Autor: Elmar Bones

  • "Aquilo é um desenho", diz Marcelo Medeiros sobre as torres junto ao Beira Rio

    O presidente do Inter, Marcelo Medeiros disse que o projeto de duas torres, uma residencial e uma comercial com 130 metros de altura, junto ao estádio Beira Rio, na orla do Guaiba, “não é um projeto do Inter”.
    “É uma proposta que nos foi apresentada e tem que ser avaliada, submetida ao conselho inclusive”.
    Marcelo Medeiros falou no assunto na entrevista que antecedeu sua palestra na Associação Comercial, ao meio dia desta terça feira, 06.
    Ele confirmou que o plano  do clube é modernizar seus complexos para ampliar as atividades comerciais e obter receita extra, com melhor aproveitamento dos “espaços ociosos” no entorno do Beira Rio e do Gigantinho. Uma das mudanças já definidas, nesse plano, é a transformação do Gigantinho numa Casa de Shows, que já tem projeto e busca aprovação.
    O projeto das torres, porém, é só uma proposta desenvolvida pelo escritório de arquitetura Hype Stúdio. “Por enquanto é só um desenho”, disse Medeiros.
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  • Versão que implica Manuela DÁvila é antecipada em editorial de O Globo

    Em artigo postado às 4h30 da madrugada deste sábado, 27, o jornalista Merval Pereira, do Conselho Editorial das Organizações Globo, aponta a nova etapa das investigações da Polícia Federal sobre o hackeamento de telefones de autoridades brasileiras.
    Ele diz que os investigadores não acreditam que Walter Delgatti Neto, que confessou o crime, tenha passado os arquivos ao The Intercept sem receber nada em troca, como ele afirmou em seu primeiro depoimento.
    “Chegamos agora a esse ponto de seguir o dinheiro”, diz Merval Pereira.
    E dá a pista de por onde poderão seguir as apurações:
    “Ao revelar que Manuela  d’Ávila, a ex-candidata a vice do petista Fernando Haddad na eleição de 2018, foi a intermediária entre ele e o editor do The Intercept Brasil Glenn Greenwald, o hacker Walter Delgatti colocou-a na chamada sinuca de bico”.
    “Ter intermediado a entrega do produto de um crime para um jornalista pode implicar cumplicidade, na visão de alguns. Há, porém, quem considere que a ex-deputada apenas agiu como uma pessoa que informa a um jornalista sobre um fato de que teve conhecimento”.
    “O problema muda de figura no caso de ter havido um pagamento nessa cadeia de informantes. Não parece provável que um estelionatário seja movido apenas por “fazer justiça, trazendo a verdade para o povo”.
    “Se o grupo atuou sob encomenda de alguém, quem contratou é cúmplice, co-autor do crime”.
    “Se Manuela d’Ávila participou da negociação para a compra do material, poderá ser acusada de cumplicidade. E, se um partido político foi o negociador da compra, será  possível enquadrá-lo criminalmente, mas duvidoso o resultado”.
    “Um caso assim aconteceu durante a campanha presidencial de 2006, quando um grupo de petistas foi flagrado comprando, em dólar, um dossiê que supostamente implicaria o candidato tucano José Serra em falcatruas no ministério da Saúde”.
    “No caso presente, se Walter Delgatti insistir nessa versão fantasiosa, a Polícia Federal poderá usar seu Telegram para confronta-lo com as conversas que teve com Manuela d’Ávila e Glenn Greenwald”.
     
     

  • Hacker diz que obteve com Manuela D'Ávila o telefone de Glenn Greenwald

    A Polícia Federal vazou para a TV Globo, agora à tarde, a íntegra do depoimento de Walter Delgatti  Neto, o líder do grupo que está preso por hackear telefones do ministro Sérgio Moro, do procurador Deltan Dallagnol e outras autoridades, inclusive o presidente Bolsonaro.
    Ele diz que obteve o telefone do jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept, através da deputada federal Manuela D’Ávila, do PCdoB, cujo número obteve na lista de contatos da ex-presidente Dilma Rousseff na conta do Telegram, que ele também invadiu.
    Diz que sempre se comunicou com Glenn de maneira virtual, sem revelar a própria  identidade e que não recebeu qualquer pagamento pelo repasse das mensagens.
    Glenn Greenwald, do Intercept, começou a publicar o conteúdo das mensagens em 9 de junho.
    A seguir, leia a íntegra do depoimento que reproduzimos do G1:.
    TERMO DE DECLARAÇÕES DE WALTER DELGATTI NETO:
    AO(S) 23 DIA(S) DO MÊS DE JULHO DE 2019, NESTE(A) POLÍCIA FEDERAL – SEDE, EM BRASÍLIA/DF, ONDE SE ENCONTRAVA LUIS FLAVIO ZAMPRONHA DE OLIVEIRA, DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL, MATR. 8220, COMPARECEU WALTER DELGATTI NETO, SEXO MASCULINO, FILHO(A) DE (XXX), NASCIDO(A) AOS 23/03/1989, NATURAL DE ARARAQUARA/SP, CPF (XXX), RESIDENTE À (XXX), RIBEIRÃO PRETO/SP, ACOMPANHADO DO DEFENSOR PÚBLICO JORGE MEDEIROS DE LIMA, MATR. 0519/DPU.
    INQUIRIDO(A) A RESPEITO DOS FATOS, RESPONDEU: QUE EM MARÇO DE 2019 FEZ UMA LIGAÇÃO PARA SEU PRÓPRIO NÚMERO DE TELEFONE E PERCEBEU QUE TEVE ACESSO AO CORREIO DE VOZ; QUE SEMPRE UTILIZOU OS SERVIÇOS DE VOIP (VOZ SOBRE IP) TENDO EM VISTA SER UM SERVIÇO BEM MAIS BARATO PARA EFETUAR LIGAÇÕES TELEFÔNICAS; QUE APÓS TER PESQUISADO NA INTERNET CONTRATOU O SERVIÇO DA EMPRESA BRVOZ POR APRESENTAR OS PREÇOS MAIS BAIXOS; QUE PRECISAVA ENTRAR EM CONTATO COM O SEU MÉDICO E FEZ A EDIÇÃO DO NÚMERO CHAMADOR, DENTRO DO SISTEMA DA EMPRESA BRVOZ, COLOCANDO O SEU PRÓPRIO NÚMERO (XXX); QUE APÓS CONSEGUIR EFETUAR A LIGAÇÃO PARA SEU MÉDICO, REALIZOU UMA LIGAÇÃO PARA SEU MESMO NÚMERO, VEZ QUE MANTEVE NO SISTEMA BRVOZ COMO NÚMERO CHAMADOR O TELEFONE (XXX); QUE ENTÃO PERCEBEU QUE TEVE ACESSO AO SEU CORREIO DE VOZ, TENDO ESCUTADO TODAS AS MENSAGENS QUE ESTAVAM GRAVADAS; QUE SEMPRE VALIDOU O ACESSO DO SEU TELEGRAM POR MENSAGEM DE VOZ, MOTIVO PELO QUAL PERCEBEU QUE PODERIA CONSEGUIR OS CÓDIGOS DO TELEGRAM DE OUTRAS PESSOAS POR MEIO DO ACESSO A MENSAGENS ARMAZENADAS EM CORREIOS DE VOZ;
    QUE APÓS TER TESTADO ESSE MEIO DE OBTENÇÃO DE CÓDIGO DE ACESSO EM SUA PRÓPRIA CONTA DO TELEGRAM, RESOLVEU TENTAR OBTER O CÓDIGO DO TELEGRAM DA CONTA VINCULADA AO NÚMERO DO TELEFONE DO PROMOTOR DE JUSTIÇA MARCEL ZANIN BOMBARDI; QUE O PROMOTOR MARCEL ZANIN FOI O RESPONSÁVEL PELO OFERECIMENTO DE UMA DENÚNCIA CONTRA O DECLARANTE PELO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS RELACIONADO A MEDICAMENTOS PRESCRITOS E CONSUMIDOS DESDE A SUA INFÂNCIA; QUE TOMA REGULARMENTE OS REMÉDIOS ALPRAZOLAM E CLONAZEPAM; QUE TAIS MEDICAMENTOS FORAM APREENDIDOS EM SUA RESIDÊNCIA EM UMA OPERAÇÃO POLICIAL QUE INVESTIGAVA CRIMES RELACIONADOS À INTERNET; QUE FOI ABSOLVIDO NESSE PROCESSO EM TODAS AS INSTÂNCIAS; QUE TENDO EM VISTA OS ATOS ILÍCITOS COMETIDOS PELO PROMOTOR NO PROCESSO CONTRA O DECLARANTE, RESOLVEU ACESSAR A CONTA DE TELEGRAM DE MARCEL ZANIN; QUE OBTEVE CONVERSAS DE CONTEÚDO DE INTERESSE PÚBLICO REALIZADAS PELO PROMOTOR DE JUSTIÇA, MARCEL ZANIN BOMBARDI; QUE NESSAS CONVERSAS, MARCEL ZANIN COMETE SUPOSTAS IRREGULARIDADES NO EXERCÍCIO DE SUA FUNÇÃO; QUE O CONTEÚDO DAS CONVERSAS DO PROMOTOR MARCEL ZANIN BOMBARDI FOI ARMAZENADO EM SEU NOTEBOOK E UM CLOUD (nuvem) da Dropbox; QUE resolveu não publicar o material obtido na conta do TELEGRAM de MARCEL ZANIN por temer ser vinculado ao ataque, tendo em vista que morava em uma cidade pequena e era conhecido por ter conhecimento avançados em informática;
    QUE através da agenda da conta do TELEGRAM do Promotor MARCEL ZANIN teve acesso ao número de um Procurador da República, cujo nome não se recorda, o qual participava de um grupo do TELEGRAM denominado “VALORIZA MPF”; QUE se recorda que o criador desse grupo era o Procurador da República ROBALINHO; QUE através da agenda da conta TELEGRAM de um dos Procuradores da República que participava do grupo “VALORIZA MPF” conseguiu acesso ao número telefônico do Deputado Federal KIM KATAGUIRI; QUE através da agenda do TELEGRAM do Deputado Federal KIM KATAGUIRI obteve o número do Ministro do STF ALEXANDRE DE MORAES; QUE, do mesmo modo, teve acesso ao código da conta do TELEGRAM vinculada ao Ministro do STF ALEXANDRE DE MORAES e obteve o número telefônico do ex-Procurador Geral da República RODRIGO JANOT; QUE por meio da agenda do TELEGRAM de RODRIGO JANOT obteve então os telefones de membros da Força Tarefa da Lava Jato no Paraná, dentre os quais os Procuradores da República DELTAN DALLAGNOL, ORLANDO MARTELLO JÚNIOR e JANUÁRIO PALUDO; QUE todos os acessos às contas do TELEGRAM das autoridades públicas acima mencionadas ocorreram entre março e maio de 2019; QUE somente armazenou o conteúdo das contas de TELEGRAM dos membros da Força Tarefa da Lava Jato do Paraná, pois teria constatado atos ilícitos nas conversas registradas; QUE dentre as conversas registradas pode citar assuntos relacionados ao Procurador da República DIOGO CASTOR, que foi afastado por ter financiado um outdoor em Curitiba/PR; QUE pode afirmar que não realizou qualquer edição dos conteúdos das contas de TELEGRAM das quais teve acesso; QUE acredita não ser possível fazer a edição das mensagens do TELEGRAM em razão do formato utilizado pelo aplicativo; QUE através da agenda do TELEGRAM do Procurador DELTAN DALLAGNOL teve conhecimento do número de telefone utilizado pelo Ministro SÉRGIO MORO; QUE obteve o código do TELEGRAM e criou uma conta no aplicativo vinculada ao número telefônico do Ministro SÉRGIO MORO; QUE também através da agenda do Procurador DELTAN DALLAGNOL teve acesso aos números telefônicos de membros do TRF 2, tais como o Desembargador ABEL GOMES e o Juiz Federal FLÁVIO;
    QUE não se recorda de ter acessado contas de TELEGRAM de Delegados da Polícia Federal lotados no estado de São Paulo; QUE não obteve nenhum conteúdo das contas de TELEGRAM do Ministro SÉRGIO MORO e dos Magistrados Federais do estado do Rio de Janeiro; QUE também teve acesso ao conteúdo das contas do TELEGRAM de membros do Ministério Público Federal que atuam no caso “GREENFIELD”; QUE não encontrou nada ilícito no conteúdo das conversas dos Procuradores da República que atuam no caso “GREENFIELD”; QUE em um domingo, mais precisamente na comemoração do Dia das Mães de 2019, procurou o jornalista GLENN GREENWALD para enviar o conteúdo das contas do TELEGRAM dos Procuradores da República DELTAN DALLAGNOL, ORLANDO MARTELO JÚNIOR, DIOGO CASTOR e JANUÁRIO PALUDO; QUE resolveu procurar o jornalista GLEEN GREENWALD por saber de sua atuação nas reportagens relacionadas ao vazamento de informações do governo dos EUA, conhecido como o caso SNOWDEN; QUE conseguiu telefone do jornalista GLENN GREENWALD através da ex-candidata MANOELA D’ÁVILA; QUE obteve o telefone da MANOELA D’ÁVILA através da lista de contatos do TELEGRAM da ex-presidente DILMA ROUSSEFF; QUE por sua vez conseguiu o telefone da ex-presidente DILMA ROUSSEFF através da lista de contato do TELEGRAM do ex-governador PEZÃO; QUE não se recorda como teve acesso ao número de telefone do ex-governador PEZÃO; QUE até hoje mantém em seu computador os atalhos de acessos das contas de TELEGRAM da ex-presidente DILMA ROUSSEFF e do ex-governador PEZÃO; QUE não armazenou nenhum conteúdo das contas do TELEGRAM da ex-presidente DILMA ROUSSEF e do ex-governador PEZÃO, tendo em vista que eram contas com poucas mensagens; QUE na manhã do Dia das Mães de 2019, ligou diretamente para MANOELA D’ÁVILA afirmando que possuía o acervo de conversas do MPF contendo irregularidades; QUE ligou para MANOELA D’ÁVILA diretamente da sua conta do TELEGRAM e disse que precisava do contato do jornalista GLENN GREENWALD; QUE a princípio MANOELA D’ÁVILA não estava acreditando no DECLARANTE, motivo pelo qual fez o envio para ela de uma gravação de áudio entre os procuradores da República ORLANDO e JANUÁRIO PALUDO; QUE no mesmo domingo do Dia das Mães, cerca de 10 minutos após ter enviado o áudio, recebeu uma mensagem no TELEGRAM do jornalista GLENN GREENWALD, que afirmou ter interesse no material, que possuiria interesse público; QUE começou a repassar para GLENN GREENWALD os conteúdos das contas de TELEGRAM que havia obtido; QUE como o acervo era muito volumoso, optou, juntamente com o GLENN GREENWALD alterar o método de envio do material; QUE assim, criou uma conta no Dropbox, enviou o material e repassou a senha para GLENN GREENWALD; QUE em nenhum momento passou seus dados pessoais para GLENN GREENWALD; QUE GLENN GREENWALD ou qualquer jornalista de sua equipe conhece o DECLARANTE; QUE nunca recebeu qualquer valor , quantia ou vantagem em troca do material disponibilizado ao jornalista GLENN GREENWALD; QUE o material disponibilizado ao GLEEN GREENWALD foi obtido exclusivamente pelo acesso a contas do TELEGRAM; QUE a partir do acesso que teve a contas do TELEGRAM de diversas autoridades públicas; QUE conhece GUSTAVO HENRIQUE ELIAS DOS SANTOS, SUELEN PRISCILA DE OLIVEIRA e DANILO CRISTIANO MARQUES desde a infância em Araraquara/SP; QUE nenhum momento repassou para GUSTAVO, SUELEN ou DANILO a técnica que criou para acessar contas do TELEGRAM; QUE sabe dizer que GUSTAVO utiliza o sistema BRVOZ para realizar ligações por VOIP; QUE não sabe dizer se GUSTAVO utiliza o sistema BRVOZ para realizar eventuais ligações de números predeterminados ou editados; QUE utilizou nome de DANILO para efetuar o contrato de aluguel do imóvel que reside; QUE todas as contas vinculadas ao referido imóvel, tais como luz e internet, ficaram em nome de DANILO; QUE não possui nenhuma conta de criptomoedas; QUE não possui conta do Bitcoin; QUE não tentou fazer o acesso a conta de TELEGRAM de nenhuma outra autoridade pública além daquelas citadas anteriormente no presente termo; QUE entretanto, também acessou o conteúdo do TELEGRAM do ex-presidente LULA, tendo acesso apenas a sua agenda do aplicativo; QUE não possui qualquer registro dos ataques realizados à conta do TELEGRAM do ex-presidente LULA; QUE não acessou a conta do TELEGRAM da deputada federal
    JOICE HASSEMAN, do Ministro da Economia PAULO GUEDES ou de qualquer outra autoridade do atual Governo Federal; QUE respondeu na justiça a dois processos criminais, um por falsificação e outro por tráfico de drogas de remédios, tendo sido absolvido em ambos; QUE foi condenado a pena de 1 ano e de 2 meses no processo de estelionato que correu na 1ª Vara Criminal de Araraquara/SP; QUE recorreu da sentença e está aguardando o resultado do recurso no Tribunal de Justiça; QUE perguntado se conhece [RASURADO] se reserva ao direito de permanecer em silêncio; QUE não possui formação técnica na área de informática, sendo um autodidata; QUE não exerce nenhuma profissão remunerada, obtendo seus rendimentos de aplicações financeiras que possui; QUE perguntado como obteve recursos para compor suas aplicações financeiras, afirmou não saber; QUE também realiza trabalhos de formatação para colegas de faculdade; QUE realizou operação de câmbio no Aeroporto de Brasília e do Rio Grande do Norte, tendo em vista a necessidade de adquirir dólares para um amigo; QUE perguntado qual o amigo seria esse, se reserva ao direito de permanecer em silêncio; QUE perguntado se comprou dólares a pedido de [RASURADO], se reserva ao direito de permanecer em silêncio. Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Foi então advertido(a) da obrigatoriedade de comunicação de eventuais mudanças de endereço em face das prescrições do Art. 224 do CPP. Encerrado o presente que, lido e achado conforme, assinam com o(a) declarante e comigo CINTHYA SANTOS DE OLIVEIRA, Escrivã de Polícia Federal, Mat. 9803, que o lavrei.

  • Cerco ao Intercept: primeiro preso a depor confirma a versão já esperada

    Walter Delgatti Neto, considerado o líder do grupo preso na terça-feira, confirmou à Polícia Federal ter sido responsável pela invasão dos celulares de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outras centenas de autoridades dos três poderes.
    Ele, sua mulher Suelen Priscila e outros dois foram presos na terça-feira por uma operação da Polícia Federal em Araraquara e Ribeirão Preto e transferidos para Brasilia.
    A informação foi divulgada pelo site O Antagonista, alinhado à Lava Jato, que já vinha desde o início construindo a narrativa confirmada por Delgatti.
    Segundo o site, Walter Delgatti permitiu que a PF tivesse acesso a todos os seus arquivos armazenados em nuvem e confirmou aos investigadores que o material divulgado pelo Intercept é fruto do ataque cibernético.
    A crise que se desencadeia com essas revelações ainda não pode ser dimensionada.
    Leia também reportagem da Reuters sobre o asssunto:
    Juiz vê indícios de que suspeitos receberam dinheiro para hackear Moro
    SÃO PAULO (Reuters) – Três homens e uma mulher presos pela Polícia Federal na terça-feira podem ter recebido de dinheiro de uma outra pessoa para hackearem o ministro da Justiça, Sergio Moro, um desembargador, um juiz federal e dois delegados da Polícia Federal, mostrou a decisão do juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, que determinou a prisão temporária dos suspeitos.
    As prisões aconteceram em São Paulo, Araraquara (SP) e Ribeirão Preto (SP), de acordo com a decisão de prender os suspeitos por cinco dias. Também foram determinadas buscas e apreensões em endereços ligados aos suspeitos, além da quebra de sigilos telemáticos e bancários dos quatro.
    Na decisão, datada do dia 19 de julho, Vallisney apontou que as investigações indicam renda mensal incompatível com o volume de recursos movimentados por dois dos suspeitos, o que pode sinalizar que outras pessoas patrocinaram os ataques cibernéticos contra autoridades.
    Um dos suspeitos teria cadastrado renda mensal de 2.866 reais no banco que opera e, ao mesmo tempo, movimentado entre abril e junho 424 mil reais. A mulher suspeita, por sua vez, cadastrou renda mensal de 2.192 reais e movimentou entre março e maio 203.560 reais.
    Para o juiz, essa incompatibilidade justifica aceitar o pedido de quebra de sigilo bancário dos suspeitos.
    “Faz-se necessário realizar o rastreamento dos recursos recebidos ou movimentados pelos investigados e de averiguar eventuais patrocinadores das invasões ilegais dos dispositivos informáticos (smartphones)”, disse o juiz.
    Além de Moro, também foram alvos de ataques cibernéticos, de acordo com a decisão, o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2); o juiz federal Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro; e os delegados da Polícia Federal Rafael Fernandes, lotado na Superintendência Regional da PF em São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, da delegacia da Polícia Federal em Campinas (SP).
    “Com efeito, há fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”, disse Vallisney em sua decisão.
    “As prisões temporárias dos investigados são essenciais para colheita de prova que por outro meio não se obteria, porque é feita a partir da segregação e cessação de atividades e comunicação dos possíveis integrantes da organização criminosa, podendo-se com isso partir-se, sendo o caso, para provas contra outros membros da organização e colheita de depoimentos de testemunhos sem a influência ou interferência prejudicial dos indiciados.”
    Na decisão, o juiz não cita que os suspeitos teriam hackeado o telefone do coordenador da Lava Jato em Curitiba, procurador da República Deltan Dallagnol.
    Supostas mensagens que teriam sido trocadas entre Moro e Dallagnol foram publicadas pelo site The Intercept Brasil e indicariam uma colaboração entre o ministro, à época das mensagens juiz responsável pelos processos da operação Lava Jato em Curitiba, e os procuradores.
    Moro e Dallagnol negam quaisquer irregularidades e afirmam que as alegadas mensagens, cuja autenticidade não reconhecem, foram obtidos por meio da atuação criminosa de um hacker, assim como terem sido alvo de adulterações e edições.
    “Parabenizo a Polícia Federal pela investigação do grupo de hackers, assim como o MPF e a Justiça Federal. Pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes. Elas, a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime”, tuitou Sérgio Moro, na manhã desta quarta-feira..
    (Com informações do 247, Reuters, Elpaís, G1)
     

  • Ataque de Bolsonaro a Flávio Dino abre a campanha de 2022

    Nome indiscutível no PCdoB e capaz de empolgar ampla aliança à esquerda, o governador do Maranhão é um dos candidatos que já estão cotados para disputa em 2022, quando Bolsonaro pretende tentar a reeleição, segundo ele mesmo já disse.
    O ataque a Dino, como o pior dos “governadores paraíbas”, seguido da ordem de “não ter nada com esse cara” é a idenfificação de um inimigo e a orientação para mantê-lo à pão e água. O cerco federal ao Maranhão pode-se configurar como o primeiro movimento da campanha.

  • FAB testa maior avião militar já desenvolvido no país

    Está em fase final de testes o KC-390, a maior aeronave militar já desenvolvida e produzida no Brasil.
    Robusta, a aeronave lembra o clássico C-130 Hércules, avião militar de transporte de tropas e cargas. Mas o KC-390 foi desenvolvido para atender demandas acima das já cumpridas pelo Hércules.
    Desenvolvido pela Embraer Defesa e Segurança, o KC-390 poderá atuar em diversos cenários e em pistas não preparadas.
    Após o término da fase de testes, ele poderá cumprir missões de transporte de cargas e tropa, lançamento de paraquedistas, reabastecimento em voo, apoio a missões humanitárias, combate a incêndios florestais, busca e salvamento e evacuação aeromédica. Sua velocidade máxima é de 870 km/h.
    Sua capacidade de transporte é um capítulo à parte. São 18,5 metros de comprimento, 3,45 metros de largura e 2,95 metros de altura reservados ao transporte de até 23 toneladas de cargas. O KC-390 pode receber blindados, peças de artilharia, equipamentos de grandes dimensões, armamentos e até outras aeronaves.
    O KC-390 tem autonomia de voo de 2.730 quilômetros de distância com a carga máxima. A elevada autonomia de voo será um trunfo em missões de busca. Sem carga, o avião pode percorrer 5.958 km de distância.
    De acordo com a FAB, 28 unidades estão encomendadas para compor a frota.
    As duas primeiras serão entregues ainda este ano e ficarão em uma base em Anápolis. Antes, porém, as unidades passam por uma inspeção, para garantir que seus equipamentos estão aptos ao pleno funcionamento.
    No espírito da multifuncionalidade da aeronave, foram escolhidos pilotos de diferentes especialidades, como transporte, caça e patrulha.
    “A proposta é que possamos agregar os conhecimentos das aviações e consolidá-los à doutrina da aeronave para que ela esteja preparada para executar as ações que a Força Aérea Brasileira precisar”, disse o Major Aviador Carlos Vagner Veiga, um dos selecionados para atuar na operação do KC-390, em entrevista à FAB.
     
    * Com informações da FAB
     

  • Evento no IAB cobra debate sobre revisão do Plano Diretor

    Quem manda nas cidades?
    A pergunta provocativa foi lançada pelo Instituto dos Arquitetos (IAB RS) a dois estudiosos do assunto: a ex-reitora da Ufrgs Wrana Panizzi, mestre em planejamento urbano, e o professor Paulo Roberto Soares, especializado em geografia urbana.
    Não chegou a ser um debate, foram exposições complementares, dentro de uma visão crítica a um neoliberalismo que vê a cidade como um ativo que precisa ser rentabilizado, não como um espaço de uso coletivo..
    Um público formado por estudantes de arquitetura, urbanistas e arquitetos lotou o auditório.
    O presidente do IAB, Rafael Passos, explicou que  a pergunta provocativa tinha a ver com o atraso nas discussões do Plano Diretor de Porto Alegre.
    Pelo Estatuto da Cidade, o plano tem que passar por uma revisão em 2020, já deveria estar em audiências públicas. O prefeito, a quem compete a iniciativa, ainda não se manifestou.
    Quem manda nas cidades?
    Para ir às origens do problema, o professor Soares discorreu sobre o processo de globalização coma

    Paulo Soares: a financeirização e o mercado imobiliário

    ndado pelo capital financeiro. Os ativos (papéis e moeda) em poder dos bancos são três vezes o PIB mundial.
    O território, no caso, a cidade é onde esse poderio financeiro se materializa. Mas ele não se impõe num choque. É um longo processo de difusão de conceitos, até chegar a uma psicosfera, definição do geógrafo Milton Santos para consensos artificialmente construídos.
    Nestas condições, o Estado que seria o mediador a preservar os interesses da sociedade está também cooptado.
    Coube à Wrana Panizzi refletir sobre essa situação. “Pode-se simplificar dizendo que quem manda nas cidades são os ricos e poderosos, mas não é bem assim”, disse ela.
    Há, no processo, uma relação entre estado e mercado que se altera ao longo do tempo. Ao tempo de Getúlio Vargas, por exemplo, a ideia de um planejamento estatal atendia aos interesses do capital, mas não deixava de atender também a necessidades da população.
    Essa mediação do Estado, no entanto, vem se deteriorando a tal ponto que se está chegando à “cidade operacional”, o espaço urbano onde se vai, sem mediações, “materializar as propostas do capital”.
    Para conferir o debate na íntegra acesse o link:http://www.facebook.com/IABRS/videos/1295280747312625/
     
     
     

  • Turismo: o que Porto Alegre tem a aprender com Gramado

    Há um projeto, ainda difuso, de buscar sinergias entre Gramado e Porto Alegre para ampliar a permanência dos turistas que movimentam a cidade serrana o ano inteiro e que, na esmagadora maioria, passam sem ver a capital.
    “Porto Alegre poderia ser uma porta de entrada e de saída para Gramado”, disse numa palestra na Associação Comercial de Porto Alegre, semana passada, Luciano Pessin criador e presidente há 17 anos do Natal Luz, um dos maiores eventos turísticos do país, que catapultou Gramado para o terceiro lugar – depois de Rio e Salvador – no ranking das cidades brasileiras que recebem maior numero de turistas.
    Gramado recebe algo em torno de 3 milhões de turistas por ano. Se dez por cento desse público ficasse um ou dois dias em Porto Alegre, na chegada ou na saída, seria uma revolução na capital. Esse é a tese que Pessin e Luiz Barbacovi, presidente do Forum Gramado de Estudos Turísticos, defenderam na ACPA.
    Eles descreveram a trajetória que Gramado percorreu no desenvolvimento de sua vocação turística. Começou há um século com uma maria-fumaça, que permitia portoalegrenses abonados subirem a serra em busca de ares curativos.. “Diziam até que a fumaça do trem era bom para a tuberculose”, contou Sessin.
    Em 1940, o suíço Oscar Knorr chegou no trem a Gramado e não saiu mais. Ele teve a ideia de plantar hortênsias ao longo da rodovia entre Gramado e Canela e deu origem, em 1958, ao primeiro  evento turístico da região: a Festa das Hortênsias, que segundo Pessin, inspirou Caxias a fazer a sua Festa da Uva.
    Resumida à eleição da Rainha e a um desfile temático, a Festa das Hortênsias caminhava para o esgotamento, em 1973, quando surgiu o Festival de Cinema de Gramado, o evento que realmente projetou o nome da cidade serrana. No auge o Festival  atraia 800 veículos de mídia para a cobertura.
    O grande salto, porém, foi dado em 2002, com o Natal Luz. Um concerto de Natal que se  transformou num parque temático que atrai hoje cerca de dois milhões de pessoas por anos.
    Na base de tudo está um trabalho intenso e grande envolvimento da comunidade. “Para nós todo dia é domingo, dia de estar com a melhor roupa, com o melhor cardápio, o melhor sorriso”.
    Na semana passada uma pesquisa da PUC com 107 milhões de hospedes no Brasil inteiro, Gramado foi eleita a cidade mais hospitaleira do Brasil.
    Segundo Pessin, Porto Alegre tem um potencial grande para desenvolver, mas o turismo na capital “nunca foi profissional”.  Ele lembrou a Companhia Riograndense de Turismo, companhia de economia mista, cujo modelo foi copiado pela Bahia e teve grande sucesso lá . Aqui foi extinta.
    Até agora, porém, a prefeitura de Porto Alegre não deu sinal de receptividade à ideia. Não havia um representante do turismo municipal no evento em que os representantes  de Gramado fizeram sua apresentação.

  • Policia espanhola estima em R$ 5,6 milhões a cocaína apreendida em avião da FAB

    A Guarda Civil espanhola avaliou em 1,3 milhões de euros (5,6 milhões de reais) os 39 quilos de cocaína apreendidos no aeroporto de Sevilha na bagagem do militar brasileiro Manoel Silva Rodrigues, membro da comitiva do presidente Jair Bolsonaro em sua viagem à cúpula do G20 no Japão.
    Segundo o El Pais, que adiantou a informaçao, falta ainda detectar a pureza da droga.
    A substância apareceu dividida em 37 pacotes na maleta que o tripulante levava no avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que havia feito escala em Sevilha como aparelho de reserva do presidente em sua viagem a Osaka.
    O objetivo das investigações agora é saber qual era o destino da droga e por que o militar a descarregou da aeronave quando ele e os outros 20 tripulantes passariam pelo controle alfandegário.
    A cocaína foi detectada quando os agentes da Guarda Civil passaram a maleta pelo raio-X e observaram a presença de pacotes suspeitos em forma de tijolo em seu interior.
    Ao abri-la encontraram a droga, que nem sequer estava escondida entre as roupas. Os pacotes não apresentavam nenhuma marca exterior, como as que os narcotraficantes costumam usar para identificar a origem ou o destino do produto, segundo fontes próximas à investigação.
    Essas mesmas fontes não descartam que a cocaína ficaria na Espanha, convencidas de que o detido é uma simples mula de uma organização de traficantes.
    Após a detenção, o sargento brasileiro ficou à disposição do Tribunal de Instrução 11 de Sevilha, que na quarta-feira decretou sua prisão provisória sem fiança, acusando-o de crime contra a saúde pública.
    A prisão na Espanha de um membro da comitiva de Bolsonaro gerou enorme polêmica no Brasil.
    O Ministério da Defesa apressou-se a declarar em nota que “repudiava” os atos do militar e mostrava sua disposição em colaborar com as autoridades espanholas para esclarecer o incidente.
    O próprio Bolsonaro chamou o incidente de “inaceitável” no Twitter e exigiu “investigação imediata e punição severa ao responsável”. O incidente colocou o presidente brasileiro numa situação incômoda, pois durante a campanha ele prometeu combater o crime e as drogas como nunca na história do país.
    Não é a primeira vez que o sargento agora detido em Sevilha integra a comitiva de Bolsonaro e de outros mandatários brasileiros.
    Com o atual presidente, ele viajou em fevereiro entre São Paulo e Brasília; e, no final de maio, a Recife.
    Com Michel Temer, Rodrigues viajou em 2017 a Zurique (Suíça), segundo o Portal de Transparência.
    (com informações do El País)

  • Eduardo Leite está autorizado a privatizar estatais de energia

    Sete horas bastaram para que o parlamento quebrasse um tabu, aprovando por esmagadora maioria os três projetos que autorizam a privatização da CEEE, da CRM e Sulgás, tres empresas do setor de energia de propriedade do Estado do Rio Grande do Sul.
    A venda das empresas é uma das exigências do Regime de Recuperação Fiscal, programa do Governo Federal para renegociar as dívidas dos Estados. Segundo o governador, é a único requisito que falta para o acordo.
    Nos termos da lei, que criou o programa, consta também a privatizaçao de empresas financeiras e de saneamentos. Mas o Banrisul, pelo menos, o governador garante que não vai vender.
    Para aderir ao acordo, o governo do Estado teve que se comprometer com um rígoroso  ajuste fiscal, que começou pelo congelamento de despesas por 20 anos, com redução de pessoal e privatizações.
    A primeira parte do ajuste foi feita pelo governo anterior, mas Ivo Sartori esbarrou na resistência às privatizações consagrada na Constituição do Estado. Sartori conseguiu também uma liminar, ante a expectativa do acordo, para suspender o pagamento das parcelas da dívida.
    Essas circunstâncias não deixaram alternativa para Eduardo Leite, fora do Regime de Recuparação  Fiscal. Para começar, se não quisesse aderir, ele teria que pagar R$ 5 bilhões das parcelas suspensas por força da liminar.
    A adesão, para a qual agora o governo está apto, garante a suspensão do pagamento da dívida por três anos, prorrogáveis por mais três. Aliviado da dívida, o governo ainda contará com o dinheiro da venda das estatais. Fala-se em R$ 4 bilhões mas não há um número confiável.
    As regras do Programa de Recuperação Fiscal determinam um destino prioritário para o recurso das privatizações: pagamento de juros e passivos. Mas há também no programa margem para novos financiamentos, algo que não é muito definido.
    Quanto restará para investimento? O governo não avança em números.
    Seu discurso diz que, alcançado o equilibrio fiscal, haverá  crescimento com respectivo aumento da  arrecadação que permitirá pagar os salários em dia, investir em Saúde, Educação e Segurança,  e, quando a anistia cessar, pagar as parcelas da dívida, que ao final estará acrescida de R$ 30 bilhões.
    A  renegociação com a União, para a qual Eduardo Leite se credencia, foi comparada pela maioria dos discursos da oposição, com a que Antônio Brito fez com o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1997, quando o Estado devia R$ 9,6 bilhões. Desde então, já pagou R$ 30 bilhões e deve R$ 73 bilhões. E o desequilíbrio fiscal só aumentou.   .