O pacote de projetos que o prefeito Nelson Marchezan mandou à Câmara para votação em regime de urgência, embaralhou de vez o debate sobre o transporte coletivo em Porto Alegre, que tem a tarifa mais cara entre as capitais brasileiras e, mesmo assim, está à beira de um colapso pela perda de passageiros.
O conjunto de seis projetos, que mudam radicalmente a forma de remuneração do transporte coletivo na cidade, foi apresentado de surpresa no final do recesso parlamentar, para votação em dois dias, apesar das medidas polêmicas que contém – a começar por uma esdrúxula “taxa de congestionamento” que seria paga por motoristas de outros municípios em trânsito pela capital.
Para embaralhar ainda mais as discussões, o pacote da prefeitura juntou aos seis projetos que propõem os subsídios um projeto polêmico que já estava em tramitação na Câmara, prevendo a extinção do cargo de cobrardor nos ônibus.
Através de subsídios de diversas fontes, o pacote do prefeito pretende “reduzir o valor da passagem de ônibus na Capital em aproximadamente R$ 1,00 já neste ano”, além de estabelecer “passe livre para todo trabalhador com carteira assinada” e congelar o passa estudantil em R$ 1,00.
A saída dos vereadores foi não dar quorum para as duas sessões convocadas e agora o pacote volta à ordem do dia, na reabertura dos trabalhos legislativos nesta segunda-feira, 3.
É previsível uma intensa e prolongada polêmica no legislativo, enquanto o prazo para o reajuste anual da tarifa vai se esgotando.
O pedido de reajuste já apresentado pelas empresas concessionárias no início de janeiro e que deve ser decidido em fevereiro, prevê um acréscimo de 50 centavos, que eleva a tarifa única dos atuais R$ 4,70 para R$ 5,20 – um aumento de 10,63% perante uma inflação anual de 4,13%.
Há mais de dez anos, o reajuste das tarifas de ônibus em Porto Alegre supera folgadamente a inflação e o reajuste dos salários dos funcionários, que segundo a ATP representam metade do custo operacional do sistema.






