Categoria: Geral

  • Hélgio Trindade lança novo livro sobre os fascistas

    Hélgio Trindade cumpre a promessa e traz a público a análise de entrevistas realizadas entre maio de 1969 e setembro de 1970 com dirigentes integralistas nacionais, regionais e locais, e militantes.
    O livro “A tentação fascista no Brasil: imaginários de dirigentes e militantes integralistas”, será lançado nesta terça-feira (16), na livraria Cultura, às 19hs.
    O lançamento se dá pouco mais de quatro décadas após a publicação de seu livro anterior sobre esta corrente ideológica ultraconservadora, “Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 30”.
    Hélgio Trindade é professor emérito a da Universidade Federal do Rio Grande do Sul onde foi Reitor. É pesquisador Sênior do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFRGS.
  • Cpers vai pressionar partidos políticos nas eleições municipais

    Higino Barros
    Em entrevista na sede do Cpers/Sindicato, a presidente da entidade, Helenir Schürer, fala sobre o cenário da Educação no Rio Grande do Sul, as lutas da categoria, as estratégias dos professores no embate com o governo Sartori, entre outros temas, e manda um recado: os partidos políticos serão pressionados nas eleições de outubro.
    Nunca a Educação foi tão aviltada
    Tenho 32 anos de filiação no sindicato. Entrei quando era professora municipal e se podia nessa condição se filiar ao Cpers. Entrei para o Estado em 1977.  E nunca, nesse tempo que lido com a educação pública, nunca a vi tão aviltada, tão abandonada. Não somente na questão de investimentos, mas também na formação dos professores e funcionários, com recursos humanos. Hoje nós temos a nossa escola desmoralizada, fruto de uma campanha que vem desde os anos 1990, quando as ideias da política neoliberal entraram com força no país. Ela prega que o servidor e a coisa pública, em geral, não serve, não presta.  
    Volta e meia essa ideia reaparece com força e atualmente estamos enfrentando o Projeto de Lei 44/2016, do governo Sartori, que visa a privatização da educação pública. Então são dois movimentos nesse sentido. Um de não investir no setor, sucateando seu aparato físico, e outro de venda, passando a ideia para a opinião pública de que a privatização é a saída para os problemas da educação.
    É uma atitude de desresponsabilização do poder público de sua obrigação constitucional de ser o gestor da educação pública. Dá pena de ouvir o relato de colegas valorosos, apaixonados pela profissão, com todos esses atrasos nos pagamentos, admitirem que pensam em procurar outra atividade para sobreviver, porque não estão aguentando mais a situação. Isso está se tornando cada vez mais frequente e é culpa do governo que se queixa de crise financeira, mas não faz nada certo para resolvê-la. Um Estado que não investe em educação está fadado ao fracasso.    
    Dois projetos políticos divergentes
    A questão do abandono da educação é resultado de um projeto político ideológico. Antigamente, passar no exame de admissão para o ingresso numa escola pública era como passar hoje no vestibular da UFRGS. A escola tinha tal qualidade que suas vagas eram disputadas por todos. Pois isso, por uma ação política planejada, foi sendo sabotado, para se passar a ideia de que se é público é ruim, que só o privado tem coisas boas e positivas.
    Há professores que dizem que não gostam de política. Essa atitude só serve aos maus políticos, que aplaudem esse comportamento, porque para eles é menos um que vai incomodar. E não dá para negar a realidade. Hoje no Brasil e no Rio Grande do Sul existem dois projetos políticos. Um que prega o Estado mínimo e tudo regulado pelo mercado e o outro que entende que o Estado tem que ser indutor de políticas sociais, presente na vida daqueles que têm maior necessidade dessas políticas.
    Pressão sobre os partidos políticos
    Desde que nós assumimos a direção do Cpers, temos uma discussão sobre a necessidade de união entre professores e funcionários. Lutar separados é muito mais desgastante, é muito mais demorado e difícil obter vitórias. Ano passado conseguimos reativar um grande bloco de servidores públicos. Fizemos algumas paralisações conjuntas, mas não greve. Conseguimos barrar algumas coisas que iam ser postas em execução. Principalmente na Assembleia Legislativa, onde o governo tem 36 votos, ou seja, ampla maioria.
    Esse ano estamos avançando na pressão sobre os deputados. Como é que essa convivência funciona? Nós vamos aos gabinetes conversar, somos bem recebidos, ouvidos com atenção, mas na hora da votação, o voto é contra nossos interesses. Então decidimos que nós devemos intervir e influenciar nas eleições municipais, onde esses deputados têm interesses.  Vamos retribuir com voto contrário a todos os partidos que negaram os nossos pleitos. Temos uma campanha pronta dizendo assim aos partidos. No ano passado e nesse ano pedimos os votos dos representantes do PMDB e seus aliados e eles nos disseram não. Agora eles virão a nossas casas, através da propaganda eleitoral, pedir nossos votos. A nossa resposta é não. A resposta tem que ser a mesma que eles nos deram, quando precisamos.
    O sindicato não vai orientar em quem o professor deve votar. Isso é uma decisão pessoal. Mas a pessoa deve ser informada do procedimento do partido daquele político nas questões da educação. Ou seja, nós vamos dizer em que partido não votar. Eles já possuem suas projeções e levantamentos de quantas prefeituras vão ganhar, quantos vereadores terão. Se por uma ação nossa, que eles saibam que foi graças à nossa intervenção, conseguirmos quebrar essas projeções deles, já terá sido uma grande vitória nossa. Já ficarão de barbas de molho, pois os próximos a serem submetidos a essa ação serão os deputados e o governo. Essa é uma semente que vamos plantar agora e ela no futuro vai render bons frutos.
    Desgastes impostos à categoria
    Há colegas que dizem que se isso acontecer não precisaremos fazer greve. Porque a verdade é que os professores e funcionários não gostam de fazer greve. Essa é uma visão equivocada. Greve é o último recurso. O grevista sofre pressão do governo, dos pais dos alunos, do vestibular, da imprensa, entre outros setores. O melhor seria não ter greve. Até pouco tempo atrás se fazia greve pela greve. Ela não era construída na base da categoria. Era a tal da greve de vanguarda, como a gente chama. Se ela tem o conhecimento de toda a categoria, até pode ser uma greve menor, da vanguarda mesmo, mas construída pela base. Não ter ocorrido isso algumas vezes desgastou muito os professores.
    Fizemos essa construção aos poucos. Primeiro foram três dias de greve, depois seis dias, no ano passado. Agora fizemos 54 dias, que poderiam ter ficado em uma semana, se o governo tivesse disposição de negociar, o que não teve. Onde o governo chegou foi simplesmente uma queda de braço conosco e total desrespeito com as famílias dos alunos. O acordo a que o governo chegou com os professores não teve quase custo para ele e poderia ter sido resolvido em uma semana. E o que foi conquistado ficou na garantia de direitos. Não ganhamos nada novo. E o governo só se dispôs a negociar depois que ocupamos o Centro Administrativo, pois nessa ação nós paralisamos o coração do governo. Só por isso eles nos chamaram para negociar, nós temos clareza disso. O que demonstra o total descompromisso do governo com a educação e sua responsabilidade no empobrecimento do Estado e na sua diminuição como um todo.
    Ocupação das escolas por alunos
    O fato mais rico e encantador que vivi nos meus 32 anos de magistério foi que nessa greve houve a ocupação das escolas por alunos e, em grande parte delas, com a participação dos pais. Isso é fruto do incentivo que eles recebem para que reflitam, para que pensem, que tenham uma postura crítica em relação à sociedade. O resto é por conta deles. Da inquietação da idade, da vontade de intervir nas coisas e ser protagonista de suas vidas. Talvez a falta de algumas coisas materiais contribua para que eles ponham em prática o que eles têm de melhor, que é o intelecto. Eles demonstraram disciplina, solidariedade, organização e responsabilidade o tempo todo, que é um exemplo para todos. E houve muitos pais que se juntaram a eles, tornando o processo mais legítimo ainda.
    Os alunos vivenciaram uma experiência única e, pode ter certeza, a escola pública que passou por isso nunca mais será a mesma. Inevitável de agora em diante haver conflitos a serem resolvidos. Porque o empoderamento dos alunos no sistema escolar foi original e irreversível. Agora não tem mais volta. Eles não vão aceitar mais a escola só como um depósito de informação em que eles não abrem a boca. Agora há o fator de pertencimento. A metáfora que faço é essa. Até agora a gente trabalhava com um casulo. Pois o casulo virou borboleta que voa e atingiu uma liberdade onde a natureza estabelece o limite.
    O Cpers está organizando nas escolas, para pais e professores, seminários onde se possa discutir qual a escola de hoje, onde temos consenso que ela está superada e qual a nova escola que surge depois desse processo. Acho que será uma escola riquíssima de debates e de construção do novo. Pena que a gente não possa contar com o mantenedor, já que o projeto dele é acabar com nossa escola.
    Aulas reduzidas com salários parcelados
    Temos consciência de que a recomendação do Cpers para os professores darem aulas com tempo reduzido enquanto os salários são parcelados, acaba impactando no número de aulas que terão de ser recuperadas por causa da greve. A nossa posição é clara e simples. Podemos brigar com quem quiser. Mas não temos direito de prejudicar o aluno. Então até o final do ano letivo, ele terá que ter 200 dias de aulas e 800 horas como estabelece a Lei de Diretrizes e Base. Essa lei será cumprida. Não é orientação nossa e o sindicato não apoia nenhuma ação que retire direito de aluno. Se brigamos por nossos direitos, não tem nenhum sentido não respeitar os direitos dos alunos. É um processo formativo também.
    Campanha “Fora Sartori”
    Vamos formar caravanas para o interior, com a participação de diversas categorias profissionais para discutir sobre a pauta das eleições municipais. Vamos fazer atos nos 42 núcleos do Cpers e estaremos presentes na Expointer. E prosseguindo com a campanha, aprovada pelo nosso Conselho, declarando o governador Sartori inimigo da Educação. Vamos ter um “fora Sartori” também, porque um político que é inimigo da Educação não merece permanecer no cargo. Estamos presentes também na Frente Sindical em Defesa do Serviço Público, participando de todos os debates, atos e discussões.
    Mais do que os servidores, temos que discutir esses assuntos com a população. A grande discussão é sobre o papel das OS, suas representações e suas participações de acionistas. Não podemos repetir a experiência dos pedágios, que foram para mãos de pessoas que tinham participação no governo e depois que saíram foram ganhar muito dinheiro com negócios articulados no poder público. Em Goiás, por exemplo, onde as OS estão em prática, descobriu-se que, de oito existentes, três estavam sob controle de familiares do Carlinhos Cachoeira. Ou seja, é um processo que proporciona desvios sérios.
    Espaço para a oposição
    Nós temos uma oposição à direção do Cpers que nunca vi igual. Fui oposição também aqui, mas nunca me opus à categoria. Nossa oposição atual boicota tudo que é possível. Como informações do sindicato que não chegam a determinados núcleos e escolas. Tivemos que mudar o sistema de envio do nosso boletim oficial, a Sineta, que agora vai para a casa do professor, como forma de garantia que ele a receba. Recentemente parte dessa oposição foi fazer um protesto na frente do Palácio Piratini e ficou falando mal da direção do sindicato, fortalecendo nosso adversário. É uma coisa louca.
    Nós temos espaço para fazer oposição. No próximo ano tem eleição para a direção do sindicato, é normal a disputa do poder. Mas o que não se admite é que nessa luta contra a direção se coloque contra a categoria. A demora no encerramento da greve, quando ela podia ter sido resolvida em menos tempo, ocorreu devido à atuação desses grupos. O prolongamento da greve só aumentou o desgaste da categoria e não mudou nada nas negociações.  

  • Estudo comprova sexismo na cobertura das Olimpíadas

     

    CLARA FERRERO, do El País
    Simone Biles é a grande sensação da ginástica nestes Jogos Olímpicos. A nadadora Katinka Hosszu bateu o recorde mundial dos 400 metros e está cheia de ouros, e a norte-americana Katie Ledecky arrasou na piscina, conseguindo o primeiro lugar — e fazendo história — nos 400m livres.
    Apesar de nos Jogos Olímpicos de 2016 quase 50% dos esportistas serem mulheres (45%, para sermos exatos) e dos impressionantes feitos esportivos que estão conseguindo, muitos meios de comunicação se negam a reconhecê-las como algo mais que um pedaço de carne.
    É o que afirma um estudo da Universidade de Cambridge que acaba de ser publicado e que afirma que a mídia trata de forma diferente a informação esportiva se (oh, que surpresa!) o protagonista é homem ou mulher. É a conclusão a que chegaram depois de analisar 160 milhões de palavras em jornais, blogs e redes sociais.
    Os homens recebem três vezes mais espaço e tempo na informação esportiva do que as mulheres, e pior de tudo, as palavras mais usadas com elas são “idade”, “grávida” ou “solteira”, enquanto “rápido”, “forte” e “fantástico” são os adjetivos mais usados quando se fala deles.
    Esses dados não fazem mais do que certificar o machismo que ainda está presente no âmbito esportivo e que ultimamente está sendo especialmente palpável no tratamento da informação dos Jogos Olímpicos do Rio. É só dar um giro pela Internet para encontrar vários exemplos flagrantes de discriminação e sexismo:

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Allison Stokke, a atleta que vai prender você no salto com vara no Rio 2016 – Marca Buzz
    “Será que Allison é a atleta mais bonita do mundo?” Com esta frase começa um ‘artigo’ do site Marca Buzz cujo único objetivo é coisificar a saltadora Allison Stokke. Sem citar em nenhum momento suas conquistas esportivas, o post se limita a inserir fotos da atleta treinando, retiradas de seu Instagram e acrescentando comentários como: “Sem dúvida está em forma”, “O salto com vara espera por você… e por meio mundo” ou “traga ou não medalha, ficaremos orgulhosos dela”. Outros tantos artigos circulam na rede limitando-se a analisar seu físico. Até sua página na Wikipedia dá mais protagonismo a sua fama na Internet como “ícone sexual” do que em analisar sua trajetória esportiva.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – A “mulher de” que ganhou o bronze – Chicago Tribune
    “A mulher de um jogador dos Bears ganhou hoje uma medalha de bronze na Olimpíada do Rio”, tuitou o Chicago Tribune depois que a atiradora norte-americana Corey Cogdell ficou com o terceiro lugar na categoria de tiro ao prato. Nem esse mérito nem o fato de ter ficado com a mesma medalha nos Jogos de Pequim pareceram suficientes para o jornal para mudar de ideia de apresentá-la como “a mulher de” nas redes sociais. Apesar de o texto escrito pelo jornalista Tim Bannon incluir o nome da esportista no título, abreviou as conquistas anteriores de Cogdell e preferiu destacar que é casada com o jogador de futebol americano do Chicago Bears Mitch Unrein. Os leitores não demoraram para reclamar nas redes sociais, propondo títulos alternativos e denunciando que “seu nome não é ‘esposa de um jogador dos Bears’. Seu nome é Corey Cogdell. Abaixo os títulos sexistas”.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – A goleira “sem complexos” que pesa 98 quilos e come hambúrgueres? – Marca
    O jornal esportivo Marca registrava a surpresa dos fãs diante da “destreza” da goleira do time de feminino de handebol de Angola, Teresa Almeida, apesar de seu “sobrepeso”. “Teve cerca de 34% de acertos, mas o que realmente cativou o pessoal foi sua flexibilidade com o corpo que tem”, diz um artigo totalmente focado no físico da esportista. Por mais que a própria Almeida fale com a publicação sobre seu corpo e dê várias declarações sobre como se sente sendo a “goleira da gordura”, o que verdadeiramente indignou o Twitter foi a forma como o jornal vendeu a notícia nas redes sociais. Os ícones que acompanham o título (a saber: hambúrgueres, batatas fritas e um gato morrendo de rir) só aumentaram a polêmica. O tuíte da discórdia foi apagado.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Hosszu, a nadadora que bateu o recorde mundial “graças a seu marido” – NBC
    No sábado passado, a nadadora húngara Katinka Hosszu quebrou o recorde mundial nos 400 metros, um feito que conseguiu “graças a seu marido”, segundo alfinetou ao vivo Dan Hicks, comentarista da rede de TVNBC. “Ele é a pessoa responsável por este triunfo. É preciso notar como mudou a motivação dela desde que começou a ser treinada por ele. É medo ou confiança o que a está ajudando neste processo?”, comentou o jornalista. Parece que Hicks esqueceu que a nadadora já foi campeã da Europa em 2010 (para citar apenas um dos títulos que ostenta), dois anos antes que seu atual marido começasse a treiná-la e três anos antes de se casar com ele.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – De “gostosas internacionais” a “atletas olimpicamente atraentes” – El Mundo
    A manchete que apresentava as “gostosas internacionais nos Jogos Olímpicos do Rio” foi uma das mais polêmicas. Depois de incendiar as redes sociais, o jornal El Mundo decidiu mudar o título da galeria de fotos para “a lista de atletas olimpicamente atraentes”. O jornal considerou o problema resolvido mantendo na chamada um interessante aviso a Gisele Bündchen: “Que a modelo não se acomode porque esta Olimpíada vem com um forte sex appeal”. As reclamações devido à continuidade do foco sobre o físico das atletas se repetiram no Twitter: “O [termo] ‘gostosas’ incomodou… Melhor colocar ‘olimpicamente atraentes’. + Ideaca, por isso que você é chefe!”, escreveu o usuário. Outros tuiteiros comentaram que o jornal também havia publicado o mesmo ranking na versão masculina (primeiro, também sob o título “gostosões” e, depois, com “atletas olimpicamente atraentes”).
    A Associação para Mulheres no Esportes Profissional (AMDP, na sigla em espanhol) demonstrou sua “raiva” escrevendo uma carta aberta ao jornal com o título Não são gostosas, são atletas e exigiu um “pedido público de desculpas para o tratamento discriminatório, machista, sexista do artigo”, também compilando outros “comentários sexistas” contidos na publicação.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Uma foto de Mireia (muito) infeliz — Marca
    Com o título Os sete dias de Mireia, o jornal esportivo Marca publicou uma foto em que… bem, muitos não demoraram em identificar e denunciar o conteúdo sexual e machista. Os usuários do Twitter perguntaram ao jornal se não havia uma foto melhor para ilustrar a notícia e o diretor da publicação, J. I. Gallardo, disse em um tuíte, que depois foi apagado, que “excitado é o que vê nessa imagem algo mais do que dois nadadores”. Agora, o artigo mostra outra foto.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Katie Ledecky é muito boa porque “nada como um homem” (nossa!) – Ryan Lochte
    Katie Ledecky conseguiu o ouro batendo o recorde mundial nos 400m livres. Esta jovem, que já havia ganhado um ouro olímpico aos 15 anos, tem nove títulos mundiais e bateu 12 recordes mundiais com menos de 20 anos, deve todo seu sucesso ao fato de nadar “como um homem”. Pelo menos, assim afirmou o também nadador Ryan Lochte, destacando que isso é o que a diferencia das outras. “Nada como um homem. Sua braçada, sua mentalidade, sua força… não vi isso em nenhuma outra garota.” Sem comentários.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – “As bonecas suecas” – Olé
    O jornal argentino Olé apresentou as atletas escandinavas como “as bonecas suecas”. Um “grupo de loiras e de olhos claros que chama a atenção de todos na Vila Olímpica”. Além do título, o conteúdo do artigo cobria o jornal de glória: “Loiríssimas, olhos claros por todos os lados e figuras estilizadas fizeram com que os presentes se virassem para vê-las. Isso não significa que outros países, como o nosso, não tenham suas belezas. Mas as bonecas suecas captam a atenção dos olhos humanos”. Quem se importa como elas competem? Para que divulgar uma notícia que analise suas habilidades esportivas se é possível resolver a coisa com um par de fotos e dois comentários sobre a cor do cabelo?

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Atletas que, além de bonitas, são atletas — Vários
    Vários meios de comunicação latino-americanos apresentaram a jogadora de vôlei Winifer Fernández como uma mulher que “não é apenas bonita, mas também muito boa jogadora” (como pode uma atleta profissional ser boa no que faz?). Embora Fernández tenha ficado de fora dos Jogos Olímpicos do Rio, esta e outras manchetes machistas percorreram vários veículos dias antes dos Jogos. Basta colocar seu nome no Google para comprovar que muitas publicações lamentam “não poder ver seu físico desfilar no Rio”, enquanto a apresentam como “a dominicana sexy” ou “a bomba do vôlei que esquenta as redes” sem esquecer de avisar seus leitores: “Cuidado, você pode se apaixonar!”

  • Regulamentação do Uber não será votada antes de setembro

    Líderes partidários da Câmara Municipal de Porto Alegre acordaram que o pedido de urgência para a votação do projeto de lei de regulamentação do Uber será apreciado em Plenário na sessão da próxima segunda-feira (15/8).
    Se a urgência for aprovada, será convocada reunião conjunta das comissões permanentes para votação do parecer sobre o projeto.
    A votação do projeto, porém, só ocorrerá quando estiver concluída a reforma do Plenário Otávio Rocha. O final das obras está previsto para 15 de setembro.
    Projeto
    O projeto de regulamentação do transporte de passageiros via aplicativos de internet, como o Uber, é de autoria do Executivo. A matéria entrou em tramitação na Câmara em maio deste ano e está na Comissão de Constituição e Justiça, aguardando resposta da Prefeitura a pedido de diligências solicitado pela CCJ.
    (Fonte: CMPA)

  • Plantio de milho já começou no Norte do Estado

    O preparo do solo para o plantio do milho deverá se intensificar nos próximos dias na grande maioria dos municípios gaúchos. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar e em conformidade com o zoneamento agroclimático, o plantio do milho já iniciou na área compreendida entre o Centro e o Noroeste e a metade Norte do Rio Grande do Sul, em especial nas regiões da Fronteira Noroeste, Missões, Celeiro, Alto Jacuí e Noroeste Colonial. Na microrregião de Santa Rosa e Três de Maio, por exemplo, a lavoura apresenta boa germinação e formação de stand.
    Em muitos municípios, prefeituras e sindicatos disponibilizam as sementes de milho, a partir do programa de troca-troca da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR). Ao mesmo tempo, técnicos da Emater/RS-Ascar anunciam forte indicativo de ampliação da área cultivada para a colheita de grãos, porém, para a silagem, há tendência de permanecer a mesma área ou apresentar pequena diminuição, devido, entre outros problemas, ao abandono da atividade de bovinos de leite em algumas propriedades.
    As condições climáticas têm sido favoráveis ao bom desenvolvimento das lavouras de cereais de inverno, especialmente no Norte do Estado, proporcionando uma paisagem com áreas de verde intenso das lavouras de trigo e aveia, intercaladas com áreas de coloração amarelado intenso das lavouras de canola em floração.
    A boa insolação durante o dia e precipitações suficientes favorecem o desenvolvimento do trigo, que apresenta excelente potencial produtivo. As lavouras semeadas no cedo já atingem as fases de elongamento e florescimento. Os produtores realizaram os tratos culturais pertinentes ao período e continuam monitorando pragas e doenças. Nos Campos de Cima da Serra, a semeadura do trigo foi concluída, com as lavouras apresentando germinação muito boa e as plantas, ótimo aspecto de cor e uniformidade, indicando uma perspectiva de bons rendimentos na safra.
    Citros – No Vale do Caí, estão em colheita as cultivares mais tardias entre as frutas cítricas. Entre as bergamoteiras, está sendo colhida é a Montenegrina, a fruta cítrica mais vendida para outros estados. Também está em colheita o tangor Murcott, também comercializado com o nome aportuguesado de Morcote ou Morgote. Trata-se de um híbrido natural de tangerina com laranja, cuja denominação tangor é formada a partir do inglês tangerine + orange. O volume colhido da variedade Murcott está em 5%. Os preços recebidos pelos citricultores pela bergamota Montenegrina está estável desde o início da colheita, em média a R$ 26,00 pela caixa de 25 quilos. Os valores recebidos pelos citricultores pelas primeiras frutas do tangor Murcott ficaram na média de R$ 25,00 por caixa.
    Em relação às laranjas, também estão em colheita as cultivares tardias Céu Tardia, laranja sem acidez; Umbigo Monte Parnaso, laranja para consumo ao natural por excelência; e Valência, a fruta cítrica com maior área de cultivo no Rio Grande do Sul, destinada para suco, tanto em casa, em lancherias e restaurantes, como pela indústria. Os preços recebidos pelos citricultores tiveram pequeno aumento, reflexo das temperaturas mais amenas da última quinzena, que favoreceram o consumo de frutas e sucos.
    Bovinocultura de corte – O campo nativo sem rebrote reduz a taxa de crescimento de forragem e diminui a qualidade. Por isso, e para suprir a deficiência de proteína, é importante o uso de sal proteinado ou mesmo de feno de palha de arroz. O rebanho bovino que não tem pastagens cultivadas de inverno disponível está sentindo a escassez alimentar deste período, durante o qual a pouca oferta disponível no campo nativo é de baixa qualidade.
    Apesar de as condições climáticas das últimas semanas serem favoráveis ao desenvolvimento das pastagens de inverno, continua baixa a oferta do principal alimento volumoso (azevém em sobressemeadura). Assim, os produtores disponibilizam aos rebanhos as pastagens com aveia e azevém em desenvolvimento, realizando o pastoreio controlado com diversas categorias do rebanho. Nessa situação, é recomendada a aplicação da adubação de cobertura com nitrogênio, para acelerar o desenvolvimento e dar maior suporte de carga animal sobre as pastagens.
    Outra alternativa é o uso de cercas elétricas, dividindo as áreas em potreiros, para obter melhor manejo das pastagens, permitindo a ampliação da oferta de forragem aos rebanhos. Apesar de o campo nativo apresentar escassa oferta de forragem e pouco rebrote, o estado nutricional do rebanho bovino em geral ainda é satisfatório.
    Apicultura – O período é de entressafra, exigindo atenção quanto ao manejo alimentar dos enxames. Recomenda-se a alimentação energética para manutenção dos enxames de 50-60 dias, antes de iniciar a florada de primavera, a fim de ter uma boa população de operárias campeiras para o incremento rápido da produção. Mantidas as condições atuais de clima, o apicultor poderá programar o uso da alimentação proteica, com vistas ao fortalecimento e à obtenção de novas crias nas colmeias, visando o próximo período de produção, pois nesta época do ano praticamente não há florada.
    Apicultores com habilidade no trabalho com a madeira estão aproveitando este período para construir caixas novas e reformar as usadas e caixilhos, preparando para a próxima safra. Está em andamento a instalação de caixas-iscas para a captura de enxames e a troca de rainhas. Alguns produtores estão fazendo migração das colmeias para eucaliptos em floração.
    (Fonte: Emater/RS)

  • Idec recusa-se a participar da criação de planos de saúde "acessíveis"

    O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou que recebeu convite mas não participará do Grupo de Trabalho para criar um Plano de Saúde Acessível. O Grupo foi proposto pelo Ministério da Saúde, em portaria publicada no Diário Oficial.
    O Idec considera inconstitucional e ilegal a proposta de Plano de Saúde Acessível, além de ser tecnicamente equivocada e ineficaz para cumprir o objetivo de reduzir os gastos estatais com o Sistema Único de Saúde (SUS).

    O Instituto enviou carta para o Ministério da Saúde recusando o convite e solicitando a revogação da Portaria nº 1.482, de 4 de agosto de 2016, e a consequente extinção do Grupo de Trabalho instituído por meio dela.
    O Idec ratifica opinião já expressa, colocando-se contrário à criação de planos de saúde “populares”, agora denominados “acessíveis”, com custos menores e cobertura inferior à definida pela atual legislação.
    “À luz dos Direitos do Consumidor, os planos acessíveis representam um enorme retrocesso. Remetem a períodos em que o cenário brasileiro era de desregulamentação e descontrole do setor, com a falta de garantia de cobertura de todas as doenças listadas pela Organização Mundial de Saúde e da existência de coberturas mínimas obrigatórias da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”, enfatiza Elici Maria Checchin Bueno, Coordenadora Executiva do Idec
  • Demhab desocupado sem resposta para a questão habitacional

    Uma aula pública, na noite de quarta-feira, foi a apoteose do OcupaDemhab, que durou 29 dias. Um público heterogêneo lotou o saguão – alunos e professores universitários, servidores públicos, representantes de entidades de categorias como os geógrafos, arquitetos e profissionais das carreiras jurídicas, líderes comunitários, moradores de loteamentos irregulares e de rua.

    Evento na véspera da desocupação lotou o saguão do Demhab
    Evento na véspera da desocupação lotou o saguão do Demhab

    O mote para a aula pública sobre o problema habitacional foi a visita  de Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). “É preciso abrir essa caixa-preta”, disse ao JÁ, referindo-se à dificuldade de obter informações sobre os encaminhamentos das políticas públicas para o setor. “Ninguém ocupa porque quer, mas por falta de oportunidade.”
    Ao final de quatro semanas de ocupação, a avaliação geral foi de que o principal objetivo foi alcançado: denunciar a falta de uma política habitacional em Porto Alegre. “Se sairmos daqui sem conseguir nem uma reuniãozinha com a Prefeitura, não importa: mostramos que podemos nos mobilizar”, concluiu a urbanista Cláudia Fávaro, do MTST.
    Desde o início, em 14 de julho, o que eles pedem é uma reunião com a Prefeitura, com pauta específica, discutida de forma integral, e não com cada movimento isoladamente.
    Demhab - choqueDesocupação
    No meio da tarde desta quinta-feira (11), o prédio foi desocupado. A operação envolveu o 1º Batalhão de Operações Especiais (1ºBOE), o 1º Batalhão de Polícia Militar (1ºBPM), agentes da Empresa Pública de Transportes (EPTC) e a Guarda Municipal.
    Segundo a jornalista Kátia Marko, assessora de imprensa do movimento, os policiais entraram pelos fundos, antes da chegada do oficial de Justiça e sem que tivessem sido avisados pelo telefone, como determinava um despacho judicial posterior à autorização de reintegração de posse ao Município. A versão oficial, porém, é que,”acompanhadas de um oficial de Justiça, as autoridades apresentaram o documento para os manifestantes e ordenaram que se retirassem”.
    No meio da tarde, quando a ação militar ocorreu, a maioria das 70 pessoas que ocupam o saguão do prédio há um mês está fora, trabalhando ou estudando.
    Embora já houvesse um mandado de reintegração de posse ao Município, um despacho judicial posterior determinava que os manifestantes fossem intimados pelo telefone antes da expedição do ofício à Brigada Militar.
    Não há relatos de truculência, como ocorreu em ações de desocupação de escolas estaduais, em junho.
    Occupy
    As ocupações são um fenômeno social recente nas metrópoles, e ganham cores locais em todo o Ocidente.
    A primeira foi a Occupy Wall Street, um movimento de protesto contra a a desigualdade econômica e social, a corrupção e a indevida influência das empresas – sobretudo do setor financeiro – no governo dos Estados Unidos. Começou em 17 de setembro de 2011, no Zuccotti Park, no distrito financeiro de Manhattan, na cidade de Nova York.
    Em 2013, em Porto Alegre, houve o OcupaCamaraPoA, quando vários movimentos sociais ocuparam a Câmara de Vereadores para pressionar por transparência nas licitações de transporte público.
     
     

  • Presídio Central será assinalado como local de tortura

    Mais uma placa do projeto Marcas da Memória, iniciativa do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, será inaugurada nesta sexta-feira em Porto Alegre. Desta vez, no Presídio Central.
    O dia 12 de agosto foi escolhido por ser o Dia Nacional dos Direitos Humanos, como explica o presidente do movimento, advogado Jair Krischke.
    A cerimônia será às 14h30, na calçada em frente ao presídio (Av. Rocio, 1.100), onde haverá o descerramento da placa que assinalará o local que serviu de prisão aos que se rebelaram contra a ditadura.
    A placa terá o seguinte texto:
    MARCAS DA MEMÓRIA
    PRESÍDIO CENTRAL – PORTO ALEGRE
    Cerca de 90 presos políticos, inclusive os transferidos da “Ilha presídio”, foram encarcerados pela ditadura neste Presídio Central. Na cela 38, em 22/4/1970, morreu o motorista de táxi e militante do Grupo – M3G, Ângelo Cardoso da Silva. Dado como suicida, foi apresentado pendurado por um lençol no pescoço na altura de apenas 1,30m. Seus pés estavam no chão.
    O Projeto Marcas da Memória é dedicado a formar a denominada cultura material de desvendamento da repressão, assinalando, na paisagem urbana de Porto Alegre, locais que tenham servido como prisões ou centros de detenção, de tortura e de desaparecimento de pessoas, tornando público que ali aconteceram graves violações aos direitos humanos.
    O papel na Prefeitura, no projeto, é instalar as placas. Outras seis placas já estão nos seguintes locais:

    1- Praça Raul Pilla, local do antigo Quartel da Polícia do Exército;
    2- Calçada em frente ao Colégio Paulo da Gama, que serviu como presídio militar;
    3- Calçada em frente ao Palácio da Polícia, onde presos políticos foram torturados durante o regime militar e, no segundo andar, houve tortura e homicídios nas salas onde funcionaram o Departamento de Ordem Política e Social (Dops/RS);
    4- Rua Santo Antônio, 600, onde funcionou o chamado Dopinho, primeiro centro clandestino de detenção do Cone Sul;
    5- Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), onde foram detidos mais de 300 presos políticos durante o período da ditadura;
    6- Calçada na avenida Bento Gonçalves, onde funcionava o 18o Regimento de Infantaria.
  • O Caso das Mãos Amarradas em livro, 50 anos depois

    O Sargento, o Marechal e o Faquir é o título do romance político-policial sobre a morte do sargento Manoel Raymundo Soares, assassinado após muita tortura em 1966.
    O pré-lançamento do livro será nesta quinta-feira (11), na Fundação Ecarta, num bate-papo com o autor, jornalista Rafael Guimaraens, e os convidados Carlos Frederico Guazzelli, advogado, coordenador da Comissão Estadual da Verdade/RS (2012-2014), e Suzana Lisbôa, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
    Guimarães resgata a trajetória do sargento Manoel Raymundo Soares numa narrativa de romance político-policial. Traça um perfil do personagem, nascido de uma família muito pobre de Belém do Pará, que mudou-se para o Rio de Janeiro para servir ao Exército e se tornou um dos líderes do movimento dos sargentos pelas reformas de base, durante o Governo João Goulart, e contra a ditadura implantada em 1964, após sua expulsão do Exército.
    A segunda parte do livro mostra a investigação policial em torno do assassinato do ex-sargento em agosto de 1966, após permanecer cinco meses preso ilegalmente na Ilha do Presídio, em Porto Alegre.

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    Desenho: Edgar Vasques, no Coojornal

    Autodidata, culto, politizado e amante da música clássica, Manoel Raymundo Soares foi detido em uma emboscada, traído pelo ex-faquir Edu Rodrigues, um informante da repressão, quando tentava protestar contra a presença do marechal Castelo Branco em Porto Alegre. Resistiu a dez dias de torturas ininterruptas sem delatar seus companheiros. As investigações responsabilizaram o DOPS gaúcho pelo crime, mas somente 30 anos depois sua viúva conseguiu responsabilizar a União pela morte de Soares.
    O Sargento, o Marechal e o Faquir tem 272 páginas, incluindo um caderno de fotos e reprodução de documentos relativos ao caso, e conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.
    Rafael Guimaraens é autor de doze livros, a maioria relacionada à preservação da memória, como Tragédia da Rua da Praia, Teatro de Arena – Palco de Resistência, Unidos Pela Liberdade e A Enchente de 41, e um dos organizadores de Coojornal – Um Jornal de Jornalistas Sob o Regime Militar e organizador de Os Filhos Deste Solo – Olhares Sobre o Povo Brasileiro.
    Serviço: pré-lançamento do livro O sargento, o marechal e o faquir (272 páginas, Libretos), a partir das 19 horas de 11 de agosto, na Fundação Ecarta (Av João Pessoa, 943).os.
     
     

  • Empresa que recebe efluentes de 1.500 indústrias é interditada

    A Fundação Estadual de Proteção Ambiental suspendeu hoje (10), por tempo indeterminado, as atividades da Cettraliq – Central de Tratamento de Efluentes Líquidos. A empresa, identificada como poluente da água, ignorou exigências da Fepam.
    A decisão, segundo a Fepam, decorre da emissão continuada de odores provenientes da atividade da empresa em quantidades perceptíveis fora do limite de sua propriedade, contrariando determinações da licença ambiental concedida pela Fepam.
    Várias exigências não foram cumpridas, como a abertura de processo de licenciamento ambiental para a instalação de emissário para a condução de efluente industrial tratado; a apresentação de proposta técnica para o enclausuramento em todos os tanques e equipamentos geradores de odores e o tratamento dos gases gerados pelos mesmos. E ainda uma proposta de monitoramento de compostos orgânicos voláteis de todas as cargas de efluentes recebidas pelo empreendimento.
    Com a medida, a empresa está impedida de receber e lançar efluentes líquidos no Lago Guaíba.
    A empresa tem prazo de dez dias para apresentar relatório técnico comprovando o atendimento das exigências ou apresentar o termo de encerramento da atividade acompanhado de cronograma para o esgotamento e limpeza dos tanques e destinação dos passíveis ambientais remanescentes.
    Ainda segundo a Fepam, o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) aproveitará a decisão da Fepam para realizar a limpeza da rede de esgotos pluviais e das caixas coletoras da região.
    Em julho, a secretária estadual do Ambiente e presidente da Fepam, Ana Pellini, disse que não há em Porto Alegre outra empresa que preste serviço similar. Desde então, determinou que a empresa aprimorasse o tratamento de resíduos imediatamente. A Fepam não informou qual deverá ser o destino dos efluentes líquidos industriais que vinham sendo tratados pela Cettraliq.
    A empresa trata efluentes líquidos de cerca de 1.500 indústrias. Em nota oficial, a Cettraliq afirmou que os resultados de uma série de análises realizadas na estação de tratamento de efluentes da empresa apontaram um número de bactérias Actinomicetos “dentro do normal para a atividade”, em cada uma das duas lagoas de tratamento. Segundo laudo da Umwelt Biotecnologia Ambiental, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela não seria responsável pela quantidade de bactérias Actinomicetos detectados pelo Dmae na Casa de Bombas do Trensurb. Ou, pelo menos, não a única responsável.
    (Com informações da Fepam)