RBS deve ampliar medidas de contenção de custos, além das demissões anunciadas

As demissões que o grupo RBS anunciou na sexta-feira, 24, serão complementadas por outras medidas, como a suspensão temporária dos contratos ou redução de jornada e de salários.

Os cortes já anunciados atingem em cheio a “redação integrada”, formada por 230 profissionais que produzem conteúdo para os jornais, rádios, tv e portais do grupo, o maior da região Sul.

Não foi possível precisar o número de demitidos até agora, nem confirmar o alcance das demais medidas de contenção de custos previstas.

O portal Coletiva, dedicado a carreiras e negócios na área de comunicação e marketing, informou na sexta-feira que a “readequação no quadro de funcionários” implicará no corte de 20 profissionais e o UOL disse que serão 25 demissões. Nas redes sociais circula uma lista com 31 nomes, sendo que nem todos foram afastados.

A empresa limitou-se a emitir uma nota afirmando que está “adaptando sua operação” para enfrentar os impactos econômicos da pandemia do coronavírus e “para estar preparada frente a um cenário ainda incerto”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, Vera Daisy Barcellos, disse ao JÁ que durante toda a tarde de sexta-feira tentou obter a informação  junto à empresa, sem resultado. “Pelo que conseguimos saber é em torno de 30, por enquanto”, disse ela.  A medida será efetivada em primeiro de maio.

Segundo a presidente do Sindicato, a redução temporária de jornada de trabalho e do respectivo salário poderá ser negociada individualmente com os empregados, seguindo as regras estabelecidas na Convenção Coletiva Emergencial, assinada no dia 20 de abril com o sindicato das empresas.

A redução poderá ser de 25%, 50% ou até 70%  da jornada, com a respectiva redução do salário. O empregado fará jus ao seguro desemprego, no percentual da redução do salário.

A cláusula décima da convenção emergencial permite também a suspensão do contrato de trabalho por 60 dias. Nas empresas com faturamento anual até R$ 4,8 milhões, o trabalhador fará jus a 100% do seguro desemprego. No caso das empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões, o trabalhador receberá 70% do seguro desemprego pago pelo governo e  30% do respectivo salário pago pela empresa.

Em seu balanço de 2019, a RBS Participações S.A., controladora dos veículos do Grupo RBS, registrou um lucro líquido de R$ 36,9 milhões.

O lucro líquido do grupo foi de R$ 47,9 milhões no ano de 2018.

Pelo balanço, o grupo tem uma estrutura financeira consistente, com uma liquidez corrente de 2,12 – ou seja, para cada R$ 1,0  que a empresa deve no curto prazo, conta com uma disponibilidade  de R$ 2,12.

Embora, nominalmente, tenha caído o saldo de recursos líquidos de caixa, vale destacar que, no exercício de 2019, não houve ingresso de faturamento proveniente de venda de participações acionárias, como em 2018. Além disto, nota-se uma considerável amortização de debêntures (títulos de dívida) com redução do Passivo Circulante de um ano para outro, o que torna a situação bastante positiva.

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