O PDT foi o partido que mais perdeu representantes na “janela partidária” que fechou em 3 de abril.
Tinha três senadores, ficou com dois. Tinha 17 deputados federais, caiu para 11. Perdeu também 9 dos 43 deputados estaduais que elegeu em 2022.
No âmbito municipal, o PDT tem prefeitos em 151 cidades, nenhuma capital de estado. Os vereadores eleitos pela sigla em todo o pais, conforme o TSE, somam 2.479, num universo de 58.400 vereadores nos mais de 5.500 municípios brasileiros.
Os filiados ao PDT somam 1.081.821 eleitores, segundo dados do TSE em dezembro de 2025.
Ainda não há um balanço consolidado das perdas do PDT com candidatos que pularam a “janela partidária”.
O certo é que o PDT ainda tem poder para impor ao governo Lula um acordo leonino, que o habilita a disputar três governos estaduais com o apoio do governo federal e os votos do PT. Atualmente, o PDT não tem nenhum governador.
Pelo acordo, ele pretende disputar em Minas Gerais, com Alexandre Kalil, no Paraná, com Requião Filho e no Rio Grande do Sul, com Juliana Brizola.
No Rio Grande do Sul, o acordo pode causar danos incalculáveis. Há um ano, o PT gaúcho escolheu Edegar Pretto, atual presidente da Conab, como candidato ao governo do Estado.
Na quinta-feira 9 de abril, ante pressões e ameaças, inclusive de intervenção no diretório estadual, Pretto anunciou a retirada da candidatura e. dias depois, declarou seu apoio a Juliana Brizola, do PDT.
A decisão conflagra um dos mais combativos e aguerridos redutos que apoiam Lula – o PT do Rio Grande do Sul. O repúdio à ameaça de intervenção por parte de lideranças históricas do partido, como os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro (que chegou a apoiar o acordo nacional) impactou os militantes.
Nas redes sociais foi palpável a exaltação dos ânimos e a inconformidade de grande parcela dos petistas.
O acordo entre PT e PDT foi acertado em março tendo como foco a reeleição de Lula. Foi articulado e firmado pelas cúpulas nacionais dos partidos de esquerda, representadas por:
– Edinho Silva, presidente nacional do PT, defensor da tese de que o partido deveria “abrir mão” de candidaturas regionais para priorizar a aliança nacional.
– Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que defendeu “a convergência da sigla em torno do projeto de reeleição de Lula, em troca de palanques estratégicos nos estados”.
– João Campos (PSB), prefeito de Recife e presidente nacional do PSB também participou das reuniões de cúpula que “selaram o bloco de apoio da centro-esquerda em março”.
Nos últimos dias, no auge da crise apareceu o nome do deputado Paulo Pimenta, como um dos que trabalharam internamente pela aliança, “visando consolidar sua própria candidatura ao Senado”. Limitado à esquerda pela canditatura de Manuela d’Ávila, do Psol. Pimenta mira o eleitorado mais ao centro, carreado pelo PDT.
A figura mais contraditória neste cenário é a do presidente do PDT, Carlos Lupi. Lupi ganhou o ministério da Previdência e vários cargos na administração federal por seu apoio a Lula, em 2022. Prestou um dos maiores desserviços ao governo ao sentar em cima das denúncias das fraudes contra os aposentados no INSS.
Foi informado do esquema nos primeiros dias do seu mandato, nada fez até a Operação da Polícia Federal, em março de 2025, que escancarou uma fraude de R$ 6 bilhões, envolvendo mais de 3 milhões de aposentados do INSS.
Com sua leniência, Lupi favoreceu as tentativas da oposição de envolver o governo com as fraudes, no mínimo, por quase um ano e meio de omissão. Foi forçado a pedir demissão, mas conseguiu emplacar o sucessor, ex-deputado Volney Queiróz, também do PDT. O resultado pifio da CPI, com dois relatórios impugnados, tem muito ver com a situação que se criou no ano e meio em que Lupi esteve sentado em cima das graves denúncias.
O argumento dos que defendem o acordo é que, pela primeira vez em nove eleições, todos os partidos de esquerda com representação parlamentar (PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede) fecham questão para apoiar um único candidato já no primeiro turno.
O objetivo central da estratégia de Lula é garantir que partidos que ocupam ministérios, como o PDT, ofereçam palanques estaduais exclusivos ou prioritários para sua reeleição, mesmo que isso signifique o PT abrir mão de cabeças de chapa em redutos tradicionais.
Juliana Brizola, de 50 anos, é neta do ex-governador e fundador do PDT, Leonel Brizola. Começou sua carreira política em 2008, como vereadora em Porto Alegre, foi deputada estadual por três mandatos. Nas eleições municipais de 2024, disputou a prefeitura de Porto Alegre, ficando em terceiro lugar, com 136 mil votos. Desde novembro de 2025, é a pré-candidata do partido ao governo do Estado.

