Governo corrige erros no cálculo do mínimo mas anuncia como se fosse aumento

O presidente da República e o Ministro da Economia convocaram a imprensa nesta terça-feira para anunciar um reajuste de R$ 6 (seis reais) no valor salário mínimo que entrou em vigor no dia 1º de janeiro. Era R$ 1.039 passou para R$ 1.045.
O acréscimo, na verdade é a correção de dois erros.
Primeiro porque valor calculado inicialmente para este ano se baseou numa previsão de inflação menor da que realmente ocorreu. O mínimo foi reajustado em 4,1%, enquanto a inflação medida pelo INPC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, subiu 4,48%.
Além de reajustado pelo novo percentual, o novo mínimo recebeu também um acréscimo de R$ 2 para compensar um erro do ano passado, também devido à diferença no cálculo da inflação.
Guedes estimou que o reajuste vai custar R$ 2,3 bilhões a mais nas contas da Previdência.
Segundo o Dieese, mesmo com estas correções o governo não repõe o valor de compra do salário mínimo. “O governo ainda tira do bolso do trabalhador cerca de R$ 300 por ano ao interromper a política de valorização do salário mínimo que previa também aumentos reais”, segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.
Se fosse seguida a lei que regulava os aumentos do mínimo, iniciada na década passada e que vigorou até 2015, o aumento real para 2020 seria em torno de 1,3% (equivalente à variação do PIB de 2018). “E vez de termos um salário mínimo de R$ 1.039, deveríamos ter um salário mínimo entre R$ 1.061 e R$ 1.062”, explica Clemente.

De acordo com o Dieese, pelo menos 48 milhões de trabalhadores têm a remuneração referenciada no salário mínimo. Com a descontinuação do aumento real, a perda da massa salarial chegar a R$ 14 bilhões por ano. E os impactos serão negativos tanto para os trabalhadores, em seu poder de compra, como para a própria economia, que perde em dinamismo, ressalta o diretor técnico.
“O governo está tirando da economia quase metade daquilo que se propôs a colocar com a liberação do fundo de garantia”, compara Clemente. E reduzindo a possibilidade de o salário mínimo seguir avançando para atingir aquilo que a Constituição define, destaca o diretor do Dieese.
“O crescimento do salário mínimo contribuiria positivamente para melhorar as condições de vida das pessoas e a economia também ganha”.

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