Categoria: Geral

  • Cinco escolas de samba descem a Borges nesta sexta

    A quarta de cinzas já passou mas para as escolas de samba de Porto Alegre o período de desfiles do carnaval ainda nem começou. Nesta sexta-feira, acontece a primeira Descida da Borges de 2017. A mudança da data dos desfiles para o final de março mexeu também com a programação da descida. Cinco escolas do grupo principal desfilam com destaques e baterias a partir das 19h na avenida Borges de Medeiros, no centro da capital.
    São elas: Império do Sol, Império da Zona Norte, Estado Maior da Restinga, Imperadores da Samba e Acadêmicos do Gravataí. No sexta-feira da próxima semana, 10, acontece a segunda descida, com outras cinco escolas.
    A Descida da Borges foi reeditada pela Prefeitura de Porto Alegre para relembrar os desfiles de Carnaval no Centro de Porto Alegre da década de 1960. Para o coordenador das Manifestações Populares da Secretaria da Cultura, Érico Leoti, a Descida da Borges revive e renova o espírito do Carnaval no Centro Histórico. “É um evento que consolida a participação popular neste segmento, com a presença de um público considerável. Para as escolas, é a oportunidade de testar, minimamente, o que foi planejado para o desfile oficial”, salienta o coordenador.
    Em outubro de 2016, foi realizada uma edição extra da Descida da Borges, dentro da programação da Festa Nacional da Música.
    Nesta segunda-feira, 6, deve ser entregue a nova planta do Complexo Cultural Porto Seco. O novo projeto vai determinar o número geral de lugares, arquibancadas, frisas e camarotes. A partir dessa definição, serão anunciados locais, datas e valores para a venda de ingressos.
    Sexta-feira, 3 de março
    -Império do Sol
    -Império da Zona Norte
    -Estado Maior da Restinga
    -Imperadores do Samba
    -Acadêmicos de Gravataí
    Sexta-feira, 10 de março
    -Escola Convidada
    -Unidos da Vila Mapa
    -Bambas da Orgia
    -União da Vila do IAPI
    -Imperatriz Dona Leopoldina

  • Libretos lança livro Governar na Crise, de Marco Weissheimer

    WALMARO PAZ
    Dois anos depois do governo Sartori ter colocado o Rio Grande do Sul neste buraco negro da crise onde não aparece nem mesmo uma chama de vela no fim do túnel, vale a pena a leitura do livro “Governar na Crise” (Um olhar sobre o governo Tarso Genro – 2011/2014), de Marco Weissheimer, que será lançado pela Libretos na segunda-feira (6), no Clube de Cultura, as 19h30min.maarco
    A obra de 222 páginas do repórter do site Sul21 é uma análise que serve de contraponto às propostas catastróficas de governabilidade que estamos vivenciando. Não se trata de uma apologia do governo Tarso, mas uma análise crítica sobre as duas propostas de governo que vem se alternando no Palácio Piratini desde o final da ditadura: o neoliberalismo baseado em dados contábeis e no combate ao déficit fiscal ou a implementação de políticas públicas de crescimento das economias familiares, com salários justos e pagos em dia que movimentam a economia do Estado.
    Já na apresentação, onde o autor tenta responder as perguntas: “O que é governar? Para que serve um governo? Qual a medida para avaliar se um governo é bom ou não? ” – fica clara a sua intenção. Com a citação do economista texano James K. Galbraith que faz uma crítica profunda ao projeto neoliberal citando a história dos Estados Unidos e mostrando que o desenvolvimento da potência do norte foi financiado totalmente com a dívida pública e o “ saneamento” desta dívida levou a grande recessão.
    Segundo ele, “a receita de que é possível cortar o gasto público sem cortar a atividade econômica é completamente falaciosa, como mostra bem a realidade vivida por vários países europeus nos últimos anos”. E cita Galbraith: “Em todos os lugares em que foi aplicada, a austeridade produziu mais austeridade, mais desigualdade, mais concentração de renda…”
    Seu maior argumento é dado pela aprovação das contas de Tarso no Tribunal de Contas do Estado relatado pelo ministro ex-peemedebista, Algir Lorenzon; “Ele sacou bastante do Caixa Único? Sacou, é verdade, mas aplicou mais do que qualquer outro… na educação, na saúde, no pagamento dos precatórios, no reajuste aos servidores públicos, no pagamento em dia desses servidores e na reposição de pessoal das áreas de segurança, saúde e educação”.
    Enfim, o livro merece uma leitura atenta nestes tempos difíceis. Como anexo, nas suas últimas páginas o autor colocou o programa de governo elaborado em 2010, depois de ter entrevistado vários gestores dos diferentes setores do governo Tarso, permitindo uma comparação entre o que foi executado e o que estava programado.

  • De olho nas verbas federais, 17 prefeitos querem receber presídios

    O secretário de Segurança do Estado, Cesar Schirmer disse nesta quinta-feira que já tem uma lista de 17 cidades gaúchas cujos prefeitos se candidataram para receber um dos  presídios que serão construídos no Rio Grande do Sul com verbas federais.
    Por enquanto, o único que tornou publico o seu desejo foi o prefeito de São Sepé, Leocarlos Gazzoni. Anteriormente, já haviam sido mencionados como candidatos a sede de presídios os municípios de São Leopoldo e Rio Grande.
    . Segundo Schirmer na semana que vem, quando pretende anunciar um plano completo de segurança públioca para os próximos dois anos, serão também conhecidos os municípios contemplados com as novas unidades prisionais.
    Um dos mais fortes candidatos é o município de Cachoeirinha, onde fica o campus da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) que tem um terreno que preenche todos os requisitos técnicos: 25 hectares de área plana, proximidade com aeroporto, acesso a rodovias pavimentadas.
    O terreno da Cientec já estava preparado para receber um Parque Tecnológico do Estado, anunciado em 2005 e ainda no papel. Como a prioridade do governo estadual agora é a falta de vagas nas prisões, é provável que a área ganhe esta nova destinação.
     
     

  • Exército vai atuar na Redenção e outras áreas próximas a quartéis

    O secretario de Segurança do Rio Grande do Sul informou que forças do Exército vão atuar no policiamento do parque da Redenção já a partir da próxima semana.
    Em entrevista à rádio Gaúcha na manhã desta quinta-feira, o secretário Cesar Schirmer disse que a operação resulta de uma parceria que envolve não apenas o Exército, mas a Força Nacional de Segurança e também a Guarda Municipal.
    A presença do Exército no policiamento ostensivo na Redenção se justifica pela proximidade dó Colégio Militar, que fica na avenida José Bonifácio, junto ao parque.
    Schirmer explicou que a lei faculta a atuação de soldados do Exército no policiamento preventivo num raio de 1.300.no entorno de unidades militares.
    “Será um treinamento para uma atividade prevista na Constituição, que é a manutenção da lei e da ordem”, explicou Schirmer.
    Outras áreas próximas a quartéis na capital e no interior serão também policiadas pelo Exército e serão conhecidas na próxima semana quando o secretário pretende anunciar um Sistema Estadual de Segurança.
     

  • Temer age como se Padilha já estivesse fora do governo

    Em dez dias derreteram-se os superpoderes atribuídos ao Chefe da Casa Civil do governo Temer, o ministro Eliseu Padilha.
    No dia 20 de fevereiro, ele passou mal e foi internado no Hospital das Forças Armadas em Brasilia.Tinha uma obstrução urinária, causada pela próstata aumentada.
    Na noite desta quarta-feira, 1o. de março, ele estava em Porto Alegre  recuperando-se de uma cirurgia. Sua queda era dada como certa em Brasilia.
    Padilha ainda estava em observação, três dias depois da crise urinária, quando foi atingido por um petardo político: o advogado José Yunes, ex-assessor especial da Presidência, relatou ao Ministério Público Federal que foi “mula involuntária” do ministro ao receber em seu escritório em São Paulo, em 2014, um pacote. Seriam R$ 4 milhões em dinheiro vivo, destinado a Padilha.
    José Yunes, deixou o governo em dezembro, quando veio a público a delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da empreiteira Odebrecht..
    Foi Melo Filho quem revelou a história dos R$ 4 milhões entregues no escritório de Yunes, que seriam parte de um repasse de R$ 10 milhões para a campanha do PMDB.
    O dinheiro, segundo Melo Filho, teria sido pedido por Temer num jantar, em que Padilha estava junto, com Marcelo Odebrecht, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.
    Agora, segundo o Globo, o próprio Yunes procurou espontâneamente o Ministério Público para dar a sua versão dos fatos, envolvendo apenas Eliseu Padilha.
    Quando a bomba estourou, Padilha já tinha um diagnóstico de cirurgia para seu problema de saúde. No dia 27, se internou no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, para extrair a próstata. O noticiário político  já falava que seu futuro no governo era “incerto”.
    O colunista Merval Pereira, da Rede Globo e afiliadas, adiantou que a saída de Padilha seria uma boa solução para o governo Temer. Sequer levou em conta que o próprio presidente dias antes anunciara que denúncias em delações não seriam motivo para queda de ministro.
    No dia seguinte Elio Gaspari, outro comentarista político influente, colocou Padilha na lista dos ministros de Temer que caíram: Jucá, Yunes, Geddel, Padilha…
    “Nunca na história deste país um presidente perdeu tantos colaboradores em tão pouco tempo por motivos tão pouco louváveis”, escreveu em sua coluna publicada pelo Globo, Folha e vários outros jornais. Padilha seria o oitavo ministro a cair em apenas nove meses.
    A cirurgia do ministro na segunda feira de carnaval foi bem sucedida, segundo  as notícias, já lacônicas.
    Segundo o relato de Yunes ao MP, Eliseu Padilha ligou para ele e disse que uma pessoa iria deixar em seu escritório em São Paulo documentos que depois seriam retirados por um emissário.
    Ao receber o portador dos documentos, viu que era o doleiro Lúcio Funaro, preso e apontado pela Polícia Federal como operador do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
    Na terça-feira, 27, o mesmo dia em que Padilha fez a sua cirurgia, a repórter Andréia Sadi, da Globo News, informou que Yunes está disposto a provar a ligação de Padilha para seu escritório: “O advogado e amigo do presidente Michel Temer José Yunes disponibilizou ao Ministério Público a quebra do seu sigilo telefônico durante depoimento espontâneo em fevereiro”.
    O objetivo de Yunes seria “comprovar sua versão de que recebeu uma ligação de Eliseu Padilha em 2014 pedindo a ele que recebesse um envelope em seu escritório em São Paulo”. Yunes disse aos investigadores que sua secretária pode ratificar sua versão.
    Segundo Yunes, o envelope foi entregue pelo doleiro Lucio Funaro, que está preso em pela Operação Lava Jato. Yunes disse à Globo News estar à disposição para uma acareação com qualquer personagem de sua narrativa – seja Padilha, seja Funaro.
    Nesta quarta-feira de cinzas, quando o hospital informou que Padilha já estava no quarto em situação “estável”, o jornalista mais próximo a Michel Temer, o colunista Jorge Bastos Moreno, do Globo, perguntou: “Por que José Yunes deu o tiro de misericórdia no Padilha? Por que ele está desfilando com a cabeça do combalido pela Praça dos Três Poderes, ligando para Deus e todo mundo para dizer que pediu à Procuradoria-Geral da República a quebra do seu sigilo telefônico para provar seus contatos com Padilha?”. Em seguida contou uma historinha para demonstrar que Temer e Yunes  são como irmãos.
    No G1, um post das 9h da manhã já informava que “Sem Padilha, Temer assumiu as negociações com o Congresso”. Uma foto de Temer tendo ao lado uma cadeira vazia ilustrava a nota.
    No início da noite chegavam aos jornais as primeiras informações sobre o depoimento de Marcelo Odebrecht ao ministro Benjamin Herman, relator do processo que investiga o uso de caixa 2 na campanha de 2014. Ele confirmou o jantar com Temer no Jaburu mas disse que foi “uma conversa genérica, em que não se mencionaram valores”.
    Uma nota do G1, postada às 22h27 parecia selar o destino do ministro: “Marcelo diz que Padilha tratou do repasse de 10 milhões”.  
     
     
     
     

  • Artistas vão ao MP pela volta do Condomínio Cênico do São Pedro

    Os grupos que compõem o Condomínio Cênico do Hospital Psiquiátrico São Pedro entraram com representação no Ministério Público Estadual pedindo a mediação do MP com o poder público estadual. A representação foi entregue em audiência com o Procurador de Justiça César Faccioli na tarde desta quarta-feira. A intenção dos grupos é que o MP ajude na mediação entre eles e as secretarias estaduais da saúde e da Cultura. A mediação deve envolver ainda a promotoria de Defesa da ordem urbanística.
    Os artistas afirmam que a intenção é conversar para chegar a uma solução e criticam a falta de diálogo do governo. “Estamos questionando qual será o destino dos prédios. Querem nos tirar? Ok, desde que a gente vá para outro lugar público ocioso. Mas o que será feito dos pavilhões?”, questiona Hamilton leite, do Oigalê.
    Hamilton afirmou que os grupos artísticos devem pedir ainda uma audiência pública, para discutir o futuro das edificações do Hospital São Pedro.

    Deputado Pedro Ruas acompanhou os representantes dos grupos em audi~encia com o Promotor de Justiça, César Faccioli / Divulgação
    Deputado Pedro Ruas acompanhou os representantes dos grupos em audiência com o Promotor de Justiça, César Faccioli / Divulgação

    Os pavilhões 5 e 6 do São Pedro, que desde 2000 serviam como local de ensaio e apresentação para os grupos, foram interditados em novembro de 2016. Atualmente, os grupos só têm acesso ao local para retirar materiais e acompanhados por funcionários da Secretaria da Saúde.
    Na ocasião, uma vistoria do Corpo de Bombeiros constatou a falta de PPCI no local. Os artistas contestam o fato de os outros quatro pavilhões, que atendem a atividades diárias com os pacientes, não tenham sido visitados para inspeção. Para o grupo, a inspeção ter sido realizada apenas nos dois pavilhões que abrigam os grupos representa uma opção política. A visita ocorreu na véspera da estreia do espetáculo que comemorava os 25 anos do grupo Falus e Stercus.
    Em relação ao PPCI, os artistas afirmam que já tomaram providências e que o Cpletivo Obras, que tem escritório de obras, se comprometeu a realizar o projeto de adequação ás exigências do Corpo de Bombeiros.
    Os grupos tem ainda um projeto de reforma dos pavilhões 5 e 6, elaborado pelo Escritório Modelo Albano Volkmer, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, e que foi entregue ao Governo do Estado na gestão passada.
    Os dois pavilhões haviam sido cedidos à pasta da Cultura na gestão passada. Em janeiro de 2016, a Secretaria Estadual de Saúde, afirmou que cederia também os outros quatro pavilhões, mas, após alguns meses, a pata mudou de posicionamento e não só desistiu de ceder os pavilhões 1, 2, 3 e 4, como pediu de volta o 5 e o 6.
    Secretaria de Cultura não apresenta alternativas
    Em novembro de 2016, após a interdição, os grupos teatrais se reuniram com o secretário da Cultura, Victor Hugo. Na ocasião, o secretário se comprometeu a apresentar uma lista de possíveis locais para onde os grupos poderiam migrar suas atividades. Hamilton leite afirma que até agora nenhuma sugestão foi apresentada pelo secretário.
    Por parte dos grupos, foram apontados dois galpões localizados no bairro Partenon, que pertencem ao Ipê e atualmente estão desativados. Porém, até o momento, segue indefinido o futuro do Condomínio Cênico.
    Participaram da audiência com o procurador César Faccioli, representantes dos cinco grupos que atualmente compõem o condomínio cênico – Falus e Stercus, Neelic, Oigalê, Povo da Rua e Caixa Preta – o SATED (Sindicato de Artistas e Técnicos de Espetáculos de Diversão), além do deputado estadual Pedro Ruas (PSOL).
    Na representação, o grupo destaca ainda dois fatos ocorridos no dia da inspeção do Corpo do Bombeiro. Segundo o texto, o laudo emitido pelo Corpo de Bombeiros teria definido “interdição total” do hospital, tendo sido rasurado posteriormente para “interdição parcial”. O outro fato apontado é a agressão a um integrante de um dos grupos, que foi filmada e divulgada na época.

  • Entrevista: Mestre Paraquedas, clínico geral do carnaval de Porto Alegre

    Matheus Chaparini
    Eugênio Silva de Alencar, o Mestre Paraquedas, tem mais de mil músicas na bagagem de compositor, muitas delas emprestadas a diversas escolas de samba da capital, mais os hinos para tribos indígenas. Participou também na fundação de agremiações como Samba Puro, Praiana, Comando do Morro, Unidos da Conceição, Tribo Comanches. Além de compor, desenha fantasias e alegorias. Tem quase todos seus oitenta e dois anos dedicados à folia de Momo.
    Por este versatilidade, Paraquedas se intitula clínico geral do carnaval porto alegrense.
    Participou ainda da produção dos documentários O Grande Tambor e Batuque gaúcho. É mestre griô, carregando o compromisso de levar adiante a história da ancestralidade africana através da oralidade.
    Um de seus sambas diz “da área do meu barraco aqui no morro a gente faz samba olhando a cidade lá embaixo.” Nesta mesma área, na rua Dona Firmina, Zona Leste, Paraquedas recebeu a reportagem do JÁ. Ao longo de uma tarde, falou sobre um pouco do que pode acompanhar da história do carnaval, desde os desfiles de blocos, nos bairros e na Rua da Praia, o surgimento das primeiras tribos, a revolução da fundação da primeira escola, a Academia de Samba Praiana, até os dias de hoje.
     
    Qual a tua lembrança mais antiga de carnaval?
    A lembrança mais antiga era de ir ver o carnaval na Rua da Praia, na Praça da Alfândega. Mas a primeira saída foi aos cinco anos. Saí, fantasiado de marinheiro, na cacunda do pai, no Bloco Aratimbó. Minha mãe era costureira e meu pai era policial e foi um dos fundadores do bloco. Naquele tempo, o carnaval era de um jeito, hoje é de outro jeito. Eram só blocos. E um bloco tinha oito no bateria e quinze pulando atrás. Daí tinha os Turunas, os Tesouras, tudo ali na Baronesa. O Bambas da Orgia era um bloco, era o maior que tinha: saía com quinze na bateria e trinta pulando.
     
    Nasceu na Baronesa?
    Não, nasci no Alto da Bronze. Fui morar na Baronesa do Gravataí aos 3 anos de idade. Eu estou com 82 e estou estudando ainda. Com uma criança às vezes eu aprendo, porque eu escuto muito. Graças a isso eu tenho o acompanhamento do desenvolvimento do carnaval.

    Rua João Alfredo, na Cidade Baixa, enfeitada para receber os blocos, década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo
    Rua João Alfredo, na Cidade Baixa, enfeitada para receber os blocos, década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo

    E como eram os desfiles na época dos blocos?
    Tinha os coretos, Porto Alegre chegou a ter 14. Ali na rua de baixo, aquele espaço largo, onde agora é fim da linha do ônibus Santa Catarina era o local do carnaval. Tinha coreto oficial ali na Barão do Amazonas, em frente ao portão do Jardim Botânico, na Anita Garibaldi, na Santana, na Cavalhada tinha dois.
    O primeiro desfile era no oficial, no centro, porque as fantasias estavam novinhas. Quando chegava aqui no Partenon já tava tudo rasgado, um pé com sapato, outro não. Mas lá era de carinha limpa, tudo bonitinho pra fazer a apresentação. Aquilo era o que a prefeitura cobrava
    Era tudo a pé. Ninguém tocava, era só uma surdinha, tum, tum, – os outros instrumentos só tocavam no coreto – e cada bloco tinha um refrão. Aqui do morro era “É o galo! É o galo! Senta o esporão”. Tinha outro que era “Choveu! Choveu!. O cabelo da nega encolheu.” Aí o bloco passava aqui e eu ia atrás, chegava na esquina e bah, tinha deixado a porta aberta. Daí eu voltava, mas outros já tinham entrado e assim ia.
    E tinha um carnaval de clube também?
    É, a Sogipa e o Leopoldina Juvenil tinham.
    Mas era um carnaval de branco?
    Era bem branco. Mas quem tocava eram os negros.
    Mas tinha também os clubes de negros?
    Sim, A primeira sociedade negra que se criou em Porto Alegre foi o Floresta Aurora, criado por negros oficiais do exército, que vieram transferidos de Pelotas. O nome é porque a rua Cristóvão Colombo se chamava Floresta e a Ramiro Barcellos se chamava Aurora. E o clube se criou naquela esquina. Depois o Floresta Aurora foi pra Barros Cassal, depois pra rua da Margem, que é a João Alfredo. Então criou-se o Prontidão, hoje Satélite Prontidão.
    "Se o seu Hemetério tivesse noção que existia bloco afro ele não teria criado tribo indígena" / Matheus Chaparini
    “Se o seu Hemetério tivesse noção que existia bloco afro ele não teria criado tribo indígena” / Matheus Chaparini

    E o surgimento das tribos indígenas?
    O carnaval de índio foi criado pelo Seu Hemetério (de Barros), um negrão, era amigo do meu pai, criou a primeira tribo de índio: Os Caetés, em 43. Eu tinha uns 11 anos e ajudei a fazer a primeira alegoria dos Caetés. Neste tempo o carnaval era na Rua da Praia, na Praça da Alfândega. A entrada era ali do lado do Correio do Povo pra cá e a dispersão era na General Câmara ou naquela ruazinha que fecharam e agora ficam os engraxates.
    Mas se o seu Hemetério tivesse noção que existia bloco afro ele não teria criado tribo indígena. Porque a intenção dos que compõe a primeira formação dos catésbos do carnaval não era homenagear os índios. Era sim botar pra fora sua necessidades tibais, era andar dançando, num outro ritmo…  Você olha as roupagens das fantasia tem mais linguagem afro que indígena.
     
    As tribos vieram em substituição aos blocos?
    Não, o seu Hemetério não queria aquilo de fantasia e tal. Porque o carnaval é meio marcial, tu sabe. O desfile de uma escola de samba é meio marcial. Como foi criada uma escola de samba? Quem criou a escola de samba foi Olavo Bilac, que era professor e reitor do Tiro de Guerra lá no Rio de Janeiro e tinha só negro naquela dele, era uma escola de recuperação. E eles todos eram fardados e tinha a banda marcial. Então, quando os negros não estavam marchando, faziam samba com os instrumentos da banda marcial. Dali surgiu a escola de samba.
     
    Qual a importância do surgimento da Praiana para o carnaval de Porto Alegre?
    A chegada da Praiana é um marco. Foi a primeira escola de samba – o Bambas tem uns cem anos, mas antes era bloco. Em seguida surgiu o Imperadores, porque o Bambas era azul e branco, daí botaram o vermelho pra contrastar e pra pegar o povo que não gosta do azul, aquela coisa do grenal. O imperador foi fundado com essa ideia.
    Academia de Samba Praiana, um marco no carnaval de Porto Alegre / Matheus Chaparini
    Academia de Samba Praiana, um marco no carnaval de Porto Alegre. Década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo

    É dessa época que vem o nome Paraquedas?
    É, eu servi 12 anos no exército como paraquedista no RJ. Tinha um tenente que serviu comigo e era mestre sala da mangueira. Mas como a Portela era mais perto, ele me levou lá. Quando eu vi aquelas tecnologias, os bonecos se mexendo, piscando olho… Bah, eu me encantei né, cara! Então durante 12 anos eu observei muito o carnaval carioca, desfilei, trabalhei no carnaval. E Eu trouxe muito pra cá, em matéria de alegoria, de desfile. Esse tempo no Rio lapidou o conhecimento duro que eu tinha.
     
    Como se deu o surgimento da figura do mestre sala?
    Os brancos davam as roupas velhas que não queriam mais, eles vestiam, e saiam fazendo aquelas reverências, imitando os gestos dos brancos, tirando onda. Aí que surgiu essa figura de mestre sala.
    Aqui, no tempo dos blocos, tinha a figura do Remelecho, que também tinha o apelido de ‘assusta-criança’. Ele ia na frente, animando, e não tinha compromisso nenhum com o rtimo, o negócio era chamar atenção. Ele chegava “Ahhh!!!” e as criancinhas saiam correndo “ai, socorro mãe” e ele virava cambota, botava língua pra fora, fazia um zoião.
    O carnaval aqui no Rio Grande do Sul não tem essa tradição de mestre sala, isso é mais no Rio. São detalhes da coisa que dizem muito. Ali está a raiz, a tradição da coisa, compreende? Não essa superficialidade do carnaval de Porto Alegre, que é só oba oba. Mas você chega num Império Serrano, no RJ, ali e serrinha, é jongo, é raiz profunda da cosia. O jongo é a raíz do samba.
     
    Este ano a gente tem um momento diferente para o carnaval, com o corte dos repasses pela Prefeitura…
    Olha, esse carnaval profissional que tem hoje começou a partir de um cidadão que tinha a alcunha de Comendador, que era dono da Pepsi Cola. E foi esse cidadão que mal acostumou os carnavalescos de Porto Alegre. Até então ninguém cobrava nada para tocar, a escola te dava o mínimo, o chapéu, a camiseta, se quisesse fantasia bonita tinha que fazer.
    Mas ele traia uma proposta que já estava rolando no Rio de Janeiro. Ele copiou e trouxe para cá. Isso ali por 1968. Quando ele encampou o carnaval, o coreto era Pepsi Cola, a mídia toda do carnaval era Pepsi Cola, então eles tavam ganhando muito dinheiro com isso aí. Mas ele saiu, a Pepsi saiu e a negrada continuou exigindo a mordomia que ele ofereceu a partir daquele tempo que ele encampou o carnaval.
    A partir desse cidadão, comercializou o carnaval. E está esse estado de coisa que tá ai.
    "A partir do Comendador, comercializou o carnaval. Aí está esse estado de coisa" / Matheus Chaparini
    “A partir do Comendador, comercializou o carnaval. Aí está esse estado de coisa que tá ai” / Matheus Chaparini

     

  • Dmae investiga alterações na água de Porto Alegre

    O Dmae informou que está realizando coleta de água e novos exames em locais específicos de Porto Alegre para investigar as alterações reatadas por moradores no gosto e no odor da água nos últimos dias.
    Em nota de esclarecimento, o Dmae informou que a alterações podem estar relacionadas ao período de verão e de estiagem, que altera as condições do Guaíba.
    Até o final da segunda-feira, não haviam sido identificada nenhuma alteração prejudicial à saúde pública e os valores usuais das análises permanecem inalterados.
    Confira a íntegra da nota:
    O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que desde o início desta segunda-feira, 27, está realizando coleta de água e novos exames em locais específicos de Porto Alegre para buscar identificar possíveis alterações relatadas por moradores no gosto e odor da água. Essas alterações podem estar relacionadas ao período de verão e de estiagem, o que altera as condições do Lago Guaíba. Para garantir a eficiência na prestação de serviço, o Dmae intensificou as ações operacionais e de controle de qualidade da água. Além disso, são realizadas análises regulares da água em conjunto com a Secretaria Municipal da Saúde. Até o momento não foi identificada alteração prejudicial à saúde pública e os valores usuais das análises permanecem inalterados. A água da Capital segue dentro do padrão de potabilidade estabelecido pela Portaria 2914/2011 do Ministério da Saúde. Quanto às reclamações de coloração, o Dmae realizou lavagens de rede em diversos pontos na última madrugada e não encontrou alteração. Qualquer alteração detectada pelos usuários deve ser registrada no 156, opção 2.

    Empresa fechada em agosto pelo mesmo problema desafia DMAE

    Engenheiro quimico José Carlos Bignetti. Foto: Walmaro Paz
    Engenheiro quimico José Carlos Bignetti. Foto: Walmaro Paz

    O engenheiro quimico José Carlos Biugnatti, técnico da empresa fechada em agosto depois de  denunciada pelo DMAE como responsável pelo mesmo problema : mau cheiro e gosto ruim da água servida a população, desafia o DMAE. ” Pelo menos fica comprovado que não era a nossa empresa a responsável. A situação atual corrobora o nosso argumento de que este é um problema cíclico nas águas do Guaíba”, afirmou. E segue argumentando que a Cettraliq funcionou 12 anos  de acordo com as normas da Fepam e nunca teve este tipo de problemas.

    Conforme ele as análises deverão aprovar que a empresa não foi responsável. ” É triste chegar-se a este tipo de conclusão depois de desempregar 40 técnicos”, disse. A Cetraliq tratava efluetes quimicosde cerca de 1500 pequenas indústrias que não tinham condições de realizar o tratamento por conta prórpira porcausa do pequeno volume de efluentes, a maioria no ramo da galvanoplastia. Atualmente estes residuos são levados para uma empresa localizada em Joinville, Santa Catarina.

  • Grupo terrorista uruguaio ameaça defensores dos direitos humanos

    Um grupo autodenominado “Comando general Pedro Barneix” enviou uma mensagem via internet ameaçando de morte o ministro da Defesas do Uruguai, Jorge Menéndez, e outras onze pessoas, entre elas o brasileiro Jair Kritsche, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, com sede em Porto Alegre.
    “O suicídio do general Pedro Barneix não ficará impune, não se aceitará nenhum suicídio mais por injustos processos. Para cada suicídio de agora em diante, mataremos três escolhidos da seguinte lista”, dizia o texto recebido via e-mail pelo juiz  Jorge Díaz.
    O fato foi revelado pelo semanário Brecha, de Montevidéo, no início de fevereiro, confirmado pelas autoridades na semana passada.
    O general Pedro Barneix foi condenado pela morte de Aldo Perrini, militante assassinado sob tortura, durante a ditadura uruguaia (1976-1983). O general suicidou-se em 2015,  minutos antes de ser preso em sua casa em Montevidéo.
    O brasileiro Jair Krischke está na lista, provavelmente,  por sua atuação decisiva para a prisão do ex-coronel uruguaio Manuel Cordero, que foi condenado a 25 anos de prisão por várias mortes no âmbito da Operação Condor.
    A mensagem foi enviada através de uma plataforma chamada Tor que oculta a fonte do e-mail.  Alguns dos nomeados na nova ameaça interpretam que esse suposto “Comando general Barneix” é uma maneira de marcar que continuam ativos.
    Na lista figuram o ministro da Defesa do Uruguai, Jorge Menendez, o procurador Jorge Diaz, a ex-procuradora Mirtha Guianze, a professora Belela Herrera, os advogados Oscar Lopez Goldaracena, Paulo Chargonia, João Errandonea, Frederico Alvarez, João Fagundes e Hebe Martinez, o jurista francês Louis Joinet, a investigadora italiana Francesca Lessa e o brasileiro Jair Kristchke.
    Segundo Krischke, as ameaças partem dos “órfãos de Eleutério Fernandez Huidobro, o ex-ministro da Defesa que os protegia”.
    Huidobro, ex-militante do grupo guerrilheiro Tupamaro, foi ministro do primeiro governo de Jose Mujica e, no governo, passou a questionar os processos de resgate dos crimes do regime militar. Morreu em agosto passado. O ministro atual, Menendez tem outra postura sobre as violações aos direitos humanos durante a ditadura.
    O atual ministro anunciou há um ano a reativação dos chamados  “Tribunais de Honra” para os militares processados.

  • Secretário uruguaio que ajudaria na Lava-jato aparece boiando na piscina da própria casa

     
    O secretário Nacional de Luta contra a Lavagem de Dinheiro do Uruguai, Carlos Díaz, foi encontrado morto na piscina da casa dele, em Punta Del Leste.
    Díaz seria um elo entre Brasil e Uruguai nas investigações da Operação Lava Jato. Em entrevista a um jornal brasileiro na última semana, o secretário afirmou que estava disposto a cooperar com o Ministério Público Federal brasileiro no combate à lavagem de dinheiro.
    Segundo a imprensa uruguaia, a autópsia confirmou que a causa da morte foi afogamento. Mas a Justiça do país disse que ainda vai fazer uma série de perícias para que não restem dúvidas sobre o caso.
    A polícia afirmou que tudo indica que foi um acidente, já que não havia sinais de violência no corpo e nem algo suspeito na casa de Carlos Díaz.
    Aos 69 anos, o secretário exercia o cargo desde 2010. Ele assumiu a pasta na gestão do ex-presidente José Mujica. Díaz era responsável por conduzir várias investigações contra grupos criminosos e defendia leis que dariam mais transparência às movimentações financeiras do Uruguai.
    No país, existem diversas offshores, que são empresas usadas para esconder dinheiro e dificultar o rastreamento dos verdadeiros donos.
     
    Informações da Radiogência Nacional