O grupo desmontou o acampamento após participar da marcha do Grito dos Excluídos na capital gaúcha. A desocupação ocorreu após dois dias de negociações entre camponeses e o governo federal, em Brasília, que pautou a situação da reforma agrária. Uma das principais queixas dos militantes é a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que pediu que o Incra cortasse o auxílio de cerca de 500 mil famílias beneficiárias da reforma agrária por considerá-las irregulares.
“Esta foi mais uma etapa importante da luta pela terra no país. Neste primeiro diálogo com o governo, encaminhamos várias reuniões para continuar tratando das nossas reivindicações. Enquanto isso, permaneceremos atentos e mobilizados para cobrar ações que realmente possam mudar para melhor a vida das pessoas”, avaliou Cedenir de Oliveira, da direção estadual do MST.
Com a desocupação, o expediente nos prédios do Incra e do Ministério da Fazenda, que estavam suspensos, devem ser retomados amanhã (8).
Categoria: Geral
Agricultores deixam sede do Incra na Capital gaúcha
Daniel Isaia – Correspondente da Agência BrasilOs camponeses que estavam na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério da Fazenda, em Porto Alegre, desocuparam os pátios onde estavam acampados desde segunda-feira (5). Os militantes são integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Atingidos por Barragens e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC).Edição: Wellton MáximoMarcha dos Excluídos protesta contra reforma da Previdência em Porto Alegre
Daniel Isaia – Correspondente da Agência BrasilA marcha do Grito dos Excluídos na capital gaúcha partiu da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que desde segunda-feira (5) está ocupada por camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Por volta das 9h30 da manhã, os militantes saíram em caminhada pela Avenida Loureiro da Silva, acompanhados por policiais da Brigada Militar (BM).
A maioria dos participantes era composta por integrantes do MST. A marcha foi composta, também, por membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por movimentos negros, feministas e de pessoas LGBT. Representantes dos bancários, que estão em greve nacional desde ontem, também acompanharam a caminhada.
Durante o percurso, os militantes carregaram cartazes e entoavam gritos de ordem que pediam a saída do presidente Michel Temer. “A pauta da marcha deste ano está dialogando com a conjuntura que está aí. Já estamos prevendo as medidas desse novo governo, que certamente vai enfrentar a classe trabalhadora, seja pela [reforma da] Previdência, seja pela redução de direitos, seja pelo impedimento de grandes programas que dialogam com as nossas necessidades”, disse Cedenir de Oliveira, representante da direção nacional do MST.
A representante da Frente Brasil Popular, Vitalina Gonçalves, ressaltou que a luta está na natureza dos grupos oprimidos da sociedade. “O Grito dos Excluídos de hoje tem esse tom especial, mas sempre estivemos resistindo. Até porque a burguesia nunca aceitou nossas conquistas nesse país”, afirmou.
A marcha seguiu pela Avenida Edvaldo Pereira Paiva, que contorna o rio Guaíba, e se aproximou do local onde acontecia o desfile cívico de 7 de setembro. O Exército, então, formou um cordão humano com soldados para impedir que o desfile fosse interrompido pelos militantes.
“O itinerário foi combinado com os organizadores da marcha, e ficou acertado que eles viriam até esse local. Tudo o que foi combinado, eles estão cumprindo”, declarou o tenente-coronel Mário Ikeda, comandante da BM gaúcha.
Os participantes do Grito dos Excluídos permaneceram nas proximidades do Anfiteatro Pôr-do-Sol durante cerca de uma hora. Perto do meio-dia, os militantes deram meia-volta e retornaram pelo mesmo percurso à sede do Incra, acompanhados por brigadistas militares.Edição: Wellton MáximoJustiça proíbe evento sobre eleições em universidade pública do Rio
Do blog de Fernando Rodrigues, do Uol
O juiz Marcelo Oliveira da Silva, da 123ª Zona Eleitoral, concedeu liminar (decisão provisória) na tarde desta 3ª feira (6.set.2016) que proíbe a realização de um debate na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. O evento contaria com a participação de candidatos do PT e do PC do B.
A razão da proibição é a presença de candidatos de apenas uma única coligação entre as que disputam as eleições municipais na capital fluminense. Segundo o juiz, a ausência de outros concorrentes implica em ”conotação exclusiva de manifestação política eleitoreira”, o que é vedado em locais sob responsabilidade da administração pública.
”O debate exigirá sempre a ideia de contraposição de pensamento, ou seja, é um modelo de contestação baseado na argumentação onde duas, ou mais, ideias conflitantes são defendidas ou criticadas com base em argumentos”, escreve o juiz em sua decisão.
Todos os convidados para o debate integram a coligação ”Rio em Comum”, formada por PC do B e PT. Falariam no evento a convite do Diretório Central dos Estudantes da Unirio. Participariam da mesa a candidata do PC do B à prefeitura do Rio, Jandira Feghali; os candidatos a vereador Vivi CDD (PC do B) e Mitã Chalfun (PT); e Leonardo Guimarães, presidente da UEE-RJ (União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro) e filiado ao PC do B.
O debate estava marcado para esta 3ª (6.set), às 18h. Caso a determinação não seja cumprida, cada participante pagará multa de R$ 20 mil.
As informações são da repórter do UOL Gabriela Caesar.
A representação eleitoral contra o debate na Unirio foi apresentada pelo candidato a vereador Pedro Duarte (PSDB) na tarde de 2ª feira (5.set.2016). No documento, o tucano citou o artigo 73 da lei 9.504/1997, que proíbe o uso ou a cessão de ”bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta em benefício de candidato, partido político ou coligação”.
Segundo o candidato a vereador, candidatos de outros campos ideológicos não foram procurados para diversificar a mesa do debate.
”Meu objetivo com essa representação é a busca pela isonomia e igualdade entre os candidatos como dita a Constituição e a legislação eleitoral. [Os candidatos] Não podem se valer do aparelhamento do movimento estudantil de universidade para realizar comícios em vez de debates”, disse o candidato a vereador pelo PSDB.
Jandira Feghali (PC do B) afirmou que ”foi convidada pela organização do evento para apresentar suas propostas e desconhece a dinâmica em relação aos outros candidatos”. O DCE da Unirio preferiu não se manifestar porque ”não recebeu nenhuma notificação sobre o processo”.
O candidato a vereador Mitã Chalfun (PT) disse que reprova iniciativas que restringem o debate político e que tem o interesse em conversar com ”o maior número possível de pessoas”.
Procurados pela reportagem, a candidata a vereadora Vivi CDD (PC do B) e Leonardo Guimarães, da UEE-RJ, não enviaram suas versões sobre o caso.Pedro Duarte também foi o autor de uma representação, protocolada na 6ª feira (2.set), contra um evento que reuniria candidatos do Psol nesta 3ª feira (6.set) na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ao lado de Marcelo Freixo, estariam apenas integrantes do mesmo partido: a candidata a vice-prefeita Luciana Boiteux e o candidato a vereador Tarcísio Motta, além do reitor da UFRJ, Roberto Leher.
O chamado ”Debate pela Juventude e Cidade com Marcelo Freixo” foi cancelado por liminar expedida na tarde de sábado passado (3.set).Mau uso dos contêineres espalha lixo por toda a cidade
Geraldo Hasse
Os contêineres de lixo adotados pelo DMLU em Porto Alegre lembram as bolantas usadas em lavouras de arroz do Rio Grande do Sul de outrora. Até se poderia pensar que, se fossem um pouco maiores, esses grandes recipientes metálicos seriam uma gentil oferta habitacional da Prefeitura aos nossos moradores de ruas, muitos deles vindos de pequenas cidades e/ou das zonas rurais.
Mas que bobagem, os contêineres de lixo não são habitáveis como as bolantas lavoureiras, com seus tetos de zinco ou de capim santafé, paredes e assoalho de pinho.
Bolanta usada para guardar material
As casinhas ambulantes rurais eram usadas para guardar materiais e até para a moradia temporária de peões empregados no plantio, na aguação e na colheita de
Bolantas modernas são levadas ao campo
arroz entre o final da primavera e o início do outono. Os contêineres urbanos destinam-se a armazenar o lixo depositado pelos habitantes enquanto não chegam os caminhões coletores da basura.
Porém, como ninguém lê ou leva a sério os avisos colados nos contêineres sobre o uso correto dos tais recipientes ultramodernos, que se destinam especificamente à deposição de dejetos domésticos, a coisa virou esta zorra que aí está: a maioria da população beneficiada pela novidade está descartando tudo nas bolantinhas, inclusive materiais recicláveis que deveriam ser deixados junto às antigas lixeiras ou nas calçadas para a devida recolha da dita coleta seletiva, que passa(ria) em dias certos e horários insabidos.
Por conta do mau uso dos contêineres pelos moradores, os catadores ambulantes já se habituaram a vasculhar as novas lixeiras no afã de recolher os materiais com que trabalham. Uns buscam latas, outros plásticos, alguns papel… Não raro, essa operação de cata-cata feita a toda hora, inclusive de madrugada, termina numa esculhambação generalizada nos arredores dos contêineres, que amanhecem cercados de coisas desprezadas pelos catadores: restos de comida, cocô de cachorro, plástico sujo, fraldas descartadas etc. Uma merda generalizada onde devia reinar a limpeza, a higiene, a logística, a economia de custos, a sustentabilidade ambiental.
A que ponto chegamos: a Prefeitura contrata uma tecnologia importada (da Itália, via Chile) visando “cleanizar” o serviço de limpeza mas, acreditando talvez que a terceirização a autoriza a lavar as mãos, se esquece de instruir a população, incluindo os catadores, sobre como usar o novo equipamento.
Segundo o DMLU, até agora apenas 10% dos habitantes da capital estão colocando a coisa certa nas bolantas do Fortunati. O que transparece dessa confusão é que, aparentemente, o novo sistema de coleta de lixo foi implantado sem um planejamento completo. Para complicar ainda mais, os contêineres estão sendo alvos dos vândalos ativos em manifestações políticas. Cada contêiner custa(ria) R$ 6,8 mil.
Um caminhão coletor, equipado com guindaste para erguer o contêiner e emborcar seu conteúdo numa caçamba à qual está acoplado um êmbolo compactador, custa R$ 900 mil, revela um funcionário do DMLU. Os veículos coletores de lixo são seguidos por caminhões de higienização dos tais recipientes. Caro e bonito, mas parcamente funcional.
Aparentemente, nenhum catador foi instruído (muito menos treinado) sobre a transição tecnológica por que passa o serviço de limpeza pública da capital gaúcha. Tudo indica que os voluntários da catação e da reciclagem – elo perdido da logística da limpeza pública – foram esquecidos pelo projeto da modernização da limpeza pública de Porto Alegre.
(Vale lembrar que o mesmo sistema automatizado de coleta de lixo está implantado em dezenas de cidades brasileiras, entre elas Venâncio Aires (a pioneira), Cachoeira, Bagé, Sobradinho, Rio Pardo e Santa Cruz do Sul (sede da Conesul, licenciada pela Themac chilena, que começou adaptando equipamentos criados na Itália). Em agosto, metade dos coletores foi trocada, com a entrada de outra empresa o negócio, a RN Freitas.
Na realidade, como fruto de uma importação de tecnologia, o sistema de contêineres metálicos é inadequado para a maioria das ruas de Porto Alegre, onde predomina a mão única. Como os caminhões coletores têm seu guindaste apenas apenas do lado direito, os moradores do lado esquerdo das ruas de mão única estão obrigados a atravessar a rua para depositar o lixo no local recomendado. Daí a pergunta óbvia: não seria pertinente desenvolver uma solução local que seja confortável para todos e não apenas para uma parcela dos moradores?
Em Brasília, protesto contra o governo Temer pede novas eleições
Mariana Tokarnia, da Agência Brasil
Manifestantes fazem ato contra o governo de Michel Temer na Esplanada dos Ministérios, do lado oposto ao desfile que marca o Dia da Independência.
A concentração foi marcada para as 8h30, pouco antes do início das celebrações de 7 de setembro, agendadas para as 9h. Os manifestantes reuniram-se no Museu Nacional, fizeram cartazes e começaram a gritar palavras de ordem por volta das 9h. A expectativa da organização é que 5 mil pessoas participem do ato. Após o desfile, os manifestantes seguirão em caminhada até o Congresso Nacional.Saiba Mais
A movimentação era tranquila no início da manhã. Um grupo estendia quatro faixas com os dizeres: “Fora Temer, eleições já”, deixando-as visível para quem descia o Eixo Monumental em direção ao Congresso Nacional. Mais tarde, outros movimentos também estenderam suas faixas de protesto. Ao todo, mais de 90 entidades se posicionam contra o governo Temer e questionam a legitimidade da tomada de poder, que classificam como golpe.
“O ato faz parte de uma série de ações contra o governo. Não concordamos com as propostas para diversas áreas, como educação, comunicação”, diz Breno Lobo, integrante do movimento Juntos – Juventude em Luta.
Militantes do PT estenderam uma faixa verde e amarela de 150 metros já usada no 7 de Setembro do ano passado. O “Não vai ter golpe” de 2015 virou “Fora Temer”, escrito em vermelho.
O protesto foi convocado pelas redes sociais, recebeu mais de 4 mil confirmações e 4,6 mil manifestaram interesse no ato pelo Facebook, em Brasília. Ações semelhantes foram convocadas em outras cidades do país. A manifestação “Fora Temer”, une-se, este ano, ao Grito dos Excluídos, protesto tradicional de 7 de Setembro, que reúne movimentos sociais em busca de visibilidade e melhores condições de vida.
“Neste ano, o nosso lema é Fora Temer, nenhum direito a menos. Vamos deixar claro que não sairemos das ruas”, diz Wilma dos Reis, uma das organizadoras do ato. Em frente a um cartaz do coletivo #Mulherespelademocracia, ela diz que os direitos das mulheres estão ameaçados por diversas medidas do atual governo. “É um governo de homens, héteros e brancos, onde a mulher é vista apenas como decorativa nos altos cargos”.
Por volta das 11h, a Polícia Militar estimava 600 pessoas em frente ao Museu da República. Para os organizadores, o ato reunia 5 mil manifestantes.Edição: Lílian BeraldoComitê tenta articular frente de esquerda em torno de Raul Pont
O comitê suprapartidário que articula uma frente de esquerda em apoio à candidatura de Raul Pont realizou sua primeira reunião nesta segunda feira, 5.
O manifesto lançado na internet tinha 400 assinaturas, ao auditório compareceram perto de 200.
Foi uma “reunião de quadros” como disse o ex-governador Tarso Genro na abertura de sua fala.
A maioria eram petistas, alguns antigos militantes já afastados, mas tanto no auditório quanto no manifesto havia muitos sem filiação partidária (veja a lista).
Como o próprio coordenador da mesa, o cientista político Benedito Tadeu Cesar, ou como o advogado Mário Madureira, ex-deputado pelo antigo MDB, que há 20 anos trocou a política partidária pela causa de movimentos sociais.
Tarso Genro foi o primeiro a falar. Lembrou que Raul já se havia “aposentado de cargos públicos” e que seu gesto de enfrentar uma candidatura difícil para resgatar uma identidade de esquerda é um exemplo para todos.
Em seguida, propôs uma reflexão sobre o momento político, cujo entendimento “tem que partir da compreensão do movimento global do capitalismo financeiro, que captura os Estados pelo mecanismo da dívida”.
No caso brasileiro, segundo Tarso, setores de partidos mais ou menos identificados com o neoliberalismo foram cooptados pelo capital financeiro, assim como os meios de comunicação de massa, “o grande partido moderno”.
Essas forças articularam figuras tão díspares como Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Cunha e Bolsonaro.
Essas forças “descascaram por dentro o projeto popular representado por Lula e Dilma” e deram o golpe.
A luta, portanto, é “contra a dominação do capital financeiro”. Para encetá-la é necessário “um programa mínimo de unidade”. O esquema vigente, de coalizão, fracassou, deixou o governo refém do pior PMDB, o pior PT e a pior oposição”.
Uma estratégia que reorganize a unidade, eis a questão.
Moraes congela verbas para Direitos Humanos até dezembro
Da RBA
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, prorrogou até 31 de dezembro a Portaria nº 611, editada em 10 de junho, que suspendeu todas as ações relativas a direitos humanos, sob responsabilidade do ministério, em todo o país. A decisão foi publicada hoje (5) no Diário Oficial da União. Entre as áreas afetadas pela portaria estão os conselhos nacionais de Direitos Humanos (CNDH), dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), da Pessoa com Deficiência (Conade), dos Direitos da Pessoa Idosa (CDI) e o de Combate à Discriminação que fiscalizam essas áreas.
A portaria barrou “a celebração de contratos, convênios e instrumentos congêneres, a nomeação de servidores, a autorização de repasses de quaisquer valores não contratados, a realização de despesas com diárias e passagens, e a realização de eventos” de todas as áreas, exceto ações da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública, pagamento de pessoal e ações relativas aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A autorização ou veto para realização de ações destas áreas passou a ser definida pelo próprio Moraes.
A presidenta do CNDH, Ivana Farina, disse em entrevista ao portal HuffPost Brasil, que a portaria viola aConvenção Americana de Direitos Humanos, documento que o Brasil é signatário. “O pacto fala que limitar ações de direitos humanos é violar o pacto. Evidentemente que está havendo uma limitação nas ações porque está dando uma exigência a mais, uma tramitação extra. Quem lida com vida sabe que tempo é decisivo”, afirmou.
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, teme que a portaria enfraqueça ou liquide também as ações de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e do Enfrentamento das Violências Psicológicas e Físicas. O órgão questionou o Ministério da Justiça sobre o impacto da portaria nas ações de Direitos Humanos. Até o fechamento da reportagem, a PFDC não havia informado qual foi a resposta do ministério.Dilma é esperada em manifestação na Esquina Democrática
Dilma Rousseff, que se muda hoje (6) para Porto Alegre, onde vive sua família, será recebida por militantes no terminal 2 do Aeroporto Salgado Filho. É o “Carinhaço com Dilma pela Democracia” – convocado pelas redes sociais, vai culminar em um ato no final da tarde na Esquina Democrática, tradicional reduto de manifestações no centro de Porto Alegre.
Segundo o ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, que acompanha Dilma na viagem a Porto Alegre, o avião deve aterrissar logo após as 15h30.
Ela não confirmou se estará presente ao ato na Esquina Democrática.
Bancários em greve fazem assembleia pública na Praça
A greve nacional dos bancários começou à 0h desta terça-feira, 6/9. Em Porto Alegre, a atividade que marca o primeiro dia da greve é um Ato de Mobilização na Praça da Alfândega, a partir do meio-dia desta terça, com almoço. À tarde, a partir das 16h, está programada uma assembleia pública. Em caso de chuva, será transferida para a sede do Sindicato, a Casa dos Bancários, na Rua General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre, a dois quarteirões da Alfândega.
A assembleia de organização da greve teve manifestações sobre as ameaças de golpe nos direitos dos trabalhadores pelo governo de Michel Temer. A greve foi decidida na quinta-feira, 1º/9, em assembleia. Nesse encontro, os bancários rejeitaram a proposta da Fenaban de aumento de 6,5% no piso e verbas salariais (vales e auxílios) e abono de R$ 3.000,00.
Os bancários, além de aumento real (inflação mais 5%) reivindicam o fim das demissões, mais investimentos em segurança, saúde, o fim das metas abusivas e do assédio moral. Na negociação em 29 de agosto, em São Paulo, o Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta da Feanaban, de cerca de 3% abaixo da inflação (9,55% em agosto).
Justiça manda Sartori pagar professores sem parcelar salários
Os desembargadores do Tribunal de Justiça do RS concederam mandado de segurança aos Cpers/Sindicato para que o governador Ivo Sartori pare de parcelar o salário do magistério da rede pública estadual. Hoje os desembargadores julgaram mérito de liminar que havia sido concedida em 2015, proibindo o parcelamento.
O voto do relator, desembargador Nelson Antônio Monteiro Pacheco, observa que a situação do parcelamento dos servidores públicos estaduais se agravou desde o ano passado.
Neste momento, em agosto de 2016, a situação de parcelamento dos vencimentos se agravou (…), mantendo-se a violação a direito líquido e certo dos servidores previsto constitucionalmente e já referendado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em várias manifestações, afirmou o relator.
Também destacou que inúmeros sindicatos ingressaram com o mesmo pedido na Corte, tendo sido concedidas as seguranças. O Órgão Especial do TJ, no entanto, não fixou punição em caso de descumprimento da decisão
Sanções negadas
Em julho deste ano, o Cpers ingressou com petição, no mandado de segurança, com pedidos de bloqueio de valores das contas públicas estaduais, aplicação de multa e de pena por desobediência contra o Governador.
Nesses casos, o relator afirmou que não há como acolher os pedidos diante da notória crise das finanças do Estado.
É compreensível a insurgência do impetrante em nome dos professores estaduais, contudo o cenário financeiro atual do Poder Executivo é crítico e eventual sobrecarga ainda com multa poderá ensejar a inadimplência maior em relação ao funcionalismo público, destacou o relator.
Punições não previstas
O presidente do Conselho de Comunicação do Tribunal de Justiça, desembargador Túlio Martins, lembra que eventuais punições não estão previstas, mas podem acontecer em caso de descumprimento da decisão.
“Neste momento processual, após a decisão aqui, não foi tomada nenhuma medida nesse sentido. Agora, se houver o descumprimento e os interessados procurarem o Judiciário, aí caberá ao senhor desembargador-relator tomar as providências cabíveis. E aí todas as que estão na lei, estarão sobre a mesa”, afirmou Martins.
A Secretária de Comunicação do Governo Sartori distribuiu comunicado informando que será interposto recurso à decisão judicial, quando o governo for notificado. Assim como foi feito em ações semelhantes, que estão paralisadas na Justiça, à espera de decisões para sucessivos recursos judiciais.



