A coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis, disse hoje (3), que o crescimento do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre de 2019, de 0,6%, é uma recuperação em relação ao pior momento da economia do país, que foi no quarto trimestre de 2016, porém não é uma recuperação total.
“A gente está se recuperando, mas ainda em um nível, um patamar pré-crise. Ainda não tivemos a recuperação total para chegar no máximo de PIB que a gente teve, que foi no primeiro trimestre de 2014, mas também não estamos no pior patamar, no pior momento, que foi no quarto trimestre de 2016”, disse.
Para Rebeca Palis o grande destaque pela ótica da demanda é o consumo das famílias, que tem peso de 65% na economia. A recuperação, embora gradual do mercado de trabalho, também influenciou o aumento do consumo das famílias no terceiro trimestre de 2019. Na comparação com o mesmo período de 2018, a alta do consumo das famílias ficou em 1,9%.
O crescimento nominal de 15,5% do saldo de operações de crédito com recursos livres do sistema financeiro nacional para pessoas físicas; a elevação da massa salarial real; a variação do IPCA de 3,2% no terceiro trimestre de 2019 contra 4,4% no mesmo período do ano anterior, foram outros fatores de influência no crescimento da economia no trimestre.
O consumo das famílias foi impactado também pela redução da taxa Selic de 6,5% no terceiro trimestre de 2018 para 6,3% em igual período deste ano, e pelo início da concessão das parcelas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em setembro.
Atividade econômica
Na ótica da atividade econômica, os três maiores desempenhos foram a construção civil, que cresceu pelo terceiro trimestre consecutivo, puxada pelo setor imobiliário; a extrativa mineral, que subiu no período influenciada pela extração de petróleo e gás, resultado do aumento de produção no pré-sal, incluindo a queda menor de extração de minério de ferro após o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais.
A outra atividade em destaque foi serviços. “Olhando para os serviços, a atividade que mais cresceu foi informação e comunicação, que é uma atividade que já vem crescendo há bastante tempo, por causa da internet e da parte de desenvolvimento de sistemas. Essas atividades econômicas, junto com o comércio, que tem tudo a ver com o consumo das famílias, e tem um peso importante na economia. Então, comércio, extrativa mineral, informação e comunicação e construção civil foram os principais destaques, olhando pela ótica da produção, do crescimento desse terceiro trimestre”, explicou Rebeca Palis.
Consumo do governo
Segundo a coordenadora de Constas do IBGE, a economia brasileira está alavancada pelo consumo das famílias e o investimento, que têm registrado crescimento nos últimos trimestres. Observou, no entanto, que as despesas de consumo do governo têm puxado para baixo a economia diante dos problemas fiscais nas esferas federal, estaduais e municipais.
Além disso, ainda segundo Rebeca Palis, o setor externo também tem contribuição negativa. “A gente está tendo um crescimento da importação de bens e serviços e queda na exportação de bens e serviços. Essa queda na exportação tem a ver com a crise na Argentina, principalmente no caso da indústria automotiva, além de uma baixa da demanda mundial, por minério de ferro, com o problema de [rompimento da barragem] Brumadinho, e com a China crescendo menos”, apontou.
Agropecuária
Na agropecuária, que cresceu 2,1% no terceiro trimestre de 2019, comparado ao trimestre de 2018, o algodão com crescimento de 39,7%, o milho com 23,2% e a laranja com 6,3% foram as contribuições positivas. Já com desempenhos negativos ficaram o café, com redução de 16,5%, e a cana, menos 1,1%. Na comparação do terceiro trimestre de 2019 com o período anterior, a agropecuária subiu 1,3%.
PIB
Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 1,842 trilhão no terceiro trimestre de 2019. Do total, R$ 1,582 trilhão se referem ao Valor Adicionado e R$ 259,7 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.
(Com Agência Brasil)
Autor: da Redação
Analista diz que alta do PIB ainda não reflete recuperação
Turismo e futebol sentem os efeitos da crise política no Chile
Até o ex-capitão do Inter, Elias Figueroa apareceu na capa dos jornais do Chile protestando contra a suspensão do campeonato nacional em função da crise política.
Torcedor do Wanderes que lidera a Primera B e vai ter que esperar mais um ano para ascender, Figueroa criticou a decisão da Associação Nacional de Futebol de suspender o campeonato no final. Os clubes reclamam dos prejuízos.
Mais grave do que os prejuízos no futebol é a frustração que se desenha na temporada de verão. Segundo a Associação Nacional de Corretores, destinos como Viña del Mar registram quedas de 40% nas reservas, em comparação com o ano passado.
Patricio Muñoz, presidente executivo da Associação disse aos jornais que dezembro é um mes perdido, embora mantenham esperanças de que para janeiro e fevereiro melhore. Normalmente em novembro estavam fechadas 80% das reservas para o Ano Novo e o resto do verão. A escassa demanda derrubou os preços que cairam 35%.Governo estima que 135 mil brasileiros têm o vírus da Aids e não sabem
Cerca de 135 mil brasileiros não sabem que têm o vírus HIV, e a maioria contraiu por não usar camisinha nas relações sexuais.
Mais de 900 mil pessoas vivem com o HIV no país. Desse total, em torno de 80% foram diagnosticados, segundo o Ministério da Saúde. A maioria dos infectados são jovens de 20 a 34 anos.
Para convencer essas pessoas a fazerem o teste, o Ministério da Saúde lançou nesta sexta-feira a Campanha contra o HIV/Aids: “Se a dúvida acaba, a vida continua”.
A ideia é explicar que, se o teste der negativo, basta se cuidar. Se der positivo, entrar com medicamento o quanto antes faz baixar a carga viral, e assim parar de proliferar o vírus.
A rede pública de saúde oferece a testagem gratuitamente, inclusive com testes rápidos, quando os resultados saem em 30 minutos.
O principal medicamento disponibilizado de graça é o dolutegravir, que diminuiu a quantidade do vírus no sangue. Assim o paciente tem menos chance de ficar doente, de transmitir o vírus nas relações sexuais e de desenvolver a Aids.
Christiano Ramos convive com o HIV há 32 anos. Ele revela que hoje o mais difícil não é o tratamento, mas sim combater o preconceito.
“A discriminação que existia no início da epidemia continua. Esse é o maior desafio nosso, realmente, combater esse preconceito e discriminação a que nós portadores somos submetidos no convívio social”.
Devido ao tratamento cada vez mais precoce, o número de mortes caiu nos últimos cinco anos. Em 2014, mais de 12,5 mil pessoas morreram devido a complicações da Aids. No ano passado, foram 10,9 mil.Consórcio Aegea vence leilão do saneamento da Corsan, a maior PPP do país
O Consórcio Aegea foi o vencedor do leilão da parceria público-privada (PPP) da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan).
Com uma proposta de R$ 2,40 por metro cúbico de esgoto faturado, com deságio de 37,92%, o consórcio deverá ampliar a cobertura de esgoto de aproximadamente 14% para 87,3%, em até 11 anos, nos municípios de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Eldorado do Sul, Esteio, Gravataí, Guaíba, Sapucaia do Sul e Viamão.
“É o início de uma nova etapa. Essa PPP, considerada a maior do país, reforça nossa absoluta convicção de que temos, na parceria com o setor privado, competição e concorrência saudável”, disse o governador Eduardo Leite. Os secretários de Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos Júnior, e de Parcerias, Bruno Vanuzzi, acompanharam o leilão.
Além do Consórcio Aegea, o Consórcio Sul Ambiental e a BRK Ambiental Participações S.A. foram considerados aptos a participar do leilão. No momento de abertura dos envelopes, na manhã desta sexta-feira (29/11), na sede da B3, em São Paulo, o Consórcio Sul Ambiental despontou na frente, com a proposta de R$ 2,61 por metro cúbico de esgoto tratado (deságio de 26,82%).
Em segundo lugar, ficou a Aegea Saneamento, com R$ 2,64 por metro cúbico (deságio de R$ 25,38%) e, por último, a BRK Ambiental, com a proposta de R$ 2,89 por metro cúbico (deságio de 14,53%).
Uma vez que houve diferença inferior ou igual a 15% com relação a menor proposta, o leilão foi levado à proposição por viva voz, para oferta de novosdeságios. Depois de 11 rodadas, o Consórcio Aegea acabou vencendo.
A homologação da licitação deve ocorrer em 24 de janeiro, e a Corsan espera assinar o contrato da PPP até março. O processo licitatório contou com assessoria técnica e apoio operacional da B3, uma das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro do mundo.
O projeto é a maior PPP de saneamento do país. Engloba um investimento total de R$ 2,23 bilhões, divididos em obras em execução pela Corsan (R$ 370 milhões) e investimentos do parceiro privado (estimativa de R$ 1,86 bilhão, repartido em R$ 1,63 bilhão para expansão do sistema de esgoto e R$ 230 milhões para ações comerciais e operacionais).
A Corsan assegura que nada muda para a população: a Corsan continuará praticando as tarifas normais de acordo com a tabela tarifária vigente para os serviços de esgoto e de acordo com a homologação da agência regulatória.
A cobertura atual de esgoto da Corsan é de apenas 18,44%, e o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estabelece a meta de 96% para a universalização do esgotamento sanitário até 2033. Para atingi-la, seria necessário um investimento total de aproximadamente R$ 12 bilhões.
Desde 2007, a Corsan investiu R$ 1,5 bilhão na expansão dos sistemas de esgoto, com investimento médio anual de R$ 127 milhões..
Modelagem
A contratação da PPP da Região Metropolitana tem como escopo a operação e a manutenção dos Sistemas de Esgotamento Sanitário (SES), com execução de obras de infraestrutura, ampliações e melhorias dos sistemas de esgoto. Como serviços acessórios, estão previstos o gerenciamento e acompanhamento dos projetos e obras dos SES a serem realizados pela Corsan, programas comerciais em hidrometração e identificação e retirada de fraudes em água e esgoto, e programa de ligações intradomiciliares para categorias sociais, este último com custo ressarcido pela Corsan.
A contratação se dará na modalidade concessão administrativa, em que os serviços são prestados à administração pública, que figura como “usuário direto” e remunera o parceiro privado na forma de contraprestação. O valor total da contratação é de R$ 9,6 bilhões, a serem pagos ao longo dos 35 anos de contrato. A PPP foi estruturada por uma equipe de técnicos da Corsan, com apoio da consultoria PwC.
(Com Secom Corsan)Luiz Pinguelli Rosa: "A esquerda está embaixo da mesa"
O programa de privatizações no setor brasileiro de energia foi o tema que lotou o auditório da Faculdade de Economia da UFRGS, nesta quinta-feira, 28.
Na mesa, duas autoridades: Luiz Pinguelli Rosa, engenheiro nuclear, doutor em Física, ex-presidente da Eletrobras, e Ildo Luís Sauer, engenheiro civil, mestre em energia nuclear, ex-diretor da Petrobras, diretor do Instituto Energia e Ambiente da USP.
Na plateia, estudantes de economia, sindicalistas, o ex-deputado Raul Carrion e o ex-governador Olívio Dutra.
O jornalista Juremir Machado da Silva fez as apresentações e coordenou os trabalhos.
Sauer começou falando da “apropriação social do recurso energético”, que seria a exploração econômica dos recursos naturais condicionada a um investimento no desenvolvimento social – educação, saúde.
Disse que a política neoliberal em andamento, vai no sentido oposto. Remete ao Estado Mínimo de que o Chile foi pioneiro, sob a ditadura de Augusto Pinochet. “O Chile foi o laboratório. Depois é que vieram Thatcher, Regan e outros. O Guedes se formou lá”.
Os protestos violentos que explodiram no Chile há um mês, segundo Sauer, são as consequências do modelo, que resulta num Estado esvaziado, problemas sociais agravados, o conflito nas ruas.
Segundo Sauer, o Brasil não sabe sequer as reservas de petróleo que tem, “talvez sejam as maiores do mundo”. Reservas medidas são 100 bilhões de barris, “mas podem ser 200 bilhões ou mais”.
A Eletrobras, que está no calendário das privatizações para 2020, já “está depenada”. A redução das tarifas no governo Dilma Rousseff contribuiu para isso.
“O problema é político” disse Luiz Pinguelli Rosa. “Jornalistas justificam todos os dias a necessidade de privatizar a Eletrobras, mas a Eletrobras deu lucro de R$16 bilhões em 2018, e no primeiro semestre deste ano deu R$ 8 bilhões. Vão vender ações, para passar o controle da companhia por R$ 20 bilhões, pouco mais do que o lucro de um ano”. “Parece que o país foi tomado por marcianos”, brincou.
Criticou também a oposição que “não foca no Paulo Guedes”. “Enquanto Bolsonaro distrai com piruetas, Guedes vai fazendo o serviço.”
Comparou a situação brasileira com a invasão da França pelos nazistas na Segunda Guerra. “Estamos vivendo o vexame da França ocupada.”
O pior, disse, é que a resistência da esquerda é pífia. “Nas sessões do Congresso dá para dormir”, brincou. “A esquerda está embaixo da mesa.”
Citou como casos que não mereceram a devida reação: a venda da BR Distribuidora: “Era o caixa da Petrobras”, e a privatização da distribuição de gás. “A Petrobras construiu a rede de 9 mil quilômetros de gasoduto, vendeu, agora vai pagar para usar”.
O discurso de que a competição fará as tarifas caírem “é falácia”: “As tarifas vão aumentar”, sentenciou.
.Chineses buscam oportunidades em áreas de inovação
A China tem quase 1,4 bilhão de habitantes e a maior classe média do mundo. Por isso, o consumo está crescendo muito nos últimos anos.
Estima-se que nos próximos 15 anos a China vai comprar do mundo mais de US$ 30 bilhões, conforme o embaixador da República Popular da China no Brasil, Yang Wanming.
Ele foi o palestrante nesta quarta-feira, 27/11, na Associação Comercial de Porto Alegre. O tema da palestra foi China e Rio Grande do Sul: um mundo de oportunidades.
No Rio Grande do Sul, além da compra de produtos agrícolas, como soja, fumo e carnes, as empresas chinesas estão de olho nas privatizações e envolvidas na renovação e construção de usinas termelétricas. “O RS é um estado dinâmico, com muitas oportunidades”, comentou o embaixador Wanming.
A China tornou-se a principal fonte de investimento estrangeiro no Brasil, chegando a US$ 80 bilhões e com maior taxa de crescimento nos últimos 15 anos. Das mais de 300 empresas chinesas no Brasil, 25 delas estão entre as 500 maiores do mundo.
Segundo o embaixador, esses investimentos estão migrando dos setores tradicionais como agricultura e manufaturados, energia e mineração para áreas que estão no topo da cadeia de valor, como energia limpa, agricultura moderna, inovação científica e tecnológica.
Wanming ressaltou que o Brasil é muito importante como país emergente no setor tecnológico, principalmente nas áreas de agricultura, biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial e cidades inteligentes. “Existe uma boa base de cooperação bilateral nas áreas aeroespacial, de ciência agrícola e pesquisa. Nessas áreas as empresas gaúchas podem desempenhar um papel ativo.”
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Headquarters of the Confuncius Institutes (HANBAN) e a Communication University of China (CUC) possui um dos 15 Institutos Confúcio instalados no Brasil, o maior número na América Latina. O Instituto oferece cursos de Mandarim, testes e atividades culturais. Mais de 10 mil alunos já estudaram no Instituto Confúcio da UFGRS e dezenas deles ganharam bolsa para estudar na China.Mesmo com aumento zero, orçamento terá déficit de R$ 5,2 bilhões
Foto: Celso Bender / Agência ALRS
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou nesta terça-feira (26/11), o projeto de Lei do Orçamento de 2020, com previsão de despesas de R$ 66,4 bilhões ao longo do próximo ano.
O texto final, que recebeu 38 votos favoráveis e 10 contrários, restabeleceu o limite zero na expansão dos gastos com recursos do Tesouro para 2020 e, mesmo assim, aponta para um déficit de R$ 5,2 bilhões diante da receita estimada em R$ 61,2 bilhões.
Por conta da crise fiscal, o governo do Estado propôs ainda, através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a necessidade de manter os gastos no mesmo patamar de 2019, iniciativa que chegou a ser alvo de contestação judicial
A proposta orçamentária compreende a previsão das receitas e a fixação das despesas de todos os poderes e órgãos da administração direta, autarquias e fundações, bem como define o custeio e investimento das empresas estatais gaúchas.
O projeto foi encaminhado para análise dos deputados pelo vice-governador Ranolfo Vieira Júnior, no início de setembro, na oportunidade em que estava como governador em exercício.
Sem considerar cerca de R$ 16,3 bilhões de movimentações intraorçamentárias (transferências destinadas, em especial, ao financiamento da previdência pública e do plano de saúde dos servidores), o total dos gastos será de R$ 50,1 bilhões, mantendo no mesmo patamar a diferença diante da arrecadação prevista de R$ 44,9 bilhões.

A partir de 2020, as transferências aos municípios (R$ 11 bilhões correspondente às cotas de ICMS e IPVA) serão deduzidas diretamente das receitas. Houve ainda a aprovação para destinar R$ 32 milhões através de prioridades definidas através de emendas parlamentares e de outros R$ 23 milhões que irão aportar mais recursos para o processo da Consulta Popular e políticas de combate à violência contra as mulheres. O texto com as emendas teve o aval da Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle há duas semanas, quando aprovou o parecer do deputado Mateus Wesp ao projeto.
Receitas
Principal elemento da arrecadação estadual, o ICMS tem projeção total para 2020 de R$ 37,55 bilhões. Desse montante, 25% representam a participação dos municípios. Com pouco mais de R$ 9,4 bilhões, as transferências correntes respondem pela segunda principal fonte de receita. Um aspecto que impacta nas contas são as perdas que o Estado enfrenta no financiamento da educação básica (Fundeb), que no próximo ano deverão passar de R$ 2 bilhões por conta da redução no número de alunos matriculados na rede estadual.
Despesas
Salários e outras obrigações que incidem sobre a folha representarão R$ 30,7 bilhões no Orçamento de 2020. Os servidores lotados na Segurança Pública, incluindo a área penitenciária, respondem por 33% desse volume (R$ 10,2 bilhões). Os vínculos da Educação somarão R$ 8,1 bilhões (26%), enquanto as despesas de pessoal e encargos dos demais poderes chegarão em 2020 a R$ 5,7 bilhões (19%).
Dos valores destinados à folha da área da Segurança Pública, 70% (R$ 7,2 bilhões) é reservado para os servidores inativos, cenário que não é muito diferente entre professores e funcionários de escolas. Dos R$ 8,2 bilhões da Educação, 61% (R$ 4,9 bilhões) são para aposentados. As duas áreas respondem por cerca de 80% dos vínculos entre ativos e inativos.
Ao longo do próximo exercício, a peça orçamentária projeta R$ 11,8 bilhões para despesas de custeio e manutenção da máquina pública, o que inclui repasses para hospitais, convênios com municípios para serviços de saúde, manutenção de escolas, estrutura dos órgãos de segurança, entre outros. Os serviços da dívida representarão outros R$ 4,5 bilhões.
Áreas prioritárias
Dos R$ 45,5 bilhões do total das despesas, incluindo salários, mas sem considerar os serviços da dívida, 54% são destinados para atividades com impacto direto na vida do cidadão: Segurança Pública (24%), Educação (20%) e Saúde (10%). O duodécimo aos outros Poderes responde isoladamente por 15% do total.
Dos R$ 9,2 bilhões previstos para a Educação, as principais destinações de recursos são para custeio e investimentos (R$ 1,05 bilhão), transporte escolar (R$ 206 milhões), merenda (R$ 167 milhões), autonomia financeira (R$ 176 milhões) e qualificação da rede de ensino (93 milhões).
A secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos, destacou a sensibilidade dos parlamentares em aprovar uma proposta realista. “O Orçamento 2020 contempla as ações estratégicas definidas pelo atual governo, porém reflete todo um cenário de muitas dificuldades fiscais. Estamos dispostos a seguir no controle de gastos, mas é imprescindível que a economia retome um ritmo mais forte de crescimento e o Estado consiga aderir ao Regime de Recuperação Fiscal”, afirmou.
Para manter os serviços de saúde, estão programados R$ 4,5 bilhões. A maior parte (R$ 3,8 bilhões) são para custeio e investimentos, no qual estão contemplados os convênios e programas desenvolvidos em parceria com prefeituras. E ainda há R$ 1,1 bilhão de projeção de gastos com o atendimento de média e alta complexidade, outros R$ 635 milhões são para cofinanciamento de hospitais e mais R$ 568 milhões o Estado prevê com a compra de medicamentos, incluindo as determinações judiciais.
O valor total das despesas da Segurança Pública está projetado em R$ 9,4 bilhões. Destaque para as despesas de custeio e investimentos, que devem bater na casa dos R$ 577 milhões, manutenção da polícia ostensiva no combate à criminalidade (R$ 153 milhões) e na renovação da frota (R$ 29 milhões).
Outro segmento que sempre tem forte demanda da sociedade se refere aos recursos destinados para as obras em rodovias. Para 2020, estão projetados R$ 734 milhões. Desse volume, R$ 390 milhões serão utilizados pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) para custeio e investimentos. A manutenção de estradas terá R$ 158 milhões (programas Conserva e Crema), outros R$ 44,2 milhões para finalizar a duplicação da ERS-118 e R$ 35 milhões nas ligações asfálticas.
Texto: Pepo Kerschner/Ascom Seplag
Edição: Marcelo Flach/SecomFederação dos Municípios apoia greve e diz que pacote "é retrocesso"
Foi lida na assembleia dos professores, nesta terça-feira, uma moção de apoio à greve aprovada pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul.
No documento, a entidade representativa dos 497 municípios gaúchos considera o pacote do governador um “retrocesso social num Estado que já foi exemplo político e social para o Brasil”.
Assinado pelo presidente da Famurs, Eduardo Russomano Freire, o documento afirma que a causa da crise fiscal do Estado “não está nos vencimentos dos servidores, em especial do magistério”, e considera “ultrajante” a proposta de uma alíquota de 4% de contribuição previdenciária para professores que recebem “pouco mais de uma salário mínimo”.
Além da Famurs, 217 Câmaras de Vereadores do Estado já aprovaram moções de apoio à greve dos professores e de repúdio às alterações no Plano de Carreira do magistério. Os municípios estão preocupados com a possibilidade de fechamento de escolas e da consequente repercussão nas economias locais, especialmente das cidades menores.
“Temos recebido apoio de muitos comerciantes locais, pais e alunos, simplesmente apavorados com a possibilidade de o pacote acabar com a educação pública. Para uma cidade pequena, a escola é muitas vezes o único polo de desenvolvimento, educação e cultura”, disse a presidente do Cpers/Sindicato.
(Com informaçôes do Extra Classe)Cpers promete o "maior ato da história das greves" na terra do governador
A assembleia dos professores em greve aprovou a agenda de mobilizações para os próximos dias, incluindo um grande ato em Pelotas na semana que vem.
Para esta quinta-feira, 28, etão programadas “passeatas luminosas” em várias cidades do Estado, buscando envolver a comunidade nos objetivos da greve a partir das palavras de ordem “abrace a escola pública”.
Na sexta, 29, a Mostra Pedagógica vai ocupar a Praça da Matriz com exposição e apresentações das atividades das escolas públicas do Estado.
E para a semana que vem está sendo preparado o ato de repúdio ao pacote de reforma administrativa em Pelotas – terra do governador Eduardo Leite. “Estamos preparando o maior ato da história das greves do Cpers”, anunciou Helenir Aguiar Schürer.
Em seu oitavo dia, a greve dos professores mantém cerca de 85% das escolas total ou parcialmente paralisadas, segundo dados apresentados pelo Ceprs/Sindicato.
A assembleia geral dos professores, que reuniu mais de 15 mil pessoas na Praça da Matriz na tarde desta terça-feira, 26, terminou em agressão a dirigentes sindicais por parte da Brigada Militar e com um saldo de nove pessoas feridas, entre elas a presidente do Ceprs/Sindicato, Helenir Schürer.
(Com informações do Extra Classe, Sul 21 e Cpers)
Cpers denuncia agressões, governo fala em "tentativa de invasão"
A assembleia geral dos professores, que reuniu mais de 15 mil pessoas na Praça da Matriz na tarde desta terça-feira, 26, terminou em agressão a dirigentes sindicais por parte da Brigada Militar e com um saldo de nove pessoas feridas, entre elas a presidente do Ceprs/Sindicato, Helenir Schürer.
A dirigente precisou ser atendida no Hospital de Pronto Socorro (HPS), com um ferimento no lado direito da cabeça.
Outros professores do Comando também tiveram de ser atendidos no Pronto Socorro devido a problemas respiratórios causados pelo gás de pimenta.

Helenir era uma das 30 pessoas do Comando Estadual de Greve que aguardavam para ser recebidas pelo chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, na porta do Palácio Piratini.
O grupo queria entregar um ofício pedindo a retirada do projeto de reestruturação administrativa do Estado, com mudanças no plano de carreira e perdas salariais, enviado pelo governador Eduardo Leite à Assembleia no dia 13 de novembro.
O pacote, que reformula pontos essenciais do Plano de Carreira do Magistério, é uma das causas para a greve que iniciou segunda-feira, 18.
Aos gritos de “retira, retira” vindos da multidão, os professores do Comando Estadual de Greve se concentraram em frente ao Palácio à espera de Vivian.
As agressões começaram quando o grupo foi recebido pelo chefe da Casa Civil na calçada do Palácio, em pé, já que o Piratini estava tomado por tropas de choque da Brigada Militar.
Revoltados, os professores que acompanhavam a assembleia romperam o isolamento e foram repelidos pela força policial com gás de pimenta e golpes de cassetete. Houve correria. Gradis e bandeiras foram arremessados contra os policiais, até que a porta principal foi fechada.
Além da presidente do Cpers, pelo menos outro professor ficou ferido na cabeça e teve de ser atendido no HPS. Rafael Claros, docente da Escola Estadual Souza Lobo, teve um corte profundo provocado também por um cassetete.
Piratini diz que houve tentativa de invasão
Em nota oficial, o governo do Estado diz que houve ” tentativa de invasão do Palácio Piratini”:.
“O governo do Estado repudia publicamente a lamentável tentativa de invasão do Palácio Piratini por parte de ativistas nesta terça-feira (26/11). No início da tarde, de forma democrática, o governo se dispôs a receber, mais uma vez, uma comissão de representantes do sindicato dos professores que protestavam em frente ao palácio.
Como mostram as imagens do circuito de segurança do Piratini, um grupo de manifestantes derrubou os gradis instalados em frente ao palácio e tentou invadir o local enquanto o chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, recepcionava a comissão acima citada. Da agressiva e injustificável ação dos manifestantes restaram dois policiais feridos.
O governo reitera a disposição em dialogar a respeito das propostas encaminhadas à Assembleia, como já vem fazendo desde o início do ano, quando visitou todas as entidades representativas de servidores. Além disso, o pacote de projetos foi apresentado individualmente a cada sindicato, antes mesmo do encaminhamento ao Legislativo.
Atitudes como a verificada na tarde desta terça-feira não ajudam em nada a resolver os problemas do Estado e colocam em risco a integridade física das pessoas envolvidas. A reforma em curso não é contra ninguém. Ela é a favor do futuro de um Estado que convive há décadas com uma crise que assola não apenas os servidores, mas principalmente os 11 milhões de gaúchos que aqui vivem”.
(Com informações do Extra Classe, Sul 21 e Cpers)



