Autor: da Redação

  • Governo contaminado

    Assessor Especial da Presidência, despachando da sala 315 no terceiro andar do Palácio do Planalto, ao lado do gabinete presidencial, o olavista Filipe G. Martins é o 22º membro da comitiva que viajou com Jair Bolsonaro aos Estados Unidos infectado pelo coronavírus.

    Com as confirmações nesta quinta-feira (19) dos casos de Martins, do chefe da ajudância de ordens, Major Cid; diretor do Departamento de Segurança Presidencial, Coronel Suarez; e do chefe do Cerimonial, Carlos França, Jair Bolsonaro já perdeu totalmente o controle do número de casos de contaminações pela Covid-19 no Palácio do Planalto.

    Segundo a coluna Radar, da revista Veja, servidores do Planalto vivem um cenário de “completo descontrole e paranoia”, já que até alguns dias atrás não havia qualquer protocolo contra contaminação na principal dependência do governo federal.

    O teste de Jair Bolsonaro deu negativo, mas o Ministério da Saúde recomendou que o exame seja refeito na próxima semana. Enquanto isso, a recomendação é para que Bolsonaro siga em “monitoramento”.

    Saiba quem são os 22 membros da comitiva de Bolsonaro infectados pelo coronavírus

    Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República

    Nelsinho Trad, senador pelo PTB-MS

    Nestor Forster, embaixador e encarregado de negócios do Brasil nos EUA

    Karina Kufa, advogada e tesoureira do Aliança pelo Brasil

    Sérgio Lima, publicitário e marqueteiro do Aliança pelo Brasil

    Samy Liberman, secretário-adjunto de comunicação da Presidência

    Alan Coelho de Séllos, chefe do cerimonial do Itamaraty

    Quatro integrantes não-identificados da equipe de apoio do voo presidencial aos EUA

    Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

    Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia

    Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais

    Daniel Freitas, deputado federal (PSL-SC)

    Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI

    Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia

    Sérgio Segovia, presidente da Apex

    Filipe Martins, assessor internacional da Presidência

    Major Cid, chefe da ajudância de ordens

    Coronel Suarez, diretor do Departamento de Segurança Presidencial

    Carlos França, chefe do Cerimonial

    (Com informações da Forum)

  • Pesquisa mostra que 64% desaprovam comportamento de Bolsonaro diante da crise
    Os presidentes da República, Jair Bolsonaro e do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, fazem declaração à imprensa no Planalto

    Pesquisa mostra que 64% desaprovam comportamento de Bolsonaro diante da crise

    Uma pesquisa da consultoria Atlas Político, feita entre 16 e 18 de março, mostra o desgaste do presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas.

    O Atlas Político faz pesquisas online, em tempo real.

    Em fevereiro, seu levantamento apontava que o presidente seria capaz de se reeleger em qualquer cenário.

    Agora mostra que 64% dos entrevistados reprovam a forma como Bolsonaro se comporta frente à crise da Covid-19.

    Quanto à expectativa sobre o desempenho da economia,  no levantamento anterior o percentual dos que esperavam melhoria na situação econômica era de 50,5%. Os que achavam que vai piorar eram 28,3%.

    Agora, 49,7% acreditam que ela vai piorar e os que prevêem melhora cairam para 31,6%.

    O número dos que apoiam uma deposição do presidente chega a 44,8%. Na pesquisa de 9 de fevereiro eram 38,1%, quase 7% de crescimento em pouco mais de um mês.

    A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 16 e 18 de março, por meio de questionários randômicos respondidos pela Internet e calibrados por um algorítimo. Tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%.

    “Nossa última pesquisa mostrava todos os indicadores de otimismo e confiança melhorando. Neste momento, o humor mudou em relação a tudo”, explica o cientista político Andrei Roman, criador do Atlas Político.

    Segundo os dados, 41% dos entrevistados consideram o Governo Bolsonaro ruim ou péssimo.

    O número dos que acreditam que sua gestão é regular é de 33%, e os que a consideram ótima ou boa são 26%.

    “A expectativa sobre a economia levou o maior tombo. Mas o otimismo em relação à criminalidade e à corrupção caiu também”, explica Roman.  Em fevereiro, por exemplo, era de 43,8% o percentual dos que acreditavam que a criminarlidade estã aumentando.  Agora, são 52,4%.

    Quanto à  corrupção, em fevereiro, era de 39,2% o percentual dos que acreditam que ela está mais elevada. Agora são 46,6% os que tem sensação de os crimes de colarinho branco estão crescendo.

    Quanto ao enfrentamento do coronavirus, embora 96% afirmem não ter ninguém de suas relações contaminado, chega a 80% o percentual dos que consideram que o sistema de saúde no país não está preparado para enfrentar a pandemia e 73% tem expectativa de que a situação vai piorar.

    Impeachment

    Para o cientista político autor da pesquisa, os dados relacionados ao impeachment captados pelo levantamento mostram que a adesão inicial ocorre entre os que já avaliavam mal o Governo.

    “Para esse grupo, essa crise parece ter sido a gota d’água. Mas também é possível que seja um pouco de comportamento estratégico. Que esses eleitores opostos a Bolsonaro sintam o enfraquecimento dele, então tenham decidido aderir ao impeachment”, explica.

    (Com informações do El País)

     

     

  • China diz que Eduardo Bolsonaro tem “comportamento errôneo e irresponsável”

    A Xinhua, agência oficial do governo chinês, divulgou a seguinte nota:

    A Embaixada da China no Brasil expressou quinta-feira sua “profunda indignação” e “forte protesto” às palavras do deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro, que na quarta-feira acusou o país asiático de silenciar a COVID-19.

    Em uma nota, a Embaixada chinesa afirmou estar extremamente chocada “por tal provocação flagrante contra o governo e o povo chinês” e alertou que, como deputado federal e “figura pública especial”, as palavras de Eduardo Bolsonaro “causaram influências nocivas, vistas como um insulto grave à dignidade nacional chinesa”.

    As palavras “ferem não só o sentimento de 1,4 bilhão de chineses, como prejudicam a boa imagem do Brasil no coração do povo chinês” e “geram também interferências desnecessárias na nossa cooperação substancial”, disse o texto.

    A Embaixada da China chamou as palavras de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em seu Twitter, de “comportamento totalmente errôneo e inaceitável, veementemente repudiado pelo lado chinês” e afirmou que o embaixador Yang Wanming já expressou sua insatisfação com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que defendeu Eduardo Bolsonaro.

    “Temos pleno conhecimento da política externa brasileira com a China e acreditamos que nas suas linhas não houve qualquer mudança. Ao mesmo tempo, opomo-nos às difamações e insultos contra a China impostos por qualquer um e sob qualquer forma”.

    A nota afirmou que a parte chinesa não aceitou “a gestão feita pelo chanceler Ernesto Araújo” para resolver o problema e ressaltou que “Eduardo Bolsonaro tem que pedir desculpa ao povo chinês pela sua provocação flagrante”.

    “O lado chinês defende sempre e de forma resoluta os seus princípios e jamais será ambíguo e tolerante com qualquer prática que afronte os seus interesses fundamentais. Esperamos que alguns indivíduos do lado brasileiro, na sua minoria, abandonem suas ilusões e muito menos subestimem a nossa resolução e capacidade de salvaguardar os nossos próprios interesses”, disse o texto.

    A nota lembrou que “ao longo do ano passado, com o esforço conjunto dos dois países, o relacionamento sino-brasileiro tem se desenvolvido de forma saudável e estável”, o que se refletiu nas visitas mútuas feitas pelos presidentes Xi Jinping e Jair Bolsonaro.

    A Embaixada chinesa lembrou que, desde o surto da COVID-19, “os nossos dois países têm mantido contatos estreitos e amistosos” e que o próprio Jair Bolsonaro “manifestou a solidariedade para com o governo e povo chinês, razão pela qual o lado chinês agradece muito” e que” atualmente, de acordo com o pedido do Ministério de Saúde do Brasil, estamos ajudando o país a adquirir os materiais médicos mais urgentes da China”.

    Segundo o texto, “os que atrapalham o desenvolvimento das relações bilaterais se limitam a uma minoria na população brasileira, enquanto a maioria esmagadora está em defesa da nossa fraternidade.

    “Esperamos que o Itamaraty possa tomar ciência do grau de gravidade desse episódio e alertar o deputado Eduardo Bolsonaro a tomar mais cautela nos seus comportamentos e palavras, não fazer coisas que não condizem com o seu estatuto, não falar coisas que prejudiquem o relacionamento bilateral e não praticar atividades que danifiquem a nossa cooperação”, segundo a Embaixada.

    As palavras infelizes de Eduardo Bolsonaro tiveram uma resposta rápida dentro do próprio governo brasileiro.

    Na quinta-feira, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, disse que as palavras do filho do presidente brasileiro criaram um constrangimento diplomático na relação entre os dois países e não representam a opinião do governo federal.

    “O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo. Não é a opinião do governo. Ele tem algum cargo no governo?”, disse Mourão à imprensa brasileira.

    Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pediu desculpas ao povo chinês pelas palavras de Eduardo Bolsonaro, que foram repudiadas por uma nota da Frente Parlamentar Brasil-China, enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou em uma nota nesta quinta-feira que deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China.

    A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e o maior mercado de exportação do país sul-americano há uma década.
     

  • Bolsonaro erra mais uma vez e até aliados admitem risco de impeachment
    Imagem projetada num prédio da rua João Telles, no Bom Fim, em Porto Alegre na noite de 18/3/2020 / Foto Thiago Garcia

    Bolsonaro erra mais uma vez e até aliados admitem risco de impeachment

    A desastrada entrevista coletiva do presidente Jair Bolsonaro e ministros, todos com máscara, turbinou o panelaço programado nas redes sociais para o início da noite de quarta-feira.

    Já no momento em que o presidente fazia seu pronunciamento, os protestos se fizeram ouvir em diversas capitais.

    Na hora marcada, as panelas e os gritos de “fora Bolsonaro” se espalharam pelo pais, reforçados por imagens projetadas nas fachadas dos edifícios.

    O Jornal Nacional dedicou dois minutos reproduzindo cenas do panelaço em todos os Estados, gravadas pelos próprios manifestantes de dentro dos apartamentos.

    A entrevista no Palácio do Alvorada foi uma tentativa de reverter a repercussão negativa dos atos do presidente no domingo, quando saiu à rua para confraternizar com manifestantes na esplanada dos ministérios.

    Sua atitude contrariou as recomendações de todas as autoridades médicas e desautorizou seu próprio ministro da Saúde, que em reiteradas entrevistas pedia à população que evitasse aglomerações.

    O erro se tornou mais grave diante da constatação de que 17 integrantes do primeiro escalão do governo (inclusive dois ministros) estavam contaminados. Todos eles integravam a comitiva que, uma semana antes, acompanhou o presidente em sua viagem aos Estados Unidos.

    A repercussão negativa estimulou um panelaço já na terça-feira e deu ensejo a vários pedidos de impeachment  encaminhados ao presidente da Câmara Rodrigo Maia,  que tem sido um crítico implacável das atitudes de Bolsonaro. Depende dele levar avante o processo.

    Ao se apresentar, com seis ministros, todos usando máscaras, na entrevista coletiva desta quarta-feira, Bolsonaro pretendia reverter a sensação de que o presidente vem agindo de modo irresponsável em relação à epidemia do coronavirus. Em diversas vezes ele chamou de “histeria” o destaque que vem sendo dado à epidemia.

    O”teatro de máscaras”, como foi ironizada cena no Palácio Piratini, piorou mais a situação.  O próprio presidente demonstrou que não sabe usar a máscara. Iniciou falando com ela, depois tirou e deixou pendurada na orelha, para em seguida recolocar e logo tirar de novo.

    Os ministros também revelaram falta de sintonia,  uns falando com a mascara, outros retirando-a na hora de falar.  Esse desacerto, que em determinados momentos pareceu cômico, revelou o caráter improvisado da  manifestação presidencial.

    Renomados especialistas ouvidos pela imprensa condenaram a maneira como foram usadas as máscaras pelo presidente e seus ministros, revelando a falta de preparo da cúpula do governo e o mau exemplo dado à população.

    Pouco depois, o filósofo Olavo de Carvalo, tido como o “guru do presidente” manifestou nas redes sociais o seu desânimo com a situação.

    Ele diz: “desde o início do seu mandato, aconselhei ao presidente que desarmasse os seus inimigos ANTES de tentar resolver qualquer ‘problema nacional’. Ele fez exatamente o oposto. Deu ouvidos a generais isentistas, dando tempo a que os inimigos se fortalecessem enquanto ele se desgastava em lacrações teatrais. Lamento. Agora talvez seja tarde para reagir.”

    O panelaço foi registrado em São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Natal, Florianópolis e Curitiba  e cidades menores em diversos Estados.

    Houve também, atendendo a apelo do presidente, um panelaço pouco depois a favor do governo, mas de alcance muito menor.

    Pouco depois, Bolsonaro postou uma mensagem acusando o desgaste:

    “Nunca abandonarei o povo brasileiro, para o qual devo lealdade absoluta! Boa noite a todos!”, escreveu.

     

     

     

     

  • Chefe do Gabinete de Segurança é o 17º do governo Bolsonaro com coronavírus
    O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Foto: Agencia Brasil

    Chefe do Gabinete de Segurança é o 17º do governo Bolsonaro com coronavírus

    “Informo que o resultado do meu segundo exame, realizado no HFA, acusou positivo. Aguardo a contraprova da FioCruz. Estou sem febre e não apresento qualquer dos sintomas relacionados ao Covid-19. Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas”.

    Esta foi a mensagem publicada na manhã desta quarta-feira em uma rede social pelo general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional do presidente Jair Bolsonaro.

    Aos 72 anos, o general é o 17° integrante da cúpula do governo brasileiro a ter resultado positivo no teste para coronavirus.

    Heleno integrou a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na viagem à Flórida (EUA), na semana passada.

    Ele fez um primeiro teste, com resultado negativo, e realizou um novo exame na terça-feira (17).

    A primeira confirmação de contágio foi do secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, que também integrou a comitiva na viagem aos EUA.

    Bolsonaro fez dois testes até o momento e, segundo ele, ambos deram resultado negativo.

    Após fazer o teste, o general Heleno conversou com jornalistas e disse que se sentia bem, porém não era algo “absolutamente tranquilizadora” a situação.

    Heleno tem 72 anos de idade, ou seja, está nos grupos considerados mais suscetíveis ao Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

    Conforme a agenda oficial de Bolsonaro,  Heleno esteve em pelo três audiências com o presidente na terça-feira (17).

    O ministro Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, afirmou nesta terça que seu exame para coronavírus deu negativo.

     

  • Panelaços espontâneos em várias capitais pedem a saída de Bolsonaro

    Panelaços espontâneos em várias capitais pedem a saída de Bolsonaro

    Panelaços espontâneos  e gritos de “fora Bolsonaro”  que pipocaram em várias capitais e cidades no início da noite desta terça-feira, acendem o sinal amarelo para o governo Bolsonaro.

    Eles revelam o tamanho do erro cometido pelo presidente no domingo, quando saiu à rua para confraternizar com manifestantes que, instigados por ele, pediam o fechamento do Congresso e do STF.

    O que chocou não foi a aberração política, de um presidente eleito pelo voto de 57 milhões de brasileiros estimular manifestações anti-democráticas.

    O que chocou ( e pode ser fatal para o governo Bolsonaro) foi a atitude do presidente de afrontar a todas as recomendações de precaução em relação à pandemia do novo coronavirus, desmoralizando  inclusive de seu ministro da Saúde, ao sair à rua e cumprimentar e trocar apertos de mão com os manifestantes.

    Na Globo News, o jornalista Merval Pereira, editorialista da Globo e comentarista político, comparou as manifestações espontâneas desta terça ao início do processo que culminou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

    Um novo panelaço, desta vez organizado pelas redes sociais, está previsto para esta quarta-feira.

    Neste ritmo, Bolsonaro corre o risco de ser a primeira vítima política do efeito coronavírus no Brasil.  Um pedido de impeachment chegou na terça à tarde à Câmara.

    De autoria do deputado Leandro Grass, da Rede, o pedido cita cinco crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro:

    -apoio e convocação às manifestações do dia 15 de março de 2020 por meio da divulgação de vídeos em redes;

    -declaração, no último dia 9, de que as eleições gerais de 2018 foram fraudadas, cujas provas estariam em suas mãos e nunca foram apresentadas, nem no foro competente e nem para a imprensa;

    -declarações indecorosas direcionadas à jornalista Patrícia Campos Mello, feitas no dia 19 de fevereiro;

    -publicação de vídeo, em rede social, com conteúdo pornográfico, ocorrida no carnaval do ano de 2019 – o famoso episódio do golden shower;

    -determinação expressa de comemoração do Golpe Militar de 1964, direcionada às Forças Armadas Brasileiras, em 25 de março de 2019.

     

  • Advogados pedem soltura de presos para reduzir riscos do coronavirus nos presídios
    Presidios superlotados são locais de risco em todo o pais. Foto: IDDD/Divulgação

    Advogados pedem soltura de presos para reduzir riscos do coronavirus nos presídios

    O  Instituto de Defesa do Direito de Defesa, que congrega advogados criminalistas, entrou com liminar no STF  para reduzir a população prisional no país, para “evitar a disseminação do novo coronavírus neste ambiente de alta vulnerabilidade”.

    Seriam beneficiadas pessoas com mais de 60 anos, soropositivos para HIV, portadores de tuberculose, câncer, doenças respiratórias, cardíacas, imunodepressoras, diabéticos e portadores de outras doenças cuja preexistência indique suscetibilidade maior de agravamento do estado de saúde a partir do contágio pelo COVID-19.

    O pedido inclui ainda gestantes, lactantes e acusados de crimes não violentos.

    O requerimento foi feito dentro da ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 347/2015 – que tem como relator o ministro Marco Aurélio -, na qual o STF reconheceu, em 2015, o estado de coisas inconstitucional do sistema carcerário brasileiro, pelas violações de direitos humanos e situação degradante.

    Além do pedido de liberdade condicional para idosos, o IDDD requer regime domiciliar às pessoas presas nos grupos de risco e solicita também a substituição de privação de liberdade por medidas alternativas, principalmente a prisão domiciliar, para todos os presos provisórios e os novos custodiados em flagrante por crimes sem violência ou grave ameaça.

    O instituto solicita ainda progressão antecipada da pena para aqueles que já estejam em regime semiaberto e progressão de regime de quem aguarda exame criminológico.

    O presidente do IDDD, Hugo Leonardo, destaca que o problema da superlotação já “seria o suficiente para que a epidemia trouxesse graves consequências, já que o isolamento social tem sido a principal medida adotada em todos os países afetados”, e pede que outras medidas sejam tomadas para enfrentar o risco de um agravamento nas prisões.

    “As autoridades devem avaliar com muita atenção a hipótese de pôr em liberdade idosos e pessoas condenadas por crimes não violentos. Esta é uma questão de emergência humanitária, que pode mitigar uma tragédia anunciada”, advertiu o advogado.

    Segundo dados do Infopen, de junho de 2019, havia  no país 758 mil presos, em unidades com lotação de 197%, sendo que 9,7 mil deles têm mais de 60 anos.

    Destes, 1.600 estão acima dos 70. Há ainda 8,6 mil pessoas diagnosticadas com tuberculose e 7,7 com HIV, doenças que acabam elevando as chances de letalidade pelo novo coronavírus.

    O requerimento enviado ao STF destaca que “Os centros prisionais, em pouquíssimo tempo, serão transformados em focos de alastramento de infecção”, uma vez que não existe presídio isolado do mundo.

    Vivendo em celas sem higiene, espaço ou alimentação adequados e acesso restrito à água, pessoas privadas de liberdade estão mais sujeitas que a média ao COVID-19.

    O risco se aprofunda com apenas 37% dos estabelecimentos prisionais contando com unidade básica de saúde.

    Assim, os infectados no sistema prisional teriam de ser atendidos em hospitais da rede pública, o que seria mais um fator de sobrecarga.

    Diversos países têm adotado medidas diferenciadas para conter o avanço epidêmico em prisões, como a suspensão de visitas e o isolamento em caso de suspeitas.

    Tais medidas, no entanto, não seriam completamente eficazes já que há um trânsito de agentes penitenciários e servidores dentro e fora das prisões, aumentando o risco de uma transmissão pelo coronavírus.

    Além disso, há registros de rebeliões na Itália no início do mês – que resultaram em seis mortes e 50 fugas – e, mais recentemente, na Jordânia, que também foi palco de duas mortes, como respostas às imposições de maior isolamento daqueles que cumprem a pena.

    O Irã, em contrapartida, decidiu libertar temporariamente mais 70 mil presos – entre eles, presos políticos, pessoas do grupo de risco e condenadas por crimes menos graves.

    (Com informações do IDDD)

  • Fundo da Garantia: R$ 15 bilhões já liberados não foram retirados
    Foto: Agência Brasuk

    Fundo da Garantia: R$ 15 bilhões já liberados não foram retirados

    Cerca de R$ 15 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ainda não foram sacados pelos trabalhadores, segundo o Ministério da Economia.

    O saque imediato do FGTS foi iniciado em 2019 e vai até 31 de março deste ano.

    Segundo a Caixa Econômica Federal, até o dia 9 de março, foram pagos mais de R$ 27,8 bilhões do Saque imediato do FGTS para 59,8 milhões de trabalhadores.

    A previsão da Caixa, divulgada inicialmente, era de pagamento a 96,4 milhões de trabalhadores, elegíveis ao Saque Imediato, totalizando R$ 42,6 bilhões.

    Inicialmente, a medida estabelecia o saque de até R$ 500 por conta do fundo, mas o limite do saque imediato subiu para R$ 998 com a sanção da lei de conversão da Medida Provisória nº 13.932/2019, no final do ano passado.

    O limite só subiu para quem tinha saldo de até R$ 998 (valor do salário mínimo, na época) em 24 de julho deste ano. Quem tem saldo acima desse valor na conta do FGTS só poderá retirar os R$ 500 originalmente previstos.

    Os clientes da Caixa com conta no FGTS tiveram o valor depositado automaticamente na conta corrente ou poupança.

    Os saques podem ser feitos nas casas lotéricas e nos terminais de autoatendimento para quem tem senha do Cartão Cidadão. Quem tem Cartão Cidadão e senha pode sacar nos correspondentes Caixa Aqui, apresentando documento de identificação, ou em qualquer outro canal de atendimento.

    No caso dos saques de até R$ 100, a orientação da Caixa é procurar casas lotéricas, com apresentação de documento de identificação original com foto.

    Quem não tem senha nem Cartão Cidadão e vai sacar mais de R$ 100 deve procurar uma agência da Caixa.

    Embora não seja obrigatório, a Caixa orienta, para facilitar o atendimento, que o trabalhador leve também a Carteira de Trabalho para fazer o saque. Segundo o banco, o documento pode ser necessário para atualizar dados.

    As dúvidas sobre valores e a data do saque podem ser esclarecidas no aplicativo do FGTS (disponível para iOS e Android), pelo site da Caixa ou pelo telefone de atendimento exclusivo 0800 724 2019, disponível 24 horas.

    (Com Agência Brasil )

  • Coronavírus já está em 155 países, com mais de 7 mil mortes

    Ultimos dados da Organização Mundial da Saúde sobre a pandemia do novo coronavirus, divulgados nesta terça-feira 17:

    Países atingidos: 155

    Número de pessoas infectadas: 182.400 (cento e dois mil e 400 casos)

    Número de mortes: 7.155

    Número de casos no Brasil: 296

    Casos investigados: 2.000

  • Em tempo de coronavirus, crise nas cadeias de São Paulo pode ser contagiosa

    As rebeliões que estouraram nesta segunda-feira em quatro penitenciárias do Estado de São Paulo tem grande potencial de contágio no ambiente nacional, onde a epidemia do coronavirus se combina com cadeias abarrotadas de presos, sem as mínimas condições de higiene.

    A causa das rebeliões teriam sido medidas restritivas devido ao surto de coronavirus.

    As primeiras informações no final da tarde indicavam rebelião e fuga de 1.500 presos em Mongaguá, penitenciária que tem capacidade para 1.600 prisioneiros, mas abriga 2.600.

    Mais tarde falou-se que seria “entre 300 e 600” o número de prisioneiros evadidos. Até às nove da noite, apenas 20 tinham sido recapturados

    As outras penitenciárias com rebeliões e fugas em massa seriam Tremembé, Ortolândia e Mirandópolis. Os números não foram divulgados até o início da noite. O sistema penitenciário do pais inteiro deve entrar em alerta.