Autor: da Redação

  • Justiça condena advogado Dal Agnol a 96 anos de prisão

    O advogado Maurício Dal Agnol foi condenado a 96 anos de prisão, em regime fechado, e ao pagamento de multa pelo crime de apropriação indébita na forma majorada contra 18 vítimas, todas clientes dele. Segundo a denúncia do Ministério Público, o réu não teria repassado aos clientes os valores dos alvarás provenientes de ações judiciais contra uma empresa de telefonia, a extinta CRT.

    A decisão foi proferida nessa quarta-feira (31/7), pelo Juiz de Direito Luciano Bertolazi Gauer, da 3ª Vara Criminal de Passo Fundo. O réu poderá apelar em liberdade, uma vez que não há pedido da acusação de prisão preventiva, além do que, segundo o magistrado, não estão presentes os requisitos legais para a medida. O processo conta com 51 volumes físicos e soma, após digitalizado, mais de 11 mil páginas.

    Os crimes tiveram a pena aumentada em razão de o réu ter se apropriado de recursos no exercício de atividade profissional, tendo recebido os valores por ser procurador das vítimas em ações judiciais movidas por ele na condição de advogado. Houve ainda a imposição de agravante prevista no Código Penal, tendo em vista que três das vítimas tinham mais de 60 anos de idade na data dos fatos.

    O magistrado declarou a extinção de punibilidade dos outros quatro réus devido à prescrição da pretensão punitiva pelo transcurso do tempo de tramitação da ação. Diferente de Maurício, os demais réus não eram procuradores das vítimas e sem esse fator que levou à majoração dos delitos, ficou configurada a prescrição.

    Todos, inclusive o Advogado, foram absolvidos do crime de associação criminosa.

    “Inobstante não se desconheça que várias pessoas auxiliaram o réu Dal Agnol, mostra-se evidente que era dele todo o controle sobre o que e como era executado, inexistindo uma organização estável, harmônica e duradoura voltada para a prática de crime”, destaca o Juiz.

    Para o magistrado, três réus limitavam-se a cumprir ordens de Dal Agnol não estando evidente de que sabiam o que o dono do escritório fazia depois. Em relação à esposa do Advogado, corré no processo, o Juiz considerou a impossibilidade de responsabilização.

    “Considerando ser comum nesta sociedade machista a submissão da esposa aos desígnios do varão – não há como incluí-la no bolo para – com isso – preencher os requisitos objetivos e subjetivos do tipo, ainda que possa -efetivamente – ter participado”, pontuou.

    Na decisão, o Juiz afirma não restarem dúvidas de que o acusado recebeu os valores das vítimas e não os repassou da forma devida.

    “Cabia ao réu comprovar que efetuou o pagamento dos valores que cabiam às vítimas em sua totalidade, entretanto, os documentos apresentados, cópias de alvarás, cópias de recibos sem assinaturas, cópias de acordos, não foram suficientes para comprovar as alegações apresentadas”, diz.

    Os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2012. A denúncia foi recebida em 19/02/2014. Dal Agnol responde a mais de 200 processos criminais na mesma Vara, todos com o mesmo objetivo desta ação principal, denominada Operação Carmelina, deflagrada em 21 de fevereiro de 2012. Carmelina é uma das vítimas. Ela faleceu sem receber a totalidade dos valores a que faria jus e que, segundo consta, seriam utilizados para o custeio de seu tratamento de saúde.

  • Tribunal Regional manda preservar prédio da Smov até decisão sobre valor histórico

    Tribunal Regional manda preservar prédio da Smov até decisão sobre valor histórico

    Nossa primeira matéria no dia da decisão unânime do TRF4 sobre o chamado “Prédio da SMOV”, continha imprecisões.

    O que o Tribunal decidiu foi a preservação do prédio até que haja uma decisão judicial sobre o  seu valor histórico.

    A decisão reabilita a Ação Civil Pública movida em 2023 pelo Conselho de Urbanismo e Arquitetura para impedir o leilão do imóvel já marcado pela prefeitura.

    A ação havia sido encerrada em primeira instância sob a alegação de que  o Conselho de Arquitetura e Urbanismo não seria entidade legítima para esse tipo de iniciativa.

    A decisão do TRF4 também não proibe que a prefeitura leiloe o prédio, mas adverte que em qualquer circunstância, ele tem que ser preservado até que haja uma decisão judicial. A multa para o descumprimento foi estabelecida em R$ 48 milhões.

    O município ainda pode recorrer a instâncias superiores.

    O edifício de sete andares na confluência da av. Borges de Medeiros com o Arroio Dilúvio é projeto de três servidores municipais, em 1966 – arquitetos Moacyr Moojen Marques, João José Vallandro e Léo Ferreira da Silva -,  e inaugurado em 1970, é considerado um “símbolo do Movimento Modernista, na capital”.

    Segundo a argumentação do CAU, “a avaliação da administração municipal ignora a importância histórica desse patrimônio da cidade e sequer aventa a possibilidade de reformar o edifício que, há décadas, vem se deteriorando, sem receber a manutenção necessária”.

    “Em vez disso, o prefeito Sebastião Melo declarou que o prédio está condenado (mesmo sem apresentar uma avaliação estrutural de profissionais tecnicamente capacitados para esse fim) e que pretende vender o terreno, localizado em região nobre, próximo ao shopping Praia de Belas e Parque Marinha do Brasil, avaliado em R$ 37 milhões”.

    A posição do prefeito mobilizou arquitetos, urbanistas e líderes de entidades que se ocupam da defesa do patrimônio cultural da cidade, o que resultou na ação civil pública.

    O prédio,  onde funcionava a Secretaria de Obras e Infraestrutura (antiga SMOV)  foi desocupado com a transferência de todas as secretarias para a nova sede de prefeitura no Centro Histórico.

     

  • Eleições 2024: Duas mulheres lideram frente da esquerda para retomar Porto Alegre

    Eleições 2024: Duas mulheres lideram frente da esquerda para retomar Porto Alegre

    Pela primeira vez na história da cidade,  duas mulheres formam uma chapa para disputar a prefeitura de Porto Alegre: a deputada Maria do Rosário (PT) e a funcionária pública Tamyres Filgueiras (PSOL), vão liderar uma frente de seis partidos para retomar a capital gaúcha.

    PCdoB, PV, Rede e Avante, completam a coligação mais ampla já feita no primeiro turno, desde que a esquerda foi alijada do poder municipal, em 2004.

    O ex-prefeito José Fortunati, por exemplo, hoje filiado ao PV,  se integrou à frente, pela primeira vez desde que deixou o PT (pelo qual foi vice-prefeito) há 20 anos.  Estava bastante animado na convenção entre os ex-prefeitos petistas Olívio Dutra, Tarso Genro e Raul Pont.

    Além de MDB e PT, que definiram seus candidatos no fim de semana,  o PSTU já confirmou a auxiliar de enfermagem Fabiana Sanguiné como candidata à prefeita e o professor Regis Ethur como vice.

    Nos próximos dias, devem ser confirmadas as candidaturas do deputado federal Felipe Camozzato Novo), da deputada estadual Juliana Brizola (PDT), e do também deputado estadual Thiago Duarte (União Brasil). A federação PSDB-Cidadania também ainda não escolheu o candidato, embora o nome do ex-prefeito Nelson Marchezan seja o mais provável.

    Perfil: Maria do Rosário (PT)

    • Nome completo: Maria do Rosário Nunes
    • Local de nascimento: Veranópolis (RS)
    • Idade: 57 anos
    • Profissão: professora
    • Cargo atual: deputada federal
    • Trajetória política: vereadora (1993-1999), deputada estadual (1999-2003), deputada federal (desde 2003) e ministra da Secretaria de Direitos Humanos (2011-2014)
    • Coligação*: PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede e Avante

     

  • Eleições 2024: Melo aceita vice militar para garantir apoio do PL, de Bolsonaro

    Eleições 2024: Melo aceita vice militar para garantir apoio do PL, de Bolsonaro

    Não são conhecidos (ao menos a imprensa não divulgou) os caminhos que levaram a tenente-coronel veterinária Betina Worm  à condição de vice na chapa do prefeito Sebastião Melo, candidato à reeleição em Porto Alegre.

    Aos 59 anos, sem experiência política, Betina assinou sua ficha no PL na véspera da convenção, com indicação avalizada por Jair Bolsonaro.

    A indicação da vice leva o prefeito Sebastião Melo a abraçar decididamente o bolsonarismo para tentar barrar o movimento por mudança, desencadeado  pelos estragos da enchente, que mostraram o sucateamento do sistema de prevenção, responsabilidade da administração municipal.

    Em todo caso, Melo venceu a parada nesta primeira etapa interposta pela enchente.

    Em abril quando se declarou candidato à reeleição era considerado imbatível até nas hostes adversárias.

    Em maio, as águas do Guaiba inundaram Porto Alegre por todos os lados e trouxeram à tona graves falhas da gestão municipal – do sistema de drenagem à à falta de planejamento.

    A imagem dos boeiros refluindo o esgoto para o meio das ruas, as comportas enferrujadas, as casas de bombas que não funcionavam, os geradores inundados…Houve um momento em que a enchente parecia ter afogado também a candidatura de Sebastião Melo.

    Ele teve que comparecer a uma reunião com as lideranças de seu partido, para não deixar dúvidas. “Sou mais candidato do que nunca”, declarou no evento do Instituto Ulysses Guimarães, sob a chancela do deputado Alceu Moreira, no início de junho.

    A foto com o vice-governador Gabriel Souza,  na convenção do fim de semana,  mostra que ele conseguiu contornar as cizânias dentro do MDB e garantiu sua base de sustentação.  A presença do ex-senador e ex-governador Pedro Simon, de 94 anos, que subiu ao palco em uma cadeira de rodas, mostrou isso.

    Estreitar o abraço no bolsonarismo, foi um movimento inevitável para garantir a adesão do PL – que tem a maior fatia do tempo de propaganda e do fundo eleitoral.

    Mas é também uma forma de apostar na polarização ideológica para distorcer o debate em torno das questões concretas.  Bolsonaro, em roteiro pelo Estado, compareceu à convenção, depois que o evento já tinha sido encerrado e exaltou o “casamento político” do PL com Melo.

    O ex-presidente chegou depois do pronunciamento de Melo, mas ficou ao lado dele no palco. Em sua intervenção, Melo elogiou  as medidas econômicas tomadas por Bolsonaro durante a pandemia.

  • Eleições 2024: “Vai ser uma semana de muitas conversas e algumas surpresas”

    Eleições 2024: “Vai ser uma semana de muitas conversas e algumas surpresas”

    “Vai ser uma semana de muitas conversas.  Acredito que teremos algumas surpresas”, diz o vereador Pedro Ruas, um dos  articuladores da frente de esquerda que sustenta a candidatura de  Maria do Rosário (PT) e Tamyrez Filgueiras (Psol).

    Por enquanto, as duas federações de esquerda*, lideradas pelo  PT e pelo PSol,  repetem a aliança de 2022, quando disputaram o governo do Estado com Edegar Pretto (PT)/Pedro Ruas (Psol) e foram derrotados por Eduardo Leite (PSDB)/Gabriel de Souza (MDB).

    Aquela foi a primeira vez em que os dois partidos  se uniram, desde 2005, quando surgiu o Psol, de uma dissidência à esquerda do PT.

    O resultado foi surpreendente: perderam por 2.441 votos num total de mais de 8 milhões de eleitores (menos de meio por cento).

    “Eu lutei muito por esta aliança e sigo acreditando nela, mas acho que é preciso ampliá-la para enfrentar a grave situação em que nos encontramos”,  diz Pedro Ruas, primeiro deputado estadual do Psol (2015/19) e que vai concorrer ao oitavo mandado na Câmara de Porto Alegre.

    Na terça-feira, o PCdoB deve formalizar sua adesão à frente. As “surpresas” que Ruas espera podem vir do PDT, seu partido de origem, e do PSB, que já deu sinais positivos. “Pelo menos um compromisso para o segundo turno, terá que sair”, prevê Ruas.

    Outro objetivo deve ser o de ampliar o arco da aliança de oposição. “Meu modelo, diz Ruas, é a Frente Ampla uruguaia, que vai do centro até a extrema esquerda. Acho que é a única maneira de garantir a vitória nas atuais circunstâncias em Porto Alegre”.

    Ele lembra a experiência de 2022: “Perdemos por pouco mais de 2.400 votos. O PSTU, com a Rejane Oliveira fez seis mil votos. O PCB, o Partidão, fez  três mil votos. Se estivessem conosco teríamos vencido”.

    Ele defende ampliar a aliança até a organizações como a Unidade Comunista Brasileira, a UCB,  e  a União Popular pelo Socialismo, esta já com registro partidário. “Só com uma ampla união dessas forças, Porto Alegre retomamuda de rumo”,

    *Psol/Rede e *PT/PCdoB/PV

  • Estudo diz que dívida “é dreno na economia dos países mais pobres”

    Estudo diz que dívida “é dreno na economia dos países mais pobres”

    Um estudo feito na Inglaterra pela Debt Relief International, divulgado neste domingo pelo Guardian, alerta para o alto grau de endividamento dos paises mais pobres.

    O estudo constata que 144 países “em desenvolvimento” comprometem com quase metade de seu orçamento e mais de 8% de seu PIB com o pagamento de juros e amortizações da dívida, anualmente.

    “É a pior crise da história”, segundo Mathiew Martin, um dos três autores do trabalho.

    O Brasil está na lista. Em 2023 pagou aos credores externos R$ 1,89 trilhões, o equivalente a 46% do orçamento federal, conforme os cálculos (gráfico) da Auditoria Cidadã da Dívida, ong que defende uma revisão ampla da dívida externa brasileira e uma redução do percentual do pagamento de juros.

    Segundo Mathiew Martin, “a dívida é um dreno na economia dos países mais pobres, obrigando a corte de gastos com saúde, educação e programas sociais, para pagar juros”.

    O estudo concluí que esta é a pior crise e que pode ser “perturbadora para os mercados financeiros internacionais”, inclusive com implicações geopolíticas, pois a China é um dos grandes credores dos países em desenvolvimento.

    O estudo aponta uma série de medidas que deveriam ser tomadas pelos organismos internacionais para aliviar os países mais pobre, inclusive com  “paralisações de pagamentos”.

  • O voto da reconstrução: a eleição mais importante de Porto Alegre em 35 anos

    O voto da reconstrução: a eleição mais importante de Porto Alegre em 35 anos

    As águas de maio fazem da eleição deste ano a mais importante nos últimos 35 anos em Porto Alegre.

    Desde 1988, quando o bancário Olívio Dutra fez 40% dos votos numa disputa com seis concorrentes, não se  colocava de forma tão clara numa eleição  o confronto entre dois projetos que disputam o poder na cidade.

    Sim, houve a eleição de José Fogaça em 2004, quando se rompeu o ciclo petista. Mas a eleição de Fogaça não chegou a ser uma ruptura.

    Havia o desgaste das continuadas gestões petistas e uma  falta de criatividade que reclamava alternância, mas também havia um reconhecimento da obra.  Porto Alegre havia sido projetada nacional e internacionalmente pelas realizações das administrações populares.

    Tanto que o slogan de Fogaça era “Manter o que está bom, mudar o que não está bom” e ele prometia manter o orçamento participativo, os conselhos e as políticas sociais, porque essas conquistas tinham apelo.

    No caso presente, a enchente que arrasou a cidade criou uma situação única ao escancarar as mazelas, não apenas da administração Melo, mas de um projeto de cidade, dominada pelo interesse privado.

    Resultado: quando se lançou à reeleição, em abril, Melo era um candidato imbatível. Hoje ele luta com unhas e dentes para manter sua candidatura.

    Na oposição, a deputada Maria do Rosário foi considerada uma “candidata para perder” quando foi lançada. No pós-enchente se fortaleceu e está conseguindo articular uma frente ampla de esquerda, que pode reconstruir as ligações da cidadania com o poder público e resgatar a cultura da participação comunitária, que tem raízes antigas na história da cidade.

    Essa possibilidade real de mudança é que faz das eleições de outubro as mais importantes dos últimos 35 anos em Porto Alegre.  Sem falar que Porto Alegre está no foco das atenções nacionais depois da enchente e que o resultado do pleito aqui terá repercussão ampla no país.

    (Elmar Bones) 

    Em tempo: A eleição de Alceu Colares, em 1985, talvez seja mais marcante historicamente. Foi o primeiro eleito pelo voto direto depois da ditadura e do longo ciclo de prefeitos nomeados. Mas ali, o que estava em jogo não era um projeto de cidade propriamente, era mais um confronto mais amplo, entre o autoritarismo que nomeava prefeitos e a democracia que preferia elegê-los pelo voto popular.

  • PEC da Anistia: partidos poderão repassar dinheiro a candidatos via pix, sem recibo

    PEC da Anistia: partidos poderão repassar dinheiro a candidatos via pix, sem recibo

    Está no senado, com previsão de voto ainda no segundo semestre, a chamada “PEC da Anistia” – a Emenda Constitucional 9/23, já aprovada na Câmara, e que  praticamente anistia as dívidas dos partidos políticos acumuladas nos últimos cinco anos.

    A principal causa das multas é a lei que obriga os partidos a destinarem 30% da verba do Fundo Partidário para candidatos negros e o mesmo percentual para mulheres.

    O texto também cria um programa de refinanciamento de dívidas das siglas partidárias e permite a utilização de recursos do Fundo Partidário para pagar as multas eleitorais. A emenda também consagra a imunidade tributária dos partidos em suas operações financeiras.

    O resultado da votação da PEC revela que o problema atinge todos os partidos. A Emenda Constitucional foi aprovada em segundo turno com 338 votos a favor e 83 contra.

    O PT foi o partido que mais votou a favor da PEC, com 56 votos, seguido do PL, com 47, e do PP, com 43.

    Já a maior parte dos votos contrários vieram do PL, com 30, União Brasil, com 15, e Psol, com 11.

    PC do B, Avante e Solidariedade não tiveram nenhum voto contra a PEC.

    Já Psol, Novo e Rede não registraram votos a favor da proposta.

    Não foi revelado o valor destas dívidas, acumuladas nos últimos cinco anos. Especialistas indicam que nem o Tribunal Superior Eleitoral sabe o valor exato, uma vez que há muitos dados que não foram repassados pelos tribunais regionais.

    A emenda constitucional em seus oito artigos é um monumento ao casuísmo e ao legislar em causa própria. Em seu artigo 8, por exemplo, supera todas as expectativas. Esse artigo dispensa a emissão de recibos nos repasses dos partidos aos candidatos com recursos do Fundo Eleitoral, inclusive no caso de pagamento por PIX.

    Veja a íntegra:

    Art. 8º É dispensada a emissão do recibo
    eleitoral nas seguintes hipóteses:
    I – doação do FEFC e do Fundo Partidário por meio
    de transferência bancária feita pelo partido aos candidatos e às candidatas;
    II – doações recebidas por meio de Pix pelos
    partidos, candidatos e candidatas.
    Art. 9º Esta Emenda Constitucional entra em vigor
    na data de sua publicação.
    Sala das Sessões, em 11 de julho de 2024.

    (Com informações da Agência Senado, Câmara, G1 e Agencia Brasil)

     

  • Enchente: PT acusa Eduardo Leite de criar conflito para esconder apoio do governo federal

    Enchente: PT acusa Eduardo Leite de criar conflito para esconder apoio do governo federal

    “Saia dessa rota de conflito, governador. Trabalhe! Saia dessa posição de ser um comentarista das ações do governo (federal) e honre o cargo de governador que o senhor ocupa neste momento”.

    O recado foi dado pelo novo líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, deputado Miguel Rossetto, na sessão plenária desta terça-feira, comentando as últimas manifestações do governador Eduardo Leite na imprensa, negando as ações e investimentos do governo Lula no Rio Grande do Sul.

    Para Rossetto, a atitude do governador na busca pelo conflito com o governo federal é equivocada e injusta diante de todos os investimentos feitos por determinação do presidente Lula desde o início da maior tragédia climática do Rio Grande do Sul.

    “O governador erra na escolha. Abre conflito inclusive com prefeitos e prefeitas do estado e essa é uma linha equivocada no momento em que o nosso estado precisa de integração e união no enfrentamento das consequências brutais da crise da tragédia climática que vivemos”.

    Entre os investimentos feitos pelo governo Lula no Estado, Rossetto destacou que R$ 91 bilhões foram compromissados, R$ 37,8 bilhões já foram empenhados e disponibilizados ao estado e aos municípios, R$ 18,9 bilhões foram pagos e executados.

    No Auxílio-Reconstrução que distribuiu R$ 5.100 para mais de 274 mil famílias, o total repassado é de R$ 1,4 bilhão, ajudando as famílias no momento mais difícil da sua vida. “Isso é ação concreta, compromisso concreto que está sendo realizado”, frisou.

    Rossetto lembrou ainda que foram realizadas 22.599 operações de financiamento do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), totalizando um investimento de R$ 2,3 bilhões financiando a economia das pequenas e médias empresas e garantindo emprego.

    As parcelas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), segundo o parlamentar, já destinaram R$ 740 milhões para os 96 municípios em calamidade e para um total de 241 municípios.

    A suspensão do pagamento da dívida do estado com a União por 36 meses também foi destacada pelo deputado.

    Autorizada pelo presidente Lula, a suspensão resultou em R$ 13,8 bilhões que iriam para Brasília e ficam no estado, assim como a anistia da cobrança da taxa de juros pelo mesmo período resultará na economia de R$ 18 bilhões.

    “O povo gaúcho espera muito mais de um governador de um estado do que a postura de um comentarista das ações de um governo federal. O povo gaúcho espera muito mais de um governador que se dedique e que trabalhe efetivamente para ajudar o nosso povo”, disse

    Rossetto, garantindo que a bancada do PT continuará trabalhando de forma dedicada para superar os desafios e continuar apoiando o povo gaúcho, a recuperação econômica e da infraestrutura. “Esta é uma orientação dedicada e firme de um presidente da República que veio ao estado por quatro vezes escutar a população, as nossas lideranças populares, lideranças políticas e ajudar como nunca na história do Brasil um estado foi tão auxiliado como no momento desta crise”.
    (Com a Assessoria de Imprensa da Assembléia)

  • Menos de 1% dos municípios têm maioria de mulheres vereadoras; quase todos têm menos de 15 mil habitantes

    Menos de 1% dos municípios têm maioria de mulheres vereadoras; quase todos têm menos de 15 mil habitantes

    Um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado nesta terça-feira, 16, mostra que nos 5.568 municípios brasileiros que realizaram eleições municipais em 2020, somente 45 cidades têm maioria de mulheres na composição das câmaras de vereadores.

    O número não chega a 1% do total dos municípios onde houve eleições em 2020.

    Sete em cada dez municípios onde ocorre essa maioria feminina têm população menor do que 15 mil pessoas, segundo o Censo Demográfico 2022.

    Somente um, desses 45 municípios com maioria de mulheres na Câmara, tem mais de 100 mil habitantes. Em Araras (SP), que tem 135 mil habitantes, seis das onze cadeiras da Câmara de Vereadores são ocupadas por mulheres.

    É uma exceção. A população média nas cidades onde as mulheres chegaram à maioria no legislativo municipal é de 7.445 pessoas.

    Já os municípios com menor participação feminina nas casas legislativas locais — entre 20% e 30% — estão em maior número.  São 1.384 cidades com mediana populacional de 9.513 habitantes.

    O gráfico mostra os dois Estados com maior colegio eleitoral, SP e MG, onde apenas  4 municípios têm maioria de mulheres no legislativo. Imagem: Divulgação/TSE

    Cenários diferentes 
    A doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Hannah Maruci, aponta que, em municípios menores, a  representatividade feminina é mais alta devido às menores barreiras financeiras que as candidatas enfrentam. “Os municípios pequenos são onde elas têm a possibilidade de fazer campanha com menos dinheiro. Em municípios maiores, a desigualdade de recursos é uma barreira significativa para as mulheres”, informa Hannah.

    Essa disparidade é agravada pelo descumprimento das cotas de gênero de financiamento de campanha por parte de partidos, o que coloca as candidatas em desvantagem, especialmente em cidades maiores, onde o custo das campanhas é substancialmente mais elevado.

    “Quando olhamos esses dados, vemos que as mulheres conseguem fazer maior sucesso em municípios pequenos. Isso [é constatado], apesar de existir uma literatura que pensa: tem mais cadeiras, isso aumenta a chance das mulheres. Na verdade, não. Na verdade, isso faz muito mais sentido com relação ao sistema eleitoral brasileiro. Demonstra essa situação que a gente tem de campanhas muito caras”, explica.

    Por que ter mais mulheres atuando na política municipal é benéfico? A doutora em Ciência Política pela Universidade de Essex, no Reino Unido, e pós-doutora pela Universidade de São Paulo (USP) Teresa Sacchet argumenta que a experiência de vida da mulher é única em muitos aspectos e pode enriquecer o processo de elaboração de propostas e de tomada de decisão política.

    “[Se] o espaço legislativo é formado majoritariamente por homens de uma determinada classe social e raça, nós teremos políticas públicas que vão refletir mais esse grupo específico. Normalmente, os que ocupam a política são homens brancos, com mais recursos financeiros. É por isso que precisamos trazer para o ambiente político pessoas que ocupam diferentes espaços da sociedade”, defende Sacchet.

    “As mulheres têm agendas, têm interesses, muitas vezes diferentes dos interesses masculinos. É importante que essas perspectivas sejam representadas na esfera pública, no processo decisório. Então, eu acredito que, quanto mais o processo decisório for inclusivo nas formas de diferenças sociais, melhor. Teremos mais capacidade de ter uma melhor representação política. Por isso, acho que é fundamental para a democracia e é fundamental para o processo de tomada de decisão política que a gente pluralize esse espaço”, conclui a pesquisadora.

    Mulheres são as que mais comparecem 
    Em 2024, a conquista do direito ao voto para as mulheres completa 92 anos. O voto feminino corresponde a 53% do eleitorado nacional.

    São as eleitoras que mais comparecem às urnas. Nas Eleições Gerais de 2022, a taxa de participação do eleitorado feminino chegou a 80%, enquanto a dos homens ficou em 78%.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE)