e o número 200, em tons que variam do claro ao escuro. Também ao posicionar a cédula contra a luz, o fio de segurança fica visível, próximo ao meio da nota.

    A partir de hoje e até o final de setembro, o governo federal vai veicular uma campanha publicitária de apresentação da nova cédula de R$ 200 nos meios de comunicação e na internet.

    O lobo-guará foi escolhido em pesquisa realizada pelo BC em 2001 para eleger quais espécies da fauna brasileira deveriam ser estampadas nas cédulas do país.

    De acordo com o Banco Central, o lançamento da nova nota é uma forma de a instituição agir preventivamente para a possibilidade de aumento da demanda da população por papel moeda.

    (Com a Agência Brasil)

    NOTA DO REDATOR: A primeira versão desta matéria continha um cálculo equivocado no título. Os 450 milhões de cédulas de 200 reais que serão impressas até o fim do ano somam R$ 90 bilhões e não 900 bilhões como saiu na primeira versão.

  • Operação do MP contra a milícia do Rio das Pedras

    O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpre hoje (2) três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão contra acusados de integrar a milícia que controla a região de Rio das Pedras, na zona oeste da cidade do Rio.

    Além dos três alvos com mandado de prisão decretada, outras três pessoas foram denunciadas à Justiça.

    A Operação Intocáveis III é um desdobramento da operação Os Intocáveis, desencadeada em janeiro do ano passado ((https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-01/cinco-dos-principais-lideres-de-milicias-sao-presos-no-rio).

    Segundo as investigações, Marcus Vinícius Reis dos Santos é braço direito de Mauricio Silva da Costa, apontado pelo MPRJ como chefe da milícia, e continua dando ordens ao grupo mesmo estando preso.

    O grupo explora diversas atividades criminosas, como extorsões, grilagem e agiotagem. O MPRJ conseguiu rastrear pelo menos R$ 5,79 milhões movimentados pelo grupo.

    O dinheiro obtido pela organização criminosa foi lavado através da compra de imóveis e constituição de empresas com ajuda de laranjas.

  • Universidade não tem onde instalar equipamentos que herdou da Fundação de Ciência e Tecnologia

    Universidade não tem onde instalar equipamentos que herdou da Fundação de Ciência e Tecnologia

    Um acordo na Justiça destinou para a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul todos os equipamentos e laboratórios da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), em processo de extinção desde 2016.

    Problema agora é: para onde os aparelhos e equipamentos serão levados, uma vez que Uergs não possui espaço físico que comporte sua instalação?

    Como forma de destravar a extinção da Cientec, o Governo do Estado aceitou destinar parte dos equipamentos da fundação pública de direito privado para a Universidade Estadual do RS (Uergs).

    O acordo judicial, reivindicação liderada desde 2019 pelo Sindicato dos Engenheiros (Senge), foi homologado pela juíza Cristina Luisa Marquesan da Silva, no último dia 26 de agosto.

    Além do Senge-RS, apoiam a iniciativa pró-reitores e professores da Uergs, além de pesquisadores da Cientec.

    O problema agora, segundo o diretor do Senge, engenheiro civil João Leal Vivian, é achar um local para onde os equipamentos serão levados, uma vez que a universidade estadual não possui uma sede, um campus, que abrigue adequadamente esses equipamentos.

    “É uma vitória potencializar a Universidade Estadual do RS para atender às demandas e políticas públicas nos eixos da energia, agricultura, meio ambiente, infraestrutura, tecnologia e inovação, mas agora temos outra questão para resolver que é a logística desses equipamentos, desinstalação e instalação”, destaca João Leal Vivian, diretor do Senge-RS.

    Desde o dia 27 de dezembro de 2018, uma Ação Civil Pública, proposta pelo Ministério Público contra o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, suspendia os atos do processo de extinção da Cientec.

    “Precisamos aguardar o planejamento do Governo do Estado para viabilizar a infraestrutura necessária para que a “Nova Uergs” esteja operacional o mais rápido possível. Será na sede da Cientec na Washington Luiz? Como se dará a desinstalação, transporte e instalação dos equipamentos? Qual o planejamento físico-financeiro para que tudo isso ocorra da melhor forma e com o menor dano ao patrimônio público do estado do RS?”, questiona Vivian.

    Vários equipamentos que compõe laboratórios, hoje em poder do Cientec, não funcionam separadamente. Demanda toda uma infraestrutura física como uma sala climatizada, infraestrutura elétrica, de gases, sistema de exaustão e bancadas, por exemplo.

    “São vários laboratórios e centenas de equipamentos, que demandam grande infraestrutura. Nada disso é falado no acordo judicial. E a operação desses equipamentos? Demandam equipe especializada e treinada, bem como insumos”, alerta Vivian.

  • Mourão garante aos chineses que não haverá restrições no leilão do 5G

    Mourão garante aos chineses que não haverá restrições no leilão do 5G

    O vice-presidente Hamilton Mourão deu uma entrevista exclusiva à Xinhua, a maior agência de notícias do governo chinês, nesta terça-feira, 01, no Rio.

    Assinada por Janaína Câmara e Zhao Yan, a entrevista destacou as declarações de Mourão sobre o leilão das frequências de 5G no Brasil, previsto para o primeiro semestre de 2021.

    Mourão garantiu que o leilão “seguirá padrões técnicos e que não há qualquer restrição a empresas de quaisquer países”.

    A tecnologia do 5G, que vai revolucionar a internet, é o principal campo da disputa político-comercial entre China e Estados Unidos

    Disse Mourão: “Não distinguimos as empresas pelo país de origem, mas sim pela sua capacidade em oferecer produtos e serviços confiáveis, seguros e, obviamente, a preços competitivos”.

    Mourão lembrou que a empresa chinesa Huawei “é hoje um importante fornecedor de equipamentos com ampla presença no mercado brasileiro”..

    Segundo ele, haveria “um custo exorbitante” para retirar a empresa da rede brasileira, além de que, caso houvesse decisão neste sentido, isso atrasaria a instalação da rede 5G.

    “Nossas decisões nesta matéria, assim como em qualquer outra, serão soberanas e responsáveis, seguindo critérios técnicos, econômicos e de segurança nacional que forem estabelecidos por nossas autoridades competentes”, garantiu o vice-presidente.

    Segundo Mourão, sob seu ponto de vista, não há pressão ou ameaça dos Estados Unidos sobre os países que vierem a adotar tecnologias de empresas chinesas. O que houve, de acordo com o vice-presidente, foi um alerta para os riscos à segurança que os americanos identificaram nestas novas tecnologias.

    No Brasil, Mourão acredita que possíveis considerações de segurança podem ser mitigadas por um marco regulatório eficiente.

    Relações entre China e Brasil

    Mourão lembrou visitas bilaterais de alto nível nos atuais governos do Brasil e China, calendário que sofreu alterações neste ano devido à pandemia do coronavírus.

    Segundo ele, apesar da situação, o diálogo diplomático teve continuidade por meio de videoconferências.

    “Os resultados do comércio bilateral também confirmam o bom estado das relações entre os dois países. Apesar da pandemia, nossas exportações para a China representaram 34% do total das exportações brasileiras entre janeiro e julho deste ano, ante 28% no mesmo período do ano passado. Tivemos um aumento expressivo da exportação de carne, que passaram a responder por 15% das nossas vendas para a China, mas nossa pauta ainda permanece centrada na soja, que concentrou 70% do valor exportado no primeiro semestre. Por isso precisamos diversificar esta pauta exportadora, colocando produtos com maior valor agregado, além de serviços”, disse Mourão.

    O vice-presidente lembrou o fato de a China ser o maior parceiro comercial brasileiro desde 2009 e importante emissor de investimentos. O Brasil, disse, é um fornecedor estável e confiável de segurança alimentar para a China.

    “Os dois países exercem crescente influência nas discussões e fóruns, como o G20 e o BRICS, e por esta razão, ainda no ano de 2012, a relação bilateral entre os dois países foi elevada à categoria de Parceria Estratégica Global”, afirmou Mourão.

    Investimentos chineses

    Segundo o vice-presidente, ao mesmo tempo em que os chineses demonstram interesse, capital e experiência para ampliar investimentos no Brasil, o atual governo brasileiro tem uma sólida carteira de projetos e um extenso cronograma de leilões. Entre as prioridades brasileiras, afirmou, há os setores de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável, sobretudo para a Amazônia.

    “Queremos transformar a nossa Amazônia num centro de referência para a bioeconomia, mas para isso precisamos de investimento na infraestrutura, além de em pesquisa e desenvolvimento. O Conselho Nacional da Amazônia Legal trabalha para uma nova política de Estado para a Amazônia que contempla estas e outras dimensões”, disse.

    Mourão é presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal. Ele afirma que há oportunidades no desenvolvimento em infraestrutura, na bioeconomia e na agricultura de baixo carbono. Segundo ele, a ideia é apresentar às autoridades chinesas a agenda para a Amazônia a fim de se explorarem pontos de convergência em projetos de desenvolvimento sustentável e preservação da floresta.

    No campo do investimento, o vice-presidente destacou a recente adesão do Brasil ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) e a abertura do escritório do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco dos BRICS, em São Paulo. Para ele, há expectativa de que estas instituições aumentem a participação no financiamento da infraestrutura, facilitando a retomada do crescimento econômico brasileiro.

    O vice-presidente revelou ainda que autoridades da área econômica estudam a possibilidade da criação de um mecanismo de conversão cambial direta, o chamado clearing, que permite a conversão direta entre as moedas da China e do Brasil, o Renminbi e o Real. Segundo ele, a implantação de tal mecanismo reduziria custos de transação em operações de exportação e nos investimentos.

    Expectativas para a Cosban

    Mourão, também presidente da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), mecanismo entre China e Brasil criado em 2004, afirmou que o próximo encontro já está sendo discutido. A 6ª Reunião da Cosban se realizará no Brasil, em 2021.

    “Na 5ª reunião realizada em maio do ano passado em Pequim, identificamos a necessidade de se aprimorar essa estrutura do nosso principal mecanismo bilateral. Além de renovar os instrumentos bilaterais de planejamento de longo prazo, como Plano de Ação Conjunta e o Plano Decenal de Cooperação, que se encerram no próximo ano”, disse o vice-presidente.

    Para Mourão, a próxima Cosban será uma oportunidade para a atualização do arcabouço bilateral, e ainda neste mês o Itamaraty iniciará consultas sobre a posição nacional para a 6ª Reunião da Cosban, o que inclui reuniões de diferentes ministérios para identificar as prioridades e propostas de aprimoramento da Comissão e dos documentos bilaterais. Segundo o vice-presidente, haverá consultas aos setores privado e acadêmico.

    “No momento em que contabilizamos as perdas e os prejuízos impostos pela pandemia da COVID-19, é mais importante ainda reforçar os laços de diálogo, cooperação e solidariedade entre as nossas nações. Acreditamos firmemente que a Cosban é um modelo de cooperação bilateral entre dois grandes países em desenvolvimento, como são Brasil e China”, afirmou.

    Cooperação para o combate à pandemia

    O vice-presidente brasileiro destacou que os chineses cooperam com o Brasil em diferentes frentes de combate à pandemia, seja no fornecimento de materiais, de equipamentos, seja no desenvolvimento da vacina. Segundo Mourão, em setembro os chanceleres dos dois países devem se reunir.

    “Sabemos do avançado estágio das pesquisas chinesas na busca da vacina, de um instrumento eficaz que permita que haja um avanço na imunização das pessoas. Eu considero este um campo de cooperação extremamente importante”, afirmou o vice-presidente, que lembrou que uma segunda fase da cooperação sino-brasileira é concentrada nas trocas entre profissionais médicos de ambos os países, onde hoje há mais conhecimento sobre a própria doença e seu tratamento. Segundo ele, os médicos compreenderam que o tratamento precoce é fundamental para evitar o agravamento da doença.

    O vice-presidente afirmou que no Brasil já houve um grau de letalidade maior, já esteve em 7,5% e 8%, e hoje ele está na faixa de 3%, 3,5%. Em alguns Estados da federação, na região Norte, tal índice está na faixa de 1,5%, 1,6%. Isso é trabalho da medicina.

    Sobre a doação de material médico e de proteção da Embaixada da China no Brasil avaliado em R$ 1,5 milhão e destinado às comunidades da Amazônia, o vice-presidente disse que esta é bem-vinda e que ele já teve oportunidade de testemunhar a doação de máscaras pela China em São Paulo. Segundo ele, a próxima doação poderia ser feita via governo brasileiro ou junto ao Consórcio da Amazônia, que reúne os governadores da região.

    “Eu acho que Brasil e China podem trabalhar lado a lado no sentido de trazer a comunidade mundial para um acercamento maior e entendermos todos que o enfrentamento da pandemia será mais eficaz se todos estivermos unidos e difundindo os resultados positivos que formos alcançando”, afirmou.

     

  • Liminar da Justiça suspende processo de impeachment e Marchezan ganha tempo na corrida pela reeleição

    Liminar da Justiça suspende processo de impeachment e Marchezan ganha tempo na corrida pela reeleição

    O jogo político na Capital gaúcha ganhou um novo componente nesta terça-feira, 01/09, com a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul de suspender o processo de impeachment contra o prefeito Nelson Marchezan Júnior.

    Com relação bélica na Câmara de Vereadores, onde a projeção para o desfecho do processo não é boa, o prefeito Marchezan ganhou na Justiça, talvez, o tempo necessário para que possa participar da campanha, que começa dia 27 de setembro. O primeiro turno das eleições vai ocorrer no dia 15 de novembro, e a princípio, o processo de impeachment deveria ser votado dia 9 de novembro, dias antes do primeiro turno.

    Mas a liminar, assinada pelo juiz Cristiano Vilhalba Flores, colocou em suspensão o processo. O magistrado alegou que o prefeito foi prejudicado em sua defesa e que os vereadores não seguiram o rito correto do processo, tendo sido “vedada a participação de seu procurador na sessão em que fora votado o parecer pelo prosseguimento do processo”. A tramitação do impeachment está suspensa até o julgamento do mérito.

    O uso de recursos do Fundo Municipal de Saúde para pagamento de gastos com publicidade é a base para as denúncias encaminhadas a Câmara Municipal. Dados disponíveis no Portal Transparência do Executivo mostram ter o prefeito autorizado a aplicação de R$ 2.414.465,14 deste fundo em despesas de divulgação publicitária. Mas o montante pode chegar a R$ 3.122.799,40, usados para os pagamentos de material, não apenas com órgãos de imprensa da capital, mas também “além dos limites do Município de Porto Alegre”. Quando, em 5 de agosto, a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment, a votação foi de 31 a favor e quatro contra.

    O presidente da comissão processante, o vereador Hamilton Sossmeier, e presidente do legislativo municipal, Reginaldo Pujol, já disseram que irão recorrer da decisão e pretendem retomar o processo.

    Nota do presidente da Comissão Processante:

    “A Presidência da Comissão Processante foi notificada no dia de hoje, através do Procurador da Câmara de Vereadores, acerca da decisão que suspende o andamento do processo de impeachment.

    Cumpre esclarecer que se tratava de uma reunião apenas para apresentação do parecer pelo relator da comissão, vereador Alvoni Medina, que opinaria quanto ao prosseguimento ou arquivamento da denúncia feita contra o Prefeito, após, seriam colhidos os votos dos integrantes da comissão e, de acordo com o Decreto-Lei 201/67, legislação de regência no caso concreto, não há previsão de fala por parte da defesa do denunciado.

    Tudo foi feito exatamente dentro do procedimento previsto na referida Legislação.Não houve, portanto, cerceamento de defesa durante o trabalho dessa Comissão Processante.

    Tomaremos as medidas judiciais cabíveis, a partir de hoje, para viabilizar o prosseguimento do processo”.

  • Sem aumento real pelo segundo ano, salário mínimo para 2021 ficará em R$ 1.067

    Sem aumento real pelo segundo ano, salário mínimo para 2021 ficará em R$ 1.067

    Para o Governo Federal, a queda da inflação justifica reduzir o reajuste do salário mínimo para o próximo ano. Segundo o projeto do Orçamento de 2021, enviado hoje , 31/08, ao Congresso, o mínimo subirá para R$ 1.067 em 2021.

    O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021, enviado em abril, fixava o salário mínimo em R$ 1.075 para o próximo ano.

    O valor, no entanto, pode ser revisto na proposta de Orçamento da União dependendo da evolução dos parâmetros econômicos.

    Segundo o Ministério da Economia, a queda da inflação decorrente da retração da atividade econômica impactou o reajuste do mínimo.

    Em abril, a pasta estimava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) encerraria 2020 em 3,19%. No projeto do Orçamento, a estimativa foi revisada para 2,09%.

    A regra de reajuste do salário mínimo que estabelecia a correção do INPC do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) de dois anos antes perdeu a validade em 2019, e não foi renovada.

    O salário mínimo agora é corrigido apenas pelo INPC, considerando o princípio da Constituição de preservação do poder de compra do mínimo.

    PIB – O projeto do Orçamento também reduziu as estimativas de crescimento econômico para o próximo ano na comparação com os parâmetros da LDO. A projeção de crescimento do PIB passou de 3,3% para 3,2% em 2021. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como índice oficial de inflação, caiu de 3,65% para 3,24%.

    Outros parâmetros foram revisados. Por causa da queda da Selic (juros básicos da economia), a proposta do Orçamento prevê que a taxa encerrará 2021 em 2,13% ao ano, contra projeção de 4,33% ao ano que constava na LDO. O dólar médio chegará a R$ 5,11 em 2021, contra estimativa de R$ 4,29 da LDO.

    (Com informações da Agência Brasil)

  • Pressão de vereadores continua e relatório de CPI indica crimes cometidos por Marchezan

    Pressão de vereadores continua e relatório de CPI indica crimes cometidos por Marchezan

    O processo de desgaste entre o prefeito Nelson Marchezan Júnior e os vereadores de Porto Alegre continua. Nesta segunda-feira, 31/8, o relatório da CPI da Câmara Municipal que investiga a gestão do prefeito foi apresentado e aponta que o prefeito cometeu ao menos seis delitos: advocacia administrativa, tráfico de influência, improbidade administrativa, dispensa de licitação, corrupção passiva e tráfico de interesses.

    Além da CPI, Marchezan responde a um processo de impeachment, por suposto uso de verbas da saúde em publicidade, em pleno ano eleitoral.
    O texto da CPI foi apresentado e votado nesta segunda-feira, recomendando o indiciamento do prefeito, do secretário municipal de Relações Institucionais, Christian Wyse de Lemos, e do empresário Michel Costa, que foi diretor da Procempa e presidente do Conselho de Administração da Carris. Conforme o relator, Professor Wambert (PTB). O secretário Christian de Lemos teve recomendação de indiciamento por falso testemunho com relação ao Banco de Talentos e o empresário Michel Costa por tráfico de influência.

    Agora, o material será enviado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, que decidirão se abrem processo contra os apontados na peça.

    Marchezan classifica texto como inútil

    O prefeito Nelson Marchezan Júnior divulgou nota em que sustenta o caráter eleitoreiro do processo: “Tem uma tentativa de desgastar a imagem da gestão no período eleitoral”, diz.

    Para Marchezan o texto do relatório da CPI “será mais um que fará parte dos arquivos inúteis do Legislativo”, e que as denúncias contra ele são requentadas.

    A CPI, instalada em outubro de 2019, investiga fatos relacionados às denúncias apresentadas na quinta solicitação de abertura de processo de impeachment contra o prefeito. O pedido acabou rejeitado pelo Plenário em setembro de 2019, mas as denúncias nele contidas resultaram na abertura da CPI um mês depois.

    Integraram as investigações as denúncias relativas ao Banco de Talentos; ao favorecimento ilegal de empresas no transporte público municipal por Michel Costa, ex-diretor da Procempa e ex-presidente do Conselho de Administração da Carris; e a irregularidades na locação, pela Prefeitura, de um prédio na avenida Júlio de Castilhos para abrigar setores administrativos de órgãos do município. Neste último caso, o relatório não aponta irregularidades.

    No caso do Banco de Talentos, o relatório entende que “o prefeito utilizou o meio para camuflar contratações políticas que implicaram em demissões arbitrárias posteriormente”.

    Sobre a relação entre Marchezan e Michel Costa, foi considerado que o prefeito e o empresário formaram um coluio e obtiveram “vantagens indevidas”, pois Costa teve acesso as informações privilegiadas ao exercer a direção da estatal de processamento de dados da prefeitura. Costa é sócio da Safeconecta, que presta serviços de monitoramento de GPS da frota da Carris.

    O presidente da CPI, Roberto Robaina (PSol), destacou o “esforço de resistência para que a Comissão Parlamentar de Inquérito fosse até o final” e lamentou o “boicote” do governo às investigações. Conforme ele, o prefeito falou que não teria nada a temer, mas demonstrou o contrário. “Tivemos até o dia de hoje uma tentativa de obstrução por vereadores que representam o governo municipal”, afirmou. Robaina ainda destacou que a pandemia prejudicou as oitivas, mas não impediu a investigação exaustiva dos documentos.

    Nota de Marchezan: 

    O relatório final apresentado pelo vereador Wambert Di Lorenzo (PTB) e aprovado por oito integrantes da comissão na Câmara Municipal, nesta segunda-feira, 31, será mais um que fará parte dos arquivos inúteis do Legislativo.

    O documento apresenta denúncias requentadas e já arquivadas pelo Ministério Público e Tribunal de Contas. Trata-se de mais uma tentativa de desgastar a imagem da gestão no período eleitoral. 

    A comissão levou mais de 4 meses além do limite legal para entregar o relatório, passou mais tempo parada do que trabalhando, ouviu apenas 4 secretários municipais e nenhuma das outras 9 testemunhas e cumpriu somente 22 dos 37 requerimentos aprovados. 

    O relatório dos vereadores, assim como o nefasto pedido de impeachment, não buscam a verdade, buscam somente tirar das eleições um governo que não pactua com corrupção e nem com o velho clientelismo dos partidos e da velha política praticada por alguns partidos e vereadores.

    No que se refere ao Banco de Talentos, desde a sua criação, registrou cerca de 15 mil currículos e entrevistou mais de 3,6 mil profissionais. O sistema também acabou com apadrinhamento político de pessoas inabilitadas com a atual gestão, privilegiando a capacidade técnica dos profissionais contratados.

    O relatório aponta artigos do código penal e imputa ao prefeito crimes sem apontar nenhum fato criminoso ou ilegal, nem desvio ou locupletamento. Em um momento de pandemia, no qual os esforços deveriam ser conjuntos pela recuperação da cidade, os vereadores criam factoides e demonstram estar desconectados com a realidade. 

     

     

  • Flordelis: por trás do casal de religiosos e bem feitores, uma realidade chocante

    Flordelis: por trás do casal de religiosos e bem feitores, uma realidade chocante

    Foram duas décadas e meia para construir a imagem da mulher pobre, nascida e criada na favela, que resolveu dedicar sua vida às crianças e adolescentes carentes.

    Nessa trajetória, Flordelis dos Santos, hoje com 59 anos, tornou-se uma líder religiosa, cantora gospel conhecida em vários países e se elegeu deputada federal com quase 200 mil votos em 2018. Apresentava-se como “mãe de 55 filhos”.

    Essa imagem começou a ser abalada em junho do ano passado, com o assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo, na casa onde moravam.

    E ruiu fragorosamente neste final de agosto, quando o inquérito policial que apurou o caso apontou Flordelis como mandante do crime.

    “Não se trata de uma família, mas de uma organização criminosa”, concluiu o delegado Allan Duarte, que coordenou as investigações. Os detalhes que vieram a público, da vida do casal e seus filhos,  são chocantes.

    A cada revelação das testemunhas ouvidas pela polícia, mais se expunha o lado obscuro da “família”.

    Tratamento desigual entre filhos, castigos físicos, relações incestuosas e promiscuidade… foram revelando uma face diferente daquela que costumava ser mostrada.

    A menção de rituais tenebrosos na casa e as suspeitas de que Anderson e Flordelis frequentavam casas de swing chocaram os que admiraram a história da família.

    O delegado Allan Duarte é taxativo: a imagem construída por Flordelis ao longo dos anos tinha o claro objetivo de chegar ao poder.

    A deputada é acusada de ter articulado o plano de morte do marido, convencendo e cooptando parentes. Flordelis, sete filhos e uma neta foram denunciados pelo crime.

    Filhos de Flordelis relataram que havia tratamento diferenciado para os adotivos e biológicos na casa.

    Filha afetiva, Daiane Feres afirmou que se sentia usada e disse que a pastora só foi alçada ao sucesso por conta da história das crianças que acolhera.

    Uma mulher que trabalhou na casa relatou ter presenciado crianças sendo agredidas fisicamente e punidas com pimenta na boca.

    A mulher ainda contou que alguns adolescentes acolhidos pela pastora trabalhavam e todo dinheiro ficava com Flordelis e Anderson.

    Adoções irregulares

    Uma das bandeiras da candidata Flordelis era a simplificação dos procedimentos para a adoção de crianças no Brasil.

    Ela, no entanto, não seguiu os trâmites necessários para regularizar a situação de pelo menos três crianças e adolescentes que passaram por sua casa.

    Um dos casos é o de Daniel dos Santos, rapaz que o casal sempre afirmou ser o único filho biológico que tiveram juntos.

    Após o crime, a polícia descobriu que a verdadeira mãe biológica entregou Daniel para Flordelis logo após o seu nascimento. Ele foi registrado como filho da deputada e de Anderson sem qualquer processo de adoção.

    Os depoimentos de integrantes da família expuseram ainda os relacionamentos entre filhos dentro da casa de Flordelis.

    Adriano, um dos filhos biológicos apenas da deputada se relacionou amorosamente com duas irmãs — Nylaine e Lorrana — quando já namorava sua atual mulher.

    Na casa, ainda há casais formados entre os filhos da deputada. O próprio pastor Anderson chegou à casa de Flordelis como um de seus filhos e acabou se tornando seu marido, anos depois, história que jamais havia sido revelada antes do crime.

    Rituais secretos

    Um homem que morou na casa de Flordelis nos anos 90 relatou uma rotina que envolvia rituais secretos com uso de sangue, nudez e até sexo.

    A testemunha afirmou considerar que participava de uma verdadeira seita e revelou que chegou a manter relações sexuais com a pastora.

    O homem relatou ainda que, na época, Anderson já vivia na residência e, em determinada ocasião, pediu a Flordelis autorização para se relacionar com uma jovem que havia recém-chegado, o que foi aceito.

    Ele também contou que a deputada recebia pastores estrangeiros em sua casa e uma das filhas era oferecida sexualmente para eles.

    Uma antiga frequentadora da igreja de Flordelis fez uma revelação que caiu como uma bomba no meio evangélico: segundo ela, a pastora e Anderson frequentavam uma casa de swing na Zona Oeste do Rio.

    A fiel contou que soube da informação por uma mulher que trabalhava com ela, que relatou ter visto o casal no local.

    A polícia suspeita ainda que, na madrugada do crime, Flordelis e o marido tenham ido justamente a uma boate desse tipo.

    Os investigadores não acreditam na versão da deputada, que afirma ter ido “comer um petisco” em Copacabana, mas alega não se lembrar o nome do local e nem sua localização exata.

    Flordelis dos Santos de Souza, de 59 anos, está denunciada por cinco crimes, mas ainda não foi presa por ter imunidade parlamentar.

    Nascida e criada na favela do Jacarezinho na Zona Norte do Rio, começou a acolher crianças e adolescentes no início dos anos 1990.

    Em apenas uma noite, acolheu 37 crianças que tinham fugido de uma chacina na Central do Brasil, no Centro do Rio.

    Foi na favela que Anderson e Flordelis se conheceram.

    Quando o casal começou a se envolver, ela tinha 30 anos e ele, que também morava na comunidade, 14 anos.

    Inicialmente, ele passou a frequentar a casa de Flordelis, que já fazia um trabalho com jovens na comunidade, mas acabou se apaixonando por ela.

    Na época, Flordelis estava recém-separada do primeiro marido.

    Trabalhou como balconista em uma padaria e acompanhava a mãe, Carmozina Motta, em cultos evangélicos, dos quais participava cantando e tocando guitarra.

    Quando conheceu Anderson, a missionária já tinha três filhos biológicos do primeiro casamento e que viviam com ela — Simone, Flávio e Adriano.

    Anderson fugia do perfil dos outros jovens acolhidos pela pastora. Eles, em geral, tinham problemas familiares ou parentes envolvidos com o tráfico.

    Já Anderson, também nascido e criado na favela, vivia com os pais e estava concluindo o ensino médio no Colégio Pedro II de São Cristóvão, uma escola pública de tradição e qualidade.

    Poucos meses antes, havia conseguido um trabalho como jovem aprendiz no Banco do Brasil.

    Desenvolto e articulado, Anderson tornou-se líder do grupo de jovens da igreja tocada por Flordelis e por dona Carmozina Motta, na Rua Santa Laura, no Jacarezinho.

    A pastora foi sua segunda namorada, de acordo com o relato da mãe, Maria Edna do Carmo.

    O primeiro namoro foi com Simone, filha biológica de Flordelis, que tinha três anos a menos que ele.

    Anderson logo assumiu a função de administrador da casa. Era visto, entre os jovens do Jacarezinho que chegaram à casa com ele, como um irmão mais velho, uma liderança, apesar de até ser mais novo que um deles.

    Tinha uma estratégia criativa para levantar dinheiro usando a imagem de Flordelis.

    Gravava os cultos ministrados por ela e fazia cópias em CD e DVD para vender nas igrejas por onde passavam.

    Eles carregavam consigo um portfólio de Flordelis, com matérias de jornais sobre ela.

    Anderson saía pelas ruas com uma maleta prateada nas mãos, na qual levava o material das pregações de Flordelis para vender.

    Os outros familiares cuidavam das tarefas domésticas. Não demorou para as doações começarem a chegar. Um dos dois quartos da casa ficava tomado por elas.

    Sobrava o outro para que todos dormissem. Mas havia ainda jovens que se espalhavam pela sala e pela cozinha.

    Foi nessa época que a mãe de Anderson, Maria Edna, insistia, com frequência, para que o filho voltasse para casa.

    Em resposta, ouvia que ele precisava “se dedicar à obra do Senhor”.

    Como a situação de muitas das crianças não era regularizada, Flordelis fugiu de diversas fiscalizações da Vara da Infância e Juventude ao longo dos anos 1990 e a família passou por diversos endereços.

    Na época, dizia que era perseguida. Em 1999, Anderson e Flordelis fundaram seu primeiro templo, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio.

    Também fundado na Zona Norte do Rio, o Ministério Flordelis foi transferido no início dos anos 2000 para São Gonçalo.

    Chegou a ter cinco filiais, além da sede, no bairro Mutondo. O auge da popularidade de Flordelis foi um documentário de 2009 (Flordelis — Basta uma palavra para mudar), que narrava como ela se tornara mãe de 55 filhos.

    O filme foi um trampolim para seu lançamento no mundo da música e, em seguida, no meio político.

    Interessado em negociar a trilha sonora do filme, Anderson procurou o hoje senador Arolde de Oliveira, dono da gravadora evangélica MK Music.

    Oliveira abraçou o projeto gospel e acabou sendo o grande padrinho político da pastora.

    Flordelis passou a integrar o time de artistas da gravadora e fazia turnês no Brasil e no exterior. Tinha uma carreira de artista, não era apenas mais uma pregadora.

    Mentor de Flordelis, Anderson começou a impor uma condição para as apresentações da mulher. Ele teria de fazer a pregação de abertura.

    Mostrou-se um orador articulado, com especial talento quando dava seu testemunho, a narrativa emocionada de como o casal se encontrou e se uniu.

    Anderson mostrava-se controlador a respeito da mulher, das finanças, da igreja.

    Escolhia as roupas que ela usava e fazia questão de sugerir até os temas que ela abordaria com os fiéis.

    Apesar do jeito “mandão”, endeusava a mulher. Uma das coisas que o deixavam enfurecido era ver os filhos discordando da pastora. Era terminantemente proibido na família. “A mãe falou, está falado”, repetia.

    A imagem de mandachuva fazia com que nem todos os filhos enxergassem Anderson como pai. Muitos o viam como um líder e o chamavam pelo apelido de Niel.

    Já Flordelis era chamada por quase todos de mãe, com raríssimas exceções. Roberta Santos, por exemplo, acolhida ainda bebê, ficara sob os cuidados de dois filhos adotivos que se casaram, Carlos e Cristiane.

    Roberta os chamava de pai e mãe. Era comum, na casa, o cuidado dos filhos mais novos ser delegado aos mais velhos.

    O xodó do pastor Anderson na casa era Daniel dos Santos, de 21 anos, sempre apresentado por ele e Flordelis como o único filho biológico do casal.

    A morte de Anderson, no entanto, trouxe outra versão para a história. Maria Edna do Carmo, mãe do pastor, revelou em depoimento à Polícia Civil que Daniel não era filho biológico do casal.

    O rapaz, no entanto, foi registrado como filho de ambos e nunca houve qualquer processo de adoção.

    O crime ainda trouxe à tona outras irregularidades.

    A primeira criança abrigada por Flordelis, em 1993, na Central do Brasil, também nunca foi formalmente adotada.

    A menina Rayane dos Santos Oliveira, levada para a casa da parlamentar com poucos dias de vida, ficou sob os cuidados de Simone dos Santos, filha biológica de Flordelis, e foi registrada como sua filha sem passar pelo aval de um juiz.

    Não há nenhum processo na Justiça sobre a adoção da jovem. Ainda que desejasse adotar Rayane, Simone seria impedida por lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que a diferença de idade entre quem adota e quem está sendo adotado precisa ser de, no mínimo, 16 anos.

    A diferença entre Simone e Rayane é de apenas 13 anos.

    Flávio, de 38 anos, quatro anos mais jovem que Anderson, nunca o teve sequer como padrasto.

    Seu relacionamento com o marido da mãe era frio e distante, assim como com outras pessoas da casa. Recentemente, houve uma tardia aproximação.

    Vendo o filho biológico de Flordelis ser acusado de violência doméstica pela ex-mulher, o pastor resolveu levá-lo para Brasília, na tentativa de afastá-lo de problemas.

    Quando Flordelis foi eleita deputada federal pelo PSD, em 2018, o papel de mentor de Anderson foi reconhecido no meio político.

    Sua participação era tão ativa que, nos corredores da Câmara dos Deputados, chamavam-no de o 47º parlamentar do Rio.

    No início deste ano, foi ao presidente da Casa, Rodrigo Maia, pleitear um crachá para circular no plenário.

    Flordelis fez coro ao apelo: disse que não tinha condições de assumir o mandato sem o marido. O pedido foi aceito.

    Anderson articulou os principais compromissos da mulher em Brasília: conseguiu que fosse recebida pela primeira-dama, Michele Bolsonaro, no Palácio da Alvorada e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

    Também foi do pastor a articulação de um seminário sobre adoção na Câmara dos Deputados, realizado pouco mais de duas semanas antes de sua morte.

    Aos poucos, Flordelis foi ocupando um importante espaço na Casa, algo improvável para uma estreante na política.

    Tudo ruiu na madrugada de 16 de junho. Anderson do Carmo de Souza foi assassinado, na garagem da casa da família, em Pendotiba.

    Para a polícia, o crime foi planejado e executado por integrantes da família.

    Às 3h25, Anderson e Flordelis chegaram à casa depois de uma noite juntos.

    Uma testemunha disse à polícia que viu os dois numa casa de swing, ela bastante embriagada.

    Flordelis conta que se dirigiu ao terceiro andar, enquanto o marido permaneceu na garagem.

    As câmeras de segurança estavam desligadas… O pastor foi baleado cerca de dez minutos após ter chegado à casa.

    “Não se trata de uma família, mas de uma organização criminosa”, concluiu o delegado Allan Duarte, que coordenou as investigações.

    Segundo a Polícia Civil, Flordelis orquestrou o crime, que envolveu oito integrantes da família.

    O inquérito, aceito pelo Ministério Público, narra uma trama complexa e uma dinâmica familiar diametralmente oposta à imagem puritana que o casal transmitia em cultos e eventos pentecostais pelo país.

    O enredo inclui sexo, traições, envenenamento, rituais nada cristãos e até a prática das famosas “rachadinhas” — desvio de dinheiro de funcionários de gabinete.

    Um ano e dois meses depois do crime e de uma investigação cheia de reviravoltas, a polícia concluiu o inquérito.

    Aos três suspeitos já presos, se juntaram mais cinco filhos de Flordelis, uma neta e a mulher de um dos detidos anteriormente.

    A deputada segue em liberdade, graças ao foro privilegiado, embora a polícia não tenha dúvidas de que ela desempenhou papel central na articulação do crime e em seus desobramentos.

    “Descobrimos que toda aquela imagem altruísta, de decência, era apenas um enredo para ela alcançar objetivos financeiros e a projeção política”, disse o delegado Allan Duarte na denúncia contra Flordelis, agora formalmente acusada de ser a mandante do assassinato do marido.

    Flordelis e Anderson tinham 55 filhos, a maioria adotivos. O próprio pastor havia sido adotado pela deputada, e chegou a ser tratado como genro, quando namorou uma de suas filhas.

    Segundo investigadores, ele controlava a família com mão de ferro, tomando conta de tudo, da partilha dos alimentos às finanças, e ainda administrava a igreja fundada pelo casal, que, até 2019, tinha oito templos.

    Morto com mais de 30 tiros na garagem da casa, em Pendotiba, Niterói, Anderson era odiado por parte dos filhos e pela mulher, e foi alvo de oito tentativas frustradas de assassinato, inclusive por envenenamento. Ele foi hospitalizado cinco vezes.

    A família tentou esconder evidências dos crimes, segundo a polícia, e fez uma fogueira no quintal da casa para destruir provas. Mas, pouco a pouco, os indícios apareceram ao longo de um ano e dois meses de investigação.

    O revólver usado na execução estava em cima do armário de Flávio, filho que admitiu ser o autor dos disparos.

    Outras confissões e contradições em depoimentos também resultaram em provas, assim como mensagens de celulares que revelaram planos criminosos.

    Numa das mensagens descobertas por policiais e promotores, Flordelis escreveu a um dos filhos: “André, pelo amor de Deus, vamos por um fim nisso. Me ajuda. Cara, tô te pedindo, te implorando. Até quando vamos ter que suportar esse traste no nosso meio?”.

    Numa outra, Marzy, uma das filhas, incitou o irmão Lucas a matar o pastor por R$ 10 mil.

    Por seis vezes, tentaram envenenar Anderson com arsênico. Investigadores comprovaram que duas filhas fizeram pesquisas na internet sobre venenos que teriam sido colocadas em sucos e pratos servidos a Anderson; misturadas a porções de feijão, a molho de macarrão e a sobremesas.

    Anderson foi internado cinco vezes com problemas digestivos. Numa mensagem de celular, uma das autoras da tentativa de homicídio lamentou: “Ele é ruim de morrer”.

    Em um recado enviado aos filhos, Flordelis se justificou sobre o plano de execução. “Fazer o quê? Separar não posso, porque ia escandalizar o nome de Deus”, escreveu a pastora e cantora gospel.

  • Volta às aulas presenciais ainda está indefinida na maioria dos Estados

    Volta às aulas presenciais ainda está indefinida na maioria dos Estados

    Desde o dia 10 de agosto as escolas da rede estadual retomaram as aulas presenciais no Amazonas. É, por enquanto, o único Estado a voltar desde o início da pandemia, em março.

    Entre os demais, apenas cinco estados têm previsão para retomar as aulas presenciais na rede estadual.

    São eles: Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Mas mesmo nestes estados a volta às aulas presenciais ainda está sujeita a alterações, conforme a evolução da pandemia.

    Nos demais 20 estados e no Distrito Federal, não há nenhuma data definida para a retomada. Cenário semelhante ocorre nas redes municipais das capitais e na rede particular.

    Desde março, as aulas presenciais estão suspensas em escolas, centros educacionais e universidades de todo o país em razão da pandemia.

    No início de julho, o Ministério da Educação (MEC) divulgou um documento com diretrizes sobre a volta às aulas presenciais, mas sem estipular uma data.

    Veja abaixo as previsões de retomada nas redes estaduais, nas redes municipais das capitais e nos colégios particulares.

    Rede estadual

    Amazonas: único estado a ter retomado as aulas, em 10 de agosto; professores pediram ao governo a suspensão das aulas por causa do aumento de casos de Covid-19 na categoria;

    Rio Grande do Sul: primeira quinzena de setembro, sem data definida, a começar pela educação infantil;

    Pará: Primeiro de setembro (vai alcançar os ensinos infantil, fundamental, médio e superior. Vale para municípios que forem classificados com as bandeiras amarela, verde e azul);

    Rio de Janeiro: 5 de outubro (no início, deve ser priorizado o retorno às aulas no 9°ano do ensino fundamental e no 3°ano do ensino médio para que os estudantes possam se formar);

    São Paulo: 7 de outubro (Na primeira fase, somente 35% dos alunos de cada classe poderão frequentar as escolas a cada dia. Ou seja, em um dia vai um grupo, em outro dia, vai outro);

    Santa Catarina: a partir de 13 de outubro (previsão é que comece com alunos de ensino técnico e ensino médio);

    Ainda sem previsão de volta às aulas: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

    Redes municipais das capitais

    Na rede municipal, apenas três das capitais sinalizaram a volta às aulas, também sujeitas a mudanças devido ao coronavírus:

    Belém (PA): setembro, ainda sem data definida. Sistema será híbrido, com uma parte de alunos presencialmente e outra parte com atividades educacionais não presenciais;

    Florianópolis (SC): assim como a rede estadual, a previsão é que a retomada se dê a partir de 13 de outubro, com retomada gradual

    São Luís (MA): expectativa de retomada em setembro, sem data ainda definida. Quando houver a volta, as atividades presenciais serão realizadas três dias por semana, enquanto os demais alunos estarão em aulas remotas, transmitidas por meio de teleaulas.

    Demais capitais: sem previsão ou sinalização de data por causa da pandemia

    Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Macapá (AP) pretendiam voltar em agosto às aulas presenciais; São Paulo (SP), Palmas (TO) e Salvador (BA) planejavam a volta em setembro.

    Nas seis, houve adiamento. Apenas São Luís e Belém mantiveram os planos de que a retomada se dê em setembro.

    Rede particular

    Na rede particular, as aulas voltaram no dia 6 de julho em Manaus, a primeira capital do país a retomar as atividades presenciais, e em 3 de agosto em cerca de 50 escolas privadas do estado do Maranhão.

    No Maranhão, ao menos três escolas suspenderam por alguns dias as atividades após professores terem testado positivo para o novo coronavírus. O mesmo ocorreu em colégios da Polícia Militar em Manaus.

    Em julho, as secretarias de Educação de 9 estados mais o DF planejavam a volta às aulas na rede estadual. Mas todos adiaram a volta em razão de a pandemia e o risco de contágio ainda persistir.

    Entre as diretrizes divulgadas pelo MEC em 1º de julho para a retomada das aulas presenciais, estão:

    ·         Uso de máscara obrigatório

    ·         Medição de temperatura no acesso às áreas comuns

    ·         Disponibilização de álcool em gel

    ·         Volta ao trabalho de forma escalonada

    ·         Ventilação do ambiente

    ·         Possibilidade de trabalho remoto aos servidores e colaboradores do grupo de risco

    ·         Reuniões e eventos à distância

    ·         Distanciamento de pelo menos 1,5 m

    ·         Orientação para manter cabelo preso e evitar usar acessórios pessoais, como brincos, anéis e relógios

    ·         Não compartilhamento de objetos – incluindo livros e afins

    ·         Elaboração quinzenal de relatórios para monitorar e avaliar o retorno das atividades

    (Com Agência Brasil e G1)