Categoria: Geral

  • Distribuidoras estimam perdas de R$ 100 milhões em desvios de energia no RS

    As duas distribuidoras do Grupo CPFL Energia no Rio Grande do Sul (RGE e RGESul) fizeram, entre janeiro e julho deste anos, 87 mil inspeções na rede de distribuição para detectar adulterações e conexões clandestinas, os populares gatos.
    Em 22 mil delasfoi identificado algum tipo de problema.  Esse tipo de prática, além de crime tipificado no Código Penal, compromete todo os sistema de abastecimento das cidades, uma vez que pode ocasionar falhas e sobre cargas na rede.
    A estimativa é de até o final do ano as duas distribuidoras, juntas, recuperem o montante de R$ 97,8 milhões em energia desviada do sistema.
    De acordo com dados da Gerência de Serviços de Recuperação de Energia da RGE e RGE Sul, neste ano foram intensificadas as ações conjuntas com a Polícia Civil gaúcha. Todos os meses, em média, dois clientes foram flagrados e autuados em flagrante pela Polícia pelo furto de energia elétrica.
    Mesmo que as ações policiais tenham foco principal os clientes comerciais e empresariais, as operações da RGE e RGE Sul também abrangem os clientes residenciais, que integram a maior parcela dos clientes ativos.
    Segundo o gerente Alexsandro da Silva Souza, nas inspeções nas unidades consumidoras, quando há o flagrante de irregularidades, são feitos os cálculos da quantidade de energia furtada e o consumo que não passou pela medição é cobrado.
    “Além disso, as ações da gerência incluem o desligamento de ligações em invasões e áreas não regulamentadas pelo poder público. O modelo utilizado atualmente é tão eficiente que é uma questão e tempo para identificar quem frauda ou furta energia elétrica“, explica Souza.
    Para identificar os fraudadores, além das inspeções de campo, os profissionais trabalham com o cruzamento de dados de consumo e inteligência artificial, que permitem identificar com mais precisão possíveis fraudes.
    Rastrear e fazer o desligamento dessas ligações clandestinas é uma questão pública. Esse procedimento evita acidentes graves e fatais. Também ajuda a evitar curtos-circuitos que afetam a rede e que, em muitos casos, provocam o desligamento e a queima de equipamentos e eletrodomésticos de toda uma vizinhança.
    As ligações irregulares também são responsáveis pela sobrecarga da rede de energia elétrica que deixa o sistema de distribuição mais suscetível à interrupção.
    “A regularização destes clientes não apenas traz cidadania para essa parcela da população, como também beneficia todos os consumidores com um serviço de melhor qualidade”, afirma Alexsandro Souza.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Pesquisadoras da Zoobotânica podem ajudar a conter mexilhão dourado no Guaíba

    Cleber Dioni Tentardini
    A decisão da Justiça Federal para que o Estado do Rio Grande do Sul elabore um projeto a fim de controlar o mexilhão dourado no lago Guaíba deve envolver a Fundação Zoobotânica do RS. Isso porque é no Museu de Ciências Naturais, vinculado a essa instituição que o governo quer extinguir, onde trabalham as únicas duas especialistas, chamadas malacólogas, a serviço do Estado. São as biólogas Ingrid Heydrich e Janine Oliveira Arruda.
    A bióloga Ingrid Heydrich participou de um grupo de estudos que, entre os anos de 1998 e 2000, fez levantamentos e revelou os primeiros dados qualitativos e quantitativos do mexilhão dourado no Delta do Jacuí, no Lago Guaíba e na Laguna dos Patos. Envolveu pesquisadores brasileiros e argentinos. Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Zoologia, em março de 2003.
    Janine Oliveira Arruda é malacóloga do MCN/FZB desde 2014. É taxonomista, capacitada a identificar e descrever novas espécies, e curadora das coleções de moluscos.
    A determinação do TRF4 envolve também o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama. Sua assessoria informa que foi contratado o biólogo Daniel Pereira, em Porto Alegre, para elaborar um diagnóstico e propor estratégias de manejo do molusco. Daniel está formando a equipe de pesquisadores e tem até dezembro para entregar o estudo, segundo o órgão federal.

    Um sob o outro num pedaço de madeira, dominam o espaço

    O mexilhão é uma espécie invasora, proveniente da Ásia, que provoca modificações na qualidade de água, problemas às companhias de abastecimento e às hidrelétricas e alterações nos ambientes, causando inclusive a morte de outras espécies. O molusco chegou até o Rio Grande do Sul através da água de lastro dos navios. Ele se fixa em um objeto ou local, e um sob o outro acabam por obstruir os canos. Técnicos da Corsan e do DMAE seguidamente enfrentam transtornos com essa espécie exótica. Nas hidrelétricas, prejudicam o sistema de resfriamento. Em 2003, foi criada até uma força tarefa para combater o mexilhão dourado em todo o país.
    Danos ambientais no Guaíba: modificam paisagens nos juncais, nas praias e sufocam espécies nativas/Divulgação

    Especialista alerta para extinção de espécies nativas
    O que mais preocupa a bióloga Janine é a ausência de um plano de manejo para as espécies exóticas e de leis mais restritivas que protejam os ambientes naturais e as espécies nativas. “Os moluscos não fazem mal a ninguém. Estão ali se alimentando, são herbívoros, servem como bio-indicadores de qualidade ambiental, como outros animais. Eles próprios servem de alimento para os lagartos e as saracuras, que são famosas comedoras de moluscos”, ressalta Janine.
    É preciso preservar ambientes naturais , diz especialista/Foto Cleber Dioni

    No entanto, algumas espécies de moluscos podem trazer transtornos, e até se tornarem pragas, como o mexilhão dourado. Outra espécie encontrada na maioria dos estados é a Achatina fulica, nome científico para o caramujo gigante africano, introduzido no Brasil sem controle sanitário para fins comerciais, acabou tornando-se muito comum no país e virou uma praga, principalmente agrícola. No Rio Grande do Sul ainda não foi registrada oficialmente essa espécie.
    Natural de Dores do Indaiá, distante cerca de 290 km de Belo Horizonte, formou-se em biologia em 2004 pela Universidade Federal de Minas Gerais e, no ano seguinte, arrumou as malas e embarcou para Porto Alegre. Como já tinha estado na capital gaúcha em 2003, onde fez um estágio de três semanas na PUC com o professor Thomé, lhe chamou à preferência para dar continuidade aos estudos no Sul a presença deste e da professora Mansur.
    Começou com estágio em 2001, em Minas, fazendo pesquisas com uma lesma que viria a ser seu objeto de estudos durante toda a vida acadêmica. Aos 36 anos, já tem curso de doutorado em sua especialidade, uma lesma do gênero Omalonyx, que tem seis espécies descritas e ocorre em toda América do Sul e no Caribe.
    Lesmas do genero…

    ..Omalonyx/Juliane Picanço

     
     
     
     
     
    As lesmas que Janine estuda ficam entre os ambientes terrestre e aquático. Eles não andam na terra e não ficam dentro d’água. São encontrados nas plantas aquáticas. Fica na borda de açudes.
    Uma parte da parede da sala da bióloga no Museu é coberta de cópias de vários sistemas reprodutores dos moluscos que ela pesquisa. Acontece que as maiores características que diferenciam as espécies são o pênis.
    Janine explica que não existe uma frequência determinada para os moluscos colocarem ovos, mas acredita que a frequência aumente em épocas mais quentes.
    Os moluscos são hermafroditas, ou seja, não precisam de outro indivíduo para se reproduzirem. “Mas, preferem o acasalamento, a troca de variabilidade genética”, garante a pesquisadora.
    Especialidade atrai poucos alunos
    Comparativamente com outras áreas, pode-se dizer que há poucos malacólogos hoje no Brasil, porque os grandes pesquisadores de moluscos já estão aposentados, segundo Janine. “Como são grupos bem difíceis de estudar, não atraem muito os estudantes”, lamenta.
    Thalita faz pesquisas no JB

    Mas, no MCN/FZB há dois bolsistas de iniciação científica no setor de Malacologia. A Thalita Miller, estudante do 5º semestre da Biologia da Unisinos, bolsista há dois anos e meio na FZB, onde desenvolve o projeto Levantamento da Malacofauna do Jardim Botânico de Porto Alegre.
    “Como aqui é muito grande, dividimos o terreno em áreas e estamos pesquisando para ver se há espécies novas de moluscos aqui, depois vamos comparar com estudos mais antigos”, explica.
    O Thiago Antoniazzi, do 5º semestre de Biologia da Ufrgs, e bolsista há um ano na Zoobotânica, onde estuda a Morfologia de conchas de bivalves de água doce Anodontites. “Desde criança sempre tive interesse pelos moluscos”, diz.
    Thiago diz que desde criança tem interesse pelos moluscos

    Estado tem cinco moluscos na ‘lista vermelha’
    A lista de espécies da fauna gaúcha ameaçadas de extinção, também chamada de lista vermelha, inclui duas espécies de molusco terrestres (Anthinus henseli e Megalobulimus proclivis-aruá-alongado, que só se encontra no Estado) e três marinhas (Olivancillaria contortuplicata, Olivancillaria teaguei e Olivella formicacorsii). Essa relação é de 2014. A próxima lista deve sair em 2018.
    Equipe da FZB coleta moluscos no Guaíba/Divulgação

    “A extinção de qualquer espécie compromete o delicado e dinâmico equilíbrio ambiental pois uma serve de alimento para outra, serve de substrato para outros organismos, então qualquer alteração no ambiente gera impacto em outros animais e/ou plantas”, alerta Janine.
    Museu é referência em pesquisas no Brasil
    Setor de Malacologia, da Seção de Zoologia de Invertebrados, do Museu de Ciências Naturais/FZB. Por aqui passaram alguns dos maiores especialistas em moluscos do Brasil: José Willibaldo Thomé e Maria Cristina Dreher Mansur.
    A professora da Ufrgs, hoje aposentada, ainda é a principal referência em moluscos bivalves de água doce, animal caracterizado por possuir uma concha que se divide em duas partes, muito comum também em espécies marinhas. Foi ela quem coordenou as pesquisas para produção do livro Moluscos Límnicos Invasores no Brasil.
    O professor Thomé, falecido há pouco mais de um ano, era um dos maiores especialistas no estudo dos moluscos terrestres no Brasil. Foi um dos primeiros pesquisadores do então Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, ao lado de Ludwig Buckup, Thales de Lema e do padre jesuíta Balduíno Rambo.
    Coleção de conchas/Fotos Cleber Dioni

    Coleção de moluscos

    A coleção de moluscos da MCN/FZB está entre as quatro maiores do Brasil, com mais de 41 mil lotes. Um lote pode conter de uma até cem ou duzentas espécimes. São duas coleções, na realidade: José Willibaldo Thomé e Eliseo Duarte. Esta última foi adquirida com verba do CNPq de um colecionador uruguaio, que foi homenageado com o nome da coleção. Possui cerca de 20 mil lotes. A outra coleção recebeu o nome de seu maior incentivador. Ambas as coleções possuem material dos cinco continentes nos ambientes marinhos, de água doce (límnicos) e terrestres.
    Lotes com mais de cem espécimes cada

    Coleção de conchas

    Destacam-se em âmbito nacional, também, as coleções dos museus da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande – Furg e a do Museu Nacional, no RJ.
    Biólogas serão coautoras de obra internacional 
    Prof Maria Cristina Mansur/Foto Cleber Dioni

    A bióloga Maria Cristina Mansur é incansável. Começou como estagiária em 1964 no Museu Rio-grandense de Ciências Naturais, na época ainda era um departamento da Secretaria de Educação e funcionava próximo à Santa Casa. Formada em Historia Natural pela PUC gaúcha, deu aulas na Ufrgs e trabalhou como pesquisadora da Fundação Zoobotânica até se aposentar.
    A professora, no entanto, ainda pode ser vista com frequência no Museu, envolvida em pesquisas e passando orientações aos pesquisadores. Ela foi convidada junto com Janine a participar da 4ª edição do livro Ecologia e Classificação de Invertebrados de Água Doce, editado pelos renomados pesquisadores norte-americanos J. H. Thorp e A. P. Covich.
     
    Janine Oliveira Arruda / Foto Cleber Dioni

    Janine vai escrever nesse livro sobre as lesmas Omalonyx e outros caracóis. O trabalho busca falar sobre a biologia, ecologia, importância econômica, sistemática, taxonomia, chave de identificação e métodos de preparação e preservação das espécies de Succineidae.
    A obra é um manual de referência sobre os invertebrados das águas interiores do mundo e destina-se aos profissionais de universidades, agências governamentais e empresas privadas, bem como estudantes de graduação e pós-graduação.
    Maria Cristina Mansur foi a primeira bolsista do professor José Willibaldo Thomé. “Foi meu grande orientador. Ele trabalhava com gastrópodes terrestres, e me indicou estudar os bivalves de água doce. Eu não sabia nada, então tive bolsas de iniciação científica, até que, em 1968, fui a Santa Fé, na Argentina, visitar o Instituto Nacional de Limnologia, um laboratório maravilhoso, com grandes tanques de piscicultura, e onde trabalhava o doutor Bonetto, um cientista de renome internacional especialista em animais de agua doce. Naquela época, eles já controlavam os peixes e moluscos no rio Paraná e a extração de pérolas dos bivalves de água doce”, lembra.
    Buckup e Thales de Lema iniciaram coleções
    O mestre Willibaldo Thomé

    O acervo malacológico iniciou em 1955 com as coleções de conchas doadas por Ludwig Buckup e Thales de Lema e a transferência do Acervo Histórico do Museu Julio de Castilhos. Mais tarde, foi assumida por Willibaldo Thomé.
    Abriga moluscos marinhos, terrestres e de água doce e contém espécimes de valor histórico com cinco lotes coletados por Reinhold Hensel no RS, entre 1864 e 1866, e identificados por Eduard von Martens, 1868.
     
     
    RS está livre do caramujo gigante africano
    Há uns anos atrás apareceram notícias nos telejornais em que os moradores de Santa Catarina relatavam apavorados terem encontrado centenas de moluscos gigantes nos pátios de casa. É o caramujo gigante africano.
    A comunidade científica considera essa espécie invasora uma das cem piores do mundo, por causar sérios danos ambientais.
    Caramujo gigante africano, espécie invasora

    O primeiro registro no Brasil foi um trabalho científico de 1975, relatando a ocorrência em Juiz de Fora, Minas Gerais. Em 1988, o caramujo africano foi apresentado em uma feira agropecuária no Paraná como uma forma barata de substituir o escargot na gastronomia. Quando o negócio não deslanchou como o prometido, foram liberados no ambiente. Sem predadores naturais no país, esses animais se proliferaram sem controle algum por quase todos estados.
    “Ainda não chegou ao Rio Grande do Sul, pelo menos ainda não há registros comprovados, mas é questão de tempo”, acredita Janine.
    Segundo ela, um pesquisador venezuelano Ignácio Agudo, identificou em uma área no Distrito Industrial de Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, um caramujo como sendo o Achatina fulica, mas não comprovou sua descoberta. Uma equipe da Fundação Zoobotânica investigou o local em que ele afirmou ter visto e não encontrou nada.
    “Perguntei a ele onde estava guardado o animal, mas ele disse que não havia coletado, só fotografado. Falamos com moradores, comerciantes, mostramos fotos, e ninguém viu esse caramujo. Descartamos parcialmente o aparecimento dele no Estado porque onde aparece um, normalmente existem muitos outros. Eles se reproduzem em larga escala. E como são grandes, assustam, chamam a atenção nas lavouras, em pátios, lixões. Devoram tudo por onde passam”, afirma Janine.
    Reproduzem em larga escala e devoram tudo por onde passam

    O mesmo pesquisador fez um registro na Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas invasoras (I3N Brasil) para o caramujo gigante africano em Torres, litoral Norte, mas a Vigilância Sanitária do Município não confirmou o aparecimento da espécie. E o Centro Estadual de Vigilância Sanitária não tem registros do molusco em nenhum município gaúcho, segundo sua assessoria de comunicação.
    Ameaça à fauna e a outras espécies
    “Além de competir com as nativas, o gigante africano é muito voraz, come tudo o que vê pela frente, plantações, jardins, e há registros dele comendo jornais e revistas e até outros moluscos, configurando o canibalismo”, alerta Janine.
    A espécie adapta-se muito facilmente. Carrega consigo uma concha marrom escura com listras esbranquiçadas, no formato de um cone. Os indivíduos adultos podem pesar meio quilo e chegar a 20 cm de comprimento. Podem realizar até cinco posturas por ano, com 50 a 600 ovos por postura.
    Podem colocar centenas de ovos

    Os ovos são pouco maiores que uma semente de mamão, branco-amarelados, que poderão ser enterrados ou depositados em uma superfície, como folha, ou sob uma pedra.
    Além dos prejuízos ambientais, são potencialmente transmissores de doenças aos animais e seres humanos, quando infectados por vermes. Os parasitas, do gênero Angiostrongylus, podem causar doenças abdominais, cujo sintoma é como se fosse uma apendicite, e até meningite, o que é mais grave e, inclusive, já foi detectado na espécie em 2007, na Fundação Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz.
    Ativo no inverno, resistente ao frio e à seca, geralmente passa o dia escondido e sai para se alimentar e reproduzir à noite ou durante e logo após as chuvas.
    SC criou Programa de Espécies Exóticas Invasoras
    Santa Catarina criou o Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras onde produz e divulga materiais informativos sobre formas eficazes de controle de espécies invasoras, especialmente para conter a dispersão do caramujo gigante africano, que pode ocorrer também de forma acidental através do transporte.
    A bióloga Luthiana Carbonell dos Santos, da Gerência de Unidades de Conservação e Estudos Ambientais, da Fundação do Meio Ambiente (FATMA), de Santa Catarina, explica que os métodos de controle utilizados são eficazes para redução da proliferação e devem ser realizados continuamente, uma vez que a espécie se reproduz o ano todo. Além disso, o potencial invasor e a severidade dos impactos causados pelas invasões podem ser intensificados em razão das mudanças climáticas.
    “No caso do Rio Grande do Sul, há um cenário positivo para o controle. Assim, como o caramujo gigante africano, muitas outras espécies são introduzidas sem a devida análise de risco de invasão e biossegurança, e é importante aprendermos com os equívocos do passado para evitá-los no futuro. Temos no Brasil um litoral extenso com alta diversidade de espécies de peixes, no entanto, cogita-se a introdução do peixe panga (Pangasius hypophthalmus) espécie com histórico em outras partes do mundo, e cujas análises de risco resultaram em alto risco de invasão. Por isso, é de suma importância que a introdução de uma nova espécie seja precedida de análise de risco de invasão, estudos de biossegurança e de viabilidade de mercado”, completa.

  • Marchezan diz que "destravou" obra anunciada duas vezes por Fortunati

    A drenagem do arroio Areia, na zona Norte de Porto Alegre, anunciada pelo prefeito Nelson Marchezan na terça-feira (22) rendeu manchetes em pelo menos duas oportunidades durante a gestão de José Fortunati.
    Em julho de 2015, Fortunati apresentou “o maior projeto de drenagem da história de Porto Alegre” – um conjunto de obras que contaria com R$ 237 milhões do PAC para evitar as enchentes em 19 bairros cortados pelos arroios Areia (14 bairros)  e Moinhos (5 bairros), nas zonas norte e leste da cidade.
    Fortunati anunciou, na época, a abertura da licitação para as obras e previu sua conclusão em quatro anos e meio, a partir de março de 2016.
    Em 23 de dezembro de 2016, Fortunati convocou a imprensa novamente para a assinatura do contrato, que seria encaminhado ao ministério das Cidades para a liberação dos recursos. O início foi previsto para o “primeiro semestre de 2017”.
    Agora, o prefeito Nelson Marchezan, após audiência com o ministro das cidades, Bruno Araújo (um dos ministros do PSDB no governo Temer), anunciou que “a obra foi destravada em Brasilia” e que na sexta-feira, 25, Araújo estará em Porto Alegre “para assinar a autorização de início dos projetos e execução de obras da Bacia Hidrográfica do Arroio Areia”.
    Com recursos a fundo perdido do governo federal, serão investido R$ 100 milhões para projetos e obras de implantação de sete mil metros de galerias pluviais, ampliando o sistema de macrodrenagem e evitando os constantes alagamentos existentes na região.
    “São recursos importantes, porque são a fundo perdido, são recursos do Tesouro Nacional, e são para enfrentar uma situação constrangedora para os habitantes desses 14 bairros que sofrem com os alagamentos”, disse o prefeito.
    Também está prevista a construção de sete bacias de amortecimentos de cheias (grandes reservatórios que contém a água da chuva, evitando alagamentos) e a reforma e ampliação da casa de bombas Sílvio Brum, localizada na avenida Sertório.
    Atualmente, esta casa de bombas funciona com menos da metade de sua capacidade e apresenta problemas nas comportas (em caso de elevação do Guaíba, ocorre retorno de água por vazamentos) com riscos de acidentes.
    As obras ajudarão a eliminar pontos históricos de alagamentos em Porto Alegre, como na Nilo Peçanha com Teixeira Mendes e nas proximidades da Avenida Sertório.
    “Temos assistido ao longo do tempo o grande dano que alagamentos provocam nessas regiões. Os recursos necessários estão garantidos e podemos avançar bastante nessa obra”, diz o ministro Bruno Araújo.
    A obra vai atender 14 bairros
    Boa Vista, Chácara das Pedras, Cristo Redentor, Higienópolis, Jardim São Pedro, Jardim Floresta, Jardim Carvalho, Passo D’Areia, Santa Maria Goretti, São João, Três Figueiras, Vila Ipiranga, Bom Jesus e Vila Jardim.
    Ruas e avenidas que receberão intervenções
    Ruas Ibirapuitã, Marechal José Inácio da Silva, Cel. Feijó, Sapé, Roque Callage e avenidas do Forte, Sertório, Plínio Brasil Milano, Carneiro da Fontoura, Visconde de Pelotas, Anita Garibaldi, General Emílio Lúcio Esteves, Teixeira Mendes, Nilo Peçanha e Assis Brasil.
     As praças onde serão feitas as bacias de contenção
    1 – Praça Lopes Trovão – capacidade de armazenamento de 4.860m³.
    2 – Praça Luis Blessman – capacidade de armazenamento de 7.020m³.
    3 – Country Club  – capacidade de armazenamento de 26.000m³.
    4 – Praça Irani Bertelli – capacidade de armazenamento de 4.600m³.
    5 – Praça Fortunato Pimentel  – capacidade de armazenamento de 8.190m³.
    6 – Reservatório rua Mal. Simeão – capacidade de armazenamento de 3.400m³.
    7 – Reservatório rua Gal. Couto De Magalhães – capacidade de armazenamento de 3.360m³.
     

  • Revisão do IPTU sofre resistência na Câmara de Vereadores

    Felipe Uhr
    O secretário municipal da Fazenda Leonardo Busatto esteve nesta quarta-feira na Câmara de Vereadores apresentando o projeto da Prefeitura de Porto Alegre que altera o IPTU. Diante dos 36 parlamentares, o titular da Fazenda expôs, através de slides, os motivos de uma revisão do imposto sobre os imóveis, o que não acontece há 26 anos.
    O governo propõe:

    • alíquota zero para imóveis com valor até R$60 mil
    • 0,4% para imóveis com valor entre R$ 60 e R$ 100 mil
    • 0,5% para imóveis com valor entre R$ 100 e R$ 300 mil
    • 0,6% para imóveis com valor entre R$ 300 e R$ 500 mil
    • 0,7% para imóveis com valor entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão
    • 0,8% para imóveis com valor de mais de R$ 1 milhão

    Motivos 
    Em sua apresentação para o IPTU progressivo, o secretário classificou como o atual IPTU de injusto e argumentou, e apresentou exemplos de  imóveis em que o valor de IPTU cobrado é diferente para imóveis com mesmo valor de mercado, pois o  valor venal de cada um é diferente. Há hoje em Porto Alegre, segundo os dados da Fazenda, 5,3 mil imóveis com valor venal de R$ 45 mil reais e que na realidade valem mais.
    Se o projeto for aprovado, 60 mil novos imóveis terão isentados o seu IPTU, 142 mil terão redução e 441 mil sofrerão reajustes.
    “A cidade cresceu, imóveis valorizaram, outros se desvalorizaram. Há uma desatualização de 26 anos que precisam ser corrigidos. Trouxemos esse debate para dentro da Câmara, os técnicos estão à disposição” justificou Busato.
    Vereadores divergem do projeto do Executivo
    Vários foram os questionamentos feitos pelos vereadores. João Bosco Vaz (PDT) criticou declarações do secretário que colocariam os clubes “como grandes vilões” pelas distorções no IPTU. Também contradisse Busatto quanto ao número de clubes existentes na cidade e que passariam a pagar IPTU, e citou a entidade Clarão da Lua, que não existe mais. Já Camozzato considerou o IPTU progressivo ” um crime”, pois ‘parte do princípio de que patrimônio e ganho de renda andam juntos. Ela pune ainda mais quem teve patrimônio valorizado.” justificou. Já a vereadora Sofia Cavedon (PT) defendeu o IPTU social, para quem mora na periferia e que terrenos usados para especulação urbana deveriam ter taxados diferentemente. A vereadora Fernanda Melchionna também salientou o mesmo problema: “É preciso haver a taxação dos vazios urbanos e imóveis abandonados durante décadas esperando valorização imobiliária.”
    Líderes da base defenderam revisão do imposto
    Já os vereadores da base Clàudio Janta (SDD) e Moisés Maluco do Bem (PSDB) se posicionaram a favor da revisão do IPTU. Janta defendeu a cobrança do imposto para clubes com grande rendimento como Grêmio e Inter.
    Corre nos bastidores da Câmara que o Executivo hoje não tem os votos necessários para aprovar o projeto. Para valer já para o ano de 2018 a revisão do IPTU, a aprovação da medida tem de ocorrer até o dia 29 de setembro. Se não for votada antes disso, o IPTU novo só valera para o ano de 2019. O governo tem pressa e acha que um mês é suficiente para que a proposta seja discutida e aprovada. “Esse tema já vem sendo discutido pelo legislativo antes de ter chegado aqui, temos a certeza de que até vamos chegar no melhor para a cidade e de um jeito que a Câmara aprove” salientou Busato.
     

  • TVE quer parceria com setor audiovisual para lançar edital de R$ 20 milhões

    Matheus Chaparini
    Na entrega do prêmio Aquisição TVE, em Gramado, no último final de semana, o presidente da Fundação Piratini, Orestes de Andrade Júnior, fez uma provocação aos profissionais do setor audiovisual: “eu quero falar de parceria porque o futuro da TVE passa pela parceria com o setor audiovisual gaúcho.” Orestes afirmou que o estado já foi o terceiro do país no setor e hoje não figura nem entre as dez.
    “Chegou a hora de recuperar este espaço. Temos que trabalhar para, no ano que vem, lançar um edital superior a 20 milhões de reais para colocar na indústria audiovisual do RS. Eu peço a parceria de vocês para isso”, afirmou, citando a parceria com a EGR (Empresa Gaúcho de Rodovias), que possibilitou a premiação.
    Orestes afirmou que a TVE foi a primeira emissora pública a lançar um edital do tipo. Realizado pela gestão anterior, do presidente Pedro Osório, em 2014, o edital PRODAV-01/2014 disponibilizou quase R$ 4 milhões (R$ 3.930.000) para a produção audiovisual. Entre 65 séries e documentários inscritos, foram selecionadas cinco, que começam a ir ao ar ainda este ano.
    Para a exibição, a emissora precisa pagar para a Ancine uma contrapartida, de cerca de R$ 300 mil, pelo direito de exibição. A direção está buscando parcerias privadas para este investimento. Da mesma forma, se for viabilizado o novo edital, será necessária uma contrapartida, que fica entre 7,5% e 10%.
    Fundo do audiovisual terá R$ 1 bilhão por ano
    Os recursos para estes editais vem do Fundo Setorial Audiovisual, recurso repassado pela Ancine através do BRDE. No início deste ano, o diretor de Planejamento do BRDE, Luiz Corrêa Noronha, anunciou que o banco vai repassar R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos. Estes recursos são destinados a todas as etapas de produção de curtas, longas, documentários e séries, além da criação de novas salas de cinema no interior do país.
    Em 2013, primeiro ano de atuação do BRDE junto ao Fundo, foram viabilizados 66 contratos, no valor total de R$ 68,2 milhões. Em 2016, o número de contratos foi de 580 e o valor repassado chegou a R$ 343,8 milhões.
    Nomeado por Sartori para fazer a transição das emissoras, com o processo de extinção da Fundação Piratini, Orestes afirma que, para viabilizar o edital, primeiro é necessário resolver a situação da TV. Atualmente, a extinção das fundações está sendo discutida na Justiça do Trabalho, entre governo e sindicatos representativos das categorias envolvidas.
    Séries contempladas vão ao ar em outubro
    A série Turma 5B, da Prana Filmes, já está em fase final e tem previsão de exibição para outubro deste ano. A série de treze episódios conta a história de uma turma da quinta série do Colégio General Coelho: a mais enlouquecedora e inteligente que já existiu, levando os professores ao limite. Para evitar que todos peçam demissão, a diretora contrata um novo conselheiro educacional: Ricardo, a esperança do corpo docente.
    Os outros selecionados foram “Um lugar para estar”, da Estação Elétrica, na faixa doc turismo; “Família Pereira”, da Saladamidia, doc cultura criativa; “Formigas”, da Gusgus Cinema; ficção para adolescentes; “Inimigo Interno”; da Margem Cinema Brasil, ficção para adultos.

  • Revista "Brasileiros" suspende edição impressa e migra para o digital

    A revista Brasileiros, fundada há dez anos em São Paulo, está migrando da mídia impressa para a eletrônica., na qual já vinha operando.
    A revista mensal de 100 páginas ficou insustentável desde a perda de anúncios do governo federal a partir do impeachment de Dilma Rousseff.
    O projeto continua sob a direção de Helio Campos Mello, ex-veja, ex-istoé, mas mudou boa parte da equipe, na qual despontaram, desde o início, o editor Nirlando Beirão e o repórter Ricardo Kotscho, ex-assessor de imprensa do presidente Lula.
    Não é um projeto petista, mas tinha o DNA de veículos de centro-esquerda como Caros Amigos, GGN, Viomundo, 247 e outros menos visíveis.
    Numa mensagem aos amigos, assinantes, colaboradores, leitores e torcedores em geral, o diretor Helio Campos Mello escreveu que a revista Brasileiros (mais a Cultura, um subproduto também mensal) passa a ser “especial”, isto é, será editada “quando houver oportunidade para tal”, quem sabe quatro vezes por ano, dependendo da disponibilidade de “combustível” ou, seja, anunciantes ou patrocinadores.
    A revista Arte!Brasileiros, que se encaixou num nicho exclusivo, continua bimestral.
    Foi, portanto, uma virada do impresso para o eletrônico. “Depois de diminuir o tamanho do barco, tripulação inclusa, concentramos esforços no paginaB!, portal com a mesma pegada editorial mas com desenho mais contemporâneo”, diz Campos Mello, destacando que o projeto continua buscando refletir a realidade brasileira, contando inclusive com novos colunistas como Renato Janine Ribeiro, Sérgio Vaz, Peter Pal Pelbert e outros. O novo editor é Paulo Motoryn, da “nova guarda”.
    A mudança. anunciada no dia 22 de agosto.
    “HORA DE VIRAR A PÁGINA
    A Brasileiros foi fundada dez anos atrás no embalo de um País mergulhado na democracia, que buscava crescer economicamente e pretendia dar voz a seus cidadãos.
    A liberdade de se expressar, o respeito às diferenças, o cuidado com o outro, formavam parte dos princípios da revista e de um momento nacional e internacional que acompanhava o melhor da contemporaneidade.
    Conseguíamos desenvolver seminários públicos, com acesso gratuito a milhares de pessoas, nos quais especialistas discutiam “como se faz um País”. Neste período, desenvolvemos inúmeras iniciativas editoriais ligadas à inovação, política, economia, arte e cultura.
    Contudo, há três anos, este cenário mudou. Instaurou-se um quadro de esfacelamento nacional, de recursos escassos. A classe média foi impelida a pagar a conta e enormes grupos que, na fartura de antes, ganharam inclusão social, perderam seu poder de compra. Pior foi que aquela oportunidade  de acesso, se possibilitou a compra de geladeiras e televisões, passou ao largo da obtenção do capital cultural, necessário para crescer efetivamente.
    Diante disto, mídias capazes de nos fazer refletir sobre o momento que vivemos tornam-se ainda mais fundamentais. Mídias que tenham como premissa o rigor editorial. Por isso, a Brasileiros se reposiciona perante o mercado, desenvolvendo um novo produto, que terá conteúdo desenvolvido com foco na reflexão: o novo portal páginaB!
    Mantendo nossos princípios, seguindo a sólida linha editorial das revistas, o páginaB! privilegiará em ambiente digital análises, grandes reportagens, belíssimas imagens, artigos e, como sempre, o cuidado com o leitor. Este projeto dará espaço de forma especial à linguagem de vídeo. Entrevistas com especialistas em literatura, arte contemporânea, comportamento, educação, antropólogos, filósofos, economistas, psicanalistas que semanalmente terão destaques por tema.
    As revistas Brasileiros e CULTURA!Brasileiros em formato impresso ganharão edições especiais e deixarão de circular mensalmente. A ARTE!Brasileiros continuará a ser impressa bimestralmente.
    Vamos virar a página. O portal páginaB nasce em agosto de 2017 para reforçar mais uma vez um dos ideais da Brasileiros, de que reflexão é o que conta.
    Continue conosco. Acesse www.paginab.com.br

  • Vereador quer plebiscito para decidir sobre privatização do DMAE

    O vereador Aldacir Oliboni (PT) protocolou nesta quarta-feira (23) emenda ao projeto do governo municipal que visa à terceirização dos serviços do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), a fim de que a população seja consultada por meio de plebiscito.
    O projeto encaminhado em julho à Câmara pelo Executivo visa alterar a Lei Orgânica Municipal para permitir ao Dmae terceirizar o abastecimento de água e a captação e tratamento do esgoto.
    Contrário à proposta do governo, Oliboni prefere que o prefeito Nelson Marchezan Júnior recue, retirando de tramitação o projeto de Emenda à Lei Orgânica. Mas apresentou a emenda para o caso de o projeto entrar em votação. Assinam em apoio a emenda do petista outros doze vereadores.
    A argumentação de Oliboni é de que os serviços prestados pelo Dmae são de relativa qualidade, nada garantindo que este padrão seja mantido em caso de terceirização. Lembra que as experiências de privatização dos serviços de abastecimento de água de que se tem conhecimento no Brasil levaram a queda da qualidade e aumento dos preços. “A água, símbolo da vida, é um direito fundamental do cidadão, que não pode ficar submetido às injunções do mercado”, afirma.
    (com Assessoria de Imprensa)

  • Técnicos de universidades e empresas públicas manifestam apoio às famílias Mbyá Guarani, em Maquiné

    Ana Barros Pinto
    Perto de completar sete meses da retomada das suas terras ancestrais em Maquiné, no Litoral Norte gaúcho, as 27 famílias Mbya Guarani já plantam milho e mantêm boas expectativas para permanecer no local, uma parte da área da extinta Fepagro. O processo de reintegração de posse já foi suspenso por três vezes enquanto se tenta negociar uma composição com a permanência dos indígenas e a continuidade da pesquisa.
    A Associação dos Servidores da Fepagro (Assep) considerava impossível a convivência da pesquisa com os Mbya na área e está debatendo essa possibilidade com seus associados. Pesquisadores antigos – a maioria dos diretores estava na criação da Fepagro -, eles consideram legítimos os movimentos sociais e não são contrários aos indígenas em Maquiné, apenas se preocupam com o compartilhamento da área por conta de problemas anteriores em outros locais, disseram na última reunião da Comissão de Direitos Humanos, da Assembleia Legislativa.
    Participaram da reunião técnicos do Estado (Sema e SDR), professores da Ufrgs e Uergs, os caciques André Benites e Joel Pereira, pelo Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI), Merong Santos e representantes da Raiz Movimento Cidadanista que  defenderam a possibilidade de uma gestão compartilhada da área, que leve em consideração a manutenção da pesquisa científica associada ao conhecimento tradicional dos índígenas.
    Esse processo já iniciou em meados de julho, em reunião técnica na aldeia Mbya, quando se debateu a possibilidade de pesquisa que integre a ciência não indígena com o conhecimento tradicional indígena. Foi ressaltado o conhecimento milenar dos Mbyá Guarani na conservação e propagação de sementes tradicionais. Só de milho há uma infinidade de variedades. E como diz um pesquisador da Embrapa – Clima Temperado: “Os guaranis são os guardiões de sementes”.

    Foto: Ana Barros / JÁ

    Técnicos e pesquisadores da Ufrgs, Uergs, IFRS, Embrapa, Emater, Sema, CTI, Aepim e Anama, apoiam os indígenas e que se propõem, junto com os Mbya e pesquisadores da Secretaria da Agricultura, a realizar pesquisas, incentivando a geração de saberes intercientíficos. O grupo avalia que uma pesquisa assim inovadora possui grandes chances de obter apoios financeiros de institutos nacionais e internacionais.
    “A Ufrgs realiza projetos de ensino, pesquisa e de extensão com a participação indígena”, disse o professor de Antropologia José Otavio Catafesto.
    No Litoral Norte, professores e pesquisadores têm trabalhado com diversas comunidades Mbyá-Guarani.
    “O vale do Rio Maquiné é uma área de atuação por décadas no desenvolvimento de projetos de pesquisa e de experimentação na produção de alternativas de insumos necessários ao sustento destas comunidades originárias”.
    Especificamente na área da antiga Fepagro, pesquisadores e alunos têm realizado pesquisas e intervenção com a participação dos Mbyá-Guarani nos últimos anos.
    O cacique André Benites conhece a área como a palma da mão e participou de várias projetos com a equipe da Fepagro e Ufrgs. Mas prefere falar da alegria que a comunidade experimenta ao viver na terra ancestral.
    “Ali tem água limpa, pássaros, plantas medicinais, argila para fazer as casas tradicionais. Tudo o que é necessário para o Mbya viver de acordo com a sua cultura. Por isso é a retomada guiada por Nhanderú (Deus)”, disse
    Foto: Ana Barros / JÁ

    Merong Santos complementou: “Estamos do mesmo lado, queremos que a pesquisa continue e que o povo Guarani mantenha as sementes sagradas”.
    Ao final, a diretoria da Associação dos Servidores da Fepagro informou que debaterá com os associados a proposta de composição, em reunião no dia 23 de agosto, e anunciará a posição dos técnicos.
    Reintegração de posse suspensa
    Representante da Procuradoria Geral do Estado (PGE) no Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI), o procurador Sílvio Jardim lembrou aos servidores da ex-Fepagro o quanto todos ali presentes lutaram contra a extinção das fundações no Estado. Os deputados Jeferson Fernandes (PT) e Pedro Ruas (PSol) também manifestaram essa posição e defenderam a solução combinada com a presença indígena no local.
    Jardim informou ainda que o processo de reintegração de posse vem sendo suspenso justamente para se buscar essa composição. Foram feitos três pedidos de suspensão do processo de reintegração de posse. O último, com o prazo de 10 dias úteis, deve expirar no final do mês.
    Enquanto isso, o secretário da Agricultura, Ernani Polo, tem recebido relatórios e cartas dos apoiadores sustentando a importância de conciliar a pesquisa com a presença Mbyá na área. O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera Mata Atlântica reconhece também a pertinência do uso e manejo dos indígenas para a conservação da mata, “como um novo paradigma sócio ambiental’.
    Na reunião da Comissão que participou, na semana passada, Polo disse que o objetivo da Secretaria é preservar a pesquisa. Mas que vai conversar os servidores da extinta Fepagro e da Funai para buscar construir um caminho. E deixou uma porta aberta para negociação: “se há como compatibilizar, meu esforço será nessa direção”.

  • Oficial de Justiça diz em reunião com deputados que desocupação da “Lanceiros” seguirá a lei

    Em reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, ocorrida hoje (23/08), na sala professor Salzano Vieira da Cunha, o presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul (Abojeris), Jean Gonçalves, afirmou que zelará pelo cumprimento de todos os critérios do mandado judicial expedido pela juíza Luciane Marcon Tomazelli, que determina que as famílias desalojadas que fazem parte da Ocupação Lanceiros tenham algum local, mesmo que provisório, para acolhimento após o despejo.
    O presidente da Comissão, deputado Jeferson Fernandes (PT), durante o período de assuntos gerais da reunião informou ter enviado pedido de informações à juíza da 1ª Vara Cível de Porto Alegre, Fernanda Ajnhorn, a respeito do cumprimento de ordem judicial  para desocupação nesta quinta-feira (24), às 7h, do prédio na Rua dos Andradas ocupado pelo movimento. O parlamentar manifestou preocupação especial quanto à definição de local para instalar as crianças, grávidas, pessoas com deficiência, idosos e indígenas lá alojados. O descumprimento das exigências para a desocupação, alertou o deputado “aumenta o perigo de conflito desnecessário”.
    Além disso, o mandado também determina que os órgãos competentes, como conselho tutelar, por exemplo, estejam presentes na desocupação. Em reunião convocada pela Brigada Militar, ocorrida na manhã de ontem (22), o coronel Jefferson de Barros Jacques, comandante geral do policiamento da Capital, afirmou que o protocolo seguido pela BM já prevê a presença desses órgãos estatais e que todas essas normativas serão cumpridas.
    Conforme o presidente da Abojeris, Jean Gonçalves, a primeira desocupação do movimento Lanceiros Negros, ocorrida em 14 de junho, não saiu do controle, apesar da detenção do deputado estadual Jefferson Fernandes, que, segundo afirma o magistrado, não foi determinada por nenhum dos cinco oficiais de justiça presentes na ocasião.
     

  • "Greve é questão de tempo", afirmam servidores em assembleia contra pacote de Marchezan

    Já era começo da noite de terça-feira, 22, quando cerca de mil servidores municipais de Porto Alegre reuniram-se na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia, para assembleia organizada pelo Simpa (Sindicato dos Municipários). Em pauta, os próximos passos da categoria contra os projetos do prefeito Nelson Marchezan Júnior, enviados à Câmara Municipal no segundo semestre de 2017.
    No pacote, estão previstas alterações nos salários do funcionalismo. Somente neste mes de agosto, duas manifestações já ocorreram em frente ao Paço Municipal. Outros pequenos atos ocorreram durante toda a semana passada. Uma comissão especial deve ser criada no parlamento para envolver os os vereadores nas discussões.
    Antes da decisão da assembleia, representantes dos Cores (Conselhos de Representantes Sindicais) se alternavam no microfone, expondo seus pontos de vista e as ações planejadas por cada conselho.
    “Precisamos chegar com a deflagração da greve encaminhada na próxima assembleia se nada for alterado”, disparou um servidor. A ideia de greve está muito forte na categoria. “Estamos agindo com cautela, mas, podemos fazer uma greve que derrote de vez esses projetos”, explicou o coordenador do Simpa, Alberto Terres.
    Uma paralisação só deve ser anunciada com apoio maciço do funcionalismo. Nova assembleia está marcada para o dia 5 de setembro.

    Nova assembleia da categoria está marcada para o dia 5 de setembro

    Agenda definida nesta terça:
    :23/8 – quarta-feira 14h – Concentração dos Municipários na Câmara de Vereadores, para acompanhar a votação da Comissão Especial de discussão do PLs.
    31/8 – quinta-feira 18h – Ato em Defesa de Porto Alegre, no Paço Municipal.
    04/9 – segunda-feira 18h – Reunião do Conselho de Representantes Sindicais (CORES) SIMPA.
    05/8 – terça-feira 18h – Assembleia Geral dos Municipários.