Autor: da Redação

  • Bolsonaro semeia confusão no momento crítico do combate à epidemia

    Bolsonaro semeia confusão no momento crítico do combate à epidemia

    No momento em que se prevê a aceleração da propagação da Covid 19 no Brasil, o país amanheceu nesta quarta-feira dividido entre a orientação seguida pelos governos estaduais e as autoridades médicas e a posição do presidente da República, expressa em polêmico pronunciamento na noite de terça-feira.

    Alinhados às recomendações seguidas no mundo inteiro, os governadores e os especialistas da área de saúde adotam medidas para evitar a circulação de pessoas e as reuniões ou aglomerações para reduzir o ritmo do contágio.

    Na direção oposta, Bolsonaro disse em rede nacional  que não faz sentido suspender aulas, restringir transportes e manter as pessoas confinadas em casa, porque isso vai agravar as consequências da epidemia, provocando uma crise econômica e social de proporções incalculáveis.

    O presidente brasileiro se alinha com Donald Trump, que resiste à orientação de confinamento de toda a população como forma de conter a propagação da doença, como vem sendo adotado em todos os outros países. Trump diz que isso vai provocar uma crise econômica que pode “destruir os Estados Unidos”.

    Bolsonaro recomenda que os governadores revoguem as medidas de contenção já decretadas e seu posicionamento provoca uma reação em todas as áreas.

    No meio desse embate, está a população que revela perplexidade pois a posição do presidente da República contraria até a linha que vinha sendo seguida pelo Ministério da Saúde desde o início da crise.

    Neste contexto, o país perde uma condição que é apontada pelos especialistas como essencial no combate à doença que é a união de esforços e a solidariedade entre todos.

    A crise política que se acirra com esta situação pode ser mais danosa ao país do que a própria pandemia.

    Especialistas da área médica criticam desde o início a falta de iniciativa das autoridades brasileiras.

    A contenção, que é a primeira fase do combate a uma epidemia,  deve começar antes mesmo das primeiras notificações no país, com o controle de pessoas vindas de países ou regiões onde já há contaminação.

    O Brasil, assim como  Europa e os Estados Unidos , se encontra na fase de mitigação, que é quando as transmissões tem forma comunitária, sem possibilidade de saber a origem da contaminação. Segundo o Ministério da Saúde, há transmissão comunitária em todo o país.

    É o momento em que os infectologistas recomendam medidas que possam reduzir a transmissão: cancelamento de eventos, fechamento de locais públicos e comércio, diminuição da circulação de pessoas e quarentena.

    Quando o ritmo do contágio se acelera é preciso adotar medidas de supressão, para impedir o colapso dos serviços de saúde pelo grande número de pessoas contaminadas e os casos graves e as mortes.

    No Brasil, a primeira morte aconteceu no dia 17 e nesta quarta-feira, oito dias depois,  já são 48 mortes (40 em São Paulo, quatro no Rio, uma em Porto Alegre e outra em Manaus).

    O posicionamento do presidente Bolsonaro, agora, dissemina a confusão, reforçando a conduta errática que se percebe no governo federal desde o início, apesar das atitudes do ministro da Saúde, Henrique Mendetta, que agora ficou sem o que dizer.

    No início do mês de março, em visita aos Estados Unidos, o presidente Bolsonaro disse que o problema vinha sendo “superdimensionado”. E em nenhum momento assumiu a coordenação da estratégia de combate ao surto.

    O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mendetta, vinha quase na contramão da posição do presidente e foi o único apoio que tiveram governadores e prefeitos que tomaram no início do mês as primeiras iniciativas.

    Os próximos dias serão decisivos no desdobramento desta crise.

     

  • Pesquisa e “panelaços” retratam desgaste de Bolsonaro frente a crise

    Pesquisa e “panelaços” retratam desgaste de Bolsonaro frente a crise

    Já são 23 os integrantes da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos há duas semanas infectadas pelo novo coronavirus.

    Entre elas estão seis auxiliares diretos do presidente, além de três ministros.

    Bolsonaro, porém, já fez dois testes e, segundo ele, até agora o resultado é negativo. Bolsonaro disse que poderá fazer um segundo teste, se seu médico assim determinar.

    Na entrevista coletiva à imprensa na sexta=feira, um repórter perguntou se e ele iria divulgar o laudo médico que  resultou negativo. Bolsonaro ironizou  (“agradeço seu interesse pela minha saúde”) e desconversou.

    O jornalista insistiu, ele titubeou para responder e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, se antecipou dizendo que divulgar o laudo é “uma decisão pessoal que o presidente poderá tomar ou não, de a cordo com seu médico”.

    Por enquanto, os efeitos do coronavirus em relação a Bolsonaro se restringem à sua popularidade, que vem caindo desde o início por conta do seu comportamento, definido como “errático” na imprensa.

    Nesta segunda-feira, por exemplo, houve uma série de trapalhadas em relação à Medida Provisória assinada pelo presidente para amenizar os efeitos da crise na economia e no emprego.

    Um dos artigos da MP, que permitia às empresas dispensarem seus empregados por até quatro meses sem pagar salários, provocou  tantas críticas que o presidente se viu obrigado a revogá-lo poucas horas depois.

    Ele também minimizou a pandemia, chegando a falar em “histeria” e chamar a Covid 19 de “gripezinha”.

    Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta segunda-feira, retrata o desgaste que a crise vem causando em sua popularidade.

    O desempenho de Bolsonaro em relação à pandemia foi avaliado como ótimo/bom por 35% dos entrevistados na pesquisa, enquanto 33% consideram “ruim ou péssima” sua atuação frente à crise.

    O percentual de aprovação é  20 pontos inferior ao desempenho do Ministério da Saúde, com atuação avaliada como ótima/boa por 55%.

    Segundo o Datafolha, a avaliação de Bolsonaro também é inferior ao dos governadores no enfrentamento da crise.

    Desde o dia 15 de março, quando chegou a incentivar manifestações públicas e abraçou apoiadores, contrariando as recomendações do próprio governo, as redes sociais  refletem o desgaste crescente.

    Bolsonaro tentou mudar de postura na semana passada, convocando entrevistas coletivas ao lado dos seus ministros no Palácio do Planalto.

    Apareceu com máscara de proteção junto aos seus auxiliares e tentou colar sua imagem às ações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recebe elogios pela atuação da pasta nesta crise.

    Outro sintoma desse desgaste são os “panelaços” que há sete dias se repetem no início da noite nas principais cidades brasileiras, acompanhados dos gritos de “fora Bolsonaro”. Na noite desta segunda-feira não foi diferente

    Contaminados

    Os 23 contaminados que integraram ou tiveram contato com a comitiva de Bolsonaro nos EUA são os seguintes, segundo o G1:

    -Marcelo Thomé da Silva de Almeida, presidente da Federação de Indústrias de Rondônia
    -Major Mauro César Barbosa Cid, ajudante de ordens do presidente
    -Coronel Gustavo Suarez da Silva, diretor adjunto do Departamento de Segurança do GSI
    -Filipe Martins, assessor especial da Presidência
    -Embaixador Carlos França, chefe do cerimonial da Presidência
    -Sergio Segovia, presidente da Apex
    -Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia
    -Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional
    -Daniel Freitas, deputado federal
    -Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg)
    -Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia
    -Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
    -Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República
    -Nelsinho Trad (PSD-MS), senador
    -Nestor Forster, encarregado de negócios do Brasil nos Estados Unidos
    -Samy Liberman, secretário Especial Adjunto de Comunicação Social da Presidência
    -Francis Suarez, prefeito de Miami
    -Sérgio Lima, publicitário que trabalha com a família Bolsonaro na criação do partido Aliança pelo Brasil
    -Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro
    -Quatro integrantes da equipe de apoio da comitiva

     

     

  • Governo chinês diz que 90% dos projetos de infraestrutura foram retomados

    Governo chinês diz que 90% dos projetos de infraestrutura foram retomados

    A China retomou a construção de grandes projetos de infraestrutura, paralisados desde meados de janeiro por conta da epidemia do novo coronavírus.

    Segundo a agência oficial chinesa, quase 90% dos onze mil “projetos-chave” definidos pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) já estão em andamento.

    Na área de transportes ferroviários, são 533 projetos principais.

    Também foram retomadas as construções em 97% dos principais projetos de rodovias e hidrovias, 87% dos projetos de aeroportos e 86% dos projetos de conservação de água, segundo informou em entrevista coletiva no sábado um porta-voz da CNDR.

    Ainda há falta de mão de obra, meios de transporte e  fornecimento de matéria-prima, problemas que o governo pretende superar com a liberação de fundos do orçamento central e a emissão de “títulos de finalidade especial” para socorrer os governos locais.

    Segundo a mesma fonte, mais de 1 trilhão de yuans (US$ 144 bilhões) de títulos para fins especiais já foram emitidos para grandes projetos, como instalações de transporte, obras de conservação de água e parques industriais.

    O Conselho de Estado da China definiu também  medidas para acelerar a recuperação dos empregos e ajudar os trabalhadores migrantes a voltar ao trabalho.

    Outras medidas, como redução de impostos e taxas, devem ser adotadas para recuperar empregos, enquanto os investimentos em indústrias que podem criar mais postos de trabalho devem ser priorizados.

    Para “melhorar o ambiente para o empreendedorismo”, o governo promete uma cobertura mais ampla de empréstimos garantidos para as startups e apoio de políticas para investimentos de risco.

    Para ajudar os trabalhadores migrantes a voltar ao trabalho, o país manterá o transporte ininterrupto “ponto a ponto”, além de estabelecer uma série de iniciativas para ajudar os trabalhadores migrantes a encontrar trabalho nas suas proximidades.

    Para melhorar a oferta de emprego para trabalhadores graduados, será ampliada a escala de recrutamento nas empresas estatais, instituições públicas e exércitos, junto com matrículas em escolas de pós-graduação e postos de estágio profissional.

    O governo anunciou também que o seguro-desemprego estará disponível mediante solicitação online até o final de abril, e deve ser concedido apoio oportuno a pessoas cujos empregos foram afetados pela epidemia, especialmente em áreas mais atingidas, como a Província de Hubei.

    O país vai ampliar os programas de formação profissional, com foco em grupos-chave de trabalho, como trabalhadores migrantes.

    (Com informações da Xinhua News)

  • Nota da ARI: O antídoto da informação

    A Associação Riograndense de Imprensa emitiu hoje uma nota sobre a importância do acesso à informação neste momento de pandemia:

    “Neste momento preocupante da história da humanidade, em que uma pandemia de elevada letalidade ameaça a vida de milhões de pessoas, desafia a ciência médica, provoca abalos sem precedentes na economia e impõe extraordinárias mudanças comportamentais, a Associação Riograndense de Imprensa destaca a importância da informação independente, democrática e responsável como instrumento de defesa e proteção dos cidadãos.

    Ao reconhecer o trabalho incansável dos jornalistas e profissionais de comunicação que se empenham diariamente na apuração da verdade e na divulgação de notícias relevantes para o público, a ARI reafirma sua convicção de que a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o acompanhamento crítico das ações dos governantes são indispensáveis não apenas para democracia, mas também para a saúde e o bem-estar de todos.”

    Associação Riograndense de Imprensa

    Diretoria Executiva
    Conselho Deliberativo

     

  • Governo contaminado

    Assessor Especial da Presidência, despachando da sala 315 no terceiro andar do Palácio do Planalto, ao lado do gabinete presidencial, o olavista Filipe G. Martins é o 22º membro da comitiva que viajou com Jair Bolsonaro aos Estados Unidos infectado pelo coronavírus.

    Com as confirmações nesta quinta-feira (19) dos casos de Martins, do chefe da ajudância de ordens, Major Cid; diretor do Departamento de Segurança Presidencial, Coronel Suarez; e do chefe do Cerimonial, Carlos França, Jair Bolsonaro já perdeu totalmente o controle do número de casos de contaminações pela Covid-19 no Palácio do Planalto.

    Segundo a coluna Radar, da revista Veja, servidores do Planalto vivem um cenário de “completo descontrole e paranoia”, já que até alguns dias atrás não havia qualquer protocolo contra contaminação na principal dependência do governo federal.

    O teste de Jair Bolsonaro deu negativo, mas o Ministério da Saúde recomendou que o exame seja refeito na próxima semana. Enquanto isso, a recomendação é para que Bolsonaro siga em “monitoramento”.

    Saiba quem são os 22 membros da comitiva de Bolsonaro infectados pelo coronavírus

    Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República

    Nelsinho Trad, senador pelo PTB-MS

    Nestor Forster, embaixador e encarregado de negócios do Brasil nos EUA

    Karina Kufa, advogada e tesoureira do Aliança pelo Brasil

    Sérgio Lima, publicitário e marqueteiro do Aliança pelo Brasil

    Samy Liberman, secretário-adjunto de comunicação da Presidência

    Alan Coelho de Séllos, chefe do cerimonial do Itamaraty

    Quatro integrantes não-identificados da equipe de apoio do voo presidencial aos EUA

    Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

    Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia

    Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais

    Daniel Freitas, deputado federal (PSL-SC)

    Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI

    Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia

    Sérgio Segovia, presidente da Apex

    Filipe Martins, assessor internacional da Presidência

    Major Cid, chefe da ajudância de ordens

    Coronel Suarez, diretor do Departamento de Segurança Presidencial

    Carlos França, chefe do Cerimonial

    (Com informações da Forum)

  • Pesquisa mostra que 64% desaprovam comportamento de Bolsonaro diante da crise

    Pesquisa mostra que 64% desaprovam comportamento de Bolsonaro diante da crise

    Uma pesquisa da consultoria Atlas Político, feita entre 16 e 18 de março, mostra o desgaste do presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas.

    O Atlas Político faz pesquisas online, em tempo real.

    Em fevereiro, seu levantamento apontava que o presidente seria capaz de se reeleger em qualquer cenário.

    Agora mostra que 64% dos entrevistados reprovam a forma como Bolsonaro se comporta frente à crise da Covid-19.

    Quanto à expectativa sobre o desempenho da economia,  no levantamento anterior o percentual dos que esperavam melhoria na situação econômica era de 50,5%. Os que achavam que vai piorar eram 28,3%.

    Agora, 49,7% acreditam que ela vai piorar e os que prevêem melhora cairam para 31,6%.

    O número dos que apoiam uma deposição do presidente chega a 44,8%. Na pesquisa de 9 de fevereiro eram 38,1%, quase 7% de crescimento em pouco mais de um mês.

    A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 16 e 18 de março, por meio de questionários randômicos respondidos pela Internet e calibrados por um algorítimo. Tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%.

    “Nossa última pesquisa mostrava todos os indicadores de otimismo e confiança melhorando. Neste momento, o humor mudou em relação a tudo”, explica o cientista político Andrei Roman, criador do Atlas Político.

    Segundo os dados, 41% dos entrevistados consideram o Governo Bolsonaro ruim ou péssimo.

    O número dos que acreditam que sua gestão é regular é de 33%, e os que a consideram ótima ou boa são 26%.

    “A expectativa sobre a economia levou o maior tombo. Mas o otimismo em relação à criminalidade e à corrupção caiu também”, explica Roman.  Em fevereiro, por exemplo, era de 43,8% o percentual dos que acreditavam que a criminarlidade estã aumentando.  Agora, são 52,4%.

    Quanto à  corrupção, em fevereiro, era de 39,2% o percentual dos que acreditam que ela está mais elevada. Agora são 46,6% os que tem sensação de os crimes de colarinho branco estão crescendo.

    Quanto ao enfrentamento do coronavirus, embora 96% afirmem não ter ninguém de suas relações contaminado, chega a 80% o percentual dos que consideram que o sistema de saúde no país não está preparado para enfrentar a pandemia e 73% tem expectativa de que a situação vai piorar.

    Impeachment

    Para o cientista político autor da pesquisa, os dados relacionados ao impeachment captados pelo levantamento mostram que a adesão inicial ocorre entre os que já avaliavam mal o Governo.

    “Para esse grupo, essa crise parece ter sido a gota d’água. Mas também é possível que seja um pouco de comportamento estratégico. Que esses eleitores opostos a Bolsonaro sintam o enfraquecimento dele, então tenham decidido aderir ao impeachment”, explica.

    (Com informações do El País)

     

     

  • China diz que Eduardo Bolsonaro tem “comportamento errôneo e irresponsável”

    A Xinhua, agência oficial do governo chinês, divulgou a seguinte nota:

    A Embaixada da China no Brasil expressou quinta-feira sua “profunda indignação” e “forte protesto” às palavras do deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro, que na quarta-feira acusou o país asiático de silenciar a COVID-19.

    Em uma nota, a Embaixada chinesa afirmou estar extremamente chocada “por tal provocação flagrante contra o governo e o povo chinês” e alertou que, como deputado federal e “figura pública especial”, as palavras de Eduardo Bolsonaro “causaram influências nocivas, vistas como um insulto grave à dignidade nacional chinesa”.

    As palavras “ferem não só o sentimento de 1,4 bilhão de chineses, como prejudicam a boa imagem do Brasil no coração do povo chinês” e “geram também interferências desnecessárias na nossa cooperação substancial”, disse o texto.

    A Embaixada da China chamou as palavras de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em seu Twitter, de “comportamento totalmente errôneo e inaceitável, veementemente repudiado pelo lado chinês” e afirmou que o embaixador Yang Wanming já expressou sua insatisfação com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que defendeu Eduardo Bolsonaro.

    “Temos pleno conhecimento da política externa brasileira com a China e acreditamos que nas suas linhas não houve qualquer mudança. Ao mesmo tempo, opomo-nos às difamações e insultos contra a China impostos por qualquer um e sob qualquer forma”.

    A nota afirmou que a parte chinesa não aceitou “a gestão feita pelo chanceler Ernesto Araújo” para resolver o problema e ressaltou que “Eduardo Bolsonaro tem que pedir desculpa ao povo chinês pela sua provocação flagrante”.

    “O lado chinês defende sempre e de forma resoluta os seus princípios e jamais será ambíguo e tolerante com qualquer prática que afronte os seus interesses fundamentais. Esperamos que alguns indivíduos do lado brasileiro, na sua minoria, abandonem suas ilusões e muito menos subestimem a nossa resolução e capacidade de salvaguardar os nossos próprios interesses”, disse o texto.

    A nota lembrou que “ao longo do ano passado, com o esforço conjunto dos dois países, o relacionamento sino-brasileiro tem se desenvolvido de forma saudável e estável”, o que se refletiu nas visitas mútuas feitas pelos presidentes Xi Jinping e Jair Bolsonaro.

    A Embaixada chinesa lembrou que, desde o surto da COVID-19, “os nossos dois países têm mantido contatos estreitos e amistosos” e que o próprio Jair Bolsonaro “manifestou a solidariedade para com o governo e povo chinês, razão pela qual o lado chinês agradece muito” e que” atualmente, de acordo com o pedido do Ministério de Saúde do Brasil, estamos ajudando o país a adquirir os materiais médicos mais urgentes da China”.

    Segundo o texto, “os que atrapalham o desenvolvimento das relações bilaterais se limitam a uma minoria na população brasileira, enquanto a maioria esmagadora está em defesa da nossa fraternidade.

    “Esperamos que o Itamaraty possa tomar ciência do grau de gravidade desse episódio e alertar o deputado Eduardo Bolsonaro a tomar mais cautela nos seus comportamentos e palavras, não fazer coisas que não condizem com o seu estatuto, não falar coisas que prejudiquem o relacionamento bilateral e não praticar atividades que danifiquem a nossa cooperação”, segundo a Embaixada.

    As palavras infelizes de Eduardo Bolsonaro tiveram uma resposta rápida dentro do próprio governo brasileiro.

    Na quinta-feira, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, disse que as palavras do filho do presidente brasileiro criaram um constrangimento diplomático na relação entre os dois países e não representam a opinião do governo federal.

    “O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo. Não é a opinião do governo. Ele tem algum cargo no governo?”, disse Mourão à imprensa brasileira.

    Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pediu desculpas ao povo chinês pelas palavras de Eduardo Bolsonaro, que foram repudiadas por uma nota da Frente Parlamentar Brasil-China, enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou em uma nota nesta quinta-feira que deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China.

    A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e o maior mercado de exportação do país sul-americano há uma década.
     

  • Bolsonaro erra mais uma vez e até aliados admitem risco de impeachment

    Bolsonaro erra mais uma vez e até aliados admitem risco de impeachment

    A desastrada entrevista coletiva do presidente Jair Bolsonaro e ministros, todos com máscara, turbinou o panelaço programado nas redes sociais para o início da noite de quarta-feira.

    Já no momento em que o presidente fazia seu pronunciamento, os protestos se fizeram ouvir em diversas capitais.

    Na hora marcada, as panelas e os gritos de “fora Bolsonaro” se espalharam pelo pais, reforçados por imagens projetadas nas fachadas dos edifícios.

    O Jornal Nacional dedicou dois minutos reproduzindo cenas do panelaço em todos os Estados, gravadas pelos próprios manifestantes de dentro dos apartamentos.

    A entrevista no Palácio do Alvorada foi uma tentativa de reverter a repercussão negativa dos atos do presidente no domingo, quando saiu à rua para confraternizar com manifestantes na esplanada dos ministérios.

    Sua atitude contrariou as recomendações de todas as autoridades médicas e desautorizou seu próprio ministro da Saúde, que em reiteradas entrevistas pedia à população que evitasse aglomerações.

    O erro se tornou mais grave diante da constatação de que 17 integrantes do primeiro escalão do governo (inclusive dois ministros) estavam contaminados. Todos eles integravam a comitiva que, uma semana antes, acompanhou o presidente em sua viagem aos Estados Unidos.

    A repercussão negativa estimulou um panelaço já na terça-feira e deu ensejo a vários pedidos de impeachment  encaminhados ao presidente da Câmara Rodrigo Maia,  que tem sido um crítico implacável das atitudes de Bolsonaro. Depende dele levar avante o processo.

    Ao se apresentar, com seis ministros, todos usando máscaras, na entrevista coletiva desta quarta-feira, Bolsonaro pretendia reverter a sensação de que o presidente vem agindo de modo irresponsável em relação à epidemia do coronavirus. Em diversas vezes ele chamou de “histeria” o destaque que vem sendo dado à epidemia.

    O”teatro de máscaras”, como foi ironizada cena no Palácio Piratini, piorou mais a situação.  O próprio presidente demonstrou que não sabe usar a máscara. Iniciou falando com ela, depois tirou e deixou pendurada na orelha, para em seguida recolocar e logo tirar de novo.

    Os ministros também revelaram falta de sintonia,  uns falando com a mascara, outros retirando-a na hora de falar.  Esse desacerto, que em determinados momentos pareceu cômico, revelou o caráter improvisado da  manifestação presidencial.

    Renomados especialistas ouvidos pela imprensa condenaram a maneira como foram usadas as máscaras pelo presidente e seus ministros, revelando a falta de preparo da cúpula do governo e o mau exemplo dado à população.

    Pouco depois, o filósofo Olavo de Carvalo, tido como o “guru do presidente” manifestou nas redes sociais o seu desânimo com a situação.

    Ele diz: “desde o início do seu mandato, aconselhei ao presidente que desarmasse os seus inimigos ANTES de tentar resolver qualquer ‘problema nacional’. Ele fez exatamente o oposto. Deu ouvidos a generais isentistas, dando tempo a que os inimigos se fortalecessem enquanto ele se desgastava em lacrações teatrais. Lamento. Agora talvez seja tarde para reagir.”

    O panelaço foi registrado em São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Natal, Florianópolis e Curitiba  e cidades menores em diversos Estados.

    Houve também, atendendo a apelo do presidente, um panelaço pouco depois a favor do governo, mas de alcance muito menor.

    Pouco depois, Bolsonaro postou uma mensagem acusando o desgaste:

    “Nunca abandonarei o povo brasileiro, para o qual devo lealdade absoluta! Boa noite a todos!”, escreveu.

     

     

     

     

  • Chefe do Gabinete de Segurança é o 17º do governo Bolsonaro com coronavírus

    Chefe do Gabinete de Segurança é o 17º do governo Bolsonaro com coronavírus

    “Informo que o resultado do meu segundo exame, realizado no HFA, acusou positivo. Aguardo a contraprova da FioCruz. Estou sem febre e não apresento qualquer dos sintomas relacionados ao Covid-19. Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas”.

    Esta foi a mensagem publicada na manhã desta quarta-feira em uma rede social pelo general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional do presidente Jair Bolsonaro.

    Aos 72 anos, o general é o 17° integrante da cúpula do governo brasileiro a ter resultado positivo no teste para coronavirus.

    Heleno integrou a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na viagem à Flórida (EUA), na semana passada.

    Ele fez um primeiro teste, com resultado negativo, e realizou um novo exame na terça-feira (17).

    A primeira confirmação de contágio foi do secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, que também integrou a comitiva na viagem aos EUA.

    Bolsonaro fez dois testes até o momento e, segundo ele, ambos deram resultado negativo.

    Após fazer o teste, o general Heleno conversou com jornalistas e disse que se sentia bem, porém não era algo “absolutamente tranquilizadora” a situação.

    Heleno tem 72 anos de idade, ou seja, está nos grupos considerados mais suscetíveis ao Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

    Conforme a agenda oficial de Bolsonaro,  Heleno esteve em pelo três audiências com o presidente na terça-feira (17).

    O ministro Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, afirmou nesta terça que seu exame para coronavírus deu negativo.

     

  • Panelaços espontâneos em várias capitais pedem a saída de Bolsonaro

    Panelaços espontâneos em várias capitais pedem a saída de Bolsonaro

    Panelaços espontâneos  e gritos de “fora Bolsonaro”  que pipocaram em várias capitais e cidades no início da noite desta terça-feira, acendem o sinal amarelo para o governo Bolsonaro.

    Eles revelam o tamanho do erro cometido pelo presidente no domingo, quando saiu à rua para confraternizar com manifestantes que, instigados por ele, pediam o fechamento do Congresso e do STF.

    O que chocou não foi a aberração política, de um presidente eleito pelo voto de 57 milhões de brasileiros estimular manifestações anti-democráticas.

    O que chocou ( e pode ser fatal para o governo Bolsonaro) foi a atitude do presidente de afrontar a todas as recomendações de precaução em relação à pandemia do novo coronavirus, desmoralizando  inclusive de seu ministro da Saúde, ao sair à rua e cumprimentar e trocar apertos de mão com os manifestantes.

    Na Globo News, o jornalista Merval Pereira, editorialista da Globo e comentarista político, comparou as manifestações espontâneas desta terça ao início do processo que culminou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

    Um novo panelaço, desta vez organizado pelas redes sociais, está previsto para esta quarta-feira.

    Neste ritmo, Bolsonaro corre o risco de ser a primeira vítima política do efeito coronavírus no Brasil.  Um pedido de impeachment chegou na terça à tarde à Câmara.

    De autoria do deputado Leandro Grass, da Rede, o pedido cita cinco crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro:

    -apoio e convocação às manifestações do dia 15 de março de 2020 por meio da divulgação de vídeos em redes;

    -declaração, no último dia 9, de que as eleições gerais de 2018 foram fraudadas, cujas provas estariam em suas mãos e nunca foram apresentadas, nem no foro competente e nem para a imprensa;

    -declarações indecorosas direcionadas à jornalista Patrícia Campos Mello, feitas no dia 19 de fevereiro;

    -publicação de vídeo, em rede social, com conteúdo pornográfico, ocorrida no carnaval do ano de 2019 – o famoso episódio do golden shower;

    -determinação expressa de comemoração do Golpe Militar de 1964, direcionada às Forças Armadas Brasileiras, em 25 de março de 2019.