O bolsonarismo, em baixa desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, se revigorou nestas eleições de 4 de outubro de 2026. Além de Flávio Bolsonaro, que venceu o primeiro turno da eleiçao presidencial e vai disputar o segundo turno com Lula, o clã Bolsonaro teve quatro membros eleitos de forma direta para cargos legislativos, enquanto o principal nome do grupo avançou para a disputa majoritária.
Foram eleitos:
Michelle Bolsonaro (PL): Esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, candidata ao senado pelo Distrito Federal, foi a mais votada.
Carlos Bolsonaro (PL): Filho do ex-presidente, mudou seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro e se elegeu senador por Santa Catarina.
Jair Renan Bolsonaro (PL): Filho do ex-presidente, até então vereador, se elegeu deputado federal por Santa Catarina.
Renato Bolsonaro (PL): Irmão de Jair Bolsonaro, se elegeu deputado federal pelo estado de São Paulo.
Demais familiares que tentaram se eleger nestas eleições ficaram de fora:
Rogéria Bolsonaro (PL): Ex-mulher do ex-presidente, concorreu a deputada federal pelo Rio de Janeiro e não foi eleita.
Eduardo Torres (PL): Cunhado de Jair Bolsonaro (irmão de Michelle), concorreu a deputado distrital no DF e ficou como suplente.
Valéria Bolsonaro (PL): Casada com um primo de segundo grau de Jair, tentou a reeleição para deputada estadual em São Paulo e não foi eleita
O destaque nos principais veículos da imprensa internacional é o papel do Brasil no jogo de forças do poder mundial, depois da eleição.
Uma vitória de Lula mantém o país no rumo atual de apoio ao multilateralismo, integrado ao Brics, com China, India, Russia, Irã, sem alinhamento automático com Estados Unidos, como quer Donald Trump.
Flávio Bolsonaro prega o alinhamento incondicional com a política norte-americano, como atestam os bonecos de Trump e a bandeira americana em seus comícios.
O Guardian registra que Donald Trump “vangloriou-se de que candidatos de direita venceram as sete eleições presidenciais realizadas na América Latina, desde o início de seu segundo mandato”.
As pretensões do Brasil, de soberania e independência contrariam as pretensões de Trump. Mais que isso: com vitória de Lula podem influenciar toda a América Latina.
Apenas seis países latino-americanos tem governos de esquerda: Brasil e México, as duas maiores potências regionais, os pequenos Uruguai e Guatemala, Cuba e Nicarágua. México e Brasil poderiam fazer pender toda a América Latina.
“A democracia também está em jogo aqui”, declarou um analista, observando que Flávio só está concorrendo porque seu pai, Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar, condenado por tentativa de golpe depois da eleição de 2022.
Das oito às 17 horas deste domingo, 4 de outubro de 2026, o Brasil estará em suspense, enquanto mais de 158 milhões de eleitores depositam seus votos nas urnas eletrônicas distribuídas pelo país.
O resultado vai decidir não só os rumos do Brasil, mas de todo o continente latino-americanos nas próximas décadas.
A disparidade entre as biografias dos candidatos é destacada nos principais veículos da imprensa internacional em contraponto à disputa apertada apontada pelas pesquisas.
O Guardian, de Londres, resume a disputa que os eleitores vão decidir neste domingo no Brasil assim: “A votação de domingo coloca o atual presidente de esquerda, Lula, contra o filho de um ex-presidente de extrema-direita condenado por tentar um golpe de Estado”.
Um presidente em terceiro mandato, líder de prestígio mundial frente a um político sem biografia, vinculado a grupos antidemocráticos e criminosos.
A revista Stern, da Alemanha, em extensa reportagem destaca a família Bolsonaro por sua capacidade de usar a política em proveito próprio, como fonte de enriquecimento. Diz que a única tentativa anterior de Bolsonaro de ocupar um cargo executivo foi em 2016 quando disputou para prefeito do Rio e chegou em quarto lugar.2016.
O caminho proposto por Lula, destacam, é um projeto nacional desenvolvimentista que articula crescimento econômico com inclusão social. É um projeto reformista que se desenvolve num ambiente de conciliação política, de negociação.
O desemprego, a pobreza e a inflação diminuíram , e a renda média aumentou, mas o endividamento das famílias também – algo que muitos atribuem às apostas online, que o então presidente Bolsonaro deixou sem regulamentação e que Lula proibiu dias antes da votação.
A campanha do atual presidente também foi atingida por alegações de corrupção – ainda sob investigação – envolvendo seu filho e um ex-assessor, enquanto um escândalo envolvendo juízes da Suprema Corte sem nenhuma ligação com Lula pode ter afetado o presidente.
Forças federais vão reforçar a segurança em 136 municípios de 12 estados brasileiros neste domingo, 4, no primeiro turno das eleiçõe gerais.
A medida, autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), busca assegurar a normalidade da votação e da apuração dos resultados em localidades que demandam atenção especial durante a realização do pleito.
Até o momento, o Plenário do TSE aprovou pedidos de envio de tropas federais encaminhados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do Acre, de Alagoas, do Amazonas, do Ceará, do Maranhão, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, do Pará, do Piauí, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte e do Tocantins.
As forças federais são formadas por militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e atuam em apoio à Justiça Eleitoral quando os órgãos locais avaliam que o reforço de segurança é necessário para garantir o livre exercício do voto e a tranquilidade do processo eleitoral.
Como os pedidos são analisados
Os pedidos de envio de forças federais são formulados pelos TREs e encaminhados ao TSE, responsável por analisar e deliberar sobre cada solicitação em sessão plenária.
Após a aprovação pelo Tribunal, os pedidos seguem para o Ministério da Defesa, que coordena o planejamento e a execução das operações pelas Forças Armadas.
Atuação prevista em lei
O emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem está previsto no Decreto nº 3.897/2001. A atuação ocorre de forma excepcional, em áreas previamente definidas e pelo tempo estritamente necessário para preservar a ordem pública, a segurança das pessoas e a proteção do patrimônio.
O apoio das forças federais integra o conjunto de ações adotadas pela Justiça Eleitoral para assegurar que eleitoras e eleitores possam exercer o direito ao voto com segurança, contribuindo para a realização de eleições tranquilas e transparentes em todo o país.
Estados
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou os pedidos enviados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) dos seguintes estados: [1]
Acre (AC)
Alagoas (AL)
Amazonas (AM) — incluindo 38 municípios
Ceará (CE)
Maranhão (MA)
Mato Grosso (MT)
Mato Grosso do Sul (MS)
Pará (PA) — abrangendo dezenas de municípios e locais de votação em aldeias indígenas
Piauí (PI)
Rio de Janeiro (RJ)
Rio Grande do Norte (RN) — com reforço confirmado em 10 municípios (como Serra Negra do Norte, Jardim de Piranhas, Alexandria, Doutor Severiano, João Dias, Tibau, Boa Saúde, Sítio Novo, Serra Caiada e Ipanguaçu)
Tocantins (TO) (Com informações do Tribunal Superior Eleitoral)
Trata-se de um iPhone 17 Pro Max apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.
O modelo está fora de linha, conforme as regras da obsolescência programada, mas nas redes autorizadas pode ser comprado por 10 mil reais, na versão inicial.
“Com a chegada da linha iPhone 18 Pro ao mercado, recentemente, a Apple encerrou as vendas oficiais do 17 Pro em sua própria loja, mas ele continua sendo amplamente comercializado e muito disputado em grandes revendas autorizadas “devido ao excelente custo-benefício”.
Foi lançado pela Apple em setembro de 2025, o que significa que o aparelho que passou pelas mãos de Vorcaro teve uns dois meses de uso, antes da prisão em novembro.
Registros divulgados pela polícia federal referem-se a conversas com ministros do STF em abril e outubro, indicativo de que conteúdos anteriores, de outro aparelho, foram transferidos.
O que vazou de sua memória, até agora, já causa a maior crise da história do judiciário brasileiro, compromete a Câmara, o Senado e respinga no Executivo. São 12 gigabites de memória, onde estariam registrados mais de 40 mil contatos do ex-banqueiro. É a moeda mais valiosa no mercado negro da política brasileira.
Um grupo de hackers roubou uma “enorme quantidade de dados pessoais sensíveis envolvendo potencialmente dezenas de milhares de ex-funcionários e funcionários atuais do FBI”
O caso, segundo o New York Times, “está se configurando como uma das piores violações de informações governamentais confidenciais, obrigando a agência a tomar medidas urgentes para proteger seu pessoal”.
O ataque ocorreu há uma semana, quando o grupo, conhecido como ShinyHunters, revelou que roubou informações pessoais de funcionários do FBI do portal de empregos da agência e ameaçou divulgá-las online.
Os investigadores do FBI ainda estão tentando entender como a violação ocorreu e qual foi o prejuízo total.
O ataque cibernético parece ter exposto endereços residenciais, números de Segurança Social, atribuições de trabalho sigilosas e muito mais, de acordo com uma análise do New York Times de alguns dos registros.
O caso está sendo comparado à violação de mais de 20 milhões de registros do Escritório de Gestão de Pessoal da China, há mais de uma década, considerada tão catastrófica que autoridades e legisladores juraram que algo semelhante jamais se repetiria.
Segundo fontes atuais e antigas do FBI, muitos funcionários só souberam do ataque cibernético na terça-feira passada, quando as notícias sobre o ocorrido vieram à tona.
No dia seguinte, a equipe do FBI recebeu um e-mail lembrando-os de que outubro é o mês da conscientização sobre segurança cibernética.
Na sexta-feira, a direção do departamento, em um comunicado interno aos seus funcionários, declarou o ataque como um incidente de segurança cibernética e reconheceu que informações pessoais de seus colaboradores foram roubadas.
“Estamos operando sob a premissa de que o agente da ameaça também está exfiltrando informações pessoais identificáveis de todos os funcionários do FBI”, segundo o memorando, descrito por alguém que o teve acesso, usando a abreviação para informações de identificação pessoal.
O memorando informava que a agência ofereceria reuniões informativas virtuais nas próximas semanas e instruía os funcionários a permanecerem vigilantes em casa e no trabalho, a relatarem quaisquer contatos ou ameaças não solicitadas, a evitarem atender chamadas de números desconhecidos e a configurarem contas de correio de voz com vozes geradas por inteligência artificial.
“A liderança da agência permanece comprometida em apoiar a segurança de você e sua família”, dizia o texto.
Ainda assim, muitos funcionários, tanto atuais quanto antigos, permanecem sem saber se seus dados foram roubados. Nos últimos dias, alguns perguntaram ansiosamente aos repórteres do Times se seus nomes constavam nos dados hackeados, questionando se precisavam tomar medidas para se proteger ou proteger suas famílias.
Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, a agência afirmou que está “trabalhando ininterruptamente para investigar o incidente cibernético envolvendo o FBIJobs.gov e está em comunicação constante com todos os afetados — incluindo diversas comunicações internas em até 24 horas após a divulgação pública”.
Juliana Brizola, candidata do PDT ao governo do Rio Grnde do Sul, abriu a série de candidatos que a equipe do programa Atualidade, da Rádio Gaúcha entrevista esta semana, na reta final para a eleição.
Foi um de seus melhores desempenhos nesta campanha. Adaptou-se ao exíguo tempo (45 minutos), soube sintetizar uma avaliação ampla dos desafios que terá de enfrentar, afirmou seus propósitos e, sobretudo, fez um diagnóstico certeiro da crise estrutural que atinge o Estado, fechando o foco nos últimos 12 anos (governos Sartori/Leite) quando o desequilíbrio fiscal se aprofundou, apesar dos cortes e das privatizações.
“Aumentaram impostos, cortaram custos, arrocharam salários, venderam empresas…tudo para por as contas em dia e, ao final de 12 anos, vamos ter no ano que vem um déficit de R$ 4,8 bilhão. Esse caminho foi um erro, não deu certo”. Ao reconhecer o erro, não se eximiu de ter apoiado essa política em alguns momentos.
Declarou que já tem um acordo com o presidente Lula, se ambos forem eleitos, para prorrogar por mais dois anos o Fundo de Reconstrução do RS, que garante não só investimentos federais, como prorroga o pagamento das parcelas da dívida pelos dois anos, ganhando tempo para negociar um outro acordo menos oneroso ao Estado.
Disse que tem conversado muito, mas de seus interlocutores, além de Lula citou apenas o empresário Jorge Gerdau, “amigo de meu avô”. De Lula, conseguiu a primessa da prorrogação do Funrigs, de Gerdau ganhou uma frase generosa: “O Rio Grande do Sul precisa de novas lideranças políticas. Tem os melhores quadros técnicos, mas não tem lideranças políticas.”
O Ministério da Fazenda estima em R$ 1,7 bilhão o saldo que os apostadores tem depositado nas bets, as plataformas de apostas on line que tiveram suas atividades encerradas no país.
O saque voluntário direto nos sites ou aplicativos vai até o dia 5 de outubro às 23h59.
Após essa data, as páginas saem do ar e o resgate dependerá do processo de repasse automático feito pelos bancos parceiros das operadoras.
Em apenas 15 meses (entre outubro de 2024 a março de 2026, as bets movimentaram R$ 351 bilhões em transações via Pix e lucraram R$ 62,5 bilhões (diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio), o que equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês de lucro líquido.
Os dados foram divulgados no Boletim Fiscal dos Estados, do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).
Segundo o boletim as perdas líquidas das famílias equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta e chegam a comprometer cerca de 0,9% a 1,1% do PIB do país.
Na avaliação do comitê, a forte expansão dos jogos online funcionou como um dreno de recursos que antes iam para o comércio e o consumo, tornando-se um dos principais motores do endividamento recorde no Brasil.
Foram estes dados que levaram o governo a proibir as operações de bets no território nacional.
PRAZOS PARA RESGATE DO SALDO
Até 5 de outubro (23h59)
Prazo para saque voluntário dos saldos diretamente pelas plataformas de apostas.
6 de outubro
Bloqueio total dos sites e aplicativos pela Anatel e remoção das lojas virtuais.
7 e 8 de outubro
Envio dos relatórios de saldos remanescentes (por CPF) das operadoras para os bancos.
9 a 14 de outubro
Devolução integral automática dos saldos direto nas contas bancárias dos usuários.
A partir de 14 de outubro
Repasse via Caixa Econômica Federal caso ocorra algum travamento nos bancos comerciais.
As empresas que dificultarem os resgates voluntários até o dia 5 ficam sujeitas a multas administrativas de até R$ 2 bilhões e punição por crime de apropriação indébita.
O governo federal projeta que a retirada das bets, combinada ao lançamento simultâneo do programa Desenrola 3.0 (para limpar o nome de endividados), reaquecerá o comércio no último trimestre do ano.
Aprovada em 2018
Aprovadas em 2018, no último mês do governo de Michel Temer, as bets só foram regulamentadas em dezembro de 2023. Ou seja, funcionaram por cinco anos praticamente sem regras.
A lei que regulamentava as bets determinava, por exemplo, que as empresas bloqueassem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Mas, segundo o advogado Júlio Leone, isso nunca ocorreu. Ao contrário, as empresas mandavam inúmeros bônus e anúncios aos jogadores.
Pessoas de todas as idades passaram a ser vítimas das violações cometidas pelas plataformas, inclusive, adolescentes.
Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio disse, no último ano, já ter feito apostas online. O levantamento foi feito a pedido da Frente Parlamentar Mista da Educação pela Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas). O estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país.
Um dos dados de maior impacto mostrava que as apostas começavam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes nessa faixa etária disseram já ter feito apostas.
Com o anúncio de proibição das bets, na sexta-feira (25), o Ministério da Saúde anunciou que aumentará os esforços para contatar apostadores contumazes, oferecendo acompanhamento e tratamento nos casos necessários. Segundo o ministro Alexandre Padilha, haverá políticas de busca ativa, a partir de dados compartilhados pelos ministérios da Fazenda e da Segurança e pela Receita Federal.
A incidência dessas enfermidades passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período.
Os números foram apresentados num congresso médico, que encerra nesta sábado, em Camboriu.
Conhecidas pela sigla DII, essas doenças tem diversas causas mas a mais recorrente delas é a má alimentação.
“A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais. Tem a genética, a poluição, os hábitos alimentares. Nossa dieta mudou muito nos últimos anos.”, explicou um dos autores do estudo, Abel Quaresma.
O pesquisador destaca que alimentos ultraprocessados detêm inúmeros aditivos que podem contribuir para essas doenças inflamatórias.
“Vinte anos atrás, você comprava um pão na padaria e, quatro ou cinco dias depois, ele mofava. Hoje em dia compra-se um pão de forma, ele fica três meses pronto para ser usado,” disse ele..
De acordo com Quaresma, os conservantes, corantes, espessantes – substâncias que deixam o alimento mais barato, dão maior volume, cor, cheiro e conservam – induzem essas doenças.
“São doenças que até por volta de 2015 eram consideradas doenças raras. E que estão tendo um boom em todo o mundo, inclusive no Brasil”. A gente projeta que, a partir de 2040, vão se tornar problema de saúde pública, como é a pressão alta, o diabetes.”
O especialista explica que essas doenças não têm cura, e o tratamento visa a controlar o processo inflamatório e os sintomas. O custo destes medicamentos chega a R$ 500 mil por ano, por paciente.
“São pacientes que, muitas vezes, são diagnosticados ainda jovens e que precisarão de acompanhamento por décadas”
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou uma revisão dos critérios de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, que monitora o mercado de capitais.
O ministro afirmou na decisão que a CVM vive um quadro de “atrofia institucional”, que permite a proliferação de fraudes, como os desvios ocorridos no caso do Banco Master. O alvo são os fundos de investimentos, usados para lavagem de dinheiro.
As atividades criminosas do Master teriam sido “favorecidas pela facilidade de ocultação de informações obrigatórias e pela suposta ausência de exigências fiscalizatórias por parte dos órgãos reguladores”.
Dino baseia-se em falhas apontadas pela Transparência Internacional, que enviou ao Supremo informações mostrando fragilidades nos controles internos da CVM e que podem comprometer a independência funcional do órgão.
Dino disse que há indícios do arquivamento de denúncias sem a realização de diligências mínimas e citou um caso encaminhado em 2022, que antecipava com “elevado grau de detalhamento” as irregularidades encontradas posteriormente no Banco Master.
Em 2025, por exemplo, a CVM absolveu os envolvidos na fraude que lesou em R$ 130 milhões diversos Institutos de Previdência Privada que investiram no Fundo Cais Mauá, criado para revitalizar o cais central de Porto Alegre. O contrato foi revogado pelo governo do Estado, mas o dinheiro sumiu. A CVM concluiu que as perdas decorreram de oscilações do mercado.
Lavagem de dinheiro
Segundo o ministro, uma resolução aprovada em 2022 pela CVM permitiu a formação de estruturas de investimentos em múltiplas camadas, sem limitação de teto. A modalidade ocorre quando um fundo de investimento investe em outro fundo.
De acordo com Dino, a norma permitiu uma “permissividade sistêmica” e pode favorecer a lavagem de dinheiro.
“Trata-se de matéria com repercussões diretas sobre a transparência das operações, a identificação dos beneficiários econômicos e a efetividade dos mecanismos de supervisão do mercado”, afirmou.