Autor: da Redação

  • Trump diz que novos surtos nos Estados Unidos se devem ao aumento de testes
    Foto: The New York Times

    Trump diz que novos surtos nos Estados Unidos se devem ao aumento de testes

    Espelho em que se mira Jair Bolsonaro, Donald Trump e seu vice Mike Pence estão empenhados em convencer os americanos que o aumento dos testes é a causa real dos novos surtos de coronavírus no país.

    O New York Times, o mais influente jornal do país, classificou como “alegação é enganosa”.

    Os Estados Unidos lideram o ranking mundial, com 2 milhões de infectados e mais de 115 mil mortes.

    Embora o número de novos casos e de mortes tenha diminuido no total nacional, nos ultimos 15 dias, segundo o jornal, houve novos surtos em “pelo menos 14 estados”.

    “Gostaria apenas de encorajar todos vocês (…) a garantir e continuar explicando a magnitude do aumento nos testes”, disse Pence em uma das ligações que “vazaram”.

    Segundo ele “as taxas de hospitalização podem estar subindo”, pois as pessoas com doenças comuns e cirurgias eletivas estão voltando a buscar atendimento… mas, de acordo com as informações mais recentes, as hospitalizações por coronavírus estão diminuindo em todo o país”.

    “Foi uma mensagem enganosa enfatizada publicamente pelo presidente Trump em uma reunião no início do dia”, registrou o jornal.

    “Se pararmos de testar agora”, disse Trump, “teríamos muito poucos casos, se houver.”

    Lá, como aqui, o presidente e seu vice (que é o chefe da força tarefa de combate ao coronavirus) têm se empenhado em “minimizar a gravidade da pandemia”.

    Trump e seu vice também são criticados por aparecerem em atos de campanha sem usar máscara.

     

  • Forma grave da Covid-19 pode atingir 350 milhões de pessoas em todo o mundo
    Quanto mais idosa a população, maior o percentual de pessoas que podem desenvolver a forma grave da Covid-19 / Cecom-Unicamp

    Forma grave da Covid-19 pode atingir 350 milhões de pessoas em todo o mundo

    Em todo o mundo, cerca de 350 milhões de pessoas podem desenvolver a forma grave da Covid-19.

    É o que aponta um estudo publicado nesta terça-feira (16) na revista médica britânica The Lancet Global Health.

    Um grupo de cientistas do Reino Unido tentou estabelecer para 188 países os riscos diferenciados das populações, em função da idade, do sexo e estado de saúde.

    Os resultados mostram que 1,7 bilhão de pessoas, ou seja, 22% da população mundial, apresentam ao menos um fator de risco que as torna mais suscetíveis de contrair uma forma grave da Covid-19.

    Assim, o SARS-CoV-2 deixa incólume a imensa maioria das crianças e jovens que têm boa saúde, ao mesmo tempo que afeta duramente as pessoas mais velhas, que sofrem de doenças crônicas como o diabetes.
    Segundo os pesquisadores, 349 milhões de pessoas estão particularmente expostas e precisariam ser hospitalizadas em caso de contágio com o novo coronavírus.

    “Agora que os países saem do confinamento (…) esperamos que estas estimativas ofereçam um ponto de partida útil aos governos que buscam como proteger os mais vulneráveis de um vírus que continua circulando”, comentou o principal autor do estudo, Andrew Clark, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM).

    O cientista propõe um reforço das recomendações de distanciamento social e das medidas de higiene às pessoas mais vulneráveis e que estas sejam consideradas prioritárias em futuras campanhas de vacinação.

    A proporção de habitantes com maior risco é menor em regiões onde a população é mais jovem, caso da África (16%). Na Europa a taxa sobe a 31%. “Mas uma proporção elevada de casos graves pode ser fatal na África, devido aos sistemas de saúde muito precários”, afirmou Andrew Clark.

    Paralelamente, ilhas como Maurício e Fiji apresentam um risco particular, devido aos elevados índices de diabetes entre a população, de acordo com o estudo.

    Com informações da AFP

     

  • Ataque ao STF teve cumplicidade da PM do Distrito Federal; subcomandante foi demitido

    Ataque ao STF teve cumplicidade da PM do Distrito Federal; subcomandante foi demitido

    O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), exonerou na tarde de domingo, 14 o subcomandante geral da Polícia Militar do DF, Sérgio Luiz Ferreira de Souza.

    A decisão foi anunciada em decreto em edição extra do Diário Oficial, segundo informou o UOL.

    O militar era o responsável pelas operações da PM no final de semana, mas não coibiu o ataque com fogos de artifício à sede do STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de sábado.

    Os lançamentos que duraram quase dez minutos ocorreram sem interferência policial. (Assista vídeo clicando aqui)

    “Ele foi exonerado porque permitiu que manifestantes soltassem fogos de artifício em frente ao Supremo Tribunal Federal. A Polícia Militar do Distrito Federal deve servir, no mínimo, para resguardar os cidadãos e as instituições da capital federal. Se não fez isso, errou grosseiramente”, disse Ibaneis à coluna Grande Angular, do site Metrópoles.

    “Eu só não responsabilizei e exonerei o próprio comandante da PM, porque ele está com coronavírus e internado. Não teve culpa de nada”, completou.

    O ato simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas”, declarou o presidente do STF e ministro Dias Toffoli.

    Ele afirmou, ainda, que os atos são financiados ilegalmente e que há o estímulo de integrantes do próprio Estado. “Financiadas ilegalmente, essas atitudes têm sido reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado, apesar da tentativa de diálogo que o Supremo Tribunal Federal tenta estabelecer com todos — Poderes, instituições e sociedade civil, em prol do progresso da nação brasileira”, continuou Toffoli.

    Além de repudiar os ataques à instituição que preside, Toffoli encaminhou ofício à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal pedindo que tomem medidas contra o episódio depois de adiantar que iria recorrer com “todos os remédios, constitucional e legalmente postos”.

    O pedido se estende contra Renan da Silva Sena, ativista bolsonarista suspeito de participar dos disparos de fogos de artifício contra o prédio do STF.

    A justificativa são “ataques e ameaças à Instituição deste Supremo Tribunal Federal e ao Estado democrático de direito, inclusive por postagens em redes sociais, bem como todos os demais participantes e financiadores, inclusive por eventual organização criminosa”.

    Na noite de ontem, a Procuradoria-Geral da República acatou o pedido, instaurando uma investigação preliminar. O procurador João Paulo Lordelo mencionou que já havia encaminhado ao Ministério Público Federal a interpretação de que Renan cometeu crime de agressão contra os profissionais da Saúde em 5 de maio. Lordelo pede, ainda, que o MPF mantenha a procuradoria informada sobre as investigações.

    Renan Sena foi detido, ontem, por integrantes da Polícia Civil do DF no Setor de Indústrias Gráficas (SIG). Foi ele também quem, em maio, hostilizou e agrediu verbalmente enfermeiras que estavam em um protesto silencioso na Praça dos Três Poderes. Em depoimento, o bolsonarista negou ter ameaçado governador.

    Advogados fizeram uma vaquinha e pagaram a fiança de R$ 1,5 mil para liberá-lo.

    A nova série de ataques antidemocráticos em Brasília começou na tarde de sábado. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro invadiram área restrita do Congresso Nacional, em protesto contra o desmonte de acampamento na Esplanada dos Ministérios desmontado pela Polícia Militar do DF.

    Além de xingar o Legislativo, os manifestantes ameaçaram o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Em entrevista concedida para a Rede Globo, Ibaneis advertiu que será duro contra manifestações violentas: “Aqueles que acham que viriam para Brasília para fazer baderna, fiquem nos seus lugares, porque aqui serão reprimidos de forma bastante virulenta, porque aqui eu sei usar o poder”.

    Ele também explicou que exonerou o subcomandante-geral da PMDF, coronel Sérgio Luiz Ferreira de Souza, porque o militar não tomou “as medidas corretas para não ter chegado a ponto de jogar fogos em cima de um Poder, que é o nosso Supremo Tribunal Federal”, disse.

    Além de Toffoli, os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes se manifestaram contra os ataques que miraram a Corte. “O STF jamais se curvará ante agressões covardes de verdadeiras organizações criminosas financiadas por grupos antidemocráticos que desrespeitam a Constituição Federal, a democracia e o Estado de direito. A lei será rigorosamente aplicada e a Justiça prevalecerá”, publicou Moraes, em uma rede social.

    Também por meio da internet, Gilmar Mendes comentou o ataque ao Supremo e as imagens divulgadas pelos bolsonaristas. “O ódio e as ameaças do vídeo são lamentáveis. A incitação à violência desafia os limites da liberdade de expressão”, escreveu. O ministro também parabenizou o Correio “pela corajosa cobertura desses atos” e o governador Ibaneis Rocha “pelas medidas de segurança”.

    Luís Roberto Barroso condenou a ação de “guetos pré-iluministas” que, apesar de minoria, “não torna menos grave a sua atuação”. Ele afirmou que “instituições e pessoas do bem” devem impor limites a esses grupos e esclareceu: “Há diferença entre militância e bandidagem.”

    Pelo lado do governo, o ministro da Justiça, André Mendonça, disse que “o poder emana do povo”, mas frisou a necessidade de se respeitar as instituições democráticas. “Todos devemos fazer uma autocrítica. Não há espaço para vaidades. O momento é de união. O Brasil e seu povo devem estar em 1º lugar”, opinou.

    Ministro de governo da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, foi mais enfático. “Ataque ao STF ou a qualquer instituição de Estado é contrário à nossa democracia, prejudica nosso país, e deve ser repudiado”, postou, entendendo que o ato representa pensamentos individuais, que não podem ser “mais importantes do que nossos ideais”.

    Para o Ministério Público Federal, o lançamento de fogos de artifício contra o STF pode ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, nos crimes contra a honra, além da Lei de Crimes Ambientais por abranger a sede do STF, situada em área tombada como Patrimônio Histórico Federal.

    O inquérito tramita em regime de urgência e sob caráter reservado “por questões relacionadas à inteligência das informações”. O MPF também solicitou perícia no local para identificar danos ocorridos no edifício e resguardar provas processuais.

     

     

     

  • Hong Kong caminha para ser o epicentro do conflito mundial no pós-corona
    Protesto em Hong Kong no dia 4 de junho lembrando o massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989.

    Hong Kong caminha para ser o epicentro do conflito mundial no pós-corona

    Uma “unidade policial dedicada”  está sendo montada para garantir a aplicação de novas leis de segurança nacional  para o território semi-autônomo de Hong Kong.

    As novas leis estão sendo elaboradas, depois da autorização dada por unanimidade pelo Congresso Nacional do Povo, em sua reunião anual há duas semanas.

    O impacto dessa leis impostas à região diretamente de Pequim é motivo de preocupação internacional e comercial generalizada.

    Uma primeira reação veio do Reino Unido que está oferecendo um visto para os ingleses que vivem em Hong Kong (o Guardian fala em milhões) se eles se sentissem desconfortáveis ​​em ficar.

    O presidente Donal Trump, por sua vez, ameaçou não mais reconhecer Hong Kong como região autônoma, retirando o status de zona preferencial de comércio com os Estados Unidos.

    As agências estatais chinesas informaram, na quinta-feira, que os legisladores estão trabalhando “dia e noite” para redigir a legislação que deve ser compatível com a condição de Hong Kong, região com leis próprias, diferentes das que regem o Estado unitário chinês.

    Hong Kong é uma herança do século XIX, quando a China foi retaliada pelas potências do Ocidente. Foi tomada pela Inglaterra em 1842, na Primeira Guerra do Ópio e permaneceu como concessão britânica até 1997, quando voltou ao controle da China, mas mantendo sua legislação própria.

    Como colônia inglesa, Hong Kong  se tornou um dos maiores centros financeiros do capitalismo mundial enquanto a China se transformou na segunda maior potência econômica do mundo, controlada pelo Partido Comunista.

    Com seus 7,5 milhões de habitantes empilhados numa área de pouco mais de mil quilômetros quadrados, Hong Kong é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo.

    A população é predominantemente chinesa, com uma experiência de liberalismo capitalista que contrasta forte com o centralismo chinês dirigido pelo Partido Comunista.

    A China considera que a absorção integral do território e da população de Hong Kong pelo regime chinês é questão de tempo. Poderá haver alguma margem da autonomia, mas terá que atender, antes de tudo, às leis e aos interesses do Estado chinês.

    A China provavelmente sairá da crise econômica, que vem na esteira do coronavirus, como a maior potência mundial, superando os Estados Unidos, que começam a viver abalos sem precedentes, com situações que podem ser explosivas, como essa maré contra o racismo.

    Se Hong Kong é o ponto onde ocidente e oriente se encontram, como diz a propaganda, neste momento caminha para ser o ponto onde um capitalismo em crise se confronta com o comunismo triunfante.

    É uma pedra de toque do capitalismo, com economia desregulada, baixo nivel de impostos, livre comércio.

    A expectativa é que as novas leis entrem em vigor dentro de um mês, o que deverá intensificar os protestos que se repetem há mais de ano, com confrontos violentos entre manifestantes e polícia.

    Existe uma preocupação generalizada com o êxodo de corporações internacionais, o que deverá aumentar o desemprego e a agitação política.

  • Estudo relaciona posse de arma com altas taxas de suicídios nos EUA

    Quem possui arma em casa tem quatro vezes mais chances de cometer suicídio.

    É o que aponta o “maior estudo já feito sobre a conexão entre suicídio e posse de armas”, publicado no  The New England Journal of Medicine, assinado por três pesquisadores – David Studdert, Matthew Miller e Garen Wintemute*.

    Em 12 anos, eles analisaram informações sobre 26 milhões de americanos.

    A principal conclusão é de que há uma relação direta entre a posse de arma e as taxas de suicídio: o número de suicídios entre as pessoas que possuem armas é quase quatro vezes maior do que entre aqueles que não tem arma.

    O estudo contraria claramente o mito muito difundido de que a pessoa que realmente quer se matar encontrará meios de fazê-lo, independente de ter ou não uma arma por perto.

    A explicação é de que “as tentativas de suicídio são muitas vezes impulsivas, motivadas por crises fugazes”.

    Outro dado importante é que a grande maioria das pessoas que tentam suicídio sobrevive.

    A segunda chance, porém, depende muito do método usado. No caso de armas de fogo, a segunda chance é pequena.

    Entre os proprietários de armas de fogo as taxas de suicídio por esse meio (pela arma de fogo) é oito vezes maior para homens e 35 vezes maior para mulheres, em comparação com não-proprietários do mesmo sexo.

    “Esses resultados são consistentes com os de todos os estudos sérios que examinaram a relação entre acesso a armas e suicídio nos Estados Unidos. Na verdade, encontramos uma conexão mais forte do que a maioria dos outros”, escreveram os pesquisadores em artigo publicado no New York Times, nesta quinta-feira, 11.

    Com base em dados referentes à Califórnia, estado em que a venda de armas é inteiramente controlada, os pesquisadores concluiram que “o período de maior risco de suicídio para os proprietários de armas de primeira viagem foram as primeiras semanas de posse.

    No entanto, 85% de todos os suicídios por arma entre proprietários ocorreram mais de um mês após a compra e mais da metade ocorreu mais de um ano depois.

    “Tomadas em conjunto, essas descobertas sugerem que, enquanto algumas pessoas que cometem suicídio já compraram suas armas com a intenção de se matar, isso não é verdade para a maioria dos que morrem dessa maneira – suas mortes refletem o risco substancial e duradouro do acesso a armas de fogo”.

    Estima-se que 40 milhões de americanos tem armas em casa.

    Autoproteção é o primeiro motivo apontado pelas pessoas que compram e mantêm armas de fogo. “Apesar das histórias coloridas de defesa armada do lar, não há um estudo consistente demonstrando os benefícios de segurança da posse de armas particulares para indivíduos ou comunidades.

    “Por outro lado, as evidências de que as armas podem ser mal utilizadas e causar sérios danos – aos proprietários e familiares, incluindo crianças – são substanciais e crescentes”, dizem os pesquisadores.

    .*David Studdert é professor nas faculdades de direito e medicina da Universidade de Stanford.

    *Matthew Miller é professor da Northeastern University.

    *Garen Wintemute é professor da Faculdade de Medicina da UC Davis.

  • Expointer e Feira do Livro sofrerão alterações no calendário e na programação
    Feira do Livro de Porto Alegre deve ser mantida entre os dias 30 de outubro de 15 de novembro, com alterações na programação

    Expointer e Feira do Livro sofrerão alterações no calendário e na programação

    A Comissão Executiva da Expointer está programando a realização da 43ª edição da Feira para o final de setembro, e não mais em agosto, como ocorreu em anos anteriores. O novo calendário será definido pelas Secretarias da Agricultura e de Saúde, em conjunto com as entidades promotoras.

    Neste ano a Expointer celebra 50 anos sediada no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A feira é a principal do Rio Grande do Sul e uma das maiores do País.

    Já, a Feira do Livro de Porto Alegre deve ser mantida entre os dias 30 de outubro de 15 de novembro. Mas haverá alterações no distanciamento das bancas e os eventos culturais normalmente realizados em locais fechados devem ocorrer de forma virtual.

    O presidente da Câmara Rio-grandense do do Livro, Isatir Filho, informa que estão sendo estudadas todas as possibilidades para garantir a realização do evento e a segurança da população.

     

     

     

  • Com medo da Covid, assistentes sociais reclamam da falta de equipamentos e orientação

    Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas, mostra  que 61,5% dos profissionais da assistência social no país não se sentem preparados para lidar com a crise decorrente da covid-19.

    Apenas 12,8% se declaram preparados e o restante não soube responder.

    Foram entrevistados 439 trabalhadores de todas as regiões do país entre os dias 15 de abril e 1º de maio de 2020.

    A pesquisa mostra ainda ainda que o medo é um sentimento dominante entre esses profissionais, já que 90,66% deles sentem receio da doença e 43,5% conhecem amigos ou colegas que já se contaminaram com a covid-19.

    Além do medo de contaminação, os profissionais temem levar o coronavírus para dentro de suas casas.

    As políticas de assistência social têm papel estratégico na pandemia do novo coronavírus,  no apoio a populações que moram em áreas urbanas mais pobres e densamente povoadas, expostas à maior vulnerabilidade social.

    “Embora o foco do debate público em relação ao enfrentamento à pandemia esteja centrado nas áreas de saúde e economia, a assistência social é essencial para minimizar os danos da crise entre os mais pobres, viabilizando medidas econômicas e sociais coerentes com esse segmento populacional”, diz o relatório da pesquisa.

    Do perfil dos entrevistados, 85,88% são mulheres, 12,76%, homens, e 1,37% preferiram não declarar. Sobre o tempo de atuação, 34,17% estão há pelo menos dez anos na área socioassistencial.

    Há uma concentração de entrevistados que atuam na Região Sudeste (53,99%), com destaque ao estado de São Paulo, que inclui mais da metade de todos que foram ouvidos.

    Segundo o estudo, a sensação de medo e de despreparo pode ser explicada por outros indicadores do questionário, como a disponibilidade de equipamento de proteção individual (EPI), o suporte governamental e o acesso a treinamentos.

    Menos da metade dos profissionais (38,5%) disse ter recebido EPI, com uma variação entre as regiões, destacando-se positivamente o Nordeste, onde 51,78% dos profissionais receberam equipamentos, ao contrário da Região Norte, onde o índice foi de 33,33%.

    No que diz respeito ao suporte governamental, mais da metade dos entrevistados (66,51%) disseram não sentir que o governo federal tenha ações de proteção aos profissionais da assistência social, enquanto os governos subnacionais tiveram uma avaliação um pouco melhor: 55,35% e 50,57% dos entrevistados sentem que, respectivamente, governos estaduais e municipais desenvolvem ações para proteger os profissionais da área.

    Sobre o apoio direto de seus superiores, 41,46% disseram não sentir esse suporte e 54,67% disseram ter recebido instruções das chefias sobre como atuar diante da crise.

    A grande maioria afirmou não ter recebido orientações ou ações oficiais de formação – apenas 12,98% relataram ter feito treinamento para lidar com o novo coronavírus. Houve destaque na Região Nordeste, onde 37,5% dos profissionais disseram ter participado de treinamentos, em contraposição ao Norte, em que nenhum entrevistado respondeu ter recebido.

    Os pesquisadores analisaram em que medida a crise alterou os processos de trabalho e as interações entre os profissionais da assistência social e os cidadãos. Mais da metade (63,46%) relataram que a dinâmica de trabalhou mudou com a pandemia, com citações recorrentes de atendimento a distância, trabalho em escala, redução ou suspensão dos atendimentos.

    Para 74,26% dos entrevistados, mudaram também as interações com os usuários dos serviços de assistência social. Um dos elementos que influenciam nessa mudança é que o medo passou a permear a rotina porque o trabalho desses profissionais exige contato próximo com as pessoas. Entre as principais mudanças estão a realização de atendimentos presenciais com distanciamento físico, atendimentos online ou por telefone, e até suspensões ou redução.

    Recomendações
    As análises resultaram em um conjunto de recomendações que, segundo os pesquisadores, deveriam ser atendidas pelos governos federal, estaduais e municipais para melhorar a atuação dos profissionais neste momento de crise, garantindo a eles recursos, informações e a proteção necessária.

    Entre as recomendações estão a distribuição de EPI de qualidade para todos os profissionais dos diferentes níveis de atenção; formação e treinamento adequados para que os profissionais estejam mais preparados para enfrentar a crise, especialmente aqueles que continuam realizando atendimento presencial, utilizando tecnologias simples, como vídeos com transmissão online, infográficos ou outros materiais de comunicação simples e assertiva que cheguem à ponta rapidamente; e distribuição de material informativo oficial para profissionais repassarem à população e combater as notícias falsas.

    Além disso, recomenda-se a adoção de políticas de suporte emocional e psicológico para os profissionais da ponta, por exemplo, disponibilizando psicólogos para fazerem o acompanhamento desses profissionais.

    (Com Agência Brasil)

  • Projeto suspende inclusão em cadastro negativo por atraso de pagamentos
    Camara aprovou projeto em sessão remota. Foto: Divulgação

    Projeto suspende inclusão em cadastro negativo por atraso de pagamentos

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça (9) um projeto que suspende por 90 dias a inclusão dos devedores que não estão conseguindo pagar suas dívidas nos cadastros negativos de Serasa e SPC.

    A matéria será enviada à sanção do presidente Bolsonaro.

    O texto prevê a suspensão da inclusão no cadastro para dívidas não pagas após 20 de março deste ano, ou seja, relacionada com as consequências econômicas provocadas pelas medidas de isolamento social usadas no combate à covid-19.

    A proposta autoriza ainda a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça a prorrogar a suspensão das novas inscrições nos cadastros de devedores enquanto durar a calamidade.

    O projeto aprovado autoriza a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça a prorrogar a suspensão das novas inscrições nos cadastros de devedores enquanto durar a calamidade. A medida visa garantir acesso ao crédito para os consumidores atingidos pela pandemia.

    A medida determina que o Poder Executivo será responsável pela regulamentação e pela fiscalização necessárias, sem prejuízo da aplicação de sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. Em casos de cobrança de multa por descumprimento da norma, o dinheiro deverá ser aplicado em medidas de combate à covid-19.

    Ao analisarem a proposta, os deputados rejeitaram o substitutivo do Senado ao texto aprovado na Câmara em abril. Segundo o relator, deputado Julian Lemos (PSL-PB), os senadores criaram despesas sem indicativo de orçamento – já que o PL oferecia linhas de crédito para setores específicos.

    “No Senado Federal, foi aprovado substitutivo, introduzindo modificações que não são adequadas ao projeto original. Primeiro, o substitutivo insere dispositivos que, ao invés de suspender a inscrição do consumidor nos cadastros negativos, criam um cadastro de inadimplência paralelo ao principal. A seguir, determina que os bancos de dados de cadastro positivo também sigam a nova norma, inserindo matéria nova em relação ao projeto enviado pela Câmara”, argumentou Lemos.

    (Com Agência Brasil e Agência Câmara)

     

  • Manifestações em 20 cidades contra a escalada fascista
    Em São Paulo, a PM agrediu manifestantes . Foto: reprodução redes sociais

    Manifestações em 20 cidades contra a escalada fascista

    Manifestações ocorreram neste domingo, 7, em pelo menos 20 cidades brasileiras, contra o governo Bolsonaro e as ameaças à democracia.

    Em Brasília, São Paulo e Rio ocorreram também manifestações a favor do governo, menores.

    Apenas em São Paulo foram registrados atos de violência, já na dispersão dos manifestantes, no Largo da Batata, em Pinheiros. Um grupo forçou a barreira policial para dirigir-se à avenida Paulista, onde os governistas se concentraram.

    A PM reagiu com violência usando bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, inclusive com o uso de um helicóptero para iluminar as ruas já escuras por onde manifestantes fugiam. Quarenta e cinco pessoas foram detidas.

    Na capital, a Esplanada dos Ministérios, que se dividiu em duas na manhã de domingo.

    A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) se posicionou no gramado central e manteve manifestantes contra o governo do lado esquerdo, onde fica o Ministério da Justiça, e grupos a favor do presidente Jair Bolsonaro no lado direito, onde fica o Itamaraty.

    Na Esplanada dos Ministério, pouco depois das 9h, um grande grupo caminhou até o Ministério da Justiça, onde havia uma barreira policial impedindo o avanço além daquele ponto.

    A manifestação unificou pautas como o combate ao racismo, ao fascismo e contrários ao governo federal. Os manifestantes usavam máscaras, item de uso obrigatório no Distrito Federal, em virtude da epidemia de covid-19.

    Esse grupo ficou na Esplanada por pouco tempo. Às 11h, ele já caminhava de volta, se afastando do Congresso Nacional em direção à Biblioteca Nacional, onde começou a dispersão. O protesto foi pacífico.

    Do lado favorável ao governo, o público saiu às ruas vestido de verde e amarelo. Os manifestantes tiveram acesso à Praça dos Três Poderes, local que tem concentrado apoiadores do presidente aos domingos.

    O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno, esteve presente na Esplanada, acompanhando a movimentação e cumprimentando policiais que faziam a segurança da área.

    A Polícia Militar informou que não houve registro de ocorrência durante a manifestação e ninguém foi detido. Além disso, a PM informou que não faz estimativa de público.

    Rio de Janeiro
    Na parte da manhã, um grupo de manifestantes a favor do presidente Jair Bolsonaro fez uma caminhada na Praia de Copacabana, na zona sul do Rio.  Os manifestantes, muitos vestidos com as cores da bandeira do Brasil, percorreram um trecho do calçadão no final da manhã e carregaram uma faixa intitulada Marcha da Família pró Bolsonaro com Deus, que defendia também “intervenção popular com o Executivo”.

    Um grupo de manifestantes contrários a Bolsonaro também esteve no calçadão, com uma faixa contra integrantes do governo e outra relembrando a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

    Manifestantes contrários ao governo também participaram da segunda marcha Vidas Negras Importam, que foi realizada na tarde de hoje no centro do Rio.

    O protesto percorreu a Avenida Presidente Vargas e teve como principais bandeiras o combate ao racismo e à violência policial, relembrando pessoas negras que morreram no contexto de ações policiais, como o adolescente João Pedro, assassinado em casa no dia 17 de maio, em São Gonçalo, e a menina Agatha Félix, baleada e morta em setembro do ano passado, no Complexo do Alemão.

    São Paulo

    Os manifestantes contra o governo se reuniram no Largo da Batata, zona oeste paulistana, no ato Mais Democracia – antifascista e antirracista. Lideres do movimento discursaram em um carro de som.

    Os participantes gritaram palavras de ordem contra o racismo, contra o fascismo e contra o presidente Jair Bolsonaro. A Avenida Faria Lima chegou a ter um dos lados da via interrompidos para o fluxo de carros.

    O ato havia sido inicialmente convocado para acontecer na Avenida Paulista. Porém, uma decisão determinou que protestos antagônicos não deveriam acontecer no mesmo local. Na semana passada, houve confusão entre participantes de manifestações pró e contra o governo. A Polícia Militar interveio, lançando bombas de gás contra os manifestantes.

    Na Avenida Paulista, em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um grupo de apoiadores do presidente Bolsonaro se reuniu com bandeiras do Brasil e cartazes.

    Desde o final da manhã, a Polícia Militar esteve presente na região da Paulista com unidades da cavalaria, viaturas e bloqueios para revistar as pessoas que saíam das estações do metrô. S

    Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o patrulhamento buscava garantir a segurança da população e proteger o patrimônio. A corporação usou drones para monitorar tanto o Largo da Batata, como a Paulista. Algumas imagens foram disponibilizadas nas redes sociais da PM.

    Apesar da determinação de que os atos acontecessem em lugares distintos, um grupo contra o presidente também se reuniu em uma das extremidades da Avenida Paulista, na Praça do Ciclista. Um cordão de policiais militares com escudos, entretanto, não permitiu que o grupo avançasse na via e o protesto permaneceu a mais de um quilômetro de distância dos apoiadores do presidente.

    (Com informações do G1 e Agência Brasil)

  • Apagão nas estatísticas da pandemia escancara o despreparo do governo Bolsonaro

    Apagão nas estatísticas da pandemia escancara o despreparo do governo Bolsonaro

    A confusão criada pelo Ministério da Saúde na divulgação dos números de contaminações e mortes causadas pela Covid 19 provocou uma avalanche de críticas ao governo, dentro e fora do país.

    Numa primeira divulgação, o ministério apresentou números coerentes com a evolução da pandemia no país: seriam 37, 3 mil novos casos de contaminados com 525 mortes nas últimas 24 horas.

    A redução drástica no número de mortes, quase à metade da média dos últimos dias, surpreendeu e gerou suspeitas de manipulação.

    Horas depois uma nova estatística do Ministério revelou a grande discrepância nos dados: seriam 36, 4 mil novos casos (quase mil a menos do que o número anteriormente divulgado) e 1.382 mortes em 24 horas, uma diferença de 825 mortes a menos em relação ao dado anterior.

    A confusão vem coroar uma política errática que o governo federal, por orientação do próprio presidente, vem adotando, inicialmente minimizando os perigos da pandemia, que não passaria de uma gripezinha, depois questionando as estratégias de isolamento social adotadas pelos Estados e Municípios.

    Bolsonaro trocou dois ministros – Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos médicos – e acabou colocando um general da reserva no Ministério da Saúde.

    A principal preocupação do governo desde então parece ser a questão das estatísticas. Primeiro duvidando  dos números apresentados diáriamente e insinuando que estavam sendo manipulados, forncecendo material para a imprensa disseminar o medo na população.

    A primeira providência foi mudar o horário de divulgação dos dados de cada dia, para evitar que fossem divulgados com destaque nos noticiários da televisão no início da noite.  Culminou com essa confusão dos números que até o início da manhã desta segunda-feira não tinha sido esclarecida pelas autoridades.