Espancamento de homem negro no Carrefour durou mais de cinco minutos

A vítima, de 40 anos, faleceu ainda no local Foto: Reprodução/Internet

Diversos vídeos que circulam em redes sociais demonstram a brutalidade das agressões sofridas por João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, que acabou morrendo devido ao espancamento na noite desta quinta-feira, no hipermercado Carrefour da Zona Norte de Porto Alegre.

De acordo com análises iniciais da Polícia Civil, o espancamento da vítima por dois homens, um segurança da loja e um brigadiano, durou pouco mais de cinco minutos. As câmeras de segurança do estabelecimento e vídeos de pessoas que testemunharam o fato já estão sendo analisados por peritos e servirão de provas contra os suspeitos.

A 2ª Delegacia de Homicídios da Polícia Civil investiga o assassinato e deve indiciar mais pessoas pelo crime, além dos agressores que foram detidos em flagrante, O segurança Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, foram presos na noite do crime e nesta sexta-feira tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Borges foi levado ao Presídio Central e o PM Silva está detido em um quartel da corporação.

A conduta de uma funcionária do supermercado, que aparece ao lado dos agressores e não fez menção de ajudar a vítima e intimidou pessoas que filmavam a cena também será investigada. Ela já foi identificada e ouvida. Outro funcionário do Carrefour também pode responder por omissão. “As imagens são muito chocantes. Os seguranças reagiram de maneira totalmente equivocada, desproporcional e em excesso”, disse a delegada Nadine Anflor, Chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. “A apuração será rigorosa, rápida e dentro da lei”, completou.

Nos vídeos é possível ouvir a vítima pedir ajuda, enquanto leva socos, pontapés e é pisoteado e tem o corpo pressionado contra o chão. A agressão foi vista pela esposa de João Alberto, Milena Borges Alves, que ainda ouvio o pedido de ajuda do marido. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local e tentou reanimar o homem, mas ele não resistiu e morreu. Laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias aponta asfixia como causa da morte.

Amigos, familiares e também integrantes do movimento negro organizam um protesto em frente ao supermercado, na avenida Plínio Brasil Milano, Bairro Passo da Areia, na tarde desta sexta-feira, às 18h.

Histórico do Carrefour não é bom

Não foi a primeira vez que o Grupo Carrefour protagoniza uma história de agressão. Em dezembro de 2018, um segurança do mercado na cidade de Osasco (SP) envenenou um cachorro e, depois, o espancou até a morte. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estipulou que o Carrefour deveria pagar R$ 1 milhão em razão dos maus-tratos cometidos pelo funcionário.

Em agosto passado, uma loja do Carrefour em Recife, Pernambuco, usou guarda-sóis para esconder o corpo de Moisés Santos, um funcionário que morreu ao passar mal em um dos corredores, mantendo as portas abertas.

Em outubro de 2018, funcionários da empresa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, agrediram Luís Carlos Gomes, porque ele abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Surpreendido pelos funcionários do supermercado, o cliente reiterou que pagaria pelo item. Mesmo assim, ele foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança e depois encurralado em um banheiro, onde recebeu um mata-leão. Gomes, que é deficiente físico, teve múltiplas fraturas e, como sequela de uma cirurgia, ficou com uma perna mais curta que a outra.

No caso em Porto Alegre, a loja está fechada em respeito a vítima e a repercussão do caso. A empresa emitiu uma nota ainda na madrugada de sexta-feira. “O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário”, diz parte do comunicado.

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