Categoria: Geral

  • Multidões voltam às ruas contra a reforma da Previdência

    Os números da pesquisa do Ibope, divulgados nesta sexta-feira, revelaram que 73% dos brasileiros não confiam no presidente da República, Michel Temer.
    A pesquisa, divulgada pela manhã, foi confirmada pelas ruas à tarde, nas manifestações preparatórias da greve geral marcada pelas centrais sindicais para o dia 28 de abril.
    Multidões foram à rua repudiar a reforma da Previdência Social que o presidente quer aprovar. O “Fora Temer” voltou a ecoar em todo o país.
    Pela manhã, em São Paulo, na região do Rodoanel (saída para o Sul), e em Uberlândia (MG), ocorreram repressões militares violentas contra bloqueios de estradas com fogo.
    Enquanto isso, no Centro de São Paulo, o MTST ocupava o prédio da Caixa, cobrando cumprimento de acordos anteriores sobre financiamento de moradia popular. No final da tarde, contavam-se 40 mil pessoas na avenida Paulista.
    A pauta principal de todas as manifestações foi rechaçar a reforma da Previdência tal como proposta pelo governo. Em torno, dezenas de demandas – nacionais, locais, por setor social ou categoria profissional.
    No Rio Grande do Sul, a mobilização mira as propostas do governo Sartori para alterar a constituição do Estado, de modo a poder privatizar estatais sem o plebiscito previsto em lei.
    Em Porto Alegre, também foi o dia em que a assembleia geral do Cpers, dos professores estaduais, suspendeu a greve mas deliberou parar na greve geral do dia 28 e também nos dias de votação das PECs de Sartori na Assembleia.
    No final da tarde, a Esquina Democrática, no Centro, foi mais uma vez ponto de partida para o trajeto tradicional das manifestações, seguindo pela avenida Borges de Medeiros em direção do Largo Zumbi do Palmares.
    Em 2013, as “manifestações de junho” que tomaram o país começaram em abril em Porto Alegre, após o aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus – “Não é pelos 20 centavos”.
    Hoje passou a vigorar a nova tarifa de ônibus na cidade, um aumento de 30 centavos (8%, portanto acima da inflação do período).
    As empresas concessionárias do transporte urbano alegam que não podem arcar com o reajuste dos rodoviários (nem a inflação) porque com a crise econômica caiu muito o número de passageiros pagantes.
    Diante da reforma da Previdência, da terceirização do trabalho e do desemprego, o aumento da tarifa de ônibus mal apareceu na manifestação.

  • Suspensa a greve do magistério da rede pública estadual

     
    Em assembleia geral realizada na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia, os professores da rede pública estadual suspenderam a greve da categoria, iniciada no dia 15 de março. As aulas serão retomadas na próxima quarta-feira, dia 5 de abril, mas sofrerão interrupções quando houver votação dos projetos do governo Sartori na Assembleia Legislativa e no dia 28 de abril, data que está convocada uma greve geral pelas centrais sindicais.
    A assembleia geral dessa sexta-feira (31/3) foi realizada em um local menor que a anterior (que foi no Gigantinho) e durou uma hora e meia. O encaminhamento para a suspensão da greve foi realizado na parte da manhã, na reunião do Conselho da entidade, que aprovou as propostas discutidas. A adesão ao movimento era baixa, principalmente no interior do Estado. Mas a avaliação da direção do Cpers/Sindicato é que a forma que a paralisação foi feita teve resultado positivo.
    Para a presidente da entidade, Helenir Schürer, “a força da greve e das inúmeras mobilizações realizadas por todo o Estado pelos educadores têm feito o governo Sartori recuar na aprovação das PECs que prejudicam de forma brutal os educadores e demais servidores”.
    Agora a direção do Cpers vai negociar com o secretário da Educação, Luis Alcoba, a recuperação dos dias de aulas parados e a reversão de medidas punitivas que foram aplicadas em algumas ocasiões durante a greve.
    Propostas aprovadas:
    1 – Suspender a greve, com calendário forte de mobilização, retornando as atividades na quarta-feira (05/04) condicionada ao acordo de greve do CPERS/Sindicato com o governo na recuperação dos dias parados, revertendo os casos de perseguição e respeitando a Lei de Gestão Democrática nas escolas;
    2 – Dar continuidade às plenárias de discussão da reforma da Previdência e demais reformas, bem como o fortalecimento dos comitês locais;
    3 – Acompanhar o calendário de mobilização da CNTE;
    4 – Participar no dia 28 de abril da Greve Geral chamada pelas centrais sindicais, sindicatos, federações e confederações;
    5 – Realizar paralisação e vigília nos dias de votação das PECs encaminhadas pelo governo Sartori à Assembleia Legislativa;
    6- Realizar escrachos ao governador Sartori em todos os espaços em que ele estiver;
    7 – Continuar com os escrachos aos deputados estaduais e federais nas suas bases eleitorais;
    8 – Realizar marchas temáticas municipais, culminando em marchas estaduais;
    9 – Discutir com a categoria a importância do IPE público e de qualidade, devido à eminência do Judiciário em criar um plano próprio de saúde;
    10 – Procurar todas as entidades para integrar os comitês locais contra as reformas dos governos Temer e Sartori;
    11 – Moção de Repúdio contra a violência praticada contra os servidores da Prefeitura de Cachoeirinha, apoiada pelo prefeito Mike Breier (PSB) e pelo presidente da Câmara de Vereadores, Marco Barbosa.
     

  • Fontana propõe Frente pelo Banrisul público na Câmara dos Deputados

    O deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) está coletando assinaturas desde ontem (30/03) para a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público na Câmara Federal.
    Com isso, ele pretende promover ações de mobilização em defesa do Banrisul público e ampliar o debate sobre a importância da instituição para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, tornando. Fontana pretende discutir e tornar mais transparente as possíveis consequências sociais e econômicas, para a população e para a administração pública, da eventual privatização.
    “O Banrisul é uma instituição com identidade histórica e cultural com a população gaúcha e profundamente ligada ao desenvolvimento do Estado, com grande alcance geográfico e capilaridade na maioria dos municípios do RS. Por meio do Banrisul, o Governo do Estado pode operar políticas públicas importantes que beneficiam milhares de pessoas, no meio urbano e rural. Trata-se de um banco sólido e lucrativo, com patrimônio líquido de R$ 6,7 bilhões, que teve lucro acumulado de R$ 643,5 milhões em 2016”, justifica Henrique Fontana no documento que pede apoio à criação da Frente.
    O Banrisul está presente em 430 municípios, sendo que em 96 deles é a única instituição financeira.
    A criação da Frente na Câmara Federal se soma à iniciativa da Assembleia Legislativa, proposta pelo deputado estadual Zé Nunes (PT), que lançou o movimento no parlamento gaúcho e elaborou uma carta pública contra a venda do banco estatal.
     

  • Rede Minha Porto Alegre lança campanha para financiar atividades

    Responsável por ações criativas em prol de causas políticas, a rede Minha Porto Alegre está em busca de recursos para manter suas atividades. O coletivo, em atividade desde outubro de 2015, lançou uma campanha de financiamento coletivo através do seu site.
    Entre as causas defendidas pela Minha Porto Alegre estão a liberdade de ensino nas escolas, o apoio às mulheres vítimas de violência, a promoção da agricultura urbana e do transporte público de qualidade. A organização que atua há cerca de um ano emprega tecnologia e ações criativas para mobilização, por meio de ações online, como aplicativos para pressionar políticos, ou através de eventos como exibição de filmes e rodas de discussão.
    A verba de operações acaba em abril. Os recursos restantes no caixa são de uma campanha de microfinanciamento realizada em 2015, para arrecadar R$ 13,7 mil reais em seis dias. As doações são a partir de R$ 15 e podem ser feitas doações únicas ou programação de débito automático mensal.
    A coordenadora de relacionamento da Minha Porto Alegre, Clara Alencastro, explica que em razão dos princípio da rede, a captação de recursos é limitada. “Como não tem contrapartida, a gente não coloca marca, fica difícil de receber doação de empresas. A gente também não aceita dinheiro de político, então a gente optou por esse modelo de microfinanciamento. Não precisamos de muito, precisamos de muitos”, afirma.
    Clara estima em aproximadamente R$ 8 mil reais o custo mensal, o que inclui salários de dois funcionários, contabilidade, manutenção do escritório e custos com tecnologia.
    Minha Porto Alegre integra a rede Nossas Cidades, que surgiu em 2011, no Rio de Janeiro, a partir de um projeto que reivindicava mais transparência nas contas das Olimpíadas. A partir daí surgiu a Meu Rio. Em 2014, veio Minha Sampa. Em 2015, a rede venceu o Desafio de Impacto Social do Google Brasil, um prêmio de R$ 1 milhão, e abriu inscrições para novas cidades, quando Porto Alegre foi uma das contempladas.

  • “El Juego de Antônia” leva o teatro a espaços não convencionais

    Higino Barros
    Os desafios são múltiplos para os atores da peça “El Juego de Antônia”. O espaço cênico não é o palco convencional, o texto é falado no idioma espanhol e o tema – medos e desejos humanos – nunca é fácil de abordar.
    O espetáculo reestreia nessa sexta feira, dia 31 (ver serviço) na casa dos cineastas Ana Luiza Azevedo e Giba Assis Brasil, seguindo a ideia de ocupar a residência como espaço para experiência cênica. A itinerância de “El Juego de Antônia” seguirá pelos espaços do Memorial do Theatro São Pedro e Museu Joaquim Felizardo.
    O espetáculo foi concebido para espaços não teatrais. Essa criação parte da experiência do diretor teatral André Carreira e da atriz Luciana Paz, que investigam as possibilidades dramatúrgicas dos espaços urbanos. A peça é livremente inspirada no texto Dos Viejos Panicos (1967), de Virgilio Piñera (1912-1979), importante autor cubano, ainda inédito no Brasil.
    Influência na encenação
    Levado à cena pela primeira vez em 2015, sempre em locais não convencionais, será a primeira vez que o espetáculo é apresentado em uma residência. A atriz Luciana Paz explica que tanto o espaço físico quanto o número de espectadores acabam influenciando a encenação:
    foto jogos de antonia 2“O espaço físico é fundamental na moldura do espetáculo. Já presentamos para público de cerca de 200 pessoas e outras vezes para plateias de 20 assistentes. Tudo isso acaba influenciando a compreensão da encenação, embora o tempo todo o conteúdo do que é falado seja sempre o mesmo. Embora nada seja forçado, o público acaba interagindo com os atores e cada reação é um sentimento, uma visão de mundo, uma experiência de vida”
    Para Luciana Paz, o espetáculo utiliza a imagem como representação do passado para articular-se com o simbólico. “O espaço ligado ao olhar e à memória, num truísmo: sem ver não sabe; sem memória não se lembra”, conclui.
    SERVIÇO:
    Residência de Ana Luiza Azevedo e Giba de Assis Brasil
    Espetáculo: El Juego de Antonia
    Dias: 31 de março e 01 de abril / 7 e 8 de abril
    Horário: às 19h, Bairro Rio Branco
    Capacidade: 20 pessoas
    Telefone para reservas: (51) 99119 6972
    Ingresso: Contribuição espontânea (no local)
     
    Memorial do Theatro São Pedro
    Dias: 14 e 15 de abril
    Horário: às 19h
    Endereço: Praça Marechal Deodoro, s/nr
    Bairro Centro Histórico – Porto Alegre – RS
    Telefone Theatro São Pedro: (51) 3227.5100 – 3227.5300
    Telefone Produção do Espetáculo: (51) 991196972
    Ingresso: Contribuição espontânea (no local)
     
    Museu Joaquim Felizardo
    Dias: 21 e 22 de abril
    Horário: às 19h
    Endereço: R. João Alfredo, 582
    Bairro Cidade Baixa – Porto Alegre – RS
    Telefone Museo Joaquil Felizardo: (51) 3289.8275
    Telefone Produção do Espetáculo: (51) 991196972
    Ingresso: Contribuição espontânea (no local)
     
    OBS.: A lotação é de no máximo 20 pessoas em todos os locais,  os interessados devem fazer reserva pelo telefone: (051)99119 84 72 ou pelo e-mail: eljuegocontato@gmail.com
     
    Ficha Técnica
    Concepção e criação: Luciana Paz, André Carreira e Sérgio Lulkin
    Direção: André Carreira
    Atuação: Luciana Paz e Sérgio Lulkin
    Dramaturgia: André Carreira e Luciana Paz (livremente inspirado na obra Dos Viejos Pânicos do autor cubano Vírgilio Piñera)
    Cenografia: Kadi Silva
    Figurino: Itiana Passetti
    Preparação Vocal: Marlene Goidanich
    Preparação Espanhol: Ana Gabriela Vazquez
    Fotografia: Fernando Pires
    Engenharia de Som: Alexandre Missel
    Coordenação de produção: Alexandre Vargas
    Duração: 45 minutos
    Faixa Etária Recomendada: 14 anos
    Realização: **CPTA – Centro de Pesquisa Teatral do Ator.
     

  • Circulação de jornais gaúchos teve queda de 20% em 12 meses

    A circulação dos dez jornais gaúchos auditados pelo Instituto Verificador de Comunicação (IVC) registrou uma queda mediana de 20,37% em 2016.
    Nos números levantados entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016, teve diário que reduziu a impressão em mais de 30%.
    Pior do que os dados ruins foi a postura dos veículos de sonegar as informações ao público, e o maior deles no Estado – Zero Hora – publicou que foi o único entre os cinco maiores jornais do país a aumentar em 7% sua circulação total – digital e impresso –, sendo que o IVC verificou para esta soma pouco mais de 2%.
    Ademais, o diário sequer mencionou ou contextualizou a redução de mais de 15% na sua tiragem no período.
    Os jornais aferidos pelo IVC pertencem a cinco grupos de comunicação do Rio Grande do Sul e grande parte tem concentração de circulação na Região Metropolitana de Porto Alegre.
    Conforme o Instituto, o Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, registrou a menor queda, com 2,39%. O maior percentual foi do Diário de Canoas, do grupo Sinos, que caiu 31,82%.
    Do mesmo grupo, o Jornal VS apresentou diminuição de 21,72%, enquanto o ABC Domingo caiu 21,04% e o Jornal NH, 20,82%.
    Já dos impressos do grupo RBS, o Pioneiro, de Caxias do Sul, foi o que mais caiu, registrando um percentual de -19,92%. O Diário Gaúcho caiu 16,38% e Zero Hora, 15,14%.
    O Diário de Santa Maria, que foi comprado por grupo de empresários locais, registrou queda de 22,37% no período em questão e o Correio do Povo diminuiu 13,64%.
    (Elstor Hanzen, do Observatório da Imprensa )
     

  • Servidores de Cachoeirinha em guerra contra pacote do Prefeito

    Bombas de gás, spray de pimenta e conflito entre Brigada Militar e servidores públicos municipais de Cachoeirinha. Foi esse o cenário que se instaurou em frente à Câmara durante a manhã desta quinta-feira quando o legislativo aprovou por 14 votos a 2 o projeto que reduz de R$25 para R$ 20 o vale-alimentação dos servidores que ganham mais que R$ 2000.
    A justificativa do prefeito Miki Breier (PSB) é a falta de dinheiro e com isso o enxugamento dos gastos da máquina pública. Em fevereiro o prefeito já havia mandado um pacote de 11 medidas, do quais aprovou nove.
    Os servidores recriminam o atual governo. Em greve há 24 dias, eles prometem uma série de mobilizações para impedir que mais projetos sejam aprovados. Um ato público de de repúdio na frente da Prefeitura já está programado para as 10h desta sexa-feira, dia 31. Após o ato será feito um almoço coletivo e uma plenária da categoria.
    O major Luciano Moritz Bueno, comandante do 26º Batalhão da BM, disse à imprensa que era preciso conter os ânimos que estavam exaltados e que a Brigada “fez uso moderado dos meios”. Segundo o major, a chamada que a Brigada fizesse a segurança da Câmara foi um pedido do Presidente da casa, o vereador Marco Barbosa (PSB).
    Confira abaixo a nota do Simca (Sindicato dos Municipários de Cahcoeirinha) e um vídeo do conflito ocorrido hoje pela manhã:
    GOVERNO ORDENA REPRESSÃO COVARDE
    À GREVE DOS MUNICIPÁRIOS
    Durante a manifestação na Câmara dos Vereadores nesta quinta, dia 30/03/2017, vigésimo quinto dia da greve dos municipários, de forma covarde houve a repressão brutal por parte da Brigada Militar ao protesto dos municipários. A sessão da câmara votou o projeto que diminui o valor pago no vale alimentação, conforme escalonamento. Membros da categoria foram agredidos enquanto estavam sentados durante a vigília em apoio à greve de fome. Três colegas da categoria foram injustamente detidos e um está sofrendo ameaça de ser encaminhado ao presídio central. Dezenas de pessoas ficaram feridas pela Brigada Militar.

    Desde à noite de ontem, o comando de greve já estava mobilizado para garantir o acesso ao legislativo. O presidente da câmara ingressou com uma reintegração de posse, porém não houve deferimento do pedido até o final da manhã. O SIMCA moveu um mandado de segurança para garantir a liberação do acesso ao plenário, decisão essa que acabou sendo DEFERIDA pela justiça no final da manhã, comprovando que a atitude arbitrária e repressiva ocorrida na câmara sequer teve respaldo legal.
    O Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha repudia veementemente a repressão ordenada sem nenhuma legitimidade contra os municipários e membros da comunidade.
  • Free Way pode ficar sem pedágio e sem manutenção a partir de julho

    No balanço publicado nesta quarta-feira (29/3), a Triunfo Concepa, concessionária da Free Way, trecho Osório-Porto Alegre da BR-290, admite explicitamente a possibilidade de se tornar “uma empresa dormente” a partir de 4 de julho, data do encerramento do contrato de concessão da rodovia.
    O alerta consta do cabeçalho das notas explicativas do balanço em que a empresa apresenta lucro de R$ 15,6 milhões para uma receita de R$ 326,6 milhões, 80% dos quais oriundos de pedágios recolhidos em três praças (Eldorado do Sul, Gravataí e Santo Antonio da Patrulha) ao longo dos 121 quilômetros da concessão.
    A menção à “dormência”, termo contábil similar à “inatividade”, sugere que a concessionária pode deixar a Free Way  sem pedágios e sem manutenção até uma nova concessão, só prevista para o final do ano.
    Haveria portanto uma lacuna de seis meses que só poderia a ser coberta por uma prorrogação da concessão. Quanto a isso, há um certo mistério.
    Embora alegue que até a data da publicação do balanço “não houve qualquer manifestação por parte do poder concedente no sentido de prorrogar a concessão vigente”, a Triunfo Concepa trabalha com a expectativa de seguir operando na Free Way.
    A empresa também aguarda a conclusão do processo de licitação do pacote de rodovias no qual estão incluídos a BR-448, trechos da BR-290, da BR-386 e da BR-101 entre SC-RS, num total de cerca de 500 quilômetros.
    A Triunfo, com sede em São Paulo, já manifestou a intenção de concorrer e é tal o seu favoritismo que nas áreas técnicas do Ministério dos Transportes esse conjunto de pedágios ganhou o apelido de “Concepão”.
    Nesta sexta (31 de março) às 18 horas termina o prazo para manifestações à consulta pública da  Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) quanto à concessão das rodovias BR-101/290/386/448, assunto tratado pela audiência pública 001/2017. Com base nas contribuições recebidas, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC) vai tomar uma decisão, conforme o cronograma publicado no site da ANTT. (Geraldo Hasse)

  • Central, o filme: a rotina na pior prisão do Brasil

    Matheus Chaparini
    O cotidiano pesado de um dos maiores e piores presídios da América Latina pode agora ser conhecido através das grandes telas das salas de cinema do país. O documentário Central entra em cartaz nesta quinta-feira.
    Foram mais de 200 horas de gravação, ao longo de três anos, entre 2013 e 2016. Para possibilitar o filme, a equipe teve que enfrentar dificuldades de acesso ao presídio e tentativas, de todas as partes, de influenciar no direcionamento do documentário.
    A administração do presídio quer mostrar as melhores galerias, onde ficam abrigados poucos presos, em melhores condições. Aos presos, interessa denunciar as condições a que são submetidos no sistema prisional.
    Já para os líderes de facções, não interessa mostrar a superlotação das galerias: quanto mais presos, maior o ganho da facção. Um documento da facção Os Manos encontrado pelo Ministério Público recentemente definia em R$ 200 mensais o pagamento por preso.
    Os diretores do documentário chegaram a se reunir com os 26 chefes de galerias do presídio. Outra reunião foi realizada com os quatro principais líderes de facções dentro do Central para negociar a viabilidade do filme.

    Em uma mesma galeria chegam a conviver 500 presos / Sidinei José Brzuska
    Em uma mesma galeria chegam a conviver 500 presos / Sidinei José Brzuska

    Além de entrevistas com presos, especialistas e profissionais que lidam com o sistema carcerário, o filme traz entrevistas conduzidas e gravadas pelos próprios presos. Não se trata apenas de uma opção conceitual, mas de um imperativo da situação: “Nas galerias ninguém entra, nem jornalista, nem juiz, nem polícia”, afirma a diretora Tatiana Sager.
    A estreia vem em um momento adequado. No início deste ano, uma série de rebeliões em diversos presídios brasileiros colocou a situação do sistema carcerário na pauta do dia. Mais recentemente, a descoberta de um túnel para uma fuga em massa, fez do Presídio Central notícia em todo o país. Antes disso, o presídio havia ganho projeção nacional em 2008, quando foi considerado pelo Congresso Nacional como a pior casa prisional do país.
    O documentário já foi premiado em festivais e teve sessões de pré-estreia no Rio de Janeiro e São Paulo, onde lotou as salas. Além destes convidados, apenas um grupo de pessoas teve o privilégio de conhecê-lo antes de entrar no circuito. Semanalmente, a diretora Tatiana Sager, apresenta o filme para menores internos da FASE, a antiga Febem. Ela estima que quase todos os internos tenham assistido.
    A reportagem do Jornal JÁ conversou com a diretora Tatiana Sager e com o jornalista Renato Dorneles, autor do livro Facção Gaúcha, que inspirou o documentário. O livro trata do surgimento do crime organizado no Rio Grande do Sul e já havia originado o curta-metragem O Poder entre as Grades.
    Tatiana é fotógrafa e cineasta e já trabalhou em jornais como Correio do Povo, NH e Pioneiro. Renato Dorneles é repórter de polícia há 30 anos, atualmente trabalha no Diário Gaúcho.
    Presídio Central ganhou visibilidade nacional em 2008, quando foi considerado pelo Congresso o pior presídio do país / Divulgação
    Presídio Central ganhou visibilidade nacional em 2008, quando foi considerado pelo Congresso o pior presídio do país / Divulgação

    O filme acabou saindo em um momento que o contexto ajuda, né?
    Renato: Pois é, as confusões com mortes em Manaus, Roraima e Rio Grande do Norte e o túnel aqui do Central, que foi assunto nacional, ajudaram bastante para que o filme se torne bem procurado. A gente percebeu isso bastante no Rio e em São Paulo.
    Desde quando tu acompanhas o presídio Central?
    Renato: Comecei a me interessar pelo assunto em 1987. Teve um motim e a partir daí se soube que estava sendo criada a Falange Gaúcha, uma primeira facção criminosa aqui no Sul. Pouco antes deste motim foi quando os assaltantes de banco resolveram se unir aos traficantes, copiado uma ideia da Falange Vermelha, que depois virou o Comando Vermelho. A união se deu dentro das cadeias. Estavam no Central o Vico, que era o maior assaltante de banco, e o Carioca, que era o traficante que dominava o Morro da Cruz.
    Papagaio e Melara vieram em uma geração posterior?
    Renato: Isso. O Melara já estava, mas nesta época era coadjuvante. Se falava no Melara por causa de um episódio de 1985 em que ele e o Celestino Linn mataram dois agentes penitenciários dentro de um ônibus para libertar um companheiro deles do assalto a banco. E nessa época ele já começava a mostrar que era bom de fuga, havia fugido da PEC.
    O nome Falange Gaúcha eles usavam ou foi criado por ti?
    Renato: As duas coisas. Os presos descreviam como uma falange, porque no rio ainda chamavam Falange Vermelha. Então eu disse que era uma espécie de Falange Gaúcha e eles também passaram a usar.
    Essa organização que surgiu há 30 anos é uma das facções que ainda existem?
    Renato: Ela se subdividiu e a sequência dela é a facção Os Manos, até porque foi o Melara que criou essa facção e era um remanescente da Falange.
    Dá pra se dizer que Os Manos é a facção mais bem articulada hoje?
    Renato: Sem dúvida. É a mais bem articulada tanto que ela já se afastou da guerra das ruas. Ela já está em um patamar mais elevado, mais próximo do PCC.
    Eles se envolvem na política formal?
    Renato: Já houve denúncias de eles terem eleito vereadores pelo interior. É um primeiro passo, eleger vereador, depois deputado. Hoje são basicamente três facções. Tem os Abertos, que é mais uma facção de presídio. É aberto porque é daqueles que não integram as demais facções. Hoje tem três principais: Os Manos, os Bala na Cara e a outra não é bem uma facção, é os Anti Bala, que é uma aliança entre quadrilhas.
    Os jornais muitas vezes evitam dar o nome das facções nas notícias. Isso não desinforma?
    Renato: Eu sou a favor do meio termo. Tu não pode publicar só por publicar, porque pode virar um marketing. Mas por outro lado, determinadas reportagens eu vejo como inevitável e aí há um exagero em omitir. Aqui acontece isso, mas no Rio e São Paulo é mais radical ainda. Tu vai dar uma entrevista e eles recomendam: não fala nome de facção.
    Isso aconteceu contigo em entrevistas?
    Renato: Sim, diziam que era uma política não falar em nome de facção.
    Nestes 30 anos em que tu acompanha os presídios gaúchos, o que tu nota de mudanças?
    Renato: Na década de 1990, dava mais de 30 mortes violentas por ano no presídio Central. Hoje, quando muito, dá uma ou duas. Lá dentro o crime se organizou. Cada facção cuida de uma ou duas galerias, ali elas mandam, ali elas faturam e não se envolvem com as rivais. Mas a regra só vale até o portão do presídio. E isso interfere até no número de assassinatos do lado de fora.
    Outra coisa é a relação à administração do presídio. Antes era extremamente problemático, sempre tinha conflito, denúncias de tortura, agressões. A Brigada Militar foi amadurecendo esse tipo de conversa com a massa carcerária e hoje esses conflitos quase não existem. Isso através do sistema de plantões, onde um líder de cada galeria faz a intermediação.
    E o jornalista na cadeia. Como é visto pelos presos? Não cai uma pecha de cagueta?
    Renato: Há um certo respeito. Eles nunca reclamaram do meu trabalho. Teve só uma vez, que eu escrevi uma coluna dizendo que quem mandava nos presídios eram os presos e recebi de um advogado um manuscrito dos presos pedindo direito de resposta – depois eles desistiram e pediram para não publicar. Neste ponto eu senti um certo respeito.
    Trabalhando com jornalismo de polícia não acontece de cobrir a prisão e depois encontrar a pessoa na cadeia ou na rua?
    Renato: Acontece. No julgamento do traficante Carioca foi uma situação meio constrangedora mas depois eu dei risada. O Tribunal do Júri funcionava no Palácio da Justiça. O Carioca estava sendo julgado e do lado de fora tinha muitos policiais do Choque armados, esperando que os traficantes do Morro da Cruz invadissem para tentar resgatá-lo.
    Quando eu entrei no Juri, ele me viu e fez um gesto de positivo. Todo mundo parou e  ficou olhando, até o juiz. Eles pensaram: vão atacar agora!
    Tem uma vista grossa por parte da fiscalização em relação à droga?
    Renato: Tu imagina, são 400 numa galeria, tu não tem nenhum momento de individualidade. Isso não tem como não afetar o psicológico. Aí eles recorrem à droga para acalmar o preso. É o que diz um dos entrevistados: se não usar droga, o presídio explode, morre cinquenta por dia. Ele diz ‘proíbe entre aspas’. E o diretor da época disse ‘olha, eu não posso dizer isso porque vou estar cometendo crime. A gente tenta coibir, não vou dizer que conseguimos 100%’.
    Eles têm essa consciência de que se eles cumprirem 100% esse trabalho e evitarem a entrada de drogas isso pode gerar uma situação ainda mais complicada?
    Tatiana: A partir destes relatos acho que sim. E não tem como evitar. A corrupção existe, a coisa toda é maquiada e ninguém quer investigar exatamente. Quem é que vai querer chamar a atenção da sociedade se as lideranças de galeria estão ganhando em torno de R$ 500 mil reais por mês?
    Renato: Teve um vídeo que conseguimos, da cheiração de cocaína no presídio em uma festa de natal. Eu publiquei o vídeo e as autoridades trataram como normal os presos cheirando cocaína lá dentro. Eles estranharam que o vídeo tivesse chegado até mim.
    Um dos filmes brasileiros que mais repercutiu nos últimos anos foi o Carandiru. Por mais que seja ficção, é um livro sobre a história de um presídio baseado em um livro-reportagem. Vocês tiveram alguma preocupação de não ser tachado de Carandiru do Sul?
    Tatiana: Não, nunca foi para nós referência. É um filme legal. Os próprios presos, quando estavam gravando brincavam ‘tem que fazer um filme tipo Carandiru.’ Mas ficção é uma coisa completamente diferente de documentário. Está mais para uma grande reportagem do que para um filme de ficção.
    É o teu primeiro documentário?
    Tatiana: Não, já dirigi dois outros curtas e agora fizemos o longa. Tem uma fala de um preso para o outro, ele dizia ‘a mulher aquela é cineasta e quer fazer um filme. De certo ela vai fazer um curta, aí se der certo vira um filme’. A gente brinca que deu certo e virou filme.

  • Marchezan encaminha seu Programa de Metas 2017-2020 à Câmara

    O prefeito Nelson Marchezan Júnior encaminha, às 10h30 desta quinta-feira, 30, à Câmara de Vereadores, o Programa de Metas de Porto Alegre – Prometa 2017-2020.
    Será a primeira gestão a cumprir a lei orgânica municipal 36, de 2015:  todo prefeito eleito tem que apresentar, até 90 dias após a posse, um programa que contemple os quatro anos de sua gestão.
    Apresentada a primeira versão do Programa de Metas, o prefeito terá 30 dias para debatê-lo em audiências públicas. Depois, prestar contas anualmente.
    O Prometa deve indicar as prioridades, os indicadores de desempenho e as metas quantitativas e qualitativas para cada um dos eixos estratégicos de políticas públicas estabelecidas para a administração municipal.
    O Prometa de Marchezan tem três eixos estratégicos – desenvolvimento social; infraestrutura, economia, serviços e sustentabilidade; gestão e finanças – desdobrados em 16 objetivos estratégicos e 58 metas.
    O programa foi elaborado sob a coordenação da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão com participação direta das demais secretarias e órgãos da Administração Pública Municipal Direta e Indireta.
    Segundo a assessoria do prefeito, cada um desses órgãos construiu o seu planejamento conforme as diretrizes apresentadas na campanha eleitoral, os programas e as ações de governo em andamento, as leis orçamentárias e as deliberações das assembleias do Orçamento Participativo (OP), “considerando a responsabilidade primordial do governo com a sociedade”.