Blog

  • A morte de José Wilson, o “Tenente Vermelho”: amigos suspeitam que foi execução

    A morte de José Wilson, o “Tenente Vermelho”: amigos suspeitam que foi execução

    O casal já dormia. Ela despertou com um barulho na porta de entrada da casa e acordou o marido, de 89 anos. Ele apanhou um facão e foi ver o que havia. Desceu para o térreo da casa e recebeu o primeiro tiro. Tentou voltar e recebeu a segunda bala pelas costas.

    O assassinato  ocorreu durante a madrugada de sexta-feira, 10/12 dezembro  na rua Paissandu, no bairro Partenon, em Porto Alegre.

    José Wilson da Silva, a vítima, era capitão reformado do Exército e ficou nacionalmente conhecido como o “Tenente Vermelho”, apelido que ganhou nos anos de resistência ao golpe de 1964.

    Ele já havia programado com os amigos mais próximos um jantar para comemorar os 90 anos, transcorridos nesta segunda feira, 13.

    Um vizinho disse a polícia que viu dois homens se afastando do local, logo após os tiros. Outros relataram o barulho de um carro saindo em alta velocidade.

    O fato de nada ter sido roubado e a facilidade com que os assassinos entraram na casa  (tudo indica que tinham a chave da porta) levam à suspeita de que não tenha sido latrocínio (matar para roubar) mas uma execução premeditada.

    Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, um dos amigos mais próximos de José Wilson, é um dos que vê no crime “todas as características de uma execução”.

    Ele estranha, inclusive, o fato de José Wilson, um militar que certamente tinha uma arma de fogo em casa, usar um facão. “Há um mês ele havia trocado as chaves da porta e dos portões que dão acesso á casa. Por que fez isso e como é que os caras entraram com toda a facilidade?”

    O deputado Raul Carrion, um dos líderes do PC do B no Rio Grande do Sul, partido ao qual José Wilson era filiado, também vê indícios de crime premeditado. “É muito esquisita essa história, não há como não suspeitar de uma execução”, disse ele ao JÁ.

    José Wilson foi um dos militares mais próximos de Leonel Brizola. Eleito vereador em Porto Alegre pelo PTB, ficou no cargo três meses, de janeiro a março de 1964, quando foi cassado pelo golpe militar e foi para o exílio no Uruguai.

    Voltou ao Brasil com a anistia, em 1979 e foi um dos fundadores da Associação de Defesa e Pró-Anistia dos Atingidos pelos Atos Institucionais, da qual ainda era o presidente.

    “Como não houve ruído e não há arrombamento, deduzimos que os matadores tinham chaves da residência. Até por isso, o caso ainda é investigado como homicídio e não como latrocínio (matar para roubar)”, disse a delegada Isadora Galian, que investiga o caso.

    Não há, no entanto,  registro de ameaças recebidas pelo ex-vereador, e os familiares (companheira,  a filha dela e duas filhas de Wilson) não relataram que ele tivesse qualquer desavença.

  • Cais Mauá: laudo técnico avaliará substituição do muro por sistema móvel de proteção

    Cais Mauá: laudo técnico avaliará substituição do muro por sistema móvel de proteção

    O  Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul  ainda não começou os estudos para avaliar a substituição do muro que cerca o Cais Mauá por um sistema móvel de proteção contra enchentes.

    “Estamos concluindo as tramitações para a contratação”, disse ao JÁ o professor Joel Goldenfum, diretor do IPH.

    A elaboração de um laudo  envolverá três professores e um aluno de pós-graduação e demandará cerca de três meses de trabalho.

    Não é cogitada a hiipótese da eliminação pura e simples do muro.

    “O que vai se avaliar é se os sistemas móveis de proteção previstos conseguem manter o mesmo grau de proteção que o muro garante”.

    Goldenfum participou, nesta quinta-feira, 9,  do primeiro debate sobre o projeto desenvolvido por equipes da Universidade Federal para a revitalização do Cais Mauá,  visando transformá-lo num polo cultural.  .

    O estudo, com  diretrizes para a transformação do antigo porto num pólo cultural se contrapõe ao projeto que o BNDES está formulando a pedido do governo do Estado, com ênfase no empreendimento imobiliário.

    O debate, realizado no auditório do cais,  foi promovido pelas duas  “frentes em defesa do Cais Mauá”, formadas na Câmara municipal e na Assembléia estadual, e é o primeiro de uma série prevista para ampliar a discussão sobre os dois projetos.

     

  • Restaurante popular servirá 100 refeições diárias no bairro Rubem Berta

    Restaurante popular servirá 100 refeições diárias no bairro Rubem Berta

    Começou a funcionar ao mei do dia desta quinta, 9, o Restaurante Popular do Eixo Baltazar, oferecendo 100 refeições diárias gratuitas no almoço a pessoas em situação de rua ou alta vulnerabilidade social.

    Situado na Rua Caetano Fulginiti, 95 (Rubem Berta) é o quinto espaço de  restaurante social aberto pela prefeitura, uma vez que o endereço do Centro equivale a dois espaços.

    “Nossa meta era abrir este espaço ainda em 2021 e conseguimos realizar. Com o nível de vulnerabilidade agravado pela pandemia ter a garantia de, pelo menos, uma refeição adequada faz diferença no dia a dia de quem precisa”, diz o secretário de Desenvolvimento Social, Léo Voigt .

    Com o novo espaço, passam a ser  oferecidas 1,2 mil refeições diárias nos restaurantes Prato Alegre da Capital. O restaurante do Centro atende também aos sábados e domingos, com 200 refeições/dia. Os demais, da Lomba, Restinga e Cruzeiros servem 100 refeições/dia cada um.

    A prefeitura vai investir R$ 2,6 milhões por ano em todos os restaurantes. A gestão do serviço na unidade do Eixo Baltazar é da Organização Social Civil Beith Shalom, que já administra os restaurantes do Cento Histórico, Vila Cruzeiro e  Lomba do Pinheiro, com a supervisão e acompanhamento da Unidade de Segurança Alimentar da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

    Onde ficam os restaurantes populares:

    Atende todos os dias

    – Rua Garibaldi, 461, Centro

    Atende de segunda a sexta-feira

    – Rua Dona Otília, 210, Vila Cruzeiro
    – Rua Cacimbas, 159, Lomba do Pinheiro
    – Estrada Chácara do Banco, 71, Restinga
    – Rua Caetano Fulginiti, 95, Rubem Berta

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • 500 familias recebem titulo de propriedade em loteamentos da Região Metropolitana

    500 familias recebem titulo de propriedade em loteamentos da Região Metropolitana

    Uma espera de quase duas décadas teve fim nesta terça-feira (7/12) para cerca de 500 famílias da Região Metropolitana de Porto Alegre.

    São moradores do loteamento Xará, em Gravataí, e da vila Santa Luzia, em Sapucaia do Sul que receberam os títulos de propriedade de suas moradias.

    A entrega faz parte do  Programa de Regularização Fundiária de Interesse Social, em execução pela Secretaria de Obras Públicas.

    Os termos foram entregues pelo governador Eduardo Leite e pelo secretário de Obras e Habitação, José Stédile, em cerimônia no Palácio Piratini.

    O documento é o instrumento pelo qual o governo do Estado reconhece e confere o título de posse dos bens imóveis aos seus ocupantes.

    A valorização do imóvel e a segurança jurídica na compra e venda com a transferência realizada em cartório estão entre os benefícios do registro de posse.

    A possibilidade de acessar créditos imobiliários e a inscrição em programas habitacionais são outros resultados da política habitacional.

    Ao longo dos anos, o governo do Estado executou diversas etapas do processo de regularização das áreas, como cadastro socioeconômico, projetos urbanísticos, parcelamento de área, bem como o reassentamento de famílias de áreas de preservação ambiental e sobre o sistema viário, como observou o governador.

    “Essa moradia regularizada pelo termo de posse é dignidade, base da cidadania para essas famílias. Eles não estão ganhando um presente do Estado. É um direito e uma chave para que a vida seja melhor e mais segura para cada um dos moradores e das suas famílias, e para que assim tenham mais oportunidade de crescimento. Fico muito feliz, como homem público, como governador do Estado, de poder fazer parte deste momento de alegria dessas famílias, um momento que resgata o maior motivo de estarmos aqui, que é o de trabalharmos pelo povo e com o povo”, afirmou Leite.

    A entrega dos termos atende diretrizes da gestão em busca da redução do déficit habitacional e da promoção da qualidade de vida, destacou o secretário Stédile. “É bom para os moradores, que terão segurança e valorização dos imóveis que, com o título de posse, passam a valer no mínimo o dobro. É bom para as prefeituras e é bom para o governo do Estado, que se preocupa com o grande déficit habitacional e o bem estar da população. Temos cerca de mil loteamentos em áreas do Estado e essas que estão sendo consolidadas estamos regularizando”, disse.

    Por limitações de espaço, apenas 80 famílias compareceram ao Palácio Piratini para o recebimento dos termos de regularização fundiária.

    As demais escrituras serão entregues aos moradores em datas a serem definidas. No total, 300 famílias do Xará estão aptas ao termo de legitimação fundiária e 55 famílias aptas ao termo de concessão de uso. Na vila Santa Luzia, em Sapucaia do Sul, 199 famílias estão aptas ao termo de legitimação fundiária e 46, aos termos de concessão de uso.

    Representante da comunidade do loteamento do Xará, Ondina Ledesma se emocionou ao receber o título de posse. “Hoje é um dia abençoado. Agradeço a todos do Estado que estiveram na nossa comunidade e nos ajudaram muito a chegar até esse momento de alegria que foi muito esperado e desejado”, disse.

    Sidnei Santos Oliveira, morador do loteamento de Santa Luzia, também recebeu o título de posse ao lado da família e lembrou de toda a trajetória percorrida pela comunidade até a regularização.

    “Hoje vindo para cá, no ônibus, me lembrei de 15 anos atrás, quando viemos aqui solicitar uma reintegração de posse. Hoje fizemos o mesmo caminho, dessa vez para receber o título de posse. Só tenho gratidão por esse momento”, afirmou Sidnei.

    Entre as ações mais recentes para a regularização, se destacam os projetos de lei encaminhados em 2019, que autorizam o Estado a alienar, de forma gratuita ou onerosa, lotes urbanos para a regularização fundiária das localidades. As matérias foram aprovadas pela Assembleia Legislativa e sancionadas pelo governo do Estado nas leis estaduais 15.486 e 15.487 de 14 de julho de 2020.

    OS LOTEAMENTOS

    Xará – Gravataí
    No ano 2000, diante do processo de reintegração de posse da área da Cerâmica Stella Indústria e Comércio, cerca de 500 famílias foram removidas pelo governo do Estado para o loteamento do Xará, cuja área foi adquirida pelo Estado e declarada de interesse social, conforme o Diário Oficial de 17/8/2000. A área tem 30 hectares, onde atualmente moram 568 famílias em lotes com área de 160m².

    Santa Luzia – Sapucaia do Sul
    O loteamento Santa Luzia está localizado em área pertencente ao Estado e adquirida em 2002, conforme Decreto 41.172/01. A iniciativa ocorreu para o reassentamento de famílias em situação de risco ao longo da rodovia ERS-118 no perímetro do município. Com 18 hectares, o loteamento conta com 438 famílias.

    Texto: Thamíris Mondin e Saul Teixeira/Ascom SOP
    Edição: Marcelo Flach/Secom

  • Livro desvenda inserção dos evangélicos na política brasileira

    Livro desvenda inserção dos evangélicos na política brasileira

    José Antônio Severo*

    Os invisíveis do auxílio emergencial, o “Povo de Deus”, segundo o mantra católico usado, no passado, pelo bispo Dom Hélder Câmara para designar os pobres e oprimidos, foi o título escolhido pelo antropólogo Juliano Speyer para seu livro sobre a massa de desvalidos que atualmente se reúnem em torno de pastores evangélicos.

    Esta é uma obra de referência que chega ao mercado com o carimbo de tese de doutorado aprovada pela University College London (UCL). Quem são e onde estão os crentes, essa massa que hoje constitui uma das mais disciplinadas e consistentes eleitorais do País? Este é um estudo sobre o tema.

    É importante anotar que “Povo de Deus” é derivado do projeto acadêmico que rendeu, ao autor, dois livros, um deles de grande aceitação nos meios profissionais da comunicação, intitulado “Mídias Sociais no Brasil Emergente”, sobre as consequências do uso da internet pelas camadas populares, tema que constitui sua especialidade profissional, que Spyer exerce no mercado de trabalho.

    O segundo é esta obra sobre os evangélicos, um corte de seu projeto original, que está chamando atenção entre cientistas políticos, militantes partidários e profissionais do ramo, tanto que já, mesmo recém lançado, é referência bibliográfica em discursos, conferências e artigos.  A população evangélica é um tema quentíssimo na área, pois traz à tona a conformação de uma parcela significativa da nova direita, no aspecto eleitoral.

    A presença de religiões protestantes no Brasil é tão antiga quando o próprio descobrimento do país pelos europeus. A primeira guerra de fato, envolvendo os recém-chegados europeus, deu-se entre católicos e calvinistas franceses, no atual Rio de Janeiro, em 1555; outro embate com forte motivação religiosa que a historiografia narra como conflito internacional foi a chamada invasão holandesa, entre 1624, na região leste, a travada na Bahia, depois nos estados nordestinos, em 1630, com epicentro em Pernambuco. Sem falar da chamada revolta dos malês, na Bahia, em 1835, entre muçulmanos e católicos. Ou seja: o atual estranhamento da intelectualidade brasileira com a participação de pastores e crentes na disputa pelo poder político não é nada de novo, vem dos momentos fundadores e continua assim. Bastaria abrir algum livro de História. A diferença é que os padres, desta vez, aparecem perdendo a guerra para os pastores, que estão ganhando almas como nunca antes da História deste País. A não há como botá-los de volta na obscuridade.

    É uma obra para ser lida, tamanha a riqueza de informações e detalhes sobre esse público submerso, que só aparece nas mídias como se fosse uma aberração sociológica. É assim que as chamadas elites os veem, embora já estejam se tornando maioria física no País, devendo em uma década ultrapassar em números os papistas brasileiros, que se orgulhavam de ostentar o título de maior população católica do mundo.

    O leitor não espere encontrar um texto com a aridez da literatura acadêmica. Embora mantenha o rigor técnico de um trabalho de cientista social, o autor não tem como evitar o depoimento pessoal, na primeira pessoa, para respaldar suas observações e conclusões. Para fazer esse trabalho ele teve de ir viver um ano e meio na periferia da periferia de Salvador, na Bahia. Seu testemunho é um conteúdo essencial.

    É interessante ressaltar coo essa tese se produziu e chega à sua conclusão. Spyer chegou à comunidade (que ele não revela qual seja) para estudar os efeitos das mídias sociais, especialmente da internet, naquele mundo de excluídos. Não precisou muito para sentir-se ameaçado. Aquela figura branca e urbana, fazendo perguntas, não convencia a ninguém do crime: era evidente que se tratava de um espião. O tratamento para policiais disfarçados é a morte com requintes. Ele encontrou acolhida entre os protestantes pentecostais, que validaram sua presença e assim ele ganhou livre trânsito e pode ficar naquela favela por mais de um ano. Ao final, percebeu que sua cobertura era mais do que uma garantia, mas, na verdade, um projeto maravilhoso que poderia levar em paralelo. Foi o que fez gerando este “Povo de Deus”.

    Essa aventura do autor, arriscando-se num ambiente de alta periculosidade, por si só já é um feito espetacular. Penetrar nas profundezas da periferia é algo raro, poucas vezes encontrado em nossa literatura jornalística (poucas exceções, Carlos Amorim e Caco Barcelos), muito mais surpreendente encontrar num trabalho de rigor científico.

    Este é “O Povo de Deus”, que tem um subtítulo ambicioso: “Quem são os evangélicos e por que eles importam”, referindo-se à sua presença no cenário político e eleitoral do País.

    O livro começa com uma avaliação estatística, como sói acontecer nos trabalhos sociológicos, com dados quantitativos para oferecer ao leitor um a panorama demográfico do cristianismo evangélico. Interessante observar que as seitas pentecostais, ramo do protestantismo, se expande não só no Brasil e na América do Sul, mas também na África e na Ásia pobre.

    É um fenômeno do que hoje se chama de “Sul do Mundo” (que nem sempre corresponde ao sul geográfico dividido pela linha do Equador).

    Outro capítulo importante para a avaliação política é “Cristianismo e preconceito de classe”, seguido por “Evangélicos na mídia e mídia evangélica”, completando com “Consequências positivas do cristianismo evangélico”, uma incursão lúcida nas entranhas de uma prática religiosa desqualificada pela intelectualidade brasileira.

    Mais surpreendente é o título “A religião mais negra do Brasil”, que desmente o estereotipo de que os pretos são praticantes de seitas de matrizes africanas, acrescentando, algo ainda mais revelador, de que essas tendências protestantes, originadas nos Estados Unidos, surgiram em comunidade negras e muito pobres daquele País.

    Formado em História pela Universidade de São Paulo, pós graduado, mestre e doutor pela UCL inglesa, Spyer alinha alguns comentários de grande relevância na apresentação de seu livro, chamando atenção um texto introdutório de autoria de Caetano Veloso, músico, compositor e cantor, e prefácio de Gabriel Feltran, professor da Faculdade de Sociologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

    Destaca-se, também, o deputado federal Patrus Ananias (PT/MG), ex-ministro dos governos Lula e Dilma (criador e gestor do Bolsa Família, programa de profunda penetração nas periferias urbanas), conhecido líder católico e professor da Faculdade de Direito da PUC-MG, que diz ser “o cristianismo evangélico uma forre e crescente realidade entre nós. Este livro nos ajuda a entender esse desafio instigante”, escreve.

    Na área acadêmica, alinha nomes de grande relevância acadêmicas, professore de universidades de referência mundial, como Amy Erica Smith, professora de ciências políticas da Iowa State University, David Nemer, professor de Estudos de Mídias da Universidade de Virginia (EEUU) e Malu Gatto, cientista política e professora da University College London, completando com a indicação do professor Ricardo Abramovay, titular da FEA/USP ne do IEE/USP. Que diz: O autor apresenta as razões pelas quais esta religião tem sido capaz de fortalecer a coesão social de comunidades desamparadas pelo Poder Público, tornando-se, assim, um movimento cultural decisivo”.

    “O Povo de Deus – Quem são os evangélicos”, da Geração Editorial, de São Paulo, editado por Luís Fernando Emediato, capa de Alex Maia, produzido em todas as mídias, disponibilizando cópias impressas em papel, também numa versão digital, disponíveis nas livrarias virtuais e nos sites de vendas da editora. Saído às ruas logo nos primeiros dias de 2020, é uma obra que marca com relevo os primeiros momentos deste ano em curso. Uma leitura prazerosa, além de tudo. Spyer tem o dom das letras.

    *Publicado em janeiro de 2021.

     

  • Vereadoras negras de Porto Alegre denunciam ameaças de morte e ataques racistas

    Vereadoras negras de Porto Alegre denunciam ameaças de morte e ataques racistas

    As vereadoras Karen Santos (PSOL) e Daiana Santos (PCdoB), da bancada negra da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, foram ameaçadas de morte em um email enviado, na tarde de segunda-feira (6) aos cinco integrantes da bancada.

    O email é supostamente assinado por um homem branco que moraria no Rio de Janeiro. Ele diz que vai “comprar uma pistola 9 mm no Morro do Engenho e uma passagem só de ida para Porto Alegre”, onde mataria, na própria Câmara Municipal, as duas vereadoras e quem mais estivesse com elas.

    Na manhã desta terça-feira (7), Karen Santos, Daiana Santos, a vereadora Laura Sito (PT) e o vereador Matheus Gomes (PSOL) estiveram na delegacia de crimes cibernéticos de Porto Alegre para denunciar as ameaças de morte recebidas.

    As vereadoras afirmaram que não irão silenciar “frente a crimes de ódio que tentam cercear nossa atividade política”. “Queremos providências das instituições na identificação e punição desses autores”, acrescentaram.

    O vereador Matheus Gomes assinalou que as ameaças de morte e ataques racistas com uso das expressões “aberrações”, “símios” e “macacas fedorentas” são nomenclaturas semelhantes às utilizadas no fórum extremista Dogolachan.

    “Esse mesmo fórum já tinha ameaçado companheiras de luta como Talí ria Petrone, Manuela D’Ávila, Duda Salabert e Carol Dartora e muitas outras. Não irão nos intimidar e nem impedir nosso exercício parlamentar. À Polícia Civil pedimos celeridade na investigação e punição aos responsáveis! Ao movimento social negro e popular, aumentemos o nosso alerta e cuidados, é hora de auto-organização e auto-defesa contra o fascismo!”, disse o parlamentar em sua conta no Twitter.

    (Do Sul 21)

  • Sindicato Médico alerta associados sobre golpe aplicado pelo whatsapp

    Sindicato Médico alerta associados sobre golpe aplicado pelo whatsapp

    O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul está alertando seus associados para uma tentativa de golpe via internet.

    Pelo whatsapp, os criminosos entram em contato com o médico, como se fossem do Serviço Jurídico do Sindicato.

    Passam os dados de um processo judicial de que o médico estaria sendo alvo. Quando a vítima retorna, querendo informações sobre o tal processo é encaminhada para uma central de atendimento.

    A central informa que para fornecer os dados do processo jurídico, o médico tem que depositar uma quantia numa determinada conta, que é dos golpistas.

    O Simers não sabe quantos associados cairam no golpe, mas garante que  vários já fizeram o depósito solicitado.

    O Sindicato, que tem cerca de 15 mil associados, registrou a ocorrência na delegacia de crimes cibernéticos.

    Eis a nota do Simers:
     Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) reitera a necessidade de atenção por parte da categoria em relação ao golpe do contato das ações judiciais.
    Golpistas, que estão muito estruturados, entram em contato com médicos, pelo WhatsApp, usando o nome do Jurídico do Simers e do escritório do Dr. Horácio.
    Nas mensagens certeiras são transmitidas informações processuais e telefones de contato falsos.

     

    O médico que retornar à ligação, cairá em uma central de atendimento que segue todos os protocolos de uma empresa de telemarketing. Profissionais já caíram na fraude e efetuaram os depósitos solicitados.

    A orientação da Assessoria Jurídica da entidade médica é de que não sejam respondidas as mensagens e que sejam bloqueados os contatos. Para mais informações, entre em contato através dos nossos canais oficiais.

    O Simers está adotando as medidas jurídicas cabíveis quanto ao caso.

    Sindicato Médico do Rio Grande do Sul

  • Cidades sem rodoviária: 77 licitações, nenhum interessado

    Cidades sem rodoviária: 77 licitações, nenhum interessado

    Só os mais antigos entre os 12 mil moradores de Cacequi ainda lembram do tempo do trem – quando a cidade era um entroncamento ferroviário onde cruzavam linhas para todas as regiões do Estado.

    As locomotivas fumegantes, os vagões apinhados de gente, o sino anunciando a partida. Era fácil chegar ou sair de Cacequi. Isso foi há 30 anos ou mais..

    Os trilhos ainda estão lá, mas hoje por eles hoje só se movem pesadas composições de vagões-conteiners que levam soja e arroz a granel para o porto de Rio Grande.

    Os ônibus substituiram os trens no transporte de passageiros, a majestosa estação ferroviária virou museu. Uma acanhada rodoviária passou a receber as poucas linhas de ônibus que traziam ou levavam passageiros, poucos, já que ninguém precisava mais passar por Cacequi para chegar a qualquer lugar.

    Agora, com a crise, a situação se agravou.

    A acanhada rodoviária está fechada há um ano. Uma licitação para que um empreendedor privado assumisse a  estação rodoviária local, deu deserta, não apareceu interessado.

    Quem quer sair ou chegar à Cacequi tem que se submeter a uma logística constrangedora, que inclui desembarcar na estrada a espera de um táxi ou um carro, ou ali ficar esperando o ônibus que vai de Santa Maria a São Vicente, cidade vizinha.

    O caso de Cacequi não é único. Desde 2012, mais de 100 estações rodoviárias encerraram as atividades no Rio Grande do Sul. Os concessionários não tiveram interesse em renovar o contrato e não houve candidato a uma nova concessão.

    Em 2019, mais da metade dos 497 municípios gaúchos não tinham uma estação rodoviária.  Desde então, o DAER, a autarquia que regula o transporte de passageiros no Estado, tenta licitar 200 rodoviárias.

    A informação mais recente no site do DAER diz que 77 licitações para concessão de rodoviárias “resultaram desertas”, ou seja não houve interessado.  Algumas já foram licitadas duas vezes sem sucesso.

    Confira aqui a situação da licitação em cada município:

    https://www.daer.rs.gov.br/licitacoes-de-estacoes-rodoviarias

  • Melo fala a empresários e diz que concessão do DMAE sai no ano que vem

    Melo fala a empresários e diz que concessão do DMAE sai no ano que vem

    O prefeito Sebastião Melo foi ao Quarto Distrito falar aos empresários da região.

    Quarto Distrito é o antigo bairro industrial de Porto Alegre. Já foi rico e progressista, entrou em decadência há 30 anos, quando as fábricas deram lugar às grandes lojas e setores de serviços na economia da cidade.

    A Associação dos Empresários  surgiu há 35 anos justamente da necessidade de encontrar uma nova vocação para aquela região, colada ao centro Histórico de Porto Alegre.

    Está empenhada em um projeto de revitalização, com estímulo a novas atividades ligadas à economia criativa e à inovação. Hoje são cinco bairros: Floresta, São Geraldo, Navegantes, Farrapos e Humaitá, pouco mais de 30 mil moradores no total.

    O evento, quinta-feira, 2/11,  foi na cervejaria Al Capone, instalada num antigo galpão industrial, um dos exemplos de adaptação aos novos tempos.

    Foi o primeiro evento presencial depois da pandemia, e o presidente Luiz Carlos Camargo, aproveitou para fazer um balanço do seu mandato, que encerra no fim do ano.

    Melo não deixou por menos: levou o vice-prefeito Ricardo Gomes, seis secretários e vários vereadores da base do governo e também fez um sucinto balanço de seu primeiro ano.

    Anunciou que no início do ano que vem vai mandar para Câmara o projeto para concessão do DMAE à iniciativa privada.

    Disse que empresas “estão de olho”, mas só terão chance as que aceitarem assumir também a drenagem urbana, numa alusão a um dos históricos problemas da região, os alagamentos constantes, por carência do esgoto pluvial.

    “Disse que o Quarto Distrito é um bairro pronto para a retomada, que vai ser impulsionada por mudanças no Plano Diretor. “Estou convencido: é melhor planos diretores regionais do que um grande plano diretor (aplausos ) Não pode tratar o quarto distrito, a zona norte como trata Petrópolis”

    Disse que está buscando com a procuradoria um caminho para dar um regime urbanístico diferenciado à região e usar o ganho que o empresário vai ter com mais altura por exemplo e investir na infraestrutura dos bairros.

    “Não tem crime nisso: se tenho 18 andares, posso construir 28,  o empresário vai ganhar, mas parte desses recursos tem que ir para mudar a rede, enterrar fios” (aplausos)

    Anunciou que o plano diretor do Quarto Distrito será o segundo a “sair da forma”, depois do plano do centro histórico.

    “Não posso contar tudo tem que falar primeiro com os vereadores, mas vai mudar muito essa região em termos de atratividade para o potencial de moradias,  uso misto porque não revitaliza apenas tendo empresas. Tem que ter gente morando na rua nas praças”. E sentenciou: “Se os ocupados não ocupam, os desocupados tomam conta”.

    Lembrou sua promessa de campanha de não aumentar impostos. “Vamos diminuir, já diminuímos para o setor de eventos, de 5% para 2%, setor de inovação a mesma coisa, assim como os setores de vídeo e call center, de 3% para 2%.

    Disse que o edital para privatização Carris está em preparo e “vai para rua”: “Vamos trabalhar com dois bicos: ou será vendida na inteireza, ou vamos liquidar terrenos, ônibus, linhas. “Uma coisa é certa: empresa pública não será mais. São 6,6 milhões por mês de prejuízos”.

    Sobre as medidas para enfrentar a crise do transporte coletivo, disse que os cobradores que irão gradativamente perdendo a função, terão cursos para se reposicionar no mercado.

    Justificou o corte de “seis ou sete isenções”: “É pobre financiando pobre, são R$ 25 milhões em dinheiro para pagar a passagem baixa renda”, que onera a passagem que todos pagam.

    Citou o estudante que paga 10 mil para estudar na PUC e tem passe livre no ônibus: “O estudante que não pode pagar, será isento, quem pode vai pagar’.

    As medidas, reconhece, são insuficientes para recuperar o equilíbrio do sistema: “Presisamos de um SUS do transporte público, um plano nacional. Por isso estaremos em Brasilia, 200 prefeitos vamos acampar na frente do Congresso”

    De passagem revelou que o “Quadrilátero Central”, eixo da revitalização do centro para os 250 anos está pela quarta vez com edital buscando investidor privado para as obras. “Está licitado, espero que desta vez apareça um licitante até dezembro.”..

    O centro tem lei aprovada para estimular o investidor, permitindo maiores alturas pelo mecanismo do “solo criado” e o uso misto. “Estamos pensando agora em dar desconto do IPTU para quem investir no centro”, disse Melo.

    Outro ponto polêmico que o prefeito está mexendo é o inventário dos imóveis para tombamento pelo patrimônio público, baseado numa lei de 2008.

    “Essa lei é uma gerigonça feita pela Sofia Cavedon e que o fogaça não deveria ter sancionado. Tá entupido de prédio listado, não adianta listar tudo e não preservar… liberamos mais de 500 imóveis este ano… A questão de Petrópolis é um caso seríssimo”.

    Ao final do balancete, feito em exatos 30 minutos, Melo passou ao vice-prefeito Ricardo Gomes que detalhou para  os empresários as iniciativas em andamento e planejadas para a revitalização do 4° Distrito.

  • Congresso do MDB: escolha do candidato fica para fevereiro

    Congresso do MDB: escolha do candidato fica para fevereiro

    O MDB realizou seu congresso estadual longe da curiosidade da imprensa.

    O congresso ocorreu no sábado e a primeira notícia foi publicada na coluna de Rosane de Oliveira, na GZH, domingo às 15h30,.

    O fato destacado foi o desagravo que o ex-governador Ivo Sartori fez ao secretário Cezar Schirmer, arrolado entre os testemunhas no processo da boate Kiss.

    A manifestação do ex-governador, aplaudida de pé,  soou como um lançamento da candidatura de Schirmer ao governo do Estado.

    Na verdade ao desagravar Schirmer,  Sartori conseguiu encobrir a disputa que tendia a se manifestar no congresso, entre o deputado Alceu Moreira e o presidente da Assembléia, Gabriel de Souza, pré-candidatos explícitos ao Piratini.

    Com o gesto, Sartori também afastou seu nome da disputa.

    Embora tenha apoio de setores importantes do partido, a começar por Pedro Simon, o ex-governador diz que não é candidato.  Pelo menos enquanto houver disputa, não é mesmo. Se houver unidade em torno de seu nome, ele pode mudar de ideia.

    A convenção que vai escolher o candidato do MDB está marcada para 19 de fevereiro. de 2022