Por Carlos Matsubara
No Rio Grande do Sul, ocorreram 50 suicídios de brigadianos, entre 2008 e 2018. Os dados são da Associação dos Oficiais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros (ASOFBM), e foram apresentados na manhã desta quarta-feira (28), em Porto Alegre.
Na população gaúcha, a incidência anual é de aproximadamente 10 para cada 100 mil habitantes, o que corresponde a cerca do dobro da nacional. De acordo com os dados apurados pela ASOFBM, através da seção biopsicossocial da Brigada Militar, o afastamento laboral dos policiais militares por problemas psiquiátricos chega a 53%.
Um dos maiores obstáculos para o enfrentamento dos transtornos, segundo a associação, é não falar sobre o assunto, principalmente dentro das Corporações. A rigidez hierárquica, faz com que os militares escondam o problema de seus superiores.
“Além disso, tem o temor do policial em ser estigmatizado e preterido na hora das promoções, ou seja, ter a carreira militar interrompida”, esclarece o presidente da ASOFBM, Coronel Marcos Paulo Beck.
Segundo o Cel Beck, diversas questões estão associadas para o aumento do número de suicídio, entre elas, acesso a porte de armas, situação financeira (parcelamento de salários), problemas familiares e o aumento da criminalidade que leva o policial a trabalhar com uma carga emocional alta.
De acordo com a avaliação do psiquiatra civil, procurado pela ASOFBM, Luiz Carlos Coronel, “os militares estão em um outro fator de risco que é denominado, atualmente, de traumatização vicária. Quem trabalha no dia a dia com ameaças de morte, com violências, seja em que área for, militar, civil, UTI, pronto socorro, em zonas conflagradas, quem lida com as violências dessas que afetam a vida de modo significativo, a existência, pode desenvolver um quadro que se chama de traumatização. A pessoa adoece, desenvolve um quadro de ansiedade e depressão, e outros sintomas que estão na origem de muitos suicidas. ”
Número de psiquiatras é insuficiente
Atualmente, a Brigada Militar conta com cinco psiquiatras para atender o efetivo que chega a 19 mil homens. Apesar da contratação dos novos oficiais médicos, o projeto para a avaliação psicológica do policial começa a decolar agora. De dois em dois anos avaliações deverão ser feitas para constatar se está apto para seguir na profissão. Até então, os únicos exames psicológicos realizados eram de ingresso na corporação, após aprovação do concurso.
Para o psiquiatra Luiz Carlos Coronel as instituições Militares brasileiras não atuam fortemente no trabalho preventivo, “ então eu louvo até a iniciativa de programas como este de que trate das necessidades de implantação dessas medidas. Existem trabalhos magníficos que mostram o conhecimento científico que podem ser usados quando há uma necessidade de quadros de depressão, de ansiedade, de pânico e de risco”.
O problema se agrava, pois, as Corporações evitam falar e divulgar dados e, sem eles, não é possível estudar, revelar como se manifesta e quais os caminhos para superar esses problemas. Por isso, a Associação dos Oficiais lançou uma campanha de prevenção ao suicídio. Peças impressas, em formato de cartilha foram confeccionadas e deverão ser distribuídas nas Corporações BM e CBM. Nela é possível observar os sinais de quem precisa de ajuda, as causas, o que fazer e para onde encaminhar. A ASOFBM também produziu um vídeo com relatos de familiares de policiais que se suicidaram.
Juliana Dill, esposa de um capitão da Brigada que cometeu suicídio em novembro de 2018, acredita que foi pelo estresse do trabalho,embora o marido “amasse mais a Brigada Militar do que a própria família”. Apesar das evidências, ela ainda não acredita que ele tenha se matado, lembrando que o inquérito ainda não foi concluído.
Dados No Brasil – PMS
Dados disponíveis pela agência Pública, revelam que em São Paulo, entre 2006 e 2016, 182 policiais militares cometeram suicídio: uma morte a cada 20 dias. Índice proporcional ao número do efetivo.
Entre 2008 e 2018, 10 se mataram em Pernambuco. No Ceará, entre 2011 e 2018, foram 18 PMs mortos por suicídio; enquanto no Rio Grande do Norte, entre 2010 e 2018, foram oito suicídios – mesmo número dos ocorridos entre 2015 e 2018 em Alagoas. Já no Distrito Federal, foram 11 suicídios entre 2016 e 2018, mesmo período em que 21 PMs se mataram na Bahia.
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RS é um dos Estados onde mais policiais se matam
Porto Alegre será por quatro dias a capital da arquitetura brasileira
A arquitetura brasileira vai desembarcar em porto alegre de 09 a 12 de outubro com o 21° Congresso Brasileiro de Arquitetos.
As inscrições já passam de mil e a expectativa dos organizadores é de superar os três mil participantes, entre eles grandes nomes da arquitetura e urbanismo nacional, como a professora, pesquisadora e ativista brasileira Ermínia Maricato, Paulo Mendes da Rocha, Claudia Favero, Luiz Merino, Doris de Oliveira, entre outros nomes que estão por confirmar.
Uma grande exposição de projetos e trabalhos arquitetônicos tomará conta da Praça da Alfândega, onde um palco será montado para eventos abertos ao público.
Uma palestra sobre “Espaço e Democracia”, também aberta ao público, abre o evento no Araújo Viana. Nos três dias seguintes, em todos os espaços culturais do centro históricos e do Campus Central da UFRGS haverá exposições, apresentações, palestras, debates, oficinas, mini-curso. “A cidade vai respirar arquitetura e urbanismo”, diz Rafael Passos, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil/RS, anfitriãodo evento. Ele falou ao JÁ sobre o Congresso.

O que marca esse congresso brasileiro de arquitetos de 2019?
O importante neste Congresso é que ele não vai se realizar num local, um centro de de convenções. Ele acontecer em vários pontos da cidade, com eventos abertos para levar a arquitetura para a cidade, aproximar a população das questões da arquitetura. Haverá uma programação específica, fechada para quem paga inscrição, mas a tônica é essa.
Mas haverá um polo, um ponto de referência…
O centro vai ser a Praça da Alfândega onde haverá um palco para debates abertos ao público e também uma espécie de “Feira da Arquitetura”, com a exposição de 200 trabalhos e projetos. Em atividades diversas, serão também utilizados os demais espaços culturais do centro histórico – o Multipalco, o Museu Erico Verissimo, o Museu de Arte, o Salão de Atos da UFRGS, o Memorial, no antigo prédio da Quimica no Campus Central, e o Solar do IAB. A ideia é falar sobre espaço e democracia na prática, promovendo vivências nos espaços públicos, prédios históricos, praças e parques.
É a terceira vez que os arquitetos fazem um congresso nacional em Porto Alegre, sendo que a última foi há 50 anos…
Sim. Porto Alegre sediou o segundo congresso brasileiro de arquitetos, em 1948, onde foram lançadas as bases da Faculdade de Arquitetura de Porto Alegre, oficializada quatro anos depois. O outro congresso na cidade foi 21 anos depois, em 1969. Foi depois do AI-5, que endureceu a ditadura e o congresso refletiu muito o ambiente político radicalizado. Foi também uma espécie de preparatório para o Congresso Mundial que seria em Buenos Aires no ano seguinte.
No ano que vem terá um congresso mundial de arquitetos no Rio. Esse aqui não deixa de ser um preparatório também...
Certamente os debates e as posições tiradas aqui influirão na pauta que os arquitetos brasileiros apresentarão no Congresso mundial no Rio em 2020. O que vamos discutir aqui em torno do tema “Espaço e Democracia” é uma demanda universal.
“Espaço e Democracia” é o tema central que orienta toda a programação, em que consiste?
Vamos debater os espaços públicos ocupando os espaços públicos. A ideia é fazer a sociedade ver o evento acontecendo, falar sobre espaço e democracia na prática, promovendo vivências nos espaços públicos, prédios históricos, praças e parques.
Programação Completa: http://www.21cba.com.br
Nota do Editor: Esta é a primeira de uma série de matérias que o JÁ vai fazer sobre o CBA.Previdência Privada: experiências no Brasil foram frustrantes
Walmaro Paz
O Brasil já teve experiências de Previdência Privada propostos pelo ministro Paulo Guedes.
As maiores foram administradas por militares da reserva, cresceram durante a ditadura e todas faliram, deixando um rastro de milhares de mutuários lesados.
Corretores treinados visitavam escolas e repartições públicas oferecendo uma aposentadoria vantajosa, equivalente ao soldo de um oficial do exercito conforme o valor da contribuição mensal.
O jornalista Carlos Schroeder, ex-presidente da Fenaj, relata o caso de seu pai que comprou um plano para se aposentar com o soldo de general de Exército, que seriam cerca de 30 mil reais atualmente.
Dez anos depois quando deveria começar a receber foi contemplado com R$ 9,00. (nove reais).
No Rio Grande do Sul, o caso de maior repercussão foi o do Montepio da Familia Militar, fundado em 29 de outubro de 1963 por um grupo de oficiais da reserva.
Três anos depois já contava com 130 mil associados. Com tamanho número de associados o Montepio tratou de ampliar seu leque de investimentos e no final de 1966 já controlava um banco, uma financeira, uma companhia imobiliária e uma de seguros. Em 1967 passou a controlar o Banco Nacional do Comércio.
Em 1971, tinha 14 subsidiárias nos ramos bancários, mercado de capitais, imobiliário, seguros e comunicação; constituiu o Banco de Investimento Nacional do Comércio, junto com o grupo Maisonnave e o Banco de Investimento MFM, depois vendido ao Grupo Empresarial Lume, com o nome de Financilar.
No ano seguinte foi responsável pela ação que fundiu três tradicionais bancos do Rio Grande do Sul :Banco Nacional do Comércio, Banco da Província e Banco Industrial e Comercial do Sul, dando origem ao Banco Sulbrasileiro, um dos dez maiores estabelecimentos privados do Brasil na época.
Em 1986 entrou liquidação extrajudicial, gerando perdas para seus associados.
Seus mais de 130 mil associados e credores da massa falida amargaram pesadas perdas. Depois de demoradas demandas judiciais conseguiram recuperar não mais do que 15%, às vezes até menos, dos créditos a que tinham direito, fixado um limite de pagamento de 50 mil reais.
Só na comarca de Porto Alegre localizamos 426 processos pedindo indenizações que não foram pagas.Pressão de Bolsonaro sobre a PF não cessou e superintendentes falam em renúncia
Encoberta nos últimos dias pela fumaça das queimadas na Amazônia, a crise na Polícia Federal retorna às manchetes nesta terça-feira, 28.
“Insatisfação na PF chega à cúpula, que ameaça deixar cargos se diretor geral for afastado”, diz o Globo.
Uma tentativa do presidente Bolsonaro de intervir para trocar o superintendente da PF no Rio, está na origem do conflito.
Na quinta feira passada, Bolsonaro invocou sua condição de presidente para dizer que trocaria, se quisesse, o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.
A frase foi motivada de novo por seu desejo de mudar o superintendente da PF no Rio.
“Se eu trocar hoje, qual é o problema? Está na lei. Eu que indico e não o Sergio Moro. Ele é subordinado a mim, não ao ministro. Deixo bem claro isso aí. Eu é que indico. Está na lei, o diretor-geral. Agora, há uma onda terrível sobre superintendência. Onze foram trocados. Ninguém falou nada. Quando eu sugiro o cara de um Estado para ir para lá, ‘está interferindo’. Espera aí. Se eu não posso trocar um superintendente, eu vou trocar o diretor-geral. Não se discute isso aí. Eu quero o bem do Brasil, quero que se combata a corrupção”, declarou o presidente.
A declaração provocou um desgaste a mais com o ministro Sérgio Moro e uma forte reação na cúpula da Polícia Federal.
Nos Estados, superintendentes ameaçaram renúncia coletiva, uma carta foi divulgada sobre a ameaça à autonomia que a Polícia Federal precisa ter.
A PF anunciou o nome de Carlos Henrique Oliveira Sousa, atual superintendente em Pernambuco, para o posto no Rio, mas Bolsonaro queria outro delegado para a função.
O presidente, aparentemente, cedeu e aceitou o nome de Carlos Oliveira de Souza, apresentado pela direção geral e sancionado pela corporação.
A reação da cúpula ameaçando renúncia coletiva se o presidente levar adiante sua ameaça de substituir o diretor geral Mauricio Valeixo, indicado por Sérgio Moro.
Com ação de milícias, Rio tem mil invasões de imóveis em 5 anos
Mais de mil imóveis no Rio de Janeiro foram invadidos entre janeiro de 2014 e março de 2019, mostram dados da Polícia Civil obtidos pelo G1 via Lei de Acesso à Informação.
Dos dez bairros com mais casos, oito têm milícias em atividade:
Guaratiba
Campo Grande
Recreio dos Bandeirantes
Santa Cruz
Taquara
Vargem Grande
Sepetiba
Bangu
Esses oito bairros da Zona Oeste têm, somados, 422 casos de esbulho possessório – termo específico para invasão de propriedade em que o ocupante perde a posse.
O Código Penal define o crime de esbulho como “invasão de terreno ou edifício alheio fazendo uso de violência ou grave ameaça”.
O promotor do Ministério Público fluminense Luiz Antônio Ayres – que há 20 anos atua no combate às milícias – afirma que esses bairros são total ou parcialmente dominados por paramilitares. Ele também ressalta que o esbulho é uma das principais atividades criminosas dos bandidos.
“É um crime historicamente associado à milícia. Desde 2009, 2008, eles já faziam isso. Começaram a expulsar moradores de casa, e as pessoas reagiram. Nos anos de 2010, 2011, vários [milicianos] foram denunciados [por esse crime] e presos por formação de quadrilha”, explica Ayres.
Até supermercado é invadido
Dois bairros na lista dos 10 onde há mais invasões não ficam na Zona Oeste.
No caso do Centro – um dos locais que registraram mais casos de esbulho nos últimos 5 anos –, especialistas ouvidos associam o resultado do levantamento a conflitos de vizinhança ou invasões de imóveis por pessoas em situação de rua.
Em “tipo de local” – classificação que consta dos registros de ocorrência da Polícia Civil –, constam crimes de esbulho em lugares onde funcionam estabelecimentos públicos municipais e estaduais, além de escolas, hospitais, igrejas, shoppings e até supermercados.
O outro bairro é Guadalupe, na Zona Norte.
Vítima cobra devolução de imóvel na Colônia Juliano Moreira — Foto: Nicolás Satriano/G1
Medo e subnotificação
Especialistas consultados pelo G1 acreditam que os registros de esbulho são, de forma geral, subdimensionados. Para o delegado aposentado Claudio Ferraz, ex-titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais, a Draco, há a possibilidade de ocorrências não registradas em delegacias porque, individualmente, ninguém insiste na denúncia.
“Ninguém como pessoa física vai enfrentar um esbulho provocado por esses elementos”, argumenta.
O promotor Luiz Antônio Ayres vai além. Para ele, a possível subnotificação em casos de esbulho tem ligação direta com uma mudança na forma de atuação de milicianos, principalmente na Zona Oeste do Rio.
Antes de 2015, explica Ayres, os assassinatos cometidos por esses grupos criminosos ocorriam em público, na porta das casas das pessoas, funcionando como uma espécie de dominação pelo exemplo. Atualmente, as vítimas simplesmente desaparecem.
“Até 2015, as pessoas ainda se dispunham a se insurgir quanto a isso [ao esbulho] e procuravam o Ministério Público, procuravam a polícia. Mas, mais ou menos nessa mesma época, 2014, 2015, o índice de homicídios começou a cair, e o número de desaparecimento de pessoas começou a aumentar. Ou seja, em vez de eles estarem matando de forma ostensiva, começaram a ocultar os cadáveres.”
Recentemente, a polícia encontrou encontrou cemitérios clandestinos em Queimados e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e nos municípios de São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana.
Exemplificando o que diz o promotor, o Instituto de Segurança Pública registra 1.860 pessoas desaparecidas em 2015 na Zona Oeste – o maior número desde 2003. Nos anos seguintes, o total foi reduzindo. Em 2019, foram registrados 296 desaparecimentos até junho.
Problema crônico e investigação
É no vácuo deixado pelo poder público – principalmente na regularização de terras – que os grupos criminosos aproveitam para se estabelecer, segundo avaliação do atual delegado titular da Draco, Gabriel Ferrando.
“O problema de ocupação do solo é um problema crônico e histórico do Rio de Janeiro. Não vem de agora. Reflete exatamente a falta de políticas públicas que envolvam o controle do crescimento populacional em todas as áreas do Rio”, opina.
Ao analisar os dados obtidos pelo G1 sobre os casos de esbulho possessório, Ferrando afirma haver indicativos de que algo “anormal” ocorre na Zona Oeste, principalmente em Guaratiba, onde há uma grande extensão de terra, e grande parte dela desocupada.
“É um indicativo de que existe uma atuação mais acentuada da milícia nesse segmento [invasão a imóveis e terrenos]. Porque a milícia também atua de acordo com a sua realidade local”, diz o delegado.
E no caso específico de Guaratiba, o delegado afirma que investigações da Draco indicam a atuação de uma espécie de “franquia” da milícia Liga da Justiça, hoje chefiada por Wellington da Silva Braga, o Ecko.
No ano passado, o G1 publicou a série especial de reportagens “Franquia do Crime”, mostrando como os grupos de milicianos passaram a exercer o domínio em grande parte do território do estado, onde vivem aproximadamente dois milhões de pessoas.
‘É meu por direito’, diz vítima
“Este Manual do Proprietário foi feito para que você conheça seu novo lar”. A frase abre o guia impresso entregue a moradores do condomínio do programa Minha Casa, Minha Vida Colônia Juliano Moreira, no Tanque, na Zona Oeste da cidade.
Planta de imóveis no Residencial Colônia Juliano Moreira — Foto: Nicolás Satriano/G1
A materialização de um sonho acabou virando pesadelo para X. – que não terá o nome revelado por questão de segurança. Durante alguns meses que precisou deixar o imóvel, a pessoa teve o apartamento invadido e, hoje, não consegue voltar para casa.
“Ele é meu por direito. Eu tenho certeza, muita fé que terei ele de volta. Eu tenho muita fé na justiça divina, e eu quero também a justiça dos homens. É muito importante pra mim porque eu já corri em tudo, e eu quero essa ajuda. Eu só peço isso”, lamenta X.
Com documento e chaves do imóvel em mãos, a luta para voltar ao apartamento que recebeu como compensação por ter deixado outra área de risco parece interminável. Desde junho do ano passado, foram ao menos três visitas a delegacias e outras idas à prefeitura.
“A gente tem tudo. Tem a chave, tem o documento… Documento que a gente assina no banco. A gente ficou bastante tempo nesse processo… Até conseguir o imóvel, demora bastante”, explica a vítima, que diz ter esperado seis anos até conseguir o apartamento.
Em junho do ano passado, ao tentar voltar para casa, X. não conseguiu nem chegar à porta do apartamento. Já na portaria, foi impedida de subir por um homem que dizia ter adquirido o imóvel do proprietário. No entanto, nenhum documento foi apresentado pelo suposto comprador.
X. foi atrás da papelada e retornou ao condomínio, mas também não teve sucesso em reaver o imóvel. Agora, a vítima tenta registrar a ocorrência na delegacia da região para conseguir ir à Justiça. Como é a prefeitura quem faz a distribuição das unidades, a vítima também tenta uma solução junto ao município.
Página do manual do proprietário entregue a moradores de condomínio — Foto: Nicolás Satriano/G1
Embora não saiba dizer se foi diretamente ameaçada por grupos criminosos, X. afirma que tem conhecimento da ação de milicianos na Colônia Juliano Moreira. Segundo a vítima, corretores clandestinos de imóveis agem no condomínio com a anuência de paramilitares.
No último dia 19, a Draco prendeu um homem suspeito de integrar a milícia que atua justamente na Colônia Juliano Moreira. Antes disso, o RJ2 já havia denunciado que o condomínio passara a ser dominado por milicianos.
100 imóveis retomados em 2019
Só neste ano, de janeiro a junho, a Prefeitura do Rio diz ter retomado 100 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida invadidas. Para isso, o município conta com a Guarda Municipal e a ajuda de batalhões da Polícia Militar e delegacias policiais locais.
Só na Colônia Juliano Moreira, foram 53 apartamentos recuperados para os reais proprietários. E mais 47 unidades no Minha Casa, Minha Vida no Morar Carioca, que fica na Avenida Cesáreo de Melo, em Santa Cruz, também na Zona Oeste.
Operação da PM e da prefeitura na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
“Os imóveis do Minha Casa, Minha Vida não devem ser utilizados para outras finalidades que não sejam para moradia de quem foi sorteado e sua família. Não há pagamento antecipado nem intermediários”, alerta Sebastião Bruno, secretário municipal de Infraestrutura e Habitação.
Pelas regras do programa, “as unidades não podem ser alugadas e nem vendidas até terminar o contrato com a instituição financeira responsável pelo financiamento, ou seja, antes do prazo de dez anos de alienação do imóvel pelo banco”, frisa a prefeitura.
O que dizem as secretarias
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que a “corporação atua no patrulhamento ostensivo e ordinário das ruas do Estado, assim como por acionamento e pede que as denúncias sejam formalizadas através dos canais oficiais: Central 190 e Disque Denúncia: (21) 2253-1177”.
Até a última atualização desta reportagem, a Secretaria de Polícia Civil não havia respondido. (Com informações do G1)Expointer: Venda de animais teve crescimento de 22,7% nos três primeiros dias
Em três dias de Expointer, a comercialização de animais já registra acumulado de R$ 4.864.332,94 em negócios, valor 22,7% superior ao do ano passado, que alcançou R$ 3.961.700,00 no mesmo período. Em 2018, a venda total de animais foi de mais de R$ 10 milhões. A expectativa para a atual edição é que este número seja atingido ou até mesmo superado.
O animal mais caro comercializado até momento foi uma égua prenhe da raça crioula, por R$ 200 mil. Herança 303 da Vendramin TE foi finalista do Freio de Ouro e vem de uma longa linhagem de cavalos vencedores. “É uma égua com morfologia superior a 7,5, filha de uma finalista do Freio e de um bi-Grande Campeão”, enumera Cadu Altenhofen, administrador da Estância Vendramin, de Palmeira (PR), que vendeu a égua. O comprador foi o Haras Virginia, de Portão (RS).
No total, 609 animais já foram comercializados, entre bovinos, equinos, ovinos, aves ornamentais, pássaros, chinchilas e coelhos.
Todos os dados relativos à venda de animais durante a Expointer podem ser consultados nos Relatórios da Expointer.Chamuscado na crise amazônica, Bolsonaro evita ampliar atrito com Moro
O ministro da Justiça, Sergio Moro, tem ouvido de aliados e amigos conselhos para sair do governo enquanto é tempo. Traduzindo: chutar o balde e demitir-se com o discurso de que Jair Bolsonaro abandonou as promessas de combate à corrupção.
Seria uma forma de Moro, seguidamente desautorizado e atropelado no governo, sair com a imagem menos chamuscada, garantindo um emprego que lhe dê visibilidade política – o secretariado paulista de João Dória.
A leitura hoje em Brasília é de que situação de Moro se resolve nos próximos dias, sobretudo à luz da decisão presidencial sobre os vetos à Lei do Abuso de Autoridade. Se Bolsonaro concordar em vetar vários artigos e desidratar a matéria, como recomenda o ministro, as aparências podem ser salvas na Justiça e Moro vai ficando.
Caso contrário, ou seja, se o presidente vetar apenas o artigo relativo ao uso de algemas e pouca coisa mais, Moro terá que pegar o boné e se retirar. Há quem diga que ele já pavimentou esse caminho nos últimos dias nos ofícios que mandou ao colega Paulo Guedes reclamando que os recursos destinados à pasta no orçamento de 2020, que será mandado ao Congresso até o fim do mês, inviabilizam o trabalho na segurança pública.
Entre a cruz e a caldeirinha, já que o Congresso prepara represálias a eventuais vetos na Lei do Abuso, Bolsonaro ainda não se decidiu. Mas o mais provável, segundo assessores, é que ele ceda a Moro para evitar o desgaste de ver o ministro sair atirando de seu governo. Apesar de desgastado com a Vaza Jato, o ex-juiz ainda conserva popularidade e pode provocar um estrago.
Até porque a pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira confirma a acelerada perda da popularidade presidencial nesses oito meses. A avaliação negativa do governo já beira os 40% – um acréscimo de 20 p.p de fevereiro para cá. A avaliação positiva caiu quase 10 p.p, de 38,9% para 29,4%. A esta altura, somada à crise amazônica, uma eventual demissão de Moro seria desastrosa para Bolsonaro.
(Helena Chagas/Divergentes)
Associação de Oficiais fala sobre aumento de suicídos e depressão entre brigadianos
O Rio Grande do Sul está na liderança do número de suicídio de PMs no País, segundo nota da Associação dos Oficiais da Brigada Militar.
A associação convoca uma coletiva de imprensa na quarta-feira, quando serão divulgados os números relativos a suicídios, depressão e outros transtornos que atingem os PMs, submetidos a duras condições de trabalho.
Segundo a Asofbm, o problema “se agrava na medida que os policiais têm dificuldade de pedir ajuda e temem a forma de como poderão ser tratados na corporação quando adoecem”.
Com objetivo de falar sobre o assunto, reduzir os números de suicídio e fortalecer a rede de apoio aos que precisam de tratamento para doenças como a depressão, ansiedade e outras, a Associação dos oficiais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros promove na próxima quarta-feira 28/08 uma coletiva com a imprensa, onde serão revelados dados sobre o assunto.
Já confirmaram presenças e estarão disponíveis para entrevista com a imprensa, familiares de policiais que se suicidaram, representantes da área de saúde e do Ministério Público.
Quando – 28/08 –
Local – Travessa Leonardo Truda, 40 – 2andar conjunto 28 – Centro de Porto Alegre
Horário – 9h30
Reprovação ao governo Bolsonaro cresce e chega a 39,5%, aponta pesquisa
O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) é avaliado como ruim ou péssimo por 39,5% dos brasileiros, aponta pesquisa divulgada nesta segunda-feira (26) pelo instituto MDA em parceria com a CNT (Confederação Nacional do Transporte).
Em fevereiro, esse índice era de 19% —ou seja, houve uma elevação de pouco mais de 20 pontos percentuais em seis meses.
O levantamento indica ainda que 29,4% consideram o governo ótimo ou bom e 29,1%, regular. Não souberam ou não responderam 2% dos entrevistados. Em fevereiro, esses índices eram de 39%, 29% e 13%, respectivamente.
A reprovação ao desempenho pessoal de Bolsonaro também cresceu no período para 53,7% em agosto, ante 28,2% em fevereiro. Já a taxa de aprovação do mandatário caiu de 57,5% para 41%.
Foram realizadas 2.002 entrevistas entre os dias 22 e 25 de agosto, em 137 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Questionados se Bolsonaro tem cumprido promessas de campanha, apenas 9,5% dos entrevistados se disseram plenamente satisfeitos. Enquanto isso, 45,4% responderam que o presidente atinge em partes os compromissos firmados antes de vencer a eleição.
O estudo aponta que as áreas em que o governo está se saindo melhor são combate à corrupção (31,3%), segurança (20,8%) e redução de cargos e ministérios (18,5%).
Os percentuais se referem aos entrevistados que se disseram satisfeitos com o desempenho do presidente nos respectivos temas —cada participante tinha a possibilidade de escolher até dois itens.
Já a área com a pior avaliação, em que os entrevistados declararam sua insatisfação, foi a saúde (30,6%). Na esteira da repercussão negativa provocada pelas queimadas na região amazônica, o meio ambiente (26,5%) foi o segundo no ranking dos temas que ensejam maior preocupação por parte da população.
Em relação a agendas específicas do governo, a mais rejeitada foram os decretos de liberação de posse e porte de arma de fogo (39,1%), seguida pelo uso constante de palavras ofensivas e comentários inadequados (30,6%). O congelamento de verbas aplicadas na educação foi lembrado por 28,2%.
A pesquisa CNT/MDA mostra que a maioria dos entrevistados reprova o fato de o presidente querer indicar o seu próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a vaga de embaixador do país em Washington.
De acordo com o levantamento divulgado nesta segunda-feira, 72,7% dos entrevistados disseram considerar a postura de Bolsonaro inadequada. Já 21,8% responderam o contrário, enquanto 5,5% não emitiram opinião.
O parlamentar ainda será sabatinado na Comissão de Relações Exteriores do Senado e terá que ser aprovado pelo plenário da Casa.
Nos bastidores, ele e o pai têm negociado com os congressistas para minimizar o risco de derrota. O presidente já confirmou a indicação de Eduardo, mas só pretende oficializá-la em mensagem enviada ao Congresso quando a costura for efetivada de modo que a vitória seja certa.
“Não quero submeter o meu filho a um fracasso”, disse Bolsonaro na semana passada.
(Com informações da Folha de São Paulo)Papa Francisco alerta para a importância dos movimentos sociais
O mais recente documento da Pontifícia Comissão para a América Latina, organismo da Cúria Romana que estuda os problemas doutrinais e pastorais relativos à vida e ao desenvolvimento da Igreja no continente, traz uma mensagem do argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, que é um alerta sobre a violência, a intolerância, a desorientação e apatia das massas.
A opinião do Papa Francisco no livro soa forte nesse momento em que o país ainda está sob o impacto do sequestro de um ônibus com 37 passageiros e o “abate” de um jovem por policiais na ponte Rio-Niterói – execução que apesar de ser considerada pelas autoridades de acordo com padrões vigentes de resgate, causou perplexidade devido à comemoração por parte do governador do Rio, Wilson Witzel. “Nesse estado de paralisia e desorientação, a participação política dos movimentos populares pode derrotar a política dos falsos profetas, que exploram o medo e o desespero e pregam o bem-estar egoísta e a segurança ilusória”, escreve o Papa no prefácio da obra.
Publicado pela Livraria e Editora Vaticana, o La irrupción de los Movimientos Populares: Rerum Novarum de nuestro tiempo é uma obra que inclui cinco anos de reflexão sobre o trabalho de milhares de associações que lutam por um estilo de desenvolvimento justo e inclusivo. A obra será apresentada em setembro e ainda não está traduzida para o português. A referência a Rerum Novarum (Das Coisas Novas) é evidenciada porque o documento publicado por Leão XIII, em maio de 1891, é considerado a primeira encíclica social da Igreja Católica.
Francisco enfatiza em seu texto que tudo o que diz e que também está contido no trabalho realizado por várias pessoas que contribuíram para a elaboração do La irrupción de los Movimientos Populares: Rerum Novarum de nuestro tiempo “está em plena sintonia com a Doutrina social da Igreja e com o Magistério de meus predecessores”. O Papa manifesta ainda o seu desejo de que a publicação do livro seja uma maneira de continuar e reforçar “experiências, que antecipam com seus sonhos e com suas lutas, a urgência de um novo humanismo, para acabar com analfabetismo compassivo e eclipse progressivo da cultura e da noção de bem comum”.
Francisco reafirma a sua convicção de que a humanidade está enfrentando uma mudança de época caracterizada pela xenofobia, medo e o racismo: “movimentos populares podem representar uma fonte de energia moral, revitalizar nossas democracias”
Incluindo as principais discussões dos Encontros Mundiais que desde 2014 reuniram “sob as bênçãos” de Francisco milhares de representantes de Movimentos Populares em diferentes partes do continente americano, o trabalho da Pontifícia Comissão para a América Latina congrega análises de importantes acadêmicos, jornalistas, religiosos e, obviamente, de representantes dos mais variados movimentos sociais, entre eles Juan Grabois, assessor especial papal para os movimentos sociais e fundador do Encontro Mundial de Movimentos Populares.
A energia moral dos movimentos sociais

Nessa obra, Francisco reafirma a sua convicção de que a humanidade está enfrentando uma mudança de época caracterizada pela xenofobia, medo e o racismo e diz que os “movimentos populares podem representar uma fonte de energia moral, revitalizar nossas democracias”.
Concretamente, na opinião do líder máximo da Igreja Católica, em meio a uma sociedade ferida por uma economia cada vez mais distante da ética, esses movimentos sociais podem e devem atuar como um antídoto contra o populismo e mostrar políticas que busquem um senso de participação cidadã: uma consciência mais positiva do outro, que é a consequência da promoção de uma “força de nós” que se opõe à “cultura do eu”.
No encerramento de seu texto, Francisco valoriza a questão do trabalho humano como um direito sagrado que deve ser guardado em cada pessoa. O Papa, diante das consequências das teses neoliberais e neoestatais que sufocam e oprimem as pessoas em suas experiências de trabalho, clama por um “novo humanismo, que ponha fim ao analfabetismo da compaixão e ao progressivo eclipse da cultura e à noção de bem comum”.
(Com informacões do Extra Classe)






