Pesquisadores da UFRGS apresentam proposta para “ocupação cultural do Cais Mauá”

Professores Luciano Fedozzi, Eber Pires Marzulo, Pedro de Almeida Costa e Inês Martina Lersch Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

Quatro pesquisadores e oito pós-graduandos em urbanismo, sociologia e administração formaram o grupo que elaborou a “proposta de ocupação cultural do Cais Mauá”, apresentada nesta terça-feira, na sede do IAB/RS.

O trabalho foi desenvolvido em cursos de extensão ao longo deste ano e tem como foco a preservação do antigo cais do porto como espaço público, voltado para atividades culturais, setores criativos e pequenos negócios.

É uma proposta alternativa ao projeto do governo do Estado que está sendo desenvolvido por um consórcio de empresas contratadas pelo BNDES visando a “desestatização da área”.

Os pesquisadores da UFRGS, ao contrário, propõem a “superação da visão calcada na privatização dos espaços públicos como caminho único para o desenvolvimento urbano”.

Diz o texto distribuído à imprensa:

“O caráter integrador do projeto para o Cais, assume um duplo desafio na cidade de Porto Alegre:

a) integrar novamente a área do porto ao território da cidade, principalmente ao Centro Histórico;

b) promover a inclusão e a integração social das diversas classes, camadas e grupos culturais que vivem e constroem a cidade”.

Segundo os autores, “a reabilitação do cais não será efetiva caso sejam erguidos novos muros invisíveis a separar aqueles que  dele poderão usufruir e o restante da população à margem deste espaço público”.

A construção de prédios residenciais na área do cais, hipótese considerada no projeto do governo, é descartada. “Nenhum setor isoladamente tem legitimidade para se apropriar do patrimônio público que é o Cais do Porto”, diz  o documento.

“Este projeto representa os anseios da comunidade cultural de Porto Alegre”, declarou o professor Eber Pires Marzulo, no início da apresentação. Mais de 30 grupos culturais e entidades sociais foram ouvidos na pesquisa para identificar as necessidades de uso e ocupação dos armazéns.

Na parte econômica da proposta, visando a sustentabilidade do empreendimento, os autores consideram a venda de uma parte da área, das antigas docas, para financiar a reabilitação dos armazéns e dos bens tombados pelo patrimônio público.

O projeto arquitetônico para reforma e adaptação dos armazéns, pela proposta, será escolhido mediante concurso público.

Participaram da apresentação na sede do IAB, além do professor Marzulo, os outros três coordenadores: Inês Martina Lersch, do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura, Luciano Fedozzi, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas,  e  Pedro de Almeida Costa, da Escola de Administração.

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