Categoria: Geral

  • Um dia de protestos contra corte de benefícios no transporte coletivo

    A sexta-feira de protestos começou às 5h30, quando ainda estava escuro.
    Um grupo de estudantes bloqueou com pneus queimados o trânsito na Rua Sarmento Leite, junto ao campus central da Universidade do Rio Grande do Sul.

    Conforme a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), cerca de 20 pessoas participaram do protesto. Por volta das 7h30, a Brigada Militar interveio com bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

    Os bombeiros, logo após da ação policial, lavaram a pista e o trânsito foi liberado no local. As oito horas o tráfego fluia normal.

    Mas os protestos continuaram ao longo da manhã, com caminhadas de estudantes por ruas e avenidas na área central. Em frente ao Colégio Parobé, as duas faixas da Avenida Loureiro da Silva foram bloqueadas, por alguns minutos.

    Também foi registrada uma caminhada pela Avenida Venâncio Aires. No trajeto, em direção ao Centro, ruas eram bloqueadas.

    A manifestação terminou em frente à sede da prefeitura, no fim da manhã.

    Os protestos da manhã tiveram por alvo o corte (que não atinge estudantes) da segunda passagem gratuita no caso dos passageiros que precisam utilizar dois ônibus para fazer determinados percursos. Mas também aludiam a cortes na educação e no ensino técnico.

    No fim da tarde, o decreto que acaba com a segunda passagem gratuita foi também alvo do Bloco de Luta Pelo Transporte Público.

     O protesto começou por volta de 18h, no largo da Prefeitura  e durou umas duas horas, quando o grupo se dispersou – a  maioria seguiu até o largo Zumbi dos Palmares onde encerrou a manifestação e uma parte dirigiu-se ao terminal Parobé, ao lado do Mercado Público, para distribuir panfletos marcando um novo protesto contra as medidas do prefeito para o transporte público. Será na terça-feira, 15, às 18 horas.
  • Celulose Riograndense para, mas contratos serão mantidos e não haverá demissões

    A empresa CMPC Celulose Riograndense informou nesta sexta-feira, 11/08, que irá parar a produção na fábrica de Guaíba até o dia 11 de novembro para efetuar a troca de partes de tubos da caldeira da Linha 2, principal da fábrica.
    O equipamento apresentou problemas em fevereiro, e as atividades já haviam sido interrompidas por 38 dias. Recentemente, durante a parada geral de manutenção realizada no mês de julho, foram executadas inspeções adicionais em pontos da caldeira de recuperação da Linha 2. Com os dados da inspeção adicional, foi determinado a troca de parte do equipamento.
    Em nota, a empresa diz que já informou a decisão junto à bolsa de valores do Chile, país sede da empresa, e projetou seu efeito econômico, estimado em U$ 200 milhões. Prejuízo, segundo a empresa, que poderá ser coberto pelo seguro contratado.
    Durante o período em que a Linha 2 ficará parada, as demais operações industriais – Linha 1,com capacidade produtiva de 450 mil ton/ano, as plantas químicas e a fábrica de papel que produz 60 mil ton/ano – permanecerão operando nas suas capacidades nominais, segundo o comunicado.
    A empresa também informa que manterá os contratos com fornecedores vigentes, apenas ajustando o planejamento das atividades, o que não impactará em demissões ou redução do quadro de pessoal próprio ou de terceiros.
    O comunicado é assinado pelo CEO da CMPC, Hernán Wilson.
    Com a interrupção estima-se que a quebra no ano de 2017 da produção da empresa seja de 600 mil toneladas, metade do inicialmente previsto.

  • JÁ Porto Alegre circula em dez bairros da região central

    Esta edição de agosto do JÁ Porto Alegre está circulando pela ruas de dez bairros da região central.
    Pega o teu exemplar nos principais bares, cafés, restaurantes e estabelecimentos comerciais dos bairros de circulação do JÁ: Centro Histórico, Bom Fim, Santana, Farroupilha, Cidade Baixa, Independência, Santa Cecília, Rio Branco, Petrópolis e Jardim Botânico.
    Ou acessa a edição digital.
    Nesta edição:
    A caminho do colapso: uma reportagem sobre os problemas do transporte público de Porto Alegre e as medidas tomadas pela Prefeitura;
    Fundo de Meio Ambiente tem R$ 27 milhões; conselho não se reúne desde dezembro;
    Grenal na Redenção: quando o futebol não era manchete de jornal, o maior clássico do Brasil já foi jogado no campo da antiga Várzea;
    A velha gaita de oito baixos sobe ao palco da Expointer;
    Descompasso no Paço Municipal: projetos de Marchezan aumentam atrito entre prefeito e municipários;
    Novo IPTU: saiba o que vai mudar.
    E mais!
     
     

  • Sartori recorre a Temer para aprovar acordo da dívida sem privatizações

    O presidente Michel Temer foi chamado para tentar contornar o impasse que se criou entre os técnicos do Tesouro Nacional que tratam do Programa de Recuperação Fiscal dos Estados e os representantes do Rio Grande do Sul.
    A reunião de emergência na quinta-feira, no Palácio do Planalto,  contou também com a presença do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda.
    A questão é que o governador Sartori não conseguiu autorização para privatizar as estatais do setor de energia – Sulgas, CRM e CEEE – item considerado essencial para a aprovação do acordo, que permite a suspensão do pagamento da dívida estadual por três anos.
    Há dois meses os negociadores de Sartori tentam convencer os técnicos federais a aceitar outras “contrapartidas”, sem sucesso.
    O governador alega que já fez mais do que é exigido em termos de ajuste. Antes mesmo do governo federal, ele congelou salários, limitou despesas, cortou benefícios dos servidores (e continua, ainda tem projetos em aprovação na Assembléia).
    Mas não conseguiu os votos que precisava na Assembléia para cumprir o item das privatizações, que consta dos termos do acordo.
    Só pelo caminho político é possível contornar essa barreira.
    Os delegados de Sartori são Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, e o deputado Darcísio Perondi, que se destacou no embate para travar a denúncia contra Temer na Câmara.
    O governo gaúcho ganhou tempo com a suspensão provisória da dívida, mas agora o desembolso mensal volta a pesar. Esse mês Sartori já teve que recorrer ao STF para dar o calote sem ter as contas bloqueadas. Até quando?
    Os negociadores de Sartori não reconhecem, mas é visível a tensão entre eles.
    Na previsão mais otimista, eles acreditam que antes de outubro não será possível resolver o impasse e assinar o acordo.
     
     
     
     
     
     
     
  • Movimento tradicionalista adere ao programa da ONU contra o machismo

    O Movimento Tradicionalista Gaúcho aderiu ao programa “Eles por Elas”, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas  para “engajar homens e meninos para novas relações de gênero sem atitudes e comportamentos machistas”. 
    A solenidade aconteceu quinta-feira, 10, na Assembleia Legislativa, durante ato em homenagem às novas gestões de Prendas e Peões do Rio Grande do Sul, com a presença da diretoria, tradicionalistas e comunidade.
    Segundo o presidente do MTG, Nairo Callegaro, trata-se de “uma oportuna iniciativa pela igualdade de gênero e a entidade se envolverá desde a base, nas entidades tradicionalistas”.
    O Movimento ElesPorElas (HeForShe)
    Criado pela ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, o movimento ElesPorElas (HeForShe) é um esforço global para envolver homens e meninos na remoção das barreiras sociais e culturais que impedem as mulheres de atingir seu potencial, e ajudar homens e mulheres a modelarem juntos uma nova sociedade.
    O alcance da igualdade de gênero requer uma abordagem inclusiva, que reconheça o papel fundamental de homens e meninos como parceiros dos direitos das mulheres e detentores de necessidades próprias baseadas na obtenção deste equilíbrio.
    O movimento ElesPorElas (HeForShe) convoca homens e meninos como parceiros igualitários na elaboração e implementação de uma visão comum da igualdade de gênero que beneficiará toda a humanidade.
    A meta é ambiciosa: garantir o compromisso de 1 bilhão de homens de apoiar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, começando com uma mensagem positiva simples e rumo ao envolvimento mais profundo através da adoção de medidas específicas que contribuam para a mudança social.
    Objetivo – O movimento ElesPorElas (HeForShe) tem como objetivo engajar homens e meninos para novas relações de gênero sem atitudes e comportamentos machistas. Para a ONU Mulheres, a voz dos homens é poderosa para difundir para o mundo inteiro que a igualdade para todas as mulheres e meninas é uma causa de toda a humanidade.
    Nesse sentido, ElesPorElas quer ampliar o diálogo sobre os direitos das mulheres e acelerar os progressos para alcançar a igualdade de gênero. Isto será obtido através de uma reformulação da igualdade de gênero, fazendo que esta deixe de ser uma questão das mulheres para se tornar uma questão que exige a participação de homens e mulheres, beneficiando toda a sociedade nos âmbitos social, político e econômico.
    Estratégia global – O movimento ElesPorElas está organizado nos seguintes princípios:
    Atenção: educação, sensibilização e conscientização
    Homens se identifiquem com as questões da igualdade de gênero, reconhecendo o papel fundamental que eles podem desempenhar para acabar com a desigualdade enfrentada por mulheres e meninas em todo o mundo, em suas próprias vidas e também em níveis mais estruturais em suas comunidades.
    Argumentação: impacto através de políticas e planejamento
    Apoia a agenda de políticas e planejamento da ONU Mulheres, envolvendo homens e meninos na realização de seus objetivos estratégicos: Empoderamento Econômico das Mulheres; Fim da Violência Contra as Mulheres; Governança e Liderança; e Paz e Segurança.
    Ação: captação de recursos e outras ações
    Diretrizes de implementação abrangentes, possibilitando a mobilização social de indivíduos, governos, ONGs, agências das Nações Unidas, universidades e empresas. O programa-piloto “Impacto 10x10x10″ é uma proposta para o envolvimento de governos, empresas e universidade.
    Com informações do ONU Mulheres (www.onumulheres.org.br)

  • Justiça mantém suspenso investimento imobiliário na Fazenda do Arado

    Felipe Uhr
    A Justiça negou um recurso movido pela Arado Empreendimentos S.A que permitia a empresa dar continuidade a um projeto de condomínios fechados na antiga Fazenda Arado Velho, no Bairro Belém Novo, extremo-sul da Capital gaúcha.
    A assessoria do TJ/RS informou, na quarta-feira, que a sentença ainda não havia sido publicada e, portanto, não poderia divulgar os argumentos para o indeferimento.
    O processo corre na 10º Vara da Fazenda Pública do Foro Central, com o número 001/1.17.0011746-8.
    O empreendimento está travado por uma liminar que suspendeu a Lei Complementar 780/2015, de iniciativa do ex-prefeito José Fortunati.
    Essa lei 780 alterou o regime urbanístico e, consequentemente, o índice construtivo da área, permitindo a construção de três condomínios fechados, num total de 2.300 casas na área de 426 hectares, metade dos quais enquadrada como área de preservação ambiental.
    O PLC foi aprovado em outubro de 2015 e a liminar que barrou as alterações foi concedida em abril de 2017, após uma Ação Civil Pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente, do Ministério Público Estadual.
    Na época, o MP alegou que a lei foi aprovada sem a realização de audiência pública, conforme determina o artigo 177 da Constituição Federal. Também não houve, segundo a promotoria, a devida avaliação dos danos ambientais que podem ser causados pelo empreendimento.
    A intenção da construtora era apresentar o EVU (Estudo de Viabilidade Urbanística) enquanto a decisão final não é dada.
    A reportagem tentou contato com a Arado Empreendimentos S.A mas o engenheiro técnico responsável pelo negócio não estava disponível.

    Área fica no bairro Belém Velho, extremo Sul da Capital/Foto Paulo Brack

    Movimentos questionam estudos ambientais do projeto imobiliário 
    Até 2015 as terras da Fazenda do Arado obedeciam ao regime urbanístico da Zona Rural e Área de Proteção do Ambiente Natural, suportando no máximo 276 economias (casas, edificações, etc).
    A lei, aprovada pela Câmara de Vereadores em 5 de outubro de 2015 e sancionada pelo prefeito José Fortunati duas semanas depois, alterou o Plano Diretor, retirando a área do Arado da Zona Rural.
    Ambientalistas e comunidade mobilizados em defesa da área / Tânia Meinerz/JÁ

    Foi graças aos movimentos Preserva Belém Novo e Coletivo Ambiente Crítico que o Ministério Público ingressou com a ação civil pública. Foi apontada uma série de erros no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pelo investidor.
    Especialistas da área ambiental realizaram um outro laudo, a pedido dos movimentos ambientais, onde questionam erros nas áreas geológicas, de fauna e flora. “Por exemplo, eles omitiram o solo novo, que seria mais sensível à construção e apresentaram somente o mais antigo”, argumenta Felipe Viana, integrante do Preserva Arado.
    Ambientalistas realizaram mutirão de limpeza que recolheu mais de 150 sacos de lixo / Tânia Meinerz/JÁ

    Segundo ele, quase todos os apontamentos subestimam o meio ambiente e favorecem a realização do empreendimento. “Quem faz esse tipo de estudo sofre pressão por parte dos empreendedores e isso compromete a qualidade do estudo e favorece o negócio”, entende o ambientalista.
    Viana lembrou ainda que a mudança da Lei Complementar 780 teve parecer contrário da Comissão Municipal do Meio Ambiente (Comam), que aconselhou a aquisição do terreno pela prefeitura para transformar em área de conservação ou que a área permanecesse como zona rural.

  • Servidores e comunidade defendem laboratório no Postão da Cruzeiro

    Servidores do Laboratório Central de Saúde Pública de Porto Alegre e moradores da Vila Cruzeiro do Sul estiveram hoje na Câmara Municipal para defender a manutenção da central de exames, que funciona desde 1995 junto à Unidade de Pronto Atendimento do local. É uma reação ao anúncio da Secretaria Municipal da Saúde que estuda a possibilidade de transferir o laboratório para o Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV).
    Ocuparam a Tribuna Popular da CMPA o técnico de laboratório Flavio Feliciano e o coordenador do Orçamento Participativo da Grande Cruzeiro, Michael Santos. Feliciano disse que é falso o argumento da Prefeitura de que seria ampliado a produção de exames caso o laboratório seja transferido para o HPV.

    Na mesa da Câmara (esq p/dir.), Flávio Feliciano, Adeli Sell e Michael dos Santos

    “Estão faltando com a verdade, assim como mentem quando dizem que o laboratório central produz apenas seis mil exames, quando, na verdade, produzimos em média 20 mil, por mês”, disse, ressaltando que há potencial para mais 10 mil exames.
    Ele lembrou que em 2011 os serviços foram transferidos para o laboratório da Faculdade de Farmácia da Ufrgs, mas, em 2015, o laboratório do Postão foi reativado.
    Feliciano também refutou o argumento da Prefeitura de que irá manter no Postão da Cruzeiro o serviço de coleta dos exames. “Já vimos o que aconteceu na Bom Jesus, onde eles fecharam o laboratório e, mais adiante, acabaram com a coleta “, lembrou o servidor. Ele pediu apoio dos vereadores para criar um grupo de trabalho a fim de construir uma política ambulatorial para o município.
    Michael, representante do OP, disse que a transferência do laboratório causaria muitos prejuízos à comunidade local. “Os moradores já sofrem com a insegurança e transporte caro, e ainda teriam mais dificuldades em se deslocar, talvez, para realizar exames, ou esperar vários dias para receber os resultados”, enfatizou.
    Entre os servidores presentes na Câmara, o farmacêutico e bioquímico Luiz Eduardo Dorneles, há 23 anos no laboratório central, lembrou que, além de atender as demandas de outros centros municipais de saúde, a unidade do Postão da Cruzeiro realiza exames diferenciados.”O laboratório é uma referência no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com tuberculose, HIV, hepatites virais, hormônios, além de prestar apoio de diagnóstico para o Pronto Atendimento da Vila Cruzeiro”, afirmou.
    Manifestaram apoio à manutenção do Laboratório Central de Saúde na Vila Cruzeiro os vereadores Adeli Sell (PT), André Carús (PMDB), Fernanda Melchionna (PSol),  Aldacir Oliboni (PT), Roberto Robaina (PSOL) e Dr. Thiago Duarte (DEM).
    Adeli garantiu que o movimento em prol da continuidade do laboratório envolve várias bancadas da Câmara e solicitou que as notas taquigráficas da sessão sejam enviadas ao secretário municipal da Saúde, Erno Harzheim. “Algumas reestruturações devem ser feitas, mas nem tudo pode mudar”, ponderou. Adeli sugeriu a criação de um movimento que defenda a centralização de atendimentos no PAM 3. “A necessidade atual é de ampliar e qualificar o serviço do laboratório”, afirmou. O parlamentar também enfatizou que o prefeito municipal deve estar “aberto ao diálogo”.
    Carús disse que já visitou o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul quatro vezes neste ano para verificar as condições de trabalho e de atendimento. “As prioridades apresentadas durante o processo eleitoral viraram supérfluas”, declarou. Segundo o vereador, o governo municipal “esqueceu” as promessas de campanha. “O povo não aguenta mais pagar a conta dessa crise ética e politica”, afirmou. Para o parlamentar, o investimento em áreas prioritárias não está acontecendo. “Apelo para o bom senso do competente secretário Erno Harzheim, (da Saúde), que é uma pessoa aberta ao diálogo”, completou o vereador.

  • Expointer espera manter volume de R$ 1,92 bi em negócios

    Foi lançado na manhã desta quinta-feira a 40ª edição da Expointer, que acontece de 26 de agosto a 3 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
    “A cada edição da Expointer, celebramos a força do campo e dos nossos produtores, que mantêm seu dinamismo mesmo diante das dificuldades e seguem mostrando ao mundo o que há de melhor na agricultura e na pecuária do Rio Grande do Sul”, disse o governador José Ivo Sartori. Ele ainda salientou que a Expointer é um evento consolidado, “porque é resultado de uma construção coletiva”, disse, no evento promocional realizado no Theatro São Pedro.
    Para a 40ª edição, a expectativa dos organizadores é repetir os números de 2016, quando o volume de negócios chegou a R$ 1,92 bilhão. “Pelo cenário que estamos vivendo, se conseguirmos repetir o volume de negócios já é um bom resultado. É claro que a gente sempre busca mais, o desejo é esse. E se analisarmos as feiras que já aconteceram este ano, verificasse uma pequena recuperação”, afirmou o secretário de Agricultura, Ernani Polo.
    No ano passado, a venda de máquinas cresceu 12,95% em relação a 2015. As propostas e os negócios fechados durante a feira somaram R$ 1,9 bilhão. E a comercialização de animais totalizou R$ 11,77 milhões.
    Mais de 3 mil animais em exposição 
    A feira deste ano tem 3.207 animais de argola, de 88 raças, inscritos nas competições. Excluindo pássaros e aves, impossibilitados de participar devido à gripe aviária, o número se manteve estável em relação a 2016.
    Pela primeira vez, os ovinos naturalmente coloridos participam da exposição oficial com seis raças: Corriedale, Romney Marsh, Hampshire Down, Texel, Ile de France e Suffolk.
    No gado de corte, houve um aumento expressivo na participação da raça Normanda, que passou de oito para 25 animais inscritos, e um crescimento de 44% nas inscrições de zebuínos. Vinda de Minas Gerais, a raça Guzolando – de aptidão leiteira, resultado da mistura entre Guzerá e Holandês – é a estreante da feira.
    As inscrições para os animais rústicos terminam no dia 14 de agosto, na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, juntamente com a dos animais para leilão, provas e apresentações. O ingresso dos animais começa no dia 21, às 8h.
    Agricultura Familiar
    A 19ª Feira da Agricultura Familiar vai contar com 201 empreendimentos dispostos em 198 espaços e mais quatro cozinhas. São 145 agroindústrias familiares, 47 artesanatos rurais, plantas e flores. Ao todo, a mostra envolve 1.340 famílias de 131 municípios gaúchos.
    A feira terá também seis expositores de Minas Gerais. Em 2016, o Pavilhão da Agricultura Familiar superou os R$ 2 milhões em vendas.
    O Parque Assis Brasil, em Esteio, tem 45,3 mil metros quadrados de pavilhões cobertos, 70 mil metros quadrados de área de exposição, nove espaços para leilões, auditórios e 19 locais para julgamentos. A estrutura conta também com 10 mil vagas de estacionamento, postos médicos, restaurantes, agências bancárias e internet.
    A programação conta com mais de 280 atrações simultâneas, entre exposições, palestras técnicas, shows e eventos culturais, além dos julgamentos e leilões de animais.

  • "Falta um diagnóstico profundo sobre questão habitacional em Porto Alegre"

    Felipe Uhr
    A defensora Luciana Artus Schneider, desde abril de 2016 é dirigente do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (Nudeam-DPERS). Ela recebeu o jornal JÁ para falar sobre a falta de políticas públicas habitacionais e sobre as desocupações que, na sua visão, estão cada vez mais desorganizadas.
    Qual é o déficit habitacional hoje em Porto Alegre? 
    A moradia é um direito constitucional social que está no artigo sexto da Constituição lado a lado com saúde e educação. Quem tem direito a moradia? Todo mundo. A constituição garante, não só para quem é hipossuficiente financeiramente. Déficit habitacional é quando pessoas que não tem onde morar, mas não se trata necessariamente de moradores de rua. Pode ser quando, com muito sacrífico, pessoas estão pagando um aluguel. Ou quando em um determinado lugar vive uma família com 10 pessoas  onde ali há um pai ou um vô que não consegue alugar um local para si.
    A par disso nós temos que pensar em políticas públicas para suprir esse déficit. Não tem como o município dar moradia a todos, então para quem ele vai dar? Para quem não tem condições. Aqui, em Porto Alegre, registrado formalmente pela Prefeitura foi feito um cadastro através do Programa Minha Casa Minha Vida realizado em 2009 no Mercado Público. Como foi feito? Havia um cadastro, onde todo mundo que precisava de casa chegava ali e se cadastrava. Nesse cadastro, foram incluídas 50 mil pessoas, foi quando o município se assustou com esse número e congelou o cadastro. Desde lá pouco mais de 2 mil famílias foram encaminhadas para moradia popular. Se imagina, hipoteticamente falando, que se esse cadastro fosse reaberto, ultrapassaria hoje 250 mil famílias.
    Mas esse cadastro não foi aberto para pessoas da Região Metropolitana?
    Em tese, a pessoa deveria apresentar comprovante de residência em Porto Alegre…
    Qual avaliação das políticas públicas realizadas de lá para cá pelo Estado?
    O que existe em Porto Alegre e nos municípios do Rio Grande do Sul é uma falta de planejamento nesta área. É uma falta de política pública a curto e a longo prazo. O que existe é o município administrando recursos do Minha Casa Minha Vida, que são poucos, e cada vez menores. Qual é a política do município? É, a gente vai dando um jeito da maneira que as coisas vão acontecendo. Não existe se quer um diagnóstico. Existe um cadastro que foi fechado e não foi reaberto pois não se sabe o que fazer com ele.
    E qual foi a atuação do Governo do Estado nesse período?
    O Governo Estadual tem políticas de regularização fundiárias voltadas para terra do Estado ou terras devolutas. Por exemplo, há em Santa Maria umas terras ocupadas por muitas pessoas, o Estado tem feito a regularização fundiária desses locais mas a política pública de moradia é de responsabilidade do município.
    Não poderia haver uma atuação das três esferas (Municipal, Estadual e Federal) em relação à moradia?
    A Constituição Federal distribuiu competências. E aqueles assuntos destinados ao Município   ficaram apenas para o Município resolver. Como? Com repasses de verbas do Estado e da União. E assim tem que ser porque eu não posso admitir que o Estado ou a União façam o regramento único que não se adapte a realidade de cada município.
    Segundo o MP, teriam mais de 40 mil imóveis vazios em Porto Alegre? É o que nos chamamos de vazios urbanos e eles não estão atendendo a função social da propriedade. Existe na constituição uma regra que orienta os municípios mas isso não ocorre na prática. É o IPTU progressivo. Por exemplo, se você tem um terreno no centro que não atinge sua função social, hoje o IPTU dele é de 2%, ano que vem vai ser de 10% no outro 20% do valor venal do imóvel. Em 10 anos atinge o 100% e ele vai ter o perdimento daquele terreno para que o município utilize em pró de moradia popular.  Isso teria de ser feito através de legislação municipal que hoje não existe aqui, em outras cidades sim. Por questões políticas isso ainda não foi regulamentado em Porto Alegre.
    O que determina se um imóvel cumpre ou não sua função social?
    Como eu te disse, não existe um diagnóstico profundo sobre habitação em Porto Alegre. Se imagina 40 mil imóveis, quase 10 mil na região central, mas isso é hipotético.  Realmente, não basta o prédio estar vazio. Por exemplo, este prédio do Hotel Açores (ocupado desde julho pelo Lanceiros Negros), ele foi diagnosticado pelo movimento como um espaço que não estava cumprindo sua função social. Ele não tinha nenhuma placa de vende-se ou aluga-se na frente do imóvel por exemplo.  Ele estava desocupado há muito tempo o que indicava que ele estava abandonado. Claro, com a ocupação do prédio, as donas do prédio estão tentando comprovar que isso não é verdade, que o imóvel estava à venda, mas tudo isso é uma questão de prova. Se houve comprovação, é outro caso. Mas por exemplo o prédio em que estava os Lanceiros Negros anteriormente, num prédio do Estado abandonado há 10 anos. Quando houve a ocupação, o Estado disse que já tinha uma destinação para aquele imóvel.  Outro exemplo, a Ocupação Mirabal que ocupa um prédio na Duque, que é do Movimento Salesiano do Colégio Dom Bosco, ele estava há três anos desocupado e quando houve a ocupação o colégio alegou que tinha um projeto para ele em março. Quer dizer essa história vem muito depois que é feita a ocupação que é realizada para chamar atenção da existência de um vazio urbano. As ocupações  estão começando a ter uma outra função que é  trazer essa discussão pra sociedade: “Esse prédio não estava sendo usado, então usem”.
    Há diversos movimentos de ocupação mas pelo menos dois tipo de ocupação, os que estão no centro e o que hoje estão nas zonas mais afastadas. Quais as diferenças?
    Então, nas periferias existem ocupações que são apoiadas por movimentos sociais organizados mas não é regra. Aqui no centro,  a Mirabal, a Saraí e os Lanceiros Negros são ocupações muito bem organizadas que visam principalmente chamar atenção dos vazios urbanos, do déficit habitacional e de uma discussão para que sejam realizadas políticas públicas voltada a habitação popular. As ocupações periféricas, em regra estão voltadas exclusivamente para moradia. São pessoas que não tem onde morar e que ocupam um terreno vazio, ali constroem sua barraca, depois uma casinha e vão se estabelecendo naquele lugar. É o que a gente chama de ocupação consolidada. São ocupações que estão em terrenos públicos ou privados por 5,10, 15 ou 20 anos pois não tinham onde morar. Ninguém mora em ocupação por que quer não é bom morar em ocupação.
    Existem por volta de 500 ocupações irregulares na cidade, muitas em processo de regularização…
    Bom, hoje há uma nova legislação que trata da ocupação do solo urbano, entrou em vigo há 2 semanas ela é resultado de uma Medida Provisória, a 759, que já vinha tramitando há quase um ano e que trás novos institutos que falam da legitimação da posse , da regularização fundiária e que o objetivo maior é regularizar aquela ocupação onde está, pois há também um contexto histórico de trabalho e de apego a região. Já se viu que tirar as pessoas de um lugar e acomoda-las elas em outro são políticas falidas. Um exemplo disso são os empreendimentos Minha Casa Minha vida lá no extremo sul da cidade, na restinga, hoje tomados pelo tráfico e as pessoas foram expulsas. Regularizar uma ocupação onde ela está seja em uma área pública privada é sempre a alternativa que tem mais chance de dar certo que em tese é melhor pra todo mundo e é uma diretriz trazida por essa nova legislação. Essa legislação prevê a regularização de uma ocupação consolidada,  que hoje não tem tempo determinado, ela pode estar há dois anos ali. É preciso analisar a condição de cada ocupação. Por exemplo, a Romeu Samarini (Ferreira), as pessoas compraram em uma imobiliária os terrenos, estão morando lá há 20 anos. Compraram de gente que estava fraudando, foram pessoas enganadas mas que compraram aqueles terrenos.  Aqui, em Porto Alegre, a Procuradoria do Município , por meio da PARF (Procuradoria de Regularização Fundiária)  faz regularização de ocupações consolidadas e já faz há muito tempo. No ano passado eles ganharam o prêmio Inovare por esse projeto de regularização fundiária. A nossa luta é que se amplie esse programa, inclusive para que haja regularização em cima de terrenos particulares já que essa é uma política voltada pra terrenos públicos.
    De que forma a Defensoria Pública avaliou a reintegração de Posse da ocupação Lanceiros Negros realizada em junho deste ano.
    A reintegração à força é sempre a última alternativa, ela tem de ser evitada a todo custo porque ela sempre vai ser danosa mesmo que de tudo certo e nessa dos Lanceiros deu quase tudo errado. Depois dessa experiência frustrada, a Defensoria em conjunto com o Ministério Público elaborou uma recomendação para cumprimento de reintegração de posse forçada. E a gente mandou para o Comando da Capital ( CPC) e para os outros órgãos participantes.  A primeira questão que a gente recomenda é a realização de uma reunião preparatória, onde todos os atores vão ter que estar presentes, inclusive com o juiz que deferiu essa liminar de reintegração de posse. Os ocupantes também deve estar presentes pra pensar junto de como isso vai acontecer na hora. O conselho tutelar, o promotor de justiça, o defensor público, enfim todos os atores. Outra coisa importante, os ocupantes devem ser previamente avisados da data e horário do desalojamento. A remoção não pode ser cumprida no período noturno, isso é inconstitucional. No inicio do processo de remoção deve ser informado ao Conselho Tutelar a presença de crianças, porque geralmente tem. Tem de ter um plano de atendimento médico para idosos, portadores de deficiência e doentes. A atuação da polícia deve se restringir à proteção e segurança dos oficiais de Justiça e dos ocupantes. Os policiais envolvidos devem estar devidamente identificados pelo nome, eles não estavam no dia da Lanceiros. Tem que ter um contingente de policias do sexo feminino, não pode ter só homens. Tem que ser respeitada a integridade psíquica, física e patrimonial dos desalojados. Se houver resistência, na hora da desocupação, as pessoas que participaram da reunião preparatória tem ser chamadas para uma negociação pacífica. Esse negócio de pé na porta não dá certo, isso é uma violação dos direitos humanos.
    Houve uma resposta sobre essas recomendações?
    Eles receberam… A gente está fazendo uma interlocução entre as instituições para que essa demanda seja atendida.
    Essa decisões judiciais (das reintegrações) são vista de que forma?
    Referimos isso para o Judiciário, que era preciso trazer o Município e o Estado para dentro da discussão através de uma audiência de mediação sob pena de nós seguirmos de reintegração em reintegração cada vez mais danosas porque as ocupações vão se adensando, tornando as operações mais forçosas. É uma matemática que não fecha. As pessoas não são fumaça, elas não vão desaparecer, depois da reintegração elas irão pra outro lugar. Enquanto não houver uma politica pública de moradia é um problema que vai seguir necessitando de uma solução. O judiciário, aqui do Rio Grande do Sul, já foi de vanguarda, nessa questão de judicialização dos direitos fundamentais sociais. Têm decisões paradigmas aqui como na questão da saúde e de educação, como a de vagas em creche e que valem para todo Brasil. E a gente vê um movimento contrário quando ele analisa o direito social à moradia. Há um retrocesso nas decisões que tendem a ser as mais gravosas no país. Essa questão da moradia não tem sido encarada pelo judiciário em todos os seus aspectos. A propriedade privada tem prevalecido absolutamente em relação a função social da propriedade.

  • A velha gaita de oito baixos sobe ao palco na Expointer

    Elmar Bones
    Um instrumento primitivo dos gaúchos, que estava quase extinto, vai abrir as portas da feira que mostra os avanços da pecuária e da agricultura. Um concerto de gaita de oito baixos vai inaugurar a Expointer, em Esteio, no final de agosto. Essa ponte entre o passado e o futuro, entre a economia e a cultura, é obra do músico Renato Borghetti, o Borghettinho.
    A “orquestra” que vai abrir a Expointer será formada por 40 gaiteiros mirins formados na Fábrica de Gaiteiros, projeto concebido e dirigido por ele. O projeto está completando cinco anos. Foi urdido nas andanças do músico.
    Com uma carreira artística internacional alicerçada na gaita, que aprendeu a tocar aos 13 anos, Borghetti se deu conta de que o instrumento estava desaparecendo. O Rio Grande do Sul, que já tivera vinte fábricas de gaita, via as últimas fecharem as portas. Em consequência disso, quem se interessava pelo instrumento tinha que pagar bem caro.

    Madeira de eucalipto vem do sul da Bahia é uma espécie especial que recebe um tratamento para não empenar / Divulgação

    Desapareceriam a gaita e os gaiteiros e, com ambos, todo um conhecimento e uma referência cultural que a sonoridade da velha gaita – de botão, de oito baixos ou diatônica – contém. Esse quadro inspirou o projeto.
    Quando ele começou com sua Fábrica de Gaiteiros já não havia nenhuma gaita sendo produzida no país. Foi bem difícil encontrar não só mestres e artesãos para iniciar a produção dos instrumentos. Também eram escassos os professores capazes de ministrar um curso para dar formação básica a um instrumentista.
    O projeto de Borghetti não teria passado de uma boa ideia se ele não tivesse encontrado o executivo Walter Lídio, presidente da CMPC. A indústria de celulose instalada em Guaiba é vizinha da Barra do Ribeiro, onde a família Borghetti tem um empreendimento turístico. Não foi difícil apresentar o projeto. Um dos orgulhos de Lídio é o bom relacionamento que a empresa mantém com as comunidades de seu entorno.
    Ele percebeu o alcance cultural do projeto de Borghetti e fez uma exigência apenas: que se usasse madeira de eucalipto para a fabricação das gaitas.
    Foi preciso pesquisar para achar, no Sul da Bahia, um tipo de eucalipto cuja madeira não empena quando cortada em lâminas. Com o apoio da empresa, que banca o custo de produção das gaitas e paga os professores, as aulas puderam começar, quando a escola estadual Augusto Meyer, em Guaíba cedeu um espaço.
    Hoje são oito escolas em sete cidades, com mais de 200 alunos de 7 a 15 anos de idade, e tem fila para entrar nos cursos. Mais de 500 alunos passaram pelos cursos nestes cinco anos e, segundo Borghetti, dá para tirar uma centena que “só com a gaita garante um baile”. Os 40 que vão tocar na Expointer saem desse time.
    A fábrica, na Barra do Ribeiro, trabalha em função da demanda das escolas. As escolas abrem inscrições e fazem uma seleção. A prefeitura dá o local, o Instituto Renato Borghetti fornece os instrumentos e o professor.
    Um novo apoiador acaba de se engajar no projeto. A Thyssen, empresa alemã de elevadores instalada em Guaíba, vai patrocinar o projeto. O apoio vai permitir a instalação do primeiro curso em Santa Catarina, em Lajes, em parceria com o SESC.