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  • Seis especialistas debatem "educação em tempo de conflito", na Assembléia

    Um grande seminário marca, neste sábado, 31, na Assembléia Legislativa, o 55 anos do Colégio João XXIII, escola comunitária administrada por um colegiado de professores, pais, mães e estudantes.
    Fundado em 23 de agosto de 1964, o João  XXIII propõe “uma obra pedagógica progressista, humanitária e democrática, embasada na liberdade de pensamento”.
    A proposta do seminário “Educação em Tempos de Conflitos é ” umma imersão sobre os riscos e desafios da educação no atual momento histórico brasileiro. O encontro reúne palestrantes de renome nacional e internacional.
    As inscrições estão abertas ao público, em especial a profissionais de educação, instituições de ensino e estudantes. 
    Conheça os palestrantes confirmados:
    Miguel González ArroyoSociólogo e educador espanhol, foi professor da UFMG e atualmente acompanha propostas educativas em várias redes estaduais e municipais do país. Suas ideias estão relacionadas à educação popular, cultura escolar, gestão escolar, educação básica e currículo.  
    César Nunes: Doutor em educação pela Unicamp, filósofo, historiador e pedagogo . É um dos mais destacados palestrantes e conferencista em Educação no Brasil.
    Atua como professor titular da Faculdade de Educação da UNICAMP, chefe do Departamento de Filosofia e História da Educação, coordenador executivo do Grupo de Estudos e Pesquisas PAIDÉIA e professor de honra da Univida.
    Jaqueline Moll:  Uma das principais referências sobre a Educação integral do Brasil. É professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora em Educação, sua atuação é nas políticas públicas e práticas pedagógicas, dialogando e construindo formas de intervenção nos temas da alfabetização, educação de jovens e adultos, fracasso escolar, pedagogias urbanas, relações entre escola e cidade, educação integral e ensino médio. No MEC, foi diretora de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica e coordenou a implantação do PROEJA o Programa Mais Educação, como estratégia para a indução da política de educação integral em tempo integral no Brasil.
    Gladis Kaercher: Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Coordenadora do UNIAFRO/UFRGS e do PNAIC/UFRGS,. Atua principalmente nos seguintes temas: educação infantil, literatura infantil, educação antirracista, infância, texto e identidade e diferença.  
    Gerson Pinho: Mestre em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS. Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre – APPOA. Membro do Centro Lydia Coriat de Porto Alegre. É professor de pós-graduação nos cursos de especialização em Problemas do Desenvolvimento na Infância e Adolescência.
    Leni Vieira Dornelles: Professora, pedagoga e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002) e com pós-doutorado em Educação pela Universidade do Minho. É professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em currículos específicos para Níveis e tipos de Educação. 

     

  • Revista descobre o paradeiro de Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro

    Por volta das 17h50 do último dia 26, o desaparecido mais famoso do Brasil passou, sem chamar atenção de ninguém, pela porta e se encaminhou para a recepção do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
    Ali são oferecidos consultas e serviços como quimioterapia e radioterapia. Assim começa a  reportagem da revista Veja que está circulando nesta sexta-feira.
    De boné preto e óculos de grau, Queiroz chegou sem seguranças nem familiares o acompanhando — e ficou sozinho por lá.
    Antes do compromisso agendado, fez hora na lanchonete e tomou café tranquilamente, sem ser importunado por ninguém. Cerca de uma hora depois, Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, sumido desde janeiro, deixou o local.
    Ao longo dos últimos três meses, VEJA seguiu pistas e entrevistou dezenas de pessoas para identificar seu paradeiro.
    Queiroz hoje reside no Morumbi, o mesmo bairro da Zona Sul de São Paulo onde se encontra o Einstein. A proximidade facilita os deslocamentos até o hospital, normalmente feitos de táxi ou Uber. Queiroz, que raramente sai de casa, luta contra um câncer.
    Fabricio Queiroz que foi assessor do deputado Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e protagonizou o primeiro escândalo da era Bolsonaro.
    Citando uma “pessoa próxima”,  a revista diz que a cirurgia a que ele foi submetido não resolveu o problema do tumor.
    O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), trocou mensagens com Queiroz há alguns meses. “Ele escreveu que ainda estava baqueado”, conta. No aspecto físico, Queiroz não aparenta seu delicado estado de saúde. Está apenas ligeiramente mais magro do que no ano passado.
    Queiroz foi flagrado por Veja na lanchonete do Albert Einstein – Foto: Veja
    Escândalo
    A última aparição de Queiroz foi no mesmo Einstein, no dia 12 de janeiro. O ex-assessor do filho do presidente postou um vídeo na internet, no qual aparecia dançando no hospital durante a recuperação da cirurgia.
    Queiroz ficou conhecido no país todo depois do escândalo da movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão em sua conta, quando trabalhava para Flávio Bolsonaro.
    A tese do Ministério Público é que o dinheiro veio através de um sistema de coleta e de repasse de funcionários do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.
    O MP também encontrou emissão de cheques de Queiroz, no total de R$ 24 mil, para a conta de Michelle Bolsonaro, então futura primeira-dama..
    Tratamento caro
    Queiroz ficou internado no Einstein de 30 de dezembro de 2018 a 8 de janeiro de 2019. Submeteu-se à cirurgia conduzida pelo gastroenterologista Pedro Mello Borges, o mesmo médico que o atende até hoje.
    Após deixar o hospital, o jornal O Globo divulgou que o tratamento havia custado R$ 133.580 e tinha sido pago em dinheiro vivo. A informação foi ratificada pelo advogado de Queiroz, Paulo Klein.
    Ainda de acordo com a reportagem da Veja, o ex-assessor do filho do presidente continua tendo acesso ao que há de melhor em termos de medicina no país.
    Segundo uma pessoa próxima, em contato com a revista, Queiroz sofre com novos sangramentos. Uma das possibilidades é a volta do câncer. Procurado por Veja, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro não quis se pronunciar.

  • Super touro Spartacus já vendeu 150 mil doses de sêmen

    O reprodutor Spartacus faz história dentro e fora do Brasil. Pertencente à Agrícola Anamélia Brangus HP, por onde ele passa deixa sua marca. O reprodutor já teve 150 mil doses de sêmen comercializadas em uma das principais centrais de inseminação artificial do País.

    Spartacus foi Grande Campeão Nacional da raça Brangus nas exposições da Feicorte (São Paulo/SP), duas vezes na Expointer (Esteio/RS). Tem mais de 3 mil filhos avaliados geneticamente, sendo 1.500 só na Argentina.

    Dois desses filhos são os touros Marco Aurélio e Espartano. Em 2017, Marco Aurélio conquistaria o grande campeonato da 48ª Exposição Nacional do Brangus da Argentina, superando nada menos que 200 animais.

    E, um ano antes, Espartano seria o Grande Campeão Brangus da Exposição de Palermo, em Bueno Aires (Argentina), uma das mostras mais tradicionais da América do Sul.

    “Por ser um touro indicado para cobrir a campo, o feito de Spartacus é algo extraordinário. Um bom reprodutor comercializa oito mil doses de sêmen por ano e nosso grande raçador da Brangus HP já vendeu mais de 150 mil doses”, revela Ladislau Lancsarics Junior”, diretor Brangus HP, que fica em Martinópolis (SP).

  • Procuradores da Lava Jato manipularam a imprensa para obter delações

    Novas mensagens divulgadas nesta quinta, 29, pelo site The Intecept Brasil revelam que os vazamentos de depoimentos da Operação Lava Jato, para veículos de imprensa, foram feitos pelos próprios procuradores com o objetivo de manipular suspeitos, fazendo-os acreditar que sua denúncia era inevitável, mesmo quando não era.
    O intuito, eles disseram explicitamente em chats do Telegram, era intimidar seus alvos para que eles fizessem delações.
    Os principais veículos da imprensa brasileira durante quase três anos alimentaram manchetes com os vazamentos clandestinos da Lava Jato.
    Agora, esses mesmos veículo, alegando que as mensagens vazadas para o Intercept foram obtidas de forma criminosa, não divulgam os diálogos
    De acordo com essas mensagens, o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar categoricamente que agentes públicos passassem informações da operação. Dallagnol participou de grupos nos quais os vazamentos foram planejados, discutidos e realizados.
    Em um deles, o próprio coordenador efetuou o tipo exato de vazamento que ele negou publicamente que partisse da força-tarefa.
    Um exemplo ilustrativo desse método ocorreu relativamente cedo nas operações.
    Em 21 de junho de 2015, o procurador da Lava Jato Orlando Martello enviou a seguinte pergunta ao colega Carlos Fernando Santos Lima, no grupo FT MPF Curitiba 2, que reúne membros da força-tarefa: “Qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?”.
    Santos Lima disse não saber do que Martello estava falando, mas, com escancarada franqueza, afirmou: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.”
    Pela lei das organizações criminosas (que estipulou regras para as delações premiadas), o acordo só pode ser aceito caso a pessoa tenha colaborado “efetiva e voluntariamente”.
    Mas o procurador confessou aos colegas que usava a imprensa para forjar um ambiente hostil e, com isso, conseguir delações por meio de manipulação — o que interfere em seu caráter voluntário.
    21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
    Orlando Martello – 09:03:04 – CF(leaks) qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?
    Carlos Fernando dos Santos Lima – 09:10:08 –http://m.politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-mira-do-chefe-,1710379
    Santos Lima – 09:12:21 – Nem sei do que está falando, mas meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.
    Santos Lima – 09:15:37 – Li a notícia do Flores na outra lista. Apenas noticia requentada.
    Santos Lima – 09:18:16 – Aliás, o Moro me disse que vai ter que usar esta semana o termo do Avancini sobre Angra
    Martello – 09:25:33 – CFleaks, não queremos fazer BA (busca e apreensão) em Angra e Eletrobrás? Pq alertou para este fato na coletiva?
    Martello – 09:26:00 – Para não perder o costume?
    A conversa ocorreu dois dias depois da 14ª fase da Lava Jato (voltada às empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez). Os procuradores estavam debatendo estratégias para conseguir um acordo de delação com Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht. Freiburghaus escapou da operação, porque havia se mudado para a Suíça em 2014 e já havia contra ele uma ordem de prisão preventiva com alerta da Interpol.
    No chat, Santos Lima assume, sem qualquer constrangimento, que vazava informações para a imprensa. Além disso, o seu próprio comentário, insinua que se tratava de uma prática habitual, dado que ele se refere aos vazamentos no plural — “meus vazamentos”. E o procurador afirma com aparente orgulho e convicção que agia assim com objetivos bem definidos: induzir os suspeitos a agirem de acordo com seus interesses.
    Integra:
    http://theintercept.com/2019/08/29/lava-jato-vazamentos-imprensa/

  • Deputada quer proibir terapia hormonal para crianças e adolescentes trans

     
    Uma emenda a um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo quer proibir a oferta de terapia hormonal a crianças e adolescentes transexuais menores de 18 anos e a cirurgia de redesignação sexual a menores de 21 anos pelas redes pública e privada paulistas.
    A medida foi proposta pela deputada Janaina Paschoal (PSL) como emenda a um projeto da deputada Erica Malunguinho (PSOL), primeira mulher transexual da Assembleia Legislativa de São Paulo.
    O PL institui um programa estadual que trata de questões de saúde da comunidade LBGTI+. Está na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alesp. Caso aprovado, passará ainda por duas comissões até que seja votado em plenário. Se o requerimento de urgência for aprovado, a proposição segue direto para o plenário. A emenda tramita junto ao projeto.
    Para Malunguinho, a emenda de Paschoal vai na contramão da posição de especialistas e organizações sobre o assunto e reflete uma posição autoritária. Ela diz que pode resultar em danos, como uma maior marginalização da população transexual e mais automedicação na clandestinidade.
    “Estamos fazendo de tudo internamente para que [o projeto] não seja prejudicado por um discurso baseado no senso comum, uma vez que já existem muitas elaborações, discussões e pareceres importantes sobre o tema”, diz.
    As alterações propostas por Paschoal ao projeto da colega causam impacto direto nas atividades de dois ambulatórios estaduais, um ligado ao Hospital das Clínicas da USP de São Paulo e outro da Unicamp, que acompanham crianças e adolescentes trans. Há um terceiro serviço no país, ligado à UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
    Criado em 2010, o ambulatório do HC acompanha hoje 85 crianças e 180 adolescentes. Há uma fila para triagem de mais 140 interessados. As famílias também são acompanhadas, e o grupo realiza orientações em escolas e abrigos. O trabalho se baseia em experiências holandesas e norte-americanas de mais de 20 anos.
    “Não fazemos diagnóstico apenas pelo comportamento expresso das crianças e adolescentes, mas, principalmente, pelas certezas internas que elas têm. Ninguém coloca nada na cabeça delas. Às vezes, o diagnóstico demora oito anos, dez anos para ser concluído, para termos a certeza de que não se trata de uma situação transitória”, afirma o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório do HC.
    A deputada Janaína Paschoal afirmou à Folha que o bloqueio hormonal pode tirar da criança a chance de se reconciliar com seu sexo biológico.
    Segundo Saadeh, o uso de bloqueadores em crianças menores de dez anos pode ocorrer apenas para aquelas que já estão entrando em puberdade, fase que gera angústia, depressão, isolamento e afastamento escolar.
    “Imagina [um menino trans] menstruando e desenvolvendo mama. A idade de entrada na puberdade é pessoal, individualizada e depende de fatores biológicos e não cronológicos. Há crianças entrando na puberdade aos oito anos.”

    Alexsandra Maurício e a filha, Isa, de 13 anos – Karime Xavier/Folhapress

    O médico diz que o bloqueio é totalmente reversível e só indicado para pré púberes, quando há “quase certeza do diagnóstico”. “Com o bloqueio, ganhamos tempo para efetivar ou não esse diagnóstico. Já tivemos um caso de pré-adolescente que voltou atrás e o tratamento foi suspenso.”
    Isa, 13, foi uma das primeiras crianças no ambulatório a receber o bloqueio hormonal, pouco antes dos dez anos. Segundo a mãe, Alexsandra Maurício, desde os três anos ela já se mostrava diferente. “Tinha horror aos brinquedos e roupas de meninos. De quatro para cinco ela já verbalizava que era menina e não menino. Achei que era fase, que ia passar, levei para psicólogo.”
    Aos oito anos, Isa começou a frequentar o ambulatório do HC. “Foi chocante num primeiro momento entender que ela era trans. Eu já estava separada do meu marido, e a relação ficou bem pior. Com o resto da família foi tão ruim quanto. As pessoas não aceitam, acham que é muito novo para tomar tal decisão.”
    Nessa época, Alexsandra conta que a filha era muito introvertida, tinha poucos amigos na escola e sofria de depressão. “Depois da mudança de guarda-roupa, do nome, virou uma criança brilhante. Mudamos ela de escola e lá ela já chegou como Isa na lista de chamada, muitos nem sabem que ela é trans. Os amigos de hoje não conheceram o João”, diz a mãe.
    Com o bloqueio hormonal, a mãe conta que Isa não apresentou crescimento de pelos no corpo, e o pênis ficou estagnado. “Para ela, que sempre teve traços femininos, foi o céu. Vejo o sofrimento de muitos adolescentes que iniciam o bloqueio tardiamente, quando as características sexuais já estão manifestadas. É uma dor imensa para eles, muitos se automutilam.”
    Para Saadeh, a iniciativa da deputada, apesar de bem-intencionada, incorre em propagação de fatos que não correspondem às evidências atuais e baseadas em dados científicos sobre o tratamento, que, aliás, levaram o CFM (Conselho Federal de Medicina) a dar aval ao tratamento.
    Em relação às cirurgias de afirmação de gênero ou de redesignação sexual, o psiquiatra diz que elas só ocorrem após os 21 anos, conforme já determinado pelo CFM.
    No texto da emenda, Paschoal afirma que existem estudos no exterior, “a evidenciar os males irreversíveis das intervenções de redesignação sexual, inclusive hormonais, em crianças e adolescentes” e que “muitos pediatras nos Estados Unidos estão revendo esses tratamentos invasivos”.
    Segundo Saadeh, no entanto, são pediatras conservadores do meio oeste americano, que expressam opiniões e não evidências científicas. As afirmações não são corroboradas por outras associações médicas e pediátricas dos EUA e de outros países.
    A deputada também argumenta que o projeto de lei não tem como finalidade regular o SUS, “mas proteger a integridade física, psicológica e emocional das crianças e dos adolescentes”.
    “Seria por bem ela visitar o nosso ambulatório e presenciar o drama de famílias, crianças e adolescentes. A situação leva a grande sofrimento, isolamento social, abandono escolar e outros transtornos sociais”, diz Saadeh. O número de tentativas de suicídio e suicídio é quatro vezes maior na população adolescente transexual que na população geral.
    Paschoal disse à Folha que foi convidada e aceitou o convite para conhecer em detalhes o trabalho feito no Hospital das Clínicas. “A princípio, penso que estou protegendo as crianças de qualquer forma de experimento. Mas vou ouvir todas as partes”, diz.
    O médico afirma que o grupo não é contrário à emenda por questões ideológicas, mas porque luta pela preservação da saúde dessas crianças e adolescentes e suas repercussões nas famílias.
    “Elas existem e aqui estão sendo ouvidas e vistas. Não tem como negar a existência dessas crianças e adolescentes. Isso é negar a possibilidade de intervenção e diminuição de sofrimento e angústias. É um trabalho preventivo e resolutivo que já acontece em vários países do mundo.”
    Para ele, proibir a assistência pode expor esses jovens à marginalidade, consumo de hormônios sexuais sem acompanhamento e riscos sérios de agravos à saúde física e mental. (Com informações da Folha de São Paulo)

  • Levantamento parcial já aponta falta de mais de 1000 educadores(as) em escolas estaduais

     
    Desde o dia 20 de agosto, o CPERS vem solicitando que representantes das escolas estaduais preencham um formulário para mapear as necessidades e carências da rede.
    Até o fechamento desta matéria, 234 instituições retornaram o questionário, o que representa aproximadamente 10% do total de escolas. Como apontado no último levantamento, realizado no dia 22, os dados já permitem vislumbrar um quadro caótico, acusando falta expressiva de recursos humanos, problemas estruturais e ameaças de fechamento e municipalização de escolas, entre outros problemas.
    O levantamento contabiliza, por exemplo, a falta de 1057 educadores(as). A carência mais expressiva de recursos humanos refere-se a funcionários(as). Faltam 489 profissionais para atuar em áreas como merenda, manutenção, administrativo e limpeza.
    Já a falta de professores(as) em sala de aula chega, nas instituições participantes, a 283. Entre as disciplinas mais afetadas estão matemática, português e língua estrangeira.
    Os especialistas também representam outra grande lacuna. São professores(as) que atuam em áreas como supervisão, orientação escolar, administração e biblioteca. Faltam 285 nas escolas que preencheram o formulário.
    Contratos por tempo determinado
    A pesquisa aponta ainda uma grande quantidade de educadores(as) com contratos firmados por tempo determinado, chegando à cifra de 531, dos quais 441 são professores(as).
    O formulário também identificou problemas estruturais relacionados à necessidade de obras e manutenção em 153 respondentes, ou 64% das escolas. Algumas instituições relataram que a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) está ciente dos problemas, mas ainda não obtiveram retorno do órgão.
    O questionário também levanta dados de escolas ameaçadas de fechamento, turmas reduzidas ou com multisseriação, além de outras estratégias utilizadas pelo governo que prejudicam a qualidade da escola pública e o processo pedagógico.

  • Expointer: Degustação pública é novidade no Pavilhão da Agricultura Familiar

    Na 42ª edição da Expointer, uma novidade está deixando o público bem faceiro como dizem os gaúchos. Trata-se de uma inovação feita no Pavilhão da Agricultura Familiar, que são os testes de aceitação pública de rapaduras e cucas, realizados terça (27) e quarta-feira (28) no local.
    As pessoas que vão passando e se propõe a provar, auxiliam nesta difícil tarefa promovida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo; Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (Seapdr), Emater/RS-Ascar, Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetraf-Sul) e Via Campesina, que são também os organizadores do Pavilhão.
    Segundo a engenheira de alimentos da Emater/RS-Ascar, Bruna Bresolin Roldan, os testes foram propostos em função de que as cucas e rapaduras são produtos até então não contemplados nos concursos promovidos todos os anos, como o de salames e queijos. Os testes ocorrem das 9h às 13h ou até que 150 pessoas participem dele.
    Reginato Lisboa passeava pelo Pavilhão quando resolveu participar do teste porque está pensando em colocar um negócio nesta área. “Esta é uma oportunidade de provar para saber o que tem de melhor no mercado e analisar a viabilidade de empreender”, ressaltou.
    Além desta novidade, neste ano o número de participantes foi ampliado para 316 espaços de comercialização e há uma Cozinha Show no local, uma iniciativa do Mapa, com execução da Emater/RS-Ascar e o curso de Gastronomia da Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). O espaço tem por objetivo divulgar e valorizar os alimentos produzidos pelas agroindústrias familiares e à venda no pavilhão, com o uso destes em receitas.
    Quem passar pela Cozinha Show poderá assistir demonstrações gratuitas e diárias até sábado (31), às 13h uma salgada e às 15h a receita doce. Bruna ressalta ainda que até a terça-feira os expositores comercializaram mais de R$ 1,7 milhão em produtos, o que representa um aumento de 16,38% se comparado ao mesmo período do ano passado.

  • Polícia Civil gaúcha vai parar nesta sexta-feira

    O Conselho de Representantes da UGEIRM, em reunião realizada no dia 6 de agosto, deliberou por realizar uma paralisação de protesto no dia 30 de agosto. A escolha da data, é para marcar mais um mês em que os (as) Policiais Civis ficam sem receber seus salários. Os principais eixos da paralisação são a rejeição ao atraso de salários, à criação da alíquota extra da Previdência, à morte de policiais, pela revisão das operações policiais e pela publicação das aposentadorias represadas.
    Orientações para a paralisação do dia 30 de agosto
    – A paralisação começará às 8 horas da manhã e se estenderá até as 20 horas;
    – Em Porto Alegre, a UGEIRM fará uma concentração em frente ao Palácio da Polícia durante todo o dia;
    – A orientação é para que não haja circulação de viaturas. Todas devem permanecer paradas no órgão a que pertencem;
    – Serão atendidas somente ocorrências policiais de Maria da Penha com pedido de medidas protetivas, atendimento a idosos, homicídios, estupros, furto/roubo de veículos (com exceção de devolução de veículos) e prisões.
    – Não serão procedidas diligências externas, e nem a confecção de inquéritos e termos circunstanciados.
    – É fundamental mantermos o diálogo com a população, explicando os motivos da nossa greve. É preciso mostrar à população que a nossa luta é por uma segurança de qualidade, com um serviço público que funcione. O principal objetivo da nossa paralisação é a garantia da segurança do povo gaúcho.

  • Livro rastreia as raízes do neoconservadorismo que produziu Jair Bolsonaro

    Wálmaro Paz
    “O novo conservadorismo brasileiro – de Reagan a Bolsonaro” é um livro de Marina Lacerda lançado pela editora Zouk  e que foi autografado pela autora dia 26 na livraria Baleia, em Porto Alegre.
    Trata-se de um brilhante estudo de política comparada que permite entender como o mesmo arcabouço ideológico que  fundamentou a eleição de Ronald Reagan 40 anos atrás , no Estados Unidos, produziu Jair Bolsonaro em 2018 em nosso pais.
    Da mesma forma serviu de fundamento para o neoliberalismo mais autêntico.
    Segundo esta  tese de doutorado da autora, o neoconservadorismo  “é fundado na tríade militarismo, absolutismo do livre mercado e família tradicional”.  Esta ideologia embasou a eleição de Reagan, o golpe  chileno e o sistema econômico criado pro Pinochet, entre outros.
    Ele coloca em cheque as balizas do sistema internacional de direitos humanos e da própria democracia como repertório  institucional das disputas por direitos e por garantias para indivíduos e minorias sociais e políticas.
    No caso brasileiro, serviu de base  para as bancadas da Bíblia, das armas e do agronegócio. Como nos Estados Unidos sua militância é recrutada nas igrejas pentecostais e nas las  mais conservadoras e tradicionais do catolicismo.
    É uma leitura obrigatória  para quem quiser entender e lutar contra esta situação estabelecida. O livro tem 228 páginas  divididas em capítulos como a história e o conceito do neoconservadorismo nos Estados Unidos; Defesa da família patriarcal: atuação parlamentar  em combate  ao feminismo e às demandas do movimento LGBT; Idealismo punitivo: atuação parlamentar pelo rigor criminal; Bolivarianismo e sionismo: inserção internacional religiosa e anticomunista; Neoliberalismo: atuação parlamentar por desnacionalização, desregulamentação, privatização e valores de mercado e Jair Bolsonaro e o neoconservadorismo quarenta anos depois.
    Marina Lacerda é bacharela em direito pela UFPR, mestra em direito pela PUC-RJ e doutora em ciência política pela UFRJ. Advogada e analista legislativa da Câmara dos Deputados, trabalha há anos na assessoria da Comissão de Direitos Humanos. A atuação parlamentar  serviu como embasamento factual para a demonstração de sua tese.
    A obra está a venda na livraria Baleia, na rua Fernando Machado, 85 ao preço de R$47,00.

  • Falta de funcionários em escola: sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e adoecimento

    “Me sinto muito cansada, já teve dias em que chorei de dor. Mas não tenho como deixar de ajudar meus colegas a atender as crianças”, conta Neila Winck, funcionária da escola Vera Cruz, situada no bairro Glória, em Porto Alegre. Além do trabalho de limpeza da instituição, ela auxilia na cozinha, lavando a louça e servindo as refeições, e faz o trabalho que seria de um monitor, cuidando as crianças na hora do recreio e na entrada e saída de pessoas na escola.
    O acúmulo de funções tem se tornado rotina entre os funcionários(as) de inúmeras escolas da rede estadual. As instituições carecem de profissionais em cargos essenciais como servente, merendeira, manutenção e monitor(a), reflexo da não realização de concurso público. O último foi realizado em 2014 e não contemplava os cargos de merendeira e servete. Para estes, o último certame foi realizado durante o governo Olívio Dutra.
    Colega de Neila, a merendeira Noeli Ferreira conta que está há quatro meses sozinha no refeitório, contando com a ajuda dos demais profissionais para conseguir dar conta da demanda diária de trabalho. “Tenho que fazer a comida, servir, lavar a louça e deixar a cozinha em ordem. Muitas vezes não dá tempo nem de tomar um copo de água. No final do dia estou muito cansada”, afirma.
    Vendo a sobrecarga de trabalho das funcionárias da escola em que estuda, a aluna Eduarda de Oliveira Rodrigues, de 13 anos, não pensa duas vezes em ajudar. “Vejo que ela está sozinha tendo que fazer a comida e limpar tudo, então eu ajudo, não custa nada”, diz enquanto limpa as mesas do refeitório.
    A vice-diretora da instituição, Fernanda Groth, conta que a escola, que atende a 485 alunos, está com falta de uma merendeira, um monitor e um profissional para o setor financeiro, além da falta de supervisor(a), orientador(a) e professor(a) de matemática.

    “Essa situação é muito ruim, porque acabamos deixando de lado outras demandas importantes. Por ajudarem em outros setores, nossos professores ficam, muitas vezes, sem um minuto de intervalo. Alguns pais procuraram a Seduc para exigir providências, mas eles só dizem que não tem pessoal para mandar no momento e que o processo é demorado”, expõe Fernanda.
    Sobre a falta de professores(as), a saída encontrada foi a de revezar o atendimento aos alunos, liberar ou mandá-los para o pátio. “A diretora às vezes dá atividades, mas ela é professora de séries iniciais. Alguns professores de área dão aulas em duas turmas ao mesmo tempo também para suprir a falta”, detalha.
    Desvio de função
    Para Sônia Solange Viana, diretora do CPERS e coordenadora do Departamento de Funcionários de Escola, profissionais que atuam em funções diferentes daquelas para as quais foram contratados colocam a saúde em risco para suprir falhas do Estado.
    “Fornecer merenda de qualidade, manter a escola em boas condições de limpeza e manutenção são responsabilidades do Estado. Enquanto o atual governo desrespeita e invisibiliza funcionários, eles assumem o fardo de garantir que toda a comunidade seja bem atendida. É injusto e cruel”
    Governo sinaliza concurso para professores(as), mas esquece dos funcionários(as)
    Após as denúncias do CPERS sobre a falta de professores(as) terem eco na mídia, o governo Eduardo Leite enviou para a Assembleia Legislativa um projeto para autorizar a contratação emergencial de 5 mil educares(as), além de sinalizar para a realização de concurso público a partir de 2020. Porém, em nenhum momento foi mencionada a gritante falta de funcionários de escola.
    Dados preliminares do questionário lançado recentemente pelo CPERS para mapear as necessidades das escolas já apontam para o tamanho da insuficiência de funcionários(as). Nas 204 escolas que responderam até a manhã de segunda (26), há carência de 429 profissionais.
    No interior e na capital, o cenário é de desrespeito e exploração
    “O trabalho está puxado. Tem dias que tem um monte de panelas pesadas para lavar e não tenho ajuda alguma. Além de fazer a merenda, limpo toda a cozinha, as salas de aula e os banheiros. Chego em casa com muita dor porque não tenho um minuto de descanso”, desabafa uma funcionária de escola do município de São João do Polesine, que pede para não ser identificada por receio de que a denúncia possa levar à perda do seu contrato.
    Ela conta ainda que não são poucas as vezes em que os(as) alunos(as) acabam auxiliando na manutenção da limpeza da escola. “Eles ajudam varrendo a escola, por exemplo, enquanto eu vou recolhendo o lixo, limpando as classes e os quadros”, exemplifica.
    Um levantamento feito pelo 6º Núcleo do CPERS, sediado em Rio Grande, aponta que faltam 57 funcionários nas escolas de abrangência da região, sendo 26 serventes, 22 merendeiras, 6 monitores e 3 secretários. O núcleo também compreende os municípios de Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, São Jose do Norte e Chuí.
    Levantamento feito pelo CPERS está mapeando as necessidades das escolas
    Além da carência expressiva de professores(as) e funcionários(as) de escola, o questionário elaborado pelo CPERS também busca identificar problemas estruturais e administrativos, além de escolas ameaçadas de fechamento, turmas reduzidas ou com multisseriação e outras estratégias utilizadas pelo governo que prejudicam a qualidade da escola pública e o processo pedagógico.
    Os dados serão compilados e utilizados para divulgar a real dimensão dos problemas da rede estadual de educação. O formulário permanece aberto para receber novas respostas e pode ser preenchido abaixo ou pelo link. 
    (Com informações do Cpers)