Celular forneceu a pista para polícia chegar aos assassinos de Marielle

Foram presos na madrugada desta terça-feira dois suspeitos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no Rio.
Ronnie Lessa, de 48 anos, sargento reformado da PM, teria sido o autor dos disparos.  Elcio Vieira de Queiroz, ex-PM expulso da corporação, o motorista do carro, um Cobalt prata, usado no atentado.
O crime completa um ano nesta quinta-feira, 14 de março de 2019.
Eram quatro horas da manhã quando uma força-tarefa da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado chegou ao endereço do ex-sargento Lessa,  na barra da Tijuca, no mesmo condomínio de classe média alta onde o presidente Jair Bolsonaro tem sua casa.
O presidente também aparece numa foto no Facebook do ex-PM Queiroz, o outro suspeito preso.
Segundo as duas promotoras, Simone Sibilio e Letícia Emile, que comandam as investigações, o crime foi “meticulosamente” planejado durante três meses.
Além das prisões, a operação realiza mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para recolher documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos.
A principal prova colhida pelos investigadores saiu da quebra do sigilo dos telefones celulares dos dois suspeitos.
Ao verificar os arquivos acessados por Lessa pelo celular, antes do crime, armazenados na “nuvem” (dados que ficam guardados em servidor externo e podem ser vistos remotamente), eles descobriram que o suspeito monitorava a agenda de eventos de que Marielle participava.
A polícia descobriu que Lessa usava na época do crime um telefone “bucha” (comprado com o CPF de terceiros, para não ser rastreado).
Já o aparelho registrado na operadora telefônica em nome do próprio sargento foi usado no dia do crime por uma mulher em um bairro da Zona Sul. Foi, segundo os investigadores, uma tentativa de despistar a polícia.
Para chegar ao celular “bucha” usado pelo PM no local do crime, os investigadores  fizerem o que chamam de “triangulação de antenas”, ou seja, levantar as ERBs da região do crime.
O resultado deste levantamento dos telefones ligados na região onde a vereadora passou, da saída da Câmara dos Vereadores até o local da emboscada, no Estácio, gerou uma extensa lista. “Era como achar uma agulha no palheiro”.
Por vários meses, os técnicos da polícia trabalharam na pesquisa.
Uma imagem de câmeras de segurança da Rua dos Inválidos, no Centro, no dia  do crime, foi decisiva na identificação.
A imagem mostra um ponto luminoso (que seria um celular ligado) dentro do Cobalt prata dos executores. O carro deles estava estacionado perto da Casa das Pretas, onde Marielle participava como mediadora de um debate.
Com o registro do horário que o possível aparelho estava em uso, a polícia fez uma nova triagem na lista de celulares já existente até descobrir que um destes telefones fez contato com uma pessoa relacionada a Lessa. Daí, a polícia partiu para buscar os dados na nuvem do policial.
Além da interceptação dos dados digitais dos suspeitos,  também num trabalho de inteligência e de depoimentos de informantes, inclusive presos no sistema carcerário, levaram aos criminosos
Falta ainda, segundo os investigadores, identificar uma terceira pessoa que segundo todos os indícios estava dentro do veículo dos assassinos.
Também reforçou a suspeita sobre o sargento Lessa, o atentado que ele sofreu no dia 27 de abril, no mês seguinte ao crime. Ele e um amigo bombeiro foram baleados no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
Um homem de motocicleta teria abordado o carro onde viajavam, mas os dois reagiram e balearam o criminoso, que fugiu.
Na época, a Polícia Civil considerou uma tentativa de assalto. Mas os investigadores do caso Marielle consideraram a hipótese de uma tentativa de queima de arquivo.
Lessa, baleado, foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas teria deixado logo a unidade sem prestar esclarecimentos.
Em 2009, Lessa foi vítima de um atentado, em Bento Ribeiro, quando uma bomba explodiu dentro da Toyota Hillux blindada que dirigia. Ele escapou da morte, mas perdeu uma das pernas, e desde então usa uma prótese.
Mas ele era considerado ficha limpa, sem ter sido investigado em  nenhum momento.
Ronnie Lessa, no entanto, era conhecido nos meios policias. Tinha fama de exímio atirador, associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação.
Egresso dos quadros do Exército, entrou para a Polícia Militar do Rio em 1992, atuando principalmente no 9º BPM (Rocha Miranda), até virar adido da Polícia Civil, trabalhando na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), na Delegacia de Repressão à Roubo de Cargas (DRFC) e na extinta Divisão de Capturas da Polinter Sul.
A experiência como adido na Polícia Civil foi o motor da carreira mercenária de Lessa, segundo os investigadores.
A polícia trabalha agora para identificar o mandante ou mandantes do crime.
(Com informações do G1 e Extra)

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