Categoria: Geral

  • Inquérito irá investigar ação da Guarda Municipal

    Um inquérito será aberto na Secretaria Municipal de Segurança para apurar a ação da Guarda Municipal, durante uma manifestação de pais e professores em frente ao Paço Municipal na última segunda-feira,12.
    A informação foi dada pelo secretário Kleber Senisse durante audiência pública nesta terça-feira na Câmara Municipal. O objetivo da audiência era justamente para discutir ações da Guarda Municipal durante outros protestos e durante a Greve Geral do dia 28 de abril.
    Curiosamente a reunião aconteceu um dia depois de um novo episódio: uma mãe que participava do ato, teve sua mão torcida, por um guarda municipal. O fato ocorreu já no final do ato, quando o carro do Simpa (Sindicato dos Municipários) foi cercado pela Guarda Municipal para ser guinchado, sob alegação de que estava parado em local irregular. Pais e professores tentaram impedir.
    Norma Regina, de 52 anos, mãe de um aluno falou sobre o episódio na reunião. “Era um movimento pacífico, até a Guarda chegar”, relatou ela, que disse estar apoiada no carro por ter problemas na coluna, quando foi retirada pelo guarda de maneira violenta. Norma deu queixa na Polícia Civil e seguiu para o HPS onde recebeu atendimento.  Um vídeo foi postado na Internet. 

    Norma Regina, mãe de um aluno, foi agredida por um guarda municipal no último dia 12. Foto: Luiza Dorneles

    Vereadores e municipários também deram sua contribuição para o debate. A greve do dia 28 de abril foi pauta no encontro. Os servidores que protestavam a frente de um prédio da Administração Municipal na Praça Montevidéu, acusam a Guarda de uma ação truculenta. “Não é um fato isolado”, criticou o municipário Ivan Martins.
    Segundo ele, o estatuto da Guarda Municipal não vem sendo aplicado, se referindo a um caráter de prevenção. Martins também questionou que tipo de formação um policial municipal está recebendo.
    Um vídeo em que mostra a Guarda Municipal utilizando gás de pimenta e afastando os servidores da porta do prédio com cacetadas, foi exibido a todos presentes no debate. “Queria que mostrasse eu sendo agredido”, rebateu o secretário Senisse, que aparece no vídeo.
    Segundo o Comandante da Guarda, Roben Martins, os policiais do seu comando foram acionados para garantir o acesso ao prédio de outros servidores, que queriam trabalhar. Martins respondeu a alguns questionamentos. Disse que o curso de formação de um policial tem 280 horas e que a cada dois anos os policiais realizam um exame psicotécnico.
    Para Roben a ação dos policias, na ocasião, foi adequada. “Conseguiram manter o equilíbrio”, avaliou o Comandante que não viu exageros no procedimento. As vereadoras Comandante Nádia (PMDB) e Mônica Leal (PP), em suas falas também se mostraram a favor da ação da Guarda durante a greve geral.
    Já o vereador Professor Alex Fraga lamentou o episódio. Também alertou que durante uma outra manifestação de professores em frente a SMED (Secretaria de Educação) um guarda sacou a arma.
    Senisse encerrou dizendo estar procurando soluções para a cidade. Sobre o ocorrido de segunda, disse que o veículo do Simpa ficou durante o dia todo em local proibido e recebeu uma notificação, como não saiu, foi guinchado. Quanto a agressão “vai ser aberto um inquérito”, garantiu.
    Ao final da audiência, o secretário falou com outros presentes na reunião e com a mãe agredida. Pediu ao Simpa que comunique quando for ocorrer alguma manifestação para que não aconteça algo mais grave. “Eu poderia estar com 15 homens combatendo o crime ao invés de ficarem lidando com pais e professores”, afirmou Senisse no encerramento.
    A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), proponente do encontro, informou que irá acompanhar o caso. ” Viemos ouvir as partes e procurar o entendimento”, declarou o presidente da comissão, o vereador Cassiá Carpes (PP).
    O Secretário de Segurança, Kleber Senisse, conversou com os municipários e com a mãe agredida ao fim da reunião. Foto: Jornal Já

  • Tarifa de energia aumenta 5% em mais da metade dos municípios gaúchos

    As tarifas de energia elétrica vão aumentar em média 5% nas regiões norte e nordeste, atendidas pela Rio Grande Energia, que cobre 54% dos municípios gaúchos. 
    Para os clientes residenciais, o aumento será de 5,84%. Para os clientes de baixa tensão, indústrias, o acréscimo será de 3,81%.
    As novas tarifas valem a partir do dia 19 de junho.
    Concessionária é controlada pela maior estatal chinesa
    A Rio Grande Energia (RGE) é a distribuidora da região norte-nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. Atende a 255 municípios, representam 54% do total de municípios do Estado, com um polo em Passo Fundo e outro em Caxias do Sul.
    A RGE opera no Estado desde a privatização da CEEE, em 1997. Em 2006, foi comprada pela Companhoa Paulista de Força e Luz (CPFL), o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro.
    Há 104 anos no setor elétrico brasileiro, atuando nos segmentos de distribuição, geração, comercialização e serviços,  a CPFL, desde janeiro de 2017, é controlada pela State Grid, estatal chinesa que é a segunda maior organização empresarial do mundo e a maior companhia de energia elétrica, atendendo 88% do território chinês e com operações na Itália, Austrália, Portugal, Filipinas e Hong Kong.
    Com 14,3% de participação no mercado brasileiro, a CPFL Energia é líder na distribuição, totalizando mais de 9,1 milhões de clientes em 679 cidades, entre os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná.
     

  • Justiça garante salário-maternidade para meninas Mbyá-Guarani

    As indígenas Mbyá-Guarani tornam-se mães bem cedo, normalmente ainda na adolescência. Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região beneficia jovens da etnia, entre 14 e 16 anos, em mais de 30 cidades do noroeste gaúcho.
    O TRF4 acatou pedido do Ministério Público Federal e determinou que o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) admita o ingresso na Previdência Social e, portanto, aceite requerimentos de salário-maternidade formulados por jovens entre 14 e 16 anos, da etnia Mbyá-Guarani, que vivem nas cidades que compõem a Subseção Judiciária Federal de Santo Ângelo/RS (veja a lista abaixo). O MPF ainda garantiu que o tempo de trabalho anterior aos 14 anos, quando comprovado, seja computado para fins de carência.
    A decisão unânime da 6ª Turma do TRF4 confirma pedido de ação civil pública (ACP) ajuizada pelo MPF: que o INSS admita o ingresso e abstenha-se de indeferir, exclusivamente por motivo de idade, os requerimentos de salário-maternidade formulados pelas seguradas Mbyá-Guarani da região.
    Histórico
    O Inquérito Civil nº 1.29.010.000067/2013-84 apurou que o INSS indeferia pedidos do referido benefício às indígenas menores de 16 anos. A autarquia argumentava que elas eram seguradas especiais, pelo exercício de atividade em regime de economia familiar, e deveriam  ter a idade mínima de 16 anos para fazer jus ao salário-maternidade.
    O INSS também considerava que o menor de 16 anos não pode ser considerado trabalhador, pois existe proibição constitucional ao trabalho da criança e do adolescente.
    O MPF ingressou com a ação civil pública, assinada pelo procurador da República Osmar Veronese, na qual apontou as diferença entre a cultura indígena e a não-indígena (sociedade envolvente).
    Estudo antropológico juntado ao caso mostrou que, a partir dos dez anos, meninos e meninas Mbyá Guarani gradativamente assumem responsabilidades próprias e que as jovens, com a chegada da menstruação, iniciam a vida sexual, o que as leva a casar e ter filhos cedo.
    Por isso, o artigo 55 da Lei nº 6.001/1973 (Estatuto do Índio) estabelece que “o regime geral da previdência social será extensivo aos índios, atendidas as condições sociais, econômicas e culturais das comunidades beneficiadas”, um direito também garantido pelo artigo 231 da Constituição Federal, que reconhece “aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”.
    No parecer encaminhado ao TRF4, o procurador regional da República Claudio Dutra Fontella lembrou que os tribunais vêm reconhecendo, para fins previdenciários, o tempo de serviço rural respectivo, ainda que a idade de exercício desse trabalho indígena contrarie a Constituição e a lei no tocante à idade. “A norma editada para proteger o menor não pode prejudicá-lo naqueles casos em que efetivamente trabalhou”, escreveu.
    Já na sustentação oral durante o julgamento, o procurador regional da República Maurício Pessuto defendeu que o tempo de trabalho anterior aos 14 anos fosse computado para fins de carência, devido às peculiaridades da cultura da etnia. A solicitação foi incluída no voto do relator e acompanhada por toda a Turma no acórdão.
    Cidades da Subseção Judiciária Federal de Santo Ângelo:
    Ajuricaba, Augusto Pestana, Bozano, Caibaté, Catuípe, Cerro Largo, Chiapetta, Coronel Barros, Dezesseis de Novembro, Entre Ijuís, Eugênio de Castro, Giruá, Guarani das Missões, Ijuí, Inhacorá, Jóia, Mato Queimado, Nova Ramada, Pirapó, Porto Xavier, Rolador, Roque Gonzales, Salvador das Missões, Santo Ângelo, Santo Antônio das Missões, Santo Augusto, São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões, São Nicolau, São Pedro do Butiá, São Valério do Sul, Senador Salgado Filho, Sete de Setembro, Ubiretama e Vitória das Missões

  • Ocupação Lanceiros Negros enfrenta nova ordem de reintegração de posse

    As famílias que ocupam o prédio localizado na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, no Centro de Porto Alegre, se mobilizam para enfrentar mais uma reintegração de posse.
    Já é pelo menos a terceira ordem de despejo em um ano e sete meses de ocupação do imóvel (desde novembro de 2015).
    A Justiça expediu nesta segunda-feira, 12, ordem de reintegração de posse do imóvel, pertencente ao Governo do Estado. Desde que as famílias ocuparam o prédio.
    A decisão da 7ª Vara da Fazenda Público do Foro Central orienta que a ordem seja cumprida fora do horário comercial, em final de semana ou feriado, “evitando ao máximo o transtorno ao trânsito de veículos e funcionamento habitual da cidade”, e autoriza o “uso da força policial, caso necessário.” Há também a orientação ao acompanhamento pelo Conselho Tutelar, em função dos menores.
    Os integrantes da ocupação prometem resistir. “Tem criança, gestante, recém nascido. É uma barbaridade. Inclusive familiares de moradores da ocupação tiveram de vir para cá em função das chuvas. As pessoas que mais precisam, quando conseguem um teto, são despejadas”, afirma Priscila Voigt, integrante do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas). Ela defende que, para a desocupação do prédio, o Estado deveria realocar as famílias.

    Priscila, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas/Ramiro Furquim

    Com o feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira, os moradores estão em alerta. “Estamos esperando hoje, quarta, no feriado, porque a reintegração pode acontecer a qualquer momento”, afirma Priscila.
    Nesta terça, a ocupação realiza assembleia com movimentos apoiadores e na quarta-feira acontece audiência pública sobre a ocupação na Assembleia Legislativa.
    Até o início da tarde, os moradores da ocupação não haviam sido notificados da ordem de reintegração de posse. No local, residem cerca de 70 famílias.
    No imóvel residem muitas crianças/Ramiro Furquim

    A Procuradoria-Geral do Estado afirma que tentou a conciliação e não obteve êxito. Segundo a PGE, foi iniciada uma reforma no imóvel para que abrigasse uma secretaria de Estado evitando o pagamento mensal de um aluguel de R$ 60 mil.

  • Ministério Público tem que atender às demandas sociais, diz novo procurador-geral de Justiça

    O novo procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen, quer aproximar o Ministério Público das demandas sociais, em áreas de grande impacto como a segurança pública, a saúde, a educação, a sustentabilidade e a proteção social.
    “A legitimidade institucional do Ministério Público decorre da eficiência e protagonismo no atendimento às demandas sociais modernas e pelos resultados alcançados”, sublinhou durante sua posse na sexta-feira, dia 9.
    Também tomaram posse os quatro subprocuradores-gerais de Justiça para o próximo biênio: Cesar Faccioli, Assuntos Jurídicos; Benhur Biancon Junior, Assuntos Administrativos; e Marcelo Dornelles, Assuntos Institucionais; e Ana Cristina Petrucci, Gestão Estratégica.
    Corrupção
    O novo procurador-geral de Justiça ainda fez uma análise sobre o cenário político-econômico nacional e postulou que o Brasil atravessa um momento extremamente delicado, exigindo prudência e equilíbrio de todos aqueles que se preocupam com o futuro da nação. “A corrupção e a incompetência – e não o seu desvelamento e enfrentamento – produziram esse caos em termos de miséria e desemprego.”
    Dallazen enfatizou que a corrupção tem impactos danosos em várias dimensões. “Na dimensão social, o impacto é na a descapitalização do Estado, o subfinanciamento das políticas públicas, a falta de recursos para financiar programas sociais, além dos prejuízos na dimensão democrática, com os abusos do poder econômico e nosso modelo de financiamento privado de campanhas políticas, claramente indutor de relações pouco republicanas entre candidatos e financiadores”, salientou.
    Prestigiaram a posse o vice-governador do Estado, José Paulo Cairoli; a primeira-dama do Estado e secretária de Estado do Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos, Maria Helena Sartori; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Edegar Pretto; o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, em exercício, desembargador Carlos Eduardo Duro; o defensor público-geral do Estado, Cristiano Vieira Heerdt; o vice-prefeito de Porto Alegre, Gustavo Paim; o presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Cassio Trogildo; o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Lamachia; o presidente do Tribunal de Contas do Estado, em exercício, Algir Lorenzon; o procurador-geral do Ministério Público Especial junto ao Tribunal de Contas do Estado, Geraldo Costa da Camino, entre outras autoridades.

  • “Direito ao esquecimento” em discussão no Congresso e no Supremo

    Enquanto andam no Congresso quatro projetos de lei sobre o “direito ao esquecimento”, o assunto foi debatido ontem (12) no Supremo Tribunal Federal por quase duas dezenas de juristas, estudiosos, representantes da imprensa e de portais digitais.
    No STF, houve uma audiência pública sobre o assunto porque o Supremo está para decidir sobre um pedido específico, envolvendo a TV Globo: parentes de uma pessoa assassinada em 1958 processam a emissora pela dramatização do crime no programa ‘Linha Direta’.

    Carlos Affonso Souza: 114 pedidos entre 2012 e 2016 | Carlos Moura/SCO/STF

    Entre 2012 e 2016, passaram pela Justiça brasileira 114 pedidos de ‘direito ao esquecimento’ envolvendo veículos de comunicação, dos quais 84 eram na internet, segundo o diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Carlos Affonso Souza. “A decisão do STF, ainda que sobre um programa de TV, certamente enviará a todos os tribunais orientações que terão impacto na internet”, afirmou.
    O pedido de indenização foi negado em todas as instâncias anteriores e chegou ao STF  na forma de um Recurso Extraordinário (RE 1010606), pelo qual alegam violação dos princípios constitucionais da dignidade humana e da inviolabilidade da intimidade, segundo relatou o jornalista Luís Grossmann, do portal Convergência Digital, sobre TI e Telecom.
    Marcel Leonardi, do Google : “O Brasil não só não precisa como deve rejeitar” | Carlos Moura/SCO/STF

    Representantes da Google e do Yahoo sustentaram no STF que o ‘direito ao esquecimento’ não deve prosperar no Brasil. “Nosso sistema jurídico oferece soluções adequadas sem necessidade de inventar um novo conceito. Já é possível pedir remoção de conteúdo em juizados especiais, sem sequer necessidade de advogado. Remoção forçada de conteúdo já tem previsões jurídicas e não há no sistema jurídico brasileiro qualquer dificuldade para justificar pedidos de remoção. O que os defensores desejam é um atalho. O Brasil não só não precisa como deve rejeitar o direito ao esquecimento”, defendeu o diretor de políticas públicas da Google, Marcel Leonardi.
    “Se fala muito dos requisitos ao direito ao esquecimento, restrições e características, mas eu vi muito pouca análise da questão da saúde da vítima, se seria lícito matar para a vida quem quer que seja por uma notícia de interesse mórbido, de interesse do público, que eventualmente sirva para vender jornal, para vender publicidade, mas que não agregue nada de novo à sociedade”, defendeu o advogado dos autores, Roberto Algranti Filho.
    Falando pela Abert, o advogado Gustavo Binenbojm, alegou que “o mero desejo de alguém de não ser lembrado por fatos embaraçosos, desabonadores, ou simplesmente desagradáveis que tenham acontecido no passado não podem servir de fundamento jurídico para limitar, restringir, suprimir o exercício de liberdades constitucionais como são as liberdades de expressão, de imprensa, o próprio direito de informação, o direito de informar, se informar e ser informado”.
    Artigo 19 também subsidia o debate
    O escritório brasileiro da Artigo 19, organização internacional de direitos humanos, lançou também na segunda-feira a publicação “Direito ao Esquecimento no Brasil – subsídios ao debate legislativo”.
    A análise da Artigo 19 estabeleceu critérios, elaborados com base em padrões internacionais de direitos humanos, a serem levados em conta caso o Brasil venha a considerar a adoção de uma lei sobre “direito ao esquecimento”.
    “Tais padrões indicam, no entanto, que uma legislação específica sobre o tema é não apenas desnecessária, como pode também representar um risco de restrição indevida à liberdade de expressão no país”, conclui o estudo.
    O debate em torno do tema ganhou projeção quando em 2014 o Tribunal de Justiça da União Europeia deu ganho de causa ao espanhol Mario Costeja González, que havia entrado com uma ação contra o Google, solicitando a remoção de resultados de buscas de informações obtidas por uma pesquisa em seu nome. Após a decisão, vários países da Europa passaram a debater a aprovação de leis específicas sobre a questão, com algumas delas chegando a ser aprovadas.
    Projetos de lei no Brasil
    Os quatro projetos de lei que correm atualmente no Congresso Nacional são o PL 7881/2014, proposto pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o PL 1676/2015, de autoria do deputado Veneziano Vital do Rêgo (PMDB-PB); o PL 2712/2015, de autoria do deputado Jefferson Campos (PSD-SP); e o PL 215/2015, de autoria do deputado Hildo Rocha (PMDB-MA).
    A análise do Artigo 19 indica que somente um dos projetos limita a restrição decorrente do “direito ao esquecimento” apenas aos mecanismos de busca na internet, relacionando-a à ideia de desindexação de resultados de pesquisas; além disso, apenas um outro único projeto atribui a decisão da remoção de conteúdo à Justiça.
    Nenhum dos projetos traz ressalvas para os casos em que o requerente seja uma figura pública, quando, segundo os padrões internacionais, o “direito ao esquecimento” não se aplicaria. Outro critério não observado por nenhum dos PLs é a menção explícita ao direito à liberdade de expressão no texto do projeto.
    “Acreditamos que normas já existentes que regulam áreas próximas, como leis de proteção à privacidade, possam servir de referência para casos em que haja um requerimento para a restrição de acesso a um conteúdo publicado”, afirma Laura Tresca, oficial de Direitos Digitais da Artigo 19 e responsável pela análise.
    Por tudo isso, a Artigo 19 recomenda ao Congresso Nacional a rejeição de qualquer um dos quatro projetos de lei que vise regulamentar o “direito ao esquecimento” na legislação brasileira, sob pena de serem criadas brechas para a ocorrência de violações do direito à liberdade de expressão e à informação no país.

  • Isenções de impostos: Campanha para abrir a caixa preta

    Trinta e seis entidades, entre elas sindicatos de servidores, associação de juízes e do Ministério Público, já aderiram ao movimento que pede uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as isenções de impostos a grupos privados no Estado.
    “Ninguém é contra os incentivos. Mas tem que haver transparência, tem que se saber o que está sendo feito com o dinheiro público”, diz Carlos De Martini, presidente do Sindicato dos Fiscais de Tributos do Estado (Afocefe), que lidera o movimento.
    Ele aponta um estudo feito pela FEE: só em 2015, os cofres estaduais deixaram de arrecadar R$ 9 bilhões em desonerações do ICMS, o principal imposto estadual (Confira no quadro os dez maiores beneficiários). Se forem somadas as isenções por leis federais, a renúncia pode chegar a R$ 13 bilhões anuais. “É muito, são contratos bilionários, mas nem o Ministério Público de Contas obtém informações”, diz De Martini.
    Uma “CPI dos Benefícios Fiscais” está proposta na Assembleia desde o ano passado, pelo deputado Luis Augusto Lara (PTB), mas esbarra nos interesses dos maiores partidos. São necessários 19 assinantes para aprovar a CPI, mas até agora apenas 13 deputados se dispuseram a assinar o requerimento. E não há perspectiva de avanço. “Todos foram governo e todos os governos concederam incentivos, temem que sirva para jogo político”, diz Lara
    Por isso, o movimento das entidades está indo às ruas colher assinaturas para pressionar os deputados. A meta é um milhão de assinaturas. A mobilização se estenderá a todas as regiões do Estado.
    O PT, a maior bancada da casa, antes a favor de uma investigação, voltou atrás. “Não é nossa prioridade no momento” justificou o líder do partido, o deputado Tarcísio Zimmermann.
    Os parlamentares do PMDB, partido do governo, também não assinaram, apesar de negar uma decisão conjunta. O líder da bancada, deputado Vilmar Zanchin, justificou a desnecessidade da CPI: “não há caixa preta sobre as isenções ficais”. Zanchin destacou que o governo disponibiliza o portal Receita Dados, onde é possível consultar o nome das empresas beneficiadas.
    Já no PP a decisão foi conjunta. O deputado Sérgio Turra, líder do partido, através de sua assessoria, alegou que a bancada decidiu não assinar o requerimento por tratar-se de um movimento político do proponente.
    Os dez maiores beneficiários (Fonte: Afocefe)
    Empresa               Beneficio em    Empregos
                                  R$ mihões
    Videolar-Innova    343,41                5
    Fibraplac              293,25               363
    John Deere          258,90               500
    Duratex                250,14               93
    Masisa                 241,35              221
    Brasil Kirin           191,11              360
    Oleoplan              179,95              434
    Gerdau                146,30              73
    Biodiesel Sul       146,13              231
    Philip Morris        133,01               26
    Total                   2.183,54           2.306
     
     

  • Para Secretaria de Cultura, sindicato dos artistas distorce informações

    Como resposta ao texto publicado, citando as atividades da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, respondemos:
    Entendemos que parte da classe artística ainda tenha questionamentos sobre o modelo, como ocorre com tudo que é novo. Nos surpreende, no entanto, a afirmação do presidente do sindicato dos artistas e técnicos de que a proposta não foi discutida com a classe artística, quando o próprio Fábio Cunha foi convidado para conversar sobre o tema, no dia 19 de maio, e respondeu ao convite informando que não poderia participar da reunião (encontro que posteriormente contou que uma representante do Sated, Rosa Campos Velho, que avaliou positivamente a proposta apresentada: “A parceria público-privada é uma perspectiva muito boa, desde que nenhuma das duas partes se isente e jogue suas responsabilidades nas costas do outro e desde que essa parceria respeite que todos falem se sejam ouvidos”. Além disso, no último dia 31, com o Capitólio lotado, aconteceu o Seminário do Terceiro Setor na Gestão da Cultura, o que mostra o interesse em massa da sociedade no assunto. Infelizmente, sem a presença do presidente do sindicato dos artistas e técnicos.
    Ao longo de todo o mês de maio, por sinal, o secretário-adjunto de Cultura, Eduardo Wolf, se reuniu pessoalmente com representantes do teatro, do cinema e das artes plásticas, em diferentes datas, para apresentar o tema previamente, colher idéias e opiniões. Também surpreende o desconhecimento (ou manipulação da informação) por parte de Fábio sobre o Em Cena. Primeiramente, que conta, sim, com recursos públicos, mas que só sobrevive graças a recursos de empresas privadas. Fábio também distorce as informações ao afirmar que a secretaria “agora acha que Cultura não precisa de dinheiro público”.
    Ao contrário do que tenta induzir o presidente do Sated, e como ressaltou Wolf em todos os encontros prévios, os recursos públicos não serão suprimidos, mas somados aos recursos privados. Fábio também parece desconhecer a estrutura do funcionamento tanto do Iberê Camargo quanto do Araújo Viana. Primeiramente, o Iberê Camargo não é um espaço público, mas sim uma fundação (e, por sinal, um bom exemplo de que como uma Organização Social é uma excelente alternativa para equipamentos de cultura).
    Fábio também desconhece ou trabalha com informações erradas sobre o Araújo Viana. De onde partiu a informações inverídicas de que prefeitura paga aluguel para uso do Araújo Viana? Como representante da classe artística o presidente do Sated deveria saber que, no máximo, o município paga pela prestação de serviços terceirizados(o cliente pode contratar a empresa que quiser), como de sonorização de seus eventos no local, inclusive fomentando a produção local. Incorreto seria utilizar o trabalho local e não pagar por ele.

  • Sartori anuncia investimento de R$ 85 milhões para três novos presídios

    O governador José Ivo Sartori anunciou na manhã desta segunda-feira, 12/06, a construção de três novos presídios no Estado, além de um centro de triagem junto ao Presídio Central. Ao todo, o investimento será de R$ 85,4 milhões.
    As novas unidades devem abrir 924 vagas no sistema prisional, mais 96 vagas na triagem. Os presídios serão construídos em Charqueadas, Viamão e Alegrete.
    Em Charqueadas, será construído um presídio federal de segurança máxima, parte do Plano Nacional de Segurança Pública. O investimento estimado é de R$ 40 milhões. O presídio terá 208 vagas e abrigará apenados de alta periculosidade. A área de 25 hectares fica próxima da RS-401 e foi cedida pelo Município.
    Outro presídio será construído em Viamão, com 430 vagas, em área pertencente a Fepagro, próxima ao autódromo de Tarumã. O custo estimado é de R$ 26 milhões. No caso de Viamão, a unidades será construída com recursos federais e administrada pelo Governo do Estado. Esta unidade ainda está em fase de projeto, mas os recursos já foram depositados no caixa do governo gaúcho.
    A terceira unidade prisional ainda está em fase de licitação e será construído em Alegrete, em uma área de 10 hectares próxima à Polícia Rodoviária Federal. Com custo de 16,5 milhões, sendo R$ 3,3 milhões do Estado e R$ 12,9 milhões da União, a unidade abrigará 286 apenados.
    Em Porto Alegre, o novo centro de triagem será construído em área anexa ao Presídio Central. O investimento será de R$2,9 milhões, com recursos do Estado, e a unidade vai abrir 96 vagas. Sartori afirmou que este centro deve entrar e funcionamento entre 45 e 60 dias. O centro será construído a partir do método construtivo ‘monobloco’, mesma técnica aplicada no Presídio de Canoas.

  • Decapitações em Porto Alegre: o terror mora ao lado

    Eram 8h15 de um domingo, quando a polícia foi informada por alguém que não se identificou: havia uma cabeça humana dentro de uma caixa de papelão na rua dr. Murtinho, no bairro Bom Jesus.
    A Brigada Militar encontrou o corpo uma hora depois, a um quilômetro dali, na avenida Protásio Alves. Estava enrolado num edredom, perfurado de bala. Nas costas, o recado  dos executores. “BNC”. “Antibala, um abraço dos Bala”
    Nesse dia, 17 de janeiro de 2016, se introduziu o terror na guerra entre as duas maiores facções criminosas que disputam territórios na capital gaúcha. Seguiu-se uma série de crimes brutais com decapitações e esquartejamentos que levou pavor aos bairros da Zona Norte de Porto Alegre.
    Seriam 25 casos na região metropolitana de Porto Alegre: 16 no ano passado e nove este ano. Os números são imprecisos porque os inquéritos estão dispersos por seis delegacias e há muitos casos de corpos carbonizados dentro de carros incendiados.
    Há também, pelo menos, três casos de esquartejamentos comprovados por vídeos e testemunhas, mas os corpos ainda não foram encontrados.
    A delegada Luciana Smith, da 5ª Delegacia de Homicídios, já concluiu oito dos 12 inquéritos relativos a casos ocorridos na Zona Norte da capital. Os autores identificados, a maioria presos. Ela ainda não tem números consolidados. “São muitos, só nos dois últimos casos foram mais de 20 pessoas presas”, explica. Os foragidos seriam uma dezena, pelo menos.

    Polícia registra mais de 20 decapitações em 18 meses

    Segundo a polícia, essa fase de crimes brutais provocou uma mudança na estrutura das facções, com introdução de uma nova célula –a dos carrascos – no organograma tradicional de gerentes, distribuidores, vapores e soldados. Também ao arsenal de armas modernas foram acrescentados primitivos machados e foices.
    A delegada acredita que as prisões efetuadas nos últimos três meses em grandes operações policiais,  desmontaram os grupos de extermínio, ao menos temporariamente. A transferência de José Dalvani, o Minhoca, preso no Paraguai e transferido para um presídio federal no Mato Grosso, e a morte de Marcelo dos Santos, o Mais Mais, em confronto com a BM, também contribuíram para a cessação dos crimes. Minhoca comandava uma das facções desde o Paraguai e Mais Mais era seu principal operador.
    Entre as armas apreendidas, um machado usado para cortar cabeças

    Para além da guerra
    A decapitação de quatro jovens, no início de novembro passado, revelou que, menos de um ano depois, o terror se havia banalizado para além da guerra entre facções.
    Bruno, Eduardo; abaixo, Ederson e Émerson/Foto PC/Divulgação

    Eduardo dos Santos, Ederson Araújo, Emerson Pereira, todos de 21 anos, e Bruno Ferreira , de 19, foram as vítimas.
    Eles não tinham envolvimentos com o tráfico, mas tinham antecedentes  por roubo de carro e porte ilegal de arma, e um deles, o Emerson, cumpria prisão domiciliar.
    A polícia apurou que no sábado, 5 de novembro, eles roubaram um carro no bairro Rubem Berta, na Zona Norte da capital.
    No domingo, assaltaram uma casa na Vila Americana. Fizeram uma limpa e levaram o carro da família. Provavelmente não sabiam que ali morava a mãe do chefe do tráfico na Vila do Umbú, ali ao lado.
    Se soubessem, não teriam oferecido o carro roubado em mensagens pelo Whatsapp.  Atraídos por um suposto interessado  em comprar o carro, chegaram ao pátio de um Hipermercado em Alvorada, onde foram rendidos e levados para uma casa abandonada.
    Foram encontrados na quinta-feira, 10, dentro de um carro abandonado na rua Tupã na vila ao lado, a Salomé. Um corpo estava estendido no banco traseiro, com as mãos e pés amarrados. Entre os bancos estava a cabeça, dentro de um saco plástico.
    No porta-malas, outros três corpos empilhados, também com pés e mãos amarrados, as cabeças dentro de um saco de lixo.
    Moradores viram três homens que deixaram o carro na rua Tupã embarcarem em outro, que esperava pouco adiante.
    Em redes sociais, os criminosos espalharam fotos do crime e das vítimas momentos antes de serem mortas. A polícia acredita que as imagens tenham sido enviadas para quem havia arquitetado as execuções.
    Cinco dias depois, foi preso Cristiano dos Santos Soares, de 21 anos, flagrado pela BM com um carro roubado, armas e munições. Em sua ficha criminal constam quatro homicídios.
    No celular aprendido com ele, a polícia encontrou as pistas e esclareceu o caso. Descobriu que o crime havia sido comandado de dentro do presídio Central. Ao final de seis meses de investigação, foram presos sete envolvidos. Três outros já identificados  ainda estão foragidos.