Autor: Elmar Bones

  • Mobilização dos servidores contra o pacote tira empresários da zona de conforto

    Todas as federações empresariais do Rio Grande do Sul fecharam com o pacote do governador Eduardo Leite, que tramita na Assembleia em regime de urgência.
    A reação do empresariado foi motivada pela forte mobilização do funcionalismo contra as medidas, que num horizonte de dez anos cortam R$ 25,4 bilhões da  massa salarial dos servidores estaduais, segundo estimativa do próprio governo na cartilha que publicou.
    Vanguarda nos projetos de ajuste do setor público, os empresários estavam até agora de observadores. As impressionantes manifestações de rua promovidas pelos servidores nas últimas semanas acenderam o sinal vermelho.
    Um vídeo da direção da Fecomércio,  difundido  pelas redes sociais, fazendo um chamamento em defesa do pacote, parece ter sido o detonador da reação. que culminou com a manifestação da Farsul nesta terça-feira, 10.
    Um dia antes, a Federação das Indústrias entregou, a cada um dos deputados estaduais, uma carta assinada pelo presidente Gilberto Porcello Petry, de “apoio às medidas encaminhadas visando à modernização do setor público”.
    “Seu  voto  será decisivo no encaminhamento da modernização do Estado ou de ficarmos sempre lamentando a falta de segurança, de acesso à educação de qualidade, e de mais serviços de saúde para toda a sociedade”, diz o texto.
    Os argumentos são os mesmos do governo, que circulam na imprensa desde que o projeto se tornou conhecido: os salários já representam 82% das despesas, numa trajetória insustentável que vai obrigar a cortes ainda maiores em áreas essenciais.
    Repete o número que aponta crescimento das despesas com pessoal acima da inflação e da receita de impostos. (Embora os salários estejam congelados há cinco anos, o governo diz que os encargos com pessoal continuam crescendo).
    A entidade diz que o projeto “ataca o principal problema das finanças públicas estaduais, o gasto com pessoal e que, se nada for feito, chegará o momento em que todos os recursos arrecadados serão destinados à folha de pagamento”.
    Nesta terça-feira, em audiência com representantes do professores em greve contra as propostas do governo, o presidente da Assembleia  Luís Augusto Lara voltou a dizer que sem mais tempo para discutir e aperfeiçoar as medidas dificilmente elas serão aprovadas. Aliado do governo, Lara já se manifestou pela retirada do regime de urgência.
    São oito projetos no conjunto. Seis Projetos de Lei Complementar, um Projeto de Lei e um Projeto de Emenda Constitucional, com apenas 30 dias para ser examinados. .

  • RS no ranking dos Estados: 11º em educação, 18º em infraestrutura

    O governador Eduardo Leite pode ver nesta segunda feira (9/12) uma fotografia sem retoques da crise estrutural que atinge o Rio Grande do Sul, durante a apresentação do Ranking de Competitividade dos Estados 2019.
    O levantamento é produzido há nove anos pelo Centro de Liderança Pública e faz um diagnóstico das 27 unidades federativas a partir da análise de 69 indicadores sociais e econômicos.
    O gerente de Competitividade do CLP, José Henrique Nascimento, fez a exposição perante o governador Eduardo Leite, secretários e diretores de instituições estatais, no Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini.

    O Rio Grande do Sul ficou em sétimo lugar na média geral – era quinto no ano passado, caiu duas posições em um ano.  Mas despencou em itens essenciais: 11º lugar em educação, 18º em infraestrutura e último em termos de equilíbrio fiscal.
    Em “sustentabilidade ambiental” caiu dois pontos em relação ao ano passado  é o 12º.
    Em “capital humano”  é o 15º, mesma posição que ocupa quanto ao “potencial” de mercado”.
    O Estado  teve destaque em “inovação” (2ª colocação), eficiência da máquina pública (2º), sustentabilidade social (3º). Em Segurança Pública, subiu três posições, mas ainda está em quinto lugar.
    Nascimento, explicou que o RS tem um PIB mais alto que a média nacional, mas a baixa capacidade de investimento (2,92% da RCL), o déficit primário e nominal, somado à baixa solvência fiscal, ao elevado gasto com pessoal (104% da RCL) e à baixa capacidade de poupança, fazem o Estado ocupar a última colocação no ranking no quesito da “solidez fiscal”.

    Fotos: Itamar Aguiar/Palácio Piratini
    O governador agradeceu ao CLP pelo trabalho e pela apresentação detalhada. “A apresentação reforça nossas convicções e mostra que estamos trabalhando na direção correta, principalmente com a reforma estrutural que está em discussão, porque estamos atacando aquilo em que estamos pior colocados em todo o país”, destacou Leite.
    O Ranking avalia o desempenho dos governos estaduais buscando auxiliar dirigentes públicos a diagnosticar e elencar prioridades de gestão.
    Desde seu início, em 2011, conta com o apoio técnico da Economist Intelligence Unit e, desde 2015, passou a ter a colaboração da Tendências Consultoria Integrada.
    Novas reuniões estão agendadas da equipe do CLP com as secretarias de Governança e Gestão Estratégia e de Planejamento, Orçamento e Gestão.
    “Essa ferramenta (o ranking) vai ajudar o governo nas diversas frentes da sua atuação na busca por melhorias e oferecer melhor qualidade de vida à população. Poderemos alinhar nossa estratégia e fazer as eventuais correções de rumos necessárias. Com esses dados em mãos, temos, agora, de fazer a lição de casa”, complementou o governador.
    RANKING 2019
    Assim como na edição anterior, São Paulo segue na primeira colocação no Ranking de Competitividade dos Estados. Da mesma forma, Santa Catarina permaneceu na segunda posição, Distrito Federal, na terceira e Paraná, na quarta.
    As unidades federativas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram-se na metade superior do ranking, com os Estados do Norte e Nordeste ocupando as últimas posições. Se destacaram as seguintes UFs, por terem sido as que mais ganharam posições em relação à edição de 2018: Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe.
    A lista completa:
    1º São Paulo
    2º Santa Catarina
    3º Distrito Federal
    4º Paraná
    5º Mato Grosso do Sul +2
    6º Espírito Santo +2
    7º Rio Grande do Sul
    8º Minas Gerais
    9º Mato Grosso +2
    10º Rio de Janeiro +3
    11º Paraíba
    12º Ceará
    13º Goiás
    14º Alagoas +2
    15º Rio Grande do Norte +5
    16º Amazonas +1
    17º Pernambuco +4
    18º Rondônia
    19º Tocantins
    20º Bahia +2
    21º Roraima
    22º Sergipe +3
    23º Piauí
    24º Amapá
    25º Pará
    26º Maranhão
    27º Acre
    José Henrique Nascimento, do CLP, detalhou os dados do ranking que coloca o RS na última posição em Solidez fiscal – Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
     
    POSIÇÃO DO RS EM RELAÇÃO À EDIÇÃO 2018:
    Ranking geral
    ▼ Caiu 2 posições (7ª colocação)
    Em cada pilar:
    ▼ -4 em Infraestrutura (18ª colocação)
    ▼ -1 em Sustentabilidade Social (3ª colocação)
    ▲ +3 em Segurança Pública (5ª colocação)
    ▼ -3 em Educação (11ª colocação)
    ▼ -2 em Solidez Fiscal (27ª colocação)
    ▼ -1 em Eficiência da Máquina Pública (2ª colocação)
    ▼ -1 em Capital Humano (15ª colocação)
    ▼ -2 em Sustentabilidade Ambiental (12ª colocação)
    ▲ +10 em Potencial de Mercado (15ª colocação)
    ■ em Inovação (2ª colocação)
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)
     

  • A volta por cima da Carris e a surpreendente saída de Helen Machado

    A centenária Companhia Carris Porto Alegre terá um novo presidente a partir de terça-feira, 10.
    Cesar Griguc, diretor administrativo-financeiro, assume no lugar de Helen Machado, que deixa o cargo no momento em que colhe os primeiros frutos de sua gestão.
    Ela assumiu em janeiro de 2017, com um déficif do ano anterior de R$ 74,2 milhões. Em dezembro de 2018, já havia reduzido para  19,2 milhões. Em agosto deste ano, pela primeira vez em sete anos, a Carris deu lucro, de R$ 124 mil.
    Para surpresa geral, na quinta-feira, 5, Helen Machado anunciou que estava deixando o cargo.
    No dia seguinte, ao formalizar a mudança, o prefeito Nelson Marchezan, disse que o resultado na Carris “foi obtido através de um plano de gestão até 2020, que busca o equilíbrio da empresa”.
    “Agradeço a Helen pelo empenho em melhorar nossa cidade e se dedicar a esta empresa que ninguém mais acreditava que poderia melhorar ”, disse o prefeito.
    No início do mandato, o prefeito deu reiteradas declarações de que a Carris teria um tempo para alcançar o equilíbrio, senão seria privatizada.
    “Saio com a certeza de que cumpri com o propósito maior que era buscar o equilíbrio financeiro, mudar a cultura da empresa”, disse Helen.
    Seria isso o que Marchezan realmente esperava?
    Uma dos marcos da gestão de Helen Machado é o posto de combustíveis da Carris. Com equipamentos de última geração, que vão permitir o controle total da operação de abastecimento, o novo posto será um dos mais modernos da América do Sul.
    A construção está em fase de conclusão, com 95% da obra já executada.
    A estrutura usará como bandeira a marca Carris, “símbolo de tradição e prestação de serviço à população de Porto Alegre”.
    “Este é um projeto de extrema importância no processo de recuperação da Carris e também de modernização das operações. Trará a empresa para um novo patamar na gestão de sua frota”, declarou  Helen Machado no início de dezembro, quando Marchezan vistoriou a obra.

    No dia 2 de dezembro, o prefeito vistoriou as obras do Posto de Abastecimento da Carris/ Foto: Cesar Lopes, PMPA

    O posto é uma contrapartida da licitação para abastecer a frota da Carris, em que a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A foi vencedora.
    O posto foi construído pela empresa contratada, sem custos para a Carris. Localizado em um ponto que torna mais rápido o acesso dos ônibus, vai possibilitar a reorganização do abastecimento da frota, composta por 347 veículos.
    A tecnologia moderna das instalações vai também ampliar em 30% a capacidade de atender o abastecimento e permitir o controle do consumo de óleo diesel pelo sistema de automação.
    O projeto inclui seis ilhas de abastecimento, novos tanques de armazenagem, três máquinas de lavagem, equipamentos de filtragem de combustível e sistema automatizado que vai conectar todo o posto.
    Outro benefício oferecido pelas novas tecnologias será a reutilização de 100% da água demandada.
    Como conciliar isso com o dogma de que a empresa pública não funciona?
    Ao demonstrar que a Carris, a mais tradicional das empresas públicas do Rio Grande do Sul, é víavel e lucrativa,  Helen Machado não estaria estaria na contramão de toda uma estratégia?
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Por que a Brigada Militar montou esquema de guerra para o julgamento de Lula?

    POR SOLDADO ADRIÉLY ESCOUTO/PM5 às 10h52
    “A Brigada Militar informa: sobre o esquema especial de segurança para o julgamento do ex-presidente Lula nesta quarta-feira (27/11), no Tribunal Regional Federal da 4° Região, a situação em seu entorno está tranquila.
    Na ausência de manifestações, foi possível liberar os bloqueios de trânsito, preventivos, para minimizar o impacto no fluxo de veículos na área central, em favor da população que circula nas vias de Porto Alegre. A situação atualizada do trânsito é a seguinte:
    Vias liberadas:
    – Trecho da Avenida Mauá com a Rua General Bento Martins no sentido centro/bairro.
    – Avenida Edvaldo Pereira Paiva no viaduto Abdias do Nascimento.
    Único bloqueio de trânsito que segue:
    – Avenida Augusto de Carvalho entre Loureiro da Silva e Edvaldo Pereira Paiva”.
    ***
    Pouco antes desse comunicado, em entrevista à rádio Gaúcha, o sub-comandante da Brigada explicava que o aparato repressivo, com bloqueios de avenidas, dezenas de veículos, pelotões do Choque, cavalarianos, e apoio de helicópteros, fora decidido a partir de informações do serviço de inteligência.
    Segundo essas informações grupos organizados tentariam ações violentas. Com base nelas um aparato de guerra foi montado e, no final, os abnegados e pacíficos lulistas que se deslocaram até  o TRF4 não perfaziam três dezenas.
    Terá sido a inteligência da Brigada Militar vítima de fake-news?

  • Em audiência pública, pais, alunos e professores denunciam precariedade nas escolas

    Emoção e indignação marcaram os relatos feitos por educadores, pais, mães e estudantes que participaram da reunião da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, na manhã desta terça-feira (26).
    Foram expostas as dificuldades enfrentadas no cotidiano das escolas como o fechamento de turnos, a extrema precariedade na estrutura física das instituições, a falta de funcionários de escola, as péssimas condições de trabalho dos educadores, o fechamento de bibliotecas e de refeitórios.
    Também frisaram o repúdio ao pacote do governo, que ataca severamente os educadores e a educação pública.
    Diante do cenário de total descaso, afirmaram ser justa a greve do magistério gaúcho e frisaram total apoio à categoria.
    “Por termos um sistema diferenciado de ensino, nós nunca participamos de uma greve. Porém, desde a sema passada toda a nossa equipe está de braços cruzados. Estamos assustados com o que prevê o pacote do governo. Nós trabalhamos em locais insalubres e de periculosidade e querem nos retirar o difícil acesso. Estudamos os projetos de forma intensa e tivemos a certeza de que se esse pacote passar será o fim da nossa carreira”, ressaltou a professora da EEEM Tom Jobim – Fase-RS, Magali Giordani.
    A presidente da Umespa e ex-aluna da escola Parobé, Vitória Cabreira, apresentou os dados repassados para a entidade pela Secretaria de Educação (Seduc).
    De acordo com as informações da secretaria, 15% das escolas não têm laboratório de informática, 51% não possui laboratório de ciências, 74% não conta com quadra coberta, 28% não dispõem de refeitório e 76% não tem auditório. “E apesar desse panorama, a educação pública tem qualidade. Estamos aqui para deixar claro que a partir do momento em que o governador protocolou esse pacote na Assembleia, a luta passou a ser de toda a comunidade escolar. Os educadores têm todo o apoio dos estudantes secundaristas”, garantiu.
    “Por todo o Estado estamos vendo crescer o apoio dos estudantes à greve dos professores. Esta é a prova de que apesar de todos os ataques, as escolas públicas estão formando cidadãos e cidadãs conscientes. É uma batalha diária ser professor neste Estado que só destrói a escola pública. Empatia com os professores é o que eu peço a vocês deputados. Não vamos permitir que o governo roube o futuro dos nossos professores”, afirmou Pedro Possa, aluno do 2º ano e membro do conselho escolar do Parobé, Pedro Possa.
    A professora Maria Antonieta Dias, da escola Evaristo Gonçalves, expôs a preocupação com o fechamento do turno da tarde, informado à instituição no início de outubro. “Muitos professores terão um gasto maior porque precisarão pegar outro turno em outra escola, só Deus sabe onde. Os pais também terão transtornos, precisarão se reorganizar. Agora eu pergunto, o que está sendo feito com os prédios das escolas que já foram fechadas pelo governo”, indagou.
    Simone Dorneles, representante do Coletivo de Pais e Mães do Colégio Piratini, observou que em época de campanha eleitoral a educação pública sempre é prioridade no discurso dos candidatos, mas esquecida quando se elegem. Recentemente, o Coletivo foi ao Brique da Redenção, na capital, conversar com a população sobre as consequências do projeto do governo aos educadores e ao ensino público. Ao relembrar o apoio recebido, ela não conteve as lágrimas. “Não houve um homem, uma mulher, um jovem, um idoso que não parasse para dialogar conosco e prestar apoio. Somos cidadãos e cidadãs que estão cansados de pagar impostos e só ouvir promessas que nunca se concretizam. O colégio estadual Piratini foi uma das poucas escolas que aderiu ao programa de educação integral. Os professores fazem um trabalho de inclusão maravilhoso. O meu filho é um dos jovens que foi acolhido. Desde quando um educador merece receber menos do que qualquer outro profissional do legislativo ou do judiciário”, questionou.
    A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, salientou que há mais de um mês o CPERS entregou ao governo os apontamentos do sindicato sobre os projetos que integram o pacote. Porém, até o momento, o governador não se dispôs a conversar com a entidade. “Eduardo Leite prega o diálogo da boca para fora. Até agora não sentou para conversar conosco sobre o pacote que nos atinge brutalmente. Estamos realizando uma greve histórica. Por onde passamos constatamos que a sociedade reconhece a nossa luta. Nós continuaremos firmes ao lado dos nossos estudantes, dos pais e de toda a comunidade escolar para derrotar este pacote”, garantiu.
    A deputada Sofia Cavedon, que preside a Comissão de Educação, frisou que o pacote do Executivo não contempla nenhum projeto pedagógico e nenhuma proposta de incremento a educação. “Leite só quer saber de ir visitar as escolas charter e fala em privatização. Não tem nenhum compromisso com a educação pública. As condições das nossas escolas estão degradantes demais”.
    (Com informações da Assessria de Imprensa)

  • Lula define polarização como estratégia: "Nós somos o oposto do Bolsonaro"

    Em seu discurso na abertura do 7º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, nesta sexta-feira (22), em São Paulo, o ex-presidente Lula definiu sua estratégia de se posicionar como o anti-bolsonaro. “O PT é sim o oposto de Bolsonaro”, disse.
    “Não fomos nós que falamos em fechar o Congresso com um cabo e um soldado. Em nossos governos as instituições foram respeitadas, nenhum general deu murro na mesa, nem esbravejou contra líderes políticos. Não fomos nós que sabotamos a economia do país para forçar um impeachment. Não fomos nós que forjamos um processo judicial para tirar do páreo um candidato das eleições. E são essas pessoas que nos dizem para não polarizar o país. Como se o Brasil já não estivesse polarizado há séculos entre os poucos que tem tudo e os muitos que nada tem. Nós somos sim o oposto de Bolsonaro. Somos sim radicais na defesa das universidades, da soberania nacional, da saúde. Nós somos oposição e meia. Enquanto ele semeia o ódio, nós vamos mostrar que o amor vai fazer esse país muito melhor”, disse Lula.
    “Eu sou o maior polarizador deste país. Eu quero é polarizar. Eles não sabem o que é enfrentar um senhor de 74 anos apaixonado”, advertiu.
    Lula não poupou Sergio Moro e a Lava Jato.
    “Como podem dizer que combateram a impunidade se Moro soltou pelo menos 130 dos 159 réus que ele mesmo havia condenado? Negociaram todo tipo de benefício com criminosos confessos, venderam até o perdão de pena que a lei não prevê, em troca de qualquer palavra contra o Lula.”
    Para ele, o Brasil só não está passando por uma convulsão social extrema, como acontece em outros países da América Latina, por causa da herança dos governos do PT. “Porque não conseguiram acabar com o Bolsa Família, último recurso de milhões de deserdados”, frisou.
    A ex-presidenta Dilma Roussef, os ex-ministros Fernando Haddad e José Dirceu, Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila, além de parlamentares de todo o país participaram do congresso.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa e do 247)
  • Pesquisa mostra que 45% dos brasileiros não confiam em vacina

    Uma pesquisa da organização não governamental Avaaz, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), mostra que a credibilidade das vacinas é menor entre homens e jovens de 16 a 24 anos.
    O estudo mapeou o impacto das fake news em vacinas e contou com um questionário domiciliar em que o Ibope ouviu 2.002 pessoas entre 19 e 22 de setembro deste ano, em todas as regiões do país.
    Segundo a pesquisa, 54% dos brasileiros consideram as vacinas totalmente seguras, e 31% avaliam que elas são parcialmente seguras. Para 8%, elas são parcialmente inseguras, e 6% responderam que elas são totalmente inseguras.
    A soma dos três últimos grupos mostra que 45% dos brasileiros têm algum grau de insegurança em relação às vacinas. Um percentual de 2% não respondeu ou não soube opinar.
    Entre os homens, cai para 49% o percentual dos que consideram as vacinas totalmente seguras, e os outros três grupos somam 48%.
    Em relação à faixa etária, a situação é mais preocupante entre os jovens de 16 a 24 anos, já que 45% veem as vacinas como totalmente seguras e 53% têm algum nível de insegurança.
    As pessoas com ensino médio se mostraram menos seguras sobre as vacinas do que aqueles com nível fundamental completo ou incompleto, sendo este último grupo o que dá maior credibilidade às imunizações (61%).
    Segundo a pesquisa, metade das pessoas que pararam de estudar ao concluir o ensino médio têm inseguranças em relação à vacinação, enquanto para quem tem nível superior esse percentual cai para 43%.
    Assim como nos níveis de escolaridade, a camada mais pobre da população, com renda de até um salário mínimo, é a que confia mais nas vacinas.
    O resultado se repete entre as classes D e E, que superam a A, a B e a C no percentual que avaliou as vacinas como totalmente seguras.
    Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, os dados de renda, classe social e escolaridade mostram que a população mais pobre está menos impactada pelas fake news por consumir mais as informações da mídia tradicional, utilizar mais os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e ter menos acesso às redes sociais.
    “Elas são bastante impactadas pelas mídias tradicionais, mesmo sendo populações mais carentes. E tem a ação do SUS. São pessoas que são usuárias do SUS. E quando elas conseguem acessar o sistema, os profissionais de saúde se tornam muito importantes na informação”.
    Outro dado trazido pela pesquisa é que os evangélicos dão menor credibilidade às vacinas que os católicos e as pessoas que se declararam de outras religiões.
    Enquanto 60% dos católicos e 49% do terceiro grupo consideram as vacinas totalmente seguras, esse percentual cai para 44% no caso dos evangélicos, o menor percentual entre todos os recortes populacionais.
    O questionário mostra que 61% dos entrevistados já receberam mensagens negativas sobre vacinas nas redes sociais, sendo que 9% disseram que essas mensagens chegam todos os dias ou quase todos os dias.
    Entre as pessoas que declararam considerar as vacinas parcialmente inseguras, 72% disseram ter recebido notícias negativas por redes sociais. E, entre os que disseram que elas são totalmente inseguras, esse percentual é de 59%.
    A pesquisa revela que a mídia tradicional ainda é a principal fonte de informação sobre vacinas para a população, sendo citada por 68% dos entrevistados, que podiam apontar as três fontes principais de informações sobre o assunto.
    As redes sociais ficaram em segundo lugar, com 48%, à frente do governo (42%) e dos profissionais de saúde (41%). O presidente da SBIm acredita que a disponibilidade das redes sociais contribui para que elas tenham ultrapassado fontes oficiais.
    “A gente tem que estar disponível para ensinar e esclarecer da mesma forma que as pessoas que disseminam essas inverdades estão. A gente tem que encontrar tempo, disponibilidade e uma linguagem pra isso”, diz ele, que reconhece que redes sociais como o Whatsapp favorecem a criação de “guetos”, onde informações que desmintam fake news dificilmente conseguem penetrar. “É importante a gente ter a parceria com as plataformas [de redes sociais]”.
    Para a coordenadora de campanhas do Avaaz no Brasil, Nana Queiroz, o país vive uma epidemia de desinformação que precisa ser combatida por diferentes esferas de governo, sociedades médicas e também pelas plataformas de redes sociais, como o Facebook, o YouTube, o Instagram e o Whatsapp. “Nesse caso, o remédio é que as plataformas mostrem correções (vindas de checadores de fatos independentes) a todos que foram expostos a notícias falsas. Essa estratégia ficou conhecida mundialmente como correct the record [corrigir o erro]. Ela é prática, justa e nos protege contra a censura, pois nada é tirado do ar: apenas corrigido”.
    O Avaaz analisou ainda 30 histórias falsas sobre vacinas desmentidas pelo Ministério da Saúde e por serviços jornalísticos de checagem de informações. Esses conteúdos tiveram  23,5 milhões de visualizações e 578 mil compartilhamentos no Facebook. Além disso, foram 2,4 milhões de visualizações no YouTube. Quase metade desses artigos ou vídeos foi traduzida de sites antivacina dos Estados Unidos.
    (Com informações e fotos da EBC)

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  • Por que Bolsonaro confessou o fato que pode derrubá-lo?

    O presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou neste sábado (2) que recolheu a gravação das ligações da portaria do Condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde tem uma casa, para que não fossem adulteradas.
    “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, declarou Bolsonaro.
    A revelação espantou mesmo jornalistas experientes. “Ele botou as digitais no caso Marielle”, disse Ricardo Noblat.
    Por que o presidente da República revela um fato que pode levar ao seu impeachment? Interferência nas investigações de um crime, obstrução da justiça são os enquadramentos possíveis, que podem levar à cassação,  segundo vários juristas que já se manifestaram.
    Certamente não foi por ingenuidade que Jair Bolsonaro assumiu correr esse risco.
    A hipótese mais provável é que ele decidiu antecipar-se a um novo vazamento com o resto da história, que começou com o depoimento do porteiro, até agora não identificado.
    Há quatro dias o Jornal Nacional revelou que um dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, esteve no dia do crime no condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro tem uma casa.
    Elcio Queiroz, ex-policial, apontado pela polícia como o motorista que dirigiu o carro usado no crime, visitou a casa 66, onde morava Ronnie Lessa, o outro envolvido, mas disse na portaria que ia na casa 58, a de Bolsonaro. O porteiro revelou em depoimento à polícia que a entrada foi autorizada por “seu Jair”.
    Em seguida, viu que o visitante se encaminhara para a casa 66 e informou à mesma pessoa na casa 58, que disse saber aonde o visitante ia.
    Está provado que Jair Bolsonaro estava  em Brasília neste dia, mas seu filho Carlos*, estava no condomínio. Não se sabe se na casa 58 ou 36, que também é da familia. Pelo que já foi divulgado a portaria registra que por volta das 15 horas entrou uma encomenda para ele e depois das 17, a chegada de um Uber que veio buscá-lo.
    Se estava no número 58 pode ser ele quem autorizou a entrada de Elcio Queiroz.
    A fúria dos ataques de Bolsonaro ao governador do Rio, Wilson Witzel e a delegado que conduz as investigações sobre o caso Marielle,  indicam onde se localiza sua preocupação.
    Há poucos dias, ele  próprio deu uma pista ao declarar: “Andam querendo prender um filho meu”.
    .*Por equívoco foi mencionado Flávio, no texto original.
     

  • Nobel de Física: “Probabilidades de que haja vida no universo são descomunais” 

    O astrofísico Michel Mayor ficou mundialmente conhecido em 1994, quando anunciou a descoberta da 51 Pegasi, uma estrela a 50 anos-luz da Terra.
    Naquele mesmo ano, ele confirmou a descoberta do primeiro exoplaneta. Michel Mayor e seu assistente Didier Queloz inauguraram um novo campo da astrofísica.
    O universo dos “planetas inconcebíveis”, fora do nosso sistema solar. Desde então foram descobertos 4.057 exoplanetas, alguns deles do tamanho da Terra e com capacidade de abrigar vida.
    Aos 77 anos, ganhador do Nobel de Física de 2019, juntamente com Queloz, ele não tem dúvida sobre a existência de vida em muitos lugares do universo, como explica nesta entrevista a El Pais:
    Pergunta:. A Real Academia de Ciências da Suécia concede-lhe o prêmio por mostrar “o lugar que a Terra ocupa no cosmos”. Que lugar é esse?
    Resposta. As estatísticas dizem que há bilhões de planetas em nossa galáxia, a Via Láctea. Muitos são como a Terra. Parte deles está na distância exata de sua estrela para que haja uma temperatura adequada e ocorra a química complexa necessária para que surja a vida. Com base nisso, as probabilidades de que haja vida no universo são descomunais. Agora o importante é procurar os exoplanetas que estão mais perto de nós para que possamos captar mais fótons e analisar a química de sua atmosfera.
    P. Encontraremos vida nesses planetas?
    R. Pelo menos sabemos como fazer isso. Podemos detectar os biomarcadores na atmosfera que demonstram que há vida neles. Mas não temos os instrumentos para analisar a luz do planeta, algo muito complicado, porque sempre há uma enorme quantidade de luz emitida pela estrela e é difícil separá-las. Estou convencido de que existe vida em muitos lugares do universo.
    É uma fantasia pensar que podemos viajar até um exoplaneta
    P. Os planetas extrassolares, mesmo aqueles considerados habitáveis porque podem conter água líquida, são ambientes muito expostos à radiação estelar…
    R. Podem ser formas de vida mais simples do que nós. Os elementos químicos são sempre os mesmos, mas há muitas possibilidades de diversidade. Pense, por exemplo, na Terra, no quanto os animais que vivem sobre a terra são diferentes dos que estão no oceano, ou em um deserto, ou em uma floresta… Como é realmente a vida em outros planetas? É uma questão preciosa e enorme para a próxima geração.
    P. Giordano Bruno, que foi queimado pela Igreja no século XVII, propôs que existem muitos outros sistemas no universo, o que não se encaixa no relato cristão da criação. Qual é o lugar de Deus no universo?
    R. A visão religiosa diz que Deus decidiu que houvesse vida apenas aqui, na Terra, e a criou. Os fatos científicos dizem que a vida é um processo natural. Acredito que a única resposta é investigar e encontrar a resposta, mas para mim não há lugar para Deus no universo.
    P. Qual é a possibilidade de que alguns desses milhares de planetas com vida sejam Terras como a nossa?
    R. Encontrar vida evoluída, uma civilização, é uma pergunta completamente diferente. É muito mais difícil, por enquanto não é possível responder. Posso passar o resto da minha vida feliz tentando responder apenas à pergunta sobre se há vida além da Terra.
    P. O primeiro exoplaneta que você descobriu estava a 50 anos-luz e é um gigante gasoso, como Júpiter. O exoplaneta terrestre mais próximo da Terra, o Proxima b, descoberto em 2016, está a 4,5 anos luz. Algum dia será possível explorar algum desses mundos?
    R. Nunca poderemos ir. Os humanos demoram três dias para viajar até a Lua. A luz só precisou de um segundo. Imagine um planeta a 12 anos-luz. A luz demora um bilhão de segundos para chegar. Multiplique três dias por um bilhão, é muito tempo. É uma fantasia pensar que podemos ir até lá. Existe um projeto para enviar minissatélites para Proxima b, acelerados com laser até quase a velocidade da luz. É muito difícil, mas mesmo que dê, um artefato a essa velocidade que passe durante uma fração de segundo ao lado do planeta não poderá captar nada interessante. Não aprenderemos nada! Nossa única opção é desenvolver métodos de detecção remota baseados na química.
    P. Muitos dos exoplanetas terrestres descobertos estão em torno de estrelas anãs vermelhas, diferentes de nosso Sol. Isso afeta a possibilidade de que haja vida?
    R. Descobrimos algumas centenas de planetas usando a técnica da velocidade radial. No ano passado, minha equipe começou a operar um novo espectrógrafo, chamado Esspreso, que pode se conectar a quatro telescópios de oito metros de diâmetro em Paranal, no Chile. Com esse instrumento, já temos a capacidade de detectar um planeta de massa baixa [semelhante à Terra]. Além disso, o E-ELT nos dará uma enorme capacidade para detectar biomarcadores em planetas terrestres.
    P. Estão em estrelas como o Sol?
    R. A maioria dos esforços atuais se baseia em estrelas menores, porque a zona habitável está mais próxima do astro e é mais fácil analisá-la. Mas, pessoalmente, acredito que a zona habitável está tão perto da estrela que pode haver um enorme bombardeio de partículas estelares, o que pode tornar difícil a existência de vida. Eu me inclino a procurar nas estrelas anãs laranja, que são um ponto intermediário entre as anãs vermelhas e o nosso Sol, com uma massa de 0,7 sóis. Para o futuro, aposto nessas estrelas.

  • Prêmio mais antigo do jornalismo recebe inscrições até 19 de novembro

    Estão abertas as inscrições para o 61° Premio ARI de Jornalismo, o mais antigo certame jornalístico do país, criado em 1958 .
    Onze categorias de trabalhos jornalísticos são considerdas no prêmio, que é o mais disputado entre os jornalistas profissionais do Rio Grande do Sul.
    Os trabalhos serão recebidos até 19 de novembro.
    http://www.premioaridejornalismo.com.br/_pdfs/regulamento.pdf?20191001212513