Autor: da Redação

  • “Carta de Porto Alegre” propõe frente global em defesa da democracia

    “Carta de Porto Alegre” propõe frente global em defesa da democracia

    Na quinta-feira, Olívio Dutra foi o primeiro a falar. Disse que a luta contra o fascismo é, essencialmente, uma luta contra governos que não colocam a vida humana como prioridade central das políticas públicas.

    “A democracia deve ser social e participativa, e não um instrumento controlado por minorias ou pelo mercado financeiro”, afirmou.

    Concluiu com uma convocação para derrotar o fascismo e o “bolsonarismo local” através da mobilização popular nas ruas. 

    A passeata, na quinta-feira, 26 de março de 2026, marcou a abertura da I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, em Porto Alegre.

    Pelo menos cinco mil pessoas foram às ruas no Centro da capital gaúcha no início da noite e caminharam do Mercado Público até o largo Zumbi dos Palmares, cruzando todo o Centro Histórico de Porto Alegre.  

    A organização envolveu partidos de esquerda (PSOL, PT, PCdoB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de sindicatos e coletivos.

    Delegados de mais de 40 países participaram dos debates sobre estratégias contra as ameaças à democracia pelo avanço da extrema-direita e do fascismo.

    Cerca de 3.500 pessoas se inscreveram nas conferências e painéis. As atividades ocorreram em diversos locais da capital gaúcha, com destaque para as sessões na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

    Sem ter a dimensão e o alcance das edições do Fórum Social Mundial, a Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, confirmou Porto Alegre como um potencial polo de resistência democrática, reunindo milhares de pessoas em atos públicos e debates. 

    A  conferência foi encerrada com a “Carta de Porto Alegre”, que reafirma a luta internacional contra o fascismo e em defesa da soberania dos povos, alertando para os riscos à democracia.

    Os atos reafirmaram a defesa da educação pública, ciência, tecnologia e soberania dos povos. 

    Os principais pontos e diretrizes do documento incluem:

    • criação de uma frente internacional ampla para combater o avanço de ideologias de extrema direita e proteger as instituições democráticas.
    • Condenação do “genocídio em Gaza” e o fim das ações militares na região.
    • Repúdio a ataques militares e sanções econômicas unilaterais, citando especificamente o apoio à autodeterminação do povo iraniano e o fim do bloqueio a Cuba.
    • Educação pública e ciência como bases fundamentais para a soberania nacional e a resistência ao fascismo.
    • Clima e Meio Ambiente com respeito a soberania dos povos sobre seus territórios. 

    O texto completo, aprovado no encerramento da 1ª Conferência Internacional Antifascista em 29 de março de 2026, está disponível nos seguintes links:

    • Portal da CUT-RS: Publicou o texto detalhando as resoluções sobre soberania e solidariedade internacional.
    • Site do CPERS Sindicato: Oferece o documento na íntegra com foco nas pautas de educação e serviços públicos.

  • Debate: “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?”

    Debate: “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?”

    Sul21, Brasil de Fato e IAB-RS promovem um debate sobre o Plano Diretor de Porto Alegre, no dia 30 de março. O evento “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?” será realizado a partir das 19h30, no solar do IAB, que fica na Rua General Canabarro, nº 363, centro da capital gaúcha.

    A Câmara de Vereadores de Porto Alegre iniciou neste mês de março o que será um longo processo de votação do projeto de lei que atualiza o Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) da Capital. Com 386 emendas apresentadas, a previsão de conclusão da votação é apenas no segundo semestre deste ano, o que indica um ano marcado por debates sobre o futuro da cidade na Câmara de Vereadores.

    O debate é aberto ao público e tem entrada franca e terá mediação de Vanessa Marx, professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Departamento de Sociologia da UFRGS e integrante do Observatório das Metrópoles, o evento terá como palestrantes a vereadora Juliana de Souza (PT), a conselheira do IAB-RS e professora do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e do PROPUR/UFRGS Clarice Oliveira e o promotor Cláudio Ari Pinheiro de Mello, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Ordem Urbanística e Questões Fundiárias do MPRS (Caourb-MP/RS).

    A organização convidou para o debate o secretário do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre, Germano Bremm, um dos responsáveis pelo elaboração da proposta da Prefeitura, bem como representantes da base aliada ao governo Sebastião Melo na Câmara de Porto Alegre, mas os convites foram declinados.

    Altura em foco

    Apesar de promover impactos profundos em diversas regras urbanísticas, o projeto de revisão do Plano Diretor encaminhado pela Prefeitura tem como foco, mais uma vez, a proposta de elevação da altura máxima para construções em Porto Alegre.

    O Plano Diretor em vigor, que data de 2010, estabelece a altura máxima de 45 metros para construções em algumas partes da cidade. Esse limite já foi rompido no caso do Centro e do 4º Distrito, que ganharam planos específicos e passaram a permitir construções que ultrapassam os 90 metros. A proposta do PDUS em discussão na Câmara é elevar o limite para até 130 metros em algumas áreas da cidade.

    Além da polêmica sobre a altura, há outras questões que indicam que a revisão pode, inclusive, ir parar no Judiciário. Em apresentação recente na Câmara, o promotor Cláudio Ari apontou que o projeto possui ao menos três aspectos importantes em desacordo com o Estatuto da Cidade: não toca na prevenção de desastres, amplia o índice construtivo em prejuízo à negociação de solo criado e torna as regras urbanísticas dependentes das secretarias municipais.

    Também há contestações se a elaboração da proposta de Plano Diretor seguiu as regras de participação e consulta popular previstas em lei.

    Estes temas, bem como os impactos das mudanças previstas na proposta para o futuro de Porto Alegre, serão debatidos no evento.

  • Pedro Ruas denuncia “isenções abusivas” de IPTU para grandes construtoras

    Pedro Ruas denuncia “isenções abusivas” de IPTU para grandes construtoras

    No ano passado, a prefeitura de Porto Alegre deixou de arrecadar R$ 74 milhões por isenções de IPTU. Deste total, R$ 55 milhões (74.5%) correspondem a 40 grandes empresas, como a Frapport Brasil, concessionária do aeroporto Salgado Filho; o grupo Melnick; a construtora Cyrella; a OAS; e até o Country Club, que nos últimos dois anos recebeu mais de R$ 10 milhões em isenções. Desde 2024, quando a cidade teve grandes perdas econômicas com a enchente, o valor praticamente dobra.

    Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo gabinete do vereador Pedro Ruas (PSOL) divulgado nesta terça-feira, 24 de março, numa entrevista coletiva.

    No dia anterior, em entrevista ao Jornal do Comércio, o prefeito Sebastião Melo disse que o orçamento municipal acumula um “déficit pós-enchente” de R$ 850 milhões. E que a única solução para equilibrar as contas são as privatizações e parceirizações, como a do DMAE, que está na Câmara.

    Pedro Ruas, em seu oitavo mandato, se declarou “espantado”. “Em 40 anos como vereador, nunca vi algo assim: a prefeitura quebrada, sem recursos para serviços essenciais, abrindo mão de imposto em favor de grandes empresas”.

    O levantamento divulgado por Ruas baseou-se em dados oficiais obtidos no site dados abertos.

    Pedro Ruas destacou que o Plano Diretor que está sendo votado pela Câmara Municipal “não tem uma linha” que trate sobre política habitacional. “É com tristeza que aponto esse fato. Nunca tantas pessoas estiveram, como agora, sem teto e sem qualquer planejamento político por parte do Poder Público municipal”.

    Detalhes das principais isenções de IPTU em Porto Alegre

    IPTU 2024IPTU 2025
    FR FRAPORT BRASIL S/A AEROPORTO DE PORTO ALEGRE- R$ 12.279.176,76FR  FRAPORT BRASIL S/A AEROPORTO DE PORTO ALEGRE-R$ 12.863.584,26
    MELNICK EVEN PITANGUEIRA EMPR IMOBILIÁRIO SPE LTDA-R$ 1.444.742,30 (I)MELNICK EVEN PITANGUEIRA EMPR IMOBILIÁRIO SPE LTDA-R$ 1.513.508,65
    PORTO ALEGRE COUNTRY CLUB – R$ 4.936.409,27PORTO ALEGRE COUNTRY CLUB-R$ 5.171.380,03
    OAS 26 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA- R$ 4.839.949,71OAS 26 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA-R$ 5.070.331,32
    MELNICK EVEN APUS EMPR. IMOBILIÁRIO LTDA-R$ 385.116,43 (II)MELNICK EVEN APUS EMPR. IMOBILIÁRIO LTDA-R$ 403.446,85
    BELEM NOVO GOLF CLUB-R$ 2.242.282,77BELEM NOVO GOLF CLUB-R$ 2.368.620,49
    MELNICK EVEN OCTANS EMPR. IMOBILIÁRIO LTDA.-R$ 815.733,78MELNICK EVEN OCTANS EMPR. IMOBILIÁRIO LTDA-R$ 854.561,72
    COUNTRY EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA-R$ 1.098.386,82COUNTRY EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA-R$ 1.134.809,05
    FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO PHORBIS-R$ 533.209,64PHORBIS FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA-R$ 703.707,17
    CYRELA SUL 010 EMPR.IMOBILIÁRIOS SPE LTDA-R$ 637.352,57CYRELA SUL 010 EMPR.IMOBILIÁRIOS SPE LTDA-R$ 667.689,33
    MVP EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A  -R$ 551.412,60MVP EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A  -R$ 577.658,45
    NILO COUNTRY EMPR. IMOBILIÁRIO SPE LTDA-R$ 516.913,31NILO COUNTRY EMPR. IMOBILIÁRIO SPE-R$ 541.517.56
    THEMIS EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA-R$ 436.968,49
    PLAENGE EMPREENDIMENTOS LTDA-R$ 402.619,66PLAENGE EMPREENDIMENTOS LTDA-R$ 419.400,53 (imóveis de luxo)
    Tiro 4 Clube Gaúcho de Caça e Tiro R$ 328,749,43  Tiro 4 Clube Gaúcho de Caça e Tiro R$ 344.388,47
    COMPANHIA PREDIAL E AGRICOLA S/A- R$ 7.089.943,73 (Sumiu)SR8 EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA.-R$ 392.175,03
    HABITASUL DESENVOLVIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A -R$ 2.266.503,16 (Sumiu)DE CARLI PARTICIPAÇÕES LTDA-R$ 300.341,60
    MONTALCINO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA -R$ 297.135,70
    N.ºempresasIsenções%
    40R$ 63,001,037.2079.2%
    635R$ 16,595,444.4620,8%
    Total =R$ 79,596,481.66100.0%
    100.0%
  • Juiz gaúcho analisa em livro limites entre convicção política e violação de direitos

    Juiz gaúcho analisa em livro limites entre convicção política e violação de direitos

    O juiz Gilberto Schäfer lança, nesta terça-feira (17), o livro Discriminação Política e Ideológica: O caso da relação médico-paciente. A obra parte de um episódio real ocorrido no Rio Grande do Sul, em que uma pediatra se recusou a continuar o atendimento de uma criança em razão do posicionamento político de seus pais — situação que acabou judicializada.

    A partir desse caso, o autor propõe uma reflexão mais ampla sobre um dos temas mais sensíveis do debate contemporâneo: os limites entre a liberdade de opinião e a discriminação. Em um cenário marcado pela crescente polarização social e pela judicialização de conflitos ideológicos, o livro investiga em que momento a divergência política deixa de ser expressão legítima e passa a configurar exclusão, estigmatização e violação de direitos.

    Com cinco capítulos que articulam teoria, conceitos jurídicos e casos concretos, a obra adota como premissa central a ideia de que a pluralidade de opiniões é um valor constitucional essencial à democracia. Nesse sentido, proteger convicções políticas e ideológicas não significa legitimar discursos intolerantes, mas garantir a preservação do espaço público de debate e participação cidadã.

    O autor também se dedica a delimitar os contornos entre liberdade de expressão e discriminação. Embora a manifestação de convicções políticas — inclusive críticas à ordem vigente — seja assegurada, ela encontra limites quando se transforma em discurso de ódio, incitação à violência ou ataque ao Estado Democrático de Direito.

    A análise incorpora instrumentos jurídicos como proporcionalidade e razoabilidade, além de dialogar com experiências internacionais, especialmente da Alemanha e dos Estados Unidos. O objetivo é compreender como diferentes sistemas jurídicos enfrentam a intolerância ideológica e constroem mecanismos para promover tolerância, pluralismo e igualdade sem comprometer a segurança jurídica.

    Outro ponto relevante da obra é a investigação sobre como a discriminação pode se manifestar não apenas na relação entre Estado e cidadão, mas também em vínculos privados, como contratos, relações de trabalho, consumo e associações. O livro ainda apresenta mecanismos práticos para identificar formas veladas de discriminação, incluindo técnicas probatórias e a análise da formação de estigmas nas relações sociais.

    Segundo Schäfer, a motivação para a obra surgiu da percepção de uma lacuna no campo jurídico brasileiro. “Ao longo do meu percurso, percebi a ausência de estudos que organizassem conceitos, oferecessem parâmetros claros e incentivassem o Direito a enfrentar com seriedade a discriminação política e ideológica”, afirma.

    O lançamento ocorre às 18h, na Escola da Ajuris, em Porto Alegre, com uma roda de conversa sobre o tema. O evento reunirá magistrados, operadores do Direito, acadêmicos e público interessado.

    Sobre o autor:

    Gilberto Schäfer é magistrado do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul, com atuação na comarca de Porto Alegre. Graduado em Direito, possui mestrado e doutorado em Direito Público pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, além de pós-doutorado em Direitos Fundamentais pela Universidade de Lisboa. Também conta com especializações em áreas como Direito da Anticorrupção, Direito Sanitário, Bioética e Direitos Humanos.

    Serviço:

    Lançamento do livro Discriminação Política e Ideológica: O caso da relação médico-paciente

    Autor: Gilberto Schäfer

    Data: 17 de março

    Às 18h, roda de conversa, com o autor e convidados, para aprofundar os debates do livro, seguida de Sessão de Autógrafos.

    Convidados: Bruno Miragem, Flávio Tavares, Jayme Weingartner Neto, Paulo Gilberto Cogo Leivas e Roger Raupp Rios.

    Local: Escola da Ajuris – Rua Celeste Gobbato, 229 – Praia de Belas, Porto Alegre.

    O livro pode ser adquirida pelo site da editora Thoth: editorathoth.com.br 

  • Concessão do Cais Mauá trava, de novo

    Concessão do Cais Mauá trava, de novo

    A concessão do Cais Mauá vive um novo impasse. O consórcio Pulsa RS, vencedor da licitação, solicitou ao governo gaúcho a prorrogação do prazo para a assinatura final do contrato, prevista para quarta-feira, 11 de março. Com isso, o grupo fica dispensado, por ora, do pagamento de mais de R$ 11 milhões ao Estado e da apresentação da documentação necessária para assumir a gestão dos armazéns.

    O consórcio afirma que precisa reavaliar a viabilidade financeira e operacional do projeto diante de mudanças recentes, como os impactos da enchente de maio de 2024 e a extensão do prazo contratual do Cais Embarcadero — que foi renovado por mais cinco anos aos atuais responsáveis em contrapartida aos restauros pós-enchente. O governo estadual informou que o pedido será analisado “técnica e juridicamente” e que, caso não seja aceito, a licitação poderá ser cancelada.

    O leilão para o Cais ocorreu em fevereiro de 2024 e teve o Pulsa RS como único participante. Inicialmente, o contrato deveria ser assinado em até 90 dias, mas a calamidade climática atrasou o cronograma.

    O projeto prevê investimentos de R$ 353,3 milhões, incluindo a revitalização de 12 armazéns históricos e um novo sistema de proteção contra cheias, além da possibilidade de empreendimentos imobiliários nas docas. No entanto, o destino do Muro da Mauá permanece incerto.

    Esta é a segunda concessão do Cais Mauá, na verdade. A primeira, formalizada em dezembro de 2010, terminou em maio de 2018, quando uma operação da Polícia Federal revelou uma enorme fraude financeira que dilapidou R$ 130 milhões captados junto a fundos de previdência. Esta história já foi contada pelo JÁ em edição especial.

    Íntegra da nota do consórcio Pulsa RS:

    O Consórcio Pulsa RS solicitou ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul a prorrogação do prazo para a assinatura do contrato definitivo da concessão do Cais Mauá, inicialmente prevista para o dia 11 de março. A medida decorre da necessidade de reanálise da viabilidade financeira e operacional do projeto, considerando fatos recentes que impactam o cenário do empreendimento, especialmente os desdobramentos relacionados à extensão do prazo contratual do Cais Embarcadero.

    O consórcio reafirma seu compromisso com a revitalização do Cais Mauá e segue em diálogo com o Governo do Estado para que a assinatura do contrato ocorra em bases sólidas e alinhadas à realidade atual do projeto.

    **Clique aqui para ler mais sobre a concessão do Cais na coluna Economics

  • Atrasadas e mais caras, obras no Centro Histórico chegam ao fim

    Atrasadas e mais caras, obras no Centro Histórico chegam ao fim

    As três maiores obras no Centro Histórico de Porto Alegre acumulam atrasos que causam prejuízo de R$ 26,5 milhões.

    A Usina do Gasômetro, símbolo da cidade, ficou 12 anos fechada. O custo da reforma, estimado em R$ 12,5 milhões no edital de 26 de agosto de 2019, acabou em 25,9 milhões no final das obras em 2025. Ainda não foi entregue ao público.

    Um convênio entre o Governo Federal, dono do prédio, e a prefeitura de Porto Alegre foi firmado na semana passada, definindo as normas para ocupação e uso do espaço de 10 mil metros quadrados, com instalações para cinema, teatro, serviços, exposições, eventos.

    Aguarda-se um edital de parceria público-privada (PPP), para escolher a empresa que vai gerir o maior espaço cultural do Estado. Para atrair interessados, a prefeitura oferece um “aporte público” de R$ 7,5 milhões na fase de implantação do projeto. O contrato deve visar à ativação, operação e manutenção da usina ao longo dos 20 anos e o parceiro privado poderá explorar economicamente a usina por meio de eventos culturais, oficinas e gastronomia.

    Viaduto Otávio Rocha

    Escadarias do passeio Primavera foram liberadas para o público. Foto: Pedro Piegas/PMPA

    Prevista para durar 18 meses e ser concluída em maio de 2024, a revitalização do Viaduto Otávio Rocha, na Borges de Medeiros, ainda não terminou e já custou R$ 6 milhões a mais do orçado inicialmente. Saiu de R$ 13,7 milhões para R$ 19,7 milhões.

    Nesta sexta-feira, 6 de março, as escadarias do Passeio Primavera do viaduto – sentido rua Duque de Caxias/rua Fernando Machado – foram liberadas ao público.

    Obras no viaduto Otávio Rocha atrasaram dois anos. Foto/JÁ

    A obra de recuperação estrutural e de revitalização do espaço, com 9.500 metros quadrados, está concluída. 

    Conforme a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), restam pequenos reparos no revestimento em cirex (um tipo de argamassa decorativa), arremates de pintura, limpeza geral dos espaços e desmobilização da obra. Até o final do mês estará tudo pronto, garante a Prefeitura.

    Revitalização do Quadrilátero Central

    Entregue há quatro dias pela Prefeitura, a revitalização do Quadrilátero Central custou 54% a mais do valor inicialmente projetado e com um atraso de quase dois anos. A Prefeitura anunciou um investimento inicial de R$12,7 milhões, gastou R$19,8.

    A ‘nova’ Rua dos Andradas faz parte das obras no Quadrilátero Central. Foto: Alex Rocha/PMPA

    “Essa é uma obra muito importante e um marco para a cidade. Melhoramos a caminhabilidade, a segurança, o que se reflete no movimento do comércio. A revitalização faz parte de uma série de investimentos que estão e continuarão sendo feitos no centro histórico”, destaca o secretário da Smoi, André Flores.

    O trabalho foi realizado em 16 mil metros quadrados de calçada e em 2,5 quilômetros de via. As intervenções aconteceram nas avenidas Otávio Rocha e Borges de Medeiros; e nas ruas General Vitorino, Voluntários da Pátria, Marechal Floriano Peixoto, Vigário José Inácio, Doutor Flores, Andradas e Uruguai.

    Seis toneladas e meia de concreto para colocar 128 esferas no passeio. A maioria já foi retirada do local. Foto/JÁ

    Foram executadas ao todo 11 frentes de trabalho. Não sem polêmicas – como a das esferas de concreto que foram colocadas no Largo Glênio Peres. Seis toneladas e meia de cimento foram utilizadas para a confecção das 128 esferas (52 quilos cada uma). Elas serviriam para delimitar o espaço de circulação e impedir que carros estacionem em áreas de pedestres ou próximas às fontes d’água do largo. Mas a instalação gerou críticas devido aos impactos na acessibilidade e chegou a atrapalhar o corpo de bombeiros no atendimento a um incêndio em um prédio próximo. Grande parte das esferas já foi retirada do local.

    A Prefeitura justifica que o atraso nas obras se deu por conta da enchente de 2024, e problemas nas estruturas subterrâneas.

  • Com pressão de CPI e auditoria do TCE, governo Leite adia leilão para concessão de rodovias

    Com pressão de CPI e auditoria do TCE, governo Leite adia leilão para concessão de rodovias

    O governador Eduardo Leite, em coletiva de imprensa realizada no Palácio Piratini nesta terça-feira (3/3), prometeu uma redução da tarifa e mudança na data do leilão do Bloco 2 de rodovias no Estado. O bloco envolve estradas localizadas no Vale do Taquari e Norte do Rio Grande Sul.

    A tarifa quilométrica esperada foi reduzida de R$ 0,19 para R$ 0,18, uma diminuição de 5%. A alteração se deu após contribuições das análises do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), publicadas em um novo relatório.

    O governo também se viu pressionado pelas investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios, que apura possíveis irregularidades nas propostas de concessões rodoviárias dos Blocos 1, 2 e 3.

    Relator da CPI, deputado Miguel Rossetto diz que objetivo é rever todos os contratos do Estado. Foto: Raul Pereira/ALRS

    Relator da CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa, o deputado Miguel Rossetto (PT) destacou a suspensão do leilão – “É uma vitória importante do povo gaúcho, vitória importante da CPI. O pedágio proposto pelo governo Leite é muito caro, os investimentos nunca aparecem e o que aparece são as multas”, afirmou, reforçando que o TCE apontou irregularidades. “Nosso trabalho agora é garantir que o Bloco 1 também seja suspenso e garantir que os investimentos possíveis de serem feitos com os recursos públicos imediatamente sejam traduzidos em obras para a população”, completou.

    O deputado Rodrigo Lorenzoni (PP), também destacou que o recuo do governo demonstra que a CPI produz efeitos concretos e reforça que as críticas feitas ao modelo estavam corretas.“Sempre defendemos concessões bem estruturadas, com equilíbrio tarifário, transparência e segurança jurídica. O que questionamos foi o modelo escolhido pelo governo, que apresentava inconsistências e falta de diálogo com a sociedade”, afirmou.

    Foram 49 itens analisados pelo serviço de auditoria do TCE-RS, com, segundo o executivo estadual, 44 pontos sanados ou esclarecidos. Cinco deles constarão na republicação do edital da concessão, prevista para a primeira quinzena de março – entre eles, a atualização do valor da tarifa.

    Em razão da alteração do projeto, a nova data do leilão será em maio ou junho, na B3, em São Paulo, e a assinatura de contrato em outubro deste ano. Conforme Leite, a auditoria do TCE-RS não apontou nenhuma irregularidade no projeto.

    Leite também reforçou que não há possibilidade de o Estado recuar no programa de concessões – “A escolha é agora. Não existe a hipótese de o Estado simplesmente não fazer as concessões”.

    Sobre o Bloco 2

    Com a realização da concessão, as rodovias que atualmente são administradas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) passarão para o consórcio privado que vencer o leilão. Com isso, a empresa pública deixará de operar nos locais.

    O Bloco 2 compreende 32 municípios, que representam 17,5% da população do Estado, e prevê R$ 6 bilhões de investimentos – com R$ 1,5 bilhão de aporte do governo do Estado, via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Nos primeiros dez anos da concessão, o investimento será de R$ 4,6 bilhões. O projeto contou com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a estruturação da proposta.

    Ao todo, 409 quilômetros de extensão integram o bloco de rodovias, abrangendo trechos da ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453. A concessão prevê 182 quilômetros de duplicações, 71,5 quilômetros de terceiras faixas, 745 quilômetros de acostamento e 37 passarelas de pedestres, entre outros benefícios.

    Atualmente, todas as rodovias mencionadas são de pistas simples, com alguns trechos com terceiras faixas. O bloco contará com o sistema free flow, que não teve mudança na localização dos seus pórticos em relação ao publicado na primeira versão do edital.

  • Moradores e ambientalistas protestam contra espigão na Gonçalo de Carvalho

    Moradores e ambientalistas protestam contra espigão na Gonçalo de Carvalho

    Em manifestação neste sábado, 28 de fevereiro, cerca de 300 pessoas, entre moradores da rua Gonçalo de Carvalho e ambientalistas, protestaram contra o projeto da construtora Melnick, que pretende erguer um prédio de 20 andares e 163 apartamentos na área de estacionamento do Shopping Total.

    Uma das entradas do novo empreendimento será pela pequena rua, batizada carinhosamente como a “mais bonita do mundo” graça ao seu famoso túnel verde formado por mais de uma centena de árvores tipuanas.

    O ato, na saída do estacionamento do Shopping Total, lembrou que até agora os moradores praticamente não foram consultados pela prefeitura ou pela construtora e aponta para as preocupações com o novo espigão, de 60 metros. O grupo chamou atenção para o impacto da movimentação de grandes veículos, que devem ser usados na construção, em uma uma rua de paralelepípedos e pequena, e que, quando concluído, o prédio irá projetar uma enorme sombra em um local altamente arborizado.

    Hoje, a altura máxima permitida nos edifícios na Gonçalo de Carvalho é de 12,3 metros. Mas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), em resposta dada ao portal de notícias Sul 21, diz que a construtora enquadrou o projeto na Lei Complementar Municipal nº 960, de 5 de outubro de 2022, que institui o Programa +4D de Regeneração Urbana do 4º Distrito. O programa estabelece regramentos urbanísticos específicos, além de incentivos urbanísticos e tributários promotores de desenvolvimento. 

    A rua e o terreno do Shopping Total, que pertencem ao bairro Independência, foram colocados dentro do 4º Distrito especialmente para a realização do programa de incentivo. O que permitiu que o empreendimento fosse inicialmente aprovado sem apresentar Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e sem passar pela análise dos conselhos municipais.

    O projeto da Melnick, nomeado edifício Tipuanas, consiste de uma torre de 60 metros de altura com 163 apartamentos, e prevê investimento de R$ 100 milhões. Segundo a construtora, a obra não irá remover árvores ou modificar a estrutura da rua. O prédio ficará no estacionamento do shopping Total, que, em troca, poderá explorar um “boulevard” que também será construído no local. Está previsto que uma cervejaria deverá ocupar o espaço.

    A Gonçalo de Carvalho é conhecida pelo seu “túnel verde” formado por mais de 100 tipuanas de até 15 metros de altura, plantadas há mais de 90 anos. A via é um Patrimônio Ambiental de Porto Alegre, preservado após mobilização dos moradores e com reconhecimento em lei de 2006. E apesar de danos causados por temporais, a rua continua sendo símbolo de integração entre natureza e ambiente urbano na capital gaúcha.

  • Polícia Civil indicia 34 pessoas por suspeitas de fraudes milionárias na Educação em Porto Alegre

    Polícia Civil indicia 34 pessoas por suspeitas de fraudes milionárias na Educação em Porto Alegre

    Nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, a Polícia Civil gaúcha finalizou o conjunto de inquéritos da Operação Capa Dura, no total foram 34 pessoas indiciadas.

    O esquema pode ter movimentado mais de R$ 58 milhões e funcionou dentro da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (Smed) entre 2021 até 2023. Houve direcionamento de licitações, uso de orçamentos falsos e pagamentos de propina.

    Entre os indiciados há nomes como o da ex-secretária de Educação municipal Sônia da Rosa, o vereador Alexandre Bobadra e o ex- vereador Pablo Melo (filho do prefeito Sebastião Melo), além do empresário Jailson Ferreira da Silva, um dos mentores das fraudes, segundo o relatório policial.

    O número de indiciados aumentou de 24 (em maio de 2025) para 34 porque a Polícia Civil finalizou frentes que corriam em paralelo. Os principais crimes apontados são de corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

    Para a polícia, o esquema criminoso se utilizava da modalidade de “carona” em atas de registro de preços de outros estados (como Sergipe) para comprar materiais sem concorrência e com superfaturamento. Foram identificadas compras de milhares de livros didáticos e centenas de telas interativas (lousas digitais). Muitos dos materiais foram estocados em depósitos, sem uso, enquanto o pagamento às empresas de Jailson Ferreira era priorizado em tempo recorde.

    Novas frentes na investigação, agora concluídas, revelaram que o esquema não se limitava a livros e telas; ele funcionava como um “cardápio de fraudes” dentro da Smed. O grupo utilizava a mesma lógica das “caronas” em atas de preços para contratar empresas de reforma sem licitação real.

    O processo agora segue para o Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia formal contra os 34 envolvidos.

    Vale lembrar que na Câmara municipal ocorreram duas CPI simultâneas em 2023. Ambas, após acordo, foram relatadas pelo vereador Mauro Pinheiro (PL). No relatório final, Pinheiro concluiu que não houve corrupção ou fraude. O relatório aprovado limitou-se a apontar falhas administrativas e sugerir recomendações para melhorar a gestão de compras e depósitos.

    A CPI da oposição, presidida pela vereadora Mari Pimentel (na época no Novo), acabou apresentando um documento paralelo mais contundente, onde foi indicado fraudes em licitações, formação de cartel e direcionamento de compras para empresas específicas, o relato foi encaminhado ao MP para análise.

    De acordo com as investigações, os principais nomes envolvidos são:

    Pablo Melo, ex-vereador e filho do prefeito Sebastião Melo. Foi indiciado por suspeita de atuar como articulador político e intermediário nos contratos. Apontado no inquérito como um dos articuladores que facilitaram o contato entre empresários e a cúpula da Smed. Durante as fases da operação, houve ainda investigação sobre o uso de sites de apostas esportivas para movimentar valores suspeitos, acusação que Melo nega veementemente.

    Pablo Melo não possui cargo na prefeitura atualmente. Em novembro de 2024 ele foi afastado de funções públicas por 180 dias por determinação judicial devido às investigações. Ele teve ainda sua candidatura a vereador cassada e foi declarado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), pelo entendimento de que parentes de prefeitos não podem se candidatar ao mesmo cargo no território de jurisdição do titular, decisão mantida pelo TSE.

    Sônia da Rosa, ex-secretária municipal de Educação, que chefiava a pasta na época das compras suspeitas.

    Jailson Ferreira da Silva, empresário representante das fornecedoras de livros e kits pedagógicos, considerado o centro do esquema comercial.

    Maon Calegaro Moraes, advogado e ex-servidor (CC) da prefeitura, indiciado por suposto recebimento de propinas e operação financeira do esquema.

    Reginaldo Bedigaray, ex-chefe de gabinete de Pablo Melo, suspeito de atuar como operador financeiro no repasse de valores.

    Alexandre Bobadra, vereador, foi cassado em 2023. Mas voltou ao legislativo municipal em 2025. É apontado por intermediar contatos entre empresários e a prefeitura.

    Mateus Viegas, ex-CC da Procuradoria-Geral do Município (PGM), indiciado por suspeita de facilitar os trâmites jurídicos das compras.

    Michele Bartzen e Mabel Luiza, ex-assessoras da Smed que chegaram a ser presas e colaboraram com as investigações.

    Lia Wilges, servidora que atuava no Gabinete do Prefeito. O inquérito aponta que ela fazia a ponte entre os interesses dos empresários e as decisões administrativas da Smed.

  • Dinheiro pela janela: investigação sobre fraudes do Banco Master chega a Balneário Camboriú

    Dinheiro pela janela: investigação sobre fraudes do Banco Master chega a Balneário Camboriú

    Chegou a Balneário Camboriú a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro relacionados ao banco Master.

    Segundo a PF, ao chegarem para cumprir mandado de busca e apreensão em um imóvel em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, um dos ocupantes do apartamento, no 30° andar do prédio, arremessou pela janela uma mala cheia de dinheiro em espécie.

    O homem foi identificado como Igor Paganini, empresário catarinense  que atua no setor imobiliário, sócio da Igor Paganini Empreendimentos, empresa sediada em Balneário Camboriú.

    Paganini não era o alvo da terceira fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal. No entanto, ao jogar o dinheiro pela janela durante a chegada dos agentes, ele passou a ser investigado por suspeita de ligação com o esquema.

    A mala de dinheiro arremessada do 30º andar acabou se abrindo com o impacto, mas o montante de R$ 429 mil foi totalmente recuperado pela polícia. Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois smartphones.

    A investigação apura crimes contra o sistema financeiro e fraudes relacionadas à gestão de recursos de 100 fundos de previdência, que fizeram aplicações suspeitas no Banco Master.

    A busca em Camboriú está relacionada à prisão do presidente da Rio Previdência, Deivis Marcon Antunes, no dia 3 de fevereiro de 2026.

    Ele é o primeiro gestor envolvido em aplicações fraudulentas a ser preso. Ele havia renunciado ao cargo duas semanas antes após uma operação da PF que apura  desvio de dinheiro e corrupção no fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro.

    As investigações apuraram que, na gestão de Deivis, o fundo de previdência do Rio investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, papéis de alto risco que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

    O fundo da RioPrevidência é formado pelas contribuições de 235 mil servidores públicos do Estado do Rio.

    Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas já havia proibido a Rioprevidência de investir em títulos administrados pelo Master, alertando para “possível gestão irresponsável de recursos”.

    Deivis foi preso durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF, que cumpriu 3 mandados de prisão temporária e 9 de busca e apreensão no RJ e em SC.

    “A investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de 9 operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, segundo a PF.